Aprendendo a Viver.
22 Capítulo 21 - Perigo.
Notas iniciais
Quem estava ansioso por ele, pode começar ler a partir de agora. Aproveitem e comentem no final.
Capítulo 21 – Perigo.
O silêncio que se fez foi um pouco aterrorizante para mim. Edward não falou nada por alguns segundos, até que se virou totalmente em minha direção, com a expressão pasma e assustada.
- Você vai... Contar... Para eles? – Ele gaguejou. Sua voz mais tensa do que eu esperava.
Eu podia entender porque ele estava assustado. Nós dois podíamos prever imposição – que eu não queria que acontecesse – que meus pais fariam.
- Sim. Amanhã de noite. – Ainda assim, eu estava determinada.
- Por que essa decisão? – Ele perguntou cauteloso. Suas mãos estavam meio que fechados em punhos, encostadas em sua calça jeans.
- É o melhor, Edward. Para nós dois. – Eu suspirei e também larguei a faca, colocando-a no balcão.
Eu me virei para ele e fitei seus olhos temerosos.
- Se eles descobrirem por outra pessoa esse relacionamento que estamos tendo, as consequências serão bem maiores. Eles não vão mais confiar em mim. Nesse momento, a confiança que eles têm em mim pode ser a única esperança que nós temos em eles aceitarem isso. Se ela se quebrar, Edward, talvez nós nunca mais tenhamos chances de que eles aceitem isso algum dia. – Eu argumentei, persuasiva.
Edward franziu o cenho, preocupado, e baixou os olhos para o chão. Eu esperei que ele falasse alguma coisa. Morreria para saber o que se passava em sua cabeça.
- Bella, eu concordo com a sua decisão. – Ele admitiu e suspirou. Levantou a cabeça; os olhos fechados de angústia. – Mas, você tem certeza? Se você... Se você não quiser ter que fazer isso... — Ele estava lutando com as palavras, deixando-me confusa sobre o que ele realmente estava querendo dizer. – Com certeza, eles serão contra. Se você contar para eles, o que nós temos se tornará ainda mais sério. Eles não vão aceitar isso. Você vai ter que brigar com eles por causa de mim. Brigar com as pessoas que te criaram e... – Agora, ele estava um pouco desesperado.
- Shhh.. – Eu o interrompi, colocando o dedo em sua boca quando entendi, realmente, qual era preocupação dele. Ele me olhou com os olhos desolados. – Você não precisa se sentir culpado por uma futura briga entre mim e meus pais, Edward. – Eu pedi, tentando despreocupá-lo. — Isso é minha escolha. Trata-se de quem eu amo. Eles têm que aceitar isso. Um dia eles vão ter que aceitar isso. Um dia eu vou ter que aprender a viver sozinha. E já que isso vai acontecer, eles têm que deixar que eu tenha o futuro que eu quero ter. Esse futuro, com certeza, tem você ao meu lado. Eles vão ter que entender isso.
Ele inflou o nariz. Os punhos se fecharam em duas esferas apertadas.
- Odeio ter que entrar em sua vida dessa forma. Odeio ter que estragar o seu futuro.
- Você não vai estragar nada. – Eu revidei, ofendida. – Você está tornando tudo melhor, você não vê isso?
Ele fechou os olhos e suspirou, triste. A expressão tão melancólica que meu peito doía a cada vez que meu coração batia. Ele não devia está se sentindo dessa forma. Não deveria se achar culpado em ter entrado na minha vida. Eu o amava tanto. Eu agradecia tanto por ele ter entrado na minha vida. Sem ele, eu não seria o que eu sou hoje.
- Edward. – Eu o chamei. Ele abriu os olhos angustiados. – Prometa-me que você vai está comigo amanhã. Prometa-me que você vai está ao meu lado para encararmos isso, juntos.
Ele me encarou por longos segundos. Emoções que eu não podia decifrar passavam em seus olhos de diamantes. Depois de algum tempo de olhos angustiados, ele me puxou para o circulo dos seus braços e me apertou contra seu peito.
- Eu vou está ao seu lado, Bella. Se for isso o que você quer, é isso que você terá. – Beijou o topo da minha cabeça. – Faço tudo para deixá-la feliz. Tudo, Bella.
Eu dei um meio sorriso com os olhos fechados. Tentava apertá-lo o mais forte possível. Ter ao meu lado para sempre, sempre, sempre e sempre. Inclinei minha cabeça para trás e fitei seu rosto. Ele abaixou o rosto para que eu pudesse ver os seus olhos.
- Obrigada. – Eu murmurei, agradecida.
Ele sorriu – desanimado, mas sorriu –, passou o dedo em minha bochecha e encontrou nossos lábios em um beijo doce e calmo. Quando voltou a me fitar, seus olhos estavam um pouco mais iluminados.
- Amanhã, então? – Perguntou com a voz pesada.
- Amanhã. – Confirmei, aquiescendo a cabeça com segurança.
Na verdade, minha barriga estava como estacas pontiagudas sobre a minha pele. Pensar no que eu revelaria aos meus pais no dia seguinte, confirmar a eles o que eu mantive em segredo por um esse tempo todo, fazia-me ter medo, muito medo. Ainda assim, eu sabia que tinha que vencer esse medo. Nós não podíamos manter esse namoro escondido para sempre. Meus pais tinham que saber quem eu queria para o resto da minha vida.
Isso era importante. Por mim, por Edward.
- Hei, melosos demais. – Emmett gritou da sala com um tom debochado. – Será que dar para vocês pararem com essa pregação toda e terminar de preparar o nosso lanche? Eu tô morto de fome.
Eu sorri e revirei os olhos. Virei-me para Emmett e todos na sala riam de nós. Minhas bochechas ficaram vermelhas – o que foi motivo para mais risadas.
- Que foi Bella? Ta com vergonha? – Emmett perguntou, provocativo. – Para ficar agarrando o Edward no meio da cozinha da casa dele, você não tem nem um pingo de vergonha, não é?
Edward abafou uma risada atrás de mim. Eu fechei a cara e trinquei os dentes.
- Emmett, vai ver se eu estou na esquina. – Dei língua para ele.
O pessoal riu ainda mais. Morta de vergonha e com as bochechas mais vermelhas que o tomate que eu estava cortando, eu voltei a fazer a minha atividade para ver se Emmett saia do nosso pé.
A tarde voltou a ser tranquila. Apesar de Edward estar mais tenso durante as horas que se seguiram depois de nossa conversa, nós conseguimos terminar o lanche dos garotos e conversamos animadamente sobre coisas desimportantes. Era bom está sobre o calor humano de todos aqueles meus amigos. Tinha tanta saudade deles em minha nova escola.
Quando Edward viu que já era tarde demais para eu continuar por ali, ele decidiu que era hora de me levar em casa. Eu tentei persuadi-lo a não ter que sair de sua moradia só para ter que me levar para minha e ter que voltar andando depois. Ele quase enfartou com a minha proposta, dizendo que nem estava louco em me deixar sair do seu bairro só.
Eu não pude discordar da sua evidente firmeza em querer me levar em casa. Quando deu a hora, despedi-me melancolicamente de todos os meus amigos e dei um abraço apertado em Esme, desejando-lhe melhoras em sua saúde.
Sair de lá com o coração apertado, vendo, enquanto Edward arrancava com minha picape, os meus amigos ficando para trás. Quando eu voltaria a vê-los novamente? Eu não poderia saber. Isso era tão desanimador. Adoraria tê-los mais em minha vida. Eu sempre me sentia outra pessoa quando estava com eles. Uma pessoa mais forte, mais sincera, mais humana.
Quando eles desapareceram, eu me virei novamente para frente e vi Edward já saindo de sua rua. Ele deu olhada rápida para mim quando eu suspirei de frustração.
- Algum problema? – Ele perguntou em voz baixa.
Eu abaixei a cabeça e dei de ombros.
- Não, é só que... – Eu suspirei e levantei os olhos para fitar a noite escura do lado de fora da janela. – É tão ruim ficar longe de pessoas que você gosta. Eu não sei quando eu vou poder vê-los de novo. Eu sinto tanta falta da Alice, do Emmett e de todos os outros. – Minha voz falhou na última parte, demonstrando a minha tristeza. – Mas, de todos, eu não ficaria longe de você.
Ele deu um leve sorriso sem humor e largou uma mão do volante para pegar uma minha que estava em minha perna. Ele levou até os seus lábios e a beijou.
- Nós não vamos no separar, Bella. – Ele garantiu.
- Não importa o que meus pais digam amanhã, certo?
Ele não respondeu de imediato. Ficou um tempo calado e depois apertou ainda mais a minha mão.
- Certo. – Apesar da hesitação para falar, sua voz saiu firme, o que me tranquilizou mais.
Apertei meus dedos mais nos seus e voltei a olhar a noite sem estrelas do céu de Forks.
Agora que eu havia tomado a decisão de contar a verdade para os meus pais, estava ansiando que chegasse logo o dia seguinte. Queria saber o que seria do meu futuro. Queria saber qual seria a decisão deles? Eu teria que lutar por Edward ou eles entenderiam o meu amor por ele e não nos colocariam obstáculos?
Meu coração, apesar de temeroso, torcia fervorosamente para que fosse a segunda opção.
Edward, após uma viagem de volta silenciosa demais, estacionou a minha picape a esquina de sempre. Ele me deu um beijo rápido e saiu do meu carro, já que nós nos encontraríamos novamente em meu quarto naquela noite. Ele estava pensativo quando pulou fora da minha picape. Seus pensamentos estavam longe. Provavelmente, ele estava pensando no dia “decisivo” que teríamos no dia seguinte. E eu me perguntava o que verdadeiramente ele achava disso tudo?
Eu realmente tinha medo de certas atitudes de Edward. Apesar de adorar o seu lado altruísta, tinha medo qual caminho todo esse altruísmo o levaria. Se meus pais proibissem nosso namoro, ele lutaria por mim? Largaria o preconceito que ele tem por si próprio e ficaria perto de mim independente das dificuldades? Eu esperava que sim.
Eu cheguei a minha casa rápido. Estacionei a minha picape no local de sempre e agradeci pela a viatura de Charlie ainda não está por ali. O que era ótimo. Charlie era muito mais desconfiado que Renée. Não que isso contasse algo, já que eu iria dizer a verdade á eles amanhã, mas eu não queria que eles desconfiassem de mim antes do tempo.
Ao entrar em casa, ouvi minha mãe na cozinha. Era quase sinistro entrar em casa e saber que ela não estava lá. Ele sempre estava na cozinha.
- Oi, mãe. – Eu cumprimente quando entrei na cozinha e ia até a geladeira.
Ela pulou de susto, já que estava preparando a janta encostada no balcão e de costas para a porta, e colocou a mão no coração quando me fitou.
- Você assustou, criatura. – Ela admitiu.
Eu ri, pegando a garrafa de água na geladeira.
- Desculpe-me.
- Onde você estava? – Ela questionou um pouco mais autoritária.
Eu dei de ombros e coloquei um pouco de água no copo.
- Anh, bem, eu sair da aula e fui andar um pouco com as meninas que fiz amizade na escola. – Dei a desculpa que era mais convincente e também agradável de dar.
- Bella. – Ela parou de cortar a verdura que triturava e colocou a faca em cima do balcão. Virou para me encarar com uma expressão cuidadosa. – Isso é a verdade? – Ela perguntou gentil, com o estilo mãe “eu só estou pondo essa expressão no rosto para você contar a verdade, mas se você tiver fazendo alguma besteira eu vou te matar” em minha direção.
Eu engoli o gole de água que tomei e tentei ser o mais inocente e natural que eu conseguia.
- Por que não seria? Ao menos amigos nessa escola eu posso ter, certo? – A última pergunta saiu um pouco amarga.
Ela olhou para mim por um momento, conferindo se minha expressão estava sincera mesmo. Quando teve a sua decisão, soltou um suspiro aliviado e voltou a pegar a faca para voltar ao que ela fazia antes. A minha desculpa funcionou.
- Não, claro que pode. – Ela autorizou. — Afinal, não é bom ficar só o tempo todo. Aliás... – Ela lançou um olhar mais divertido para mim. – Você nunca mais falou com o Jacob. Não está sentindo falta dele?
- Claro. – Eu admiti. O que era verdade. Nunca mais tinha falado com Jacob. Sentia falta de seu sorriso fácil, a falta de preocupação quando estava ao lado dele. – Vou esperar para algum dia ele vier aqui.
Antes que aquele assunto se tornasse mais pessoal e convincente demais da parte da minha mãe, eu derramei o resto de água que não quis mais tomar, guardei o copo e fui em direção à saída da cozinha.
- Você não vai comer? – Ela perguntou, antes que eu fosse.
- Não. Estou sem fome. Eu vou fazer atividades da escola e depois dormir. Tchau mãe. Boa noite.
- Tchau querida. Boa noite. – Corri até ela e dei um beijo em seu rosto, saindo, definitivamente, da cozinha logo depois.
Quando cheguei ao meu quarto, tomei um banho rápido, sabendo que Edward já estaria chegando. Troquei-me na mesma rapidez. Ao voltar para o meu cômodo, meu namorado já esperava do lado de fora da janela, com uma careta que representava frio. Eu sorri e fui ligeira abrir a janela, antes que ele congelasse.
- Está congelante aqui fora. – Ele tremeu quando entrou no meu quarto. Fechou a janela e me abraçou com rapidez, quase como se eu fosse seu salva-vidas. – E você está tão quente. – Ele sussurrou em meu ouvido. Abraçou-me com mais força e passou os lábios pelo o meu pescoço. Eu tremi, mas não de frio.
Seus olhos verdes quentes se encontraram intensamente com os meus, como se ele quisesse transmitir algum tipo de mensagem para mim. Bastou um segundo para que aquele contato visual esquentasse o ambiente e nossos lábios estivessem juntos em um beijo apaixonado.
Edward me empurrou para cima, ajudando-me a passar as minhas pernas em volta de sua cintura. Beijando-me por toda a parte do meu rosto e pescoço, fazendo-me ofegar a emaranhar meus dedos em seu cabelo maciou, ele nos guiou para cama. Ele me deitou calmamente, também se pressionando em cima de mim.
Era tão ruim não poder ir além desse limite quando estávamos em minha casa. Eu estava com saudades de seu corpo, de seu cheiro se misturando ao meu. Um dos meus motivos para contar aos meus pais, também era isso. Não que eu fosse poder fazer aquilo o tempo todo em minha casa, só achava que teria mais liberdade com Edward. E não ficaria apenas trancada nesse quarto.
Edward apertou minha coxa enquanto arfávamos na boca um do outro. Depois de aprofundar um beijo um pouco mais, com direito a mordida nos lábios e línguas se entrelaçando de uma maneira incapaz, ele lutou para se afastar de mim, sabendo o cuidado que tínhamos que ter quando estávamos em casa.
Eu suspirei, entediada.
- É um saco não poder fazer nada do que eu quero. – Eu reclamei, tentando recuperar o meu fôlego. Edward sempre me deixava sem ar.
Edward sorriu e me puxou para cima de si. Eu apoiei minha cabeça em seu peitoral, ouvindo as batidas fortes do seu coração, e entrelacei as nossas pernas. Edward passou o lençol sobre os nossos corpos, nos deixando praticamente em um casulo só nosso. Era tão bom sentir o seu corpo quente abaixo do meu. Era confortante, sem igual.
- Paciência, amor. – Edward murmurou e passou os braços em volta das minhas costas, apertando-me ainda mais contra o seu calor humano. – Eu também quero muito isso, mas temos que ser calmos quando estamos aqui. Não gosto de fazer amor com você apressado. – Ele baixou um pouco a boca para o meu ouvido, disposto a sussurrar e me enlouquecer. – Eu gosto das coisas calmas. Assim posso te apreciar o quanto eu quiser.
Eu tremi quando a sua frase me excitou um pouco. Ele percebeu, fazendo-me enrubescer quando soltou uma risada baixa.
- Amanhã podemos ir para o nosso cantinho, o que você acha? – Eu sugeri, não suportando não tê-lo mais perto que aquilo.
- Você não quer contar do nosso namoro para os seus pais amanhã, amor?
- Sim, eu quero. – Eu falei com a voz um pouco trêmula. – Antes disso quero ter você mais uma vez. Só para mim.
Ele sorriu e beijou o topo da minha cabeça.
- Então, seu desejo é uma ordem. – Respondeu com uma voz brincalhona.
Eu sorri satisfeita e me afundei mais em seu peito, contente pelo o calor que emanava de seu corpo.
- Agora... – Ele começou. – Antes de qualquer coisa, você tem que descansar. Certo? – Eu sacudi a cabeça em afirmação, já sentindo a inconsciência querendo chegar. – Durma, minha Bella. Eu sempre estarei com você, não importa o que acontecer. – Ele sussurrou docemente.
Com um sorriso torto no rosto, eu fechei os olhos esperando que o sono me tomasse de vez. Antes que isso pudesse acontecer, Edward me chamou.
- Bella?
- Hmmm?
- Eu não vou poder te levar para a escola amanhã.
Isso foi o bastante para me fazer abrir os olhos e olhar para ele assustada.
- Por quê?
- Eu tenho que levar Esme ao hospital. O médico quer fazer um check-up nela. Então, como Carlisle não vai poder e Alice sempre fica muito mal quando acompanha nossa mãe nessas coisas, eu vou ter que ir.
Eu suspirei, triste. Por mais que fosse por um motivo muito importante, eu não conseguia evitar a tristeza que me batia quando alguma coisa tirava o tempo que nós podíamos ficar juntos. Mas, como eu disse, era uma coisa muito mais importante. A vida de Esme.
Eu dei de ombros e o abracei mais forte.
- Então, como não vamos nos encontrar de manhã, você promete que estará me esperando no final da aula? Para fazer o que nós já programamos? – Eu olhei para ele com olhos bem apertos.
- É claro que sim, minha Bella. Estarei lá de esperando assim como todos os dias.
- Obrigada. – Eu murmurei, voltando minha cabeça para o seu peitoral.
- Agora durma. – Ele deu um beijo em meu cabelo e me abraçou ainda mais contra si. Eu me acomodei a essa abraço o melhor que eu pude.
Esperando a inconsciência chegar, eu percebi que esse seria o nosso último encontro antes do nosso encontro depois da aula para nos preparar para contar para os meus pais sobre o nosso namoro. Eu não sabia por que, mas depois que eu pensei nisso, senti um peso grande se acomodar em meu peito que, por um tempo, nem a presença de Edward conseguiu tirá-lo.
Eu podia adivinhar o porquê desse peso, porque desse desconforto momentâneo. Era o medo que me consumia pelo o dia que o seria o de amanhã. Era certo contar para os meus pais sobre a verdade, mas por outro lado era tão errado. E se eles me proibissem de ver Edward para sempre? E se eles decidissem me separar dele custe o que custar? E se eles colocassem ainda mais na cabeça um romance meu com Jacob só para que eu ficasse distante de Edward?
Eu sacudi a cabeça minimamente, não querendo alertar a Edward dos meus temores e precisando tirar os pensamentos ruins de minha cabeça. Eu tinha que pensar positivo. Quando eu contasse para os meus pais o ser humano incrível que Edward era, se eu contasse para eles a forma como ele me faz sentir e como ele foi capaz de me transformar em uma pessoa melhor, eu tenho certeza que eles vão ver que Edward não é uma escolha ruim. Vão que ele é a melhor escolha que poderia ter feito para a minha vida.
Tentando colocar esse pensamento otimista a todo custo em minha cabeça, eu consegui dormir. Ainda assim, apesar de saber que Edward estava ao meu lado, cantarolando minha cantiga de ninar, esse sono não foi tão tranquilo como eu queria que fosse. Eu estava bastante inquieta. E só esperava que Edward não percebesse isso.
No dia seguinte, a luz acinzentada que invadia o meu quarto foi o bastante para me acordar mais cedo do que era previsto. Eu olhei o relógio de cabeceira e, com uma careta, vi que não se passava das cinco e meia.
Eu gemi por ainda está com preguiça de acordar e coloquei o travesseiro no meu rosto, tentando dormir até que o despertador tocasse. Não adiantou. Eu rolei de um lado para o outro na cama e assim que eu me lembrei do que eu faria hoje, minha barriga começou a se remexer de um jeito desconfortável que eu sabia que isso faria com que fosse impossível eu voltar a dormir.
Então, eu decidi me levantar da cama de uma vez. Espreguicei-me com os braços para cima e, depois, com os olhos sonolentos, fui até a janela para ver como o dia estava hoje. Estava nublado como sempre. Mas, muito, muito mais nublado. As nuvens que se juntavam no céu estavam em uma cor assustadora. Escuras, chegando a quase estarem pretas. Era como se você estivesse em uma jaula escura, sentindo-se quase claustrofóbica.
- Uma chuva torrencial chegando ai. – Eu entoe desanimada e fechei a janela para não pensar em como o meu dia hoje seria ainda mais inquietante por causa do clima.
Enquanto eu tomava banho vagarosamente, aproveitando a água quente, e me vestia, o tal remexido em minha barriga não passou. Eu sabia que isso só iria embora quando o que eu tinha para fazer hoje acontecesse ou quando eu tentasse pensar em outra coisa que não fosse o que estava me fazendo ficar ansiosa. Porém, como minha mente brilhante nunca fazia o que eu queria, é claro que foi impossível não pensar o que aquele dia poderia representar para o meu relacionamento com Edward.
Eu me perguntava como nós estaríamos de noite, quando tudo já tivesse passado. Nós estaríamos felizes e satisfeitos por meus pais terem concordado com o nosso namoro ou estaríamos tristes e desolados por termos que lutarmos para ficarmos juntos? Era tão estranho pensar como em vinte quatro horas o nosso destino podia se modificar.
Eu suspirei, penteando o meu cabelo. Era tão chato ter que esperar uma manhã inteira para saber as respostas dessas perguntas.
O nervosismo ficou ainda pior quando, naquela manhã, eu passei pela a esquina que eu sempre pegava Edward e ele não estava me esperando. Por mais que ele tivesse me dito que não poderia me deixar na escola hoje, eu ainda tinha esperanças de encontrá-lo. Porem, as esperanças foram embora assim que eu passei pela a rua e não o vi ali.
A chuva que eu sabia que estava programada para hoje não demorou muito a chegar. Assim que eu entrei no estacionamento do colégio e sair do meu carro, eu senti os pingos de chuva em meu casaco. Eu coloquei o meu capuz na cabeça, as mãos no bolso do casaco e, com um suspiro, eu apressei o passo para entrar na escola.
Devagar. Foi justamente desse jeito que a minha manhã se passou. Cada segundo que se passava parecia um minuto. As aulas foram chatas por eu não conseguir me concentrar nelas. Na maioria do tempo, fiquei de cabeça abaixada, rabiscando coisas aleatórias em meu caderno de desenhos. Ao menos o desenho, fazia-me parar de pensar um pouco no que eu não queria, mesmo que, de alguma forma, os eles representassem em seus traços a ansiedade que estava dentro de mim.
Na hora do refeitório, Ângela se sentou ao meu lado. O que eu agradeci. Não queria ter que aguentar a tagarelice de Jéssica justamente hoje. Só que eu esqueci o quanto Ângela podia ser observadora.
- Algum problema, Bella? – Ela perguntou baixo para mim, enquanto eu revirava o meu lanche sem a mínima vontade de comer.
Eu desviei meus olhos do meu bolo remexido e a fitei, fingindo confusão. Ou será que conversar com ela sobre isso, tirar-me-ia um pouco a ansiedade?
- Não. Por quê?
- Você está distante. – Ela concluiu, dando de ombros.
Eu suspirei. Na verdade, eu queria mesmo falar com alguém de fora sobre isso. Saber se ela via alguma chance de aquilo de alguma forma dar certo. Ver se ela via alguma chance de meus pais concordarem com o meu namoro com Edward.
- Não é nada... – Eu balbuciei, não querendo chamar a atenção dos outros que estavam na mesa. – É só que eu vou contar hoje aos meus pais do meu relacionamento com Edward.
- Sério? – Ela perguntou. – Então, por que você está tão nervosa?
Eu mordi os lábios.
- Eu tenho medo que eles não deixem. – Eu a encarei um pouco desesperada, esperando que ela dissesse o que eu queria ouvir. Não se preocupe Bella, é claro que eles vão apoiar.
- Aaah. – Ela exclamou e passou as mãos em meu braço. – Bom, se eles desconsiderarem as origens de Edward e somente se focarem no que ele faz você sentir, eu tenho certeza de que eles apoiaram. – Ela sorriu, tentando me encorajar.
Não era bem o que eu queria ouvir, mas de alguma forma serviu para substituir um pouco do meu medo por coragem. A única coisa que me deixava hesitante, era: Será que meus pais seriam capaz de desconsiderarem as origens de Edward e focarem no que eu sentia por ele e, principalmente, na pessoa que ele foi capaz de me transformar? Será que eles me dariam tempo par explicar?
A negativa rápida que veio em minha cabeça só serviu para que o pouco de medo que eu conseguir tirar com Ângela, voltar á tona. Então, eu o empurrei o máximo que pude para o mais fundo de meu cérebro e tentei fazer com que a esperança estivesse presente. Eu tinha que ter esperança. Afinal, como diz o ditado, a esperança é a última que morre. Eu tinha que acreditar nisso.
Eu respirei fundo quando eu, finalmente, pude sair do colégio depois do fim da educação física. Hoje, como sempre, ainda mais por eu estar tão desatenta, eu consegui alguns hematomas pelos os meus braços e pernas. Claro, também conseguir um galo bem grande na cabeça de Mike quando eu bati a raquete sem querer nele, já que estávamos jogando badminton.
Para minha infelicidade, quando eu sair naquela manhã da escola, a chuva torrencial estava mais forte do que no começo do dia. Eu suspirei desgostosa quando Mike, que estava ao meu lado, fez uma careta.
- Iiih, pelo o jeito o dia hoje vai ser assim. – Ele disse desagradavelmente. Parecia que ele também não estava muito feliz com a chuva infeliz. Ele olhou para mim e sorriu. – Bom, Bella, eu vou indo antes que piore mais do que já está.
- Tudo bem, Mike. Até mais. – Eu me despi dele, gentil. Ele sorriu em despedida e correu para o seu carro.
Ainda debaixo da entrada coberta do colégio, eu passei meus olhos pela minha picape, procurando ver se Edward estaria ali.
Franzi o cenho quando não o encontrei. Será que ele não veio por causa da chuva? Perguntei-me mentalmente. Depois pensei que provavelmente ele não se importaria com isso, já que ele havia me prometido que estaria aqui acontecesse o que acontecesse.
Eu suspirei. Talvez, ele estivesse atrasado. Eu concluir. Então, para não pegar chuva, eu decidi esperar sentada em um dos bancos que estava na entrada coberta do colégio. Sentei e coloquei minha mochila do meu lado.
Enquanto eu via o colégio esvaziar e os minutos passarem sem que Edward chegasse, Jéssica e Ângela passaram por mim, perguntando-me do porque eu ainda estar ali. Expliquei superficialmente que estava esperando Edward para um compromisso e elas questionaram se eu queria que elas esperassem comigo. Eu discordei educadamente, exigindo que elas fossem para casa e não se preocupassem comigo. Jéssica foi menos resistente, mas eu tive que persuadir a Ângela que eu estava bem e que logo Edward estaria chegando, para que ela fosse embora.
No entanto, ele não chegou. Eu comecei a ficar preocupada quando vi que dentro do colégio só tinha eu e que o estacionamento já estava completamente vazio, afora a minha velha picape.
Será que aconteceu alguma coisa? Será que foi alguma coisa com a Esme? Minha mente começou a disparar quando eu notei que ele nunca se atrasaria desse jeito. Com um medo súbito, eu vi que a saúde de Esme poderia ser uma possibilidade por trás da demora de Edward.
Eu tinha certeza de que fugindo, para não me acompanhar nos planos desagradáveis que tínhamos para hoje, ele não estava. Edward nunca me deixaria só nessa. Além de que ele me prometeu de que estaria ao meu lado, custe o que custasse.
Então, só sendo algo muito importante mesmo para que ele não aparecesse. E esse algo poderia ser muito bem alguma coisa acontecendo com a Esme, já que ele foi deixá-la no hospital hoje.
Com esse pensamento doloroso na cabeça e ainda mais frenética com a ideia de que estivesse acontecendo algo de ruim e que Edward precisasse de mim ao seu lado, eu não me importei que ainda estivesse chovendo e corri para a minha picape. Meus planos para esse dia sendo esquecidos à medida que eu pensava alguma coisa muito ruim acontecendo com Esme. Eu esperava que não fosse o que eu imaginava e nem nada de que piorasse o quadro de saúde da mãe do meu namorado.
Ligeiramente, eu entrei na picape, um pouco ensopada da chuva. Joguei de qualquer maneira minha bolsa no assento ao meu lado e enfiei a chave na ignição, girando-a. O motor fez um barulho que costuma sempre fazer. Rugiu e, de repente, parou, fazendo o carro estancar um pouco para frente.
- Mas, o que diabos...? – Eu perguntei furiosa, tentando ligá-la novamente.
Ela não ligou. Fez a mesma coisa em todas as dez tentativas que eu fiz. Eu gemi quando percebi que a minha picape tinha me abandonado justamente naquela hora e encostei, preocupada, a cabeça no banco.
E agora? O que eu ia fazer? Se ao menos eu pudesse me comunicar com Edward. Saber se ele estava bem. Saber se Esme estava bem.
Eu poderia muito bem ligar para o meu pai, pedir para que ele viesse me buscar, mas eu não queria ir para casa antes de ter alguma noticia de meu namorado. Além do mais, ele ia perguntar por que eu demorei tanto a sair da escola com aquela chuva. Charlie era esperto. Poderia muito bem desconfiar de que eu estaria esperando alguém. Eu não queria arriscar.
Um pouco revoltada com o que a picape aprontara para mim, eu olhei pela a janela do meu carro.
A chuva estava no mesmo estado. Com certeza, eu me ensoparia se andasse por ela. Não tinha como ir á casa de Edward daquela maneira. Eu não sabia como chegar lá á pé.
No entanto, eu sabia perfeitamente de um lugar que, se eu andasse rápido, chegaria em menos de dez minutos lá. O nosso estúdio. O nosso cantinho.
Foi nessa linha de raciocínio que um pensamento súbito me atingiu. Talvez fosse isso. Talvez, Edward estivesse me esperando lá por causa chuva. Ele saberia que eu desconfiaria que se ele não aparecesse, ele poderia está lá. Afinal, era para onde nós íamos depois daqui. Como estava chovendo, Edward saberia que eu acertaria o caminho indo na picape. De repente, eu senti uma necessidade imediata de ir para o estúdio.
O problema é que agora eu não tinha mais picape. Ótimo, eu ia ter que ir á pé, nessa chuva torrencial em minha cabeça. Eu respirei fundo e soltei o ar, tentando me acalmar. Pela a primeira vez, desde que comecei a gostar daquele carro estúpido, controlei o impulso de bater nele.
Com um rugido de raiva, eu peguei a minha mochila e coloquei em minhas costas. Com uma careta de desgosto, eu abrir a porta e sair do abrigo quente que ás vezes aquela lata velha me oferecia.
Era o jeito ir á pé. Não havia outra maneira. Eu também não podia culpar Edward por isso. Nem eu e nem ele poderíamos desconfiar que a picape fosse me abandonar justamente hoje, quando eu mais necessitava dela.
Já na chuva, eu coloquei o capuz na cabeça e comecei a andar rápido para fora do colégio. Assim que eu estivesse em um local quente e agradável, ligaria para alguém pegar a picape aqui no colégio. Agradeci por, pelo menos, ela ter falhado em um local seguro. Pior se ela tivesse pifado no meio da rua.
Enquanto eu caminhava no meio da chuva, praguejando os picos de chuva que insistiam em cair no meu rosto, apesar do capuz que me protegia, eu me encolhi no casaco, percebendo o frio congelante também me atingi. Abracei-me com os braços. Como eu queria que fossem os braços de meu Edward. Como eu queria está com ele o mais depressa possível.
Quando eu dobrei a esquina da rua perpendicular a da minha escola, eu notei que eu não tinha percebido o quanto aquela banda de Forks era vazia e solitária. Ou, simplesmente, ninguém era maluco como eu, para ficar andando por ai na chuva numa cidade fria como essa.
Porém, apesar dos obstáculos, de uma forma ou de outra, eu tinha que fazer isso. Tinha que saber se Edward estava bem. Eu tinha que saber se realmente não fora nada com Esme que o fizera não ir ao meu encontrar. Ou, se foi por causa da chuva que ele preferiu me esperar no nosso cantinho. Eu, sinceramente, esperava a segunda opção. Eu ficaria maluca se, depois de andar isso tudo na chuva e no frio, eu não o encontrasse no estúdio, ainda mais sem saber o que havia acontecido com ele.
Mesmo que meu senso de direção fosse ridículo, eu sabia que estava fazendo o caminho certo ao dobrar novamente numa outra rua perpendicular a que eu estava. Aquela rua também parecia ser pertencente a uma cidade fantasma.
Eu tentei apressar os meus passos e me concentrar somente nele. Tanto por causa da chuva, tanto por causa do medo de está andando sozinha por ali. Eu não sabia o que poderia encontrar nessas ruas, mesmo em chuva como aquela.
Foi nesse exato momento, ao focar no medo que eu sentia em está transitando sozinha por ali, que eu comecei a ter a impressão de que eu estava sendo seguida. Eu olhei para trás, mas não havia ninguém. Encolhi-me mais no casaco, praguejando-me mentalmente por ficar tendo sentimentos inadequados justamente agora.
Apressei ainda mais o passo, mas não conseguia de deixar de sentir a sensação de que havia alguém atrás de mim. Eu olhei novamente as minhas costas, mas a rua estava tão deserta quanto a um segundo atrás.
Aquele vazio da rua, aquele céu preto acompanhado pela a chuva torrencial e ainda a maldita sensação de estar sendo seguida que eu continuava sentindo, apesar de comprovar que ninguém vinha atrás de mim, fizeram-me começar a respirar mais rápido. Quase a transpirar.
Um medo repentino e voraz que me tomou fez com que eu sentisse que algo realmente estranho estava acontecendo. Sufocada por esse sentimento e querendo desesperada chegar logo aonde eu sabia que estaria protegida, eu comecei a correr, rumando para uma próxima esquina que teria que dobrar.
Quantos quilômetros ainda faltavam? Será que eu estava chegando? Era medo meu ou realmente alguém estava me seguindo sem que eu visse? Tentei sufocar esses pensamentos enquanto ainda corria, torcendo para que a rua seguinte estivesse pelo menos passando carros. Dessa forma, sentir-me-ia um pouco menos paranoica e perturbada.
Então, foi com um grito súbito e estridente que, quando eu dobrei a esquina da rua, meu corpo se chocou com outro. Tentei ficar relaxada por achar que era alguém normal, mas assim que minha cabeça se virou para encarar a pessoa a minha frente, uma mão grande e branca tampou o meu nariz e boca com um pano com cheiro de álcool.
Atormentada e confusa sobre tudo aquilo, tentei espernear, gritar e fugir, mas as mãos que me seguravam tanto no rosto tanto nos braços eram fortes demais, como correntes de ferro que me faziam ficar ainda mais assustada.
Com medo e já tonta por causa do álcool, meu olhos se focaram no rosto do agressor. Apesar da imagem desfocada e de eu apenas conseguir ver o mínimo de suas feições, eu podia saber quem era aquele mesmo nunca tendo o visto, nem o conhecido. Conhecia aquele agressor antes mesmo de olhar para o seu rosto e comprovar a minha teoria. Conhecia-o porquê ele já estivera presente em meus pesadelos, assustando-me. Conhecia-o porquê ele era James. James. James que afinal descobrira minha importância na vida de Edward e estava aqui para me matar.
A dor assolou meu coração quando, enquanto eu fechava meus olhos, eu sabia que iria morrer sem ter um último vislumbre daquele eu mais queria nesse momento.
Depois, vendo um sorriso sarcástico nos lábios do meu assassino, a inconsciência chegou, levando-me para uma escuridão sem fim.
Notas finais
Gente, apesar da demora, eu sei que vocês vão reclamar do capítulo curto. Desculpe-me. Mas, eu tinha que para ai. O proximo capítulo traz algumas coisas que precisam ser analisadas com cuidado. Também não podia deixar vocês um pouquinho ansiosas. HAHA. Eu sou mal. Preparem-se, proximo capítulo tem uma revelação.
Então,como esse capítulo foi curto e sei que você estarão muita ansiosas para o proximo, prometo não demorar dessa vez. Próxima semana mesmo vou postar o outro. Eu juro, juradinho. :D
Beeeeijos e comentem. :D
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