Aprendendo a Viver.

14 Capítulo 13 - A história.


Notas iniciais
Oiii gente. Boa noite. Mais um capítulo novinho. Acabei de revisar e já estou postando.
Mais uma vez, desculpem-me pela a demora. Também, se houver qualquer erro, não me xinguem de burra (kkkkk/ brincando.) Eu mesma que reviso e posso não ver alguns erros.
Beeeeijos, leiam e comentem.

Capítulo 13 – A história.

Meus olhos pesados se abriram vagarosamente quando um fio de raio da luz do sol dançou em minhas pálpebras.

Eu não demorei muito tempo para perceber onde eu estava. Os braços que me rodeavam e a mão que afagava a minha carinhosamente me disseram tudo que eu precisava saber. No mesmo instante, um sorriso satisfeito saiu dos meus lábios.

Eu não poderia saber que horas eram, mas a luz opaca que entrava pelas as janelas demonstrava que ainda era dia; quatro ou cinco da tarde – eu não poderia saber. O que me deixou ainda mais satisfeita em, pois assim, ainda não precisaria ir para casa.

O beijo suave que ele deu em minha cabeça, me tirou dos pensamentos de tentar descobrir que horas eram.

Tudo, de repente, só se focou em três únicas questões. Eu ter me entregado a Edward, a forma como ele nos fez pertencer um ao outro e a minha satisfação por ter tido aquela primeira vez com ele, com a pessoa que eu sabia que amava.

Eu sorri ainda mais exultante e me acomodei mais em seus braços, afundando a minha cabeça em seu peitoral descoberto.

- Eu dormi muito? – Eu perguntei com a voz abafada, ainda lenta por ter acabado de acordar.

Sentia algumas partes do meu corpo com algum dolorido, e provavelmente, achei que para uma primeira vez aquilo não poderia está melhor.

- Não muito. – Ele sussurrou, parecendo não querer quebrar o silêncio do estúdio. – Só uma hora, mais ou menos.

Eu respirei fundo, trazendo o seu cheiro delicioso para as minhas narinas. Depois desencostei um pouco o rosto de seu peitoral e levantei a minha cabeça para ver o seu rosto.

Eu precisava ver e sentir com estava o seu humor, a sua expressão – triste, arrependida, feliz, satisfeita como eu estava?

Ele me olhou com seus olhos verdes quando percebeu que eu o estava encarando.

Quando olhei fundo neles, não vi remorso, não vi qualquer arrependimento, mas um brilho intenso que nunca tinha visto antes em seus olhos desde que eu lhe conheci.

Isso me mostrou que o que aconteceu há algumas horas atrás, foi tão especial para ele como foi para mim. Deixou-me contente e ainda mais exultante. Afinal, eu finalmente tinha conseguindo quebrar o bloqueio que ele colocava entre nós quando nossa relação se tornava mais física.

- Obrigada. – Murmurei realmente agradecida por ele ter feito aquelas duas coisas especiais por mim em uma mesma tarde.

Ele riu torto e apertou os braços mais fortes em torno do meu corpo.

- Pelo o que, Bella? – Perguntou gentilmente; um sorriso brincando em seus lábios.

- Por ter... – Mordi os lábios e senti-me corar. – Por ter feito... Isso comigo. – Eu concluir meio constrangida.

Seu sorriso torto aumentou com a minha timidez e a sua mão que não estava entornado em meu corpo, veio para a minha face, segurando-a delicadamente.

- Obrigada você, Bella. Obrigada por ter me permitido isso, por me permitir sentir todos os sentimentos que sinto hoje por você. Obrigado por me fazer sentir tão vivo com algo que era tão intimo seu.

Um sorriso se alastrou pelo o meu rosto. Era tão bom ouvir isso dele. Saber que ele estava levando nosso relacionamento sem muito medo ou temor. Deixando-se levar pelos os sentimentos ao menos naquela tarde.

Eu me arrastei um pouco pelo o colchão para poder beijá-lo. Ele me ajudou e inclinou a cabeça para frente, tocando os meus lábios com gentileza e carinho, mas ainda assim com intensidade e paixão.

- Eu te amo tanto. – Sussurrou quando separamos os lábios e depois franziu o cenho, pensando sobre algo sério. – Agora, eu vejo ainda mais o quanto é impossível tentar me afastar de você.

- Nós não vamos nos afastar, Edward. – Eu revidei com angústia. Não gostava do fato de ele ter pensado sobre isso. — Nada vai me separar de você. Não importa.

Ele franziu os lábios e seu olhar ficou mais preocupado. Não gostava muito quando ele ficava com aquela expressão melancólica na face.

- Eu vou fazer de tudo ficar com você, Bella. – Ele incitou. — Mas, não posso lutar com algo que possa a vim lhe machucar.

Eu fechei os olhos quando ouvir as suas palavras e o meu maxilar travou.

De repente, a tarde perfeita e maravilhosa que ele me fez ter se transformou em uma tarde preocupante e angustiante.

As palavras da conversa de Jacob no dia seguinte vieram em minha cabeça, como ecos dolorosos e afiados que apontavam na superfície de meu estômago.

E eu sabia, aquele era o momento certo para eu conversar com ele. Ele não podia começar com essas suposições que se fosse preciso me abandonar para me não me deixar sofrer algo perigo, ele faria.

Isso me magoava. Deixava-me deprimida só de imaginar. Muito mais agora que eu sabia os motivos e os entendia.

Com o pensamento, eu me concertei no colchão, tentando me sentar. Quando ele viu a minha atitude, tirou os braços do meu corpo.

- Bella, eu só queria que... – Ele tentou falar quando eu me sentei coberta pelo o lençol branco em sua frente.

- Shhh. – Pus um dedo em seus lábios, impedindo-o de falar.

Seus olhos me olharam preocupados, ardentes em um sentimento de angústia, com certeza, vendo de alguma forma a preocupação dele refletida nos meus olhos.

- Eu preciso falar com você. – Anunciei, tirando meus dedos de seus lábios e levando-os até a sua mão que estava em minha perna. Entrelacei os seus com os meus.

Mesmo que Jacob ficasse chateado por eu dizer a Edward sobre aquilo, eu não podia deixar de conversar isso com ele. Se Edward se irritasse pelo o que Jacob me contou, eu arrumaria uma forma de acalmá-lo.

Mas, agora, nesse instante único que tínhamos somente para nós dois, conversar com Edward sobre os riscos que ele corria e sobre os segredos que ele estava tentando manter fora de minha mente, era uma necessidade.

- O que foi, Bella? – Ele levou sua mão que não estava entrelaçada com a minha para minha face e tocou a ruga de preocupação em minha testa. – Alguma coisa está lhe atormentando. Conte-me o que é.

Suspirei e abaixei a cabeça para encarar nossos dedos entrelaçados, mordendo os lábios, preocupada sobre o que ele diria.

Ele abriria o jogo? Diria a verdade? Contaria sua história para mim? Eu esperava sinceramente que sim.

- Edward... – Eu comecei com a voz fraca, hesitante. O assunto que iríamos tratar me deixava apreensiva. – Você percebeu o barulho diferente da minha picape, certo? – Perguntei com a voz baixa.

Ele demorou um pouco a responder, mas quando essa veio pareceu meio hesitante.

- Sim. Ela está menos barulhenta. O que é que tem isso? – Apesar da pergunta, eu senti sua mão apertar a minha um pouco com mais força como em reflexo ao que ele poderia está pensando sobre o que aquilo queria dizer.

Eu suspirei ainda de cabeça baixa. Ficar olhando nossos dedos se enroscando um no outro me deixava mais clara nas palavras.

- Eu menti ontem para você quando disse sobre a programação do dia. Eu não fiquei em casa. Eu fui...

- Ver o Jacob. – Sua voz saiu um pouco séria demais, fazendo com que eu olhasse para o seu rosto.

- Não especificamente vê-lo... – Expliquei um pouco em pânico quando vi a sua expressão triste. – Meu pai e minha mãe foram e foi preciso eu ir.

Ele relaxou, dando um sorriso torto, mas que ainda demonstrava um pouco seu humor ressentido.

- Bella, você não tem que me dar razões ou me explicar nada. Se você acha que o melhor para você e para sua família é ser amiga de Jacob, tudo bem. Eu não fico com raiva disso. È só que eu ainda me lembro dele no começo do ano e, muitas vezes, eu fico com medo de que talvez ele esteja jogando.

- Obrigada pela a compreensão. – Agradeci, apertando as nossas mãos. – Mas, não precisa se preocupar com isso.

- Eu faço o que é melhor para você... Mas, diga, não é apenas o fato de mentir para mim que a está deixando tensa. Eu vejo nos seus olhos que algo a incomoda bastante.

Abaixei a cabeça novamente antes que ele pudesse adivinhar a nossa conversa só pelas as reações do meu rosto. Nossas mãos novamente foram minha distração enquanto eu falava.

- Houve um momento em que eu e Jacob andamos pela a praia, para que eu conhecesse La Push e... – Suspirei. – Nós conversamos bastante. – Um sorriso doloroso saiu dos meus lábios. – A maioria do assunto da conversa foi sobre você.

Isso abrandaria qualquer temor dele em seu coração; era importante ele saber que em nenhum segundo ele saia da minha cabeça.

- Sobre mim? – Ele perguntou, confuso.

- Sim. – Murmurei ainda de cabeça baixa.

- Bella, será que pode levantar a cabeça para falar comigo? – Pediu gentilmente. – Não olhar nos seus olhos me deixa... Angustiado. – Afirmou.

Com uma respirada profunda, eu ergui a cabeça para lhe fitar. Ele deu um suspiro aliviado e sorriu.

- Fica bem mais fácil para saber se você está triste ou não... – Passou um dedo em minha bochecha. — Continue, O... Que você falou com Jacob sobre mim? Ele lhe falou alguma coisa de ruim, ele fez você ficar... – Sua voz de repente estava meio irritada.

- Não, não... – Interrompi-o, firme. – Ele não falou nada mais que não seja verdade... – Franzi o cenho, indecisa. – Eu acho.

- Que verdade, Bella? – Ele estava cuidadoso, apreensivo.

- Sobre a sua vida, Edward. – Botei para fora de uma vez só. – Jacob me falou o que você não quer me falar. Sobre a sua gangue e o que vocês fazem a noite quando você some da minha casa. Ele falou do negócio perigoso que você faz.

Sua mão apertou a minha com força quando eu terminei de falar, seu maxilar travou e, de repente, seus olhos verdes estavam mais escuros.

- Aquele desgraçado. – Ele sibilou subitamente. — Eu não acredito que...

- Edward, eu pedi, eu implorei para ele que ele me contasse o que soubesse. – Tentei acalmá-lo.

- Ele não tinha o direito, Bella.

- Por quê? – Perguntei retórica. — Por que você faz tanta questão de me excluir do seu mundo, Edward? – Minha voz estava insatisfeita. — Eu gostaria de saber de sua vida, eu gostaria de saber sobre o que você faz. Eu gostaria de saber mais sobre você. Será que você não entende que isso é algo comum para mim?

Ele trincou os dentes e desviou seus olhos do meu.

- Bella, é perigoso. Eu não queria te deixar assustada.

- Assustada? – Dei um sorriso sem humor. — Edward, eu estou assustada. – Ele voltou os seus olhos para mim, confuso. — Mas, eu não estou assustada com o que venha acontecer comigo, mas o que venha acontecer com você.

- Pois deveria se preocupar, Bella. A vida da qual estamos agora não é nada fácil. Tudo é uma questão que pode levar a grandes ações violentas. Essa história de gangue não é tão fácil. Há muitas dessas do lado de fora querendo se vingar de muitas e outras. Existem outras que matam sem piedade ou gostam de fazer mal com as pessoas. – Ela sacudiu a cabeça, exasperado. – Te contar isso, parece te deixar mais exposta ao perigo... – Ele trincou os dentes novamente. — E, no entanto... Aquele cachorro... – Ele fechou novamente os punhos.

- Edward. – Repreendi-o. – Por favor. Eu sou a sua namorada agora, você tem que entender que fazer parte da sua vida é uma conseqüência disso.

Ele suspirou, abaixando a cabeça.

- Bella, você vai sair dessa vida algum dia. – Sua voz estava baixa e tensa. — Tem as chances disso. Não quero que saia perturbada com qualquer coisa, eu não quero que essa violência que ás vezes nos ronda venha a lhe prejudicar.

- Será que é só isso, Edward? – Perguntei de vez. – Será que você não esta escondendo algo a mais de mim?

Ele levantou a cabeça, assustado.

- Do que você está falando? – Ele perguntou mais tenso do que antes.

- Não minta mais, Edward. Não tente esconder mais coisas de mim. – Suspirei e fechei os olhos. – Não foi só isso que Jacob me contou. Ele também me falou sobre o seu passado, sobre a gangue de James.

Quando terminei de falar e o ouvi ofegar, abrir os olhos, procurando ler as suas emoções.

Suas mãos estavam fechadas em duas bolas gigantescas e firmes. Sua face estava transtornada com as suas narinas um pouco infladas de raiva e os seus olhos duros como se ele estivesse encarando o ator de sua raiva naquele ambiente.

Um rugido baixo saiu de sua garganta antes de ele falar.

- Eu juro que agora eu...

- Edward. – Pela vez terceira consecutiva, falei seu nome, procurando acalmá-lo. Nunca o vi tão nervoso.

Dessa vez, eu soltei as nossas mãos e levei até sua face, segurando-a próxima de mim, fazendo com que ele visse a verdade das minhas palavras em meus olhos.

- Não o culpe... – Continuei; as narinas dele inflaram ainda mais. – Eu estava tão desesperada por saber o que você escondia tanto de mim ou o que tanto o deixava preocupado que ele me contou. Já chega disso. Sua dor é a minha dor, sua vida é a minha vida. Eu quero saber sobre ela, eu quero saber o que aconteceu.

Sua expressão se suavizou enquanto as palavras fluíam dos meus lábios. Ele me olhou cuidadoso, como se estivesse medido algum tipo de conseqüência, e eu passei o meu dedo polegar em seus lábios.

- Por favor. – Pedi com a voz implorativa. – Conte-me como aconteceu, conte-me como foi isso. Mostre-me também as suas dores e medos, Edward. Por favor. – Eu falei com intensidade essa última parte.

Seus olhos cuidadosos e apreensivos ficaram uns bons segundos olhando o meu rosto, analisando a minha expressão desesperada por querer saber também dos seus problemas.

Eu vi, satisfeita, a hesitação e a restrição que estava em sua expressão quase se transformando em uma decisão favorável para mim. Ele ainda estava medido se deveria ou não me contar.

Decidi apressar a decisão de sua dúvida:

- Por favor, Edward. Eu mereço saber. Eu já sei de quase tudo. Eu só quero saber como você se sentiu. Não é justo só eu tenha que me lamentar por tudo. Eu quero que você se lamente de suas dores também. Eu quero que você conte comigo para isso. Não é um erro, é? Desejar isso do seu namorado? – Dei um sorriso torto, tentando ser convincente.

Ele suspirou, parecendo derrotado, e pegou minhas mãos que ainda seguravam sua face. Beijou a ponta de cada um dos dedos e depois me olhou com os olhos verdes intensos.

- Eu a amo ainda mais por causa disso. A cada dia Bella você vem demonstrando que está mudando mais... – Ele franziu o cenho, apreensivo. – Embora isso ás vezes me preocupe... – Ele falou essa parte baixa, como se fosse só para si.

Tentei entender o que ele quis dizer com aquilo, mas antes que eu chegasse a começar a pensar, ele deu, finalmente, a sua resposta ao meu pedido:

E se isso é o que você quer, se saber da minha vida horripilante é o que te deixa feliz... – Ele deu de ombros, respirando fortemente. – Eu vou te contar, meu amor.

Eu fechei os olhos, aliviada e os abrir novamente. Finalmente saberia. Finalmente ele se abriria para mim.

Ou haveria ainda algo que ele poderia esconder? Esperava que não. Esperava que seu coração bondoso se abrisse para mim.

- Então, vá em frente. – Pedi, empolgada. — Sou toda ouvidos. – Brinquei, dando um sorriso animado.

Ele abriu um sorriso torto não muito animado e depois seus olhos perderam qualquer pista de ânimo que ele tinha tido em toda aquela tarde. Eu sabia que os pensamentos dele agora estavam em um passado doloroso; em um passado que talvez não fosse muito agradável para que ele lembrasse.

Embora não quisesse infligir essa dor de suas lembranças, não poderia voltar atrás e pedir que ele não me contasse. Eu queria dividir aquela dor com ele. Saber os motivos e ajudá-lo quando ele precisasse.

Ele se ajeitou melhor no colchão e me embrulhei mais no lençol, ainda sentada de frente para ele, preparada para ouvir a sua história.

Ele pegou as minhas mãos na sua e começou com a voz desolada.

- Foi uma tarde triste para a minha vida. A parte que minha mãe morreu você já deve saber... – Eu assenti, confirmando. – Mas, como ela morreu foi a parte em que eu mentir para você...

Suspirou e desviou os olhos de mim, olhando um ponto a sua frente como se estivesse vendo as imagens dos seus pensamentos.

- Minha mãe e eu éramos sós no mundo. Eu perdi meu pai antes mesmo que tivesse nascido e o conhecido. De acordo com a minha mãe, ele morreu de alguma doença terminal. A morte do meu pai acabou levando a vida da minha mãe ainda mais para a miséria, principalmente quando ela já estava grávida de mim. Quando eu nasci, nós nos mudamos para uma comunidade pobre nos arredores de Port Angels. Eu ainda me lembro das violências constantes que via ou que ouvia. Dos gritos, dos tiros que muitas vezes nos assustavam. Bandidos ali eram comuns. Apenas integrantes daquela classe esquecida pela a sociedade.

“Elizabeth procurava me manter longe disso, mas era quase impossível. A ignorância, a dificuldade, estava nas nossas portas todo dia de nossas vidas. Não era fácil viver como ela vivia, ainda mais com um filho de três anos...”

Ele suspirou pesadamente e seus olhos se estreitaram. Eu via que ele estava em outra época, outro mundo.

- Quando eu tinha quatro anos, eu me lembro de ouvir Elizabeth dizendo que precisávamos nos mudar dali, que a vida que estávamos tendo não era mais uma vida e sim um inferno. Que a cada vez mais estava se tornando perigoso morar ali. Eram constantes gangues armando trincheiras ao redor da comunidade, não se importando de machucar de ninguém. Foi em umas dessas trincheiras que aconteceu.

“Eu estava encolhido com minha mãe em meu quarto, ouvido ela me contar uma história para que eu pudesse dormir quando os tiros constantes começaram do lado de fora. Parecia mais assustador naquela noite, como se estivesse bastante próximos de nós.

“Eu me lembro de minha mãe ter mandado eu me esconder em algum lugar. Eu fiz o que ela mandou, escondendo-me debaixo da cama, e depois ela saiu, dizendo que precisava trancar as portas para ninguém entrar.”

Seu cenho se franziu em uma expressão de dor. A imagem de uma lágrima querendo sair dos seus olhos apertou o meu coração como se alguém estivesse o esmurrando com muita violência

- Só que ela não voltou... – Edward sacudiu a cabeça, triste. – Eu fiquei a esperando no quarto quando ouvi os gritos estridentes na sala, os tiros, as vozes brandas que vinham de homens perigosos.

“Eu não consegui ficar no lugar, sabendo que minha mãe podia está em perigo. Quando sair do meu esconderijo e corri até a sala, eu o vi lá. A gangue de James maltratando a minha mãe.”

Ele fechou os olhos, respirando um pouco mais rápido e apertou a minha mão.

Eu odiava ver aquela expressão em seu rosto. Era egoísmo de minha parte fazer com que ele sofresse só para atender a um pedido meu?

Esperava que não. Só sabendo da sua história, eu podia consolá-lo quando ele precisasse de uma ajuda, de um ombro, de uma mão para apoiar a sua. Eu queria que Edward fosse feliz.

Era somente esse o meu desejo.

Edward continuou quando eu apertei a sua mão na minha, dando-lhe forças:

- Ele era tão novo. Deveria ter uns 14 ou 15 anos e já segurava uma arma mortal na mão quando atirou na minha mãe, matando-a na minha frente.

“Desesperado eu corri até ela, com medo de que a pudesse perder. Eu só tinha a ela na minha vida. Não tinha mais quem recorrer; alguém que me amasse. Se eu a perdesse, eu estaria só. Mas, eu só tinha quatro anos, nada era muito discernido para mim. James impediu que eu chegasse até minha mãe, impediu que eu me aproximasse dela...

“’ Não garotinho, você não vai’ ele disse com a voz zombada e depois me atirou no chão.

“Eu sabia que estava assustado, mas eles não tiveram pena de mim. Maltrataram-me com murros e chutes, e depois saíram levando tudo o que tinha de valor em minha casa. Naquela noite, eu pude ver, com olhos pesados, eles saindo da minha casa, deixando-me a mim e minha mãe jogada no chão.

“Meus olhos se voltaram para ela e eu só consegui dizer três palavras

“’ Não morra mãe’ Depois os meus olhos se fecharam sem que eu pudesse lutar mais para abri-los.”

- Por que Edward? – Eu interrompi com a minha voz saiu embargada.

Percebi só agora eu que uma lágrima descia pelos os meus olhos.

– Por que ele simplesmente entrou em sua casa e fez isso com vocês?

Ele deu de ombros tristemente e abaixou a cabeça.

- È a natureza dele. Fazer o mal, matar pessoas. Na vida em que ele foi criado, a violência era o ponto numero um do que acontecia em sua volta. O motivo de ele ter entrado na minha casa era simplesmente roubar e matar. Como se fosse algo prazeroso para ele. – Ele explicou com a voz desolada.

- Isso... È horrível.

Eu nunca tinha pensado em um mundo dessa forma. Poderia ignorar se estivesse na minha vida anterior. Não se preocupar com outros parecia uma característica única do ser humano. Ser egoísta, violento. Apenas pensar em si e para si.

Ouvir aquela história contada por alguém que passou realmente por isso parecia se transformar em algo mais verdadeira, mais realista e doloroso.

- Sim, é. Muito. O pior é que acontece sempre. – Edward continuou. — Com as melhores famílias, com as pessoas pobres. O mal está espalhado pelo o mundo, ás vezes você não vê, mas ele está lá, em cada esquina. O mundo em que todos nós, seres humanos, vivemos está se tornando cada vez mais perigoso e violento por causa da falta de amor, por causa da falta de compreensão, da paciência para com o próximo. – Ele suspirou. – E eu... Agradeço tanto por ter tido isso na minha vida, aprendizagens...

- Carlisle, certo? – Perguntei com um sorriso sem humor. — Conte-me como foi que ele lhe encontrou.

Seus olhos perderam o foco novamente, entrando no mar de lembranças que via a tona em sua mente.

- A carnificina que aconteceu naquela noite foi tanto que até policia e ambulâncias foram chamadas. Do ponto de vista do que Carlisle me contou, a minha mãe e eu fomos encontrados na nossa casa, quando a policia estava vendo os corpos aniquilados. Eu ainda estava vivo, minha mãe quase viva.

“Levaram-nos para o hospital e de acordo com Carlisle, por causa das pancadas em meu corpo frágil de garoto de quatro anos, eu fiquei alguns dias em coma. O que me admira foi que apesar de minha mãe ter sido mais machucada do que eu, ela ainda foi capaz de abrir os olhos antes de morrer...

“Carlisle tinha adquirindo alguma compaixão em relação a minha mãe. Como ele era o zelador do hospital e tinha que arrumar todos os quartos, ele via minha mãe todos os dias. Ele estava apreensivo em relação a nós dois, porque nós fomos os únicos que conseguimos chegar, naquela noite, vivos ao hospital. Carlisle tinha um coração bom demais para já sentir compaixão de nós.

“Então todo dia que ele ia ao meu quarto e ao quarto da minha mãe, ele falava com a gente. Falava, mesmo que talvez não estivéssemos ouvindo, que tínhamos que acordar; que não podíamos morrer. Que podíamos vencer o que estava nos levando para a inconsciência.”

“Acredito que foram as palavras de Carlisle que fizeram minha mãe acordar na última vez em que ele viu os olhos dela abertos. Ele estava segurando a mão dela, quando ela apertou a dele e abriu os olhos depois. Carlisle ficou exultante, mas podia ver o desespero nos olhos de Elizabeth quando ela tentou falar com ele.

“’Meu filho, meu filho’ Ela sussurrou inaudível e em pânico para Carlisle.

“’Ele está no outro quarto’ Carlisle respondeu. Ele disse que o olhar em que ela lhe lançou depois era tão suplicante, tão doloroso que até hoje não consegue tirar a angústia que sentiu naquele dia.

“‘Não o deixe morrer, não o deixe só’ Ela conseguiu pronunciar depois de muita dificuldade.

“E mesmo sabendo de toda a dificuldade que passava em sua vida, Carlisle tinha adquirindo uma amabilidade tão grande em relação a nós dois que não pôde recusar, mesmo sabendo que seria muito difícil.

“’Não, eu não o deixarei só’ Ele prometeu e minha mãe apertou a sua mão, provavelmente reconhecendo o homem generoso que tivera do lado dela o tempo todo. Depois fechou os olhos e nunca mais os abriu.”

Edward enxugou a solitária lágrima que escorregou por sua bochecha e eu aproximei-me mais dele, apertando nossas mãos e colocando a minha cabeça em seu ombro.

- E depois? O que Carlisle fez? – Eu perguntei com a voz baixa.

Ele passou os braços pelos os meus ombros, apertando-me mais contra ele e recomeçou a falar com a voz um pouco mais leve.

- Depois que minha mãe morreu, Carlisle começou a ter mais atenção em mim. Ficava quase todos os dias comigo quando seu turno de zelador acabava. Quando eu acordei, eu me lembro que ele foi o primeiro rosto que vi. Fiquei quase quinze dias de coma e nesses quinze dias Carlisle ficou comigo. Quando eu abrir os olhos naquela manhã, Carlisle deu um sorriso leve em minha direção e disse:

“’ Seja bem vindo de volta, Edward. Eu sou seu novo pai. ’ Eu não me lembro, mas ele me disse que um pequeno sorriso saiu dos meus lábios. A única coisa que eu me lembrava era que depois de ouvi-lo dizer aquilo, eu tive a certeza de que não precisava está sozinho. Aquele foi o único momento em que eu senti esperança em minha vida.

“Com a ajuda do médico geral que estava cuidando de mim, Carlisle conseguiu a minha guarda e eu fui morar com eles. Alice tinha a mesma idade que eu, quatro anos, e a primeira coisa que ela fez ao me encontrar, mesmo sendo tão nova, foi me dar um abraço acolhedor e cheio de vida. Naquela noite eu chorei, pois eu sabia que teria uma família de verdade, mesmo que para isso minha mãe tivesse que ter morrido.

“Esme foi igualmente carinhosa, nunca me deixava chamá-la pelo o nome, insistia que eu lhe chamasse de mãe. Eu acabei me acostumando. Carlisle morava nesse tempo em Port Angels, e quando eu tinha 10 anos nos mudamos para Forks, onde Carlisle conseguiu emprego nesse estúdio. Depois ele foi até a escola e o diretor Turner o contratou.”

Sua face de repente ficou um pouco mais fria e sombria. Seus punhos se fecharam em meu braço.

- Apesar de está feliz com essa nova família, eu nunca me esquecia daquela noite assustadora em minha vida. Na verdade, eu nunca me esquecera de James. Eu era um garotinho, mas garotinhos acreditavam em monstro e o monstro que sempre estivera em meus pesadelos, fora James.

“Eu tinha sorte por ter Carlisle, Alice e Esme em minha vida. Eu estava com tanto ódio de James por ter matado a minha mãe que eu sabia que se não tivesse o amor, o companheirismo, união que tive na família, eu teria indo atrás dele onde quer que fosse para me vingar. Eu podia ter me transformado em qualquer outra coisa, Bella. Eu poderia ter virado um monstro como James, que mata sem dó, sem piedade.

“Porém, o amor da qual Carlisle dedicava a sua família, mudou o meu coração e eu fui crescendo com os ensinamentos dele, sabendo que tinha que ajudá-lo e que tinha que torná-lo cada vez mais orgulhoso de mim. Carlisle merecia mais que um filho com ódio no coração. Então, por ele e minha família, eu procurei deixar meu ódio por James e sua gangue para lá.

“Mas, quando eu fui para o colégio e conheci Jacob, nós ficamos amigos. Meu pai rapidamente arrumou um jeito de tentar ajudar os jovens daquela escola. Foi difícil, fazer-los confiarem nele, mas, com persistência e confiança, Carlisle conseguiu. Eu, ele e o diretor Turner, como você já sabe, tentamos manter alguma paz no colégio desde sempre.

“Então, em um ano perturbador, James voltou. Apesar de ser velho, ele integrou na escola. Quando eu o vi pela a primeira vez ali, em meu espaço de paz, a noite assustadora passou diante dos meus olhos e novamente, se não tivesse sido pelos os ensinamentos de Carlisle, eu o teria matado naquele momento. Eu tentei fazer com que o Diretor Turner o tirasse do colégio, dizendo que ele era perigoso e um criminoso, mas ele disse que aquele colégio era para todos os excluídos da sociedade e para que todos tivessem sua chance.

“Eu tive que concordar. Não foi fácil, e dificultou mais ainda quando Jacob começou a andar com ele e mudar o seu jeito. Foi quando eu descobri o que eles pretendiam fazer no colégio e contei ao Diretor Turner. Isso fez com que James saísse do colégio, mas acabou que Jacob ficou com raiva de mim por ter sido punido.

“James ficou com tanta raiva de mim, que me declarou seu inimigo, dizendo que sairia da cidade, mas voltaria. E ele cumpriu. Ano passado, ele voltou.”

Edward parou abruptamente e eu senti a sua respiração ficando mais pesada e seu coração batendo mais rápido.

- Ele me desafiou para um duelo de gangues, e eu estava tão possuindo por ele ter matado minha mãe e tão confiante de que tinha que tirá-lo daquela cidade por ele ser perigoso, que aceitei.

Ele fechou os olhos e sacudiu a cabeça, reprovando algo.

- Foi um erro. Alice foi comigo com todos os meus amigos que você conhece agora. Ela quase... – Sua voz falhou. – Morreu na armadilha que James botou a nós todos.

Tremi por ouvir aquela parte. Não poderia nem imaginar Alice, doce e feliz como é, correndo esse risco. Sendo exposta a tal perigo também.

- O duelo foi grande e a única coisa que conseguimos foi perder um integrante e matar dois de James. Isso só fez piorar as coisas entre nós. Ele fugiu da cidade de novo, e desde então, eu vivo com o medo de que ele volte e possa...

Seu cenho franziu e ele virou o rosto em minha direção, pousando os olhos preocupados em cima de mim.

- Possam pôr em risco a vida das pessoas que eu amo. – Ele concluiu com a voz pesada.

Ele me apertou mais contra o seu corpo, colocando o queixo no topo da minha cabeça.

- E é por isso Bella que eu tenho tanto medo de você está envolvida comigo. Não só por James, mas tantas outras coisas podem machucá-la.

Eu sacudi a cabeça, abraçando-o com força, querendo que ele ficasse ali, que não tivesse que sair. Que nós não tivéssemos que encarar o mundo cruel lá fora.

- Mas, você também corre riscos, Edward. – Minha voz tremeu. — O que você faz a noite quando há chances de gangues assustando as pessoas, é perigoso. Você pode levar uma bala... – Tremi, com o coração espremido no peito. – Pode ser morto por qualquer um...

- Eu sei, Bella. Mas, essa cidade precisa ser protegida. As pessoas que estão lá em cima, no topo de suas casas luxuosas não vêem o que as pessoas abaixo delas estão sofrendo. Então para tirar o fardo pelo menos da violência de cima dessas pessoas que já sofrem, eu e minha gangue fazemos o possível para expulsar as gangues maldosas. Jacob também tem uma na reserva. – Ele adicionou essa frase com aspereza. – Então, não podemos passar por lá. Eles não gostam de nossa gangue nas bandas deles. Desde o que eu fiz com Jacob, Billy não gosta de mim e mostra a imagem da minha gangue naquela reserva como perigosa.

- Perigosa? – Eu perguntei divertida, tentando tirar um pouco a tensão da conversa e também a expressão de dor que ainda estava em seu rosto. – Não tem como alguém lhe achar perigoso. Isso é impossível.

Eu o ouvir dando uma suave risada, mas ainda um pouco preocupada e dolorosa.

- Mesmo que eu tenha contado essa história, exposto os riscos que você está correndo, não acho que você vai sair de perto de mim, não é? –

Ao mesmo tempo em que ele parecia decepcionado com aquela suposição, também parecia satisfeito.

- Não...

Contrair os meus braços mais na sua cintura, tornando mais ressaltante a minha resposta.

- O medo de te perder, Edward, é maior que qualquer outra coisa. Você me tornou outra pessoa; uma pessoa melhor, mas bondosa e que ver realmente onde estão as dificuldades da vida. Não poderia querer fugir disso, só por causa dos perigos.

Ele inspirou o ar em meu cabelo.

- Sabe, isso é egoísta, mas eu fico feliz que você me fale isso.

Sorri um pouco satisfeita.

Era bom saber o lado da vida de Edward. Mesmo que ela fosse tão dolorosa. Comparando a minha vida com a dele, a dor de Edward em perder a mãe era muito maior do que a minha em perder qualquer vida que tinha ou qualquer futuro que eu havia planejado para mim antes de está naquele mundo.

Então, eu poderia consegui ser forte também. Eu poderia me manter confiante e provar para Edward que eu não tinha medo. Que o meu único medo era perdê-lo.

- Obrigada por me contar. – Sussurrei. — Portanto, eu ainda quero uma coisa. – Adicionei, presunçosa.

Sim, claro que ainda havia algo que eu queria para entrar definitivamente em sua vida; conhecer a sua mãe e a família, que mudou ele, toda unida.

- Bella... – Ele ia contestando.

- Edward, sua vida é minha vida. – Alertei- Lembre-se disso. E eu ainda não conheço a sua mãe, Esme. Eu quero conhecê-la. – Eu falei essa parte de forma mais infantil, quase birrenta.

Ele sorriu, mas logo ficou mais sério.

- Não sei se você deveria.

- Eu quero ir, não importa onde você more ou qual seja a imagem que eu vá ver. Mas, eu quero conhecer sua casa, sua família unida sem ser só no colégio. Por favor, por favor, Edward. – Insistir, irritante.

Ele rolou os olhos e suspirou derrotado. Deve ter percebido que eu não mudaria nem tão cedo essa minha vontade.

- Tudo bem. Discutir com você é algo perdido quando você tem algo na cabeça. – Sorri vitoriosa. – Amanhã eu a levo para conhecer Esme.

Comemorei em silêncio, sussurrando o “Yes” nos lábios.

Livrei-me de seus braços e com os olhos brilhantes, dei-lhe um beijo intenso.

- Obrigada. Eu te amo muito. – Sussurrei perto de seu rosto.

Ele apenas colocou sua mão em meu cabelo e me puxou para a sua face, juntando nossos lábios em um beijo desejoso e ardente.

Estávamos ainda nus e isso não facilitava nenhum pouco o meu bom senso e minha sanidade. Edward pareceu ler meus pensamentos quando separou as nossas bocas por pequenos segundos e me olhou um pouco ansioso.

- Acha que ainda temos tempo? – Eu sabia do que ele dizia.

Apesar de está vendo o sol já se pondo e o estúdio da qual estávamos escurecendo, revelando que a noite já estava chegando, eu respondi confiante:

- Muito tempo.

Daí nós nos juntamos em outro beijo que seria bem mais longo e quente.

Depois de mais uma hora juntos no colchão quente do mais nosso novo local mágico e único, Edward decidiu que já era hora de me levar para casa. O sol já tinha se posto e se eu não voltasse logo com certeza Charlie e Renée ficariam preocupados.

Apesar da careta de decepção que eu fiz, nós nos vestimos com algum constrangimento nos olhos – era como se depois que saímos do colchão realmente estivéssemos comprovando o que tínhamos feito – e saímos do estúdio.

Antes de sair totalmente, eu parei na porta e olhei para trás, olhando cada detalhe do local que se tornara o mais especial para mim naquela cidade.

Edward não podia ter dado dois presentes mais gratificantes que aqueles que ele deu – o estúdio e a minha primeira vez – em um só dia. Eu sabia; ele era o garoto perfeito.

Quando eu finalmente me senti preparada para abandonar o local – mas, só por aquele dia, pois com certeza eu voltaria ali – nós seguimos pelos os corredores estranhamente sombrios.

Novamente, estávamos voltando á vida real. A nossa vida fora do nosso canto de privacidade, magia e segurança.

Eu insisti para que Edward dirigisse dessa vez, usando a mesma desculpa que usara outro dia — não gostava de dirigir no escuro.

Ele aceitou de bom grado e depois de me dar uns selinhos, animado, nos lábios ligou o carro e partiu.

A verdade era que eu queria aproveitar esse momento para pensar sobre tudo o que aconteceu dentro daquele estúdio.

Tantas coisas, em tão pouco tempo. A minha primeira vez, a história triste de Edward e o prazer de saber que eu não pararia de pintar por não ter local para fazer tal coisa.

Tentei começar a pensar pela a minha primeira vez – ela não saia da minha cabeça; cada detalhe, cada toque via em minha mente, fazendo-me enrubescer sem querer – mais que especial.

Se todos os amantes do mundo tivessem relações sexuais com amor, com certeza, a definição dessa palavra seria muito mais do que uma definição superficial como é para muitas pessoas.

Eu não podia descrever, não cabia na minha mente limitada a quantidade de sensações, de sentimentos, de vontades em que eu senti enquanto Edward me tomava em seus braços.

Era mágico, intenso, surreal. Parecia muito mais prazeroso quando você acontecia com alguém que você realmente gosta.

Eu podia ter ficado nervosa depois, quando estávamos nos vestindo, mas não me arrependia de nada. Simplesmente nada.

Como me arrepender de algo tão bom? De algo que me fez sentir esperanças, vontade louca de lutar contra tudo e todos para ficar ao lado da pessoa que agora eu amava com todas as garra e unhas?

Não havia como me arrepender. Mesmo sabendo que se Charlie descobrisse o que aconteceu ali e principalmente com quem aconteceu ele me deserdaria. Mas, eu não me importava. Não me importava mais.

Edward fazia parte da minha vida. Edward era o homem do meu presente e do meu futuro. Não suportaria mais um dia da minha agora tão preciosa vida sem ele.

Eu não poderia saber o que ele estava pensando sobre tudo aquilo.

Assim como eu, ele estava estranhamente calado enquanto seguia pelas as ruas de Forks. Talvez querendo me dar uma privacidade para filtrar todas as coisas que aconteceram naquela simples tarde.

Portanto, mesmo não sabendo o que ele estava pensando, eu fiquei feliz que ele não pareceu hesitante ou triste ou arrependido em ter concordado comigo naquela tarde.

Talvez, tivesse sido tão bom para ele como para mim.

Não, não, impossível. Não havia algo mais intenso e prazeroso para mim do que aconteceu naquela tarde.

Ainda mais prazeroso do que o estúdio incrível que ele arrumou para nós. Um local só nosso. Um local que nos desligaríamos do resto do mundo e só existiria o nosso mundo. Eu e ele. Edward e Bella.

Depois, contrastando com a onda de sensações prazerosas que tive com Edward, vinha a verdade contada minuciosamente sobre a vida dele.

Dor. Era o que eu sentia agora em meu coração.

Sabia que Edward tinha sofrido mais do que minha mente limitada podia imaginar. Pensar nesse sofrimento infligindo ele, trazia a dor também para o meu coração.

Não foi tão difícil arrancar as verdades dele – talvez só funcionou porque eu já estava com meio caminho andado por causa de Jacob -, então eu fiquei satisfeita quando ele decidiu finalmente se abrir para mim, desabafar comigo.

Era assim que eu queria que fosse o nosso namoro. Sem segredos, sem paredes de muralhas entre nós.

A história de Edward me pegou um pouco desprevenida, tornando-me frágil por ele parecer frágil quando contava aquela história.

Como terá sido para ele ver a vida de sua mãe sendo tirada por um adolescente marginal de apenas quinze anos?

Doloroso, eu sabia disso, mas sabia também que ninguém poderia imaginar o que ele sentiu realmente.

Pensar na noite em que Edward perdeu a mãe, me levou a pensar no tal James. O bandido de uma gangue violenta que declarava Edward como o seu pior inimigo.

Eu estava assustada com isso, bastante. Mas, não por mim, mas por Edward. Eu imaginava, já que esse tal James era tão perigoso, o que ele poderia fazer com Edward casso voltasse? Ou com a pequenina Alice quando aconteceu no ano passado?

Eu estremeci um pouco com as imagens dolorosas que vieram em minha cabeça – Edward ou Alice, mortos, no chão.

Não podia desconsiderar que eu também estava em perigo, como Edward disse. Eu não queria demonstrar que estava espantada também com isso. Com certeza, ele ficaria ainda mais paranóico em querer me proteger do que já estava tentando.

Mas, eu estava com medo, não podia deixar de admitir. Entretanto, não deixaria que esse medo me afastasse de Edward.

Nunca.

Preferia enfrentar o temor cara a cara do que me separar do homem que me fez ter uma visão diferente do mundo; apaixonada e ao mesmo tempo realista.

Então que James viesse, que o mundo todo desabasse sobre mim, eu não me separaria dele.

Aliás, nunca poderíamos saber se essa tal gangue de James poderia voltar mesmo. Vai ver ele esperaria, vai ver ele demoraria a aparecer novamente. Não tínhamos que ficar assustados com algo que era imprevisível ou até improvável.

Mas, se caso ele viesse, eu sabia que Edward faria o possível para me tirar do caminho dos olhos dele. Contanto que eu estivesse com Edward, sobre os seus braços, eu estaria protegida e segura. Eu sabia disso.

Um suspiro pesado saiu dos meus lábios quando pensei em outra coisa que me preocupava. Essas rondas que Edward fazia com sua gangue pela a noite.

Eu sabia que ele disse que era raro haver brigas entre gangues inimigas ou era raro aparecer alguma para lhe afligir, mas eu ainda estava com medo. Mais decepcionada ainda por saber que isso poderia piorar ainda mais as coisas em relação do nosso namoro ser aceito por Charlie algum dia.

Eu sabia qual seria a reação do meu pai e minha mãe.

O mundo que eu estava me envolvendo era mais perigoso do que eu podia imaginar, e por mais que Edward agisse pelo o bem, as coisas ainda se tornavam inconstantes para que Charlie me permitisse namorar ele.

A guerra de James e de Edward era um exemplo desses inconstantes perigos. Charlie não aceitaria esse perigo para mim.

Queria que as coisas fossem fáceis, queria ter conhecido Edward não aqui, nesse mundo estranho, perigoso e real. Eu queria ter conhecido ele no mundo que tinha antes. O mundo calmo, previsível e estranhamente fantasiado – um mundo superficial e muito mais egoísta.

Porém, uma voz lá no meu interior me perguntava se Edward seria do jeito que é se ele tivesse nascido em meu mundo? Se ele tivesse nascido em um berço de ouro – força de expressão – como eu nasci?

Eu sabia a resposta. Não, ele não seria como é.

O dinheiro e a riqueza podem ter o poder de mudar as pessoas, transformando-as em mesquinhas e egoístas mesmo que elas nem percebam que estão se tornando isso.

Eu tenho sorte de ter encontrado Edward nessa vida, caso contrário acho que ainda seria a mesma garota perdida na ilusão de grandeza e riquezas.

Mesmo assim, queria que as coisas fossem mais simples. Que meu namoro com Edward não fosse mais difícil do que eu achava que era.

Bufei, exasperada. Como se fosse comum a vida ser tão fácil. Dificuldades faziam parte dela. Sempre fez.

Edward vendo a minha frustração lançou um olhar rápido para mim.

- Você está bem? – Eu ouvi sua voz de veludo perguntar docemente e preocupadamente.

- Estou.

- Parece chateada com algo.

- È só que eu estava pensando em algumas coisas...

Desviei o olhar para a janela, vendo as formas invisíveis das árvores que se formavam na escuridão, procurando que ele não visse minha expressão preocupada pelos os pensamentos que eu tive.

- Nada de preocupante. – Completei.

- Hmmmm... – Ele balbuciou e voltou sua atenção para a pista, de repente com uma expressão impassível e os seus lábios franzidos um no outro.

Ficamos novamente calados durante o caminho. Edward não falava mais nada e eu percebi que estava crescendo uma tensão nele. Eu havia falado alguma coisa de errado?

Quando chegamos á esquina da minha casa, a que eu sempre pego Edward, ele parou para eu assumir o controle do carro. O motor foi desligado e o silêncio, como sempre, foi abrupto.

Virei para ele com um sorriso nos rosto, demonstrando a minha felicidade e retirando aquela expressão preocupada para que ele não viesse com as suposições dele.

- Você ainda vai ao meu quarto hoje, não é? – Perguntei com uma expressão quase implorativa.

Ele riu da minha ansiedade e se afastou no banco, querendo chegar mais próximo de mim. Tomou minha face em suas mãos.

- Vá e daqui a alguns minutos eu te encontrarei lá. – Prometeu com o meu sorriso torto preferido em seu rosto.

Meus lábios se alargaram em um sorriso satisfeito. Sem relutância, minhas mãos circundaram seu pescoço e eu puxei seu rosto para o meu, juntando os nossos lábios.

Ele me beijou com paixão – talvez até mais do que antes – emaranhando seus dedos em meu cabelo e com rugidos baixo saindo de sua garganta. Aquele beijo só me fez sentir a intensidade de sentimentos que eu senti naquela tarde e fazer o meu corpo ficar estranhamente quente.

Cedo demais, Edward nos afastou. Nós ofegamos por um tempo, antes de ele falar:

- Você precisa ir... – Sua respiração estava desestabilizada. – Sua mãe e seu pai devem está preocupados. – Um sorriso brincalhão saiu dos seus lábios. – A não ser que você queria que seu pai mandasse uma patrulha da policia atrás de você e nos encontre aqui, você ainda pode ficar.

Sacudi a cabeça, sorrindo e respirei fundo para responder.

- Eu vou. Mas, você vai logo em seguida.

- Prometo. – Ele falou com a voz intensa.

Beijamo-nos mais um pouco e depois de resistências para largar um ao outro, Edward saiu e eu assumi o comando do carro.

Sorri quando liguei a picape e passei por ele, em direção a minha casa.

Quando eu olhei pelo o retrovisor, já alguma distância dele, eu pude o ver caminhando na mesma direção que eu dirigia. Um sorriso satisfeito saiu dos meus lábios.

Quando eu cheguei a minha casa, percebi que estava nervosa – vai ver era por causa da culpa da mentira e do que tinha feito naquela tarde nas costas dos meus pais -, então ao atravessar a porta e colocar meu casaco no gancho, eu procurei não olhar muitos nos olhos deles dois.

Eles perceberiam que teria algo errado. Perceberia meu entusiasmo, meus olhos brilhando estranhamente mais animados e principalmente, o sorriso bobo que eu carregava em meu rosto.

- Ah! Bella, finalmente. – Minha mãe exclamou aliviada na mesma hora que atravessei a porta.

- Bella, onde você estava? – Meu pai perguntou da cozinha, desligando o telefone e vindo para sala meio carrancudo. – Já estava ligando para delegacia, procurando alguma informação sobre você.

Ele colocou as mãos na cintura, a expressão grave e séria.

Eu parei por um momento e levantei a sobrancelha, querendo fazer uma expressão de confusão.

- Eu estava na biblioteca, lembram? – Perguntei, dando um sorriso largo para esconder o nervosismo.

Eu tinha que saber fingir. Minha mãe era boa observadora. Se ela desconfiasse de algo, com certeza eu estaria frita.

- Sim. – Meu pai suspirou, chegando perto de mim e minha mãe. – Só que eu disse para você não voltar de noite. – Sua voz estava repreensiva.

- Mas, pai, são seis horas. – Contestei. — Eu não voltei tão tarde assim.

- Você nos deixou preocupado.

Eu dei de ombros e para desviar o rosto deles, andei até a cozinha.

- Vocês sabiam onde eu estava. – Comentei enquanto atravessava a porta da cozinha e ia á geladeira.

- Mas, se você foi á biblioteca, cadê os livros, então? – Minha mãe perguntou, andando atrás de mim como o meu pai logo atrás dela.

Ah! Por Deus, eles não podiam me deixar em paz naquela noite? Não, não podiam. Estavam apenas fazendo os seus papeis de pais.

Diante da pergunta, eu apertei apreensiva a garrafa de água que eu carregava na mão. Fechei a porta da geladeira, adiando a resposta.

Droga! Eu não tinha um livro.

- Eu... Eu

Errado Isabella, não gagueje. Pigarreei.

- Eu não gostei de livro nenhum, então não trouxe. – Dei de ombros, ainda de costas para eles.

Podia sentir os olhos fulminantes e desconfiados que eles lançavam em minhas costas.

Peguei um copo e comecei a colocar a água, tentando evitar o máximo possível em me virar e ver as expressões desconfiadas deles dois.

- Então, por que demorou tanto tempo? – Meu pai perguntou e eu percebi que ele parecia meio acusador.

Levei o copo na boca, nervosa, e levantei uma mão indicando que eles esperassem até eu beber a água.

Enquanto bebia, sentia a tensão que via deles dois. Eu gemi baixo enquanto tomava a água. Eles não podiam desconfiar de nada.

O que eu poderia dizer? Droga! Isabella. Você é péssima em mentir.

- Isabella? – Meu pai insistiu quando eu terminei de tomar a água e guardei tudo de volta no lugar.

Finalmente, tive que me virar para eles com um sorriso divertido nos lábios. Com a face leve, tentando não emitir nenhuma preocupação ou qualquer emoção exagerada que eu sentia se espremer em meu peito.

- Ora, vocês sabem como eu me perco no meio de livros e nem percebo a hora passando. Além do mais, eu passei o tempo rondando mais a cidade do que na própria biblioteca. Como eu disse, perdi a hora.

Dei de ombros e me encostei ao balcão, com medo de que meus joelhos fracos por causa do medo e do nervosismo me denunciassem.

Os dois, ao mesmo tempo, cerraram os olhos em minha direção quando eu terminei de falar a minha desculpa.

Eu dei um sorriso trêmulo e – para mim – despreocupado, querendo enviar o máximo de confianças para eles.

- Você não está escondendo nada da gente, não é Bella? – Meu pai perguntou sério, uma acusação expressa em seus olhos que analisavam minha face com cuidado.

Procurei me acalmar para responder aquela pergunta.

Eu não podia tremer. Minha voz não podia sair em um sussurro culpado e eu não podia sequer deixar que eles percebessem a mentira em minhas palavras. Mas, como? Se eu não consigo nem mentir de maneira correta.

Eu nunca menti para eles. Eu nunca precisei fazer isso. Seria tão mais simples se eu soubesse que eles não iriam me repreender, me acusar ou me deter se soubessem a verdade.

Mesmo assim com o coração na mão, forcei minha voz a sair estabilizada:

- Claro que não, pai... – Bufei. Bufar era bom. A voz não tremia ou hesitava quando se bufava. – O que vocês pensam? Que eu ando namorando um delinqüente por ai?

Eles levantaram a sobrancelha e olharam um para o outro, as faces de repente confusas.

- OH! Meu Deus... – Eu falei, soltando uma gargalhada logo depois. – Vocês... Vocês realmente acharam isso? – Mais uma gargalhada.

Gargalhar também era bom. Eles não iriam saber que eu estava gargalhando de nervosismo, apenas achariam que eu estava gargalhando por eles estarem pensando naquela suposição.

Será que eles estavam mesmo pensando naquilo?

Meu pai pigarreou e ajeitou o colarinho da camisa, como se estivesse incomodado com as minhas risadas de acusação.

- Chegamos a pensar nisso. Você estava demorando tanto que...

- OK!

Comprimir os lábios, dando a imagem de que estava tentando segurar um sorriso. Movi-me para a sala, passando por eles, antes que percebessem a minha expressão tensa pela a afirmação da minha acusação a eles.

- Eu acho que vocês não conhecem a filha de vocês.

Suspirei e me virei para eles quando estava no meio da sala.

- Não se preocupem, eu estou legal. E só para o alivio de vocês, eu não estou me envolvendo com ninguém. Não se preocupem. – Revirei os olhos. – Eu nunca me envolveria com alguém daquela escola, se é isso que vocês estão pensando. – Bufei novamente e tremi, como se a idéia fosse repugnante para mim.

O que eles fariam se soubessem que a suposição deles eram as mais corretas? Tentei não pensar nisso.

O teatro – da qual eu não sabia de onde tinha arrumado tanta coragem para ser tão verdadeiro – funcionou. Vi isso quando os ombros do meu pai relaxaram diante de minhas palavras e a minha mãe sentou na poltrona, com um suspiro intenso e colocando a mão no peito.

- Que bom, filha. – Sacudiu a cabeça, com uma expressão desaprovadora. – Você está certa. Você nunca faria isso. – Ela disse com a voz aliviada.

Procurei não engoli o bolo que surgiu em minha garganta. Eles confiavam tanto em mim. E eu estava quebrando essa confiança deles.

No entanto, não havia caminho a seguir. Embora eu não quisesse mentir para eles, eu não queria ficar sem Edward. E contar sobre meu relacionamento para os meus pais, seria, definitivamente, um afastamento total da pessoa que eu gosto.

- Desculpe-nos querida. Mas, da próxima vez, não demore tanto. – Minha mãe completou; a voz doce com um verdadeiro pedido de perdão.

- Tu... Tudo bem... – Rugi interiormente quando, no final, a culpa me fez gaguejar. – Vocês só estão sendo cuidadosos. Sabe que eu amo vocês por causa disso. Mas... Pelo o Amor de Deus... – Gargalhei de novo. – Eu, me envolvendo com alguém que não presta? Vocês são hilários. – Outra gargalhada. — Eu vou dormir, porque ficar olhando a expressão desnorteada de vocês está me fazendo rir muito.

Meu pai revirou os olhos e suspirou meio entediado com a minha reação e se sentou ao lado da minha mãe.

- Boa noite então, querida. – Os dois falaram juntos, parecendo chateados consigo mesmos.

- Boa noite. – Gargalhei de novo, subindo as escadas. – Namorando um pobre. Só eu mesma. – Comentei, querendo que eles ouvissem.

Eu sabia que eu estava pegando pesado, mas era só porque eu estava nervosa demais por saber que eles tinham chegado justamente àquela conclusão.

Por Deus! Como eles chegaram a isso? Estava tão expresso assim no meu rosto? Esperava que não.

Quando cheguei ao andar de cima, ainda gargalhando para que eles ouvissem, eu entrei no meu quarto e no mesmo instante, meu sorriso desapareceu.

Fechei os olhos e desabei na porta atrás de mim.

Se eles descobrissem que eu estou mentindo... Sacudi a cabeça, procurando eliminar aquele pensamento pessimista.

Tentei estabilizar a minha respiração nervosa e depois de discutir comigo de que precisava reagir, eu descolei da porta e liguei a luz.

Nesse instante, o rosto de Edward apareceu na minha janela, sorridente e contagiante.

Eu gemi um pouco. Queria tomar um banho antes que ele chegasse. Eu estava sebosa. Eu sabia disso.

Fui até a janela e a abrir. Ele rapidamente passou nela e entrou em meu quarto, fechando-a logo depois e se virando para mim ainda com um sorriso no rosto.

Fui até ele e o abracei, procurando esquecer a desconfiança de meu pai e minha mãe no andar de baixo e saber que a tarde que tivemos os dois juntos e livres foi verdadeira e não uma ilusão da minha cabeça.

- Aconteceu alguma coisa? – Edward perguntou quando eu encostei minha cabeça em seu peitoral.

- Não... Por quê? – Eu perguntei confusa.

Será que ele viu o medo estampado nos meus olhos? O nervosismo que me atingiu na sala com meus pais?

Ele me afastou um pouco e olhou nos meus olhos, a expressão mais preocupada. Levantou o dedo levemente e pôs entre minhas sobrançarias.

- Você está com aquela ruguinha no meio da sobrancelha. – Ele falou, dando um mínimo sorriso carinhoso.

Ele me conhecia mais do que eu poderia supor. Tentei desfazer a bendita ruguinha de preocupação e peguei as suas mãos, entrelaçando os meus dedos no dele.

- Eu estou bem, não se preocupe. Foi só uma desconfiança excessiva de meus pais no andar debaixo que eu soube contornar. – Revirei os olhos. – O que foi um milagre.

Eu não sabia se o meu teatro exagerado iria funcionar. Somente a confiança enorme que eles tinham em mim para fazer-los acreditarem naquela desculpa medíocre que eu dei.

Seus olhos se tornaram dolorosos, como se ele se sentisse culpado por aquilo.

- Bella, eu acho que eles...

- Sh, sh, sh... – Pus um dedo em sua boca, para que ele não completasse a frase negativa. — Tudo bem, Edward. Eles não suspeitaram de nada. – Sorrir.

- Mas, é que...

- Shhhh...

Silenciei de novo, mas dessa vez foi com os meus lábios que pediam ansiosamente pelos os dele.

Ele me respondeu com um beijo intenso, segurando a minha cintura com força e me erguendo para ele.

No entanto, eu ainda podia sentir uma preocupação emanando dele.

Eu sabia que Edward não queria que eu me desse mal com os meus pais por sua causa.

Ele não tinha que se senti culpado. Meus pais deveriam agradecê-lo por ele ter aparecido em minha vida.

- Edward... – Sussurrei perto de sua boca. – Antes de qualquer coisa, será que você poderia me dar alguns minutinhos? – Perguntei, ainda agarrada em seu pescoço.

Ele deu um sorriso divertido.

- Você quer um momento para você... Se você quiser eu vou...

- Não, você fica. Eu só quero tomar um banho rápido. Diga que vai ficar, por favor?

- Claro que sim, meu amor. Eu espero o tempo que for por você.

Eu sorri, mordendo os lábios.

- Sabe... – Passei as mãos mais fortes pelo o seu pescoço, no mesmo momento em que me sentia vermelha por dizer o ia dizer. – Você pode tomar banho comigo se quiser.

- Bella... – Ele repreendeu com um sorriso envergonhado no rosto e sacudiu a cabeça – Você sabe que essa é uma opção tentadora, mas que eu não posso.

Sorri do seu constrangimento e lhe dei outro beijo longo.

- Fique aqui. – Eu falei quando me separei dele.

Ele foi para a minha cama e se sentou, olhando-me divertido.

- Vou ficar bem aqui, não se preocupe.

Sorrir animada por ter conseguindo o seu bom humor de volta e peguei as coisas que necessitaria para o banho. Fui para porta do quarto com a toalha.

- Eu vou trancar a porta. Só uma prevenção para caso a minha mãe ou meu pai inventem de querer vim em meu quarto.

Ele deu de ombros e se encostou á cabeceira da minha cama, colocando as mãos na cabeça, relaxado.

- Então, eu acho que eu sou seu prisioneiro. – Brincou com a voz leve.

Mordi os lábios e sorri.

- Sempre. – Respondi com outro rubor no rosto.

Ele soltou uma risada mais baixa e antes que eu voltasse para ele e o atacasse na cama, sair do meu quarto, fechando a porta.

Corri para o banheiro, querendo terminar o mais depressa possível e voltar para o quarto e para Edward.

Despi-me, entrei no banho quente e pela a primeira vez, não demorei mais que cinco minutos. Sair da relaxante água quente que fez muito bem para os meus músculos que estavam rijos desde que me entreguei para Edward.

Parecia que tudo estava destravando dentro de mim. As dores musculares ficaram mais suavizadas e de imediato, isso me fez me sentir melhor.

Depois que sair da água relaxante, me vesti com a calça moletom cinza de sempre e uma blusa branca de alça.

A noite hoje estava menos gelado, então, provavelmente, eu achei que eu não necessitaria de tantas roupas para conseguir dormir.

Fui até o espelho do banheiro e passei a mão na névoa que a água quente fez surgir em sua superfície.

Quando me olhei no espelho, parei para me analisar.

Havia algo de diferente em meus olhos. Algo que eu nunca vi quando morava em Jacksonville. E eu sabia o que era; a felicidade completa.

A felicidade que sempre pensei ter, mas que não passava de uma mera ilusão. A felicidade que encontrei ao lado de Edward, o meu primeiro e o meu único amor.

Sorrir, satisfeita com a intensidade do brilho em meus olhos chocolates e peguei a escova de cabelo, passando suavemente neles. Depois que desembaracei a bucha que ele estava, escovei os dentes e peguei meu nécessaire, preparada para voltar para o quarto.

Antes de entrar no meu cômodo, parei no alto da escada e procurei ouvir o que meu pai e minha mãe faziam lá embaixo.

A televisão estava desligada, então eu me inclinei um pouco sobre o corrimão e pude ver que a luz do corredor do quarto deles estava ligada. Sinal que eles já estavam se preparando para dormir e não iriam me preocupar mais.

Dei um suspiro aliviado e quase saltitando, entrei em meu quarto.

Edward ainda estava esparramado na minha cama, mas com o meu livro surrado de Romeu e Julieta de Willian Shakespeare.

Eu havia lido tanto aquele livro que a capa já estava se desfazendo em frangalhos.

Edward ergueu os olhos quando eu entrei e um sorriso iluminado saiu dos seus lábios.

- Como você pode ficar ainda mais bonita? – Perguntou com a voz divertida.

Senti-me corar e abaixei a cabeça, sacudido-a de um lado para o outro.

- Você já se olhou no espelho? – Eu murmurei envergonhada e levantei os olhos.

Ele ria de novo, com certeza se divertindo com meu constrangimento.

Depois de lhe responder o sorriso com entusiasmo, guardei as coisas de volta no lugar e praticamente corri para a cama quente, onde ele continuava com os olhos no livro.

Eu me espremi contra o seu corpo e ele aconchegou a minha cabeça em seu peito, passando as mãos em minha cintura e deixando-me de lado. Mesmo que amenizado, o frio ainda estava no ambiente. Era bom ter a temperatura corporal dele junto dos meus membros.

Era aconchegante e bom.

Percebendo meu frio, Edward puxou o cobertor de trás de suas costas e cobriu a nós dois. Eu me encolhi ainda mais contra ele.

- Eu não sabia que você gostava desse tipo de livro.

Eu toquei a capa do livro que agora ele acomodava em seu abdômen.

- Sim, eu gosto. – Ele sorriu e trouxe suas mãos para o meu cabelo, afagando-o com carinho. – Acho que até me acho parecido um pouco com Romeu... – Senti-o sacudindo a cabeça. – Pulando a janela de uma mocinha inocente por amá-la tanto.

Sorri de olhos fechados e depois fiz uma careta.

- Eu não sou tão inocente. – Levantei um pouco rosto e encostei minha testa em sua bochecha. – Eu aprendi muito desde que cheguei aqui. Então, Sr. Romeu, sinta-se lisonjeado por ter conseguindo me mudar.

Ele girou a cabeça com um brilho nos olhos e um sorriso complacente na expressão.

Inclinou o rosto levemente e encostou nossos lábios em um beijo leve e suave.

Eu voltei minha cabeça de volta ao seu peitoral, apertando mais os meus braços fracos em torno dele.

Meus olhos se fecharam e eu bocejei. Sentia-me cansada. De alguma forma aquele dia foi longo e curto ao mesmo tempo, mas ainda assim trazendo um cansaço incrível em meu corpo e em minha mente.

- Você está morrendo de sono, minha Bella... – Ele tocou levemente a minha bochecha. – Durma.

- Não, só um pouco cansada. Nem se atreva em dizer que vai embora agora... – Ele deu uma risada com meu tom quase parecido com uma criança birrenta. – Edward? – Chamei-o.

- Hummm?

- Você vai cumprir a sua promessa, certo? – Perguntei, hesitante. — Vai me levar para ver sua mãe e onde você mora amanhã, não é? – Perguntei com a voz embargada de um sono que começava a me atingir.

Ele ficou calado e então, eu levantei um pouco os olhos, tentando ver a sua face. Ela estava como eu esperava está. Relutante, com os lábios em linha reta e os olhos um pouco mais tristes.

- Edward? – Insistir.

Ele suspirou e fechou os olhos.

- Eu vou cumprir a minha promessa, não se preocupe. – Ele falou a contra gosto; pude ouvir isso em sua voz de veludo.

- Obrigada. – Sussurrei satisfeita.

- Bella?

- Humm?

- Eu venho adiando isso á alguns minutos, com medo de ouvir a sua resposta... – Sua voz preocupada me fez novamente erguer a cabeça.

- O que foi? – Perguntei quando sua testa estava vincada em confusão.

Ele suspirou, parecendo meio temeroso com o que iria falar.

- Naquela hora, no carro, em que você estava pensativa, você parecia frustrada com algo. Então, eu... Eu achei que... Talvez você tenha se arrependido de...

- Nem termine essa frase. – Cortei-o em tom grave e me apoiei nos cotovelos, querendo olhar melhor o seu rosto.

Ele tinha certa culpa nos olhos, quando ele se voltou ansioso para cima de mim.

- Eu não me arrependi de ter me entregado a você, se é isso que está achando. Como pôde pensar nisso? – Perguntei um pouco frustrada com as suas concepções. – Foi a melhor tarde da minha vida.

Ele deu o sorriso torto de matar o meu coração e segurou o meu rosto com a palma da minha mão.

- È que... Você não falou nada sobre, então eu fiquei com medo de que não tivesse atingindo todas as suas expectativas.

- Você só pode está brincando... – Comentei divertida. – Edward, não podia ter sido mais mágico que isso. Não podia ter sido mais natural. Não vê? Nós fomos feitos um para o outro. È como se você fosse o caminho seguro que eu teria sempre que segui.

Ele afirmou com a cabeça e seus olhos trouxeram o entusiasmo novamente.

- Eu vejo, Bella. Mas, ainda me preocupo...

Revirei os olhos. È claro que ele ainda se preocupa.

- O mundo as vez é tão estranho, não é? – Ele continuou. — È como se fosse uma prova para nós dois. Ou uma maneira de ensinamento com dificuldades.

Franzi o cenho, não entendendo o que ele queria dizer. Ele sorriu percebendo a confusão em meus olhos e recomeçou a se explicar.

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- Veja... – Começou com a voz leve, como se fosse me explicar algum cálculo de matemática. – Tudo seria bem mais simples e fácil se tivéssemos nos encontrado no mesmo mundo, sem essas distinções tão grandes entre a gente. Se você tivesse nascido em meu mundo, talvez você fosse mais preparada para os perigos que a rondam. Se eu tivesse nascido no seu mundo, nós nos encontraríamos sem mais dificuldades. Não teríamos que nos esconder do seu pai e da sua mãe e não teríamos que ter receios caso eles descobrissem.

Agora ele parecia falar para si mesmo, franzido a testa como se procurasse entender as suas palavras.

- Mas, ai eu penso. – Voltou a falar, pensativo. — Se nós tivéssemos nos encontrado no mesmo mundo não seria a mesma coisa. È como se para nos encaixamos como nos encaixamos tivéssemos que nascer em mundos completamente opostos, com visões completamente opostas um do outro. Assim cada um iria a ensinar a outro uma nova maneira de viver ou nova maneira de perceber e ver o mundo. Apesar das dificuldades, acho que o destino junta cada peça do quebra cabeça com sabedoria. Como se fosse para tornar nosso amor mais forte do que qualquer outro. Se não tivéssemos essas diferenças, não precisaríamos lutar pelo o que sentíamos. Claro que eu preferia que não tivesse tanto perigo para você, mas ás vezes, só ás vezes, faz sentido nós nos encontrarmos dessa forma.

Piscou algumas vezes os olhos e virou a face para mim, como se lembrasse novamente que eu estava ali. Sorri da sua compenetração profunda em pensamentos.

- Acho que eu me empolguei. – Murmurou com uma voz constrangida.

Sorri e abaixei a minha cabeça para seu peitoral.

- Não, não, você está certo. – Afirmei. — Se eu tivesse nascido em seu mundo, provavelmente seria parecida com os alunos daquela escola. Como se eu não tivesse esperanças para nada. Mas, se você nascesse em meu mundo, não teria aprendizados para você me ensinar. Porque assim como eu, você não ia conhecer a face mais triste do mundo.

Senti-o concordando com a cabeça, passando levemente as mãos em minha bochecha.

Não falamos mais nada, então eu bocejei novamente. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Edward começou a cantarolar minha cantiga de ninar.

- Edward... – Murmurei em um fio de voz, quase caindo em sono.

Eu ainda precisava perguntar algo que estava me deixando preocupada.

Ele parou a música por um momento.

- Huum? – Recomeçou a cantar. Ele deveria está percebendo o meu cansaço.

- Eu queria...

Fechei os olhos, incapaz de lutar contra eles. Mesmo assim, me forcei a falar as palavras.

- Você não vai... Hã, tirar satisfações com Jacob amanhã, não é? – Foi um sussurro quase inaudível, mas eu sabia que ele tinha ouvido já que seu coração deu uma galopada leve em seu peito.

Ele não parou de cantar minha canção de ninar.

- Durma, Bella, não se preocupe com isso. – Sussurrou.

- Mas...

- Shhh... – Botou o dedo em meus lábios, impedido minha argumentação. – Durma, minha Bella. Você está cansada. Foi um dia longo. Durma, você foi a única que tocou o meu coração.

Recomeçou a cantar um pouco mais alto e suave.

Eu bocejei de novo, meus olhos pesados não conseguindo mais se abrir.

Queria falar algo, queria saber se ele ia ou não fazer o que eu queria, mas parecia impossível.

Os seus braços me circundando, sua mão afagando levemente a minha cabeça e sua voz de veludo penetrando com a doce canção em meus ouvidos, tiraram-me totalmente da consciência.

Então, em um minuto eu não poderia mais saber onde eu estava. Dormir em profunda tranqüilidade.

Notas finais
Então? Gostaram? Espero que sim. HIHIHI
Triste a história de Edward, não? Apesar de sentir a dor da lembrança, foi bom que ele contou para Bella. Assim não há mais mentira entre eles. *----*
Espero que vocês tenham gostado e que possa comentar.
OK! Agora algo totalmente fora da fanfic, mas ainda assim no mundo Twilight. Eu preciso desabafar isso.
Quem morreu com o novo trailer de Breaking Dawn que saiu? o
Gente, é sério, eu preciso falar isso. Está muito bom e eu não estou me aguentando mais contando esses malditos dias que não passam para chegar novembro. unf!
OK! Eu precisava falar isso para pessoas que estão do mundo Twilight. kkkkkkkkkkkkkk
Beeeijos e comentem. *--*