Aprendendo a Viver.
5 Capítulo 4 - Questionamentos.
Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês. Obrigada por todos os comentários do capítulo anterior, espero que vocês possam gostar também desse capítulo.
4. Questionamentos.
A viagem para a minha casa não demorou muito. O fluxo de carro era mínimo uma hora dessas da tarde – não que as ruas de Forks fossem movimentadas. Eu consegui colocar mais que 80 Km naquela velha caminhonete. Agora, parecia ser fácil dirigir ela. Não sabia se era porque eu não estava me concentrado na direção ou se era porque realmente já estava me acostumando. De qualquer maneira, a conversa que tivera com Edward a manhã inteira me perseguiu durante toda a viagem e eu sabia que ela iria me persegui por muito mais tempo. Lembrei de como nós resolvemos ser amigos e o abraço que ele me deu. Ainda podia sentir o seu cheiro – um cheiro doce e suave – seus braços protetores ao meu redor e seu coração batendo em seu peito. Aquele abraço foi um dos mais aconchegantes da qual um garoto me deu. Não era cheio de malicia, com desejos por trás. Era apenas um abraço. Um abraço doce e carinhoso que só poderia vim de Edward. Perguntava-me quais outras qualidades ele poderia ter. Bem, não importava. Agora eu tinha tempo para descobrir.
Quando cheguei em casa, estacionei a caminhonete no meio fio e desci. O alivio que senti nos meus ouvidos era quase palpável; por que ela tinha que ser tão barulhenta? Precisava mesmo avisar que eu estava chegando?
Revirei os olhos. Por incrível que pareça, estava mais animada e me vi sorrindo enquanto avançava em direção a porta de entrada.
- Mãe? – Gritei quando passei pela a porta e fechei.
Joguei minhas coisas em cima do sofá. Como minha mãe não respondeu, fui até a cozinha.
Ela não estava lá, mas algumas panelas fervilhavam no fogão. Sentindo-me com fome, tirei umas das tampas da panela para ver o que estava cozinhando. Quando vi que era um ensopado de frango, sorri e levei meu dedo até ele para provar. Mas, uma mão empurrou a minha para longe antes mesmo que eu conseguisse encostar o dedo.
- Pode tirando seus dedos sujos daí, mocinha. – Minha mãe reclamou quando eu encolhi a mão, fingindo que não tinha feito nada.
- Mãe. – Eu falei animada e me curvei para dar um beijo em sua bochecha.
Quando me afastei ela tinha uma expressão assustada.
- Perai... Isso é mesmo minha filha chegando da escola? – Perguntou incrédula e passou os olhos pela a minha face, como se quisesse ver alguma característica que não indicasse que era eu.
- Acho que sim. – Dei de ombros indo até a geladeira para pegar um copo d’água.
Ela abriu ainda mais a boca.
- Milagres acontecem. – Murmurou ainda não acreditando em meu incrível entusiasmo.
- HAHA.
Ela riu e voltou-se para a panela, mexendo com uma colher de pau o conteúdo. Coloquei a água no copo, tomei e depois guardei a garrafa na geladeira.
- Vai demorar muito? – Perguntei fazendo uma careta de fome.
Ela fechou a panela que mexia e me olhou sorridente.
- Não muito... – Sorriu ainda mais, como se planejasse algo. Ergui uma sobrancelha. – Enquanto isso filha... – Deixou a frase no ar enquanto ia á pequena área de limpeza que havia atrás da cozinha, pegava uma vassoura e um rodo e erguia em minha direção.
- O que é isso? – Perguntei confusa.
- Será que você pode me ajudar?
- O que? – Perguntei assustada. – Você quer que... Você quer que...
- Você lave o banheiro.
- O que? – Mais uma vez assustada. – Não, não, mãe. – Balancei as mãos. – Não estou com vontade de fazer isso.
- Mas, eu quero que você faça. – Enfiou a vassoura e o rodo com mais autoridade no meu rosto.
Fiz uma careta enojada e olhei para os dois instrumentos na mão dela. Olhei para ela, quase implorando para ela não me mandar fazer aquilo, mas antes mesmo disso, ela ergueu mais o dois utensílios, olhando-me mandona.
- Vamos lá, filha. – Deu um sorriso cheio de companheirismo; eu sabia que por trás dele tinha a ordem.
Suspirei irritada e praticamente tomei os dois utensílios de sua mão.
- Mãe. – Eu falei com a voz grave. – Você acaba de tirar o meu ânimo. – Sibilei raivosa e me virei.
Antes que eu fizesse isso, pude ver uma expressão divertida no rosto dela. Ótimo, ela estava achando divertido. Pois eu não estava achando graça nenhuma. Eu não sabia nem por onde começar para lavar o banheiro.
Rugi enquanto subia as escadas marchando; realmente todo o meu bom humor foi para o ralo.
A lavagem do banheiro foi... Horripilante. Ainda queria matar – tudo bem, um exagero – minha mãe por ter me mandado fazer aquilo. Eu queria matar ela porque – primeiro — ela não me deu todo o material para a lavagem e quando eu fiquei mais de meia hora esfregando o chão seco com a vassoura e não vendo resultado de limpeza nenhuma, ela apareceu na porta com o resto do material – sabão, desinfetante e tudo mais de coisas nojentas que se precisa para lavar o banheiro — rindo sem nenhuma vergonha da minha cara.
Afinal, por que limpeza de vaso sanitário não podia ser mais fácil? O horrível fui eu ter que ficar esfregando, as mechas do meu cabelo caindo no meu rosto e eu tendo que ficar soprando para ver se aqueles malditos fiapos saiam dos meus olhos. Quando não consegui e tentei afastar com a mão, esqueci que ela estava cheia de sabão; o meu olho doeu para valer e eu quase escorreguei no chão ensaboado.
No final, depois de consegui uma queda, meter meu joelho no vaso sanitário, minha cabeça na parede e me molhar toda pela a falta de coordenação com o balde, eu consegui terminar de lavar.
Suspirei e passei a mão na testa, tirando o suor do meu rosto. Eu olhei para o banheiro e sorri satisfeita. Até que ele estava limpinho.
- Bella, o almo... – Renée chegou falando e parou quando viu que eu tinha terminado. Eu olhei para ela especulativa, esperando para saber o que ela tinha achado da minha limpeza. Ela franziu o cenho e contorceu a boca. – Filha... – Bateu levemente a mão em minhas costas. – Da próxima vez, esfregue melhor.
Sorriu e saiu. Abrir a boca, abismada. Mais do que eu tinha esfregado? Impossível. Ela queria o que? Que meu braço se deslocasse do meu corpo? Bufei completamente frustrada.
- Mas, mãe eu esfreguei. – Gritei, olhando ao redor para ver o que tinha saindo de errado. Da próxima vez, eu ia fazer tão direito, que o banheiro iria parecer novo.
Ah! Qual é! Eu já estava pensando da próxima vez?
- Bella, pare de reclamar e venha almoçar. – Ouvi-a chamando, ignorando meus protestos.
Rugi e joguei a vassoura no chão. Sair um pouco mais satisfeita para a cozinha; estava realmente com muita fome.
Depois de almoçar, com meu pai chegando sorridente para nos acompanhar, subi para o meu quarto. Estava sentindo-me uma porca depois de lavar o banheiro. Então, peguei minha bolsinha com as coisas que ia precisar no banho e fui para o banheiro recém lavado por mim. Despi-me, entrei na água morna e procurei relaxar um pouco. Era realmente aconchegante sair de um ambiente frio daquela cidade verde e marrom e entrar em uma água morna.
Depois de perceber que estava gastando água demais, sair do banho, vesti qualquer roupa para ficar em casa – uma calça moletom velha e uma blusa de alça – e voltei para o meu quarto. Os olhos de Edward na parede pareciam observar-me fazer cada coisa daquelas. E eu me senti satisfeita; era como se ele estivesse lá.
Depois de guardar minhas coisas, sentei na minha mesinha e peguei meus livros. Fiz a atividade de exatas – mesmo tendo a certeza de que o professor não iria cobrar – e depois a de inglês do professor Carlisle.
Enquanto resolvia, eu percebia que a cada coisa que eu fazia ou toda vez que eu estava escrevendo as respostas das questões no meu caderno, Edward vinha quase como uma sombra insistente em minha mente. Se não eram seus olhos verdes – da qual eu achava que estava obcecada por eles – era alguma palavra que eu gostei de ouvir saindo de sua boca, ou seu sorriso torto, ou sua gargalhada. Acabava que eu balançava a cabeça procurando esvair os pensamentos e voltava a me concentrar na atividade.
Quando eu terminei, quase de noite, desci. Minha mãe estava arrumando a cozinha, meu pai assistia ao jogo na mini — televisão. Vendo que não tinha nada a fazer ali, subi novamente para o quarto e me joguei na cama. Ao fechar os olhos, pensei em Edward.
Não sabia o que estava acontecendo comigo. Só sabia que gostava de está ao lado dele e minha mente não parava de passar e repassar nossa manhã juntos. Não sabia se estava agindo como uma louca psicopata ou se isso era normal.
Acabei concluindo que não importava. O que importava era que eu estava satisfeita por ter a amizade dele. Entretanto, um aperto em meu coração surgiu quando eu lembrei também de nossas brigas ou os nossos bate bocas por causa de algo que nós não concordávamos. Ou seja, quase tudo. Eu sabia que ele estava certo e nós éramos muito diferentes. Mas, eu parecia não me importar com isso. Não parecia me importar com a reação do meu pai quando soubesse que eu tinha um amigo de um colégio público barra pesada.
Claro que nem Charlie e nem Renée chegou a cogitar que eu poderia fazer alguma amizade com esse “tipo” de gente; minha veemente negação para ir para essa escola, e minha expressão de desprezo quando ele me disse onde eu estudaria deixou bem claro isso para eles. Eu também sabia que eles não queriam que eu me misturasse. Suspirei. Agora eu parecia pedir para que meus pais não fossem tão preconceituosos em relação a condições financeiras. Não queria perder um amigo como Edward por causa disso.
Bom, eu também era ou fui, não sei; agora que eu andava com Edward podia dizer que era preconceituosa nesse aspecto? Ou minha barreira de preconceito só caiu em relação a ele? Suspirei. Eu sabia que era só com ele. As minhas atitudes e a minha resistência em ainda ter que entrar naquela escola e encarar os pares de olhares hostis em minha direção me diziam a resposta. Portanto, eu sabia que era questão de tempo. Um dia, eu tinha que mudar. Não era por opção, era necessário agora.
Também como eu não poderia ser preconceituosa quando existia um garoto como Jacob na escola? Ele realmente parecia está falando sério quando disse que não iria desistir de mim. Mas, então eu penso em Edward e vejo que se eu estiver ao lado dele nada vai acontecer comigo. Mas, ao pensar em Edward, eu pensei no que Jacob disse quando nós o encontramos hoje: “Você faz isso com todas as garotinhas indefesas, não é mesmo?”
O que ele quis dizer com aquilo? Que Edward não agia somente comigo assim, mas com outras meninas? Que talvez Edward tenha ajudado outras meninas como me ajudou no primeiro dia de aula e talvez ele tenha ficado amigo dessas meninas, assim como eu? Que isso não era algo excepcional que Edward fazia por mim?
Suspirei. Não sabia por que, mas as perguntas deixaram-me angustiadas. Queria que essas atitudes dele fossem somente para mim, que a maneira que ele falava comigo fosse especial só para mim. Acabava que com esses pensamentos e dúvidas eu concluía que ainda não o conhecia totalmente. Eu não sabia se eu estava me encantando por algo que fosse um charme – e que charme — dele para com outras meninas.
Bufei. O que eu estava pensando? Não importava. Edward e eu éramos amigos e se ele deixava ou não deixava de falar assim com outras meninas ou não, não era da minha conta. Mesmo com esse pensamento de que eu não tinha que ficar concluindo essas coisas de Edward, a minha persistente mente não deixou de gravar uma nota para jogar um verde para ele sobre isso.
Enfim, Edward era Edward como eu ainda estava o conhecendo. Se ele não fosse como realmente demonstrava ser, eu iria descobrir. Por enquanto, nós apenas estávamos nos conhecendo. Havia algo dentro de mim que dizia que Edward não iria me decepcionar da visão perfeita que eu estava fazendo dele.
Quase sem perceber, meus olhos fecharam-se, trazendo a inconsciência junto. Naquela noite eu sonhei com Edward Cullen.
Na manhã seguinte, acordei mais consciente do sonho do que qualquer coisa. Foi um simples sonho, da qual Edward e eu conversávamos. Tratava-se apenas de algo que eu vinha repassando na minha cabeça o dia anterior todo.
Fui me arrumar para o colégio e percebi que estava animada novamente esta manhã. O que era incomum. Pois alguns dias atrás, eu poderia fingir que estava doente só para que minha mãe não me obrigasse a ir.
Arrumei-me da maneira mais depressa possível e desci para o café. A parte do café também foi rápida. Rápida o bastante para minha mãe não perceber a minha animação para eu ir para uma escola que eu não gostava; ela estranharia meu comportamento animado para ir para uma escola que eu não gostava e começaria a fazer um monte de perguntas. Por enquanto, queria deixar a existência de Edward invisível para ela e para o meu pai. Na verdade, não sabia se um dia poderia contar a eles.
Quando cheguei ao colégio, percebi meu coração palpitar mais forte quando dobrei para entrar nele. Meus olhos instintivamente varreram o estacionamento; eu sabia que eles estavam atrás de algo – na verdade, de alguém — e sabia também que esse alguém provavelmente não estaria ali. Por que Edward estaria esperando-me no estacionamento? Provavelmente estava por ai, conversando com sua gangue. Por tanto, meu palpite falhou quando ao olhar em volta eu o percebi; estava encostado em um carro velho e sujo e olhava para o chão com uma expressão impassível. Tinha as mãos no bolso do casaco quando sua cabeça levantou-se ao ouvir o ruído ensurdecedor de minha picape chamativa.
Feliz por está vendo-o ali e também por não ter que entrar no colégio sozinha, eu encostei a minha caminhonete no local de sempre. Suspirei quando desliguei o motor e olhei pelo o retrovisor. Percebi que estava ficando nervosa quando eu vi Edward vindo em direção ao meu carro com um sorriso que me deixaria sem ar se estivesse o bastante próxima dele.
Não sabia se eram os meus olhos, mas ele parecia ainda mais bonito do que o dia anterior. Usava o mesmo casaco simples cinza com capuz. Suas calças de hoje eram mais surradas e baixas. Portanto, nada daquelas roupas jogadas deixava-o ridículo ou qualquer coisa do tipo; parecia deixá-lo ainda mais bonito do que já era.
Olhei-me no retrovisor e coloquei uma mecha do meu cabelo para trás; ultimamente, minha pele estava mais pálida do que habitual — conseqüências dessa cidade fria e úmida. Assim que vi minha aparência, peguei a bolsa e sair do carro, batendo a porta com força e ouvindo os restos de fuligem cair no chão. Agora percebia a pequena garoa que caia do céu.
Avancei a passos calmos em direção á Edward que também vinha em minha direção. Ele sorriu ainda mais quando me viu.
- Ei, garota da cidade. – Cumprimentou quando chegou bastante próximo. Sorri com seu caloroso cumprimento.
- Ei, garoto da cidade horripilantemente fria.
Ele gargalhou com minha careta desanimada para a chuva que caia e nesse momento já estávamos bastantes próximos um do outro. Edward parou na minha frente, hesitante, como se não soubesse o que fazer. Eu também parei e fiquei o encarando, esperando qualquer atitude da minha parte; um abraço ou um aperto de mão não faziam parte de um cumprimento de amigos? Sim. Mesmo sabendo disso, fui incapaz de fazê-lo.
Edward pigarreou, como se desistisse de tentar me cumprimentar da forma certa, e ficou com a expressão impassível.
- Espero que não se importe de eu está lhe esperando. – Sussurrou, colocando as mãos no bolso do casaco.
- O que? – Perguntei brincalhona. – Claro que não. – Dei um sorriso convencido. – Na verdade, nem percebi que você estava me esperando. – Comentei com descaso, fazendo-o rir novamente.
A verdade é que eu tinha percebido bastante e estava vibrando por dentro por causa disso. Saber que ele se importava comigo, trazia uma sensação de conforto que eu jamais senti perto de alguém.
- Oh! Sim, de qualquer maneira, deixe-me lhe dizer que eu estava esperando ansiosamente por você. – Ele falou suavemente, com um sorriso torto no rosto.
A palavra ansiosamente me fez corar. Rapidamente, para ele não perceber, abaixei a cabeça. Ouvi um suspiro da sua parte.
- Na verdade... – Ele recomeçou a falar com a voz um pouco mais pesada, tornando-se impossível não levantar a cabeça para encará-lo. Ele tinha uma expressão preocupada. – Eu não quero te deixar sozinha andando pelos os corredores.
Assim que ele falou, olhou de relance para o seu lado direito. Segui o seu olhar, vendo Jacob encostado em um carro, observando nós dois. Sorriu quando me viu olhando para ele e eu rapidamente, desviei o rosto. Droga! Era só o que faltava.
- Diga que algum dia ele vai desisti. – Murmurei suplicante para Edward. Não estava a fim de ficar fugindo de um delinqüente como Jacob.
Edward suspirou desanimado.
- Não sei. — Deu de ombros. – Espero que você não se incomode de eu ficar perto de você o tempo todo. – Franziu o cenho e olhou para baixo. – Não quero que Jacob lhe veja indefensa.
Sorrir e mordi os lábios. Ele estava preocupado comigo. Mais preocupado do que eu estava comigo própria.
- Obrigada. – Murmurei. – Eu não me importo.
Ele levantou o olhar e novamente houve aquele momento em que um sustentava o olhar do outro, sem nenhuma palavra. Até o constrangimento chegar as minhas bochechas e eu ter que desviar os olhos.
- Err.. Você quer entrar? – Ele perguntou, indicando a escola.
- Sim, por que não? – Eu sorri e ele assentiu, virando-se com um sorriso tímido no rosto.
Começamos a andar nós dois em direção ao colégio. Não pôde deixar de notar seu grupo de amigos perto da porta da escola. O pior foi os olhares deles em minha direção. Em uns, os olhares deixavam expressos que eles não gostavam de mim. Mais um, um único olhar, não era hostil em minha direção. Tratava-se do olhar de uma garota de cabelos espetados e pretos.
- Seus amigos não parecem satisfeitos por te ver andar comigo. – Comentei com Edward quando atravessamos a porta do colégio e entramos no corredor com os alunos barulhentos. Rapidamente, como sempre, alguns olhares hostis se viraram para me encarar. Fingi não esta percebendo.
Edward deu um sorriso torto com meu comentário.
- È, eles acham que eu estou indo contra as leis do grupo. Andando do lado de uma garota mimada e patricinha.
- E você está?
- Não. – Ele deu de ombros. – Eu nunca disse que eles não podiam andar com garotas mimadas e patricinhas. Também nunca imaginei que teria uma dessas na minha escola. – Ele falou com um sorriso debochado no rosto.
- Ei. – Dei-lhe uma tapa no braço, fingindo aborrecimento. Ele sorriu.
Um silêncio prevaleceu por um tempo enquanto avançávamos pelo o corredor em direção á sala da minha primeira aula.
- O que? Não vai me encher de perguntas hoje? – Perguntei divertida.
- Absolutamente sim. – Ele falou com firmeza. – Já andei até aprontando algumas para lhe perguntar.
Levantei uma sobrancelha. Ele andara pensando em mim; aquele aprontando foi algo como se dissesse que ele estava se preparando a muito tempo. Gostei de saber disso. Sinceramente, gostava e não gostava de sentir essas sensações.
- Aprontando? – Perguntei com um sorriso cínico nos lábios.
Ele ficou nervoso. Percebi isso porque já conhecia essa sua parte; ele passava as mãos nos cabelos dourados e engolia em seco, sempre não tentando olhar para mim. Será que havia alguma possibilidade de Edward se apaixonar por mim alguma vez? Não, o que eu estava pensando? Para ele eu era apenas uma garota mimada da qual ele nunca poderia se conciliar. Nós dois nunca nos conciliaríamos. Era como se fossem dois lados opostos de uma pilha; um divergente do outro. O pensamento agourento me angustiou.
- Èèè... – Ele falou depois de um tempo, a voz um pouco mais abafada. – Eu passei a tarde da noite pensando o que eu queria saber sobre você. – Ele falou com olhos baixos, como se estivesse constrangido ao declarar aquilo.
Senti meu coração parar de bater e voltar com uma grande galopada. Até eu mesma fiquei nervosa com seu comentário e voltei meu olhar para frente.
- Talvez... – Pigarreei quando minha voz saiu engasgada. – Talvez você pudesse me fazer algumas. – Sugeri.
Ele deu um sorriso torto, um pouco menos nervoso.
- Não, não agora.
- Por que não? – Perguntei triste. Estava ansiosa por responder suas perguntas. Queria que chegasse logo a minha vez de saber sobre ele. E o único jeito era passando pelas as minhas perguntas logo.
Ele suspirou e quando parou, percebi que estávamos na minha sala. Fui para perto da parede e ele se aproximou de mim.
- Porque agora você tem aula. – Sorriu, mas pareceu um sorriso meio doloroso.
Nossos olhos se encontraram e dessa vez nenhum pareceu querer desviar. Mesmo sentindo o rosto esquentando, continuei olhando firme em seus olhos verdes.
- Mas, na hora do refeitório teremos algum tempo para conversar sobre isso. – Ele declarou e eu fiquei feliz por saber que eu iria passar o almoço com ele.
Assenti por ser incapaz de pensar em alguma coisa para responder já que seus olhos continuavam firmes e sem nenhuma hesitação a me encarar de maneira intensa e detalhada que estava me encarando.
- Bella... – Ele sussurrou meu nome. – Eu queria te pedir uma coisa. Pode ser? – Perguntou parecendo um pouco mais sério.
Assenti novamente, apertando com força os meus livros contra o meu peito, como se eles fossem capazes de parar uma dor estranha que agora eu sentia no meu coração.
- Poderia ficar visível o tempo todo? – Franzi o cenho, não entendendo.
- Como assim? – Perguntei em um sussurro. Ele estava perto demais; eu podia sentir seu hálito em meu rosto.
- Jacob está por ai. – Explicou. — Eu gostaria que você tentasse ficar o mais próxima de mim enquanto troca de uma aula para outra. Ele vai esperar você está desprevenida. – Franziu o cenho, desviando o olhar como se lembrasse de algo. Sua expressão ficou fria. – Ele não vai fazer nada com você no colégio, mas... – Engoliu em seco novamente. – Vai tentar te assustar de alguma maneira ou... Até mesmo... – Franziu mais os cenhos e seu maxilar travou. – Tentar te tocar. – Terminou de falar e olhou para mim, como se esperasse minha fala. – Você pode tentar ficar visível, certo? Não quero que ele faça nada com você.
- Claro. – Por incrível que pareça eu não parecia está com tanto pânico em relação á Jacob. Ele era apenas um garoto. E além demais, eu tinha Edward; ele queria me proteger. – Eu vou procurar ficar o mais visível possível.
Ele deu um sorriso torto e assentiu. Nesse momento, o sino tocou estridente, sobressaltando-me. Ele pareceu achar engraçada a minha expressão de raiva pelo o susto. Sorriu.
- Acho que tenho que ir. Você vai ficar bem?
- Vou. – Sorri. – Acho que sei me cuidar por algumas horas. – Comentei divertida.
Ele sorriu.
- Espero que sim. – Foi irônico.
Rolei os olhos. Eu era capaz de me cuidar. Claro que me sentia bem mais segura com ele do lado, mas, Jacob não parecia me assustar.
Edward pareceu ver isso em meus olhos – a parte da segurança ao seu lado — pois sua expressão divertida sumiu, tomando um lugar de uma confusa. Sua mão que estava presa em seu bolso até o momento, se ergueu até minha face vagarosamente. Pensei que ele ia apontar algo, mas, assustei-me um pouco quando, com o cenho franzido e me observando, ele levou seu dedo até um fio solto do meu cabelo e o pôs para trás da minha orelha levemente. Tremi despercebidamente e apertei ainda mais o caderno no meu peito quando ele levou o dedo até minha bochecha rosada e espalmou a palma da mão levemente em meu rosto, fazendo meu pulso acelerar. Senti seu calor saindo de sua mão e espalhando-se em minha face em uma sensação estranha de conforto. Naquele instante fiquei sem saber o que dizer, ou o que fazer. Os olhos dele olhavam minha face, mas era como se não estivesse vendo realmente os meus olhos. Ele parecia observar algo, entender alguma coisa, assim como eu; fazia sentindo o que eu estava sentindo por ele? Fazia sentindo o que esse simples toque dele na minha pele me fazia sentir? Fiquei sem respostas para minhas perguntas por enquanto.
Edward parecendo perceber o que estava fazendo, tirou a palma da mão do meu rosto e abaixou a cabeça, colocando a mão novamente no bolso. Eu senti minha boca quase dizendo as palavras de que queria que ele continuasse com as mãos dele em minha face, mas, mantive-me calada. Por enquanto, eu precisava conciliar os meus sentimentos por ele. Sabia que só amizade não era.
- Bella... – Ouvi sua voz baixa. Ele olhou para mim e deu um sorriso torto, mas dessa vez parecia envergonhado. – Desculpe-me... – Sussurrou, franziu o cenho e balançou a cabeça. – Te vejo depois. – Murmurou novamente e saiu, sem me deixar dizer mais nada.
Percebi o vinco de confusão se formando em minha face por essa sua atitude repentina e olhei-o se afastar; os alunos observando de onde ele tinha saído — ou seja, eu – e fiquei confusa. Ele parecia ter cuidado com algumas atitudes. Ele estava relutante em se aproximar mais de mim?
Sim, eu sabia que sim. E também sabia o porquê; ele não se achava bom o bastante para mim – de acordo com as palavras dele no dia que ele disse que não podíamos ser amigos — mas, agora eu via que era exatamente ao contrario; eu não era boa o bastante para ele.
Com o pensamento – e também com algum mal educado entrando na sala e batendo em meu ombro sem pedir ao menos desculpa. – acordei e entrei na sala. Parecia ainda senti as mãos de Edward em minha face. Ou eram apenas as minhas bochechas vermelhas e quentes demais?
O dia passou como se eu não estivesse na sala de aula. Na verdade, era como se eu não estivesse naquele colégio tendo que aturar aqueles alunos idiotas e baderneiros; pelo o resto do dia, antes de chegar o horário do almoço eu fiquei realmente inativa do mundo ao meu redor. Minha mente parecia pensar em uma única coisa; Edward Cullen. Eu nunca, em toda a minha vida, tentei obrigar a minha mente pensar em outra coisa que não fosse ele. Parecia programado, minha mente parecia ter vontade própria. Não parecia ser a mente da velha Isabella – mimada, patricinha e fresca; eu me achava incapaz de pensar tanto em alguém no passado como eu estava pensando nele hoje. No passado, quando eu tinha muito dinheiro – ainda me ressente muito pensar sobre isso – eu sentiria repulsa em relação a Edward. Só em saber que ele estudava em uma escola pública do subúrbio e barra pesada como essa, eu já teria mantido o máximo de distancia possível. Mas, agora vejo o quanto aquele ditado é certo; as aparências enganam.
Na primeira aula, quando minha mente estava mais ativa, o professor Berty chamou-me atenção que eu não escutei.
- Srt. Swan. – Parecia uma voz lá no fundo da minha mente que só tinha a face de Edward estampada. – SRT. SWAN. – O grito foi preciso para que eu acordasse do céu escuro que olhava pela janela.
Engoli em seco e olhei para ele, sentindo-me corar. Os olhares estavam ali, alguns pareciam debochados.
- Sim, Sr. Berty. – Meu tom foi de rispidez. Esses professores eram exatamente como os alunos; pareciam ter certo no nojo de mim.
- Será que está prestando atenção na aula? – Perguntou sarcástico.
- Como todos da sala? – Perguntei irônica. Fui tão irônica que consegui tirar algumas risadas dos alunos.
O Sr. Berty riu sarcástico e cerrou os olhos em minha direção. Parecia ter uma ameaça estampada naqueles olhos escuros.
- Claro! Ou é porque a Srt. se acha incapaz de prestar atenção em um professor de uma escola como essa?
Trinquei os dentes e abaixei a face. Droga! Quando eles iam me deixar esquecer isso? Esquecer da vida que eu tinha antes de conhecer essa? Manter-me no mundo e nas palavras de Edward parecia ser mais reconfortante, mas quando ele não estava por perto, eu me dava conta de onde estava e o porque, e toda aquela Isabella mesquinha e materialista voltava a tona.
O Sr. Berty esperou por respostas minhas, só que eu não quis responder. Apenas deixei que ele olhasse para a minha cabeça abaixada e comecei a rabiscar um desenho em meu caderno. Não demorou muito e Edward já estava se apossando dela novamente. Eu precisava fazer alguma coisa sobre isso. Suspirei desgostosa.
No resto do dia antes do almoço, eu encontrei raras vezes Edward pelo o corredor. Sempre ele estava longe, observando-me. E sempre, Jacob também estava a frente ou atrás de mim. Começava a suspeitar se aquilo não era uma disputa dos dois. Mas, sabia que não; os olhos de Jacob eram maliciosos e os de Edward eram doces e protetores. De qualquer maneira, procurei me esquivar de Jacob de todo o jeito. Adiantou, não o vi mais que umas três vezes pelo o corredor.
Entediada com a aula a minha frente, olhei o relógio de pulso. Era a última aula antes do refeitório, e justamente essa parecia está passando feito uma tartaruga em câmera lenta. Mas, finalmente depois de um suspiro longo que saiu dos meus lábios, o sinal tocou.
Ansiosa pelas as perguntas de Edward, eu me levantei da cadeira e comecei a juntar meus livros. Depois os peguei em meu braço e apressei o passo para sair da sala. Estaquei na porta quando vi Edward esperando-me, encostado na parede e olhando para o lado oposto do que eu estava. Um leve sorriso saiu dos meus lábios e eu me aproximei dele.
- Oi. – Murmurei e ele rapidamente olhou para mim.
- Ei. – Ele falou animado. – Fico feliz que você se manteve completa nesse meio tempo. – Ele falou divertido.
Revirei os olhos com um sorriso e nós dois começamos a nos mover pelo o corredor. A hora do refeitório parecia a hora que aqueles alunos estavam ainda mais efusivos. Gritavam e pareciam está brigando enquanto conversavam. Portanto, agora eu não parecia perceber.
Eu e Edward andamos rápidos e chegamos ao refeitório um pouco antes de ele ficar lotado pelos os alunos. Edward tomou a fila para a comida e me pôs a sua frente. Peguei um refrigerante e uma maça. Um pouco estranho para um lanche, mas, eu estava sem fome. Minha barriga parecia está cheia de tantas borboletas que rodeavam nela.
- Só isso? – Edward perguntou enquanto nos movíamos para a mesa. Ele estava com uma bandeja abarrotada de comida.
- È, eu estou sem fome. – Dei de ombros.
Eu o ouvir rindo e olhei para ele confusa.
- O que foi?
- A maioria dos alunos daqui espera por esse lanche. – Sorriu mais, olhando para algum lugar na sua frente. – Enquanto você diz que está sem fome. È, eles realmente podem te odiar por isso.
- Eles não podem me odiar por eu está sem fome.
- Não, eles vão te odiar por você ter dinheiro o bastante para comer em casa quando chegar. Ao contrario deles.
Franzi o cenho com a resposta de Edward. Ele andou mais rápido na minha frente. Por que ele tinha mania de me dizer essas coisas? Talvez para me lembrar que eu não estava no mundo que queria está?
Frustrada pela a realidade que me cercava, sentei-me à mesa que ele pegou um pouco distante dos alunos bagunceiros.
- Bella, desculpe-me por está dizendo isso direto para você. – Ele olhou para a bandeja a sua frente e começou a mexer na comida. – È só que eu quero que você entenda que aqui as coisas não são tão fáceis.
Suspirei e me recostei na cadeira. Eu percebia que as coisas não eram fáceis.
- Eu entendo.
Ele ergueu os olhos e me olhou confuso; talvez não esperasse essa resposta de mim.
- Eu só não consigo me acostumar. – Completei. Um sorriso torto saiu dos seus lábios como se ele dissesse que esperasse por esse complemento.
Edward deu uma colherada na comida e pôs na boca. Aproveitei o momento para abrir a lata de refrigerante e tomar um gole.
- Então, pode começar o interrogatório. – Eu falei animada quando ele engolia o que comia.
Ele sorriu e para mim foi o primeiro sorriso malicioso que eu via sair dos seus lábios nesses três dias que estava com ele.
- Claro, a parte que eu esperava. – Pigarreou.
Ergui-me para frente e me apoiei meus cotovelos na mesa. Ele ficou pensativo na minha frente e depois sorriu, lembrando de algo.
- Eu vou começar com perguntas básicas. Como, eu fiquei curioso por saber se você tinha amigos na outra cidade. Você nunca pareceu comentar muito deles.
Básica mesmo. Pensei.
- Não muitos. — Dei de ombros e depois entortei a boca, lembrando de minhas amigas frescas demais até para mim. – Elas não eram bem amigas. Tratavam-se apenas de colegas de colégio. Também eram falsas e eu não procurava confiar muito.
- Falsas? Isso parece comum no mundo das riquezas. Você não acha? – Perguntou inquisidor, quase uma piada saindo de seus lábios.
- Èèè. – Revirei os olhos.
Não podia deixar de dizer que ele estava certo. No mundo de riquezas, na vida que eu vivia antes, as pessoas não parecem se aproximar pelo o que você é e sim pelo o que você tem.
— Nesse mundo as pessoas costumam te medir pelo o que tem. – Completei e dei de ombros.
- Ora, gostei da resposta Isabella Swan. — Ele sorriu e mastigou mais alguma comida.
- Passei no teste? – Perguntei divertida.
- Ainda não. – Sorriu e engoliu. – Agora a próxima... – Pigarreou e pareceu ficar mais sério. Lá vinha uma pergunta bomba. – Você... Você já... – Hesitou, comprimindo os lábios. – Você já teve algum namorado? – Sua voz saiu baixa na última palavra.
Meus olhos aumentaram um pouquinho com a pergunta e eu me encostei surpresa na cadeira. Ele me observava; seus olhos vendo cada emoção passar por meu rosto.
- Sim... – Admiti e rapidamente olhei para sua expressão, como se estivesse com medo de sua reação. Portanto ele continuou impassível, esperando que eu continuasse. – Mas, acho que nada muito sério.
- Por quê?
- Porque eles eram garotos estúpidos. – Revirei os olhos.
- Como estúpidos? – Pareceu curioso. – Fale-me sobre eles. – Seus olhos sondavam minha face, desconcertando-me.
Suspirei, perguntando-me porque ele queria tanto saber sobre aquilo. De qualquer maneira, por que não responder? Dei de ombros.
- Em toda a minha vida eu só tive dois namorados... – Dei um sorriso leve e desviei os olhos da face dele. Sentia-me envergonhada em falar sobre aquilo olhando para o seu rosto. – Eles eram do colégio. – Sorrir lembrando-me dos dois garotos da qual namorei. – Não tinham um cérebro na cabeça e quando eu terminava com eles, perguntava para mim o que eu tinha visto neles.
- O que eles faziam para você? – Ele perguntou, esquecendo-se totalmente da comida e se apoiando mais sobre a mesa para me encarar.
- Não era fazer. Era o que eles deixavam de fazer. Morgan era o idiota do time de futebol que estava comigo para dizer que estava. – Dei de ombros. – Tyler não durou nem um mês. Ele não tinha assuntos iguais aos meus. Falava sobre jogos, futebol e... – Franzi o cenho.
Era tão estranho falar da minha vida passada. Para mim, realmente parecia outra vida bem distante. Uma vida que não conseguiria voltar no tempo para possuí-la novamente.
— Não sei. Quando eu falava das minhas coisas, da paixão pelas as minhas pinturas ele não parecia se interessar por nada. – Completei.
- Como não? – Edward perguntou parecendo abismado. – Suas pinturas são... – Levantei a cabeça para encará-lo. Ele sorriu torto. – São as pinturas mais cheias de vida e paixão que eu já vi.
Corei e abaixei a cabeça, tomando um gole do meu refrigerante.
- Então... – Ele começou novamente. – Isso quer dizer que você não gostou de nenhum deles?
- Sim. Eu não gostava deles. Quer dizer... Não era como eu esperava está apaixonada por alguém.
Ele franziu a testa, analisando minhas palavras.
- Você nunca... – Começou e engoliu em seco. – Você nunca se apaixonou na vida? – Perguntou sussurrando, parecendo que estava contando um segredo. Percebi que nós dois estávamos apoiados na mesa, próximos demais um do outro. E só percebi isso, quando Edward sussurrou aquelas palavras.
Eu olhei para os olhos verdes dele, procurando saber o que responder. Não era difícil a resposta. Mas, a pergunta dele daquela forma fez meu coração bater um pouco mais rápido do que o normal.
- Não em Jacksonville. – Respondi, não entendendo porque disse o complemento. – Ao menos, não-não era como pensava está apaixonada. – Gaguejei um pouco por me sentir nervosa e botei a mecha de cabelo que estava no meu olho para trás da orelha.
- E como você acha que é está apaixonada? – Perguntou gentilmente, com um sorriso mínimo brincando em seus lábios. Seus olhos estavam sérios analisando minha face como se procurasse qualquer hesitação, ou até mesmo, alguma mentira neles.
Suspirei. Não sabia como responder aquela pergunta.
- Eu não sei. Nunca estive apaixonada. Como posso saber? – Minha voz saiu como um sussurro.
Ele deu um sorriso torto e abaixou a cabeça.
- OK! Vou reformular a pergunta. – Brincou e eu sorri. – O que você espera senti quando estiver apaixonada?
Não melhorou muito a pergunta. Não sei, com ele, esse assunto parecia constrangedor. Não hesitaria em falar sobre isso com minha mãe ou com minhas antigas colegas de colégio. Mas, com Edward analisando cada resposta minha, ouvindo com tanta atenção e parecendo até observar se minha respiração ia mais rápida ou mais devagar, isso se tornava difícil.
Então, para consegui lhe responder eu tive que abaixar a cabeça para olhar a tampa da lata de refrigerante. Podia olhar qualquer coisa, menos os seus olhos analisadores.
- Não sei... – Dei de ombros. – Acho que... Acho que eu espero saber que eu estou fazendo a coisa certa. Eu espero sentir as minhas mãos suando quando eu estou perto da pessoa ou meu coração palpitar feito um maluco apaixonado. Eu quero sentir que ele me faz bem, que eu seria capaz de arriscar qualquer coisa... – Dei um sorrisinho. – Para ficar com ele. Eu só quero me senti bem e amada perto da pessoa que gosto. Ou senti que meus olhos estão brilhando quando eu o vejo, quero sentir que somos capazes de ficar juntos... Acho que é isso é o que é está apaixonada. – Sorri para mim mesma e levantei a cabeça. – Mas, não sei bem se é o certo a se sentir.
Ele assentiu vagarosamente. Seus olhos estavam cerrados em minha direção, observando-me com todo mínimo cuidado. Havia uma ruga no meio de suas sobrancelhas. Sinal que ou ele estava confuso ou estava tentando entender algo. Olhando Edward pensar sobre o que eu havia falado, percebi que tudo o que falara para ele, era... Balancei a cabeça, era o que? O que eu sentia quando estava perto dele?
Engoli em seco como se não quisesse ter certeza da minha resposta e me encostei-me à cadeira.
- E você? – Perguntei, tirando-o do transe. – Já se apaixonou? – Perguntei.
Ele sorriu torto, um pouco divertido e abaixou a cabeça.
- Pensei que a interrogada aqui era você. – Sua voz saiu leve. Sua expressão confusa já não estava mais na face. – Não tem o direito ainda de me fazer as perguntas.
Suspirei resignada. Estava doida para saber mais sobre ele.
- E quando vai ser isso? – Perguntei, levantando uma sobrancelha.
- Quando eu terminar as minhas perguntas. – Ele sorriu abertamente e também se recostou á sua cadeira.
- OK! O que vem mais pela frente? Já saímos da parte emotiva das perguntas? Ou ainda tem mais?
Ele sorriu novamente, realmente achando graça do que eu havia dito.
- Acho que por enquanto as perguntas emotivas ficam por aqui. – Levantou uma sobrancelha, especulativo. – Mas, eu gostaria de saber mais sobre seus gostos.
- Gostos? – Torci a boca, pensativa. – Parece uma coisa boa. Vamos lá, faça as perguntas.
- Primeiramente, qual é a sua cor favorita? – Foi rápido.
Para eu responder essa pergunta é que foi um pouco difícil. Antes de chegar aqui, antes de conhecer Edward, minhas cores favoritas eram amarelo e azul. Ultimamente, as coisas andavam tão verdes... Literalmente tudo. Até nas minhas pinturas os desenhos estavam mais verdes. Perguntava-me por quê? E essa pergunta foi mais que retórica; eu sabia a resposta, só não queria admitir.
- Verde. – Respondi com exatidão.
- Verde? – Ele perguntou confuso. – Por quê? – Parecia meio incrédulo com a resposta.
- Antigamente eu gostava de azul e amarelo. – Sorrir, quando ele sorriu também. – Portanto, acho que vou ficar na cor que essa duas cores podem formar se forem misturadas; o verde. E, aliás... – Mordi os lábios. Ele pareceu olhar-me com mais atenção por causa disso. – O verde fica... Tão... Bonito em... – Suspirei. Ótimo, eu não quis admitir para mim mesma, mas estava admitindo para ele. – Fica bonito em seus olhos. Quase um verde esmeralda. E bem, eu... Gosto dessa cor. – Dei de ombros, achando-me a mais idiota do mundo e abaixei a cabeça.
Ele ficou calado, sem responder. Até eu ouvi um sorriso baixo saindo dos seus lábios. Eu olhei para ele confusa.
- Fico feliz que ache meus olhos bonitos Bella, portanto, você já parou para olhar detalhadamente os seus? – Perguntou debochado.
- O que é que tem os meus?
- São os mais bonitos olhos que eu já vi. – O sorriso branco que ele deu foi iluminado. Senti-me corar. — Posso ver os olhos da antiga Isabella rondando por ai. Mas, também tem um mistura dessa Isabella que eu estou conhecendo. E além do mais, eles têm um castanho achocolatado profundos, quase como um mar submerso sem um fundo escuro.
- Obrigada. – Sorri envergonhada. – Você está sempre me elogiando. Isso... me desconcerta.
- Não costumava receber elogios? – Ele pareceu incrédulo.
- Ás vezes... – Comentei rapidamente. – E gostava de recebê-los. – Revirei os olhos. – Portanto, quando sai de você parecem ser mais verdadeiros.
- Porque são verdadeiros. – Sorriu ainda mais animado e eu abaixei a cabeça, com um sorriso mínimo no canto dos lábios.
Ficamos algum tempo calados enquanto eu fingia me distrair com o liquido da minha lata de refrigerante. Na verdade, eu estava tensa novamente. Eu ficava assim sempre que Edward estava por perto.
De repente, ouvi um rugido baixo vindo dele e assustada, levantei a cabeça para ver sua expressão.
- O que foi? – Perguntei quando seus olhos estavam irritados olhando para algo além dos meus ombros.
Eu olhei para trás e pude ver o que estava o irritando; Jacob vinha em nossa direção com o sorriso presunçoso de sempre, como se a cada investida estivesse ganhando a minha atenção.
— Olá casal. – Ele falou de maneira debochada e sentou-se ao meu lado sem se importar com meu queixo travado de raiva.
Edward fechou os punhos sobre a mesa, olhando-o com fúria. Eu me afastei ao máximo que consegui de Jacob.
- Jacob, o que quer? – Edward perguntou em um silvo baixo.
Ele parecia não estar querendo chamar a atenção dos alunos para a briga. Também seria anormal ele que gosta de promover a paz pelo o colégio estar brigando com alguém. Isso me fazia sentir culpada; ele estava me defendendo o tempo todo. Não queria que ele saísse do controle e fosse contra os princípios dele nesse colégio.
- Apenas marcando presença. – Jacob falou desdenhoso.
Nessa hora, suspirei resignada. Aquele garoto era só mais um desse colégio, não me assustava. Certo, podia não me assustar agora que Edward estava comigo, mas, não importava; eu queria dizer um basta. Sentia que não queria que Edward saísse em uma briga por causa de mim.
- Você é idiota ou o que? – Perguntei de repente quando tive o pensamento, virando-me para ele.
- Olha só, ela falou comigo. – Ele sorriu vitorioso. – As coisas estão evoluindo, boneca.
- Não me chame de boneca. – Sibilei entre dentes. – Garoto por que você não cresce? Não vê que com essas suas atitudes mundanas não vai chamar a atenção de ninguém? È isso que você só quer fazer? Assustar os outros? Pois vá assustar outras pessoas, por que comigo não está adiantando. – As palavras saíram mais duras e autoritárias do que eu esperava.
Jacob me olhava com um sorriso ainda nos lábios – um pouco menos confiante – e eu olhei de relance para Edward. Ele estava com o rosto mais sombrio. Mas, não para o lado de Jacob, para o meu lado.
- Ainda é corajosa e estressadinha. – Jacob sorriu e eu trinquei os dentes. – Boneca, você só me fez querer ter você ainda mais...
Aquilo me deu calafrios. Aquela parte realmente me deu medo, não pelo o que ele falou, mas como ele falou; de maneira maliciosa, como se estivesse quase vendo que iria consegui algum dia o que queria. Afinal, o que ele queria? Balancei um pouco a cabeça depois de estremecer levemente. Não queria nem pensar no que ele queria.
- Por que você não me deixa em paz? – Perguntei estressada.
- Porque você não cede...
- Jacob. – Edward grasniu do outro lado da mesa. – Afaste-se dela.
Quase inconscientemente, eu cheguei um pouco mais perto de Jacob para encarar seu rosto frio. Tentei deixar a minha expressão mais dura possível, portanto sentia que não conseguia fazer isso quando Edward estava perto de mim. Parecia que só sua presença era um fator considerável para mudar o meu jeito.
- E vai continuar assim para todo o tempo. – Eu falei devagar e pausadamente, procurando fazer com que ele entendesse que não teria chances.
Jacob sorriu malicioso e eu rapidamente me afastei. Ele parecia gostar das minhas negações, parecia ser algo motivador e não ameaçador. Ótimo, era tudo o que eu queria; um psicopata no meu pé.
- Boneca, eu não vou desisti de você. – Encostou seu dedo em meu queixo.
- JACOB. – Edward explodiu do outro lado da mesa.
De repente, vi-o se levantando e praticamente pulando em cima da mesa. Jacob se assustou, mas não foi rápido suficiente para fugir das mãos de Edward que agarraram a gola de sua camisa.
- Edward. – Levantei-me assustada quando o vi segurar Jacob com força pela a camisa.
- O que foi que eu disse sobre manter distância dela? – Edward cuspiu as palavras na cara de Jacob. Sua expressão estava... Eu nunca tinha visto ele com tanta raiva.
Eu percebi que os alunos agora estavam olhando para nós. Isso pareceu me incomodar mais que o normal; eu sabia que eles iriam culpar minha presença pela a expressão explosiva de Edward. Isso faria eles me odiarem ainda mais; o único que parecia se importar com a paz desse colégio estava agora com falta de controle por está tentando me defender. Isso me fez perguntar: Por quê? Por mim? Ele se importava tanto com a segurança da garota “riquinha” e mimada?
- Ei, ei, olha só, o senhor da paz procurando briga. – Jacob provocou. Vi Edward trincar os dentes.
- Edward. – Sussurrei. Eu não queria que os outros escutassem minha voz. – Calma, por favor. – Pus uma mão em seu ombro, querendo que ele parasse. Eu realmente não queria ser a culpada de tirar a essência de passividade que ele tinha.
Ele tremou um pouco com o meu toque – o que foi estranho de ser ver – depois, contraiu sua expressão, deixando-a mais calma.
- Encoste nela novamente e você vai se ver comigo.- Ameaçou.
- Só estou esperando você se distanciar. – Novamente sarcasmo vindo de Jacob.
- Jacob, não queira jogar comigo. – Edward sibilou. Jacob apenas riu. – Dessa vez, não vou deixar você ganhar. – Ele falou aquilo tão baixo que até para mim que estava perto foi difícil de ouvir.
Dessa vez, Jacob ficou sério. Foi como se eu mudasse de canal em uma TV de um ator de sorriso sorridente para um ator de expressão sombria e séria.
- Mantenha-se longe dela. – Edward sibilou, ameaçando.
Com alivio vi-o soltando a gola da camisa dele, empurrando-o com violência. Jacob pendeu para trás e depois se equilibrou em seus pés.
- Mantenha-se perto dela. – Era uma ameaça quando ele falou. Depois olhou para mim com uma expressão mais violenta e saiu.
Eu ouvir Edward suspirar do meu lado e meus olhos correram pelo o refeitório. Todos olhavam para nós – com as expressões hostis, claro. Alguns voltaram para suas refeições e comiam parecendo comentar rispidamente coisas sobre o que havia acontecido. No canto da parede, um pouco longe da gente, pôde ver os amigos de Edward. Eles, dentre todos, eram os que tinham as expressões mais violentas em minha direção.
Suspirei e virei às costas, procurando ignorar. Edward percebeu o quanto aquilo me afetou e sentou-se ao meu lado juntamente comigo.
- Desculpe-me por isso. – Ele sussurrou, sua voz parecia despedaçada de tão culpado que ele se sentia.
- Eu é que tenho que pedir desculpas. – Balancei a cabeça negativamente, reprovando-me. – Estou fazendo tudo errado, Edward. Ninguém gosta de mim aqui. Eles sempre me verão como uma patricinha mimada que quer tirar o motivo de paz deles. Sempre me verão como a garota que já teve o mundo nas mãos. – Abaixei a cabeça, triste. – E o pior é que eu não me importo com isso. Porque eu nunca fui de me importar com esse tipo de gente... – Minha voz saiu fraca. – E isso parece me manter ainda mais longe de você. – Declarei quase sem querer.
Não olhei para ele, mantive minha cabeça abaixada. Eu ouvia a respiração calma dele ao meu lado.
- Você está errada. – Ele sussurrou depois de um tempo. Confusa, levantei os olhos para lhe encarar. Ele levantou um dedo e hesitante encostou-o em minha face vermelha. – Eu gosto de você. – Sorriu tímido.
Fiquei ainda mais vermelha, só que não fui capaz de desviar o rosto. Procurei levar a conversa para algo que não me deixasse ainda mais constrangida. Alem de que ele parecia igualmente constrangido.
- O que você quis dizer quando disse para o Jacob “dessa vez eu não vou deixar”? – A lembrança de que talvez Edward fizesse o que faz comigo sempre que uma garota indefesa aparecesse na sua frente atingiu-me, e eu não gostei da inquietação que tive ao pensar nisso.
Ele suspirou, abaixou a sua mão e olhou para o tampo da mesa.
- Não é a sua vez de fazer as perguntas. – Não foi brincalhão, mas bastante sério.
- Então, quando for a minha vez você vai responder. Certo?
Vi-o cerrar os lábios, parecendo está frustrado. Se ele não estivesse de cabeça abaixada poderia está vendo seus olhos com arrependimento. Arrependimento de ter falado aquilo na minha frente. Percebi que nessa questão havia alguma coisa que Edward não queria me contar.
- Acho que sim. – Ele sussurrou quase inaudível.
Eu olhei para ele com o cenho franzido. Agora estava mais curiosa que nunca. E muito mais ansiosa para saber da vida dele. Edward parecia ter mais o que me ensinar do que eu achava que poderia ter.
Nesse meio tempo em que ficamos calados, o sinal do retorno das aulas tocou. Eu e Edward suspiramos resignados quase ao mesmo tempo.
- Acho que temos que ir. – Murmurei.
- È. – Ele bufou e se levantou.
Edward ergueu a mão para me ajudar a levantar da cadeira. Hesitei um pouco, mas depois de sorrir para ele, apoiei minhas mãos na sua e me levantei. Senti suas mãos na minha fez com que eu não quisesse largar a maciez de sua pele nem tão cedo. Portanto, ele fez isso por mim. Dar para o certo; ele não queria se aproximar tanto de mim – a mimada e patricinha. Ele concertou sua bolsa nas costas e nós dois começamos a andar em direção a saída do refeitório.
- O melhor é que temos aulas juntos agora. – Ele comentou alegremente. Sorrir, feliz pelo o fato.
- È, assim que acabamos eu vou poder fazer as perguntas.
- Mas, eu não terminei as minhas. – Ele falou ranzinza e com um sorriso presunçoso.
- Edward. – Repreendi-o.
Ele gargalhou um pouco alto – aveludado e suave — e deu de ombros.
- Vamos. Eu vou fazendo o resto das perguntas no caminho.
As próximas perguntas de Edward foram simples. Simples até demais. Portanto, vieram tantas que nós não paramos de falar até chegarmos á sala. Ter que assistir aula não foi uma barreira para Edward não continuar com suas perguntas. A aula como sempre estava barulhenta e por mais que nós dois quiséssemos prestar atenção na aula, não conseguiríamos. Então, em um minuto ou outro Edward me cutucava – sempre fazendo passar certo formigamento por onde ele tocava – e fazia as mais diversas perguntas. Qual seu livro favorito? Qual sua comida favorita? Você gosta de esportes? O que você mais gosta de pintar? Qual sua matéria favorita? E nessas linhas de pensamentos vieram mais um monte. As perguntas constantes dele e de diversas maneiras me fez perguntar por quanto tempo ele ficou pensando para fazer aquelas perguntas tão prontamente.
Acabou que aula passou rapidamente. O relógio a cada vez que eu olhava parecia está mais rápido do que eu esperava. O que era ruim; eu e ele teríamos que nos separar novamente para as últimas aulas.
Assim, do mesmo modo que ele saiu na primeira aula daquele dia – encostando a mão no meu rosto – ele saiu dessa vez. Antes de ele sair eu deixei claro que da próxima vez que nós nos encontrássemos eu é que iria fazer as perguntas. Ele concordou, dizendo que talvez já estivesse na minha vez mesmo que metade das perguntas dele ainda não tivesse sido feitas. Isso me fez perguntar quantos dias ele queria para me investigar? A vida toda?
De qualquer maneira, saber que eu faria as perguntas quando nós nos encontrássemos, me deixou empolgada e frenética nas últimas aulas. Como quando constantemente é em horas que você que quer os minutos passem rápido, o relógio parecia está brincando comigo quando não parecia sair do lugar a cada vez que eu olhava para ele – de cinco em cinco segundos.
No final, o sino estridente tocou arrancando um sorriso empolgado dos meus lábios. Quando eu sair a multidão de alunos já se aglomerava barulhentos pelos os corredores. Edward me esperava com um sorriso no rosto. Seus olhos estavam brilhantes.
- Oi. – Comentei alegremente, chegando perto dele.
- Oi. – Ele sorriu e se desencostou da parede.
- Preparado para o inquérito? – Perguntei divertida. – Acho que tenho o dobro de perguntas que você tinha para mim. – Escondi o sarcasmo, mas ele percebeu.
Ele riu.
- Duvido. – Comentou com um sorriso no rosto.
Dei de ombros e fingi que não tinha escutado. Sim, eu tinha muitas perguntas para fazer e nem sabia o quanto isso ia durar. Portanto, o dia hoje com ele estava acabando.
- Você não parece ter muito tempo para fazer as perguntas. – Ele falou parecendo está lendo a minha mente. Eu escutei o tom de deboche em sua voz.
- È. – Franzi o cenho, olhando malignamente para ele. Não queria deixar para amanhã. Estava curiosa demais sobre ele em algumas questões.
Suspirei impaciente. Isso era tudo culpa dele que ficava enrolado.
- Você enrolou justamente para acontecer isso, não foi? – Acusei.
- Não. – Ele riu. Nessa hora, estávamos saindo do colégio para o estacionamento. – Posso fazer o que? Precisava saber se você não ia causar problemas, sabe? Você parece ser bem perigosa para esse colégio. – Fez o comentário com descaso.
- OK! Senhor, já que terminou então... – Pigarreei. – Diga-me como vai fazer para que eu faça as perguntas agora... – Eu olhei para ele com a expressão assassina antes que ele respondesse. – E nem diga amanhã. – Completei emburrada.
Ele sorriu novamente e apressou o passo. Novamente, ele estava querendo fugir das perguntas. Eu não iria deixá-lo escapar assim tão fácil.
Chegamos rápidos na minha caminhonete — quando Edward queria, ele andava com bastante pressa. Encostei-me à porta do meu carro e olhei para ele com um olhar inquisidor, esperando que ele me respondesse a pergunta anterior.
Ele suspirou e olhou sob os meus ombros.
- Você não vai me deixar escapar dessa. Certo? – Perguntou com os lábios franzidos.
- Não, não. – Neguei veemente, cruzando os braços.
Ele voltou o olhar para mim. Estavam brilhantes sobre a cor verde esmeralda, deixando-os quase cinzas.
- Eu não quero que você volte sozinha para casa, então... – Hesitou e começou a bater o pé no chão, agitado. – Eu... Eu acho que posso deixá-la em casa? – Levantou a sobrancelha, como se esperasse rapidamente uma negação minha.
Ao contrario do que ele pensava, meus lábios se abriram em um sorriso iluminado. Ele me levando em casa faria com que ele não fugisse das minhas perguntas e eu não precisasse esperar até amanhã para fazer o interrogatório.
- E você vai voltar a pés para casa? – Perguntei meio tristonha ao me lembrar dessa questão. – Talvez eu possa lhe deixar em...
- Não. – Ele negou rapidamente, como se já soubesse o que eu ia falar. Vi-o ficar com a expressão mais séria. – Onde eu moro não é um lugar apropriado para você. – Ele falou quase com rispidez.
Suspirei. Não ia brigar com ele por causa disso. Não quando nós estávamos nos dando tão bem por hoje.
- Tudo bem. – Dei de ombros.
Poderia entender o seu lado; eu ainda não poderia saber se eu me sairia bem ou não demonstraria meu desprezo quando chegasse onde ele morava. Por mais que eu não quisesse, a Isabella anterior ainda estava aqui dentro de mim. Demoraria um pouco para eu mudar. Ainda conseguia pensar o quanto minha vida anterior era mais fácil. Portanto, a única coisa que me deixava tranqüila em está nessa vida, era Edward. Então, não queria estragar isso com uma expressão de desprezo com o seu bairro, ou seja, lá onde ele morasse. Edward na certa não queria que eu, uma riquinha que caiu do cavalo, chegasse próximo o bastante da casa dele. Entendia-o, então deixaria ele me guiar.
- Quer dirigir? – Perguntei, levantando a chave da caminhonete com um sorriso.
Ele me olhou com os olhos brilhantes, parecendo animado.
- Sério? Você não se importa?
Bufei.
- Como se eu fizesse questão de dirigir essa coisa. – Murmurei com desdém.
Ele não pareceu querer repreender meu comentário como faria, apenas pegou com um sorriso animado a chave das minhas mãos, abriu a porta do passageiro para que eu entrasse e depois contornou o carro, entrando na porta do motorista.
- Então, ainda sabe chegar? – Perguntei quando ele se acomodou animado demais no banco. Eu liguei o aquecedor velho. Estava frio demais.
- Anhan. – Ele respondeu minha pergunta.
Edward pôs a chave na ignição e girou-a. O motor ganhou vida com sua contínua barulheira. Já estava começando a me acostumar; não estava mais levando sustos.
Edward deu a ré e logo estávamos fora do colégio. Não obstante, pude sentir os olhares em nossa direção antes de sumirmos do estacionamento. Naquele momento senti-me satisfeita por está saindo com Edward do colégio e ele está me levando para casa. Isso chegava a ser um pouco constrangedor, mas, era como se fossemos namorados. Ao passar essa palavra em minha cabeça, franzi o cenho. Isso chegava a ser piada; até parece que Edward iria querer namorar comigo. Uma garota perdida no mundo da riqueza que não combinava nada com ele. Ele nunca iria namorar alguém que não fixava bem em seu mundo.
Mais uma vez, o pensamento me entristeceu profundamente.
Notas finais
Bellinha esta perdidamente apaixonada. *---* Ainda nem sabe, coitada! Mas,logo saberá. As ansiosas poderão saber da vida de Edward no próximo capítulo, então fiquem atentas... E esse Jacob hen? Chato não? kkkkkk
Bom, espero que gostem e que comentem. A fic está apenas no começo. HEHE :D
Beeeeijos e até mais. ;)
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