Aprendendo a Viver.

24 Capítulo 23 - Novas dores.


Notas iniciais
Oii, gente. Desculpem-me a demora. Mais uma vez.
Mas, eu estou aqui para postar mais um capítulo novinho e cheio de tensão. Oo'
Boa leitura e divirtam-se. Beeijos.
Não se esqueçam de comentar no final.

Capítulo 23 – Novas dores.

- Bella, Bella, acorde. – Eu podia ouvir vozes agradáveis na escuridão assustadora que me consumia cada vez mais. – Vamos, meu amor. Acorde. – A voz pediu em um choramingo doloroso.

Eu queria responder aquela voz. Eu queria pedir, implorar para que ele parasse de chorar ou que sua voz não quebrasse mais de tristeza, mas meu corpo não fazia nada do que eu o mandava fazer. Eu me sentia paralisada. Sem controle de mim mesma. Era uma sensação desconcertante e melancólica.

Minha vista estava turva. Tudo estava escuro. Meu peito queimava de uma forma insustentável, tornando ainda pior eu consegui sair daquela escuridão que me levava cada vez mais para baixo. Eu não queria ir mais para baixo. Não queria deixar aquela linda voz sumir. Porque eu precisava dela. Eu necessitava dela.

Eu tentei de todas as formas não me deixar vencer pelo o cansaço e pela a dor. Ainda podia ouvir o dono da voz chorando ao meu lado, pedindo para que eu voltasse. Tentei respirar fundo. Meu peito doeu de uma maneira insuportável.

Mesmo com a dor, eu pelo menos consegui o que eu queria. O timbre da voz ao meu lado mudou, deixando-me um pouco mais confortável.

- Bella, você está bem? Vamos levá-la para o hospital. – A voz parecia mais esperançosa.

Não, não, ainda não. Eu precisava falar com a voz. Eu precisava ver novamente o dono daquela voz antes que me afastassem dele.

Fiz um esforço, mas meu corpo estava tão difícil de atender aos meus desejos. Mesmo assim, lutei exaustivamente contra os meus olhos e contra a escuridão.

Enquanto fazia isso, tentei pensar em coisas que me dariam mais força. Em coisas que me empurrariam para cima e me fariam submergir daquele sufoco que eu não suportava está.

Eu pensei o quanto agora as coisas pareciam tão diferentes do começo. Eu pensei que, nesse momento, eu não estava lutando contra os meus olhos pesados para não perder alguma coisa material – roupas caras ou sapatos de marca. Isso já não importava mais para mim. Eu estava lutando contra os meus olhos pesados para vê-lo, porque eu sabia que ele estava ao meu lado. Eu estava lutando contra os meus olhos pesados para ver o dono daquela voz que tentava me acordar e tentava me tirar do peso da escuridão sinistra que me levaria para sempre para longe dele.

Eu estava lutando contra os meus olhos para ver mais uma vez o seu sorriso torto, seus olhos verdes, sua face divertida. Para vê-lo nem que fosse por uma última ou única vez.

Eu queria tornar na minha mente, se essa fosse a nossa última vez, os últimos meses que passei com ele, real.

Eu lutava agora para não perdê-lo. Eu lutava para não perder o seu amor. Eu lutava por algo muito mais forte e maior do que eu nunca pensei que teria medo de perder algum dia.

Nós teríamos mais algum tempo? Ou esse seria o nosso fim? O meu fim? Eu não sabia a resposta. Tinha medo do futuro e dos segundos que se passavam. Cada vez que eles passavam, meu corpo parecia mais cansado e fraco.

Felizmente, de alguma maneira, pensando sobre tudo isso e tentando ignorar a queimação que ardia em meu coração, eu obriguei os meus olhos a se abrirem.

Eles se desanuviaram, tornando-me capaz de ver as coisas ao meu redor.

Então, na minha frente, eu vi um anjo – o meu anjo — de cabelos bronze quase com uma áurea de bondade sobre sua cabeça. Seus olhos estavam encharcados de lágrimas. Sua face instantaneamente mais suave por ver meus olhos abertos. Eu não gostava de ver o meu anjo com aquela expressão de dor. Só me fazia ficar ainda mais fraca.

Um sorriso fraco saiu dos lábios do anjo. E, por dentro, eu me senti aliviada. Afinal, meu pedido seria atendido. Meu corpo permitiria que o visse mais uma vez.

- E... Edward. – Minha voz saiu fraca, sem timbre. Junto com ela, um choramingo da minha garganta ao sentir uma dor agoniante em todo o meu corpo. Eu estava cansada, mas não podia me deixar levar. Eu precisava falar com ele.

- Bella. – Sua voz estava cheia de alívio.

Ele respirou fundo e abaixou a cabeça para meu peito, abraçando-me. Levantou a cabeça novamente. Os olhos dolorosos, tristes e agoniados.

- Eu vou leva-la ao hospital. – Ele disse urgentemente.

- Não. – Tentei levantar a mão para impedi-lo, mas não consegui. Novamente, meu corpo não parecia mais pertencer a mim.

- Bella, você precisa ir para um hospital agora. Jasper já ligou para uma ambulância. – Uma voz mais fina falou ao meu lado, então eu me dei conta que o meu outro anjo de cabelos pretos repicados estava ali. Alice.

Eu arfei e sacudi a cabeça. Eu sabia que se eu fosse agora, talvez não fosse mais possível retornar. Talvez eu não conseguisse mais falar o que eu tinha para falar.

- Edward. – A dor do esforço para falar alfinetou meu peito.

Eu guinchei, sem que conseguir me controlar. A expressão de Edward se contorceu em agonia.

- Calma, Bella. Essa dor já vai passar. – Ele tentou me tranquilizar. Será que eu conseguiria aguentar até que ela passasse?

Eu suspirei, tentando forçar minha voz a sair mais uma vez. Eu precisava conseguir dizer o que eu necessitava.

Tentei levantar a minha mão, dessa vez, meu corpo fraco me atendendo. Conseguir colocá-la em cima da mão do meu anjo de cabelos acobreados. Ele a apertou com força, quase pedindo para que eu continuasse ali.

- Seu pai... – Eu comecei, mas era tão difícil falar com aquela dor no peito. Gritei novamente quando ela atacou.

- Bella, você não precisa falar agora. – Alice pediu e segurou a minha outra mão. Seus olhos também estavam cheios de lágrimas de dor.

- Não. Eu preciso. – Insisti com a voz rouca.

Eu precisava mesmo. Eu não sabia quanto tempo eu tinha. Edward precisava saber da verdade. Ele precisava saber que seu pai não estava morto. Ele precisava ir atrás dele para saber como realmente era a história da sua vida.

Eu fechei os olhos com força e os abrir novamente. A dor parou por leves segundos, dando-me algum tempo para falar.

- Seu pai... – Engoli em seco e apertei a sua mão. – Ele... Ele não está morto.

Edward demorou um pouco a entender sobre o que falava. Quando conseguiu, franziu o cenho e encarou rapidamente a Alice. Ela mordeu os lábios e tentou segurar o choro. Edward voltou os olhos para mim e passou a mão em minha testa.

- Bella, você está cansada. Está delirando. Você vai ficar bem. A ambulância já está chegando.

- Não. – Eu sacudi a cabeça freneticamente e teimosamente. Encolhi-me quando a dor voltou a queimar o meu peito. – Ja... James disse. Ele... Ele não está morto, Edward.

A imagem de James veio em minha cabeça assim que disse o seu nome. Lembrei-me dos meus últimos momentos com ele. A sua arma preta e reluzente direcionada ao meu coração. Então, eu liguei que era provavelmente isso que estava ardendo em peito. Ele, afinal de contas, conseguira fazer o que desejava. Mas, se Edward estava aqui, onde estava James agora?

- Bella... – Edward falou novamente, com a voz urgente.

- Prometa-me. – Eu pedi em um sussurro.

O cansaço estava quase me vencendo de novo. Era quase impossível lutar contra ele. Eu não sabia se eu fechasse os olhos agora, voltaria abri-los. Isso era tão mais agoniante do que qualquer dor. Não saber que eu poderia ver o rosto de Edward novamente. Ver o rosto dos meus pais. Das pessoas que eu amava.

Mas, eu ainda precisava falar mais. Eu precisava fazê-lo prometer.

– Prometa-me que... Que vai atrás de... – Eu gritei e sentir gotas de lágrimas saindo dos meus olhos quando a dor apertou o meu coração. Eu respirei mais fundo. – Saber. Prometa-me.

Edward encolheu o cenho em agonia. Seus olhos estavam em um verde escuro. Sem o brilho habitual que eu costumava ver neles.

- Eu prometo, meu amor. Eu prometo. – Edward falou frenético, desnorteado. Como se soubesse também que, talvez, eu não fosse mais capaz de acordar novamente.

- Bella, feche os olhos. Mantenha-se acordada – Alice pediu. – Você não pode se esforçar agora. Isso é crucial para você sobreviver.

Eu tinha medo de fechar os olhos. Eu não queria os fechar. Eu não queria deixar de ver os dois. Não queria deixar de ver o meu Edward.

Porém, agora, que o que tinha para ser dito já tinha sido feito não havia nada para me segurar na luz. Nada para me prender a realidade. A escuridão estava me puxando novamente. E mais forte do que a última vez. Era insustentável e eu sabia que não conseguiria me manter de olhos abertos.

Sem resistir ao cansaço, eu foquei os meus olhos em Edward.

- Durma, meu amor. Nós vamos cuidar de você. – Ele sussurrou gentil e amoroso. Curvou-se para dar um beijo em minha testa.

Vagarosamente, meus olhos foram vencendo a minha vontade, tornando a cada segundo o rosto de Edward mais distorcido.

Eu não aguentava mais. A dor parecia tão forte. Tão insustentável e impossível. Mas, eu tinha que continuar a lutar. Eu não podia deixar a escuridão me vencer completamente. Eu tinha que lutar para me manter nesse mundo.

Sob a minha luta entre o acordar e o dormir, eu senti meu corpo levantar, flutuar. Alguém estava me carregando. Eu podia ouvir sirenes ao fundo.

Seria ajuda? Eu iria consegui? Eu não podia saber. O futuro agora parecia uma tênue linha entre a luz e a escuridão. A minha vida parecia se tratar disso agora.

Sabendo quem estava me carregando, eu me encolhi um pouco mais em seus braços e tentei me concentrar e me segurar no seu cheiro.

Isso seria o bastante para me manter na vida real. Na luz. Para me manter do lado certo da linha. Seria o bastante para aguentar até onde eu tinha que aguentar.

Os braços que me circundavam me apertaram ainda mais e eu me deixei cair um pouco mais na escuridão que me puxava.

Aqueles braços não deixariam que a escuridão me vencesse completamente.

Meus olhos demoraram um pouco para abrir. Ficaram turvos e escuros a princípio, mas logo eu consegui focar o teto branco que estava á cima de mim. Eu podia ouvir bipes ao meu lado e sentia algo afiado entrando em meu braço, além do tubo transparente que se encontrava em meu nariz.

Primeiramente, eu fiquei confusa. Onde eu estava? O que havia acontecido?

Então, imagens dolorosas das últimas horas assustadoras da qual eu passei vieram rapidamente em minha mente, mostrando-me exatamente o que havia acontecido e o quão grave era a situação.

Eu comecei a transpirar e a respirar fundo quando as imagens horripilantes e escuras passavam por minha mente. Eu procurei minha acalmar.

Em segundo lugar, meus olhos lagrimejaram um pouco por uma constatação; eu havia sobrevivido. Ou eu estava bem ou aquilo era o céu ou inferno, não sei. Mas, eu estava feliz por saber que agora eu podia sentir o meu corpo e, apesar da dor contínua em meu peito e em partes da minha pele, não era tão forte como da última vez que eu abrir os olhos.

No entanto, havia ainda muita coisa fora do lugar. Eu podia está viva, mas e o resto? O que aconteceu depois? Como eu havia sobrevivido? James estava morto? Se a imagem de Edward em minha cabeça, tentando me fazer ficar viva no local da qual James havia me levado não era uma ilusão, como ele havia me encontrado?

Eu não sabia de absolutamente nada. Isso me deixava meio tonta. Eu precisava de respostas. Sobretudo, eu precisava saber se Edward estava bem.

Atrás de respostas, eu girei a minha cabeça e analisei o ambiente em que eu me encontrava.

Definitivamente, aquilo era um quarto de hospital. Então, eu realmente estava viva. Suspirei, aliviada. Não tinha sido meu fim. Eu estava bem e perfeitamente viva.

Respirando de alivio, notei minha mãe ao meu lado, com a cabeça abaixada no colchão da minha cama, provavelmente, cochilando. Um calafrio passou por minha espinha. Porque eu sabia que, apesar de está viva, a coisa não podia está bem como eu imaginava.

- Mãe. – Minha voz saiu rouca quando eu a chamei. Então eu pigarreei. Muito errado ter feito isso. Meu peito doeu com força e então eu gemi.

Minha mãe levantou rapidamente a cabeça assim que ouviu a minha voz. Ela suspirou de alivio quando viu meus olhos abertos com dificuldade.

Ela se levantou e veio me dar um abraço. Os olhos se enchendo de lágrimas.

- Oh, Bella, minha filha. Que bom que você acordou. – Ela me apertou forte. Eu gemi um pouco quando aquilo doeu em qualquer parte do meu corpo.

- Oh, me desculpe, querida. – Ela falou emocionada e afastou-se um pouco. Sentou-se na beirada da cama e me encarou, aflita.

Seu rosto, frequentemente jovial, parecia um pouco mais velho, por causa da preocupação. Então, ao constatar isso, eu me senti um pouco egoísta pela a dor que, provavelmente, eu sabia tinha infligindo a ela nas últimas horas... Dias... Meses? Não sabia. Quanto tempo eu tinha dormindo?

Tentei organizar os meus pensamentos embaralhados e confusos, enquanto olhava para o seu rosto.

Aquilo estava errado. Não era para ela está ali. Não era para eu está aqui. Não era para as coisas estarem daquele jeito.

Cadê o Edward? Por que ele também não estava aqui? Então, com o pensamento, eu me dei conta que ele não podia está aqui. Eu me dei conta também que, se minha mãe estava ali, ela devia saber da verdade. Ela devia saber o que aconteceu.

O que eles disseram para ela? O que estava acontecendo? O que aconteceu?

Droga! Minha mente estava tão confusa.

- O que aconteceu? – Eu perguntei com a voz rouca e respirei com um pouco de dificuldade.

Renée passou a mão em minha testa e tirou os fios de cabelos que caiam em meus olhos.

- Você levou um tiro. Perfurou os pulmões, minha filha. – Ela fechou os olhos agoniantes e sacudiu a cabeça. – Ainda quebrou a perna e alguns outros ossos.

Eu engoli em seco. Muito errado também fazer isso. Tinha alguma coisa que eu podia fazer que não doesse?

- Mas, o que aconteceu de verdade?

Eu precisava rondar. Eu precisava saber se Renée sabia da verdade verdadeira. Se ela sabia por que eu havia levado o tiro. Saber se agora ela sabia de Edward. Meu coração doía ainda mais só de imaginar para onde essa situação perturbadora poderia nos levar.

Com a pergunta, a face de Renée se tornou mais sombria. Então, eu tive a minha resposta. Sim, ela sabia. Não sabia se de tudo, mas o suficiente para seus olhos terem um brilho de irritação nesse momento.

- Bella, eu não quero conversar isso com você agora.

Ela pegou minha mão. Ela estava séria. Séria de uma maneira que eu nunca a vi antes.

- Porque você está frágil e cansada, mas quando sair daqui, eu e seu pai vamos ter uma conversa séria sobre você e aquele tal de Edward.

Meu coração palpitou ao ouvir o nome dele na boca da minha mãe e vacilou. Eu analisei a sua face séria e previ que as coisas estavam absolutamente erradas.

Nada do que eu e Edward havíamos programados saiu do jeito que nós queríamos. E isso era tão assustadoramente doloroso. Meus pais descobriram dele e do nosso relacionamento da maneira mais errada possível. Eles descobriram sobre ele de uma maneira que seria suficiente para um julgamento errado de sua imagem.

Dava-me ânsia de enjoo saber que era tudo culpa minha. Claro que era. Lembrei-me de Edward não ir me buscar na escola. Lembrei-me de sair na chuva e na solidão das ruas de Forks, sem proteção. No entanto, como eu poderia saber que James ainda estava por ai? Um mês havia se passado desde que os integrantes da gangue dele haviam dito que eles estavam saindo da cidade. Eu não imaginava que ele ainda estava rondando por ai. Também imaginava que era seguro porque, naquele dia, Edward não fora me buscar, então, provavelmente, não havia perigo.

Mas, eu fui burra em pensar dessa forma. Burra e descuidada. A situação que nos encontrávamos agora era tudo culpa minha. Do meu descuido.

Eu engoli em seco. Meu peito ardeu novamente. E, agora, por causa de mim, meus pais souberam de Edward da maneira mais irracional possível. Quando era impossível convencer a eles de que Edward não era culpado por aquilo que havia acontecido comigo. E não era culpa dele mesmo. Se fosse por Edward, eu ainda estaria segura, longe de James. Para ele não ter indo ir me buscar naquele dia, algo extraordinário devia ter acontecido. E, só agora, quando tudo já havia passado e não havia mais volta para fazer escolhas certas, eu me agoniei por saber que aquilo tudo era parte do plano de James.

- E...Edward? – Minha voz falhou ao falar o nome dele. – Então, você o conheceu? – Eu insisti em confirmar aquela tragédia.

- Sim. – Renée fechou os olhos e sacudiu a cabeça. – Estamos decepcionados com você, Isabella. – Ela admitiu com a voz dura.

- Não sei do que você está falando. – Tentei contornar aquela situação, mas sabia que já era tarde demais.

Não. Aquilo não podia está acontecendo. Essa era a pior forma de meus pais saber que Edward era meu namorado.

- Isabella, não adianta mais mentir. Iremos conversar quando você estiver em casa. – Minha mãe foi autoritária. Algo muito sério, já que eu quase não ouvia falar daquele jeito comigo. – Mas, por enquanto, está claro que você não poderá mais vê-lo. Isso tudo...

Ela apontou para o meu corpo na cama e, pela a primeira vez, eu me dei conta do meu estado. Meu peito estava coberto de ataduras. Minha perna estava engessada. Havia curativos em toda parte do meu corpo. Uma agulha, ligada ao soro, entrava pelo o meu braço. E ainda havia um maldito tubo entrando pelo o meu nariz.

Mas, nada disso, nem ver tudo isso, doeu mais do que ouvi a minha mãe falando que eu não poderia mais ver o Edward. Não. Eles não podiam fazer isso comigo. Eles tinham que me deixar explicar.

-... É culpa dele. – Ela completou a frase e destruiu um pouco mais do meu coração.

- Vocês não podem.... – Eu me desesperei um pouco, incapaz de aceitar aquilo.

- Isabella. – Ela me cortou, séria. — Não vamos discutir isso agora. – Foi determinada e pausada. – Primeiro, a única coisa que eu sinto agora é alivio por você está acordada e viva. Coisa que você também deveria está.

Ela suspirou e passou a mão pela a testa, como se estivesse muito cansada. Eu fiquei calada, porque eu também não tinha muitas forças para discutir isso agora. Mas, minha vontade, era de simplesmente gritar.

– Eu vou até a lanchonete chamar o seu pai. – Ela concluiu. — Ele também está muito decepcionado com você.

Ela parou por alguns segundos e sacudiu a cabeça, em decepção. Eu engoli em seco novamente, não me importando com a dor.

- Eu já volto.

Ela veio até em mim e deu um beijo em minha testa. Saiu sem que me deixasse dizer qualquer coisa.

Quando eu vi minha mãe saindo pela porta, meus olhos não aguentaram mais segurar as lágrimas. Eu senti vontade de gritar, chorar e me contorcer desesperadamente. Mas, a dor era tanta que até o meu corpo recusava a fazer isso.

Apenas minha mente trabalhava em aflição naquele momento. Com perguntas turvas e respostas dolorosas. Com imagens de meu futuro com Edward se desfazendo lentamente.

Como isso foi acontecer? Como eu pude deixar isso acontecer? Se nada disso tivesse acontecido, se James não tivesse aparecido, ainda havia esperanças de meus pais aceitarem Edward pelo o que ele era. Mas, agora estava tudo perdido. E minha vontade era de eu mesmo ter matado James lentamente. Se é que ele morreu mesmo.

Além do desespero das palavras da minha mãe, da incerteza do futuro, ainda havia o vazio das respostas que eu precisava do que aconteceu depois que eu apaguei. Do que realmente aconteceu naquele dia.

Onde estava Edward, afinal? Eu precisava tanto dele. Precisava saber o que aconteceu. Precisava saber como minha mãe descobriu, quem contou para ela. Porque foi necessário contar. Eles podiam ter arrumado uma desculpa, certo?

Droga, eu estava tão dopada de remédios que não conseguia sentir a emoção certa para aquele momento. Meu corpo anestesiado. Incapaz de me fazer sentir o sentimento certo. Mas, eu sabia que isso ia me afundar quando essa sensação de entorpecimento acabasse. Eu ia me afundar muito mais do que a escuridão que queria me levar para longe da realidade. Pensar nisso, só fez minha cabeça e meu peito doerem ainda mais.

Por enquanto, eu não conseguia pensar em meus pais, pensar no que minha mãe dissera agora pouco. Eu só conseguia pensar em uma maneira de encontrar Edward. De saber o que aconteceu com James. Se ele me escutou e foi ver se seu pai estava mesmo vivo. Eu somente queria ver seu rosto. Eu necessitava disso agora.

Enquanto eu olhava para o teto, tentando ignorar a dor do meu corpo, os pensamentos e palavras de minha mãe em minha mente, eu ouvir a porta do meu quarto ser aberta. Girei a cabeça, para ver se era meu pai. Meu coração titubeou em meu peito quando eu vi que, na verdade, era Edward.

Institivamente, eu suspirei em alivio e senti lágrimas saindo dos meus olhos quase que automaticamente. Nós não podíamos está mais ligados do que aquilo.

- Edward. – Eu sussurrei, ainda com dificuldade para falar, quando vi que ele era real em meu quarto.

- Shhh... — Edward exclamou e fechou a porta vagarosamente.

Analisei-o, com os meus olhos cheio de lágrimas, fechar a porta com cuidado e vim para minha cama em passos calmos.

Quando ele me alcançou, ele olhou para o meu corpo com uma expressão de intensa dor, quase como se fosse ele quem estivesse naquela cama.

- Edward. – Eu sussurrei de novo.

Edward encarou o meu rosto. Sua expressão estava angustiada, a ponto de fazer meu coração se estraçalhar em mil pedaços. Aquilo era mais doloroso do que qualquer outra coisa. Edward já sofrera tanto na vida. Não merecia sofrer mais. Não por minha causa.

Sem falar uma vez, ele se aproximou de mim e tomou com suavidade meu rosto em suas mãos. Aproximou-se e deu um leve selinho em meus lábios. Não pude deixar de notar o aparelho que controlava meus batimentos cardíacos denunciar o quanto meu coração estava rápido naquele momento.

Eu poderia até fazer uma piada sobre como ele fazia aquilo comigo constantemente, mas a sua a postura e até os meus pensamentos preocupados e sombrios do nosso futuro tornou o ambiente tenso e melancólico.

Ele tirou seus lábios dos meus, mas seu rosto triste continuou próximo de mim. Seu hálito sendo a única coisa que eu conseguia expirar no momento.

Edward sacudiu a cabeça, como se desaprovasse alguma coisa.

- Olha o que eu fiz com você. – Ele sussurrou com uma voz aguda. Seus lábios próximos o bastante para que seu hálito refrescante batesse em mim.

- Não. – Eu contestei, querendo está irritada, mas fraca suficiente para transmitir a sensação certa. – Não foi você. Você sabe disso. – Tentei ser incisiva.

Ele não falou por algum tempo, apenas me encarou por segundos intermináveis. Seus olhos verdes, escuros como da última vez que eu os vi, lá no armazém.

Edward franziu os cenhos e depois de segundos, assentiu com a cabeça, como se concordasse em algo em silêncio e deu um beijo em minha testa. Afastou-se e se esforçou para aparentar mais tranquilidade. Mas, eu podia ver o quanto isso era difícil para ele.

- Tudo bem. Não é hora para isso. O que importa é que você está viva. – Uma dor passageira passou por seus olhos, mas ele logo conseguiu escondê-la. – Temos pouco tempo. – Sua voz estava um pouco urgente nessa última frase.

Eu me agitei.

- Por que, Edward? – Eu perguntei com aflição. — O que aconteceu enquanto eu estava desacordada? Por quanto tempo eu fiquei desacordada? O que vai acontecer de agora em diante? Como...? – Eu parei de falar, porque minha garganta ficou seca.

Edward pegou minha mão na sua. Apesar de sua expressão está menos angustiada, ainda podia ver traços de tristeza.

- Você está desacordada á três dias. – Ele respondeu tranquilamente.

- Três dias? – Eu me surpreendi.

- Sim... – Ele ficou ansioso. Aproximou-se um pouco mais de mim e apertou a minha mão. – Eu falo sério quando digo que não tenho muito tempo, Bella.

Eu mordi os lábios e tentei segurar as lágrimas, porque sabia porque tínhamos pouco tempo.

- Mas... – Eu tentei falar. Ele colocou um dedo em meus lábios, impedindo-me.

- Escute-me. É importante que você faça isso agora por mim. – Ele pediu intensamente, com seus olhos verdes queimando dentro dos meus.

Eu assenti em concordância e ele tirou o dedo da minha boca. Ele olhou nos meus olhos e suspirou.

— Seus pais descobriram nosso relacionamento. – Ele afirmou. — Não sinta ódio de Carlisle, mas ele deve que contar. Eu que lhe trouxe para o hospital e se não disséssemos a verdade, a culpa de você ter sido baleada cairia sobre nós. Espero que você entenda, meu amor, porque ele teve que fazer isso. Por isso, sua mãe sempre está aqui com você. Ela não vai me permitir vim visita-la. Será difícil para nós... – Edward parou de falar e fechou os olhos por alguns segundos. Abriu-os e eu pude ver completa tristeza. – Nos encontrarmos enquanto você estiver aqui...

- Edw... – Tentei falar novamente, aflita com aquele momento de palavras rápidas que ele estava jogando em cima de mim.

- Bella, deixe-me terminar. Sua mãe logo chegara e eu não vou poder falar tudo o que eu quero. – Ele pediu intenso e fechou os olhos e apertou a minha mão.

Nossos segundos estavam contados. Isso me deixava tão angustiada e assustada.

Eu não falei mais nada, apesar da ferida de medo que se abria em meu coração, deixei segui-lo. Ele suspirou. Seu rosto representava cansaço.

- Eu estarei sempre pelos os corredores, esperando uma oportunidade para vê-la, mas seus pais não vão facilitar para mim. Eles foram claros comigo quando disseram para eu ficar bem longe de você. – Ele franziu o cenho e abaixou a cabeça.

Eles não tinham o direito de fazer isso. A vida era minha. Eu sabia o que fazia bem dela. Se eles pensavam que eu iria facilitar, eles estavam errados.

Eu comecei a balançar a cabeça freneticamente, não querendo acreditar naquilo e não querendo aceitar.

- Eles me culpam pelo o que aconteceu com você, Bella. – Edward prosseguiu e voltou seus olhos para mim. – De certa forma, foi. – Ele admitiu, como se sentisse envergonhado.

Eu iria protestar, se ele não tivesse lançando um olhar de súplica para que eu não lhe interrompesse.

– De qualquer maneira, eu quero que você saiba que agora você está completamente segura.

- James? – Perguntei rapidamente e apertei a mão dele. James tinha morrido. Tinha saído definitivamente da vida de Edward. Isso era o que me tranquilizava.

- James está morto, Bella. – Ele admitiu. – Nós finalmente conseguimos destruí-los. Não me sinto bem por matar um ser humano, mas James não era bem um ser humano. E ele te machucou. E ele quis te matar. Eu não podia deixar simplesmente. – Ele parou e engoliu em seco.

Suas mãos se fecharam mais fortes na minha.

- Victoria e Laurent e grande parte da gangue conseguiu fugir, mas de James você está livre.

De repente, seus olhos se tornaram mais escuros do que já estavam. Cheguei acreditar que a qualquer momento ele chegaria a chorar. Ele realmente estava se culpando por eu está ali. Isso não era certo.

- Bella... – Ele se aproximou de mim. – Amor... – Ele acariciou minha bochecha. – Desculpe-me ter falhado com você. Não devia ter saído um segundo do seu lado. Deveria desconfiar dos planos de James, mas fui estúpido e imbecil.

- Edward... – Eu o interrompi, por não aguentar mais ver o seu martírio por uma coisa que estava longe da sua culpa. – Se quer que eu continue deixa-lo a falar, não faça isso. Por favor. Não se culpe. Por mim. – Eu pedi.

Ele olhou dentro dos meus olhos suplicantes. Piscou algumas vezes e assentiu com a cabeça, recompondo-se.

- Você está certa. – Ele respirou fundo e se concentrou no que tinha que dizer. – Antes de ir, eu preciso dizer que você estava certa. Meu pai não está morto.

Ele olhou para mim. Eu esbugalhei um pouco os meus olhos.

— Não sei de muita informação, mas ao que parece ele mora na Inglaterra agora, em Londres.

- Você vai procurá-lo? – Eu perguntei, curiosa.

- Não sei ao certo. Não pretendo ir até lá. Nem quero. E nem tenho dinheiro para isso. Gostaria de entender melhor essa história, mas tudo o que eu menos quero agora é ir para longe de você, mais do que eu já vou está. Vou pensar nesse assunto depois, então não se preocupe com isso, okay? – Ele pediu.

Eu assenti, aleatoriamente. Meus pensamentos agora estavam na barreira que surgiria entre nós. No nosso futuro juntos. Na dificuldade que fez a anterior parecer uma pequena pedra no nosso caminho.

- Como vamos nos encontrar agora, Edward? Como vamos convencê-los? Eu não quero perder você. – Minha voz saiu distorcida, por causa das lágrimas que voltavam a inundar o meu rosto.

- Você não vai me perder. – Ele segurou a minha mão e a beijou suavemente. – Eu nunca vou te deixar, Bella. Nós vamos encontrar um jeito. Certo? – Ele encolheu o cenho e olhou novamente o meu corpo, preocupado. – Só... Só procure se recuperar agora, Bella. Eu vou fazer o possível para vim visitá-la quando sua mãe deixá-la a sós.

Eu sacudi a cabeça em negativa.

- Eu não quero que seja assim.

- Por enquanto, terá que ser.

Ele fechou os olhos e respirou fundo. Quando os abriu, seu olhar angustiado tinha voltado novamente.

- Agora eu preciso ir... – Sua voz falhou.

Eu sacudi a cabeça freneticamente e segurei sua mão mais forte, tentando mantê-la de alguma forma sempre ali. Não queria deixa-lo ir. Não queria que o preconceito dos meus pais nos afastasse.

Tudo bem que eles descobriram nosso relacionamento da maneira mais drástica que eu podia imaginar, mas eles não podiam colocar a culpa em cima de Edward. Eles não podiam me proibir de vê-lo. Como eu suportaria? Eu precisava dele para a recuperação. Eu precisava.

Tudo o que eu queria que os meus pais entendesse era que o que Edward mais vinha tentando fazer nesses últimos meses era me proteger. Eles tinham que ver o coração puro e gentil que Edward tinha.

Ele olhou para mim quando eu solucei, prevendo lágrimas saindo de meus olhos irritados. Ele franziu o cenho em aflição e enxugou uma lágrima que caiu na minha bochecha.

- Não chore, por favor. – Ele pediu implorativo. Quando eu segurei sua mão mais forte, incapaz de falar alguma coisa devida às emoções que me sufocavam, ele se inclinou e deu outro beijo em meus lábios. Dessa vez, um pouco mais intenso. Ao terminar, subiu com os lábios para minha testa e depositou outro beijo ali. Eu fechei os meus olhos fortemente para sentir a suavidade de seu hálito, de sua pele. Sentir o quanto eu me sentia viva e bem quando ele estava ao meu lado. Meus pais não podiam tirá-lo de mim.

- Eu te amo. – Ele murmurou com sua voz de veludo.

Eu solucei mais alto.

- Eu te amo. – Eu consegui balbuciar sobre o choro silencioso.

Ele se afastou de mim, mas eu apertei novamente sua mão, não querendo deixa-lo ir. Ele me encarou por breves segundos, com os olhos desolados e sem vida. Sem um pingo de brilho que eles costumavam ter. Eu sabia que, nesse momento, seus olhos refletiam o meu.

Quando ouvimos conversas se aproximando do corredor que estava o meu quarto, Edward olhou suplicante para mim, pedindo-me para deixa-lo ir.

Aos poucos meus dedos se afrouxaram dos seus e nossos dedos se separaram. Ele olhou mais uma vez para mim antes de caminhar com os ombros caídos até a porta. Ele me olhou mais uma vez de lá, antes de desaparecer por completo do meu quarto.

Eu apertei o cobertor, tentando controlar as lágrimas e o tremor em meu peito.

Nós conseguiríamos vencer aquela barreira. Sim. Sim. Esme disse que se nosso amor fosse realmente forte nós conseguiríamos vencer qualquer obstáculo. E nós iriamos conseguir fazer isso. Juntos.


Aos poucos, as vozes que ouvimos, aproximaram-se mais do meu quarto. Eu enxuguei rapidamente as lágrimas que ainda existiam em cair e tentei me recompor.

Meus pais não podiam ver isso.

Então, contrariando todos os sentimentos que estavam dentro de mim e a imagem de Edward indo embora por aquela porta, eu tentei ficar impassível quando um Charlie cuidadoso abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do quarto.

- Você está acordada. – O alivio em sua voz a me ver viva e bem era palpável.

Apesar de esta pronta para brigar com eles, eu não podia fazer isso quando imaginei o quanto eles sofreram com o meu acidente.

Então, eu apenas assenti e procurei me fazer de forte.

Eu descobrir, mais tarde naquele dia, que eu teria que ficar hospitalizada por mais uma semana.

Durante esse tempo, eu recebi poucas visitas. Incluindo uma de Mike e sua mãe, e uma de Ângela, que ficou quase uma tarde inteira comigo. O que foi bom. Foi bom me sentir normal por uma tarde inteira. Não que meus pensamentos não estivessem o tempo todo em Edward, mas conversar com Ângela me lembrava de que eu tinha alguém normal em minha vida, que não estivesse incluída nessa loucura de violência.

Durante meu tempo no hospital, tentei esquecer que meus pais estavam tentando me manter longe de Edward. Mas, era difícil. Enquanto eu estava ali, eles não mereciam sofrer com a minha teimosia mais do que eles sofreram nos últimos dias.

Felizmente, Edward conseguiu me fazer duas visitas depois de sua última.

Podíamos agradecer por Forks ter somente um hospital e, consequentemente, eu ter que ficar no mesmo em que ele trabalhava. Mas, ele estava certo. Meus pais não me deixavam muito tempo a sós, o que dificultava para ele.

Suas duas visitas não foram mais de cinco minutos, enquanto ele aproveitava que minha mãe ia buscar um café e voltava. Nesse tempo que ele ficava comigo, eu procurava matar toda a saudade que me consumia a cada minuto longe dele. Também procurava esquecer que quando eu saísse dali, as coisas se tornariam ainda mais difíceis para nós.

Meus pais não falaram nada sobre o assunto enquanto eu estava internada, mas sabia que o real castigo viria quando eu saísse dali. Por isso, eu procurava não lembrá-los ou intimidá-los sobre a recusa de deixarem Edward me ver.

Por bem, o único que conseguia me fazer diminuir um pouquinho da minha aflição por não poder ver Edward, estava comigo quase todos os dias. Jacob.

Eu queria poder achar injusto aquilo. Afinal, Jacob também tinha uma gangue. Jacob também estava dentro da história toda. Mas, eu não queria afastar também de mim o único que me deixava a par de tudo o que acontecia e o único que conseguia me fazer sentir um pouquinho bem, depois de Edward.

Jacob estava quase todos os dias me visitando.

E, por incrível que pareça, mas ainda com expressão não muita satisfeita, ele trazia recados de Edward.

No primeiro dia em que ele veio me visitar, na mesma noite em que eu acordara, eu aproveitei o momento em que minha mãe me deixou a sós com ele, para saber tudo o que havia acontecido naquela tarde.

Jacob suspirou e endureceu um pouco o seu corpo na cadeira antes de começar a falar.

— James foi esperto dessa vez, Bella. – Ele admitiu. Uma profunda voz de raiva saindo de sua boca. – Nenhum de nós previu que ele fosse fazer isso. Tudo bem que eu não gosto do seu namorado... – Ele me lançou um olhar desdém e eu revirei os olhos. – Mas, nós dois estávamos empenhados em te proteger daquele crápula de James. Nenhum de nós conseguiu mantê-la longe dele.

— Isso não era obrigação de vocês. Nenhum dos dois é culpado. Já basta Edward se martirizando por isso, você, por favor, também não. – Eu pedi em uma súplica irritada.

Jacob revirou os olhos.

— Okay. Eu não vou falar sobre isso.

— Muito bem. – Eu respondi irritada. – O que eu quero saber é o que realmente aconteceu naquela tarde. – Eu insisti.

Jacob suspirou.

- Aconteceu o seguinte. Tudo estava em paz no colégio naquela tarde, até a hora do refeitório. Nesse horário, de repente, alguns alunos chegaram apavoradas gritando no refeitório que alguns vândalos estavam destruindo tudo do lado de fora do colégio. Nós corremos para lá. Eu e a gangue de Edward. Logo percebemos que era a gangue de James. Porque esse estava lá também junto. Não demorou muito para que todos nós nos envolvêssemos na briga. Foi a coisa mais feia. Aconteceu, que na bagunça toda, nem eu e nem seu namoradinho percebemos o sumiço de James, que foi atrás de você. Tudo fez parte de um plano Bella. O seu carro quebrado. O atraso que ele previu para Edward ir de buscar.

Jacob deu de ombros, prosseguindo:

- Quando nos demos conta, na verdade, Edward foi o primeiro a perceber o sumiço de James. Ele rapidamente pensou em você. Eu não sei como foi isso, Bella. Eu não estava com ele quando ele foi atrás de você. Eu tive que ficar no colégio, para controlar a situação de lá. Eu não posso lhe dizer em detalhes como ele lhe achou.

Mas, eu sabia. Edward deve ter ligado os últimos aparecimentos de James com ele está nos seguindo. James nos seguiu e descobriu a minha importância para Edward, assim como, até mesmo os nossos passos.

Não deve ter sido difícil para Edward imaginar que caminho eu tomaria naquela tarde quando ele não apareceu, ficando vulnerável para James. Nosso cantinho.

A partir dai, quando nos encontrou lá, Edward deve ter seguindo para o lugar mais perto onde James pode ter me escondido; a antiga fabrica abandonada que eu descobrir ficar próxima do estúdio onde ele e eu nos encontrávamos.

Eu acertei em minhas teorias. Eu as confirmei com Edward na vez seguinte em que ele foi me visitar escondido. Eu pensei o que teria sido de mim se Edward não tivesse chegado a tempo, se não conhecesse bem a minha mente e a mente de James para saber até onde ele me levaria.

Eu senti um calafrio tremendo quando pensei nisso.

Com as visitas rápidas e tristes de Edward e as de Jacob, a semana que eu passei no hospital passou-se rapidamente.

Na segunda feira, eu estava indo para casa, ainda de sobreaviso do médico de que eu ainda precisava ficar de descanso. Eu também tinha uma perna engessada que eu sabia que seria obrigada a aguentar durante todas as minhas férias de verão.

No dia em que eu tive alta, eu fiquei o caminho todo do hospital para casa em silêncio, no banco de trás da viatura de Charlie. Os meus pais também estavam calados.

Porém, eu estava esperando quando chegasse em casa ter a briga que eu sabia que teria. Dessa forma, todas as cartas seriam colocadas na mesa e eu exigiria a eles me deixarem me explicar.

Não seria fácil convencer os meus pais a me deixar namorar Edward depois do que aconteceu. Eu sabia que quando eu chegasse em casa a briga iria ser grande e prolongada. Na verdade, fiquei um tanto surpresa em eles realmente não terem comentado nada sobre o assunto durante o tempo em que eu tive no hospital.

Em nenhum momento, nem quando estávamos a sós, sem nenhuma visita, eles mencionaram o assunto. Era como se aquilo não tivesse acontecido. Era como eles estivessem ignorando a existência de Edward.

No entanto, havia chegado o momento. Não importava o que eles fossem falar, eles iam ter que aceitar que o que aconteceu não foi culpa de Edward e que eu estava apaixonada por ele.

Quando Charlie estacionou a viatura em frente de casa naquela manhã, minha mãe me ajudou a sair do carro.

Infelizmente, eu tinha que usar malditas muletas para andar. Renée me guiou até dentro de casa, com Charlie atrás de nós.

Eu podia sentir meu corpo tenso, preparado para a briga e os gritos que se seguiriam. Para a luta que eu iria travar com meus pais agora. Não sabia se estava preparada, mas tinha que está. Afinal, tive uma semana para aceitar que convencê-los a me deixar namorar Edward seria difícil.

Eu cogitei até mesmo chamar Edward para aquele momento, mas achei que seria melhor essa conversa somente entre nós três. Com Edward em casa, o clima poderia ficar bem mais pesado.

Eu passei pela a porta de casa, feliz por finalmente me livrar do cheiro e das paredes brancas do hospital, e Charlie fechou-a quando passou por ela.

Esperei eles disserem alguma coisa.

Esperei os gritos ou a briga que se seguiria.

Mas, nada disso aconteceu.

Charlie tirou seu blusão de frio e o pendurou próximo a porta, vindo até o meu lado para pegar a mala de roupas que eles tinham levado para a minha estadia no hospital, em suas mãos.

- Eu vou ajuda-la a levar isso para cima. – Ele anunciou e passou por mim em direção a escada, dando um beijo em meu rosto.

Incrédula, eu o observei pegar as malas e subir com elas.

- Você precisa de ajuda para subir, querida? – Minha mãe perguntou, carinhosa. Eu olhei para ela assustada.

Cadê a briga? Cadê a conversa que teríamos sobre o que aconteceu? Por mais que estivesse aliviada, estava assustada. Porque eu não sabia o que o silêncio deles significava.

- Bella? – Minha mãe chamou minha atenção quando eu não respondi.

- Não. – Eu respondi um pouco distraída e confusa. – Eu... Eu estou bem. Eu consigo subir sozinha. – Anunciei e, depois de lançar um olhar inquieto para ela, eu comecei ir em direção a escada, sem saber o que pensar sobre aquilo.

Eu deveria começar a conversa? Deveria perguntar alguma coisa? Mencionar que a culpa daquilo tudo não tinha sido de Edward? Eu não sabia se era o melhor. Eles deviam está esperando o momento certo para falar. Para que eu os enfrentasse, eu precisava que eles me enfrentassem primeiro.

Além do mais, eu não conseguia ter a coragem suficiente para começar aquele assunto por mim mesmo. Dessa forma, eu iria arrumar um jeito de sair de casa e encontrar Edward para saber o que ele achava melhor nós fazermos.

Por enquanto, se era silêncio que os meus pais queriam, eles iriam ter. Mas, só por alguns dias.

Quando eu cheguei em meu quarto, cansada, eu fechei a porta. Olhei ao redor do local conhecido. A minha cama aconchegante. O meu MP4 em cima da mesa. Os meus desenhos na parede. Os olhos de verdes de Edward me seguindo por todo canto.

Com uma pressão estranha no peito, nada relacionado com o acidente, e um embrulho de impressão ruim em meu estômago, eu caminhei até minha cama.

Sentei-me nela e encarei a porta do meu quarto, ainda estática com o silêncio dos meus pais.

Era só esperar o tempo passar agora. As coisas iam se ajeitar. Eu precisava acreditar nisso, mas o embrulho e a sensação de que as coisas estavam mais erradas do que deveriam está, sufocava-me de uma maneira irracional.

Nada estava certo agora.

E meu mundo parecia desabar.

Notas finais
Pronto, está ai. Espero que vocês tenham gostado.
Esse capítulo foi bem tristinho né? Principalmente, a parte de Edward. Tadinhos. D:
O que será deles agora? Bom, só nos próximos capítulos.
A fanfic, de alguma forma, está entrando na reta final. Ainda faltam algumas coisas importantes, mas está sim, quase no final.
Bom, espero que vocês tenham gostado e possam comentar.
Queria pedir um favor a vocês; para passarem na minha outra fanfic, Vida Inesperada. Eu amo escrevê-la e ver pouca gente lendo dá tristeza. aisuhaiushas. Bom. é só um pedido. :p
Beijos e até a proxima. ;*