Aprendendo a Viver.

15 Capítulo 14 - Família Cullen.


Notas iniciais
Oooops, dessa vez eu demorei, não? \z
Desculpem-me gente, mas estudos tem prioridade. kkkkkk. De qualquer maneira, o importante é que eu nunca deixo de postar.
Está aqui o capítulo. Bella conhece, finalmente, Esme. :D
Espero que gostem.

Capítulo 14 – Família Cullen.

Na manhã seguinte, meus olhos se abriram vagarosamente e demoradamente, quando o insistente despertador tocou ao meu lado, lembrando-me que tinha que acordar para ir á escola.

A visão ficou turva por um momento e eu me espreguicei, esticando os braços e bocejando.

Qual não foi a minha surpresa, quando meus braços foram impedidos por algo; por um corpo que ainda se encontrava ao meu lado.

Assustada com a presença, eu olhei para o meu lado e o vi ali, dormindo tranqüilamente na mesma posição que eu me lembro de ter visto antes de fechar os olhos na noite passada. Edward estava dormindo serenamente na minha cama.

Temerosa e nervosa, eu desliguei o despertador antes que a minha mãe viesse ao meu quarto para ver se eu já tinha acordado e o encontrasse ali.

O que diabos Edward ainda estava fazendo no meu quarto?

Eu poderia está frustrada ou temerosa, mas tudo o que tomou meu coração quando eu olhei para o seu rosto tranqüilo e sereno foi a enorme e assustadora paixão que eu sentia por ele.

Coitado! Devia ter adormecido. Deveria está tão cansado quanto eu na noite anterior, e deixar se abalar pelo o sono deveria ter sido tão impossível para ele quanto foi para mim.

Então, eu iria agir com calma ao acordá-lo. Eu podia ouvir os meus pais no andar debaixo, mas não me sentia nervosa por eles vim ao meu quarto em qualquer momento.

A visão de Edward ao meu lado, de repente, tomou qualquer outro tipo de sentimento que fosse a admiração que eu sentia por ele.

Passei devagar a minha mão na face dele e levei meus lábios em seus ouvidos.

- Edward, meu amor. Acorde... – Murmurei, inspirando o cheiro delicioso que sempre parecia está impregnado nele.

Ele se remexeu um pouco e seus olhos tremeram, como se ele estivesse pensando em está sonhando com a minha voz.

- Edward, vamos lá, acorde.

Os olhos dele se abriram, assustados e sobressaltados. Eu rir um pouco de sua face confusa quando ele se virou em minha direção e esbugalhou os olhos em temor, parecendo ainda mais espantado em saber se aquilo era verdade e não algum tipo de sonho.

- Bella? O que...

Ele olhou em volta, analisando onde estava. Como se somente agora percebesse que aquilo era real, ele bateu com a palma da mão na testa, como se lembrasse de algo.

— Own, droga. – Resmungou. — Eu adormeci aqui. Desculpe-me. – Praticamente pulou da cama, jogando o lençol de lado, antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa.

Ele parecia desesperado enquanto tentava se equilibrar com o repentino pulo.

- Ei, ei, ei, calma. – Eu tentei deixá-lo menos nervoso, soltando um meio sorriso.

- Calma? – Ele estava incrédulo. — Seus pais poderiam ter vindo aqui a noite, Bella. Poderiam ter me pegado aqui. O que aconteceria com você se sua mãe... – Ele fechou os punhos e trincou os dentes. — Oh, Bella, me desculpe, eu...

Eu pulei da cama, indo travar seus lábios com o meu dedo para ver se ele se acalmava um pouco.

- Ei, calma... – Eu pedi novamente, olhando para os seus olhos, mostrando que eu não estava com medo de nada. – Eles não vieram aqui. Não se preocupe. È só você sair pela a janela como ainda estivesse de noite. Pronto, não há com o que se preocupar. – Eu falei com a voz tranqüila.

Ele passou a mão no cabelo, se recuperando do susto. Ia dizer algo para mim, quando exatamente na hora em que ele abriu a boca, ouvimos passos na escada. Nossos olhos se encontraram e se esbugalharam ao mesmo tempo.

- Opa. Não vieram antes, mas vieram agora. – Eu falei com a voz impassível.

- Oh! Droga...

Edward correu para a janela, abrindo-a com um cuidado extremo para não fazer barulho.

No outro lado da porta do meu quarto, a voz da minha mãe me chamou, fazendo um frio percorrer em minha espinha. Se ela pegasse Edward aqui, nós estávamos bastante encrencados – quer dizer, eu estava.

- Bella, você está acordada? – Ela bateu o punho na minha porta. Não respondi, pedido para que ela acreditasse que eu ainda estava dormindo.

- Vá, Edward. Vá. Mas, cuidado, por favor. – Pedi.

Ele estava tão nervoso que eu temia de ele cair daquela altura.

- Bella? Acorde querida... – Minha mãe gritou mais alto do outro lado.

- Estou acordando, mãe... – Consegui balbuciar uma voz de sono nada convincente e depois me virei para Edward, que já estava com metade do corpo para fora. – Espere. – Pedi e ele parou, olhando para mim assustado.

Passei as mãos em seu pescoço e dei um beijo curto e intenso em seus lábios. Um beijo que não deu nem para sentir o gosto direito.

- Te encontro no colégio. – Balbuciei e ele se acalmou um pouco.

Assentiu com um meio sorriso não tão animado e começou a descer as escadas formadas pelos os tijolos desgastados da parede da minha casa.

- Bella, abra aqui. – Minha mãe insistiu do lado de fora. Ela parecia meio exigente.

- Já vou indo, mãe. – Avisei.

Assim que vi a cabeça de Edward desaparecer, corri para a porta.

Esfreguei os olhos, tentando deixá-los com cara de sono e abrir a porta, de repente com um sorriso nervoso nos lábios.

- Por que demorou tanto a acordar? – Ela perguntou e colocou a mão na cintura, cobrando uma resposta.

Eu esfreguei novamente os olhos e bocejei alto. Eu não sabia como estava minha interpretação, mas nada que viesse dos meus dons artísticos era convincente o bastante. E isso se comprovou quando Renée estreitou os olhos.

- Desculpe... – Eu balbuciei sobre um bocejo que dava. – Acho que a viagem me cansou um pouco no dia seguinte.

- Hmmm... – Ela murmurou e entrou no meu quarto, sem pedir licença.

Ela estava desconfiada de algo, eu podia sentir isso. No entanto, o que poderia está passando por sua cabeça enquanto ela vasculhava meu quarto com os olhos e depois os voltava para mim? Espero que nada demais.

— Bem, vá se arrumar rápido antes que você se atrase. – Ela avisou, ainda com os olhos estreitos.

Eu odiava o quanto Renée era perceptiva, ela podia sentir que eu estava nervosa e eu me odiava por não poder controlar isso.

- OK! – Assenti, tentando parecer tranqüila e ela ficou parada por um momento, analisando os meus olhos.

O que ela estava vendo em meu rosto? Medo? Nervosismo? Ou os meus olhos brilhando por, apesar do risco, ter visto o rosto perfeito de Edward assim que acordei?

De qualquer maneira, aquele olhar crítico de minha mãe me dava nos nervos! Queria poder ler mentes para saber o que ela estava pensando nesse momento.

Então, para minha tranqüilidade, ela suspirou depois que eu tentei dar um sorriso, como se ela estivesse desistindo de tentar descobrir alguma coisa. Com os olhos menos acusadores ou desconfiados, ela saiu do meu quarto.

- Vá rápido – Avisou enquanto se direcionava para a escada.

Assim que ela desapareceu, eu fechei a porta do meu quarto e passei a mão em minha face, preocupada.

Essa foi por pouco! Não podíamos mais nos arriscar assim. No entanto, eu não podia deixar de pedir para Edward parar de vir no meu quarto. Não! Em hipótese alguma. Agora, de noite, eu só conseguia dormir direito sabendo que ele estava do meu lado.

Eu corri para a janela aberta e coloquei a cabeça para fora, vendo que Edward já tinha desaparecido nas arvores que se abriam do outro lado da minha casa.

Esfreguei os dedos na têmpora, querendo eliminar a dor de cabeça que já me dominava uma hora daquela da manhã.

Eu sabia que Edward e eu não agüentaríamos isso por muito tempo. Em manter isso por muito mais tempo escondido. Um dia, nós teríamos que contar para os meus pais.

Fechei os olhos e eliminei aquele pensamento por um momento. As conseqüências que sempre vinham em minha cabeça quando eu pensava em contar para eles, eliminava qualquer coragem que surgia em mim.

Então, por enquanto, eu não iria pensar muito no futuro, ia apenas me fixar no presente enquanto ele estava dando certo.

Iria apenas viver o que eu estava vivendo com Edward enquanto as coisas não se apertavam demais para nós dois.

Mais eu sabia – e isso ficaria guardando sempre uma parte não muito acessível da minha mente -, um dia eu teria que contar para eles. E eles teriam que aceitar.

Com o pensamento, eu assenti para mim, concordando com minha idéia de deixar isso um pouco para um futuro distante.

Peguei a minha toalha branca e sair do meu quarto para tomar um banho.

Meus olhos, ansiosos, procuraram o rosto que eu queria ver quando eu dobrei com a minha picape o portão do colégio.

Encontrei-o, lindo e perfeito, encostado em um carro com Alice ao seu lado; ela parecia bastante animada. A expressão de Edward quando viu minha picape entrar era de tédio, enquanto Alice pulava de alegria quando eu estacionei o carro no lugar de sempre.

Franzi o cenho. Por que ela estava tão grandiosamente alegre assim? Alice era outra criatura difícil de desvendar.

Desliguei o motor da picape e desci, indo até eles dois. Alice foi mais rápida e veio correndo até mim, enquanto sua mochila balançava em suas costas. Pelo o seu tamanho e seu cabelo preto curto e esvoaçante, ela mais parecia uma criança correndo para os braços do pai depois de um longo dia de colégio.

Eu sorri com a imagem.

- Bella... – Gritou estridente quando me alcançou e me abraçou pelo o ombro enquanto me guiava até Edward. – O Edward me contou que você vai a nossa casa hoje. È verdade? Isso é tão bom.

Então, era por isso que ela estava feliz? Eu me sentia tão grata por Alice ser tão acessível ao meu relacionamento com Edward. Era impossível não gostar dela e pedir, para que assim como Edward, eu a tivesse sempre ao meu lado.

Eu sorri com seu entusiasmo, chegando a Edward que parecia ainda meio tedioso, enquanto sua irmã ainda tagarelava animada:

- Esme vai ficar tão feliz com isso. – Ela esganiçou. — Ela estava louca para te conhecer. Eu disse para Edward te levar logo, pois Esme merecia te conhecer já que ele falava tanto de você em casa deixando ela mais ansiosa. – Bufou, frustrada. – Mas, sabe como Edward é; super protetor. – Revirou os olhos. — Até fiquei surpresa quando ele falou para Esme hoje que ia te levar lá. – Sacudiu a cabeça, descrente.

- Está bom, Alice. Já chega... – Edward cortou-a com um tom brincalhão de irritamento e revirou os olhos. – Você já tagarelou demais.

Ela se virou para ele, soltando os braços do meu ombro, e deu língua em sua direção. Nós dois rimos de sua expressão infantil.

Alice era tão inocente e feliz para está nesse mundo de violência.

Ainda com um sorriso enorme no rosto e livre das mãos de Alice, eu fui para o lado de Edward enquanto ela ainda resmungava alguma coisa engraçada pela a retaliação de seu irmão.

Edward deu seu sorriso satisfeito e perfeito em minha direção e pegou a minha mão, entrelaçando os meus dedos com o seu. Com as nossas mãos juntas, levou a sua até minha face e afagou minha bochecha vermelha.

Ele sorriu quando viu minha face enrubescer ainda mais.

- Tem como ficar mais apaixonado por você? – Sussurrou perto do meu rosto com sua voz mais rouca do que o habitual. – A tarde de ontem só me fez te amar ainda mais, Bella. Eu não consigo te tirar da cabeça.

Mordi os lábios, sentindo minhas bochechas esquentarem por causa da lembrança do que fizemos na tarde anterior, e satisfeita com as suas palavras, entornei meu braço em seu pescoço e trouxe sua boca para a minha.

Ele me beijou docemente, ainda com um dedo tocando a minha face.

- Pode apostar que da minha você não sai um segundo. – Eu afirmei, mordendo os lábios enquanto fitava seus olhos imersos em um verde puro e satisfeitos.

- Argh... – Nós ouvimos o som de nojo vindo do nosso lado. – Dar para você pararem com etoda essa melação? Isso me dar embrulho no estomago. – Alice resmungou emburrada.

Edward revirou os olhos e lançou um olhar assassino em direção á ela.

- Alice, cadê o Jasper? Por que você não vai procurar por ele, hein? – Ele perguntou emburrado, tentando tirar sua irmã do nosso lado.

Alice cruzou os braços e apontou o queixo para algo atrás de nós.

- Eles estão ali. Esperando por nós. – Ela lançou um olhar debochado para Edward.

Eu virei a cabeça e pude ver os amigos de Edward conversando tranquilamente na porta do colégio.

Emmett me viu e soltou um sorriso de deboche para mim – no mínimo tirando onda do meu aperto em Edward -, enquanto Jasper sorria timidamente e voltava a atenção para Alice. Rosalie era a única emburrada, já que Seth e o outro garoto sorriram para mim divertidos. Eu estava começando a gostar bastante deles – excluindo Rosalie, é claro.

Antes que eu pudesse chamar Edward para nos juntarmos aos amigos dele e entrarmos no colégio, eu senti o seu corpo enrijecer ao meu lado.

Eu levantei a cabeça, procurando ver o seu rosto.

- O que foi? – Perguntei quando vi sua expressão fria, olhando para algum ponto em minhas costas.

Assim como Alice, que franziu o cenho com a mudança de humor do seu irmão, eu olhei na direção do ponto que ele olhava de maneira sombria e fixa.

- Espere aqui. – Edward falou quando soltou os braços da minha cintura no mesmo momento em que eu vi para quem ele estava olhando daquela maneira. Jacob.

- Espere. – Pedi, segurando o seu braço antes que ele se soltasse mais. Ele fechou os punhos. – Você não vai fazer nada, não é Edward? – Perguntei, temerosa.

- Bella, eu preciso conversar com ele. – Ele falou em tom determinado e se soltou das minhas mãos com facilidade.

- Bella, o que foi? – Alice perguntou urgente ao meu lado, vendo os passos do seu irmão ao inimigo.

Eu rugi impaciente e sem lhe responder, segui atrás de Edward.

Se o deixasse sozinho eu não sabia o que podia acontecer. Ele estava com raiva por Jacob ter se metido em sua vida. E isso era pior para mim se acontecesse uma luta ali, já que a culpa era minha por ter contado que fora Jake quem me disse sobre a história de Edward.

- Espere, Edward. Por favor... – Eu insisti atrás dele.

Ele andava a passos largos em direção a Jacob, que estava com seus amigos quase no portão de entrada do colégio.

Os alunos que estavam do lado de fora do colégio seguiam os nossos passos, provavelmente vendo a expressão que estava surgindo no rosto de Edward quando ele ignorou totalmente o meu pedido e seguiu o seu caminho. Eu bufei pela a falta de resposta e praticamente tive que correr para alcançar o seu caminhado.

Quando Edward chegou perto de Jacob, que ainda estava de costas para nós, eu me postei para ficar ao seu lado, segurando seu punho que ainda estava formado em uma bola.

- Jacob. – A voz de Edward foi friamente cortante até para mim, enquanto ele o chamava.

Jacob se virou confuso em nossa direção e quando viu Edward com sua expressão sombria e comigo ao seu lado, também fechou a cara.

Seus amigos ficaram na defensiva ao seu lado, preparados para algo que Edward fizesse com o líder deles.

E eu? Bem, eu queria me matar. Era para eu ter insistindo a Edward em não querer tirar satisfações com Jake sobre a história que ele me contou. No entanto, eu não sabia que Edward ia ser capaz de querer tirar satisfações daquela maneira – frio e prontamente preparado para uma briga. Ele não era de fazer isso.

Mas, claro, por que eu não percebi antes que qualquer coisa que vinha de Jacob era uma ameaça para Edward. Qualquer coisa que Jacob fizesse para Edward ou qualquer outra pessoa próxima a ele era motivo para ele mudar toda a sua essência pacificadora. Era como se Jacob fosse o único capaz de tirar Edward do limite.

Eu podia ver os olhares hostis que um lançava para o outro e desejava veemente, que um dia isso tivesse fim. Eu tinha as tolas esperanças que um dia eles pudessem virar amigos de novo. Lógico que a única esperançosa nesse aspecto era eu. Era óbvio que Edward e Jacob agora mais se pareciam como água e vinho. Nunca mais se misturariam. Nunca mais voltariam a coexistir um junto do outro.

Essa era um realidade que eu tinha que aceitar – e agüentar.

- Cullen? O que quer? – Jacob ergueu o queixo, desafiante.

Cruzou os braços sobre o peito, como uma forma de proteção ou, talvez, de retaliação, já que seus músculos se flexionaram ainda mais em sua camisa preta, assustadores para qualquer outra pessoa.

- Jake, eu fui... – Tentei falar antes de Edward, mas ele não me deixou.

- Bella, deixe-me que eu fale com ele. OK? – Edward me cortou e olhou mais frio para Jacob.

Eles dois trocaram um olhar nada amigável.

- Da próxima vez que você se meter em minha vida, você vai se ver comigo. Será que me entende? – Edward alertou de maneira dura. Era estranho ver o quanto ele podia ser ameaçador quando queria.

Jacob franziu o cenho, visivelmente confuso com as palavras de Edward. Eu tratei de explicar e, ao mesmo tempo, me desculpar, antes que algo pior acontecesse entre aqueles dois.

- Jake, fui eu. – Eu falei apressada, antes que Edward me cortasse de novo.

Edward apertou os punhos sobre a minha mão quando Jacob virou a face para mim. Eu suspirei.

— Eu... Eu contei para Edward que foi você quem me disse sobre a história dele. Eu sei que eu prometi não contar, me desculpe. Mas... Mas, vocês não precisam brigar por causa disso, certo? Desculpe-me mesmo...

Mordi os lábios, constrangida e me sentindo culpada pela a tensão que saia dos dois. Só serviu para piorar ainda mais a relação violenta entre eles.

Jacob franziu suas sobrancelhas grossas e depois seus olhos ficaram mais suaves quando ele se lembrou.

- Ah! Sim. – Lembrou-se e sorriu um pouco debochado para Edward. – A história da sua vida que eu contei para ela. Não se preocupe, Bella. De alguma forma, eu sabia que você iria comentar com ele. – Apesar de ele esta falando comigo, seus olhos não saíram do rosto de Edward, como se ele o estivesse provocando.

Jacob e Edward eram como os dois lutadores oponentes de uma luta livre. Eles tentam arrumar de todas as formas possíveis um motivo qualquer para atacar um ao outro. Como Edward me dissera uma vez, era quase impossível pensar que um dia eles foram amigos.

- Pois é. – Edward sibilou ao meu lado. – E eu não quero que você se meta mais na minha vida. Entendeu?

- Ela merecia saber, Cullen. – Jacob sorriu debochado, enquanto eu bufava resignada. – Ela merece saber sobre a vida de quem ela está mexendo.

- Você só a deixou assustada. Acha que eu não consigo protegê-la dos perigos? Meu motivo para não falar para ela sobre isso foi para não deixá-la ainda mais assustada nesse mundo, que você, no começo, fez questão de tornar pior. – Edward acusou de maneira dura.

Jacob não gostou da frase. Ele cerrou os dentes e juntamente os punhos, dando um passo á frente, como se fosse atacar Edward. Seu grupo parecia preparado também quando se moveu juntamente com ele.

Antes que alguma coisa acontecesse, eu me pus no meio eles.

- Já chega, por favor. Vocês não vão começar uma briga aqui por causa disso, não é? – Eu perguntei chateada, mas os dois ainda se encaravam de maneira brusca.

- Está acontecendo alguma coisa aqui, Edward? – Emmett perguntou, aproximando-se com todo o grupo dele para perto da gente.

Era só o que faltava para completar a confusão!

- Não, não está. – Minha voz saiu grave, enquanto eu queria que aquilo acabasse. – Vocês dois, parem.

Eu olhei para Edward, implorativa.

— Edward, lembre-se quem você é nesse colégio. Quer que eles confiem em você ou não? – Eu perguntei e o empurrei um pouco para trás, vendo que todos os alunos olhavam a confusão, curiosos.

Quando ele ouviu minha frase, seus dentes se descerraram e sua face se tornou lívida, trazendo-o de volta a calma. Eu suspirei aliviada quando percebi que não teria que intervir em mais nada.

- Só um aviso. – Ele falou para Jacob antes de ir embora. – Se falar para ela mais alguma coisa da minha vida que eu não lhe de permissão, eu não vou deixar barato. – Ele sibilou na última parte.

- Eu estou morrendo de medo. – Jake cruzou os braços, com um sorriso cínico.

- Jake... – Repreendi-o. – Você prometeu que não iria mais fazer isso. – Alertei-o também.

- Ele quem começou, Bells. – Ele falou meio entediado, rolando os olhos para mim.

- Tudo bem. – Eu concordei e me virei para Edward, pegando a sua mão. – Vamos, Edward, vamos.

Eu lhe puxei, tentando arrastar também seus amigos.

- E vocês também, ninguém aqui vai brigar.

Edward cedeu e chamou os seus amigos. Todos saíram olhando torto para a gangue de Jacob. Todos eles pareciam esperançosos para uma briga. Será que eles não viam que isso só poderia piorar as coisas?

- Vamos, a Bella está certa.

Com o consentimento de Edward, todos saíram de suas posições defensivas e depois de encararem mais uma vez o grupo de Jacob, que tinha os braços cruzados sobre os peitorais fortes como se fosse algo encenado, começaram a vi em nossas costas.

Eu suspirei aliviada quando vi que ninguém ia brigar e olhei para Edward, meio repreensiva.

- Francamente, Edward. – Reclamei. — Você não precisava fazer aquilo. – Eu falei meio irritada e tirando a minha mão da sua, cruzando os braços meio emburrada. – O Jacob só me contou porque eu insisti demais. Não tinha que querer arrumar confusão. O que há com você? Pensei que queria paz nesse colégio. – Minha voz se elevou gradativamente com o medo de que a imagem de Edward mudasse por causa de mim e eu bufei, contrariada.

Edward me olhou assustado quando viu meu irritamento e veio para a minha frente, meio desesperado.

- Bella, Eu... Eu... Você está com raiva disso? – Perguntou, encarando a minha face com desespero.

— Claro que eu estou, Edward. Não quero ver você brigando, inclusive aqui, inclusive por uma coisa que eu fiz. Pelo Amor de Deus. – Elevei os braços pra cima, frustrada.

- Bella, me desculpe, me desculpe mesmo. – Ele pediu implorativo. – Eu errei, eu errei mesmo me desculpe. Eu fui um idiota. Desculpe-me. Eu não sei o que estava pensando, é só que Jacob me tira do sério.

- Tudo bem, Edward. – Suspirei, tentando me acalmar um pouco. – O importante é que vocês não começaram uma guerra ali.

Revirei os olhos e peguei a sua mão novamente.

— È só que eu... – Continuei. — Eu não quero que você mude seu jeito de ser, seu jeito calmo de ser por causa de coisas que eu faço.

Ele deu um sorriso torto e levou minha mão aos seus lábios, beijando-a com delicadeza. Depois me olhou sobre os cílios, quase tirando todo o fôlego que eu tinha nos pulmões.

- Desculpe-me, Bella. – Sua voz saiu suave. — Eu agir como um bobo mesmo. Eu prometo, de agora em diante, manter a calma.

Dei um meio sorriso, satisfeita, e me aproximei dele, dando-lhe um leve beijo nos lábios.

- Um bobinho apaixonado. – Murmurei com a boca sobre a sua. Ele sorriu satisfeito.

- Por você, sempre. – Completou.

Eu sorri e com as bochechas vermelhas, ajustei-me ao seu lado.

- Agora vamos, as aulas vão começar e seus amigos já estão lá na frente.

Ele assentiu de imediato e desceu as mãos para minha cintura, começando a nos guiar abraçados em direção a entrada do colégio.

Antes de passar pelas as portas, eu olhei para trás, querendo conferir como poderia está Jacob agora – eu tinha que pedir desculpas novamente para ele depois. Ele estava olhando para nós e sua expressão estava... Frustrada? Triste?

Eu franzi o cenho, voltando a face para frente. Por que ele estava daquele jeito?

O dia passou com tranqüilidade. Na verdade, a escola estava bem mais tranqüila agora, nesses últimos dias.

Apesar de ainda ter alguns olhares hostis em minha direção, alguns alunos pareciam está aceitando mais a minha presença naquele colégio. Até falavam comigo, ás vezes, sem repulsa na voz.

Eu há muito tempo já estava me acostumando com aquela rotina. Era legal e eu gostava.

Naquele dia, quando eu cruzava com Jacob pelos os corredores, percebi que a expressão triste ou frustrada que eu vi no começo do dia já não estava mais lá – talvez, eu só estivesse imaginando coisas — e lhe lançava um olhar de desculpas pelo o que eu causei no começo da aula.

Brincalhão como ele era – quando queria, ao menos — ele apenas olhava para mim e dava um sorriso divertido, como se dissesse que eu estava me preocupando a toa. Mas, na verdade, eu estava preocupada por ter dado mais um motivo para Edward não gostar de Jacob.

E eu sabia que eles dois, Edward e Jacob, estariam pensando que eu estava me preocupando a toa.

A questão é que os dois não hesitariam em querer brigar um com outro. Até Edward, que era o cara da paz naquele colégio, sentia raiva dos erros do seu ex-amigo. E isso me deixava aflita.

Porque, afinal, Jacob estava virando realmente o meu amigo. De alguma forma e estranhamente, ele estava mudando para alguém melhor. Não queria ser eu a mudar esse novo caminho que ele estava tomando. E muito menos não queria ser eu a que mudaria a essência calma de Edward. Ser um intermédio entre os dois – namorada de Edward e amiga de Jacob – poderia ficar mais complicada do que eu poderia imaginar.

Seria bom para mim, para a minha paz interior, em não pensar em fazer algo que pudesse magoar os dois de alguma forma. Afinal, eu sabia que Edward não estava satisfeito com essa “amizade” entre mim e Jacob, mas eu não podia fazer nada. Era o meio mais sórdido de se ter algum tipo de paz naquele colégio para nós dois.

Na metade do dia, enquanto nos movíamos para o refeitório com Alice e os outros do grupo de Edward, eu me peguei ansiosa pelo o que ia fazer depois dali.

Alice também parecia até mais ansiosa que eu. Não parava, em se quer um minuto, em falar da minha visita a sua casa depois do colégio. Era como se ela quisesse fazer com que Edward não se esquecesse de sua promessa.

Eu agradecia á ela. Poupava-me o trabalho dessa parte. Com a insistência de Alice, com certeza, Edward não iria desisti de me levar em sua casa.

Mesmo com essa insistência toda da parte de Alice, no final da aula, enquanto nós íamos em direção a minha picape, Edward perguntou:

- Tem certeza que quer ir, Bella? – Ele parecia preocupado. E eu não entendia a sua aversão em querer me levar em sua casa.

Perguntava-me se ele tinha medo do que eu poderia ver. Talvez, ele estivesse temeroso que ao ver o tipo de moradia ele residia, de alguma forma, eu visse o quanto nós dois éramos diferente economicamente.

Talvez, ele só estivesse com medo de que com essa visão, eu fosse largá-lo.

No entanto, se era isso – esse temor – que ele tinha em mente, ele não me conhecia o bastante. Eu já não me importava com o dinheiro, onde ele morava, com quem ele morava ou como ele vivia. Eu apenas me importava com a pessoa interior dele – a brilhante e bondosa alma que Edward tinha dentro de si.

- Claro que ela tem. – Alice falou ao meu lado, carregando Jasper com si, tomando a minha vez de falar.

- Alice. – Edward sibilou. — Eu gostaria que você me deixasse conversar com a minha namorada, á sós. – Ele finalizou emburrado.

- Não quando você tá querendo fazer a garota mudar de idéia de uma coisa que ela quer. – Alice rebateu, impaciente. — E você sabe que Esme também quer isso. Então, leve-a logo de uma vez para conhecer a nossa casa. Eu tenho certeza que nada mudará.

Aquilo me assustou. Será que era tão terrível assim onde eles moravam? Peguei me imaginando eles morando em um pequeno quadrado de cimento, onde só havia espaço para que eles colocassem um colchonete puído para dormir.

Franzi o cenho com o pensamento. Pelo o temor de Edward, eu só podia imaginar uma coisa assim. De qualquer maneira, não importava. Outra vez, tudo o que importava era o que Edward era e não o que ele tinha.

Edward suspirou com a impaciência por causa da teimosia de Alice e nós paramos quando chegamos á minha picape.

- Ela está certa. – Eu concordei com Alice, tomando a decisão de intervir e deixar bem claro a minha vontade. – Eu quero ir á sua casa e não vou desisti.

Edward revirou os olhos e Alice deu um sorriso vitorioso ao meu lado. Virou-se para Jasper e se despediu dele com um beijo rápido.

Jasper, junto com todos os outros, moravam, pelo o que eu sabia, na mesma localidade de Edward e Alice. Eu tentei persuadi-lo a ir com a gente na picape, mas Jasper disse que tinha que passar, junto com Emmett e os outros, em algum lugar que ele não quis dizer o nome.

- Tchau Bella, Tchau Edward. – Ele se despediu de nós dois e nós abandamos com a mão enquanto ele já seguia para fora do colégio com os outros o esperando.

- Então, próxima parada é nossa casa, certo? – Alice perguntou animada enquanto entrava no banco da minha picape, onde iríamos dividir o espaço.

- Com uma irmã dessas, quem precisa de inimigos? – Edward comentou com um falso tom de irritamento enquanto me ajudava a subir na picape.

Eu rir, juntamente com Alice. Edward contornou o carro e entrando do lado do motorista, assumiu o volante. Ele fechou a porta e ligou o motor, dando vida ao carro.

- Aaa, eu nem acredito Bella. Vamos nos divertir tanto hoje a tarde. Os meninos vão para lá e nós vamos... – Alice começou a tagarelar com sua voz de soprano enquanto Edward já botava o carro em movimento e saia do colégio.

Ele pegou uma rua que eu nunca cogitei a seguir. Era um lado totalmente oposto ao que eu pegava quando ia para casa. As ruas eram mais vazias e pareciam mais sombrias naquela área de Forks.

Procurei não me concentrar no rumo que tomava e deixei Edward seguir seu caminho enquanto eu conversava animadamente com Alice, que estava totalmente entusiasmada.

No entanto, ver a expressão concentrada demais de Edward e, também, perceber o quanto ele estava calado, só falando quando Alice fazia alguma piada para aborrecê-lo, me preocupou.

Ele parecia realmente receoso ao me levar para onde morava, diferentemente de Alice, que parecia não se preocupar com nada a não se ficar conversando e me deixar distraída com sua animação.

Em dado momento, Edward entrou em uma estrada de Forks que tinha paredes de altas árvores dos dois lados. Depois de alguns minutos que ele pegou a estrada, houve uma bifurcação em que ele entrou para a direita.

Estávamos na parte costeira de Forks, andando em uma estrada que dava de frente para o mar escuro e cinza. Era como se estivéssemos na mesma estrada de La Push, só que do outro lado de Forks.

Eu fiquei meio ansiosa e agradecia por Alice está conversando comigo, pois meus pensamentos se entristeceram quando eu pensei que Edward andava aquilo tudo, toda noite, para ir á minha casa. E olha que nós ainda nem havíamos chegado.

Edward dobrou novamente em uma estrada estreita e escurecida pelas as copas espessas das enormes arvores que cobriam o céu escuro de Forks. Quando a estrada chegou ao fim, eu cerrei os olhos para compreender o que surgiu diante de mim.

Era como uma comunidade em uma campina quadrada.

Novamente, a analogia a La Push veio em minha cabeça; ali era parecido com a reserva Quileute, só que com casas bem mais... Pobres.

Havia muitas moradias de cimento, semi terminadas e até de taipa e tijolos, alojadas lado a lado.

Nesse momento, enquanto eu observava onde estava, percebi que Alice não falava mais e que o silêncio no carro chegava ser até tenso.

Edward seguiu pela a comunidade, entrando em uma rua qualquer, fazendo-me ver, enquanto ele adentrava mais e mais, a pobreza na minha frente; esfregada de maneira dolorosa e cruel na minha cara.

Pude perceber o quão comum e doloroso eram ver as crianças andando pelas as ruas, sem muito que vesti no frio intenso de Forks; alguns idosos, mulheres e homens que se alojavam nas ruas como se fossem suas casas, utilizando um único papelão para se cobrir e se esquentar; jovens que andavam fumando pelas as ruas- apesar de muitos não terem atingindo nem seus dezesseis anos de idade – com tranqüilidade e frivolidade.

Eu suspirei profundamente ao ver as cenas diante de mim, um mundo real da qual eu nunca conheci e que chegava a ser impactante ver daquela maneira crua e real.

E eu ainda reclamando do que tinha, com tantas pessoas vivendo pior.

Edward seguiu por uma rua longa de terra por alguns minutos e parou em frente a uma casa bem mais afastada da civilização da comunidade.

A casa pequena quadrada de cimento era escondida entre as arvores densas; ela não ocupava mais do que uma quadra dali.

Quando Edward desligou o motor, o silêncio foi mortal.

De repente, percebi que os dois estavam olhando para mim apreensivos, como se estivessem esperando uma reação de... Nojo?

Tentei controlar a voz ao falar:

- Então, chegamos? – Perguntei com tranqüilidade.

Claro que eu estava assustada. Mas, não com fato de eles morarem ali – acho que já tinha passado dessa fase de não imaginar mais nada cruel nesse mundo – mas, como poderia haver pessoas morando naquelas condições que eu vi enquanto seguia pelas as ruas.

- Sim. – Foi um leve sussurro que saiu dos lábios de Edward. Ele estava tenso. – È essa casa da frente. – Apontou para casa de cimento.

Ela não parecia ser tão desconcertante como Edward parecia fazer-la ser ou como os meus pensamentos imaginaram. Analisando ela com cuidado, podia dizer que era simples, mas uma das melhores dali.

- Você não está assustada, não é? – Dessa vez foi Alice. Ela não parecia tensa, apenas cuidadosa. – Você não vai vomitar ou algo assim, não é? – A voz dela parecia mais divertida que temerosa.

Levantei as sobrancelhas, surpresa pelo o que eles esperavam de mim e revirei os olhos.

- È claro que não. Eu disse a vocês. Nada me surpreende. – Dei de ombros.

Edward bufou e saiu do carro. Contornou-o para me ajudar com o cinto.

- Porque você não vem aqui de noite... – Ele falou, enquanto me ajudava a desafivelar o cinto de mim e de Alice. – Se bem que eu nunca vou trazer você aqui de noite.

Eu desci com a ajuda que ele ofereceu da sua mão e Alice veio atrás de mim. Eu olhei para ele, confusa com o seu comentário.

- Por que não de noite? – Perguntei curiosa.

- Bella, aqui de noite é meio... – Alice franziu os lábios, procurando as palavras. – Assustador. – Completou e deu de ombros, dando um sorriso de orelha á orelha, como se o que ela estivesse falando ali fosse algo que lhe agradava.

Ela passou por mim e seguiu para a porta de madeira crispada da casa.

Eu olhei para Edward, tentando entender do que eles falavam, mas ele apenas pegou a minha mão e começou a me guiar na mesma direção que Alice.

Alice chegou á porta, juntamente com Edward e eu ao seu lado, abriu-a e entrou na casa.

Hesitante, Edward passou na minha frente e me puxou pela cintura, nos levando para dentro da casa.

- Bem, Bella... – Ele falou com a voz baixa em meu ouvido. – Conheça a minha casa.

Ao escutá-lo falar isso, eu desviei os meus olhos dele e me fixei à frente, para o interior de sua casa. Passei os olhos por tudo o que havia dentro dela.

Ela podia ser pequena – sim, definitivamente pequena -, mas era bem organizada.

Todas as paredes eram de cimentos, como se a casa tivesse sido começada a ser construída e parada no meio de seus serviços. O chão era de uma cerâmica branca e meio escurecida, como se já estivesse velha.

Eu e Edward estávamos na entrada de uma espécie de sala que poderia se resumir como a casa toda, já que na parede sul – oposto ao lado em que estávamos parados — havia três portas de madeira de cor vermelha; uma ao lado da outra. Concluir para mim que ali só poderiam ser os quartos.

Ao lado da última porta, havia uma cozinha dividida por um balcão também de cimento. Ao lado da cozinha, um pouco mais afastado, existia outra porta. E era só.

O resto era tudo de sala, que possuía do meu lado esquerdo um sofá vermelho puído, com um tapete também puído no meio dele e uma televisão pequena em frente ao cômodo. Do lado havia uma mesa de madeira redonda com quatro cadeiras.

Onde não havia moveis, a casa era ampla em um quadrado distribuído de maneira igual. Era como uma caixa de sapatos pequena que possuía furos somente de um lado. Mas, no geral, aquele quadrado que era casa de Edward, mesmo que fosse pequena, era tão estranhamente organizada que chegava a ser confortável.

- Aaah, Bella. – A voz de Carlisle me tirou a atenção da minha análise da sala.

Carlisle passava pelo o balcão que dividia a sala da cozinha com um sorriso enorme no rosto. Atravessou a sala em menos de três passos e me deu um abraço carinhoso.

- Carlisle. – Murmurei, feliz por poder abraçar meu professor preferido.

Ele não tinha aulas dia de segunda, por isso não foi hoje para a escola.

- Então... – Ele se separou de mim e olhou para Edward de relance, como se quisesse ver o seu estado de espírito. – Esse é nosso pequeno aperto, mas você sempre será bem vinda aqui. – Ele falou entusiasmado.

Eu sorri, sentindo-me estranhamente confortável naquele lugar.

- Obrigada. – Murmurei constrangida.

Ele sorriu mais uma vez e começou a seguir para a cozinha novamente.

- Eu vou voltar a fazer o meu almoço. Esme está se trocando, logo aparecerá para lhe ver. – Então desapareceu na cozinha e eu pude ouvi-lo mexendo em panelas.

Alice, que estava ao nosso lado, se moveu até o sofá, saltitante como sempre, e se jogou no mesmo, dando uma espreguiçada e ligando a TV.

- Então, o que você achou? È tão ridículo quanto você estava pensando? – Edward perguntou em voz baixa enquanto ainda estávamos parados a alguns passos da porta de entrada.

Sua voz estava curiosa, mas ao mesmo tempo hesitante. Eu sabia que ele estava esperando alguma atitude de recusa minha. Talvez ele estivesse esperando que eu saísse correndo dali, dizendo que ele não servia para mim.

Quando eu me virei para olhar os seus olhos, foi exatamente isso o que eu pude ler em sua expressão. Ele estava com medo. Estava com medo de que eu o abandonasse por conseqüência do que ele me mostrara.

Ele ainda não me conhecia profundamente para não saber que isso nunca aconteceria.

- Não. – Eu falei com sinceridade, fitando seus olhos verdes. – È confortável. Não é grande, mas é organizado.

Ele franziu o cenho por algum tempo, pensativo sobre alguma coisa, e depois de analisar a minha resposta deu o meu sorriso torto preferido, mesmo que ainda parecesse tenso.

Nessa hora, a porta ao lado da cozinha se abriu com um estalo. De lá, saiu um mulher de cabelos castanhos. Eu concluir que ali só poderia ser Esme.

- Mãe. – Alice praticamente pulou do sofá e correu para Esme antes que ela nos visse. – Olha, é a Bella. – Ela falou empolgada.

Esme, com um sorriso no rosto, virou-se para nos encarar.

Ela tinha os olhos castanhos intensos, da cor dos de Alice, e seu cabelo era liso com pequenos cachos delicados na ponta. Seu rosto era um pouco mais pálido de que todos ali, mas sua feição era doce e muito materna. Ela me lembrou aquelas mulheres de anos passados, quando as garotas tinham que usar ainda vestidos longos e largos para sair de casa.

Apesar de Edward ter me falado que ela tinha câncer, eu não pude perceber vestígios da doença no sorriso brilhante que ela deu quando nos viu parado em frente à porta.

Eu sorri, quase sem querer, e Esme começou a se dirigir até nós.

Rapidamente, Edward que estava meio tenso, relaxou. Eu lancei um olhar rápido para ele – ele estava sorrindo suavemente – e depois voltei para Esme que já estava na minha frente, abraçando-me de maneira carinhosa.

- Olha só para você. Como é bom conhecê-la, querida. – Ela falou enquanto eu passava, hesitante, os meus braços por ela.

Ela me afastou depois de um tempo e me segurou pelos os ombros, afastando-me um pouco como se quisesse me analisar. Sentir-me corar pelo o sorriso doce que ela me dirigiu.

- Você é ainda mais bonita do que todos nessa casa aqui falam.

Sorrir sem graça, sentindo-me ficar ainda mais vermelha.

- Obrigada. È muito bom conhecê-la também. – Eu falei com sinceridade e ela sorriu.

De novo, eu procurei ver em seus olhos algo que me demonstrasse o sinal da doença dela. Não havia. Eram totalmente animados e gentis.

Ela me lembrava muito o Carlisle e foi nesse ponto que eu vi o quanto os dois formavam um casal perfeito.

Finalmente, eu podia conhecer a mãe de Edward e saber quem foi a mulher que um dia Carlisle lutou no passado. Nos olhos de Esme, também não havia nenhum vestígio de arrependimento da escolha que ela fez ao ficar com Carlisle.

Isso me animou. Deu-me esperanças de que Edward e eu poderíamos lutar contra qualquer barreira que se opusesse ao nosso relacionamento.

Antes que eu pudesse fazer ou falar mais alguma coisa, Esme passou os braços pelos os meus ombros, substituindo os de Edward, e começou a me guiar para o sofá, enquanto ainda falava:

- Querida... È Bella, não é? – Perguntou docemente e eu assenti. – Não precisa ficar envergonhada desse jeito aqui. Na verdade, Edward me contou muito coisa sobre você e eu estou realmente feliz em conhecê-la. – Ela sacudiu a cabeça, decepcionada. — Todo mundo nessa casa conhecia a garota que estava tornando meu filho ainda mais feliz e bonito, menos eu. Isso é meio injusto, você não acha?

Eu sorri.

- Isso é tudo culpa de Edward. – Eu falei de maneira divertida e ela riu.

- Eu sei...

Ela revirou os olhos e eu pude ouvir Edward bufando divertidamente atrás de nós.

- Sente-se querida. – Ela apontou o sofá e eu me sentei.

Alice já estava deitada no tapete, enquanto passava os canais da televisão.

Edward fechou a porta, que até então estava aberta, e veio se sentar ao meu lado, no chão, segurando a minha mão e deixando o sofá somente para mim e Esme.

- Vocês devem está morrendo de fome. – Esme comentou e Alice olhou para ela com um sorriso de confirmação expresso no rosto. – Carlisle está preparando algo para vocês comerem.

- Isso é ótimo. – Edward afirmou e passou a mão em sua barriga. Olhou para mim meio encabulado e sorriu. – Você não se importa de comer aqui, não é? – Perguntou cauteloso.

- È claro que não. Na verdade, eu também estou morrendo de fome. – Sorri para ele e Esme deu uma risada ao meu lado, que foi acompanhada por Alice.

Era incrível a sensação de família reunida ali. Apesar do ambiente em que nos encontrávamos, era agradável. Eu me sentia estranhamente em casa.

Era bom senti as mãos de Edward na minha e sua cabeça repousada em meu joelho enquanto ele acompanhava a televisão exatamente como Alice, que parecia bastante compenetrada no que via; Esme conversando comigo gentilmente, perguntando coisas sutis sobre mim, e Carlisle assobiando animado na cozinha enquanto cozinhava algo que o cheiro estava dando água na boca.

Eu via, que apesar das dificuldades, do espaço pequeno, do mundo lá fora que rodeava a casa deles, os Cullens faziam a própria bolha de felicidades deles naquele espaço, naquele pequeno quadrado que era a casa dele, mas, ainda assim, sem deixar de se preocupar com outros.

Isso era reconfortante. Afinal, quantas pessoas viviam por ai no mesmo estado de limitação dos Cullens e não tinham a animação e a esperança que cada um deles tinha?

Eu podia concluir que eram muitos, apesar de ter abrindo os olhos para esses aspectos do mundo somente a pouco, quando conheci Edward.

Eu e Esme conversamos muito. Ela era gentil, doce. Agia como se já me conhecesse há bastante tempo. Eu não senti vergonha por muito tempo enquanto conversava com ela, embora algumas de suas perguntas sobre o meu relacionamento e o de Edward me fizessem corar.

Edward às vezes se metia na conversa, assim como Alice, que mesmo prestando atenção na televisão não deixava de escutar o que nós conversávamos.

Esme me perguntou o que eu estava achando de Forks, como era minha vida antigamente e como eu e Edward nos conhecemos.

Ela não parecia ressentida ou preocupada diante das dificuldades que claramente eram expostas no relacionamento entre mim e Edward. – afinal, ela viveu isso com Carlisle.

Na verdade, toda vez que Edward afagava o meu joelho e lançava um sorriso brilhante para mim, Esme brilhava os olhos de uma maneira como se tivesse ganhado o melhor presente de natal.

Foi nesses poucos minutos que eu passei com eles, que eu compreendi o que Edward quis dizer quando falou que tinha uma família maravilhosa e que só fora capaz de mudar o ódio que sentia por James por causa deles.

Era impossível não mudar o jeito, o modo de ver o mundo quando se tinha uma família daquele jeito.

Eu gostava. Eu gostava verdadeiramente daquilo.

- Oh! Você pinta? – Esme perguntou com um sorriso carinhoso nos lábios, bastante empolgada quando Edward falou das minhas pinturas; exagerando tanto nos elogios que me deixou constrangida.

- Na verdade, são obras de arte, mãe... – Ele completou, olhando-me de canto dos olhos e provavelmente se divertido com minhas bochechas vermelhas. – Assim como eram as da senhora. – Ele emendou.

Esme suspirou, mas não foi um suspiro triste, foi um suspiro nostálgico.

- Você pinta também? – Perguntei cuidadosa. Não queria parecer intrometida.

- Pintava. – Ela murmurou e lançou um sorriso doce para mim. – Eu fazia cursos de artes antes de meus pais morrerem. Depois disso, não pude mais cursar.

- Aah. – Exclamei, fazendo Edward e Esme sorrirem. – Aposto que deve ser melhor do que eu. As minhas pinturas não são lá muito boas. – Suspirei. — Edward porque você não me disse que sua mãe pintava? – Eu perguntei, lançando um olhar meio emburrado para ele.

- Primeiramente. – Ele apertou sua bochecha em meu joelho. – Suas pinturas são as mais bonitas que eu já vi. – Ele lançou um olhar de desculpa para Esme. – Desculpe mãe, mas Bella tem um talento tão incrível que fica até na frente da senhora.

Esme riu, nem um pouco incomodada.

- E eu não te falei sobre isso com você, porque você não perguntou. – A frase poderia ter saído divertida, se ele não tivesse dado um suspiro pesado e tivesse abaixado a cabeça para o chão.

Eu franzi os cenhos, procurando entender a sua reação.

- Fico tão feliz que Edward tenha te encontrado. – Esme me tirou dos pensamentos. – Sabe ele era feliz, mas quando você apareceu na vida dele, trouxe outra coisa para ele. Esperança. O brilho nos olhos dele. Alice já estava namorando Jasper, que também é um ótimo rapaz... – Alice virou a cabeça, já que estava deitada de busto sobre o cotovelo, e deu um sorriso satisfeito. – E eu já tinha o Carlisle, então só faltava Edward. E olha, que quando veio não podia ter sido melhor.

Ela deu duas palmadas carinhosas em minha mão e sorriu satisfeita.

Eu sorri, constrangida. Eu é que deveria agradecer por Edward ter me encontrado e me aceitado em sua vida.

- Obrigada. – Sussurrei, abaixando a cabeça.

Eu apertei a mão de Edward, feliz por ser bem aceita naquela casa. Queria eu que fosse do mesmo jeito na minha.

- A comida está pronta. – Carlisle anunciou de maneira empolgada, colocando uma enorme tigela com lasanha no meio da mesa redonda.

Estava tão concentrada na conversa de Esme que mal o percebi arrumando a mesa.

Alice foi a primeira pular do chão e correr para a mesa. Ela respirou fundo e suspirou quando se sentou na cadeira.

- Se todas as vezes que Bella viesse aqui o almoço fosse assim. – Ela comentou e lançou um olhar divertido para mim. – Bella, você poderia vim aqui todo dia?

Todos nós gargalhamos e depois Edward me levou, sempre com a mão enroscada na minha, para mesa. Sentamo-nos na roda de sua família unida.

Nós comemos entre conversas e risadas, enquanto eu realmente apreciei a lasanha de Carlisle.

Esme me falou mais um pouco sobre sua vida, depois Carlisle contou algumas das atrapalhadas dele no colégio enquanto eu ria de algumas coisas que ele achava graça.

Alice às vezes interrompia a conversa, dizendo frases engraçadas e tirando gargalhadas da gente.

De quando em quando, no meio desse almoço animado, eu olhava para Edward, procurando ver sua expressão. Uma onda de alivio me atingia toda que eu via que ele estava relaxado e rindo, assim como eu.

Quando eu terminei de almoçar, tentei lavar a louça ou ao menos o meu prato, mas Esme fez questão de fazer isso, não me deixando nem triscar na pia de lavar pratos.

- Ela gosta de ser natural. Não agir como se estivesse doente. – Edward sussurrou em meu ouvido quando a mesa já estava sendo tirada e só nós dois estávamos sentados nela. – Isso faz com que ela não queira que os outros fiquem se preocupando muito com ela.

- È um absurdo. – Eu sussurrei também com ele, a conversa contida só entre a gente, enquanto eu visualizava Esme e Carlisle na cozinha lavando e arrumando os pratos com sorrisos. – Como ela pode ter isso, sabe? Como ela pode ter que morrer um dia?

- Bella, todos nós morremos. – Edward sussurrou em resposta. – Mas, Carlisle faz de tudo para atrasar isso. Ela tem muitos anos pela a frente ainda.

Eu suspirei, um pouco aliviada. De alguma forma, Esme já era alguém importante para mim.

- Que bom. – Eu murmurei.

Ele sorriu e se levantou da cadeira, me puxando pela a mão. Só estávamos nós dois conversando. Alice estava esparramada em frente á televisão, decidindo se dormia ou assistia.

Edward começou a me guiar para a porta do canto, a primeira do lado esquerdo.

- Quer conhecer o meu quarto? – Ele perguntou, cuidadoso.

Eu sorrir animada.

- Isso parece ótimo – Respondi satisfeita.

Ele sorriu em resposta e quando chegamos á porta, ele parou hesitante e colocou a mão na maçaneta.

Olhou para mim antes de girar e falou com sua voz de veludo:

- Bella, conheça a outra parte do meu mundo.

Então, ele abriu a porta, dando espaço para que eu conhecesse mais um pouquinho o mundo da incrível pessoa que ele era.

Notas finais
Então? Gostaram? HIHI
Próximo capítulo é bem divertido e... Tenso. kkkkkk.
Comentem e me digam o que acharam, não esqueçam disso.
Beeeeijos ;*