Aprendendo a Viver.

23 Capítulo 22 - Cara-á-cara com a morte.


Notas iniciais
Eu sei, eu sei que eu prometi postar o capítulo na semana passada. Infelizmente, não deu. : No entanto, eu não demorei para postar de qualquer maneira. hihihi.
Então, aproveitem e surtem. Beeijos ;*

Capítulo 22 – Cara-á-cara com a morte.

Uma dor pontiaguda ardeu na parte de trás da minha cabeça. Minhas mãos imediatamente correram para lá, tentado localizar o motivo da dor e fazê-la diminuir da alguma forma. Meus olhos estavam fechados e eu sentia o frio intenso que penetrava em minhas roupas úmidas. Também notei está deitada em um chão frio e molhado. Meus olhos se abriram vagarosos e eu encarei o teto alto e de ferro acima de mim. Meu cenho se franziu quando eu não reconheci o local escuro e sombrio.

O que diabos estava acontecendo? Onde diabos eu estava?

Na mesma hora em que a pergunta veio em minha cabeça, lembranças assustadoras assolaram a minha mente. Junto com essas lembranças o medo correu pelas as minhas veias e petrificou meu corpo.

Eu me lembrei de correr na chuva, lembrei-me da sensação de ser seguida, lembrei-me do medo e, sobretudo, lembrei-me do sorriso sarcástico nos lábios do meu agressor.

Meus lábios soltaram uma lufada de ar e meus olhos se abriram ainda mais quando eu soube o que estava acontecendo. Um calafrio assustador passou pela a minha espinha. Eu ergui um pouco a cabeça, a dor ainda latejante na parte de trás dela, e analisei que espécie de esconderijo eu estava. O local era escuro e gélido. Eu podia notar que era algum tipo de fábrica abandonada pelo o teto alto e pelas máquinas espalhadas ao meu redor.

Eu arfei novamente devido a respiração descompassada e tentei me levantar. Eu tinha que fugir dali. Eu tinha que arrumar uma forma de fugir dali, mesmo que imaginasse que o assassino estaria por qualquer parte que eu tentasse.

Forcei meu corpo para cima e gemi de dor quando minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento.

Desesperada, eu engoli em seco e olhei ao meu redor. Não pensei muito. Assim que vi a primeira brecha entre as máquinas velhas e enormes, dei um primeiro passo para minha fuga.

Era um erro meu achar que seria tão fácil assim.

- A porta de saída não é por ai. – Uma voz ligeiramente sombria com uma mistura de animação sarcástica e assustadora me fez estacar no lugar.

Minhas mãos tremeram. Eu arfei e engoli em seco. O pânico que já tinha invadido a minha cabeça á muito tempo, aumentou consideravelmente. Eu demorei um pouco a criar coragem e me virar para ver o meu agressor. E se eu não virasse? E se eu apenas corresse em busca da porta de saída?

- Nem pense nisso, querida. – Ele alertou, como se estivesse lendo em minha mente os motivos de minha relutância. – Eu vou te encontrar de qualquer maneira.

Eu engoli em seco e senti meus olhos inundaram de lágrimas. Não havia escapatória, afinal. Ele estava certo. Ele me encontraria de qualquer maneira e seria pior se eu tentasse. Não me julgava por criar esperanças que eu poderia sair dessa.

Criando forças, eu me virei para encará-lo.

E ele estava ali, a poucos passos de mim. Seu rosto era angelical, limpo como a pele de um bebê. Ele tinha um cabelo médio amarrados para trás, deixando ainda mais os seus olhos amostra. Os seus olhos fizeram um frio esmagador passar por minha espinha. Eles eram incrivelmente pretos. Como os olhos de uma águia que observava o movimento de sua presa. Meus punhos se fecharam quando eu imaginei que, a presa ali, era eu.

Quando ele notou a minha análise e o óbvio medo em meu rosto, ele sorriu ainda mais, fazendo dentes brancos aparecerem, como se ele realmente gostasse do que via. Eu engoli em seco e ergui um pouco a cabeça, trincando os meus dentes e o encarando de volta. Eu não ia dar esse gosto a ele.

- O que você quer de mim? – Minha voz tremeu, apesar de ter saído um pouco firme.

Ele estreitou os olhos com a minha pergunta e deu um sorriso de lado, completamente assustador. Sem me responder, começou a dar passos curtos e vagarosos, circulando ao meu redor. Colocou as mãos para trás e me encarou como se eu fosse uma velha conhecida.

- Então, você já sabe quem eu sou? – Ele perguntou com a voz levemente satisfeita.

Eu engoli em seco.

- Sei. – Eu respondi com a voz dura.

Ele me olhou com aprovação e assentiu vagarosamente com a cabeça. Ele continuou a circular ao meu redor, deixando-me tensa para qualquer movimento brusco e repentino que ele viesse a fazer. Eu me virava a medida que ele ficava fora da minhas vista.

- Então, eu tenho certeza que você sabe o que eu quero de você. – Ele comentou com um sorriso agradável, como se não estivéssemos discutindo nada mais do que a minha morte e ele não fosse o meu assassino. Ele começou a dar passos vagarosos em minha direção, analisando-me curiosamente.

Como ele estava chegando cada vez mais próximo, eu dei um passo para trás e olhei pelo o canto dos meus olhos qualquer brecha que me permitisse fugir dali. Será que eu seria rápida o suficiente para conseguir alcançar qualquer porta de saída antes que ele me alcançasse? Eu não sabia, mas tinha que tentar fugir. Eu não podia simplesmente me entregar tão facilmente.

Seus olhos se estreitaram de uma forma mais sombria quando eu demorei a responder. Com toda a certeza, ele sabia o que eu estava pensando.

- Então, sabe o que eu quero de você? – Ele perguntou com a voz mais grossa e dura, fazendo-me sobressaltar um pouco e engoli em seco. Meu coração pulsava rápido de adrenalina e temor. Minha boca era seca e eu sabia que estava mais pálida do que o normal. Então era assim que as pessoas se sentiam quando elas estavam cara-a-cara com a morte?

Eu dei mais um passo para trás e tentei não olhar em seus olhos escuros.

- S-Sei. – Eu balbuciei. Ele sorriu, como se gostasse da resposta temerosa, e inclinou a cabeça de lado, analisando-me.

E com essa afirmação, de repente, uma certeza inabalável se plantou em minha mente. Ele queria me matar. Ele iria me matar para que Edward sentisse. Ele iria me matar para se vingar de Edward da maneira mais cruel possível. Ele iria me matar, porque eu era uma pessoa que Edward amava.

Mas, e se fosse só isso? E se fosse só isso que James precisasse para deixar Edward e toda a sua família em paz? Então, Edward poderia seguir sua vida sem o medo constante que ele tinha da volta de James para a cidade. Ele poderia ficar despreocupado porque James já teria se vingado e não iria voltar para assombrar seus amigos e a família que ele tanto amava.

Se James me matasse, então outra pessoa poderia ficar viva e Edward estaria a salvo, já que James iria concluir sua vingança fria naquele momento. E se eu não fugisse e apenas aceitasse o meu destino? Não havia como eu fugir, de qualquer maneira. Eu sabia pelo o olhar do meu assassino, que ele estava determinado a me matar custe o que custar.

Eu sabia que o que eu estava pensando era loucura, insanidade. Porém, do que adiantava fugir agora? James, de alguma forma, — apesar de todos os cuidados de Edward – descobriu a importância que eu tinha na vida dele. Se, por um milagre, eu conseguisse fugir dali, James continuaria vindo atrás de Edward ou atrás de mim. James nunca desistiria até que ele tivesse sua vingança concluída contra Edward.

Então, não era melhor acabar com isso de uma vez? Assim livrava qualquer outra pessoa inocente e até mesmo Edward do ódio de James?

Não havia mais esperança, afinal. Eu estava ali, sozinha, diante dele. Não havia mais escapatória. Sobretudo, porque, se James não me matasse aqui, ele continuaria vindo de novo e de novo e Edward, por medo de minha segurança, arrumaria alguma forma de se afastar de mim para me proteger. Eu o conhecia. Eu sabia que ele seria capaz de fazer isso agora que ele iria saber, se eu escapasse de uma maneira muito impossível, que James já sabia de mim.

E me separar de Edward era algo intolerável para mim, até mesmo correndo risco de morte.

Então, não era melhor uma morte rápida do que uma morte vagarosa ou uma vida sem muita alegria que eu viveria se Edward me abandonasse?

Pensei em meus pais. Na dor que eles sentiriam por me perderem. Mas, assim como Edward poderia suportar essa dor, eu tinha certeza que eles também.

Eu sabia que essa era a melhor solução. Ficar e encarar a morte de frente. Pelo o que eu via, James era inteligente, sagaz e manipulador. Se não me matasse agora, ele poderia muito bem, de alguma forma, colocar em risco a vida de meus próprios pais ou de pessoas que eu amava para conseguir o que queria.

Era um efeito dominó. Eu tinha que aceitar que o melhor para todo mundo era a minha morte naquele momento. James descobrira minha importância para a vida de Edward e isso era o ponto principal para o fim daquele jogo que durou á muito tempo na vida de Edward. Se eu não morresse hoje, com certeza, morreria depois.

Ao ter essas resoluções em questões de segundos, rapidamente minha expressão, que antes era medrosa, ficou fria e determinada.

James notou a mudança e sorriu. Seus se cerraram para mim, curiosos sobre a mudança.

- Não parece com medo. – Ele comentou, andando mais lentamente aos meus lados. Eu dei mais um passo para trás.

- Não estou. – Eu falei decidida e engoli em seco.

Ele estreitou os olhos e me olhou com um sorriso confuso nos lábios.

- Mas, se eu fosse você, eu estaria. – Sua voz foi macia e suave, como se ele estivesse comentando algo sem muita importância. Ainda assim, um frio intenso me congelou.

Eu respirei fundo e tentei controlar a vontade de sair correndo.

- Você vai me matar, não é? – Eu perguntei ácida e irônica. – Não há muito que fazer.

Ele suspirou com um falso ar de culpa.

- Você está certa. – Sua voz era calma, suave. Ela não era a voz de um assassino que me mataria daqui alguns minutos. – Não há muito que fazer. – Ele olhou para mim, os olhos de repente mais sombrios. – O que é uma pena, considerando o quanto você é bonita.

Ele deu mais um passo grande em minha direção e seus os olhos de águia observaram a minha atitude. Eu andei um pouco mais para trás e minhas costas bateram em algo dura. Era a parede. Eu estava encurralada.

Ele sorriu satisfeito e alegre ao notar o mesmo que eu e andou mais um pouco em minha direção. Ficou cada vez mais próximo.

- É uma pena que você seja a pessoa mais importante de Edward. Eu não queria te matar... – Ele suspirou, com um falso pesar. – Porém, eu não tenho escolha. Quanto mais importante para ele, mas dor ele sentirá pela a perda.

- Você não pode saber isso. – Eu sibilei. – Você não estava na cidade. Co...Como conseguiu descobrir isso?

Ele gargalhou. Uma gargalhada que levantou todos os pelos de meus braços.

- Eu sou inteligente. – Ele olhou para mim com o cenho franzindo e levantou um dedo, como se tivesse tomado alguma espécie de decisão. – Sabe, eu acho que vou lhe contar como foi que o plano que eu tinha em minha cabeça há alguns meses atrás deu certo.

Ao falar isso, ele deu um passo para trás e tornou a distância entre nós um pouco maior. Eu suspirei aliviada. Eu teria mais alguns minutos de vida. Tentei não pensar o quão estranho era eu estar pensando em minha morte com essa calma toda.

- Edward é muito previsível. – James começou e deu aquele sorriso que podia ser agradável, mas para mim era aterrorizante. Ele pensou por alguns segundos e depois inclinou a cabeça de lado, observando-me. – Acredito que, para você me conhecer, você deve saber da história que nos une. – Ele olhou para mim interrogativo, esperando uma confirmação.

Eu assenti uma vez. Então, ele voltou a sua história.

- Então, você deve saber que por causa do Edward eu fui expulso daquela maldita escola e não consegui fazer o que eu queria fazer ali. – Ele cruzou os braços em frente ao seu peitoral. Eu observava cada movimento dele, respirando e expirando com as costas na parede. Eu sabia que eu estava uma estatua. Sabia que não era capaz de me mexer pelo o medo que corria constantemente pelas as minhas veias, mesmo que eu já tivesse aceitado que aquele fosse meu destino.

James continuou:

- Naquela época, eu vigiei bastante o diretor da escola fendida. Sabia que ele guardava dinheiro escondido em suas coisas da coordenação. E era muito dinheiro. – Ele sorriu para mim, como se eu soubesse o que ele estava falando. — Um dinheiro que daria para reformar aquela escola toda. Essa era a minha única intenção ao entrar naquele colégio. Surpreendi-me a ver Edward quando eu entrei lá. – Ele começou a dar passos vagarosos ao torno de si e encarou um chão, com um sorriso torto de dar medo. Era um sorriso que escondia mágoa, maldade e raiva. Eu engoli em seco. — Da última vez que eu vira Edward, Bella, eu estava matando a mãe dele e ele estava quase morrendo. Pensei que ele não tivesse conseguindo sobreviver àquela noite. – Ele levantou os olhos para me encarara, a expressão mais séria e decepcionada. – Mas, então ele estava naquele colégio imundo e estragou todos os meus planos. Porém, eu estava muito feliz em encontrá-lo. Em saber que ele estava vivo. Sabe por quê? – Ele me perguntou e eu sacudi a cabeça freneticamente, respirando forte. Ele sorriu e pigarreou. — Porque antes de ele estragar os meus planos, eu já tinha um motivo suficiente forte para querer magoá-lo. Fazê-lo sofrer da forma mais dolorosa possível. – Ele me encarou com aqueles olhos escuros atormentados de uma maneira assustadora.

Eu franzi o cenho, por não compreender aquela última parte. Não queria ficar de papo com o meu assassino, mas já que isso adiaria a minha morte, eu fiz questão de demonstrá-lo que eu fiquei aturdida. Pelo o que eu sabia daquela história e, até mesmo do que Edward sabia e me contou, James só tinha um motivo para querê-lo fazer mal. Esse motivo era Edward ter atrapalhando os seus planos e, algum tempo depois, matar dois da gangue dele.

- Você ficou confusa, não foi? – Ele sorriu contente, satisfeito pela a minha reação. Eu engoli em seco, não querendo responder. Meus instintos de segurança me alertando que a cada minuto que passava, mais perto chegava a hora da minha morte.

Em um movimento rápido e súbito, James andou os três passos que nos separavam e chegou a ficar apenas centímetros de mim. Ele sorriu quando me viu ofegar de terro e surpresa e se inclinou mais para sussurrar no meu ouvido. Eu fiquei uma petrificada, incapaz de me mexer.

- Sabe por que você ficou confusa, Bella? – Ele falou lentamente, arrancando arrepios nada agradáveis do meu corpo. Meus punhos se fecharam e meus dentes trincaram. Eu parei até mesmo de respirar. — Porque nem mesmo Edward sabia desse motivo para lhe contar. Ele nunca soube qual meu verdadeiro motivo para querer me vingar tanto dele, além do motivo óbvio da existência dele nesse mundo. –Meus punhos tremiam de raiva e de terror. Minha vontade era de lhe socar bem na cara. Porém, eu estava alerta de que se tentasse isso, mais rápido eu morreria. – Porém, como você vai morrer, eu acho que posso te contar. – Ele soltou uma risada em meu ouvido e passou um dedo em minha bochecha. Minha respiração parou de novo.

Ele sorriu ainda mais quando notou o meu medo e ajeitou a cabeça para me encarar. Seus olhos pretos revelavam todo o mal que aquele ser desprezível podia causar ao mundo. Revelava a frieza e falta de importância que ele tinha para com a vida humana. Eu podia ver naqueles túneis pretos aterrorizantes o desejo de matar, o desejo de vingança e, ainda mais, a satisfação por esse último está acontecendo. Sua expressão de anjo podia enganar, mas seus olhos pretos podiam o entregar para qualquer um que olhasse bem fundo neles.

James continuou a sua história:

- Edward jura que o pai dele estar morto, mas você quer saber de uma coisa, Bella? – Ele me perguntou e passou novamente o dedo em meu rosto. Eu engoli em seco e levantei um pouco a cabeça para desviar dos seus dedos imundos. Ele encarou os meus olhos. — Ele não está morto. O pai de Edward Cullen está mais vivo do que qualquer pessoa. – James falou com uma expressão seria e seus olhos, de uma forma impossível, escureceram e se tornaram ainda mais assustadores.

Ainda assim, ainda diante do medo, cara-a-cara com o meu assassino, eu consegui arfar de surpresa com o que ele havia dito. Eu lhe encarei ainda mais confusa. Ele era louco. Eu não podia confiar em suas palavras.

- Do... Do que você está falando? – Eu me arrisquei a perguntar, frenética. Meu impulso era de querer empurrá-lo para longe de mim, mas eu sabia que isso só o deixaria furioso.

- Shhhh. – Ele pôs o dedo em minha boca, impedindo-me de falar, e me encarou com os olhos famintos pela a minha morte. – Você só fala quando eu mandar. – Sua voz era leve, mas ameaça estava presente.

Ainda com o dedo em minha boca, ele retomou a história.

- O pai de Edward está vivo. – Ele repetiu e suspirou, desgostoso, agora em seus próprios pensamentos. — Aquele maldito velho está perdido por algum lugar desse mundo para que eu não possa encontrá-lo. Eu vou lhe contar uma história rápida, Bella. – Ele não tirou o dedo de minha boca, mas me olhou intensamente. – O que você faria se o amor de sua vida fugisse com outra pessoa? – Ele perguntou retoricamente. Não esperou eu responder, apenas me esperou respirar fundo. – Aposto que ficaria magoada, talvez até achasse que a melhor solução para acabar com a dor seria a morte. – Ele deu um sorriso doloroso. — Foi exatamente isso o que aconteceu com o meu pai. –

Seus olhos aumentaram e ficaram, de uma hora para outra, mais frios e raivosos.

- O pai de Edward, quando este estava se formando na barriga da mãe dele ainda, deixou a mulher para trás e fugiu. Com minha mãe.

Ele apertou mais o dedo que estava em minha boca e controlou uma espécie de raiva contida que ele não queria deixar transparecer. Respirou fundo e levou a outra mão para a ponte de seu nariz. Ele rugiu um pouco e depois de acalmou. Eu engoli o choro que queria vim por minha garganta.

Ele me encarou com os olhos em uma falsa emoção de desolação, assim que se acalmou.

— Você imagina como o meu pai deve ter ficado, Bella? – Ele suspirou. – Tão triste. Tão solitário. Ele amava aquela vadia mais que eu. – Ele sibilou e se acalmou de repente, fechando os olhos e depois os abrindo. – Eu vi o que a dor da perda da minha mãe estava fazendo ao meu pai. Mais do que isso, ele morreu por causa do abandono dela. – Ele estalou a língua e sacudiu a cabeça. – Eu não soube muito que fazer quando me vi sozinho. Quando eu notei ter perdido as duas únicas pessoas que eu tinha na vida, eu prometi vingança ao meu pai. Então depositei todas as minhas raivas na mãe de Edward, já que o maldito do pai dele havia sumido pelo mundo. Eu a procurei em cada canto da cidade de Port Angels. Foi quando, naquela noite, eu a encontrei. Fiquei satisfeito que mais do que a mãe, eu mataria também o filho Extinguiria com a raça dos Mansen e me sentiria, de alguma forma, melhor. Então, eu pensei antes de concluir minha matança. Será que Edward não deveria sentir a dor que eu senti? De não ter uma mãe? Um pai? Então, eu decidi deixá-lo vivo. Mas, eu o maltratei tanto naquela noite por causa do ódio, que pensei que talvez ele não sobrevivesse. – Seus olhos me focaram novamente, como se ele voltasse a realidade. – Então, eu o encontrei naquele maldito colégio. Vivo. – Ele contorceu a face ao falar a palavra. — Fiquei com tanta raiva por ele está feliz, apesar da perda da mãe que tinha em sua vida. Quando ele me entregou para o diretor, acabando com todos os meus planos de roubo, minha raiva, meu ódio por ele aumentou de uma maneira que, vingar-me dele, tornou-se uma doença. Tornou-se o principio da minha vida. Eu tinha que acabar com ele de alguma forma. Eu tinha que fazê-lo sofrer a mesma coisa que eu sofri. – Ele concluiu com a voz calma súbita em algumas oitavas e se tornando um rugido no final.

Ele respirou fundo de novo e tentou se acalmar. Tirou o dedo de minha boca. Eu pude respirar, ainda sem saber o que pensar da história que ele acabara de me contar. Para que pensar? Eu morreria daqui a pouco e a história ficaria novamente oculta ao meu Edward. Edward. Meu coração doeu ao pensar nele.

- Eu fugi naquele ano, mas prometi vingança. Prometi que voltaria. – James continuou. – Voltei á uns dois anos atrás com a certeza de que eu não queria matá-lo, mas sim, fazê-lo sofrer o que eu sofri com a perda de minha mãe e meu pai. Mataria alguém que ele amava. Porém, ele estava preparado. Foi então que em certa noite ele tentou me encarar, tentou me desafiar. Levou consigo toda a sua Gangue. Inclusive, a irmãzinha pequena dele. Coitada! Tão indefesa para seguir os passos do irmão cuidadoso. Eu pude ver o quanto ele sofreria por perder aquela irmã. Baseei o meu alvo nela. Iria matá-la.

Ele estalou a língua e suspirou pesadamente, como se sentisse muito.

- Mas, não funcionou. E a raiva que eu sentia por Edward só fez aumentar quando a gangue dele matou dois dos meus.

De repente, seus olhos se estreitaram e seus dentes ficaram a mostra em rugido agudo em que ele dava. Eu fechei os meus punhos ao lado de meu corpo, quando em um movimento rápido, ele pegou meu pescoço e me empurrou com força na parede, forçando a minha traqueia.

Eu comecei a respirar rápido, tentando encontrar fôlego.

- Foi então que eu voltei. – Ele agora estava rugindo na minha cara. Eu sabia que o momento estava próximo. – Não queria mais arriscar minha vida matando aquela irmã dele. Queria alguém que o faria sofrer mais. Pensei no pai ou na mãe, mas eu mal o via. Meu ódio por ele aumentou quando eu o vi ainda mais feliz do que a última vez que eu o tinha encontrado. Por que ele podia ser feliz e eu não? – Ele rugiu na minha cara. Eu puxei o ar para os meus pulmões. Ele sorriu, parecendo está gostando disso. – Ai eu percebi que havia alguma coisa errada. Percebi que ele estava escondendo algo de mim. Ele estava alerta. Sabia que eu ia volta. Sobretudo, pelo os avisos que eu dera constantemente para ele. As mortes, o colégio todo rabiscado. Tudo isso, era eu. Mas, quando eu percebi que eu estava fazendo algo errado, dando dica a ele para se preparar, eu mudei de rumo. Mandei Laurent e Victoria avisar a eles que eu estava saindo da cidade, que daquela vez eu não atacaria, mas da próxima sim. Por certo, o idiota acreditou. – Ele sorriu e afrouxou um pouco a minha garganta. Respirei mais rápido, tentando recuperar o fôlego enquanto uma lágrima ameaçava sair dos meus olhos. – Eu teria que pegá-lo de surpresa. Vigiar a vida dele, porque agora eu não queria errar o meu alvo. Ia matar a pessoa mais importante na vida de Edward Cullen. Recuei o meu bando, mas comecei a seguir os passos de Edward por todo caminho.

Ele sorriu malicioso e seus olhos faiscaram ferozes para cima de mim. Ele chegou perto do meu ouvido, soltando uma risada rouca.

- Foi ai que eu vi o motivo de tanta felicidade. O infeliz estava apaixonado. Por você. – Ele rugiu essa última parte e me olhou novamente. – O que é uma pena. – Sua expressão estava consternada, mas rapidamente seus olhos se tornaram mais raivosos e seus lábios arquearam a cima de seus dentes. Um rugido feroz saiu de sua garganta.

Em um movimento rápido, ele pegou novamente o meu pescoço e me jogou com força pelo o chão, fazendo-me arrastar no piso escorregadio da fábrica e bater a cabeça na quina de alguma maquina. Estava próximo. Era agora que ele iria jogar toda a raiva que sentia por Edward em cima de mim.

Eu gemi de dor. Com cabeça latejando, eu tentei me sentar e empurrei meus pés no chão para me escorar na máquina. Minha respiração estava descompassada. Meus olhos já estavam molhados de lágrimas. James via em minha direção novamente com um sorriso no rosto, satisfeito com o que via.

- Mas, como o Edward ia sofrer vendo-a dessa forma. – Ele chegou perto mim e colocou o pé em cima da minha perna, apertando-a com força.

Gritei a todo fôlego quando senti o peso em cima de um osso sensível. Ele gargalhou, literalmente, rindo da minha dor. Ele continuou a história, mesmo que eu estivesse torcido desesperada e tremendo o corpo de tanto temor.

- Então, o resto foi fácil. Mandei Victoria e Laurent vigiar todos os passos de Edward. Anotar tudo o que ele fazia com você. Notei que ele tinha uma rotina ao seu lado. Ele estava sendo cuidadoso, então, elaborei um plano que dessa vez desse certo. Eu só precisava que ele deixasse você a sós um só dia de sua vida. – Ele se abaixou até a mim e eu trinquei os dentes, ainda ofegando fortemente. – Eu mandei meu bando atacar o colégio hoje. Pegá-lo de surpresa. Já que ele sabia o que estava aqui. Além de tudo, fazer possível para atrasá-lo. Para não deixa-lo chegar a você, antes que eu. Coitado. Como ele deve está se sentindo agora? – Ele sorriu e pegou o meu braço com um rugido doentio. – E aqui está você, indefesa e machucada. Prestes a morrer.

Então, com uma força surpreendente, ele me levantou do chão e me jogou novamente longe pelo o piso Eu gemi e coloque as minhas mãos na perna machucada. James caminhou lentamente até uma máquina que estava perto da gente.

- Sabe, foi mais fácil do que eu pensei... – Ele comentava pegava algo de cima da maquina. – Só foi eu desconectar o cabo de sua caminhonete e esperar que você saísse sozinha do colégio.

Com medo e querendo adiar a minha morte por mais um tempo, eu comecei a engatinhar no chão, sem forças o bastante para me levantar e correr.

- Você não vai fugir. – Ele falou com um sorriso e agarrou minha perna por trás, puxando-me e fazendo com que o meu rosto fosse direto ao granito frio.

Uma dor pontiaguda veio em cada parte da minha face e eu choraminguei. Ele me virou e me pegou pelo o pescoço. Chocou minha cabeça em alguma espécie de vidro que tinha atrás de mim. Eu fiquei tonta. Meus olhos piscavam para ficar na realidade.

James gargalhou quando viu que eu estava tonta demais para conseguir fazer outro movimento. Eu senti o sangue quente sair da minha cabeça. Derramar em minha camisa. O cheiro me enjoou e a dor que eu sentia na cabeça passou para todos os lugares do meu corpo. Eu respirava de boca aberta, incapaz de puxar o ar para o peito. Eu não conseguia ver James direito.

- Finalmente, eu estou conseguindo a minha vingança. Acredito que Edward ficara com tanta raiva disso, que vira atrás de mim.

Quando eu o ouvir dizer aquilo, quando eu ouvir o nome de Edward em sua boca, eu me despertei um pouco do torpor que estava prestes a me tomar. Então, não acabaria ali? Ele ainda iria atrás do meu Edward? Ele ainda iria matá-lo?

Encontrei alguma força para falar.

- De... Deixe-o em paz. – Eu tentei forçar a sair um grito, mas eu não tinha forças para muita coisa.

James sorriu e se abaixou para me encarar.

- Como é? – Perguntou e sorriu com diversão.

- Deixe-o em paz. – Eu sibilei. – Você tem a mim. Pode fazer o que quiser comigo, mas deixe-o em paz. – A última parte foi um rugido fraco da minha garganta. Imaginar Edward sofrendo o mesmo que eu estava sofrendo, fazia qualquer dor física incomparável com a dor que eu sentia em meu coração.

Ele olhou para mim com uma falsa surpresa no rosto e depois se levantou. Deu-me um chute na perna, sem um pingo de piedade, e eu gemi alto quando pegou bem na parte que ele já tinha machucado antes.

- Então, você prefere sofrer a vê-lo morrer? – Ele perguntou inocentemente. Eu não respondi. Apenas fungava alto, enquanto o choro estava preso em minha garganta. – Responda. – Ele gritou para mim.

Eu ofeguei.

- Sim. Sim. Deixe-o em paz. – Eu implorei.

Ele gargalhou novamente.

- Que ser humano patético você é. – Ele estreitou os olhos e tombou a cabeça de lado. – Posso imaginar o que Edward viu em você. Bonita, apaixonada, altruísta. Uma completa idiota, assim como ele. – Ele riu mais baixo, gostando do que dizia.

Foi então que a coisa ficou mais séria. Ele suspirou e sacudiu a cabeça. Ele suspirou e deu de ombros;

- Já chega disso. Eu preciso matá-la agora. – Ele anunciou como se ele não estivesse falando da minha morte.

James voltou á máquina que mexia antes e pegou algo de cima dela. Quando ele se virou para mim, uma arma prateada estava em suas mãos. Ele se concentrava em colocar as balas dentro dela. Eu não consegui suportar. Mais lágrimas desceram pelo o meu rosto.

Incrivelmente, nesse momento, eu não consegui medo. Tudo doía e ardia tanto que eu não podia imaginar dor pior do que a que eu estava sentido. Pior que isso, eu pensei em Edward. Pensei em seu rosto adorável, em seu sorriso torto e a sensação que ele me fazia sentir toda fez que ele me tocava.

- Eu vou te dizer uma coisa, Bella... – James cortou meus pensamentos e fez-me voltar novamente à realidade dele na minha frente. Ele via andando, ainda preparando a arma enquanto falava. – Não sou eu quem vai atrás do Edward dessa fez, pelo o que vi da dependência dele em você, ele vai ficar tão louco por eu tê-la matado que ele mesmo vai vim atrás de mim.

Ele já estava na minha frente. Terminou de pôr as balas na arma e me olhou com malicia.

- Então, se ele vier. Apenas, o que eu posso dizer é: E que vença o melhor.

Ele apontou a arma em minha direção. Eu mal conseguia respirar. Eu não conseguia ver direito. Tudo estava turvo e embaçado.

- Está pronta para morrer? – Ele engatilhou o objeto mortífero em sua mão e deu um sorriso cruel.

Eu não pude dizer nada, não pude dizer nada. Apenas fechei os olhos, cansada demais para resistir à inconsciência que agora queria me tomar.

Os pensamentos passaram rápido em minha mente. Lembrei-me do meu pai, da minha mãe. Lembrei-me de Jacksonville. Lembrei-me de Jacob, Emmett, Alice, Jasper, Seth, Carlisle, Esme. Todas as pessoas boas que eu conhecia nessa cidade. Quando ao as imagens se focaram no rosto perfeito de Edward Cullen, meu eterno protetor, eu me forcei a manter ele ali, em minha cabeça.

Eu queria tanto dizer que o amava pela uma última vez. Queria tanto arrumar uma maneira de lhe dizer que não fosse atrás de James, porque assim minha morte para livrá-lo deste seria em vão. Sobretudo, eu queria dizer a importância que ele teve em minha vida. O quanto ele conseguiu me transformar em uma pessoa melhor. Era meio irônico pensar que depois de ter aprendido a viver da maneira certa, eu fosse morrer. Porém, eu não me arrependia. Não me arrependia de nada. Não me arrependia mais de ter vindo para Forks e de ter ficado cara a cara com a morte. Os mesmos motivos que me levaram até ali foram os mesmos para que Edward entrasse em minha vida. Eu não estava arrependida de ter me envolvido com ele.

Então, nada disso fora vão. Eu sabia que tinha sido amada o bastante por ele.

O escuro me dominou de uma maneira inevitável. Eu escutei, de repente, dois barulhos estranhos e assustadores. Um atrás do outro. E, logo depois, um rugido e um grito ensurdecedor preencheram o silêncio mortal do lugar. Antes que eu pudesse pensar em abrir os olhos para ver o que tinha acontecido, uma coisa quente, dolorosa e pontiaguda me atingiu no peito.

Um grito estridente saiu dos meus lábios e eu senti um fogo aterrorizante consumir toda a parte abdominal do meu corpo. Não aguentei. Queria lutar contra a escuridão que queria me dominar e me tornar insensível a qualquer coisa que acontecesse ao meu redor, mas não consegui. A escuridão me tomou de súbito.

Eu apenas deixei que ela me levasse e cair de lado, direto ao chão.

Então, eu fiquei á deriva.

Notas finais
Tenso. Oo' Eu sei que o final foi meio Crepúsculo, mas eu não consegui evitar. aushiaushuiash.
Então, o que vocês acharam desse capítulo? Eu não sou muito acostumada a escrever capítulos com violência, mas era necessário para mostrar a crueldade de James, então adoraria que vocês comentassem. :D
E quanto a revelação? De que o pai de Edward está vivo? Vocês acham que James estava falando a verdade ou a mentira? E esse final, o que será que foi? Que Bella foi atingida por uma bala, ficou claro que foi. Vamos esperar para o proximo capítulo para ver o que vai dar.
Como esse, prometo não demorar a postar. :D Beeeijos e por favor, comentem.