Aprendendo a Viver.

4 Capítulo 3 - Conversas.


Notas iniciais
Oiii gente, mais um capítulo. Espero que vocês gostem. Eu estou muito feliz com os comentários. :D

Enjoy!

Capítulo 3 – Conversas.


- Eu não me importo. – Eu falei no dia seguinte, jogando o desenho que eu havia feito para aquele momento, na mesa em que Edward estava sentado no refeitório.

Graças a Deus ele estava só.

Ele olhou confuso para o desenho em cima da mesa e depois para mim.

- Bella, o que...

- Eu não me importo. – Cortei-lhe a fala e sentei-me em sua frente. – Edward, eu quero ser sua amiga. Não me importo com as diferenças entre nós dois. Eu sei que não começamos isso de maneira adequada, mas que tal começarmos agora que...

- Bella, eu...

- Edward, deixa-me terminar de falar OK? Ontem eu deixei você falar tudo o que você queria, eu não te interrompi, então gostaria que você deixasse-me falar, porque...

- Tudo bem, Bella. Fale... – Ele cortou minha tagarelice, dando um sorriso como se achasse algo engraçado.

Percebi que eu estava nervosa. Ali, se Edward dissesse que não queria realmente ser meu amigo, eu pararia de insisti. Bem, eu o mal conhecia, poderia superar essa rejeição.

Suspirei, mordi os lábios e cheguei mais perto dele. Quanto mais parecesse convincente, melhor seria.

- Edward... – Comecei e pigarreei. Ele ficou mais sério, esperando que eu continuasse. — Eu sei que eu sou diferente das pessoas que você costuma ter em volta, mas isso é só porque eu fui educada em outro tipo cultura. Eu fui educada em mundo para pensar dessa forma que eu penso hoje. Em minha vida inteira eu fui tratada como uma princesa, com tudo o que eu tinha direito. E de repente, eu estou aqui. Em outro mundo, um local fora de minha realidade. È difícil me acostumar tão rápido com isso. Sei que não é impossível me acostumar, mas para que isso aconteça, eu preciso de ajuda. E não há melhor pessoa para me ajudar nessa questão que não seja você.

- Por quê? – Ele perguntou de repente, parecendo cauteloso com algo. – Por que você faz questão que eu lhe ajude, Bella? Será que é só porque eu sou o único que não te olhar torto? Será que se eu agisse como todos os outros, você se quer perceberia minha presença?

- Não, você não ia fazer isso. – Ele me olhou confuso com a determinação das minhas palavras. – Vai... Vai contra a sua essência... – Continuei e suspirei. – Você é um garoto bom, Edward. Eu vejo isso. Eu quero ser sua amiga porque eu gosto da sua presença, isso não basta?

Ele olhou-me por um tempo. Sua expressão estava confusa, como se ele achasse impossível aquelas palavras saírem de minha boca.

- Bella, você tem certeza que quer isso?

- Claro. – Confirmei rápido. Olhei para o desenho. – Vê o desenho? – Ele olhou com um sorriso torto. – Essa aqui, sou eu. Esse aqui é você. – Apontei para a nossa caricatura no desenho da folha. – Esse buraco que você esta vendo no desenho entre a gente, é o buraco de nossas diferenças. Eu estou tentando ultrapassá-lo e veja que eu estou segurando suas mãos, porque... Eu preciso de você para fazer isso, Edward. – Olhei para ele e sorrir.

Percebi que nossos rostos estavam próximos demais. Seus olhos estavam cravados em cima de minha face, como se procurasse entender alguma coisa. Senti-me corar com a força que aquele olhar tinha sobre mim.

- Só que... hãã... – Tentei encontrar o fio do pensamento da qual os olhos de Edward me fizeram perder. Corei ainda mais por causa do nervosismo. Para me acalmar, tive que desviar o olhar dele. – Só que para isso, você precisa me deixar entrar. Dar uma chance. Entende? – Perguntei e mordi os lábios.

- Entendo. – A voz dele veio suave em meus ouvidos.

Ergui os olhos em sua direção. Ele me olhou com os olhos cerrados e um sorriso torto na face; A imagem mais sexy que eu poderia enxergar em sua expressão. Tão sexy e bonita, que me fez morder os lábios mais fortemente, quase os cortando.

- Você tem olhos tão lindos, Bella. – Ele comentou suavemente.

Senti minhas bochechas esquentarem — com certeza eu estava parecendo um tomate. Então, eu o ouvir dar uma risada baixa ao meu lado.

- È tão doce e meiga... – Continuou. – Como eu disse ontem, uma princesa. Não pertence a esse mundo. – Um sorriso envergonhado saiu dos meus lábios. Por que ele fazia meu corpo arrepiar-se daquele jeito só por dizer aquilo? — Tem certeza de que me quer do seu lado?

- Absoluta. – Afirmei com firmeza.

Ele finalmente tirou seus olhos do meu e olhou para o desenho, dando um sorriso torto.

- Posso ficar com ele? – Perguntou animado.

- Claro, foi feito para você.

Ele suspirou e me olhou.

- Tudo bem, Bella. Não posso deixar de admitir que eu também quero muito a sua amizade.

Um sorriso grande saiu dos meus lábios quando ele terminou de falar. Yes! Eu tinha vencido. Sabia que com as palavras certas e com as atitudes certas eu conseguiria.

- Será que eu posso dar um abraço? – Perguntei envergonhada, mordendo os lábios.

Ele não respondeu, ao invés disso, ergueu os braços meios hesitantes e me embalou com eles. Fechei os olhos ao senti-lo tão próximo. Sentia-me tão segura ali. Meu Deus! O que eu estava sentindo por Edward Cullen?

Com o pensamento, inspirei seu cheiro enquanto sentia-o colocar seu queixo no topo de minha cabeça. Meu coração palpitou tão forte que eu suspeitei que até ele pudesse ouvir.

Eu precisava descobrir, urgentemente, o que se passava dentro de mim.

Agora eu estava satisfeita. Quer dizer muito mais que isso, eu estava radiante. Realmente consegui convencer Edward a ser meu amigo. De alguma maneira, estava orgulhosa de mim. Não por um ato de convencimento; é só que eu nunca fiz questão de lutar pela a amizade de ninguém. Era estranho lutar pela a de alguém que eu mal conhecia, mas ainda assim era puramente gratificante.

Mais que tudo agora, eu queria saber sobre ele.

- Isso realmente sou eu? – Ele perguntou enquanto andávamos pelo o corredor do colégio depois de saímos da aula de biologia.

Eu olhei para o desenho que ele apontava a sua caricatura feita por mim. Aquilo não chegava nem aos pés da beleza de Edward.

- Sim, você não gostou? – Perguntei meio temerosa. Não costumava ouvir criticas nos meus desenhos.

- Não. – Ele bufou. – Está bom demais. Você tem muito talento Bella.

Gostei de ouvi aquilo de sua boca; saber que ele gostava de algo em mim era bom. Sorrir para ele quando ele voltou seu olhar para mim e desviei quando ele ficou segurando-o sobre os meus olhos, já sentindo o leve rubor vindo em minhas bochechas. Isso me fez ver os alunos olhando-nos enquanto avançávamos pelo o corredor. Suspirei.

- O que foi? – Edward perguntou.

- Você que estuda aqui por muito tempo, quando eles vão parar de olhar assim para mim?

- Bem, agora que você está andando comigo, acho que eles não vão parar de olhar nem tão cedo. – Comentou isso não de forma satisfeita, mas sim de forma triste.

- Como assim? – Perguntei confusa.

- È que eles acham que eu...

Gritos que vieram do corredor próximo que estávamos, cortou a sua fala abruptamente. Com a expressão assustada, vi Edward franzi os cenhos e olhar em direção ao corredor. Mais gritos vieram enquanto os outros alunos começaram a correr para lá.

- O que está acontecendo ali? – Edward perguntou de forma ríspida e de repente, correu até lá.

Sem saber o que fazer e também curiosa para saber o que estava acontecendo, corri atrás dele. Quando viramos no corredor que vinha os gritos, os alunos estavam aglomerados, olhando alguma coisa que parecia diverti-los. Edward se enfiou no meio deles, andando em direção ao que eles estavam olhando. Procurei ir atrás e quando vi do que se tratava, esbugalhei os olhos; era um garoto com uma arma na mão, ameaçando uma garota que estava jogada no chão.

Eu ouvi Edward rugi ao meu lado e depois começar a empurrar os próximos alunos que estavam em sua frente.

- Edward, cuidado! – Exclamei sentindo crescer o pânico quando vi que ele ia encarar o menino da arma.

De repente, senti a necessidade de chegar mais perto para ver o que acontecia e contornei os últimos alunos que estavam na minha frente. Eles estavam tão atenciosos com o que acontecia ali que não viam que era quem os estava tocando – com certeza, quando eles percebessem, iam se retorcer para os lados como se eu fosse algo contagioso.

Edward correu para a garota que estava encolhida e com medo em um canto e a pegou nos braços, ignorando totalmente o garoto com a arma. A menina se acolheu nos braços dele, parecendo em pânico. Ele veio até mim e a colocou de pé ao meu lado.

- Bella, você pode ficar com ela por enquanto? – Perguntou enquanto segurava a menina que estava chorando descontroladamente.

Eu olhei para ela e depois para ele.

- Cl-claro. – Balbuciei, sem saber mais o que dizer.

Ele assentiu e quando saiu, a menina encostou-se a mim, apoiando-se em meus ombros. Sem saber o que fazer, por nunca está naquela situação, apenas a segurei pelo o braço.

- Solta essa arma. – Na nossa frente, Edward pedia calmamente ao garoto que tinha a arma na mão. – Solta essa arma, Ben.

O garoto apontava a arma para Edward. Esse tinha uma confiança incrível nos olhos que me fez perceber que ele era mais corajoso do que eu poderia supor. Arriscar a vida só para salvar a garota que ainda continuava chorando, era... Bem, como sempre ele me deixou sem palavras. Não era comum encontrar pessoas se arriscando por outras.

- Vamos, Ben, me entregue essa arma e eu prometo que não vou fazer nada com você. – Edward pediu calmamente. Os alunos ainda olhavam o drama. Uns pareciam divertidos, outros com medo.

Ben tremeu um pouco, olhou para o pessoal a sua volta e depois para Edward, parecendo em pânico.

- Eu não tive culpa, ela chegou atrás de mim e eu pensei que... – Ele começou a falar com a voz chorosa.

- Tudo bem Ben, ela não vai lhe fazer mal. Dê-me a armar. – Edward ergueu a mão, pedido a arma. Ainda sentia o pânico dentro de mim, com medo de que algo acontecesse com ele. Portanto, algo em minha cabeça dizia-me que ele estava acostumado com situações como aquela.

- Mas, o diretor Turner vai brigar comigo. Ele vai me expulsar do colégio e o meu pai vai me bater ainda mais.

- Não, não vai. Só me dê a arma. – Edward pediu gentilmente.

Ele começou a se aproximar de Ben e um medo por sua vida dominou meu coração. O outro parecia bastante atormentado.

Vagarosamente, Edward chegou perto do garoto e pegou a arma da sua mão quando esse não parecia fazer mais nada do que ficar olhando temeroso para os alunos em sua volta.

- Desculpe, eu... – Ele começou a falar.

- Tudo bem. – Edward guardou a arma no bolso e pegou nos ombros do garoto. – Escute, nada aconteceu aqui. Ninguém aqui vai contar nada ao diretor Turner. – Ergueu a voz para que todos ouvissem. – Mas, Ben, não traga uma arma para o colégio. Por mais que você tenha medo de algo, violência não se resolve com violência, tudo bem?

Ben olhou para ele parecendo um pouco mais calmo e assentiu.

- Agora Vá. – Edward soltou o ombro dele.

- Obrigado, Edward – Ele comentou parecendo bastante agradecido. Edward assentiu e Ben saiu correndo entre os alunos que olharam para ele quando ele passou correndo e empurrando eles.

- Tudo bem pessoal acabou o teatro, dispersem-se. – Edward ordenou e sem reclamar todos fizeram o que ele pediu.

Fiquei parada no meu lugar, sentindo a garota se acalmar um pouco perto de mim. O que tinha acontecido ali? Edward simplesmente conseguiu resolver a questão da maneira mais fácil possível? Como ele conseguia isso? Seres humanos, principalmente em um lugar como esses, não pareciam ter controle em situações como essa. Mas, não Edward. Ele mais uma vez se diferenciava em alguma coisa.

Percebi que ele era como uma segurança para aquela escola. Todos os respeitavam ou era impressão minha?

Edward veio até mim e sorriu quando chegou próximo.

- Obrigada por ficar com ela. — Balancei a cabeça, sem saber o que falar. Eu não fizera nada demais comparado ao que ele fez ali na frente.

Ainda sentindo o coração batendo por causa do que acontecera ali, vi Edward sorrir para a menina e pegá-la no braço. Ela ainda estava em pânico e chorava. Mas, pacientemente, Edward começou a andar com ela em direção á sala do diretor.

Franzi o cenho, confusa e sem ter forças para impedir minhas próprias atitudes, fui atrás dele.

- Então é por isso que eles vão continuar olhando para mim por andar com você? – Perguntei a Edward quando caminhávamos pelo o estacionamento no termino da aula.

Edward depois que pegou a menina nos braços, levou ela para a sala do diretor Turner. Eu o fiquei esperando do lado de fora. Depois de alguns segundos ele saiu da sala com a menina bem mais calma. Essa agradeceu a ele e depois me agradeceu, dando-me um abraço sincero – o que me chocou assustadoramente; as pessoas ali não costumavam ser gentis comigo.

- Como assim? – Ele perguntou não entendendo a minha pergunta.

- Não sei. As pessoas aqui parecem te respeitar. – Eu olhei de relance para ele. – Te respeitam ou tem medo de você?

Vi-o dar um sorriso torto e erguer a cabeça para olhar o caminho na sua frente.

- Bella, as pessoas daqui são um pouco atormentadas. – Suspirou. – Alguns alunos são realmente perigosos, outros são ruins por preferência. As que não se encaixam nessas posições, precisam sentissem protegidas por alguém.

- E essa proteção é você. – Deduzi.

Ele ficou um tempo calado. Esperei pacientemente ele processar a resposta até chegarmos ao meu carro e ele se virar para me encarar.

- O ambiente dessa escola já é pesado demais. Eu faço o possível para manter um pouco de paz nela. – Deu de ombros. – Eu sou contra a violência e odeio ver alguém se aproveitando de outra como muitas pessoas fazem nesse colégio...

- Edward isso é... – Franzi o cenho, procurando as palavras. – Gentil e corajoso.

Ele sorriu torto e abaixou a cabeça, parecendo envergonhado.

- Não. È só o que eu acho certo a se fazer. – Murmurou com uma voz quase inaudível.

Mais uma vez ele estava me surpreendendo. Apesar do ambiente, Edward não se deixou ser influenciado. Não havia muitas pessoas como ele no mundo.

- Então, eu já entendi. Eles vão me odiar ainda mais por que não querem ver o protetor deles, andando com uma garota da qual pode tirá-lo deles? – Perguntei divertida.

Ele levantou a cabeça com um sorriso.

- Não sei. Talvez só porque eu esteja andando com a garota nova rica e mimada.

- HAHA. – Brinquei.

Ele olhou para mim nos olhos e novamente sustentou. Desviei, engolindo em seco, procurando ignorar o que ele causava dentro de mim — sentimento que até eu desconhecia.

- Acho que já está na hora de você ir, certo? – Perguntou afastando-se da porta do meu carro.

- È – Sussurrei e passei por ele para ir para a picape.

Senti a ansiedade de continuar ali. Não queria ir para casa, queria conversar mais com Edward, ouvi suas palavras, ver se ele me surpreendia ainda mais do que estava surpreendendo ou descobrir o que era essa ânsia de está ao seu lado. Ou ver, que apesar do ambiente, ele podia ser aquele garoto perfeito que estava demonstrando ser. Nesses poucos dias que o conheci, já podia citar muito adjetivos maravilhosos que lhe caracterizassem. Ou era só por que eu estava encantada por ele? Encantada. Sim, essa era a palavra certa; Eu estava encantada por Edward Cullen. Nunca vi um garoto como ele em toda a minha vida.

Por está relutante em ir para casa, eu parei na porta do carro antes de entrar. Sentia seu olhar em cima de mim, vendo minhas ações.

Vir-me-ei para ele, mordendo os lábios. Talvez a gente pudesse dar uma volta por ai. Conversar um pouco. Não estava preparada para me despedir dele.

Ele levantou uma sobrancelha quando viu minha volta.

- Edward... – Comecei hesitante. — Que tal se nós... Humm... – Abaixei a cabeça, constrangida e passei a mão no cabelo, nervosa. Não era boa nessas questões.

- Bella, o que foi? – Ele perguntou e eu senti-o se aproximando.

Ergui a cabeça para lhe encarar e sorrir.

- Que tal se nós déssemos uma volta? Não estou preparada para ir para casa agora. – Dei de ombros e senti-me corar. Droga! Eu nunca tinha feito aquilo. Alguma coisa realmente tinha de errado comigo.

Edward encarou-me por um tempo com a sua expressão impassível – o que me fez ficar ainda mais envergonhada — depois suspirou e deu um sorriso torto. Aquele sorriso torto que poderia destruir o coração de qualquer garota.

- Claro... – Passou as mãos no cabelo e olhou para frente. – Se você quiser, você deixa o carro ai e nós damos a volta no quartei...

- Está perfeito. – Concordei antes que ele terminasse. OK! Isabella, ao menos não pareça tão ansiosa pela a presença dele. Tive um ímpeto de bufar com minha atitude, mas me segurei.

Ele sorriu com o leve rubor que minha ânsia de continuar do lado dele me fez ter.

- Então vamos. – Indicou com a cabeça para que eu fosse a sua frente.

Assenti, tranquei a porta da picape e juntos, começamos a andar em direção a saída do colégio. Ele estava certo; os alunos estavam encarando nós dois ainda mais.

Saímos do colégio e rapidamente já estávamos longe do fluxo de adolescentes ruidosos que saiam dele. Por um tempo eu e Edward ficamos em silêncio, apenas andando um ao lado do outro.

Estava mais uma vez satisfeita comigo; eu consegui mais aqueles minutos com ele e saber disso, era bom.

- Obrigada por ter ficado com a menina naquela hora. – Edward rompeu o silêncio com sua voz suave.

Sorri torto e abaixei a cabeça.

- Não foi nada. – Dei de ombros.

- Eu pensei que você fosse reclamar, sabe? – Ele falou divertido.

Dei uma tapa em seu braço, brincalhona.

- Ei, eu não sou tão ruim assim. – Resmunguei.

Ele sorriu e ergueu a cabeça para olhar o caminho a sua frente. Estávamos andando pela a rua do colégio. Ela estava vazia e deserta, o frio parecendo ainda mais intenso, fazendo-me encolher no casaco.

- Como vocês agüentam esse frio? – Perguntei, quase tremendo os dentes.

Ele gargalhou; Uma gargalhada suave e rouca.

- Admito que isso realmente é uma coisa difícil para se acostumar. – Franziu o cenho, como se lembrasse de algo. – Comentando sobre isso percebi que nunca soube onde você morava.

- Jacksonville. – Comentei, dando um suspiro. Sentia tanta saudade de minha cidade; do sol aconchegante.

Ele sorriu torto como se estivesse prendendo uma piada.

- O que foi? – Perguntei, tentando analisar o que tinha dito de errado.

- Nada, é só que... – Sorriu. – As pessoas do Arizona não costumam ser bronzeadas? – Perguntou brincalhão.

Cerrei os olhos em sua direção, colocando a mão no bolso do meu casaco.

- Eu não sou bronzeada o suficiente para você? Olha só isso, sou quase morena. – Apontei para minha pele, fingindo perplexidade.

- OH! Sim, com certeza, você é muito bronzeada. – Ele brincou.

Eu sorri e abaixei a cabeça, enquanto ele ainda ria da nossa brincadeira. Ele estava certo, eu não parecia nada com uma garota que viveu seus dezessete anos em um local de intenso sol. Minha pele podia ser mais branca que um papel.

- Você sente saudades de lá? –Ele perguntou depois que ficou um tempo calado.

Dei de ombros.

- Muito. – Eu olhei em volta, para a rua deserta que estávamos. – Sabe, lá costuma ser mais movimentado que aqui. – Comentei em forma de descaso.

Ele riu da minha piada.

- E da sua antiga escola? Você sente saudades?

Eu olhei para ele com os olhos esbugalhados.

- Tá brincando? – Perguntei perplexa. – È o que mais sinto saudades. Lá pelo menos as pessoas não me olham torto e eu aprendo alguma coisa. – Suspirei e balancei a cabeça. – Estou doida para que meu pai recupere o dinheiro e me bote em uma escola particular. – Eu falei quase para mim mesma.

De repente, senti Edward parando e me deixando caminhar sozinha. Franzi o cenho, e olhei para trás.

- O que foi? – Ele me olhava com a expressão fechada.

- Isso que você disse.

- O que foi que eu disse? – Perguntei confusa. Novamente eu e minha boca grande.

- Eu pensei que... – Franziu o cenho, pensativo. Ergui uma sobrancelha esperando que ele continuasse. – Nada, eu... Eu acho que só me iludir.

Voltou a andar e passou por mim, que parada continuei a lhe encarar confusa pela a sua atitude repentina. Comecei a ir atrás de seus passos rápidos.

- Edward, o que foi que eu disse? – Perguntei novamente, um pouco mais irritada por ele está agindo como no começo.

- Você não disse anda. – Comentou ríspido. – Apenas a verdade.

- Edward, eu...

- Bella, deixa para lá. – Cortou-me rapidamente e suspirou. – Eu só exagero de vez em quando. Quer dizer, eu também não entendo seus pensamentos. – Olhou de relance para mim e depois passou a mão pelo o cabelo. – Você está feliz? – Perguntou de repente.

Ergui a sobrancelha com sua pergunta. Eu estava feliz? Digo, só porque eu estava aqui com ele, conversando, eu estava feliz? Eu ainda queria voltar a ser o que era antes? Sim, queria. Mas, parecia que uma parte de mim dizia que as coisas seriam bem melhores se Edward estivesse ao meu lado no meu mundo antigo.

- Não muito. – Dei de ombros.

- Por quê? – Ele perguntou agora me fazendo sentir seus olhos em cima de mim, observando cada emoção que passava em meu rosto.

Procurei olhar para frente e não encará-lo. Isso fazia minha mente pensar devagar, e eu não queria me fazer de abobalhada com seus olhos verdes agora.

- Ah, Edward, eu sinto falta das minhas coisas. Da minha casa, do meu quarto, das minhas aulas de artes, das minhas roupas antigas, do meu colégio, do meu sol. – Respondi sua pergunta com pesar.

- Então, se trata apenas disso? Coisas materiais? Digo, não há uma falta de um sentimento que faça você está infeliz por está nessa vida agora?

- Perda, decepção? – Saiu como uma pergunta, como se questionasse se isso poderia ser um sentimento nessa questão.

- Decepção pelo o que? – Ele perguntou confuso.

- Meu pai. – Suspirei. – Ele poderia ter se esforçado mais. Sabe, talvez se ele não tivesse desistindo de tentar reconquistar o que era dele antigamente, nós não estivéssemos aqui.

Ele silenciou por um tempo. Eu olhei de relance para ele para ver sua expressão; estava impassível.

- Bella... – Voltou a falar e eu desviei o olhar. – Já passou pela a sua cabeça que talvez ele esteja tentando?

- Aqui? – Perguntei perplexa. – Aqui ele não vai conseguir nada. – Bufei.

Ele suspirou. Seu ar parecia decepcionado com algo. Conversando com ele, via mesmo que a gente era bem diferente. Eu tinha uma visão do mundo totalmente diferente da dele. Dois mundos em orbitas completamente diferentes. Isso me deixava... Melancólica. Não queria que nós fossemos tão diferentes assim.

- Own, Bella, a vida não é tão fácil como você pensa. As pessoas não podem lutar por algo que acham que já é impossível de se lutar.

- Já eu acho que sim. – Dei de ombros. Parei de andar, fazendo-o parar e me encarar. – Você não lutaria, Edward? – Perguntei quando os seus olhos vieram para minha face. – Você não lutaria por algo que você quer de maneira alucinada, mas acha impossível de se ter? – Minha pergunta saiu mais intensa do que eu queria.

Ele ficou me fitando por um tempo, como se procurasse a resposta em meus olhos. E pela a primeira vez, eu não desviei o olhar. Quem fez isso dessa vez foi ele, que desviou o olhar e recomeçou a andar.

- Sim, acho que sim. – Concordou com a voz baixa demais.

Sorri satisfeita e comecei a segui-lo.

- Tá vendo, meu pai também podia lutar.

- Vai ver não era o que ele queria. – Ele deu de ombros. – Você já perguntou á ele qual a vida que ele prefere? Vai ver ele só estava cansado da vida movimentada que tinha.

- E preferir viver uma vida difícil?

- Não é tão difícil, Bella. Você tem uma casa, tem um carro, tem comida, ele tem um emprego, dinheiro — pouco, mas tem. Vida difícil é você morar no meio da rua em um frio como esse de Forks. Vida difícil, Bella, é você não ter alguém que lhe dê carinho, não ter uma família ou se quer um alimento no prato. Isso é vida difícil, Bella.

Droga! Odiava quando ele fazia isso, odiava quando ele estava certo. Eu ficava sem ter o que dizer, sem saber como defender minha posição.

- Você não precisa generalizar. – Foi a única coisa que eu consegui resmungar.

Ele riu quando eu coloquei irritada a mão dentro do meu casaco e eu olhei para ele confusa, procurando entender porque ele estava rindo.

- O que foi?

- Nós já estamos discutindo isso de novo... – Balançou a cabeça lentamente de um lado para o outro.

- Você começou. – Acusei sem hesitação.

Ele riu novamente e levantou as mãos para o alto.

- Eu confesso, culpa minha. – Sorri, desfazendo a expressão irritada que estava antes e ele suspirou.

- Eu tenho uma idéia. – Comentei animada e ele me olhou especulativo. — Que tal um jogo de perguntas e respostas? – Perguntei empolgada e ele levantou a sobrancelha, confuso. – È para nos conhecermos mais. Você faz a pergunta que quiser e eu respondo. – Dei um sorriso, convencendo-o a aceitar a brincadeira.

Ele olhou para frente, pensativo.

- Certo, eu começo. – Ele falou determinado depois de um tempo.

- Por que você? – Perguntei birrenta.

- Porque primeiro foi você quem chegou a minha cidade, é minha obrigação saber se você não é uma louca... –Brincou e eu dei uma tapa em seu braço, sorrindo. – E segundo, porque você mesma disse “Você faz a pergunta e eu respondo”. – Deu de ombros e voltou-se para mim com um sorriso convencido nos lábios.

Desviei o olhar mordendo os lábios quando vi seus dentes brilhantes em minha direção. Eles eram tão brancos e perfeitos. O sorriso mais lindo que poderia imaginar ter visto um dia.

- OK, eu não tenho como reclamar. Comece. – Concordei a contra gosto. Estava tão esbaforida para conhecer mais sobre ele, que não me lembrei de dizer que eu que começava.

Ele contraiu os lábios segurando uma risada e depois olhou para o céu notavelmente escuro, pensativo.

- Vamos ver o que eu gostaria de saber. – Ele falou baixo como se fosse para si mesmo. Esperei pacientemente ele elaborar uma pergunta. – Eu quero saber dos seus pais. – Falou de repente e eu franzi os cenhos.

- Dos meus pais?

- Sim, como eles são? – Estava animado ao perguntar isso.

- Bem, são legais. – Dei de ombros.

- Bella, eu não quero respostas artificiais. – Ele falou fingindo tédio. – Como é sua mãe?

Eu olhei para frente e sorrir ao lembrar-me de minha errática e animada mãe. Eu não entendia porque ele queria fazer essas perguntas, mas já que eu sugeri o jogo e aquela era a pergunta dele, não iria hesitar em responder. Aliás, porque hesitaria em falar em uma pessoa que amava tanto?

- Ela é... – Franzi os lábios, atrás da palavra. – Incrível. – Ele esperou eu continuar, provavelmente não querendo somente aquilo como resposta. – Não é uma mãe normal. Na maioria das vezes pode ser tão infantil quanto eu em termos de diversão. Ela jovem e ao mesmo tempo responsável. Ás vezes eu converso com ela como se estivesse falando com minha melhor amiga... – Sorrir e podia sentir os olhos de Edward cravados em mim. – Eu também admiro o quanto minha mãe é uma boa esposa. Ela, assim como eu, gostava da vida que tinha antes. Portanto faz o possível para não expressar isso para Charlie.

Sorri e essa frase quase me fez parecer muito egoísta por está agindo como estava com meus pais.

- Ela se parece com você fisicamente? – Parecia ainda mais animado.

Fiz uma careta de reprovação; apesar de minha mãe ter muitas características parecidas comigo, eu acho que não ficava bem em mim como ficava bem nela.

- Não muito, eu sou sem graça e ela é bonita. – Dei de ombros.

- Sem graça não seria o que eu diria para você. – Edward comentou ao meu lado e eu olhei-o para ver se sua expressão estava irônica. Estava totalmente séria com seus olhos voltados para mim. – A palavra linda combina mais. – Completou com um sorriso torto.

Corei como de costume e abaixei o olhar, envergonhada. Sentia meu coração trotando dentro de mim e eu queria obrigá-lo a parar de bater daquele jeito.

- O-Obrigada. – Sussurrei constrangida.

Eu poderia dizer para ele que mais que eu, ele era lindo e maravilhoso. Ainda não conseguia ver Edward em uma escola pública. As características dele, o rosto expressivo, o cabelo acobreado perfeito e o rosto bem desenhado, seria coisa para um modelo. Se não fosse a roupa dele – um casaco cinza simples com capuz, uma calça rasgada no joelho e baixa, e um sapato surrado nos pés – ninguém poderia dizer que ele era uma pessoa pobre.

Ouvi-o rir baixo quando minha voz saiu engasgada com seu elogio. Não falei nada, esperei que ele voltasse com a brincadeira.

- Tudo bem... – Ele quebrou o silêncio que se estendeu por um tempo. – E quanto ao seu pai?

Finalmente, fui capaz de levantar a cabeça.

- Meu pai Charlie é um bom homem. – Franzi os lábios com raiva das palavras que iria dizer adiante. – Ele realmente é um bom homem... O que ele conseguiu na empresa que tinha antes, foi com honestidade e muito trabalho. Eu realmente fico com muita raiva por saber que isso foi roubado dele tão facilmente. Charlie não merecia isso. Ele trabalha para ter as coisas que quer. – Suspirei, resignada.

- Realmente é muito difícil. – Edward falou com a voz melancólica. – Mas, o que importa é que ele não está parado. Está tentando se reerguer.

Continuei calada, provavelmente o que eu fosse falar ali, acabaria gerando outra confusão entre a gente. Eu não queria deixar nossas diferenças tão amostra.

- Você não esperava que isso acontecesse em sua vida, certo? – Ele perguntou.

- Não... – Balancei a cabeça tristemente. – Talvez o fato de eu esta com tanta raiva disso, foi ter sido pega desprevenida. Foi tudo tão de repente, um dia eu tinha tudo e outro não tinha nada.

- E como você se sentiu na hora em que seu pai anunciou que não tinha mais dinheiro?

- Eu achei que era uma brincadeira. Digo, nunca pensei que meu pai poderia perder a empresa que ele próprio construiu. Isso parecia impossível para mim. Então, as coisas foram piorando sem que eu ligasse em diminuir meus gastos. E de repente um dia, meu pai estava vendando quase tudo que era nosso. Inclusive a casa, dizendo que nos mudaríamos para uma cidade que eu nunca ouvi falar. Isso fez cair a ficha para mim.

- Por que você age assim Bella? Por que não quer aceitar a realidade de fato?

- Porque é justamente isso. Eu não quero aceitar a realidade. Por que se eu aceitar, eu vou está desistindo de quem eu sou agora.

- E quem você é?

- Uma garota da qual gosta de se divertir, precisa do dinheiro para comprar coisas que gosta, para fazer coisas que gosta e essas coisas. Uma garota da qual pode andar por ai sem ser vista como uma ninguém.

- Apenas futilidade?

- Não, Edward, não se trata apenas de futilidade. Trata-se de você fazer coisas da qual se sinta bem. Digo, nesse processo que meu pai perdeu tudo, até as aulas de artes, que eu tanto gosto, eu não posso mais fazer. Isso é o que mais me deixa frustrada. Um futuro que tinha desenhado para mim, de repente desmoronando.

- O dinheiro não compra felicidade.

- Mas, te dar uma vida mais completa.

- Mentira. – Ele discordou rapidamente. – Eu tenho uma vida completa. Eu tenho amigos, eu tenho um pai e uma mãe e principalmente, eu tenho o amor deles.

- Mas, ainda passa dificuldade.

- Não pode ter tanta certeza sobre isso.

- E por que você sempre fica com raiva quando eu falo sobre isso?

- Está dizendo que eu fico com inveja da vida que você tinha?

- Não. – Discordei, vendo que mais uma vez estávamos discutindo. – Só estou comentando que se você realmente não se importasse você não ficaria com tanta raiva de eu gostar tanto disso.

- Não é gostar tanto disso Bella. Trata-se... – Hesitou. – Trata-se de apenas eu ver... – Pigarreou — Que nós somos diferentes demais. – A última palavra saiu em um fio de voz.

Suspirei e revirei os olhos.

- Nós prometemos que não íamos deixar isso nos influenciar.

- Mas, acaba influenciado, Bella. Você não está vendo? Nós já estamos brigando de novo por causa disso.

- Não... – Eu falei suave. – Apenas defendendo nossos pontos de vistas. – Procurei ser divertida e tirar a tensão do ar.

Funcionou; ele deu o sorriso torto que eu estava aprendendo a gostar. O sorriso que demonstrava que ele estava de bom humor e disposto a esquecer o que a gente tinha discutido antes.

- Tudo bem... – Balançou as mãos e levou até o cabelo. – Acho que se eu continuar com essas perguntas complexas a gente vai brigar o tempo todo, certo?

- Concordo. – Sorrir satisfeita. – Que tal perguntas mais leves? – Sugeri.

Ele suspirou e sorriu mais largamente. Era incrível como apesar das brigas, a conversa entre a gente fluía sem dificuldades. Eu não sou muito acostumada a quebrar barreiras de silêncio com alguém desconhecido. Mas, com Edward, mais uma vez era totalmente diferente. Eu me sentia confortável ao lado dele.

- Então, como era seu dia a dia em Jacksonville? – Ele perguntou com a voz mais leve.

Pus as mãos no bolso, procurando relembrar meus dias de antigamente.

- Bem... – Entortei a boca, procurando achar as palavras. – Era bem entediante... – Ele sorriu da minha careta. – Eu ia para a escola; não era como essa, o tempo era integral e eu passava praticamente o meu dia todo lá. Depois quando eu voltava para casa ou ia fazer as minhas atividades ou ia fazer alguma coisa para me distrair.

- Como o que?

- Um banho de piscina, assistir alguma coisa na televisão, ou simplesmente sair pelas as ruas de Jacksonville e olhar o movimento. È o que mais eu sinto falta de lá; o movimento, o fluxo de pessoas na rua, o calor aconchegante. Aqui não tem isso. – Dei de ombros melancolicamente.

Ele ficou calado por um tempo e eu olhei de relance para ele – era sempre bom olhar quando ele ficava calado, só para ver como estava sua expressão – percebendo-o pensativo.

- Você não saia com amigos, ia para shopping ou festas ou qualquer outra coisa do tipo?

- Freqüentemente não. – Dei de ombros. – Eu acho que apesar de ter o dinheiro, eu gostava de me manter só. Gostava de me trancar no quarto, pegar minhas telas e desenhar qualquer coisa. Mas, de vez em quando eu saia. Ia ao shopping com minha mãe, ou para uma festa com os meus amigos.

Ele deu uma risada baixa e olhei para ele com uma sobrancelha levantada, procurando ver qual era a graça dessa vez. Eu não me lembrava de ser tão engraçada assim.

- Não consigo ver você em uma festa. Apesar de sua personalidade. – Ele explicou.

Eu fiz uma careta de reprovação e de aceitação ao mesmo tempo.

- Digamos que eu não sou uma dançarina eximia. Na verdade, eu sou bastante atrapalhada. Acho que puxei isso do meu pai.

Ele riu novamente e eu o acompanhei. De repente, ele ficou sério.

- E quais são seus sonhos? – Perguntou, virando seus olhos verdes em minha direção.

- Você disse que não iria fazer mais perguntas difíceis. – Reclamei.

- Essa não é difícil, Bella. Todo mundo tem um sonho. – Ele olhou para mim e sorriu. – Vai dizer que você não tem? – Perguntou zombadeiro.

Suspirei e olhei para frente. Sim, antigamente eu tinha um sonho, mas agora que não tinha como segui-lo, eu o tinha eliminado totalmente da minha mente.

- Sim, eu... – Hesitei. – Tinha.

- Tinha? Qual e por que não tem mais?

Dei um leve sorriso com as suas perguntas constantes.

- Bem, eu amo a pintura. – Comecei. – Eu posso simplesmente pegar um papel aqui, sentar na calçada e desenhar qualquer pessoa que passe por mim. Eu gosto de observar as emoções, os movimentos, ver como o ser humano age. Gosto de transportar tudo isso para a tela ou reinventar, como se ali fosse o meu próprio mundo, algo que só eu poderia fazer. – Suspirei, contendo minha empolgação. – Portanto, eu queria mostrar isso para o mundo. Queria fazer um curso de artes, queria me formar e poder expor os meus quadros, queria que as pessoas olhassem e entendessem o que eu quis botar ali, quais as emoções que eu procurava desenhar. Esse é meu sonho desde que entrei na escola de artes. Mas, acho que ele não pode mais ser realizado.

- E por que não?

- Por que eu estou aqui? – Perguntei retórica. – Digo, agora eu não tenho mais dinheiro para investir em uma faculdade. E todo pintor, eu acho, precisa ter dinheiro suficiente para começar uma carreira. Ele nunca sabe se vai dar certo ou não. E se não der, ele pode possuir uma segunda opção se tiver dinheiro. Eu, bem, não tenho mais essas opções. – Dei ombros.

Ele suspirou e eu olhei para ele. Edward tinha uma expressão séria, seu cenho estava franzido, mas além de tudo ele parecia está segurando algo que queria falar. Vindo dele e para ele está segurando, talvez fosse algo que eu não gostaria de ouvir. Então, deixei para lá.

- Quando você começou na escola de artes? – Perguntou depois de um tempo calado.

- Foi com seis anos. – Sorri ao lembrar como tudo começou.

- E como foi que você começou? – Perguntou e eu me questionei se ele tinha ouvido minha mente.

- Minha mãe. – Revirei os olhos, divertida. Ele sorriu com minha ação. – Ela queria de todas as formas me colocar em algum tipo de atividade extra. Podia ser balé, mas eu me sair horrível por causa da minha coordenação motora, podia ser algum tipo de esportes, mas eu sou ridiculamente ruim nisso. Tantas atividades que ela tentou para mim, que acabou na pintura. Eu fiquei chateada, como sempre, porque apesar de ter seis anos, ela queria que eu fizesse apenas o que ela queria... – Bufei. – Mas, com o tempo, quando eu vi o quanto a pintura poderia ser libertadora nos momentos ruins, eu comecei a gostar. – Sorrir. – E estou até hoje.

- E parece realmente gostar. – Ele comentou e sua voz profunda me fez olhar para ele. – Nunca ouvi alguém falar com tanta paixão de algo que gosta, de algo que faz bem, como você, Bella.

- Talvez pelo o tempo que a pintura está na minha vida.

- Eu tenho certeza que você vai consegui ter o que você quer. – Ele falou com a voz pensativa e parou de andar.

Eu percebi que paramos em frente a uma loja fechada de ferramentas. Eu parei quando Edward parou e me virei para encará-lo. Ele olhou para baixo, como se estivesse evitando meus olhos e depois se virou novamente para mim.

- Você tem talento... – Continuou com a voz mais baixa. – Pode ser difícil, mas você vai consegui o que quer. É só ter força de vontade.

Sorri com as palavras dele. Ele sempre tinha que vim com palavras assim; que levantasse o astral da pessoa, ou que não te deixasse pior do que você já estava.

Eu olhei para a sua face suave perguntando-me como pode existi pessoas assim como Edward eu nunca topar com ela em lugar algum que não fosse aqui. Foi preciso eu vim para um lugar tão distante, para um escola tão barra pesada e de difícil convívio entre os alunos, para eu descobrir que ainda havia pessoas que se importavam uns com os outros – esse alguém era Edward. Eu não era assim e admitia. Eu não me importava muito com os outros, mas, admirava as pessoas que conseguia fazer isso. Era dessa forma que eu estava agora; Admirada com Edward. A cada minuto ele conseguia ser melhor do que o minuto passado.

- Obrigada, Edward. – Balbuciei. – Você sabe conversar com alguém que não gosta. – Brinquei.

Incrivelmente, ele não achou graça. Não fez uma expressão fria, mas também continuou com o rosto impassível. Edward olhou para mim com os olhos insondáveis, franziu o cenho e comprimiu os lábios.

- Você acha que eu não gosto de você? – Sua voz saiu baixa e triste.

- Não, Edward... Digo, eu não sei. Isso é sobre você. Eu só estava brincando. – Sorri, querendo que ele visse que não queria dizer nada demais. – Você não vai ficar com raiva disso, não é?

Ele sorriu torto, fazendo uma covinha funda e adorável aparecer em sua bochecha. Aproximou-se um pouco mais de mim e eu quase senti meu pulso acelerar quando ele ficou a centímetros do meu corpo fitando-me de maneira intensa. Ele se quer piscava o olho.

- Bella. – A voz dele saiu como um veludo; leve e suave como um vento para os meus ouvidos. – Eu sei que eu te tratei mal no começo, mas isso não significa que eu não goste de você... – Sussurrou e cerrou os olhos, sustentando ainda mais o meu olhar. – A maior parte por eu agir assim no começo foi por justamente eu gostar muito de você. – Deu um sorriso vazio e abaixou a cabeça. – Desculpe por parecer mostrar que eu não gostava. – Sua voz saiu triste com o tom arrependido.

No mesmo instante senti a vontade de tirar aquela expressão de seu rosto — preferia quando ele estava sorrindo — portanto a parte que ele disse “é por justamente gostar muito de você” me deixou palavra alguma para ser dita. O que ele quis dizer? Aliás, por que eu dera tanta importância á essa parte?

- Edward... – Murmurei, levando sem querer minha mão ao seu braço. Ele pareceu retrair-se um pouco com meu toque, mas logo me olhou novamente. – Eu não...

- Ora, ora, olha só que bonito. – A voz rouca e fria veio á minhas costas, interrompendo-me.

Quis virar-me para ver quem era – mesmo já sabendo quem era – mas, Edward rugiu e passou as mãos na minha cintura, colocando-me para trás de suas costas, antes mesmo que eu pudesse chegar pensar em fazer algo e me virar.

- Jacob. – Edward sibilou raivoso. Senti sua mão segurando com força a minha cintura. Aquilo seria confortável se não fosse pelo o momento.

Atrás de Edward, eu não consegui senti o pânico que deveria sentir por encontrar Jacob e sua expressão em forma de ameaça em minha direção. – talvez porque eu soubesse que Edward iria me proteger de alguma forma — então, apertando quase sem querer os braços de Edward, eu estiquei a cabeça para ver o garoto de olhos pretos e violentos, que tinha um sorriso sarcástico nos lábios.

Jacob sorriu ainda mais quando viu que eu estava encarando-o.

- Bella, como vai? – Perguntou debochado, quase se aproximando.

Edward rugiu e me pressionou mais as suas costas.

- Jacob, não chegue perto dela. – Sibilou.

Jacob suspirou, parecendo cansando de algo e reprovou Edward com a cabeça.

- Cullen, Cullen, sempre protegendo as garotinhas indefesas... – Franzi o cenho com a sua frase. – Sabe o que vai acabar acontecendo, não é? Não seria mais fácil se você saísse do meu caminho?

- Saia do meu caminho você. – Edward revidou com uma fúria reprimida na voz.

Jacob sorriu e olhou de relance para mim. Fiz o possível para lhe lançar uma expressão de frieza.

- Bem, meu fã... – Começou sarcástico. — Creio que agora vai ser impossível de novo. – Ele falou, deu um sorriso malicioso e olhou para mim divertido. – Bella, eu estou voltando amanhã para o colégio. – Avisou como se fosse a coisa que eu mais queria nesse mundo.

Por mais que não conhecesse aquele garoto direito, já sentia um ódio ou um pânico em relação á ele. Sabia que ele não poderia fazer nada comigo, mas só a possibilidade de ter que lhe encarar todos os dias naquele colégio já me dava nos nervos.

Edward trincou os dentes com a frase.

- Escute Jacob... – Começou a falar, dando alguns passos para frente e sempre me levando junto com ele protetoramente. – Não pense em encosta um dedo nela, está ouvindo? Eu juro Jacob, que se você encostar um dedo vai se arrepender de ter nascido. – Edward falou entre dentes. Mesmo não sendo para mim, a ameaça me deu um calafrio intenso. Não era normal vê-lo ao frio como estava.

Jacob levantou a cabeça com uma expressão debochada, parecendo não dar a mínima para a ameaça de Edward.

- Olha só o que temos aqui... – Começou a falar, com um sorriso presunçoso nos lábios – Você está... – Edward rugiu e fechou os punhos, fazendo Jacob parar de falar o que quer que fosse.

Os dois entreolharam-se de uma maneira tão furiosa e com tanta intensidade, que eu podia deduzir que Jacob estava prestes a falar algo importante e Edward o estava repreendendo.

Jacob sorriu e desviou a atenção dele.

- Acho que eu já entendi. – Sorriu — Mas, seja como for... – Suspirou. – Ela é realmente uma garota bonita. – Ele olhou para mim. – Bella, docinho, não se preocupe, eu não vou desisti de você. – Foi mais como uma ameaça.

- Jacob, sai daqui. – Edward rugiu as palavras. – Antes que eu saia do controle.

- OK! OK! – Jacob levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. – Eu estou saindo, mas só porque vou te encontrar amanhã. – Sorriu mais malicioso e antes mesmo que Edward falasse mais alguma coisa, piscou para mim e saiu de nossa frente.

Ainda tensa pelo o momento, permaneci escondida e imóvel atrás de Edward até ver Jacob desaparecendo na esquina e sumindo de nossas vistas. Quando isso aconteceu, eu e Edward abaixamos os ombros, relaxando o corpo quase ao mesmo tempo.

Ele tirou-me de detrás de suas costas – já que eu não fui capaz de fazer isso por ainda está petrificada – e me colocou na sua frente, olhando com uma pequena ruguinha de preocupação em sua testa.

- Você está bem? – Perguntou cuidadoso. Eu só acordei do meu momento de transe, porque seu dedo frio colocou com suavidade uma mecha de meu cabelo para trás. Senti meu corpo tremer involuntariamente e do mesmo modo me encolhi no casaco; só podia ser frio.

Franzi os cenhos e engoli em seco.

- Eu... Eu acho que estou. – Balancei a cabeça e o vi sorrindo. – O que tem de errado com ele? – Perguntei quando eu finalmente consegui trazer a minha mente a frustração e raiva por aquele garoto musculoso e malicioso demais. – Por que ele tem que ficar no meu pé?

Ele sorriu novamente, parecendo achar graça da minha expressão.

- Não precisa ficar em pânico. Ele não vai fazer nada com você, Bella.

- Eu sei... – Eu falei confiante e ele franziu o cenho. – Porque eu vou está ao seu lado. – As palavras saíram que nem eu percebi.

Rapidamente, depois de perceber o que havia falado, corei. Parecia uma doida maluca que ansiava pela a companhia dele. E isso não podia ser verdade, porque eu o conhecia a tão pouco tempo.

Ele sorriu quando viu minha ruborização.

- Não precisa ficar com vergonha. Você está certa... Eu não vou deixar que ele faça nada com você. – A voz saiu mais firme e mais significativa do que qualquer tom que eu poderia esperar para aquela frase.

De qualquer maneira, isso não serviu para tirar minha vergonha, só serviu para aumentá-la mais, fazendo-me corar ainda mais – odiava essa minha característica irritante.

Ele estava preocupado comigo. Claro, como estava preocupado com todo mundo daquele colégio. Portanto, ao ouvi-lo falar isso de maneira tão comprometedora, parecia mais ser uma promessa que ele fazia questão de cumprir do que simplesmente ser o que ele acha certo a se fazer.

Novamente, Edward sustentou seu olhar no meu. Nervosa, eu passei minha mão pelo o meu cabelo; parecendo ver meu desconforto – não com seu olhar, mas com o que ele me fazia ter — ele suspirou e desviou.

- Acho que já está tarde, certo? Devemos apressar o passo? – Ele perguntou olhando para a rua a nossa frente.

- È, eu acho. – Concordei mesmo ainda não estando com muita vontade de voltar para casa. Ainda bem que voltava alguns passos para a gente chegar ao colégio.

Edward colocou as mãos no bolso e recomeçou a andar. Eu comecei ir atrás dele. Durante algum tempo, nós ficamos calados. Portanto, não via na expressão de Edward sinal de que ele estivesse pensando em alguma coisa que fosse reprovadora para ele. A expressão dele parecia mais satisfeita do que qualquer outra coisa.

Quando eu não quis, chegamos ao colégio rápido demais. Tudo estava silencioso e vazio; os alunos já tinham indo para suas casas e só meu carro se encontrava estacionado dentro dele.

Edward me seguiu até a picape. Nem uma palavra foi dita depois que nos encontramos com Jacob.

- Obrigada. – Agradeci quando eu cheguei á porta da minha caminhonete.

- Pelo o que? – Ele perguntou confuso.

- Por ter dado essa volta comigo... – Dei de ombros. – E por ter me defendido de Jacob.

- Não foi nada. – Ele deu um sorriso que chegou aos seus olhos. – Na verdade, foi um prazer. Sua companhia é muito divertida Bella. – Sua voz saiu brincalhona.

Sorrir e fiz uma expressão de descaso, brincando.

- Acho que a sua também.

Ele gargalhou e depois olhou para mim com os olhos brilhantes.

- Te vejo amanhã? – Perguntou como se fosse uma coisa que ele esperasse ser verdade.

- Claro que sim. – Minha voz saiu firme – firme demais. – Amanhã eu faço as perguntas. – Anunciei.

- Não, não. – Ele balançou a cabeça negativamente.

- Como não? È a regra do jogo, lembra? – Perguntei emburrada e cruzando os braços.

- Mas, eu não terminei de fazer as suas perguntas. Então... – Deu de ombros. – Sinto muito Srt. Swan, amanhã ainda será o meu dia.

- Isso é injusto.

- Não. – Ele sorriu. – Eu apenas estou seguindo as suas próprias regras.

Suspirei derrotada. Ele realmente sabia argumentar seus interesses.

- Tudo bem, contando que amanhã você não venha com uma história de que não podemos ser amigos, certo? – Pensei sobre o que falei.

Ele de um sorriso divertido e depois passou por mim para abrir a porta da caminhonete.

- Sua mãe realmente deve está preocupada.

- Você está querendo se livrar da minha presença? – Perguntei brincalhona.

- Não mesmo. – Sua voz saiu mais firme e assustada do que eu podia esperar. – Adoraria conversar mais com você. Portanto, não quero ser o culpado de seus atrasos em casa.

OK! Não existia um garoto como aquele. Eu já tinha decidido isso. Edward era excepcional.

Suspirei e dei de ombros, dizendo que não tinha mais nada a fazer. Também queria conversar mais com ele, mas, sabia que ele estava certo; minha mãe já deveria está preocupada comigo.

Entrei no carro com Edward ainda segurando a porta para que eu entrasse e me acomodei no banco. Ele fechou a porta e deu um sorriso divertido quando se encostou à janela.

- Eu realmente gostei do seu carro.

Abrir a boca, assustada.

- Você só pode está brincando... – Revirei os olhos enquanto enfivelava o cinto. – Sinto como se esse carro fosse desmoronar a qualquer momento.

Ele gargalhou de novo e depois balançou a cabeça.

- Bella, um dia você vai ver o que é o melhor da vida.

- Se você diz. – Dei de ombros.

Ele suspirou e se desencostou do carro para que eu pudesse dar a partida.

- OK! Eu estou lhe atrasando de novo. – Assentiu com a cabeça, suspirando – Tchau Bella, até amanhã. – Despediu-se.

- Tchau Edward. – Peguei-me triste ao pronunciar essas palavras. – Até amanhã.

Desviei o rosto dos seus olhos verdes e fixei-me na frente, girando a chave do carro. Rapidamente, o motor ganhou vida com o seu inconfundível barulho.

- Bella. – Apesar do barulho, pôde ouvi a voz baixa de Edward chamando-me. Eu olhei para ele, interrogativa. — Tenha cuidado. Por favor. – Pareceu mais uma suplica do que um pedido.

Fiquei desconcertada com o tom cuidadoso que ele usara, então apenas assenti com a cabeça e sorrir. Eu estava começando a gostar de vê-lo preocupado comigo, assim como eu gostei da forma que ele me protegeu de Jacob na rua.

Ele suspirou, como se dissesse que finalmente não havia mais nada para falar, e eu dei a marcha ré no carro. Sorri uma última vez quando passei por ele que continuava parado no mesmo canto que ele estava.

No portão do colégio, antes de desaparecer dali, eu olhei pelo o retrovisor e vi Edward estático no mesmo canto. Sua expressão estava melancólica.

Notas finais
Então? O que acharam?

Tão lindo os dois, não é? Bella coitada deve está confusa, até os dois dias atrás ela pensava em nem se quer pisar no colégio, imagina agora que ela está se apaixonando por Edward. HAHA. Vamos ver como ela vai reagir quando perceber isso. HIHI*

Beeeem, eu fiz um vídeo da fanfic( Sempre gosto de fazer) ele mostra o lado mais perigoso e proibido da fanfic. Aqui está o link:

http://www.youtube.com/watch?v=8J1eDRPKDkw

A fic não vai ficar só assim. Só estamos no começo. HAHA

Não esqueçam, se você gostou e se quer animar a escritora a prosseguir, um comentariozinho não faz mal nenhum. :D

Beeeeeeijos e até o próximo.