Aprendendo a Viver.
21 Capítulo 20 - Verdade.
Notas iniciais
Por favor, ignorem alguns erros se tiver. Passam despercebidos por mim. ^^
Divirtam-se.
Capítulo 20 – Verdade.
No dia seguinte, depois de mais uma noite quase semiacordada conversando com Edward, que teve que me forçar a dormir com sua cantiga de ninar, eu sair um pouco mais cedo para o colégio depois de tomar café e dar um bom dia aos meus pais.
Eles pareciam satisfeitos por eu ter aceitado sem muito mau humor frequentar a escola particular. De alguma forma, eu sabia que eles estavam certos em quererem o melhor para a minha educação. E agora, que o meu maior medo, que era me afastar de Edward, estava mais ou menos resolvido, com ele tendo que me pegar e buscar todos os dias na escola, como ele desejou, eu não tinha do que reclamar muito. Somente do ambiente da escola particular que o que era antes agradável para mim, agora era o pouco desagradável.
Quando partir na minha picape naquela manhã, meu corpo estava ciente de que encontraria Edward á alguns segundos. Meu coração palpitou e um sorriso de esguelha saiu dos meus lábios, quando eu o vi na esquina de sempre, cumprindo com a promessa que tinha feito.
- Oi. – Depois de se esgueirar para dentro de minha picape, ele me cumprimentou com sua voz gentil e doce.
Eu sorrir radiante e aproximei nossos lábios em um beijo rápido, mas intenso.
- Obrigada por vim. – Agradeci.
- Estarei aqui todas as manhãs. — Ele falou com um sorriso enquanto já enfivelava o cinto para irmos.
Eu sorri satisfeita e liguei a picape, dando a partida.
- Isso tudo ainda é por medo de encontrar James por ai? — Eu perguntei depois de segundos calada, concentrada na pista a minha frente.
- Também. — Ele deu de ombros, dando pouco caso a resposta. — Mas, o principal motivo é saber que você está bem e aguentar a manhã sem você. — Virou-se para mim e lançou um sorriso presunçoso.
- Bom, isso está perfeito para mim. — Suspirei, sabendo que a rotina não pareceria tão ruim quanto eu achava que seria.
Eu veria Edward tanto quanto antes, e isso me agradava. A única coisa que me deixava triste era a falta que os meus amigos faziam.
Com o pensamento, eu suspirei e perguntei triste.
- Edward, quando eu vou poder ir á sua casa novamente.? Adoraria ver a gangue.
Ele deu uma risada e sacudiu a cabeça.
- Bella, você os viu...
- Na sexta feira. Já faz muito tempo. – Eu resmunguei. — Além do mais, eu disse que faria de tudo para vê-los.
- Por enquanto, fique por aqui, OK? — Ele pediu com a voz suave. — Eu prometo que assim que dê, eu lhe levarei lá. Eu só quero ter a certeza de que James realmente se foi.
Eu resmunguei algo de estúpido James para mim mesma e suspirei entediada com o mesmo motivo que me impedia de fazer as coisas. Mesmo a contra gosto, eu dei de ombros sem saber o que fazer.
- Tudo bem. – Concordei desgostosa. O que foi um motivo de Edward dar um sorriso, divertindo-se com minha careta emburrada.
Não demorou muito para eu chegar ao meu colégio. Na verdade, eu estava bastante preocupada com Edward. Eu queria muito vê-lo todas as manhãs dos meus dias, mas saber que ele teria que caminhar uma longa estrada para chegar a seu colégio, fazia-me sentir um pouco egoísta.
Edward se sacrificava demais por mim e ainda dizia ás vezes, que somente eu estava me sacrificando — coisa da qual não concordava — por ele.
Ele viu meus olhos angustiados quando eu parei a picape em frente ao portão do colégio e se virou um pouco para me encarar.
- O que foi, Bella? — Perguntou preocupado.
- Você vai ter que andar tudo isso? — Eu perguntei fazendo uma careta de desaprovação. — Edward se você não acha que é demais para você fazer isso todas as manhãs? Eu não me importo de você não querer ir. Eu não posso querer as coisas só para mim o tempo todo.
Ele franziu o cenho, não compreendendo muito a minha apreensão, mas depois riu quando minha frase o levou ao que eu estava pensando. Ele deu um sorriso torto e pegou minha mão para dar um leve beijo.
- Eu não me importo de andar isso tudo. Alias, nem é tanto assim. — Ergueu a mão e colocou um cabelo para trás da minha orelha. — Eu conheço caminhos pelo o meio da floresta que me levam mais rápido até lá. Não se preocupe. Eu só vou ficar bem se eu te ver todos os dias. Isso é o que importa.
Mesmo ainda com a apreensão, eu dei um sorriso torto, feliz com seu comentário.
- Talvez, você pudesse levar a picape com você. — Sugeri. — Assim você não teria que...
- Não, não, não. — Ele negou veemente, assustado com a minha sugestão. — Nem pensar nisso, Bella. O carro é seu. — Bufou, chateado. — Já pensou se você tiver alguma emergência e precisar dele. Eu não quero me apossar de suas coisas, Bella. – Contestou.
- Não é se apossar. — Eu revirei os olhos. Sempre dramático. — Eu estou lhe oferecendo. – Insisti.
- E eu estou negando. — Antes que eu abrisse a boca para revidar, ele colocou um dedo em meus lábios e me olhou desafiante. — Nada de reclamar, Senhorita Swan. Eu já disse, não me importo com a caminhada. Tudo o que me importo é de ver você.
Desgostosa com sua teimosia, eu suspirei sobre o seu dedo, derrotada.
- Agora você tem que ir ou vai se atrasar. – Ele avisou.
Eu podia ouvir os alunos entrando no colégio. Olhei sob os ombros de Edward para o estacionamento, para ver como estava o movimento. Vi a alguns metros da entrada do colégio, Ângela e um garoto de cabelos pretos e óculos conversando. Do seu lado, estavam Mike e Jéssica, olhando furtivamente — assim eles achavam que eram — para a minha picape, na certa tentando ver o que eu fazia por ainda não ter entrado no colégio.
Eu fechei os olhos e depois os abri para fitar Edward, entediada.
- È melhor eu ir mesmo. O sinal vai tocar. – Comentei insatisfeita.
Ele sorriu com meu grande ânimo por entrar no colégio e se curvou para me dar um beijo. Foi um beijo rápido demais. Eu reivindiquei um melhor, estreitando ainda mais meus braços em seu pescoço.
- Você não vai me negar um beijo melhor de despedida, não é? — Eu reclamei, olhando fundo em seus olhos verdes que estavam em um sólido brilhante como uma pedrinha de diamante.
Seus lábios se estreitaram em sorriso agradável e um segundo depois, com rapidez, seus lábios se entreabriram e sua mão forte e grande pegou com firmeza a minha nuca, puxando meu rosto para seus lábios macios.
Ele me beijou como eu queria; com paixão e intensidade. Cada toque de sua língua na minha e cada movimento que nossas bocas faziam, era sempre algo novo que fazia meu corpo reagir ao seu toque.
Quando foi preciso ar, separamo-nos e ele gargalhou quando eu arfei fortemente, sem consegui construir uma frase coerente.
- Está bom assim, Senhorita Swan? — Perguntou divertido e irônico.
Eu respirei fundo, trazendo ar para os meus pulmões, para consegui responder.
- Bem melhor. – Respondi, ainda tonta com o sabor de seus beijo.
Ele sorriu novamente e deu um beijo carinhoso em minha testa. Desfez-se do cinto e saiu da minha picape. Fechou a porta e, antes de ir, ficou com o rosto na janela.
- Eu veio buscar. — Anunciou.
Eu concordei alegre, mas ainda com certa apreensão por não gostar de ter que imaginar ele sempre tendo que caminhar muito para ir me encontrar.
- Não se preocupe, meu amor. — Ele falou quando viu a minha preocupação nos olhos. — Eu realmente não ligo de caminhar para te encontrar.
Dei um sorriso torto e me estiquei ao máximo para dar um último selinho em seus lábios. Pude ver de relance, por sob os ombros de Edward, os olhares incrédulos de Jéssica e Mike no estacionamento.
- OK. — Eu concordei, afastando-me relutante de seus lábios. Eu não queria que ele fosse. Eu não queria me separar dele. — Eu te espero, então.
Ele assentiu e saiu da janela, batendo devagar na lataria da minha picape como se dissesse para eu seguir em frente. Assim eu o fiz. Religuei a picape e, com um último aceno e sorriso para ele, entrei no estacionamento da Forks High School.
- Você só pode está brincando comigo. — Jéssica falou com uma expressão espantada quando eu desci do carro e caminhei em direção á eles.
Franzi o cenho, fingindo confusão, mesmo sabendo do que ela falava. Mike estava meio desanimado ao lado de Ângela e o garoto de óculos que ela conversava. Não me lembrava dele no dia anterior.
- O que houve, Jéssica? — Eu perguntei quando cheguei próxima a ela.
Ela estreitou os olhos e depois relançou um olhar rápido para o portão. Perguntei-me se Edward ainda poderia está ali.
- Aquele que veio com você e te buscou ontem aqui é seu namorado? — Ela perguntou, ainda incrédula.
- Sim. Por quê? — Assumi um tom defensivo. Ela não ia falar mal dele na minha frente, não é? Imaginei que ela, provavelmente, seria capaz disso e concluir que era bom eu manter a calma. Afinal, um dia eu já fui exatamente como a Jéssica.
- Bem, Bella, ele é meio...
- Diferente. — Mike cortou a fala dela, fazendo-a olhar feio para ele. — Jéssica, deixe de ser indelicada. – Ele reclamou, não se importando com a expressão irritada dela.
- Eu não estava sendo indelicada. – Ela negou. – Apenas, expressando minha opnião.
- O Mike tem razão. — Angela cortou a discussão com uma voz calma. — Você foi indelicada.
Jéssica bufou e começou a andar, enquanto tagarelava.
- Eu não estava sendo, eu só ia dizer que não esperava que aquele fosse o namorado de Bella. — Ela deu de ombros enquanto eu a seguia, sem muita vontade.
Mike estava do meu lado, entre mim e ela. Ângela ainda estava com seu amigo desconhecido lhe seguindo ao seu lado.
- Por quê? – Eu perguntei, atiçando-a a falar o que tanto a incomodava.
Eu queria ver até onde o preconceito sairia de sua boca. Jéssica se parecia muito comigo quando eu morava em Jacksonville. Eu não podia julgá-la, apenas ensiná-la a ter respeito, assim como eu aprendi a ter.
- Aaain, Bella. È só que... — Ela começou e depois eu vi Mike dá-lhe uma cutucada não muito displicente. — Aaai, Mike. — Ela reclamou. — Ela quem perguntou.
- Pode a deixar falar, Mike. — Eu sorri para ele e ele sorriu de volta, grande demais para uma pessoa que ele sabia que era comprometida.
- Tudo bem, você quem pediu. — Ele comentou, levantando as mãos como se dissesse que tentou impedir.
- Então, Jéssica, continue.
Ela suspirou e voltou seu olhar para frente, começando a tagarelar.
- Bem, ele é pobre, Bella. – Ela admitiu, com uma voz como se aquilo fosse a pior coisa do mundo. — E pelo o que vejo, muito pobre. Digo, você deve ter conhecido ele naquela escola estanha que você estudava antes. — Ela me olhou espantada. — Você não tem medo de que ela seja um delinquente ou sei lá, qualquer coisa do tipo?
- Jéssica. — Angela reprovou em tom baixo, depois balançou a cabeça.
- Ele não é. — Eu respondi a pergunta de Jéssica, calma.
- Como você sabe?
Eu sorri, olhando para os meus pés.
- Edward é a melhor pessoa da qual eu possa ter um relacionamento.
- Mas, ele é pobre.
- Em compensação, o caráter dele não o reduziria nenhum pouco diante de alguém que tenha muito dinheiro. — Eu dei de ombros e virei o rosto para ela, dando um sorriso calmo.
Mike fez uma careta do meu lado, insatisfeito com minha resposta. Jéssica me olhou espantada por um tempo, depois, com os olhos incrédulos, virou-se para frente e suspirou.
- Se você diz. — Ela murmurou e eu sabia que ela não iria querer mais fazer nenhum comentário.
- Na verdade, eu acho que a Bella está certa. — Foi Ângela quem recomeçou a conversa em um sussurro baixo. Depois ela virou para mim e deu um sorriso. — Eu adoraria conhecê-lo depois, Bella. Ele realmente pareceu um bom garoto, sem contar que é muito bonito. — Ela elogiou, parecendo um pouco temerosa em dar aquele elogiou.
Eu sorri, dando confiança á ela.
- Sim, ele é.
- Isso eu não posso discordar. — Jéssica falou um pouco menos incisiva no lado de Mike. Esse revirou os olhos.
- Você pode conhecê-lo hoje se quiser, ele vem me buscar novamente. – Eu falei para Ângela.
Ela sorriu e assentiu, realmente verdadeira ao falar sobre conhecê-lo. Depois, nós entramos finalmente na escola. Eu agradecia que tivesse Ângela como alguém menos preconceituosa ali.
Lauren pareceu gostar ainda menos de mim quando eu me sentei á mesa com eles na hora do refeitório. Mike não parecia hesitante em conversar comigo de maneira animada, exatamente como Eric também fazia. Jéssica também não me deixou de fora, apesar da conversa que tivemos de manhã.
O dia passou rapidamente, como eu esperasse que passasse. A educação física foi a única aula que se tornou lenta quando o professor me obrigou a jogar vôlei. Eu tentei persuadi-lo a me deixar de fora, dizer que se eu entrasse em campo muitas pessoas fossem capazes ate de sair de morta com minha falta de coordenação — tudo bem, eu exagerei — mas, ele foi firme em sua decisão e me obrigou a jogar.
Foi um desastre, como eu previ. Além de acertar quase todas as cabeças dos alunos do time adversário quando eu ia sacar, ainda consegui levar uma queda por tropeçar na bola que caiu da minha mão e foi parar no meu pé como uma provocação infantil daquele maldito objeto.
- Você está bem? — Mike perguntou ansioso, ajudando-me a levantar do chão.
Eu segurei em sua mão e consegui ficar em pé, testando meus pés para ver se não me deixariam cair de novo.
- Estou. — Eu respondi, sentindo uma pequena dor na minha mão esquerda.
- Acho que isso vai ficar roxo. — Ele comentou quando eu levantei a mão para conferir o que doía e vi um pequeno machucado.
- È. — Eu revirei os olhos. — Normal de mim.
Depois, o jogo se seguiu e eu agradeci por Mike ter se colocado no mesmo time que o meu, deixando-me o mais longe possível da bola que virava assassina se viesse parar em minhas mãos. Finalmente, a maldita aula terminou e pudemos nos trocar para ir embora.
- Então... — Mike começou a falar quando eu sair do vestuário e ele veio para o meu lado, seguindo-me para o lado de fora da quadra. — Você vai hoje saber do emprego? – Ele estava animado com aquela possibilidade. — Eu já falei com a minha mãe, ela disse que realmente temos vaga.
- Oh! Sim, claro. — Eu concordei, feliz por ele me lembrar. — Obrigada por isso, Mike. — Eu agradeci e seus olhos azuis brilharam quando eu sorrir de forma agradecida para ele.
- Não é nada, Bella.
Mike ficou calado por alguns segundos, enquanto saímos juntos da aula de Educação física. Depois de algum tempo ele pigarreou e, de repente, ficou mais desconfortável.
- È... O seu namorado vem buscar você de novo? – Ele perguntou com uma certa indiferença.
Eu olhei para baixo para lhe responder.
- Ele vem sim.
Mike ficou um tempo calado e eu levantei os meus olhos para ver sua expressão. Ele estava com o cenho franzido, olhando algum ponto a sua frente que lhe deixava meio confuso. Talvez pensando em algo que eu não gostaria de saber.
- Você parece gostar muito dele. – Ele comentou depois de um instante, virando a face para me encarar.
Abaixei o rosto, sabendo que estava ficando vermelha. Era meio constrangedor ficar conversando sobre seus sentimentos tão descomunais por alguém com um garoto que mal conhecia.
- Na verdade, eu não gosto... – Eu comecei, vendo uma expressão estranha de satisfação aparecer no rosto de Mike. – Eu... – Suspirei e rir. – Eu o amo. – Eu olhei para ele, fazendo-o virar a face para frente com uma careta, deixando sua satisfação desaparecer.
- Aaah sim! – Ele murmurou. Depois mexeu a boca, como se estivesse curioso com algo. – Bella, seus pais sabem que você...
- Não. – Respondi assustada. – Eles não sabem que eu namoro com o Edward e não podem saber, Mike.
Minha expressão apavorada deve ter alertado a ele que eu seria capaz de fazer alguma coisa com ele caso, algum dia meu pai descobrisse, a culpa fosse dele.
- Ei, eu não vou falar nada. – Ele bufou, magoado. – Eu só perguntei por que você falou para a Jéssica e...
- E o que é que tem ela? – Perguntei, parando um pouco temerosa para lhe encarar.
- A Jéssica é meio... Hmmm. – Coçou a nuca, procurando palavras. – Fofoqueira. Se fosse você, mandaria ficar de boca fechada.
- OH! Deus. – Bati a mão na cabeça e comecei a andar novamente, meio indignada. Como eu pude ser tão burra?
- Ei, Bella, relaxe. Vai ver ela até sabe que não é para falar para ninguém. – Mike tentou me tranquilizar, enquanto tentava me seguir os meus passos mais rápidos.
- Algum problema, Bella? – Ângela me perguntou quando me encontrou a porta de saída da quadra.
- Ela está com medo de que Jéssica fale alguma coisa para alguém e a noticia se espalhe por ai, sobre o relacionamento dela com o... – Ele pigarreou, constrangido. — Você sabe.
Eu continuei andando, só ouvindo a conversa dos dois nas minhas costas. Eu fui tão burra! Eu esperava realmente que Jéssica não saísse espalhando por ai. A cidade é pequena e uma notícia como essa – a filha do chefe namorando um garoto da escola perigosa – correria feito um carro de corrida para os ouvidos do meu pai.
Eu suspirei irritada com o erro que eu cometi e olhei para frente. O nervosismo foi um pouco jogado de lado quando eu o vi novamente encostado em meu carro, nenhum um pouco incomodado com o ambiente em que estava e nem os olhares que lhe encaravam. Foi impossível não sorrir quando ele lançou seu sorriso torto em minha direção.
- Bem, eu acho que eu vou indo. – Mike comentou quando viu Edward.
Eu e Ângela assentimos e nos despedimos dele. Quando ele foi embora, em direção ao seu carro, eu olhei para Ângela.
- Você quer conhecê-lo agora? – Perguntei um pouco desanimada pelo o medo de que a noticia se espalhasse.
- Claro. – Ângela concordou em um sussurro.
Eu assenti. Quando ia me virando em direção á Edward, ela me chamou.
- Bella. – Virei para ela.
- Sim?
- Não se preocupe com a Jéssica. Eu a alertei de que talvez ela não devesse sair espalhando sobre seu relacionamento por ai.
Um alívio enquadrou o meu coração quando eu a ouvir falando. Pelo menos Jéssica estava avisada, só esperava que ela seguisse o aviso.
- Obrigada. – Agradeci aliviada. – Eu... Realmente não posso contar aos meus pais sobre isso.
- Eu entendo. – Ela murmurou meio triste, depois sorriu. – Então, vai deixá-lo esperando?
Eu sorri com a tentativa tímida dela de me animar e dei de ombros, indicando com a cabeça para que seguíssemos em frente.
- Vamos.
Meus pés não aguentaram muito tempo em ficar andando na mesma velocidade de Ângela. A cada vez que eu me aproximava de Edward meus pés agiam com mais rapidez sem que nem mesmo eu pedisse. Era como um imã que ficava cada vez mais forte e me puxava cada vez mais rápido para perto dele.
Quando eu me vi, já estava quase correndo para os seus braços. Ele sorriu quando eu cheguei a passos rápidos perto dele e me abraçou forte contra o seu peitoral, inspirando o cheiro de meu cabelo. Eu também inspirei, querendo sentir seu cheiro e me senti protegida e contente novamente.
- Então, como estamos hoje? – Perguntou com os lábios contra o meu cabelo.
- Bem. – Respondei rapidamente.
Sem que ele tivesse tempo para perguntar outra coisa, separei-me dele e estiquei os meus pés, alcançando sua boca em um leve beijo que formigou cada parte do meu rosto.
Ele sorriu com a pressa que eu estava para sentir seus lábios e depois deu um beijo em minha testa. Olhou curioso para o lado. Foi nesse momento que eu lembrei que Ângela estava com a gente.
- Oh! Sim. – Eu cocei a cabeça, um pouco envergonhada, separando-me de Edward enquanto Ângela e ele riam de mim com as cabeças baixas. – Edward essa é a Ângela. E Ângela esse é o Edward.
Edward levantou a mão para cumprimentá-la e Ângela deu um tímido sorriso para ele enquanto apertava a sua mão.
- È o prazer conhecê-la Ângela. Fico feliz de que Bella tenha conquistado alguma amiga já. – Edward falou gentilmente.
- A Bella fala muito de você quando estamos juntas. – Ela falou em tom baixo. Eu mordi os lábios, quando Edward me lançou um olhar divertido. – Acho que as pessoas aqui ficam meio assustadas quando você entra aqui. – Ela deu uma pequena risada. — Eu acho isso um absurdo, você parece ser um garoto legal.
- Obrigada. – Edward deu de ombros. – Mas, é comum ele se sentirem ameaçados quando alguém vestido assim entra no colégio deles.
Eu revirei os olhos e bufei.
— Edward, eles estão sendo preconceituosos. Isso não pode ser chamado de comum. – Eu argumentei, chateada.
- Eu sei, meu amor. – Eu sorri quando ele passou o dedo embaixo do meu queixo. – Mas, nem todos aceitam gente como a gente como você aceita e namora. – Seus olhos verdes se fixaram nos meus e eu quase me perdia neles se Ângela não estivesse ali.
- Eu não posso aceitar o ponto de vista deles. – Murmurei. – Vocês também são seres humanos. Não importa como estão vestidos ou como se portam. Apenas humanos também. E eles deviam respeitar.
Edward suspirou e fechou os olhos, a face um pouco contorcida. Sabia que ele estava pensando em alguma forma de não ter que me responder a mesma coisa – mas, gente como a gente não podem dar um futuro.
- Bom... – Ângela cortou o nosso momento tenso com uma risada tímida. – Eu já vou para casa. Edward seja sempre bem vindo. Eu acho a Bella muito corajosa por lutar por um amor assim.
Ele sorriu para ela e assentiu, parecendo não muito satisfeito com o que ela tinha dito e eu sabia o porquê.
- Tchau Ângela. – Eu me despedi.
- Tchau, Bella. Até amanhã.
Ela me acenou mais um gesto de despedida e, depois de dar um último sorriso, entrou no fluxo de alunos que caminhavam pelo o estacionamento e que, muitas vezes até lançavam olhares furtivos na direção de Edward.
Eu olhei para ele, suspirando.
- Vamos? – Eu perguntei a um Edward pensativo.
Ele parecia preocupado agora, e eu já sabia o porquê. Ele sempre estava com medo do que ele poderia fazer com o meu futuro por eu está ao seu lado.
Ele suspirou, desistindo de pensar em algo, e deu de ombros.
- Vamos.
Dessa vez, ele quis que eu fosse dirigindo. Eu peguei a chave no bolso e me acomodei na caminhonete. Ele também fez o mesmo. Depois de eu ligar a picape e estourar os nossos ouvidos com sua constante barulheira, nós entramos na fila de carros do estacionamento, saindo após alguns minutos do colégio.
- A garota parece ser legal. – Edward comentou depois de um tempo calado, olhando a chuva que caía lá fora. Sentir quando seus olhos se viraram para mim. – Ela não parece ser... – Ele franziu o cenho, atrás de palavras.
- Fresca, patricinha? – Eu completei, divertida.
- È, mais ou menos isso. – Ele sorriu. – È bom que você tenha amigos daqui também, Bella. – Suspirou. – Eu não quero que você fique apenas restrita aos amigos do meu colégio.
Eu revirei os olhos, concentrada na estrada molhada a minha frente.
- Eu fiz amizade com ela, mas não por causa disso que você está falando. Mas, porque ela é legal. – Eu argumentei.
- Mesmo assim, eu fico tranquilo. Talvez dessa forma, você tenha alguma perspectiva de seu futuro e não fique apenas querendo ficar comigo quando eu não posso lhe dar nada. – Sua voz se tornou mais baixa.
- Eu não vou lhe deixar, Edward. Eu já disse isso. – Eu resmunguei, chateada.
- Eu sei. Eu só estou dizendo, Bella, que você precisa ter novamente a força de vontade que tinha antes de perder tudo, para seguir seus sonhos. Eu faço parte de sua vida, mas não pode ser somente eu. Você me entende? – Ele perguntou seriamente.
Por mais que eu não estivesse lhe olhando, eu podia sentir a força de seu olhar sobre a minha face.
- Eu não estou me esquecendo dos meus sonhos. – Eu falei em um sussurro, minha voz traindo minha própria afirmação.
- Não? – Ele perguntou irônico. – Qual foi a última vez que você pintou? – Perguntou presunçoso, sua voz sugerindo que eu não tinha respostas certas para aquilo.
Eu realmente não tinha. Não me lembrava da última vez que tinha pegado um pincel simplesmente para pintar alguma coisa. Talvez isso tenha sido um dia antes de nossa primeira vez ou até um pouco mais antes. Eu não sabia dizer o que era, mas eu não sentia mais tanta necessidade de ficar pintando. Meus sentimentos não me guiavam mais a necessidade de querer pô-los para forma através dos desenhos. Eu estava feliz. Não tinha mais sentimentos confusos dentro de mim.
A questão de eu não está pintando não tinha nada a ver com Edward. Não tinha nada a ver em eu não está buscando os meus sonhos. As horas que eu desenho, são as horas que eu tento entender coisas confusas que se passam em meu interior. A questão era essa; por enquanto, eu não tinha nada confuso dentro de mim para me impulsionar a pintar.
Mas, isso não significava que eu não gostava mais ou que eu não queria ser mais uma grande pintora. Só não havia nada para pintar no momento. Nenhum sentimento contraditório para ser mostrado.
Será que Edward poderia entender isso e ver que a questão de eu não pintar mais não tinha nada a ver com ele está na minha vida?
Quando eu fiquei calada, franzindo os lábios sem saber o que responder, Edward deu um sorriso sem humor, vendo que ele estava certo.
- Está vendo. Nem pintando você está mais, Bella. – Edward falou, ficando um pouco exasperado. Provavelmente, achando que isso era culpa dele. – È disso que eu estou falando. Antes, pintar era importante para você, depois que você me conheceu você não liga mais para isso.
- Eu ligo. E isso não tem nada a ver com você. – Eu falei confiante, não tirando os olhos da estrada e apertando o volante por saber que ele não podia entender as razões. – Eu só... Eu só...
- Não está buscando seus sonhos. – Ele completou. – E isso é minha culpa. Eu estou a deixando entrar nesse meu mundo que não tem tantas esperanças.
- Não, não tem a ver com isso. – Eu contestei, irritada.
Pelo o canto dos olhos, o vi sacudido a cabeça de um lado para o outro.
- Bella. – Ele começou vagarosamente. – Quando eu digo que não quero tirar coisas de você e sim dar, eu também me refiro a sua pintura. Eu não quero que você pare de pintar como a Esme parou no passado dela. Eu não quero que você deixe de acreditar que vai fazer muito mais que isso só porque tem um relacionamento comigo. Eu lhe dei aquele estúdio justamente para você continuar a fazer o que gosta.
- Eu sei, Edward. È só que eu não tenho muito tempo agora e também não tenho muito que pintar. Além do mais, como eu posso ir para o estúdio sem que meus pais suspeitem? – Perguntei, só querendo arrumar outra desculpa.
- Você sempre consegue sair de alguma forma. – Ele revidou. – E agora será mais fácil já que você vai começar a trabalhar.
- Tudo bem, Edward. Eu entendi. – Eu respondi um pouco irritada. – Eu não vou parar de pintar, ok? E, por favor, quando eu paro de pintar, não significa que é sua culpa. Eu juro.
Ele suspirou, mas não respondeu mais nada. Eu desliguei a picape, mostrando que já tínhamos chegado á esquina de minha casa. Depois fechei os olhos por alguns segundos e me virei para encará-lo. Ele me olhava com os olhos preocupados.
- Não se preocupe. Eu não vou parar de pintar. – Eu repeti para que ele tirasse aquela apreensão de seus olhos. – Você tem que entender que pintar envolve muito mais do apenas ter um pincel e um lugar para pintar. Eu tenho que sentir a necessidade disso. E, por enquanto, eu não estou sentindo. – Ele franziu os lábios e desviou os olhos para o escuro. Eu suspirei. – Escute... – Peguei a sua mão na minha. – Eu juro que não vou parar. Só deixe essas semanas passarem um pouco. Eu prometo que logo voltarei a fazer isso.
Ele ficou me olhando por um tempo, na certa procurando ver se eu estava falando sério. Quando não viu nenhum resquício de mentira e hesitação no meu roso – coisas da qual seria fácil de identificar se eu estivesse mentindo –, ele relaxou os músculos, abaixando um pouco os ombros como se tirasse um peso de suas costas.
Eu achava aquilo tão injusto. Não era obrigação de ele ficar carregando esse tipo de peso. Pintar era algo que somente eu podia compreender.
- Ótimo. Por favor. Faça isso. – Ele pediu.
Eu entendia que ele estava preocupado por querer que eu tivesse um futuro. Que tivesse medo que cada vez que eu me aprofundava mais em seu mundo, não tivesse mais perspectivas como muitos não tem. Eu o amava ainda mais por causa disso. No entanto, ele tinha que entender que pintar para mim, dependia de muitas coisas. Dependia de coragem, de estado de espírito. E, enquanto, eu não me sentisse segura ao lado dele ou não soubesse que essa história de James acabara de vez, eu não teria muitas inspirações para pintura. Não teria muitos sentimentos da qual mostrar.
Eu dei um sorriso leve quando ele me respondeu e me curvei para lhe dar um beijo de despedida.
- Te vejo daqui a pouco? – Perguntei sobre seus lábios. – Quando eu for para a entrevista de emprego?
Ele ficou um tempo calado, os lábios imóveis sobre os meus. Depois de pensar sobre algo que eu morreria para saber o que era, ele suspirou e deu um sorriso não muito animado. Preocupado! Sempre preocupado!
- Tudo bem. Eu estarei esperando. – Sussurrou.
Demos outro beijo de despedida, ele saiu da picape e eu segui para minha casa.
As horas se passaram rápidas até a hora em que estava programado eu ir para a loja da mãe de Mike. Eu me vesti e sair de casa, dando tchau a minha mãe, já que Charlie estava novamente na delegacia.
Eu peguei Edward na esquina, menos preocupado do que estava de manhã, e seguir pelas as ruas que Mike me dera como instrução para chegar a loja. Não demorou muito para eu estacionar em frente à Newton’s, a única loja de comprar equipamentos de fazer de trilha que existia em Forks.
- Eu acho melhor você levar o carro. – Eu falei a Edward antes de sair. Ele ia reclamar, mas eu o interrompi. – Edward, é melhor. Somente agora de tarde. Assim você pode vim me buscar na hora correspondente.
Ele pensou por um momento, depois assentiu com a cabeça lentamente.
- OK!
Eu sorri satisfeita e lhe dei um beijo de despedida, arrastando-me para fora da picape. Quando eu entrei na loja quente da mãe de Mike, vi Edward arrancando com meu carro e indo embora.
- Ei, Bella, você venho. Venha cá. – Mike me chamou animado de um balcão que ficava perto da porta. O resto da loja era cheia de prateleiras divididas com instrumentos utilizados por campistas para entrar nas florestas de Forks.
Mike chamou sua mãe quando eu fui até ele. A senhora Newton, que tinha os cabelos tão loiros quanto os de Mike e estava extremamente arrumada para está naquela loja, conversou brevemente comigo e me deu algumas instruções, dizendo-me depois que eu estava contratada. Comecei naquela tarde mesmo, feliz por ter finalmente conseguido um emprego. Mike me explicou algumas coisas que eu não sabia e conversou bastante comigo quando não tinha clientes na loja.
A tarde passou rápido e logo eu já estava saindo, com Edward me esperando do lado de fora em minha picape. Acenei um tchau para Mike, que respondeu entusiasmado, e corri pela a chuva torrencial que começava a cair.
Edward me recebeu com um sorriso caloroso e um beijo animado. Aquilo significou para mim que nossa pequena discussão de mais cedo estava esquecida.
De alguma maneira torta, tudo entrou novamente nos lugares depois que Edward estava quase com a certeza de que James tinha indo embora e que não havia mais riscos para mim.
Depois da primeira semana na minha nova escola, as coisas começaram a virar rotina. Rotina da qual eu não reclamava e até gostava bastante. De manhã cedo, eu encontrava Edward, ia para escola onde eu estava me acostumando com os meus novos amigos, por mais irritantes que eles chegassem a ser em certas horas, depois eu encontrava Edward na saída, íamos para casa e ele via me esperar para ir para o trabalho comigo. Concluindo, o que mais estava me assustando, que era não ter mais como ver Edward, não me assustava mais agora.
Na segunda-feira da segunda semana na minha escola — e também a última do semestre — tudo recomeçou. Somente na terça, quando eu sair da quadra com Mike ao meu lado, eu o ouvi comentar confuso.
- Seu namorado não veio lhe buscar hoje?
Eu levantei os meus olhos da bolsa onde tentava achar as chaves do carro e o procurei no meio da multidão de alunos. Ao invés de encontrar seus olhos verdes, encontrei a figura magra e minúscula de Alice.
Quando ela viu que eu a tinha visto, um sorriso enorme surgiu em seus lábios e ela abanou a mão por cima de sua cabeça, animada.
- Não, minha cunhada veio hoje. — Eu respondi, um pouco confusa, a Mike. Nem mesmo eu sabia o que Alice estava fazendo ali.
De qualquer maneira, era sempre bom vê-la. Então, apressei os meus pés para chegar até a ela, enquanto me despedia de Mike.
- Tchau, Mike. Te vejo mais tarde.
- Tchau. — Eu o ouvi responder quando eu já tinha virado as costas e andava rápido em direção á Alice que ainda tinha um sorriso no rosto.
Fazia quase duas semanas que eu não a via. Edward ainda não estava querendo me levar até sua casa, apesar de eu insistir todos os dias.
- Alice! — Eu a cumprimentei, exultante, enquanto seus braços pequenos e magros me circundavam em um abraço aconchegante e amigável.
- Bella. — Sua voz de sino ecoou no meu ouvido e depois ela me afastou. — Finalmente, eu estou a vendo. — Sua voz era de repreensão. — Por acaso se esqueceu da gente? — Cruzou os braços sobre o peito enquanto me olhava com o olhar fuzilante de insatisfação.
Eu bufei.
- Claro que não. – Eu me fingi de ofendida. — Você sabe como é seu irmão. Eu pedi a ele para me levar até sua casa, mas ele não quer de jeito nenhum. — Eu suspirei, resignada.
Alice revirou os olhos e desfez a expressão chateada.
- Posso imaginar. – Murmurou, convencida da minha resposta.
- Aliás... — Eu franzi o cenho, confusa. — Eu estou muito feliz em ver você aqui, mas o que aconteceu com o Edward?
Alice suspirou, uma vinca de preocupação venho em sua testa de garotinha. Por um momento, eu fiquei assustada, pensando que talvez Edward estivesse certo e James não fora embora.
- Aconteceram algumas coisas. – Ela deu de ombros, como sempre, não querendo falar muito para não me “assustar”.
- O que? È o James?
- Não. — Ela gesticulou com a mão, como se esse assunto já fosse besteira. — Foi a Esme.
- O que é que tem a Esme?
Agora a preocupação aumentou muito mais. Por mais que eu só tivesse visto a mão de Edward uma vez, lembrá-la frágil e tendo que lutar contra uma doença terminal quando era tão alegre, deixava-me triste.
- Ela está bem?
- Está. Foi apenas um susto. Carlisle precisou de Edward para levá-la ao hospital. Ela teve uma febre muito alta, mas ao que parece tudo está bem agora — Ela levantou os ombros pequenos, mostrando que apesar de parecer forte, estava bem preocupada com a mãe.
Eu lhe olhei melancólica e, de repente, senti-me uma intrusa. Não era para ela está aqui como se fosse a minha baba, ela deveria está com Esme que é a mãe dela.
- Você não devia está aqui, Alice. — Eu revirei os olhos. — Edward tem que aprender que certas coisas são mais importantes do que essa mania dele de me ver protegida o tempo todo. Aposto que você gostaria de está com eles. – Eu reclamei, resignada com a situação.
- Ei, não se preocupe — Ela bufou, voltando a expressão divertida em um piscar de olhos. — Agora eles já a levaram para casa. Ela está bem. E eu não ia perder a chance de poder ver minha cunhadinha. — Deu seu sorriso de sino e me abraçou de novo.
Nós duas subimos na picape comigo no volante. Enquanto eu dirigia atenta, Alice não parou de conversar até chegarmos á esquina da minha casa. Pelo o que ela disse, tudo estava mais tranquilo no colégio dela. Ela me contou que nesses quinze dias que eu sair da escola, não se houve mais uma briga inoportuna entre os alunos. Que Jacob e Edward se ignoravam tanto, que fingiam tanto que um não existia, que até a tensão entre eles se esvaiu. Apesar de ouvir aquilo, eu não fiquei satisfeita; eu não queria que eles fingissem que um não existia, eu queria que eles ficassem amigos novamente.
Depois de chagarmos ao nosso destino, Alice deu um beijo em meu rosto e pulou para fora da picape sobre os meus protestos de que não devia deixá-la ir sozinha para casa.
- Bella, se Edward ver que eu permitir você de ir até lá sem a supervisão dele, ele me mata. — Ela argumentou fora do carro e com a cabeça na janela. — Então, seja boazinha e vá para casa. Eu sei qual caminho eu devo seguir.
- OK — Eu suspirei, sabendo que era uma luta perdida. — Diga a ele para vim me pegar no trabalho. – Eu pedi.
Ela assentiu e, depois de dar um enorme sorriso, saiu em direção ao seu rumo.
De tarde, quando eu sair de casa para o trabalho, Edward já me esperava. Sua expressão estava viva de preocupação, mostrando-me que nem tudo estava bem como Alice me dissera que estava.
- Como ela está? — Eu perguntei a ele depois que ele entrou no carro, deu-me um beijo rápido e eu liguei a picape.
- Esme? Ela está bem. – Ele deu de ombros, ainda aflito. — Ela só teve uma febre muito alta, mas o médico garantiu que ela está bem.
- E por que você parece tão preocupado? — Perguntei meio desconfiada por saber se ele estaria amenizando as coisas para mim.
- Eu estou. – Ele admitiu, sincero. — Mas, eu fico assim toda vez que alguma coisa assim acontece e Carlisle fica preocupado.
- Devo imaginar como ele fica triste... — Eu murmurei, quase só para mim.
Era tão errado eu está achando que a vida estava normal. Edward estava sofrendo por causa de sua mãe — sua adorável mãe. Ele estava tentando se mostrar confiante, forte, de que estava seguindo feliz na vida, mas eu via em cada olhar dele a dor que ele sentia quando falava do problema de Esme.
Era tão... Agoniante.
Eu não conseguia imaginar a dor de saber que minha mãe iria morrer e não poder fazer nada por não ter condições. Isso me fez enxergar um pouquinho o lado de Edward por querer me manter longe de seu mundo. Ele só estava preocupado, porque ele me amava.
Mas, ainda assim, eu não me importava e nem me incomodava com isso. Tinha certeza de que Esme, mesmo estando com o seu problema, não estava arrependida de ter escolhido Carlisle ao invés de outro homem que podia lhe dar uma vida e um tratamento decente.
Eu franzi o cenho com algo que passou pelos os meus pensamentos.
Edward me falava sempre como Carlisle se sentia em relação a isso, mas e Esme? Ele nunca me falou o ponto de vista dela, nunca me falou o que Esme achava de sua situação.
Agora, pensando sobre isso, eu estava incrivelmente curiosa para saber o que Esme sentia estando ao lado de quem ama, mesmo tendo que encarar uma doença que não podia ser curada com o pouco de dinheiro que eles tinham.
- Eu quero visitá-la. — Eu falei de repente, saindo do foco dos meus pensamentos. — Eu quero ir vê-la, Edward. – Assumi um tom decisivo.
Ele contorceu o rosto, olhando pelo o retrovisor.
- Bella, eu não sei se...
- Não, eu quero. — Interrompi-o confiante, antes que ele viesse com aquela negação de sempre. — Você já vem me dando essas desculpas há dias. E hoje, quando eu vi Alice, eu senti tanta falta dos meus outros amigos, de ficar perto deles. Você não pode me negar isso. – Eu pausei, esperando uma resposta. Ele relutou um pouco. — Por favor? – Implorei, usando o tom mais persuasivo que conseguia fazer.
Ele ficou fazendo umas caretas de resignação enquanto pensava, depois suspirou derrotado e me olhou.
- Tudo bem. — Eu sorri vitoriosa. — Amanhã é quarta e você tem folga no trabalho. Eu te levo lá.
Eu assenti freneticamente, satisfeita por ter conseguindo o que eu queria. Talvez fosse bom para as dúvidas que eu tinha dentro de mim, eu conversar com Esme, com uma mulher que viveu quase a mesma história que eu estava vivendo. Seria bom ter respostas para perguntas que eu nunca conseguia responder.
- Obrigada. — Agradeci, feliz.
Ele revirou os olhos com um sorriso sem humor no rosto e murmurou algo que se parecia com: "Você sempre consegue quando usa esse tom"
Eu sorri intimamente, feliz por encontrar uma boa arma de persuasão para usar com ele quando queria alguma coisa.
Felizmente, Edward cumpriu com a promessa feita e, na quarta, quando eu sair de casa dizendo para os meus pais que ia para o trabalho — eles não sabiam que era meu dia de folga — Edward me esperava na esquina para me levar até a sua casa.
A viagem foi silenciosa enquanto Edward estava concentrado no caminho á sua frente. Eu estava pensativa, feliz demais por saber que poderia ver os meus amigos de novo e ter uma conversa com Esme.
Mesmo calado, eu percebi que Edward não parecia preocupado ou relutante em me levar. Ele sabia que eu estava no meu direito. Sabia que ele me devia aquela visita e muitas outras que viriam na frente. Ele não ia me afastar dos meus amigos só por causa dos perigos que isso poderia representar.
Quando entramos na comunidade que ele morava, ele diminuiu ainda mais a velocidade da minha picape, andando devagar pelas as ruas desconcertadas.
- Bella. — Sua voz veio preocupada quando ele falou. — Eu vou te levar antes que escureça. Tudo bem?
- Certo. — Eu concordei, triste por saber que teria pouco tempo eles, mas satisfeita por Edward não está reclamando de está me lavando.
Ele parou a picape na casa que eu reconhecia ser a sua. Saiu do carro e veio abrir a porta para mim, ajudando-me a descer.
- Eles estão bem ansiosos por te encontrarem. — Ele comentou com um sorriso nos lábios enquanto seguíamos para a porta de chegada.
- Eles já estão ai? — Perguntei animada.
Ele bufou.
- Até parece que Alice não ia chamar eles antes do tempo.
Quando chegamos á porta de entrada, ele a abriu com facilidade. Manteve aberta para que eu pudesse passar.
- Beeella. – Reconheci a voz estridente de Alice. Não deu tempo de eu fazer mais nada, além de virar para encarar as pessoas que estavam na sala, e Alice já estava bastante perto de mim para me dar um abraço apertado. — Que bom que o Edward finalmente te trouxe.
Ela me soltou e o próximo a me abraçar foi o Emmett, com um sorriso enorme e malicioso no rosto.
- Finalmente vou poder fazer algumas piadas com você. — Ele urrou uma gargalhada enquanto me tirava do chão com seu aperto de amigo urso e gigante.
Eu gargalhei e fitei-o com uma expressão brilhante no rosto. Como é possível ele ter ficado ainda mais enorme e forte?
- Estava com saudades de ver esse ursão. – Deu um murro em seu braço, arrancando uma gargalhada dele.
Feliz, eu passei o abraço para os outros. Jasper foi tímido como sempre, mas eu estava feliz de poder lhe encontrar. Justin e Seth foram receptivos com um sorriso do mesmo jeito. A única em que eu não vi a presença foi Rosalie e eu já poderia saber o porquê.
- Bella, que bom que você veio nos visitar. — Carlisle calmo como sempre falou a alguns passos de distância de mim.
- Carlisle, o prazer é todo o meu. — Eu sorri calorosa para todos, mais feliz do que poderia esperar.
Era tão, tão bom está ali. Eu podia me senti querida, feliz, confortável. Essas pessoas que me rodeavam agora não estão interessadas na quantidade de dinheiro que eu tenho em minha conta bancária, quais são os tipos de roupas que eu uso, eles só estão interessados na pessoa que eu sou verdadeiramente. E isso era um alívio. Ninguém precisa usar máscaras quando está rodeado de pessoas simples assim.
Enquanto Alice me puxava saltitante para o sofá verde da qual eu me lembrava de existir desde a última vez que vim aqui, eu fiquei meio preocupada por perceber a ausência de Esme na sala.
- E a Esme? Onde ela está? — Eu perguntei a Edward que se sentava ao meu lado, deixando-me espremida entre ele e Alice. Jasper sentou-se do outro lado de Alice — o sofá era grande suficiente para caber nós quatro.
Emmett, Justin e Seth sentaram-se no chão, próximos ao sofá.
- Esme estava se sentindo meio indisposta. — Carlisle quem respondeu, sentando-se em umas das cadeiras da mesa redonda que tinham um monte de papeis amontoados em cima. Tarefas da turma, eu imaginei.
- Ela está bem? — Perguntei preocupada e uma pouco triste, aliás, eu queria muito falar com ela.
- Sim. — Carlisle sorriu tranquilo, querendo me convencer do fato. — E disse que quando você chegasse, era para eu chamá-la. Ela quer muito ver a nora. – Ele deu um sorriso sincero, mas eu podia ver certo cansaço através de seus olhos gentis.
- Oh Carslisle, não precisa acordá-la, eu...
- Eu já acordei. — A voz suave da mãe de Edward veio atrás de mim.
Eu virei o rosto para encará-la e ela sorria para mim enquanto se aproximava do sofá que abrigava á nós quatro.
- Carlisle me acordou assim que você chegou. – Ela admitiu.
- Você nem me viu indo até o quarto. — Carlisle explicou sem tirar os olhos de alguma coisa que corrigia.
- Como você está querida? — Esme deu um beijo no topo da minha cabeça, carinhosa.
- Pálida. — Emmett falou com a voz estridente entre uma gargalhada que já dava de sua própria piada. Os outros também riram quando eu lhe olhei com os olhos cerrados. Poderia já esperar uma piada dele desse jeito. Na verdade, sentia uma imensa falta das piadas sem graças de Emmett.
- E você muito mais musculoso, desde a última vez que o vi. Emmett você tem que ter cuidado para não quebrar as coisas quando tocar. — Eu brinquei, fingindo dar um aviso preocupado enquanto os outros riam de nossas trocas de palavras afetuosas.
- Vamos lá, Bella, diga-me. — Alice pediu animada quando terminou de rir. — Me conte como está sua vida.
- È, como está a escola particular? — Seth disparou curioso.
- Fez alguma amiga bonita, poderia me apresentar hen? — Justin parecia brincalhão, enquanto se afastava mais para perto do sofá, curioso.
- Aposto que a Bella está assustando a todos com todas essas tropeçadas que ela dar de cinco em cinco segundos. — Emmett comentou brincalhão.
- Garotos, deixem a Bella falar. — Esme pediu, sentando-se no braço do sofá ao lado de Edward e colocando uma mão no ombro dele. — Vocês mal dão espaço para isso.
E nós sorrimos novamente. Era muito fácil rir naquele ambiente de cumplicidade. Eu gostava. Gostava de rir com os meus amigos verdadeiros.
Eu comecei a falar um monte de coisas das quais eles perguntavam. Todos pareciam meio eufóricos. Eu ficava feliz que os nossos humores estivessem tão sintonizados por causa do nosso encontro.
Isso me fazia querer arrumar uma forma de encontrá-los mais, de não ter que depender de Edward para ir á sua casa a cada vez que eu sentisse saudades deles. Estava claro que aqueles garotos viam na casa de Edward, uma casa deles.
Foi nesse pensamento, enquanto eu ainda conversava animadamente com eles, que eu percebi que nunca tentei conhecê-los melhor. Eu não sabia onde Emmett morava. Eu não sabia se Seth tinha pais. Eu não sabia se Justin era feliz com a vida que tinha. Eu não sabia — mesmo que ela não estivesse aqui — porque Rosalie ainda se sentia tão amargurada comigo. Mesmo que fossem meus amigos, ainda eram vidas desconhecidas para mim. Eu queria ter a oportunidade de conhecê-los mais, queria tê-los como irmãos, assim como eu sabia que Edward se sentia em relação á eles.
Arrumaria um tempo para conversar com eles, ou até, se Edward não me desse muito tempo para isso, eu conversaria com ele. Perguntaria sobre eles para Edward. Tentaria saber mais sobre a vida de meus amigos verdadeiros.
A conversa fluiu facilmente, com todos falando sobre o que faziam desde a última vez que nos vimos. Até que Esme se levantou de onde estava e seguiu para a cozinha, anunciando que faria um lanche para nós.
Eu a olhei ir para a cozinha, perguntando-me se essa era a melhor hora para ter a conversa que queria ter com ela. Percebi Edward curioso com minha análise em cima dela. Eu sorrir para ele, ouvindo os outros discutirem algo que Jasper fez naquela semana, e tentei ser impassível na hora de tentar sair de seus braços.
Ele me olhou confuso quando eu me levantei e eu dei um beijo no seu rosto ao passar por ele, encostando os meus lábios em seu ouvido.
- Vou falar com Esme. Rapidinho. — Ele suspirou, claramente sabendo sobre o que eu iria falar com ela, e assentiu. Eu lhe dei outro beijo e me direcionei á cozinha.
Encostei-me ao balcão que dividia a cozinha do resto da sala, enquanto via Esme agindo com agilidade, pegando ingredientes para fazer sanduiches.
- Quer ajuda? — Eu perguntei, passando pelo o balcão, já disposta a ajudá-la mesmo que ela dissesse não.
- Não, querida, não precisa. — Ela negou docemente, assim como eu esperava.
Ignorando a sua negação, eu fui até onde percebi os pães para o sanduiche.
- Onde tem uma faca? — Perguntei, sabendo que se não fosse intrometida ela não me deixaria ajudá-la.
Ela me olhou com um sorriso repreensivo e balançou a cabeça em reprovação a minha teimosia, entregando-me a faca que tinha em mãos. Virei-me para os pães e me concentrei em cortá-los. Ficamos algum tempo caladas, cada uma fazendo a sua parte, até que eu decidi quebrar o silêncio.
- Então... — Eu comecei a conversa, enquanto ela se concentrava em cortar alguns tomates. — Edward me disse que a senhora passou mal no dia passado. Sente-se melhor agora? – Eu perguntei, realmente interessada e preocupada com a resposta.
- Sinto-me. Foi só uma mal estar. – Ela deu de ombros, não dando muito importância a própria doença.
Eu assenti e franzi os lábios, sem saber muito que falar. Eu não poderia saber o que se passava dentro da cabeça dela. O que ela sentia dentro de si. O quanto ela tinha que aguentar daquela doença. Mas, ao que parecia, essa mulher fazia de tudo para não mostrar a dor que talvez sentisse por dentro.
Câncer não era coisa fácil e eu presumir que ela deveria sofrer bastante. Ainda mais, por ter que ver as pessoas que a amavam sofrer com ela também.
- Eu imagino o quanto essa doença pode ser difícil para a senhora. — Eu sussurrei, incapaz de falar mais alto.
Ela suspirou audivelmente, ainda prestando bastante atenção no que cortava.
- Não muito. — Ela deu de ombros. — O pior não é a dor externa, Bella. O pior é a dor de vê-los sofrer. — Seu olhar disparou para os que estavam conversando, animadamente, na sala.
Eu olhei com ela, um sorriso mínimo nos lábios ao ver a cena na sala. Carlisle estava concentrado em seu material, mas ainda com um sorriso nos lábios por algo que ouvia da conversa de adolescentes ao seu lado. Alice estava em pé, imitando algo que eu não podia saber, enquanto os outros riam dela. O sorriso nos lábios de Edward era o que mais me fascinava.
Imaginava que era bastante difícil para Esme não ver a felicidade dos filhos quando ela passava mal por causa de uma doença que a consumia cada vez mais.
Com o pensamento, eu suspirei melancólica e me virei para encará-la. Ela ainda fitava a cena na sala.
- È tão bom vê-los felizes. Mas, ontem eles não estavam assim. – Ela admitiu. – Estavam preocupados, tristes com meu estado. Eu não queria consumi-los tanto com essa doença.
- Você não os consome, Esme. Eles te amam muito.
Ela sorriu e assentiu com a cabeça.
- Sim. E eu também os amo. Até os outros. Emmett, Jasper, Seth, Justin. Eles são como filhos para mim também. — Pude ouvir a ternura em sua voz ao falar deles.
Eu abaixei a cabeça, fitando minhas mãos enquanto minhas palavras me conduziam a uma conversa que reduziria minha curiosidade sobre ela.
- Carlisle me contou a história de vocês. Que foi uma relação assim como a minha e a de Edward.
Ela não pareceu se incomodar com o rumo da conversa. O que eu agradeci.
- Foi mais ou menos do mesmo jeito. Um pouco mais difícil. – Ela admitiu, voltando a cortar os tomates.
Mais difícil. Imaginei. E eu pensando que o relacionamento entre eu e Edward era complicado. Se ela dizia que era mais difícil, imagina como devia ser para eles se encontrarem na época deles.
- Você sempre... Você sempre amou o Carlisle, certo?
- Sim. – Ela deu um sorriso doce. – Desde primeira vez que o vi, eu soube que ele seria o amor da minha vida.
Eu mordi os lábios. Ela lançou um olhar para mim e sorriu ao ver que eu estava relutante. Esme parou de fazer o que fazia e me olhou, encostando-se á pia de maneira que ficasse de frente para mim.
- Bella, você quer perguntar alguma coisa, pergunte. – Sua voz era calma e transmitia segurança.
Eu suspirei e me encostei ao balcão atrás de mim.
- Você contou do seu relacionamento com Carlisle para os seus pais assim que começaram a namorar? – Eu perguntei meio hesitante, com medo de está me intrometendo na vida alheia.
Ela assentiu, fechando os olhos em um ato de tristeza.
- Sim. E assim que eu os apresentei e disse da origem pobre de Carlisle, eles o negaram.
- Eles eram tão preconceituosos assim?
- Não se tratava de preconceito, Bella. O fato é que eles não queriam um futuro desse jeito para mim. – Ela deu de ombros, como se isso agora não fosse importasse para ela.
Eu abaixei a cabeça, concentrada em minhas mãos.
- Eles te proibiram e você lutou pelo o amor de vocês. – Eu deduzi.
- Sim. – Ela concordou e suspirou. – Eu nunca tinha gostado tanto de alguém quanto eu gostava de Carlisle. Eu achava uma injustiça o modo como meu pai e minha mãe os via. Mas, eles só estavam pensando em meu futuro. Só estavam preocupados comigo.
- Então, o que vocês fizeram?
- Carlisle achava injusto eu brigar tanto com os meus pais por causa dele. Quis me abandonar, mas eu não quis deixar. Foi nessa época que meus pais sofreram o acidente de carro. – Ela suspirou e seus olhos ficaram mais melancólicos. – Carlisle foi incapaz de tentar me abandonar novamente depois disso. Eu precisava dele. Acabamos ficando juntos depois que a interferência dos meus pais acabou. Mas, é claro, que eu demorei muitos meses para me recompor da falta que eles faziam. Eu os amava, apesar de eles agirem do jeito que agiam com Carlisle.
- E agora, mesmo com essa doença, você não se arrepende de ter feito outra escolha? Você se sente feliz de pertencer onde está, mesmo com as dificuldades?
- Dificuldades todos nós temos, Bella. – Ela respondeu e sorriu para mim. – A única escolha que se deve fazer é do lado de quem você quer passar por essas dificuldades. Sim, eu sou feliz, apesar dessa doença. O amor que eu tenho pelos os meus filhos, por Carlisle, tampa qualquer dor que eu tenha que suportar para está ao lado deles.
Eu dei um sorriso torto com a resposta amorosa.
- Você sente saudades de pintar? – Eu perguntei depois de um tempo em silêncio.
Esme voltou a cortar o tomate, pensativa sobre a resposta.
- Um pouco. Mas, não tão excessiva. Eu gostava muito de pintar, mas não era algo que eu queria para o meu futuro. Era apenas um Hobby. – Ela deu um sorriso e olhou para mim mais animada. – Pelo o que o Edward disse você gosta muito de pintar.
- Sim, gosto muito. — Sorri de volta para ela. – E eu gostaria de fazer isso no meu futuro. – Mordi os lábios, novamente aflita. — Só que eu não sei como conciliar a vida que eu quero ter com o amor que eu sinto por Edward. Meus pais também nunca o aceitariam. – Suspirei e desviei os olhos para o chão, não querendo encarar Esme. — Eu não sei o que fazer para... – Minha voz falhou, terminando a frase. – Esme... – Olhei para ela. – O que você faria?
- Bella, não é uma escolha. – Ela veio até a mim e pegou minha mão na sua, olhando-me de maneira afetuosa. Ela podia ver a angústia em meus olhos. – Querida, você tem que entender que amor não é o que tira, mas sim o que dá, o que deixa permanente. Eu entendo que os seus pais não possam aceitar o Edward.
Seus olhos ficaram tristes, e eu sabia que era por causa dessa afirmação da qual ela já tinha passado e não podia julgar os meus pais.
- Mas, você tem que mostrar para eles que vocês podem coexistir juntos, em um futuro bom. Não é uma escolha Bella, é uma adição, entende querida? Então, não adianta fugir dos seus pais, quando mais cedo você contar a eles, melhor. Um dia você terá que enfrentar isso de qualquer maneira. Vocês só terão que lutar para ficarem juntos e mostrar aos seus pais que eles estavam errados. Se o amor de vocês for forte o bastante, conseguiram fazer isso. Tudo bem? – Perguntou gentilmente e passou o dedo frio em minha bochecha.
Apesar de um pouco atordoada com aquilo tudo, eu assenti.
- Tudo bem. – Sussurrei.
- Ei, esse lanche sai ou não sai? – A voz de Edward me sobressaltou atrás de mim, quebrando o clima calmo que estava na cozinha.
Eu ofeguei e virei para ele com uma expressão assassina.
- Você me assustou. – Acusei-o de brincadeira.
Ele deu um sorriso sem vergonha e se aproximou do balcão, estendendo-se sobre ele para pegar meu rosto e me dar um beijo.
- Estou desculpado dessa forma? – Perguntou descarado.
- Deixe-me pensar. – Fiz uma careta pensativa e ele sorriu. Estiquei-me sobre o balcão e dei outro beijo nele enquanto ele ria em meus lábios.
- Certo, certo, se vocês vão ficar namorando ai, saiam da minha cozinha. – Esme brincou, quase me expulsando.
- Não, eu vou ficar. Eu quero ajudar a Esme. – Eu afirmei, voltando ao meu posto inicial e começando a cortar os pães novamente.
- Bella, querida, não precisa. Vá ficar com seu namorado. – Esme impulsionou. Eu sorri, teimosa.
- Não, eu quero ajudá-la.
Edward bufou e contornou o balcão, indo até Esme e tomando a faca da mão dela.
- Mãe, por que você não vai conversar com os outros? Deixe que eu e Bella terminemos os sanduiches.
- Mas...
- Sem reclamar, Dona Esme. Vá para lá. – Edward gesticulou com a mão para a sala, praticamente expulsando a mãe da cozinha.
Esme olhou para mim com um suspiro e eu dei de ombros, concordando com Edward.
- OK. OK. Eu sei que isso é uma desculpa para vocês ficarem namorando. – Ela falou já passando pelo o balcão. – Só não demorem muito, tem gente com fome aqui.
- Não vamos demorar, se a Bella não me atacar. – Edward brincou e eu corei, fuzilando ele com olhos.
Esme soltou uma gargalhada e se distanciou, indo para a sala onde todos ainda continuavam a conversar animadamente. Eu sorri e voltei a ajudar Edward nos sanduiches, lembrando a conversa de Esme em minha cabeça.
- Você está bem? – Edward perguntou depois de um tempo calado.
- Sim. Por quê? – Perguntei, não levantando os olhos para lhe encarar.
- Você está com a ruguinha de preocupação entre os seus olhos. – Ele me conhecia tão bem.
Eu suspirei e dei de ombros, tentando fazer descaso.
- Eu estou bem. Não se preocupe.
Ele não falou, mas eu sabia que ele não tinha acreditado em minha negação. Na verdade, eu nem sabia que minha preocupação estava tão evidente assim.
Eu estava morrendo de medo de contar ao meu pai e minha mãe sobre o meu relacionamento com Edward. Tinha medo das consequências, tinha medo de não ser forte suficiente para aguentar o que ele pudessem fazer. Mas, eu sabia que Esme estava certa. Eu não podia mais protelar. Quanto mais isso acontecesse, mas meus pais iriam ficar furiosos pela a minha mentira quando descobrissem. Entretanto, parecia tão difícil contar isso para eles. Parecia ser tão difícil acreditar que eles iriam aceitar isso com facilidade.
Só que eu tinha que fazer isso. Era o certo e o melhor para eu e Edward. Se algum dia Renée e Charlie descobrisse de outra forma meu namoro com Edward, seria pior. Eles não confiariam mais em mim, e isso doeria.
Se, quando eu contasse, os dois fossem contra, eu lutaria assim como Esme lutou para ficar com Carlisle.
Estava decidido. Temerosa ou não, fraca pelo o medo das consequências ou não, eu contaria aos meus pais. O mais rápido possível. Quanto mais rápido passasse, mas rápido eu saberia as chances de eu e Edward ficarmos juntos sem dificuldades.
- Eu vou contar a Charlie e a Renée. – Eu falei de repente, reativando a conversa entre mim e Edward.
Ele tirou os olhos do pão que, concentrado, enchia com o recheio e me olhou, confuso.
- Contar sobre o que?
- Sobre nós dois, Edward. – Confessei. – Eu vou contar a eles sobre o nosso relacionamento.
A faca que estava em suas mãos caiu em cima da bancada e ele arfou, surpreso.
Notas finais
Será que a Bella vai contar mesmo para os pais dela?Só iremos saber no próximo capítulo auishiuashi
Beeijos, e se gostaram comentem. Se não, critiquem de maneira construtiva. ^^
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