Aprendendo a Viver.
10 Capítulo 9 - Julgamentos.
Notas iniciais
Desculpem-me a demora, eu fiquei sem net, incapaz de postar antes, mas aqui está. :D
Espero que vocês gostem dele. Mostra Bella e Edward no colégio e a parte que alguns até estavam ansiosos - Bella conhecendo os amigos de Edward.
Obrigada a todos os comentários do capítulo passado, eu realmente fiquei feliz. E principalmente, á Kah_ Nanda que mandou uma recomendação. *---* Brigada, ficou muito fofa sua recomendação.
Divirtam-se e comentem. :D
Capítulo 9 — Julgamentos.
Minha picape sacolejou um pouco quando eu apertei impaciente, o acelerador para entrar no colégio. Mais um início de semana começava e daquela vez as coisas eram bem mais diferentes. Minha mente não parecia acreditar que tanta coisa poderia ter mudado em somente sete dias da minha vida.
Como eu podia está loucamente apaixonada por alguém em apenas uma semana? Era tão de repente assim o amor; a paixão? Ou era só loucura? Ou era algo a mais?
Quando eu estacionei o carro no meu local de sempre – ciente de ter visto Edward me esperando encostado em outro carro – eu desliguei o motor rabugento da picape, peguei a minha bolsa e sair, sentindo um tremor passar pelo o meu corpo quando o frio invernal daquela manhã me atingiu.
Com passos rápidos, contornei o carro. Dessa vez, eu não estava ligando para os olhares maldosos e frios em minha direção – olhares que até hoje não diminuíram – eu estava ligando para o garoto lindo de cabelos bronze e olhos verdes, com um sorriso enorme no rosto que estava vindo em minha direção nesse exato momento. Ele era mesmo meu? Parecia irracional pensar que Edward, um garoto extremamente bom e humilde, fosse se apaixonar por uma garota egoísta e mimada como eu.
Sorri quando vi o seu sorriso iluminado que mais parecia com um sol rompendo as barreiras das nuvens espessas. Meus pés começaram a andar mais rápidos mesmo que eu não tivesse pedido.
Eu não sabia como ele iria agir comigo hoje, afinal, namorar trancados em meu quarto era uma coisa, mas, e ali no colégio, do lado de fora do nosso pequeno limite, será que ele ficaria hesitante em mostrar para os outros com quem justamente estava namorando? Isso seria também um obstáculo para a gente; a resignação dos alunos com a sua escolha para namorar? Não podia deixar de sentir medo em relação a isso.
Entretanto, todos os meus temores e questionamentos sobre isso foram dissipados quando Edward chegou perto de mim, pegou as minhas mãos com delicadeza e se inclinou para tocar os meus lábios com os seus lábios gentis. Não houve um único momento de hesitação em seus olhos quando ele pegou a minha cintura e me puxou, aproximando-me ainda mais de seu corpo. Nossos lábios se completaram como é desde sempre.
- O que foi? Parece com medo? – Edward perguntou com um sorriso divertido quando nós nos afastamos e eu olhei ao meu redor para perceber como estavam os olhares. Era como eu esperava; os que viram o nosso beijo não escondiam a insatisfação em seus rostos.
- Acho que eles não ficaram muito satisfeitos com o que viram aqui. – Eu respondi com uma pontinha de humor em minha voz.
Edward sorriu e pegou minha mão para pôr em seu peito, onde seu coração parecia tão acelerado quanto o meu.
- Bella, eu não me importo com o que eles pensem. Eu ajudo a mantê-los a paz nesse colégio. Não é por isso que eles têm que controlar por quem eu me apaixono ou não.
- Fico satisfeita de ouvir isso. – Eu falei convencida. – Namorado. – Puxei-o e o beijei mais uma vez.
Quando nos afastamos, ele deu um largo sorriso e nós dois começamos a seguir sob os olhares raivosos de alguns dos alunos para dentro do colégio. Um pouco ao longe da porta de entrada, eu pude ver a gangue de Edward. Alguns pareciam mais raivosos e outros resignados ou impassíveis. Novamente, a única que parecia não se importar com nada era Alice, a irmã de Edward.
Tivemos que nos separar quando Edward teve que ir para a sua primeira aula e eu para a minha. Entretanto, ele estava com medo de me deixar só, pois apostava que Jacob estaria ainda mais irritado comigo depois do que eu fiz na sexta.
O pensamento de que Jacob poderia fazer ainda algo pior do que ficar me perseguindo pelo o colégio, me fez estremecer. Edward tentou me acalmar, dizendo que arrumaria um jeito de se colocar nas mesmas aulas que eu. Isso não me tranqüilizou muito; enquanto ele não estivesse por perto eu não estaria livre dos olhares hostis – já que não ligava para eles quando estava distraída demais conversando com Edward – e nem de Jacob.
As aulas foram normais. Eu percebi que os alunos hoje estavam mais curiosos em minha direção do que qualquer outra coisa. Eu procurava não me importar – mas já me importando demais quando pensava em não me importar. Quando trocava de aula, eu encontrava Edward no corredor, ele perguntava se estava tudo bem e eu voltava resignada, por não poder ficar ao seu lado, para seguir o meu caminho. Agradeci por não ter encontrado o Jacob uma hora se quer daquele dia. Isso me tranqüilizou um pouco; eu não teria que encarar os seus olhos selvagens de águia mostrando o mal que tinha por debaixo deles.
A aula de Carlisle – a que eu sempre gosto — foi meio tensa. Eu estava de cabeça baixa, desenhando qualquer coisa em meu caderno para tirar os meus olhos da frente e não ter que encarar os olhares dos alunos que se viravam para me olhar, enquanto esperava Carlisle entrar na sala.
De repente, distraída demais com o meu desenho, eu percebi que a sala ficou absurdamente silenciosa. Eu ergui o olhar, confusa com o silêncio abrupto.
Carlisle acabava de entrar em sala de aula e sua expressão não era muito agradável como ela sempre é. Ele pôs com um suspiro longo sua pasta em cima da mesa e pensativo, ficou um momento parado. Depois, com uma expressão de decepção, ele pegou um giz e começou a escrever algo no quadro.
Todos nós alunos ficamos observando-o fazer aquelas atitudes nada comum de suas aulas – habitualmente, ele costumava chegar com um sorriso no rosto e um bom dia animado na ponta da língua. Eu percebi que quando ele começou a escrever as primeiras palavras no quadro, todos os alunos – incluindo eu –, curiosos com o que ele escrevia, inclinaram a cabeça para frente.
Quando ele terminou de escrever, todos pareceram ficar mais tensos.
O QUE VOCÊS QUEREM DE SEUS FUTUROS?
Era o que tinha escrito com letras grandes e maiúsculas no quadro quando Carlisle se virou para nos encarar e veio mais para frente, olhando cada par de olhos que o observava.
Ninguém respondeu nada. Perguntei-me como a sala podia ficar mais silenciosa que aquilo. Nenhum ruído, nenhuma tosse inconveniente vindo de alguém. Assustei-me um pouco; nunca tinha visto a sala tão calma como agora.
Quando ninguém disse nada, Carlisle suspirou resignado e se encostou á mesa dele.
- E então? – Sua voz foi alta e grave quando ele começou a falar. – O que vocês querem dos seus futuros?
Novamente, silêncio. Eu me encolhi na cadeira, procurando ficar o mais invisível possível daquela conversa. Eu sabia o motivo por trás daquela resignação de Carlisle – a briga coletiva da sexta — e sabia também que tinha uma boa parcela de culpa pelo o que tinha acontecido.
- Aposto que não querem continuar na vida que estão. – Carlisle prosseguiu quando ninguém respondeu novamente. – Mas, se querem, por que ainda continuam aqui? No colégio? Vocês não querem ter uma família? Ter um emprego? Não querem se reerguer na vida?
Cada palavra de Carlisle fazia os alunos abaixarem a cabeça, pesarosos.
– O que aconteceu na sexta – Ele continuou — Aquela brutalidade entre vocês todos, deixou-me decepcionado. Fez-me perguntar por que eu continuo aqui, tentando ensinar para vocês o que é melhor para se viver em um mundo como o nosso quando vocês não estão se importando. Eu vejo que ninguém faz questão de escutar. – Ele balançou a cabeça, exasperado, e passou as mãos pelo o cabelo loiro, procurando as palavras. – Violência, aquela violência que vocês fizeram na sexta, machucando um ao outro, não vai levar vocês a canto nenhum. Apenas, para mais o fundo do poço.
“È isso que vocês querem? È isso que vocês esperam dos seus futuros? È isso o sonho de vocês? Continuar vivendo em um mundo de infelicidade, um mundo de criminalidade, de violência e morte? – Ele suspirou e cruzou os braços sobre o peito. — Paz não se constrói assim. Eu venho tentando dizer isso para vocês nesses anos em que estive nessa escola, mas, vocês não me escutam. Alguns parecem se importar com a vida dos outros, com o ambiente dos outros, mas naquela sexta, naquela briga geral entre os alunos, eu vi que ninguém se importava em querer melhorar, em querer ter um futuro, um emprego bom ou uma vida decente construída com estudos. Nem eu, nem o diretor Turner e nem o meu filho Edward conseguiremos carregar vocês todos nas costas por muito tempo. – Suspirou e passou a mão na testa.
O silêncio predominou novamente. Senti que se eu engolisse em seco agora, como estava com vontade de fazer, provavelmente todo mundo iria ouvir. Assustada, esperando que isso não fosse acontecer, eu vi uma mão se erguer do meio da turma.
Carlisle olhou para o garoto, seus olhos suaves demonstrando a ele que ele não teria que ter medo para seguir em frente com o que queria dizer.
- Diga Embry. – Carlisle permitiu a fala.
Quando Embry se levantou, reconheci-o como sendo de um dos pertencentes da gangue de Jacob. Ele era moreno médio, tinha os cabelos curtos e pretos e era forte assim como todo o bando de Jacob.
- Eu acho que vocês estão julgando as pessoas erradas. – Ele comentou com a voz baixa demais. Portanto, quando eu ouvi o que ele disse, senti um leve tremor passar por mim.
Carlisle franziu o cenho, não entendendo o comentário.
- Como assim eu estou julgando as pessoas erradas? – Ele cerrou os olhos e cruzou os braços novamente sobre o peito.
- Aquela briga não teria começado se uma pessoa não tivesse começado. – A voz de Embry saiu mais alta e afiada de tanto irritamente que ele guardava por trás.
Engoli em seco e percebi que dessa vez foi bem audível. Quando Embry terminou de falar e como se todos estivessem programados a fazer isso na mesma hora, vinte pares de olhos se viraram para me encarar. Ofeguei quase sem querer e me encolhi, apertando os braços em minha volta. Eu sabia que eles iam querer me culpar por destruir a “paz” que eles conseguiam manter de vez em quando.
Quando Carlisle percebeu o ato de todos, olhou para mim confuso e depois deu um suspiro.
- Por que vocês estão julgando a aluna Isabella Swan? – A voz dele foi arrastada, quase como se ele não estivesse disposto a perguntar sobre aquilo.
Embry olhou para ele e um dedo acusador foi levantando em minha direção.
- Essa aluna riquinha já chegou arrumando confusão no colégio, professor. Se não tivesse sido ela naquele dia, aquela briga não teria acontecido.
Novamente me encolhi como se suas palavras fossem pontadas de agulha. Ótimo! Mais um motivo para eles pegarem no meu pé. Ele prosseguiu:
- Edward não te contou isso? – Embry perguntou, e eu percebi sua voz sarcástica ao fazer a pergunta para Carlisle.
Carlisle juntou as mãos enquanto eu continuava paralisada no meu canto, com medo de que se eu mexesse um músculo eles me atacariam de alguma forma. Os lábios de Carlisle estavam juntos em uma linha estreita quando ele voltou a falar:
- Sim, ele falou. – Sua voz era calma — Ele falou exatamente o que aconteceu naquela tarde e o porquê de Bella chegar tão agressiva perto de Jacob. – Ele cerrou os olhos novamente, olhando para Embry. – E eu também aposto que você sabe disso, Embry. – Sua voz foi especulativa.
- Só estou dizendo que se aquele alunazinha ali não tivesse chegado do jeito que chegou, aquela briga não teria estourado. Sem contar, que todo o motivo para aquilo ter acontecido foi por culpa dela.
- A culpa não é de Bella. – Carlisle respondeu e eu suspirei impaciente. Uns ainda continuavam a me olhar com raiva.
De repente, outro menino se levantou, deixando-me ainda mais nervosa. Eu não conseguia me defender; minha voz estava travada na minha garganta.
- Eu concordo com o Embry. Todos nós a vimos... – Indicou-me acusador com o dedo sem nem ao menos olhar para mim. – Atacar Jacob naquele dia.
Atacar? pensei frustrada, Ótimo! Agora um empurrãozinho tinha virado atacar. Revirei os olhos com o pensamento e continuei imóvel com a boca fechada. Sabia que falar só atrairia mais atenção para mim – se é que isso era possível.
- Foi mesmo.
- Todo mundo mesmo.
- Concordamos com ele.
Todos os alunos de repente, estavam expressando suas opiniões, concordando com Embry e o outro garoto. Tudo bem! Quando isso deixou de ser uma lição de moral da parte de Carlisle para o meu julgamento?
Trinquei os dentes. Era impossível gostar daquela gente quando eles não gostavam também de mim. Sabia que isso me mantinha ainda mais afastada, ainda mais com diferenças em relação á Edward, mas eu não podia fazer mais nada do que eu já estava fazendo para mudar essa parte.
Carlisle virou para mim, encontrando rápido, os meus olhos em pânico. Eu não sabia o que fazer ou o que falar para aqueles alunos que me odiavam. Então, ele desviou os olhos e pôs uma expressão séria no rosto.
- Já chega. – Sua voz foi suave, mas autoritária o bastante para Embry e o outro garoto pararem de falar. – Não estamos aqui para julgar ninguém. Isabella Swan é aluna do colégio também e não merece isso.
- Ela não é uma de nós. – O segundo garoto falou, fazendo-me trincar os dentes.
Ela não é uma de nós. Repeti irritada em minha mente. Isso me deu nos nervos, porque eu sabia que ele estava certo. E ele estando certo, me deixava ainda mais distante de Edward.
- Não existe isso aqui, Quil. – Carlisle falou firme. – Não devemos julgar ninguém, como assim vocês também não querem ser julgados.
- Mas, ele está certo... – Embry continuou a discussão. – Carlisle, ela pertence ao grupo deles. Ela já foi um deles. E aposto que está com nojo de está com tantas pessoas como a gente em volta dela.
Como ele falava, parecia que já tinha participado de uma seita do mal. Isso soava tão estranho. Não era para eu está sendo julgada aqui. Por que eles faziam questão? Era só para me ver mal?
- Eles quem? – Carlisle perguntou e pela a expressão especulativa dele, percebi que ele estava querendo conduzir aquela discussão para algum lugar em que ele daria a cartada final.
- Os que nos excluem. – Embry falou e lançou um rápido olhar de repulsa para mim. – Ela é assim como todos aqueles que estão dentro da classe alta. Todos aqueles que mantêm essa maldita desigualdade social. Ela não merece o nosso carinho. Ela é egoísta como todos eles. Apenas pensando em aumentar as suas contas bancarias enquanto pessoas e crianças estão pelas as ruas morrendo de fome. Nosso colégio. – Ele sorriu sem humor. — Por que será que ele é tão desprezado? Por que será que ele não é reconhecido pelo o governo de Forks? Porque aqui só tem miséria e ninguém tem esperanças que nada aqui vai melhorar, Carlisle. E ela... – Apontou novamente o dedo para mim. – Está pouco se importando se nós vamos ficar bem ou não, porque assim que a primeira oportunidade aparecer, ela vai sair daqui. Já nós não temos escolha; ou isso ou nada. – Ele finalizou, trincando os dentes.
Senti-me assustada com as suas palavras. De repente, me senti cheia de repulsa por mim mesma. Eu não era daquele jeito que ele estava falando. Ou era? Ou fui? Sabia que o que ele falava era a verdadeira realidade — pessoas com riquezas demais em suas mãos, enquanto outras estavam sem nada — mas, eu não sou assim. Não mais; acho que nesse pouco tempo aprendi um pouco a ser mais humanizada.
Assustada, percebi que meus olhos estavam úmidos. Assustada porque não esperava ficar perplexa como estava com aquilo. Na verdade, estava com vergonha agora de mim. No passado, na outra vida que eu tinha, eu era exatamente do jeito que ele estava falando.
Antes que eles percebessem, eu enxuguei a pequena lágrima que caiu do canto dos meus olhos. Carlisle percebeu a minha atitude quando olhou para mim com uma expressão triste e depois suspirou, balançando a cabeça como se não concordasse com algo. Ele olhou para Embry e Quil que ainda estavam de pé.
- Não é assim que as coisas andam Quil, Embry e todos aqui. Ódio não vai mudar nada do que vocês querem. Bella não teve escolha de onde nasceu.
— Está defendendo-a porque ela agora é namoradinha de seu filho, não é isso? – Quil perguntou sarcástico. Eu nunca tinha visto alguém peitar Carlisle daquele jeito. Já poderia imaginar isso vindo de um dos amigos de Jacob.
Carlisle ficou inerte ao comentário ácido, continuando com sua expressão calma como de um pai que explicava algo para o filho.
— Não. – Sua voz foi firme. – Não estou defendendo-a por isso. Estou defendendo-a porque todos merecem uma segunda chance. E daí que Isabella pertenceu ao mundo que exclui vocês? Na verdade, eles podem ter uma parcela para que isso aconteça, mas as coisas também dependem de vocês. A vida não vai seguir; a vida de vocês não vai melhorar se vocês continuarem lutando uns com os outros, quando o melhor para se fazer é construir a paz, o amor e a compaixão. Ninguém é feliz em um mundo de violência. Eu sei que é difícil para vocês; muitos passam mais dificuldades do que outros nesse colégio, portanto do que vai adiantar agir como vocês estão agindo? A única coisa que vocês podem fazer é se esforçarem, se esforçarem para ser alguém na vida. E a única forma de isso acontecer é respeitando o local de estudos de vocês, é pondo fim a esse tipo de guerra que vocês fazem aqui no colégio.
Quando Carlisle suspirou, todos já estavam calados o bastante.
- Para quê essas gangues? – Carlisle continuou. — Para se defenderem do mal que vocês mesmo causam? Já perceberam que se procurassem agir de outra maneira, as coisas não seriam tão difíceis. Se ajudassem uns aos outros, estendessem as mãos uns aos outros, as coisas melhorariam. Não estamos em uma guerra. Todos, nesse colégio, têm que ser unidos e não separados. Quando eu pergunto para vocês o que querem do futuro, eu espero ouvir respostas, eu espero ouvir esperanças. Eu espero saber que vocês têm um sonho a seguir. Não é só porque vocês participam desse mundo, porque não tem benefícios o suficiente, que vão deixar de sonhar. Porque todo mundo é capaz de sonhar, e todo mundo é capaz de transformar sonho em realidade. E isso é o que vocês... – Olhou para os pares de olhos que pareciam petrificados em cima dele. – Não estão fazendo.
“Então não coloquem culpa em outra classe, não coloquem culpa em seus outros colegas, não coloquem culpa na Bella, uma garota que chegou e está perdida em um mundo desconhecido. Não coloquem a culpa em cima ninguém, porque culpar alguém não vai melhorar as coisas, não vai fazer com que vocês se sintam melhores. Apenas ajam, apenas queiram coisas boas para vocês mesmos e para os seus colegas. Só isso. Será que é tão difícil ser compreensivo e pacifico nesse colégio?
Quando Carlisle terminou de falar e suspirou, olhando para cada par de olhos dos alunos, ninguém na sala foi capaz de falar alguma coisa. Até eu tinha um nó preso em minha garganta por senti o otimismo, a força que vinha de suas palavras. A verdade.
Ele estava certo, o amor podia mudar as pessoas. Podia torná-las melhor. Eu sabia disso porque nesse exato momento eu estava apaixonada por alguém que não deveria está. Entretanto, esse alguém imprevisível estava me fazendo mudar de uma maneira tão rápida que eu nunca pensei que fosse capaz.
Será que aqueles alunos podiam entender isso? Será que o discurso de Carlisle foi por nada?
Não sabia responder aquilo. Talvez pode não ter sido nada para algumas pessoas – como Embry e Quil que continuavam com as expressões fechadas – mas, pode ter servido para os alunos que estavam com seus pares de olhos fitando Carlisle com admiração, quase que também com... Esperança.
Esperança. Pensei. Era um sentimento difícil de ter naquele ambiente. Entretanto, Carlisle e também Edward conseguiam pôr isso nos corações daqueles alunos perdidos. Nem que fosse difícil, nem que fosse de um por um, mas de alguma forma, eles conseguiam fazer aqueles jovens ver que as coisas poderiam dar certo se eles quisessem e lutassem.
Eu suspirei quando cheguei nesse pensamento. Eu percebia, com o coração na mão, que lutar também era a única forma de eu continuar com Edward e superar o buraco de diferenças e preconceitos que havia como obstáculos ao nosso redor.
Na frente da sala, Carlisle balançou as mãos como se encerrasse a discussão.
- Tudo bem, eu acho que o que eu tinha para dizer a vocês, eu já disse.
Suspirou, virou quase furtivamente em minha direção e piscou, voltando depois os olhos para turma.
- Vamos retomar o assunto de onde paramos na aula passada. – Sua voz assumiu o habitual tom de calmaria.
A partir daí, o ambiente tenso pareceu se dissipar rapidamente. Eu fiquei no meu canto, um pouco ofegante com tudo o que havia sido dito ali.
A revolta daqueles alunos, o ódio deles por mim, seria mais uma coisa que eu teria que mudar. Eu não podia ser tão ruim assim, podia?
Franzi o cenho, preocupada, e olhei para frente onde Carlisle já estava dando a aula.
Tentei prestar atenção e tirar a discussão da minha cabeça, mas não foi muito fácil. Agradeci por Carlisle ser um bom professor e conseguir prender a minha atenção em sua fala quando estava dando aula. Eu não queria ter que ficar pensando em algumas dificuldades que viriam pela frente.
Sim, um dia eu teria que sair dessa escola como Embry acusou. Meus pais me tirariam daqui assim que tivessem condições de pagar um colégio melhor. Um dia eu teria que contar para eles que eu estava envolvida com Edward e teria que encará-los de todas as formas se eu quisesse continuar com ele.
A aversão dos alunos daquela escola contra mim era a mesma aversão que meus pais teriam com Edward. Não se tratava de um preconceito generalizado á classe que Edward estava incluído. Meus pais não eram pessoas ruins.
Tratava-se de nunca ter que imaginar a mim, filha deles, namorando alguém que não iria me dar um futuro decente – eu sabia que eles diriam essas palavras. Não se tratava de preconceito – sim, um pouco, talvez – se tratava de criação, se tratava de possibilidades, se tratava de querer um futuro bom para a filha.
Meus pais estavam vivendo a dificuldade que é não ter condições. Eles não iriam querer isso para mim pelo o resto da minha vida. Eles iriam querer que eu me separasse de Edward, na verdade fariam de tudo para me ver longe dele.
Eles na iriam entender o que eu estava sentindo por Edward quando eu explicasse, não iriam entender a plenitude daquele sentimento que tomava o meu coração agora. Foi algo mágico, era como se tudo o que eu não acreditasse – amor a primeira vista, dependência por uma pessoa – estivesse acontecendo comigo só para me mostrar que eu estava errada.
Eles não iriam entender o quanto aquele sentimento estava se tornando tão avassalador para mim, que ás vezes até me deixava com medo. Eles iriam me chamar de criança, de que eu não entendia nada sobre isso e que eu só estava confusa por ter me apaixonado pela a primeira vez. Mas, não se tratava apenas de paixão e eu sabia que não. Eu podia usar quaisquer argumentos com meus pais que eles não iriam me entender. Agora, pensando nisso dessa forma, o problema parecia maior do que eu pensava. Porque se esse namoro desse certo com Edward – e eu esperava veemente que sim – eu não poderia mantê-lo escondido para sempre de meus pais. Fazer isso só iria piorar as coisas quando eu contasse.
Agora parecia bastante difícil conciliar a minha vida passada com essa minha nova vida. Eu sabia que estava mudada, de alguma forma, em relação á algumas coisas, mas outras características da minha antiga vida ainda estavam em mim. Isso não tornava as coisas mais fáceis.
O sino de termino de aula soou alto, tirando-me dos pensamentos melancólicos sobre o que esperar desse meu relacionamento imprevisível com Edward. Eu suspirei pesadamente, pensando que fui capaz de agüentar aquela aula de acusações nas minhas costas. Habitualmente eu adorava as aulas de Carslile, portanto hoje, particularmente, não foi tão agradável.
Quando os alunos começaram a juntar os seus livros e se levantar para ir embora, eu fiz o mesmo fazendo o possível para me virar de costas e fingir que não estava sentindo os olhares ainda mais hostis do o que habitual fuzilando minhas costas.
Ao terminar de pôr a bolsa em meus ombros, me virei para seguir caminho. Carlisle ainda estava na sala, então eu sentir a necessidade de agradecer o que ele fez comigo naquele dia.
Fui a sua direção e sem querer, acabei tropeçando em meus pés e batendo em um garoto que passava na minha frente exatamente nessa hora. Ele me olhou com os olhos cerrados e eu me encolhi instintivamente quando vi a hostilidade por trás deles.
- Olha por anda, patricinha. – Ele falou ríspido, lançou mais um olhar maldoso para mim e saiu da sala, deixando-me para trás.
Engoli em seco quando eu o vi sair da sala. Maldita falta de coordenação!
Carlisle suspirou audível quando viu o que aconteceu. Eu procurei ignorar o nervosismo e me aproximei dele com passos hesitantes.
Eu estava me sentindo em uma situação constrangedora aqui. Carlisle era pai de Edward, e saber que ele sabia que eu e Edward tínhamos agora um repentino e estranho relacionamento, me fazia ficar envergonhada. Era quase como se eu estivesse com medo de que, assim como os meus pais, Carlisle me recusasse.
- Parece que não melhorou muito, não é? – Ele falou com um leve tom de desculpas na voz enquanto juntava os papeis em cima de sua mesa.
- Não acho que vai melhorar algum dia. – Balbuciei, ainda com medo de falar.
Ele suspirou pesadamente, parou de juntar os seus papéis e olhou para mim com os olhos cuidadosos.
- Bella, não deixem que eles a intimidem. È exatamente isso o que eles quererem; deixar-te com medo.
- Eu sei. – Abaixei a cabeça. – É só que... Eu nunca me vi em uma situação como essa. Está cercada de gente que não gosta de mim.
- Eu sei que é chato. E cansativo ás vezes. Eu passo por isso inúmeras vezes. Mas, você tem que agüentar. – Sorriu me mandando um pouco de confiança.
- Obrigada, Carlisle. – Franzi o cenho, atrás das palavras. – Obrigada por me defender hoje aqui na sala. Esses alunos gostam muito de você. Eles não devem ter ficados muitos satisfeitos com sua defesa em relação a mim.
Ele sorriu e parecendo muito mais animado, veio para frente da mesa, encostando-se sobre ela.
- Eu faço o que acho certo Bella. E acho certo, nesse momento, te defender.
Sorri um pouco mais tranqüila e abaixei a cabeça. Passei a mão no cabelo, um pouco nervosa por saber o assunto que iria começar agora.
- Err, Carlisle... – Suspirei e olhei para ele. Ele me fitava um pouco curioso. Na certa, vendo meu repentino nervosismo. – Eu queria saber se você não tem, Hã, nenhuma aversão contra eu e Edward estarmos tendo um relacionamento. – Fiz uma careta como se esperasse que a resposta fosse um sim.
Ele sorriu novamente e balançou a cabeça, como se achasse graça de alguma coisa.
- Bella, é claro que não.
Eu olhei para ele com uma sobrancelha erguida.
- Sério? Digo, não parece rápido demais para você que eu e Edward estejamos já... – Hesitei na palavra. Não sabia como ele podia reagir. – Apaixonados depois de uma semana que nos conhecemos?
Ele suspirou e desencostou-se da mesa, vindo até a mim e colocando uma mão em cada ombro meu.
- Bella, as coisas acontecem. Sentimentos acontecem. Vocês não podem ficar com medo de terem se apaixonado tão rapidamente como foi. Você acredita em amor a primeira vista? – Perguntou divertido.
Não sabia como responder aquela pergunta.
- Não sei, até uns dias atrás eu não acreditava. – Dei de ombros – Eu sempre me perguntava como as pessoas já podiam se olhar e se acharem já apaixonadas uma pela a outra. Não acreditava muito nisso. Entretanto, agora que eu conheci o Edward, eu não sei o que acho ou que penso sobre isso.
Ele sorriu com a expressão frustrada que eu sabia que estava.
- Pois deveria acreditar. – Bateu com o indicador em meu nariz e voltou para os seus papeis, juntando-os enquanto eu esperava ele continuar.
- Edward te contou como eu e Esme nos apaixonamos? – Perguntou concentrado em deixar os papeis perfeitamente emparelhados, enquanto os batia lateralmente na mesa.
- Não.
- Foi assim como vocês. Amor a primeira vista.
Guardou os papeis na bolsa e antes que começasse a falar novamente, fechou-a e colocou em suas costas, olhando-me depois.
- Esme tinha uma vida boa, assim como você. – Ele continuou — Nós nos conhecemos na faculdade. Eu nunca tinha percebido Esme dentro daquela instituição, mas um dia, eu precisei ir à reitoria falar sobre algumas dificuldades que eu estava para pagar o colégio, e Esme estava lá. – Ele suspirou com seus olhos fitando algum ponto invisível sob os meus ombros. No momento em que eu cruzei os meus olhos com os dela, eu soube que poderia sentir algo intenso por ela, que eu poderia me apaixonar.
- Como Carlisle? Como isso acontece? Eu realmente fico confusa. Eu não esperava que isso acontecesse comigo e com Edward.
- Bella, você não manda em seu coração.
Ele olhou para o chão, como se procurasse palavras para me explicar algo.
- Não é exatamente amor a primeira vista – Ele começou. — È como se fosse a certeza de que você poderia sentir algo intenso por aquela pessoa algum dia. È você ter certeza de que vocês poderiam dar certo. Foi isso o que eu senti com Esme naquele momento. Ela era linda, ainda continua linda... – Seus olhos de repente ficaram melancólicos. – Mas, a doença está... – Suspirou, como se não fosse capaz de falar o pensamento.
- Sinto muito. Edward me falou que ela tem câncer.
- È, mas ela está bem. – Ele deu o sorriso iluminado novamente, voltando ao normal como se para me convencer disso. – Naquela época foi meio difícil para nós dois conseguirmos ficar juntos. Os pais de Esme não queriam que ela namorasse comigo. Dizendo que eu não daria um futuro bom para ela.
Minha face se contorceu quase em reflexo ao pensamento de que era o mesmo que aconteceria se eu contasse para os meus pais. Carlisle fingiu não perceber ver minha careta e continuou:
- Portanto, nós lutamos. Nós nos amávamos. Foi bem na época em que meu pai morreu e minha situação financeira se agravou. Mais ainda, nessa época, os pais de Esme me proibiram de vê-la.
- E o que vocês fizeram? – Perguntei curiosa. — Não ficaram cansados de ter um amor difícil? De esse sentimento que sentiam não poder tornar as coisas mais fáceis?
- Não. – Ele balançou a cabeça vagarosamente, dizendo que nem tivera pensado naquela possibilidade. – Eu amava Esme demais para deixá-la partir por causa dos preconceitos dos pais. Portanto, mesmo não querendo, eu sabia que eles estavam certos. Eu não daria um bom futuro para Esme. Eu não tinha nada. Ela só teria uma vida boa, como estivera acostumada a ter, se continuasse com os seus pais. Isso foi a única coisa capaz de me fazer ter a decisão de me separar dela. Eu não podia só pensar por mim. Esme merecia uma vida melhor do que a que teria se permanecesse comigo.
- Você então a abandonou? – Perguntei um pouco triste.
- Tentei... – Suspirou. – No dia em que eu ia fazer isso, uma coisa terrível aconteceu com os pais de Esme. Eles sofreram um acidente de carro e morreram na hora.
Eu engoli em seco, vendo que as coisas, por mais injustas que fossem, se encaixavam ás vezes. Carlisle suspirou triste.
- Vi-me incapaz de abandoná-la naquele momento. – Deu de ombros. – Ela ia precisar de mim mais do que precisaria de qualquer outra pessoa. Esme não tinha muitos parentes por perto. Quando eu me vi, já estava planejando um futuro não muito bom para ela. Foi difícil arrumar um emprego. Nessa época, Esme e eu nos mudamos para a... – Ele pigarreou como se não quisesse falar a palavra. – Nos mudamos para onde estamos morando hoje. Esme engravidou e por falta de opção, eu tive que trabalhar como faxineiro no hospital...
- Foi na época que você conheceu o Edward? – Perguntei mais interessada do que poderia supor.
- Sim, foi mais ou menos depois de quatro anos. Foi uma coisa estranha, mas foi algo que eu me vi sendo obrigado a fazer ou então não ficaria em paz. A mãe de Edward chegou muito doente no hospital.
A expressão dele ficou cuidadosa, como se estivesse editando a história e eliminando alguma coisa que eu não podia saber.
Eu podia vê-la morrendo quando ia limpar seu quarto. – Ele continuou, antes que eu percebesse do que se tratava sua expressão. — O hospital não se preocupou em tentar manter a vida dela. Ela já estava em coma e ninguém tinha esperanças de que ela voltasse. Edward também estava doente. Mas, com ele foi diferente, eu não queria que como a mãe, ele morresse por falta dos cuidados médicos. Eu lutei para ter sua guarda e exigi que o hospital cuidasse dele melhor. Foi difícil, mas ele saiu bem do hospital e eu o levei para casa. Alice já tinha quatro, anos como ele. Ele era tão novo e tão frágil. – Suspirou e sorriu. – Mas, eu sou muito orgulhoso dos filhos que tenho.
Sorri entusiasmada.
- E tem que ter. Edward é incrível.
Ele sorriu e depois ficou sério ao me encarar com os olhos profundos.
- Você gosta do Edward? – Perguntou com intensidade.
- Gosto. – Mordi os lábios, sentindo meu coração bater. Aquela dor de satisfação me fazendo ter a certeza das minhas palavras. – Nunca gostei de ninguém como eu gosto dele.
- Então, não deixe as dificuldades atrapalharem vocês dois. No final, se vocês tiverem garra, o amor sempre vence.
Suspirei triste.
- Você devia falar isso para ele. Ele fica dizendo que eu não sou do mundo dele. – Revirei os olhos.
- Agarre-o, não o deixe ir embora. Foi isso o que Esme fez comigo.
Assenti, aliviada. A conversa com Carlisle foi uma maneira de ver que as coisas – não totalmente – de alguma forma, podiam dar certo. Ele e Esme estavam juntos hoje. Sem luxos e sem facilidades, mas ainda assim, juntos.
Eu renunciaria das coisas que um dia pensei para mim, para ficar com Edward? Ele me deixaria renunciar? Agora, seriam perguntas constantes em minha cabeça. Era tanto para se pensar.
- Bom, acho melhor nós irmos. – Carlisle comentou, já passando por mim em direção a porta de saída. – O sino do refeitório já tocou.
Assenti em concordância e passei pela a porta aberta por Carlisle. Ele a fechou e guardou a chave no bolso antes de se virar para mim com um sorriso.
- Bella, eu gostei muito da conversa. Eu quero que saiba que eu lhe contei isso, para mostrar que apesar de alguns erros eu e Esme ficamos juntos. Estamos felizes porque temos um ao outro. Não deixe de lutar pelo o que quer, Bella. – Ele bagunçou levemente o meu cabelo, em uma atitude quase paternal. – Você foi a melhor coisa que aconteceu com o Edward. Eu nunca o vi tão feliz em todos esses anos que estou com ele.
Assenti, tentando concordar com o que ele havia dito. Depois de me dar mais um sorriso gentil, Carlisle seguiu na direção oposta da que eu iria seguir. Suspirei pesadamente quando o vi se afastando.
- Ele sempre foi um bom pai. – A voz de veludo suave de Edward veio atrás de mim, assustando-me.
Sobressaltei levemente, e me virei com um sorriso no rosto e a mão no coração.
- Você me assustou. – Eu acusei divertida.
- Desculpe-me. – Ele sorriu torto e pegou a minha mão. – Você estava conversando com Carlisle? – Ele perguntou parecendo bastante curioso sobre o fato.
- Sim. – Minha voz saiu um sussurro, lembrando-me da conversa e tudo o que aconteceu naquela aula. Ele percebeu a tristeza por trás da minha voz.
- Bella. – Levantou minha cabeça com um dedo em meu queixo. Meu coração palpitou alto com o seu toque. – O que houve?
- Edward...
Minha voz engasgou, de repente com medo de fazer a pergunta que estava em minha cabeça. Na verdade com medo da resposta que ele diria para ela. Ele esperou eu continuar com os lhos verdes fixos em cima de mim.
– Você... Você vai lutar por nós, certo? Vo... Você não vai me abandonar por achar que não pertenço ao seu mundo, certo? – Minha voz falhou um pouco no final.
Seus olhos se concentraram no meu quando uma pequena ruga de preocupação surgiu em sua testa.
- Bella. – Ele começou hesitante. – Não podemos saber do futuro. Nós somos tão recentes. Isso foi tão rápido.
- O que você está querendo dizer? Que você não tem certeza do que sente por mim?
- Não — Seu rosto de repente ficou em pânico e ele pegou minha face entre suas mãos. – Eu tenho toda a certeza do que eu sinto por você.
- Então por que você...?
- Bella, nós não sabemos aonde vai dar esse sentimento. Eu tenho certeza que eu estou apaixonado por você como nunca estive em minha vida. Mas, será que você está?
- È claro que eu estou. – Como ele podia duvidar daquilo?
- Não podemos ter certeza de nada agora. – Ele afagou o meu rosto, fazendo-me corar e engoli em seco. — Não podemos saber aonde o futuro vai nos levar.
- Você não vai lutar pelo o nosso sentimento?
Ele suspirou.
- Só há uma coisa que possa fazer me desisti disso.
- O que? – Perguntei espantada.
- Você. – Franzi o cenho não entendendo. – Bella, é irracional você está apaixonada por mim. Quando você cansar de mim, quando você vê que não está realmente apaixonada, eu não vou poder lutar por você.
- O que? – Perguntei incrédula. – Você está brincando? – Mordi os lábios e levei minhas mãos até sua face. – Edward, escute uma coisa. Eu estou apaixonada por você. Não vou me cansar de você, está me ouvindo? – Perguntei intensa, de repente sentindo umas lágrimas nos olhos por perceber a falta de credibilidade dele em meu amor.
Ele não respondeu, apenas afagou meu rosto e vagarosamente encostou nossos lábios em um beijo curto, rápido, mas forte o bastante para fazer minha pele arrepiar e meu coração parar por alguns segundos.
Era tão ruim saber que o que ele estava falando era verdade. Eu não estava falando dos meus sentimentos por ele, eu estava falando da questão de não sabermos do futuro, o que aconteceria pela a frente.
Tinha medo de que algo nos separasse, era como se estivéssemos andando em uma corda bamba. Um namoro, um sentimento que para vencer teria que seguir metros e mais metros de cordas bambas e um empurrão ou uma mexida nessa corda, faria com que nos separássemos. Havia tantos empurrões e mexidas nessa corda, contra a gente que eu tinha medo de saber se seriamos capazes de seguir em frente ou não.
Quando Edward afastou-se de mim e olhou para frente, sua expressão de repente ficou fria.
- O que foi? – Perguntei vendo seus dentes se trincarem.
Ele disse uma única palavra que me fez estremecer:
- Jacob.
Esperando encontrar o pior dos olhares de ódio ou de malicia de Jacob em minha direção, eu me virei para encará-lo.
Ele via andando pelo o corredor e eu quase não o reconheci quando vi a sua face. A expressão que eu esperava – a de ódio e malicia — quando ele olhou para mim e para Edward não estava ali. Seus olhos estavam fixos em mim, mas não havia expressão de raiva, ou de malicia, ou de qualquer coisa de ruim que eu pudesse esperar dele justamente hoje. Ao contrario do que eu pensava, os olhos de Jacob estavam melancólicos, quase uma desculpa silenciosa quando ele estreitou os olhos em minha direção.
Eu ouvi Edward rosnar baixo atrás de mim, portanto não consegui tirar os olhos de Jacob.
O que havia acontecido com ele? Eu estava confusa agora. Não era para ele está ainda mais tirano do que já é? Não era para ele ter vindo até aqui e me ameaçar de alguma forma como sempre faz?
Senti-me frustrada quando ele não veio. Não porque eu queria que ele viesse, de jeito nenhum, e sim porque sua expressão me assustou mais do que qualquer outra de ódio que eu podia esperar.
Jacob passou por nós dois, abaixando a cabeça e sumiu entrando no corredor perpendicular ao que estávamos. Meus olhos foram para Edward, assustados.
- O que houve com ele? – Perguntei com minha voz mais alta do que eu queria. – Ele... Ele realmente não veio até a gente ameaçar de alguma coisa?
Edward parecia pensativo. Na certa pensando na mesma coisa que eu. Depois ele balançou a cabeça como se chegasse a uma conclusão e abaixou o rosto para me encarar.
- Bella, não se preocupe com Jacob. – Sussurrou docemente. – Ele não fará mal nenhum com você. Hoje ele pode está assim, mas ninguém sabe como ele estará amanhã.
Isso me deu um alivio. Era estranho não ver as reações especificas no rosto de uma pessoa que você sabe que vai ter aquela reação. Quando a expressão da pessoa está como você pensou, você sabe exatamente o que aquela pessoa estava pensando de você. Agora com Jacob, com essa expressão estranha dele, eu não sabia o que ele estava pensando. O que estava passando pela a cabeça dele ou o que ele poderia esta aprontando.
Respirei fundo. Edward estava certo. Tinha certeza que amanhã ele voltaria ao normal.
- Vamos. – Edward falou de repente, pegando minha mão e começando a me guiar pelo o corredor.
- Para onde nós vamos? – Perguntei confusa com o repentino sorriso que ele estava ao andar.
Percebia os olhares raivosos dos alunos em nossa volta. Como sempre mais direcionado para mim. Edward parecia nem perceber. Na certa, já devia está acostumado com as reações dos alunos daquela escola. Isso seria uma coisa da qual eu nunca me acostumaria.
- Eu quero apresentar você aos meus amigos. – Ele falou com pouco caso enquanto ainda me puxava de leve.
De repente, meus pés ficaram estáticos, impedido que ele me puxasse. Ele percebeu minha parada abrupta e olhou para mim com uma sobrancelha levantada.
- O que houve Bella?
- Vo... Você disse... – A palavra não queria sair de tão assustada que eu estava. – Que quer me apresentar aos seus amigos?
- Sim. O que é que tem? – Ele soltou um sorriso.
- O-o que é que tem? – Gaguejei incrédula com sua pergunta. — Edward, eles me odeiam. Lembra disso? Assim como todo mundo desse colégio, eles me odeiam. O que leva você a pensar que eles querem me conhecer?
Edward revirou os olhos com as minhas palavras dramáticas e bufou. Sem responder, retomou o seu caminho, me puxando.
- Bella, você tem que parar com isso.
- Com o que? – Perguntei um pouco emburrada incapaz de parar meus pés de novo.
- De concluir o que as pessoas são ou o que elas pensam somente com o que vê.
- Mas, isso não é conclusão, é um fato. – Eu revidei meio frustrada.
Ele suspirou e parou, voltando-se para encarar o meu rosto.
- Bella. – Sua voz foi calma ao pronunciar meu nome. – Eu sei que você acha que as pessoas aqui te odeiam. – Ele fez uma careta de reprovação. – E eu nem sei por que isso... – Resmungou para si mesmo e depois suspirou – Só que você não deve aplicar isso para todo mundo. Deve haver pessoas aqui que gostam de você também.
- Certo, pode ter. A questão é que essas pessoas não são os seus amigos.
- Por que não?
- Edward, você ver os olhares maldosos que eles lançam para mim quando eu estou com você?
- Não vejo nada. – Ele disse, soltando minha mão e estreitando os olhos duvidosos em minha direção.
Como ele não via? Estava na cara. Eles me olhavam como todo mundo aqui me olhava. Suspirei ainda não acreditando que estava cogitando em conhecer os amigos dele.
Ele sorriu quando viu minha expressão temerosa. Aproximou-se e pegou minha mão de novo, apertando contra o seu coração. Estava palpitante demais, assim como o meu.
- Eu prometo que eu não vou deixar-los fazerem ou dizerem nada. – Sua voz estava tão calma e confiante que eu acreditei que ele era capaz disso. — Mas, você precisa mostrar para eles que você não é o que eles estão pensando.
- Por quê? – Perguntei me vendo incapaz de recusar ao pedido dele quando ele pedia com tanta suavidade. Edward era ainda mais irresistível quando queria.
- Porque eu quero que eles gostem de você tanto quanto eu gosto.
Levantei uma sobrancelha, brincalhona.
- Tanto quanto você? — Um sorriso divertido saiu dos meus lábios.
- Não, não como eu... – Ele se atrapalhou nas palavras e depois bufou, fazendo-me rir. – Você entendeu. Você pode fazer isso por mim?
Seus olhos fixaram nos meus do mesmo modo de quando ele queria me convencer de algo. Isso era golpe baixo! Eu não conseguia resisti aos seus olhos de esmeraldas verdes. Tão lindos!
Suspirei, revirando os olhos e apertei a sua mão na minha.
- Vamos lá. – Balbuciei emburrada. – Leve-me logo antes que eu desista.
Ele deu um largo sorriso brilhante de vitória e se curvou dando um beijo rápido em meus lábios. Antes que eu pudesse sentir a textura ou pedir mais por eles, ele começou a me arrastar novamente pelo o corredor.
Ele me levou para a parte de fora do refeitório. A parte que ficava ao ar livre. Como era lá dentro, aquela parte também estava uma bagunça.
Eu já havia até esquecido que eu estava com fome. A aula de Carlisle, a conversa com ele, e esse vontade de Edward que eu conhecesse os amigos dele fizeram minha barriga ficar cheia – cheia de nervosismo. Portanto, Edward insistiu em pegar uma maça para mim. Disse que eu não podia ficar de barriga vazia e blá, blá, blá. Uma das qualidades dele; super proteção.
Quando eu vi os amigos de Edward juntos em uma mesa longe o bastante dos outros alunos daquele local, quase colei novamente meus pés no chão. Edward percebeu minha hesitação novamente e lançou aquele olhar incapaz de me fazer recusar o que ele estava pedido. Respirei fundo e o segui. Ele deu um sorrio grande e largo, seguindo até os seus amigos.
O que eles iriam falar quando ele chegasse comigo lá? — Tira essa patricinha daqui? Não acredito que você está namorando ela! Ela não presta Edward, só quer te machucar!
Gemi com os pensamentos. Era melhor deixar minha mente inativa ou não conseguiria ter coragem para fazer aquilo.
Os amigos de Edward estavam conversando animados quando chegamos perto deles. Nenhum pareceu perceber a chegada de nós dois até Edward cumprimentar todos, alto o suficiente para que todos os olhares viessem para cima da gente.
- Oi gente. – Edward falou despreocupado, segurando minha mão com força na sua.
Todos pararam de conversar abruptamente, como se estivessem esperando por aquilo, e voaram com seus olhos para cima de mim. Engoli em seco e vi quando me movi quase despercebidamente – até para mim mesma – um pouco para trás de Edward.
- Bem, eu queria apresentar a vocês Bella. Ela é minha... — Ele hesitou e olhou para mim. Olhei para ele e ele deu um sorriso divertido. – Ela é minha namorada. – Completou a frase, voltando o olhar confiante para os amigos.
Senti a minha face corando. Minha pele de repente formigando com as palavras de Edward. Namorada dele. Sim, era o que éramos e não podíamos negar.
- Bella... – Edward continuou. – Eu tenho que te apresentar essa pessoa, antes que ela corte a minha garganta. – Edward revirou os olhos, como se lembrasse de algo estúpido. – Essa é minha irritante irmã. – Apontou para a irmã dele, a mais próxima da gente, que tinha um sorriso enorme no rosto.
- Oi. – Eu murmurei e percebi que nem se ela estivesse ao meu lado ela teria me ouvido.
- Oi Bella. – Ela me cumprimentou empolgada, e em algo completamente assustador para mim, veio me abraçar.
Paralisei no canto e antes que eu pudesse também passar meus braços por ela, ela se afastou de mim, pondo suas mãos em meus ombros.
- Edward estava certo. – Sua voz era fina como sinos, mas agradável. O tipo de voz que diria se tratar de alguém legal. – Você é mesmo bonita.
Corei com o elogio dela e dei um sorriso torto.
- Obrigada. – Murmurei.
- Alice, você já esta a assustando. – A piada, incrivelmente, veio do grandalhão que me ajudou na quinta. Já tinha esquecido o nome dele.
Ele não deveria está suspenso? Edward percebeu minha confusão e abaixou os lábios para o meu ouvido, murmurando algo que só eu poderia ouvir.
- Carlisle conseguiu tirar o castigo dele, falando com o Diretor. – Explicou e se endireitou na mesma hora em que Alice rugia e virava para o grandalhão, dando-lhe língua. Os amigos de Edward riram e eu também não pude deixar de rir.
Alice revirou os olhos e voltou-se para mim.
- Não liga para eles. – Sorriu animada. – Eu estava mesmo querendo conhecer a garota que estava fazendo o meu irmão ficar sonhando acordado o tempo todo. – Ela tagarelou e depois lançou um olhar para Edward, piscando o olho.
Edward bufou e sorriu para a irmã.
Olhando assim para Alice – eu gostava do nome dela tanto quanto gostei da dona – eu via o quanto ela era uma coisinha pequena. Na única vez que a gente se vira ela estava apressada e eu assustada – o dia em que Jacob prendeu Edward e nós a encontramos no corredor – por isso não deu muito para ver o quanto ela era baixinha. Ela tinha os cabelos pretos, espetados de forma desalinhada nas pontas, deixando o seu rosto fino e branco um pouco mais meigo. Seus olhos também eram verdes, não tanto quanto os de Edward, mas eram de um verde bem sutil.
Alice, sem se importar, veio para o meu lado quando Edward começou a apresentar o resto de sua gangue.
- Esse grandalhão enorme ai é o Emmett. – Ele brincou.
Emmett sorriu – na verdade urrou de uma forma assustadora – e se aproximou de mim dando, impressionantemente, um abraço forte em mim – quase fiquei sem fôlego.
- Então a patricinha conseguiu conquistar o garotão aqui, hen? – Sua voz não tinha um tom de aversão a mim ao perguntar o que perguntou. Era bem divertido e especulativo.
Sorri para ele, ainda constrangida e sentindo minhas bochechas ficarem ainda mais vermelhas.
- Acho que sim. – Eu não podia responder por Edward.
- È claro que sim. – Edward completou minha frase e Emmett riu ainda mais.
Ele era assustador no tamanho. Seu rosto era bonito. Ele tinha o cabelo preto escasso e um pouco encaracolado. Seus olhos eram duas fendas pretas e se ele quisesse assustar alguém simplesmente estreitando os olhos, tenho certeza que ele conseguiria. Seu corpo – o que mais me assustou – eram mostras de bíceps espessos e músculos de sobra, fazendo quase rasgar a blusa preta que ele usava.
- Não liga para Emmett. Ele é o mais estúpido do grupo. – Edward falou ao meu lado, divertido.
- Ah! Qual é cara? – Emmett deu um soco no braço de Edward e Edward o empurrou de brincadeira.
Depois, Edward passou os olhos pelo o outro componente.
- Esse aqui é o Jasper. – Ele falou suavemente, indicando o loirinho suave que estava na minha frente.
- Oi Bella. – Ele tinha a voz calma ao me cumprimentar. Eu não percebi tanta gentileza quanto percebi na voz de Alice e Emmett. – Fico feliz de conhecê-la.
Alice saltitou do meu lado para o lado dele. Eu já começava a ficar feliz que ela fosse a irmã de Edward.
- Bella, ele não é fofo? – Alice perguntou, agarrando-se ao braço de Jasper. – Ele é o meu Jasper.
Edward riu ao meu lado e eu também, assim como todos os outros. O Jasper de Alice era agradável. Sua expressão era calma no seu rosto coberto de cabelos loiros de cachinhos. Não era tão assustador como Emmett, mas algo me dizia que nem com músculos aquele Jasper poderia parecer assustador.
A voz de Edward demorou um pouco ao me apresentar a próxima do grupo. Rapidamente, eu percebi o porquê.
- Bella, essa é...
A loura alta não o deixou nem terminar.
- Por que você a trouxe? – A voz firme e um pouco grossa em seu tom fez parecer pontas de faca atingindo o meu estômago.
Encolhi-me mais perto de Edward quando ouvi os outros suspirarem de resignação. Na certa, eles esperavam por essa atitude em relação á ela.
- Como eu ia dizendo, Bella. – Edward ignorou-a. – Essa é Rosalie.
Meus olhos, com medo demais para olhar seus olhos quase acusadores e frios para mim, olharam para ela de relance e caíram um pouco para o chão. Não fui capaz de cumprimentá-la. Dentre todos ali, aquela foi a que mais me intimidou. Ela tinha os cabelos loiros e longos. Era bonita assim como Edward, Alice, Jasper e Emmett. O que mais me assustou nela foi sua postura diante de mim. Era quase violenta.
- Não se faça de idiota Edward... – Ela continuou quando Edward a ignorou. – Por que você a trouxe? Ninguém quer conhecer a sua namorada riquinha.
- Eu não sou... – Comecei a falar.
- Bella, apenas a ignore. – Edward me interrompeu, falando em meu ouvido. – È exatamente o que eu faço. – Sua voz foi alta querendo que chegasse até Rosalie.
- È, me ignore. – Ela recomeçou ainda mais irritada. – Mas, quando ver que eu estou certa não venha querendo a atenção de todos.
- Rosalie, calma. – Emmett falou indo para o lado dela. Pelo o jeito como ele colocou as mãos em seus ombros — com segurança e intimidade – eu percebi que eles eram namorados.
- Você não sabe o que fala Rosalie. – Edward sibilou raivoso.
- Não sei o que falo? – Ela perguntou incrédula e olhou para mim com os olhos de repulsa. – Olha para a sua namorada Edward. Não tem nada a ver com você. Vai deixar se levar para o lado escuro mesmo? Não devia trazer deles para o nosso lado. – Ela sibilou novamente.
De novo, era como se eu me sentisse pertencente de uma seita muito perigosa.
- Rosalie, não precisa agir assim. Bella não é como você está pensando. Seria bom se você desse uma chance a ela.
Rosalie abriu a boca, espantada, e olhou para mim.
- Rosalie, eu... – Comecei a falar. Mesmo que eu não me importasse que ela não gostasse de mim, queria dizer que eu estava me esforçando para mudar.
- Eu não quero ouvir você. – Novamente sua voz foi como alfinetadas em meu estômago. – Por que não volta para o mundo de onde veio? Aposto que não está nem um pouco confortável com tanta gente pobre ao seu redor, não é?
- Rosalie? – Edward sibilou do meu lado.
- O que Edward? Está com medo de saber a verdade? – Rosalie voltou-se para ele. – Você sabe que um dia ela pode se arrepender de está com você. Ou você acha que ela gosta mesmo de você? – Ela sorriu irônica. – Acha que uma garota como ela, vai se apaixonar por um moleque de gangue como você? Isso não é conto de fadas, Edward.
- Você não sabe o que está dizendo. – Edward grunhiu entre dentes, segurando a minha mão com força.
Eu estava com muita raiva daquela loura. Ela não podia duvidar dos meus sentimentos quando não sabia nada sobre mim.
Bom, eu sabia que não ia ser tão fácil quanto eu podia esperar conhecer os amigos de Edward.
Rosalie cerrou os olhos em direção a Edward, como se estivesse fazendo uma ameaça silenciosa, e depois de lançar um olhar de repulsa em minha direção, começou a se distanciar a passos rápidos do grupo.
- Desculpe-me Bella. – Foi Emmett quem falou, parecendo realmente envergonhado.– Eu tenho que ir atrás dela. Foi bom te conhecer. – Sorriu e saiu correndo atrás de Rosalie.
- Não liga para ela, Bella. – Alice falou antes que qualquer outra pessoa pudesse falar. – A Rosalie tem um temperamento um tanto forte demais. – Sorriu, agarrando-se ao braço de Jasper. – Quando ela te conhecer melhor, eu tenho certeza de que ela vai gostar de você.
Meu estômago se embrulhou. Eu não tinha certeza de que ela ia querer me conhecer realmente.
Edward suspirou e quando eu olhei para analisar a sua expressão, percebi que parecia mais triste. Esperava, realmente, que ele não tivesse acreditado ou ouvido as palavras daquela Rosalie.
Ele tinha que entender que eu estava apaixonado por ele e ponto! Sentimentos assim não passavam tão rápidos. Esse, principalmente, não parecia ser um que passaria algum dia.
Eu tinha certeza que o que eu sentia por ele só iria aumentar. Como fazer Edward ver isso? Ver que eu realmente gostava dele? Que eu não me importava com classe, cor, dinheiro, ou qualquer outra coisa relacionada que não fosse com seu caráter.
Edward era gentil, doce, bom, companheiro, lindo, maravilhoso, carinhoso, altruísta... E mais alguns adjetivos que com certeza se eu me concentrasse sairiam tudo de uma vez da minha cabeça. Foram essas qualidades que fizeram eu me apaixonar por ele tão de repente. Nada mais que isso importava.
Apesar de está um pouco desanimado – eu percebi isso em sua voz arrastada – Edward continuou a apresentar o resto de sua gangue. Jasper e Alice continuaram lá ao meu lado. Eu percebi que pelo menos deles dois seria muito fácil gostar.
Ele me apresentou os dois outros integrantes que estavam faltando. Um se chamava Seth e parecia tão animado quanto a Alice. Ele era o mais novo de todos. Tinha um corpo longo, mas seu rosto era de um garoto que mal saiu dos quatorze anos. Era de um moreno médio, cabelos pretos e olhos um pouquinho repuxado. Ele não me olhou com repulsa, o que me deixou satisfeita. O outro integrante do grupo era um garoto magro, de cabelos castanhos escuros. O nome dele era Justin. Ele foi neutro em sua apresentação, apenas me cumprimentou com um aceno de cabeça e pronto.
No fim das contas, eu me surpreendi com o resultado; todos – menos Rosalie é claro – foram compreensíveis e bem receptivos comigo. Eu não esperava isso. Eu esperava o olhar de repulsa em cada par de olhos dele, assim como todos me olhavam naquela escola.
Fiquei aliviada por perceber que não era assim. Ser amiga dos amigos de Edward poderia ser um ponto importante para me ajudar a atravessar o nosso buraco de diferenças.
Edward, na aula de biologia, me perguntou:
- Se arrepende de ter conhecido eles? – Sua voz tinha voltado ao normal do que estava antes de ouvir as palavras de Rosalie.
- Não. – Eu falei sincera. – Eles são legais. Pensei que teria que me esconder deles também. – Dei de ombros e fiz uma careta ao me lembrar de Rosalie. – Mas, acho que da loura eu vou ter que me esconder.
Ele riu não mais preocupado.
- Não ligue para o que a Rosalie fale. – Comentou, apertando a minha mão sobre a mesa que dividíamos. – Ela acha que você não é capaz de mudar. Acha que você, hã, pode nos influenciar a ser... – Ele franziu os cenhos, juntando as linhas de seu pensamento. – Como você era antes.
Eu bufei, não acreditando no que ele estava dizendo.
- Fala sério. Eu não tenho esse poder. – Sorri e depois fiquei séria. – Espero que você não tenha escutado as palavras dela. – Eu falei, lembrando da expressão que ele ficou.
Ele franziu o rosto e suspirou, voltando-se para frente onde o Sr. Barner tentava dar aula para os alunos bagunceiros.
- Não, eu não escutei. – Virou-se novamente para mim e sorriu. Não foi o sorriso torto que eu gostava ou o que chegava até os seus olhos; era um sorriso preocupado.
Sorri um pouco desanimada para ele e ele virou o rosto para frente sem falar mais nada. Tinha medo do que poderia está passando pela a sua cabeça agora.
Notas finais
Foi meio tensa a aula de Carlisle, não? kkkkk Mas, eu achei que não deveria deixar de excluir uma parte do que os alunos estavam achando da briga, então fiz isso ai.
Não podíamos esperar outra animação de Alice, hen? *---* HAHA E claramente, oposições de Rosalie. -.-' kkkkk
Bom, falem o que acharam.
beeeijos ;*
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