Aprendendo a Viver.

11 Capítulo 10- Proposta.


Notas iniciais
Oiii guys! *---* Mais um capítulo fresquinho saindo. Esse está meio longo, mas eu tenho uma justificativa não muito legal na nota dos autores. :( Agradecendo a Bloon. *----* Ela fez uma recomendação tão linda. Obrigada leitora. Fico muito feliz. Bem, sem mais delongas, leiam e comentem. Beeeijos ;*

Capitulo 10 – Proposta.

Os dias se passaram — rápidos demais para que eu pudesse acompanhar. Eu não percebi qual foi o dia em que eu parei de contar o tempo em que já estava naquela cidade, naquela mudança de vida, naquele colégio. No entanto, as coisas estavam correndo bem melhores do que eu poderia esperar.

No colégio, os olhares irritantes dos alunos ainda continuavam em minha direção. -provavelmente, iria demorar mais do que eu queria para eles se acostumarem com a minha presença nos corredores do colégio. Mesmo assim, eu não deixei de perceber que a cada dia os olhares hostis estavam diminuindo um pouco. Isso de alguma forma me deixava tranqüila. Significava que alguma coisa de certo eu estava fazendo ou que talvez nem todo mundo daquele colégio precisasse me odiar.

O sentimento por Edward, como eu esperava, não parecia diminuir, somente aumentar a cada dia, inflando de uma forma que eu nunca pensei que fosse possível o meu coração.

A cada dia que eu recebia o amor dele e dava o meu amor para ele, eu parecia mais feliz. Meus pais estavam estranhando um pouco. Para eles o meu humor estava errado diante das circunstâncias. Aquela não era a Isabella que eles viram na primeira semana da gente aqui.

Com medo de que eles pudessem descobrir qualquer coisa a respeito de Edward por causa do meu humor estranhamente iluminado, eu explicava para eles que eu apenas queria dar uma folga aos neurônios deles do meu estresse. Eles pareciam acreditar. E eu agradecia isso. Claro que agora que eles percebiam o meu humor, eu procurava moderá-lo, procurava não ficar tão radiante todo dia que acordava de manhã e me lembrava de Edward em meu quarto á noite.

Edward ainda ficava meio hesitante de entrar em meu quarto. Tinha medo não por ele – dizia que não se importava o que poderia acontecer com ele – mas, tinha medo por mim, do que os meus pais poderiam fazer comigo caso descobrissem aquilo. Eu tentava acalmá-lo, dizendo que era raro para os meus pais virem ao meu quarto de noite quando eu já dizia que ia dormir. Isso, de alguma forma, não diminuía nem um pouco o nervosismo e a preocupação dele.

Ele ainda estava achando “errado” esse meu sentimento por ele, assim como eu também achava irracional seu sentimento por mim. Altruísta x Egoísta, Legal x Antipática, Lindo e Maravilhoso x Sem graça e feia. E era por essa linha que eu media as nossas diferenças.

Entretanto, eu estava lutando para melhorar o meu jeito, a minha forma de ver o mundo. Até porque está ao lado de Edward é aprender sem precisar pedir para que ele ensine. As atitudes de Edward com tudo o que o rondava cada vez mais pareciam me surpreender – e eu achando que isso não era mais possível. Quando eu achava que não podia haver mais qualidades irradiando dele, ele vinha e me mostrava que sim.

Eu parecia uma tola. Ele dizia que muitas vezes eu o surpreendia também, portanto nunca via onde ele via essas minhas surpreendentes atitudes.

Ele dizia que boa parte tinha a ver com meu jeito com os seus amigos. Ele ficava feliz por eu está me dando bem com eles. – excluindo Rosalie. Eu gostava também de está me dando bem com eles, mas isso não parecia ser uma coisa surpreendente. Era só uma conseqüência de me sentar agora com eles todos os dias nos recreios e me senti bem vinda.

Alice, incrivelmente, virou a minha amiga. Ela se sentava ao meu lado na hora do refeitório, me deixando entre ela e Edward na mesa do almoço, com Jasper sempre do outro lado dela. Jasper, a cada dia, parecia também ficar mais confortável com a minha presença.

Como não era uma surpresa, Alice era exatamente como Edward – não igual, porque Edward era um ser humano único para mim. Ela era mais extrovertida do que qualquer outra pessoa naquela mesa ou naquela escola. Quando ninguém me envolvia nos assuntos, ela fazia questão de me incluir.

Emmett também era um bom garoto. Eu me arrependia de ter o julgado quando o vi pela a primeira vez. Por mais que tivesse aqueles músculos todos, ele conseguia ser engraçado com suas piadas idiotas quando ele queria. Justin e Seth também não pareciam ter aversão por ter a mim na mesa deles. A única que ainda era resistente em expressar que não gostava nenhum pouco de mim, era a Rosalie.

Nos primeiros dias, ela se recusou a se sentar na mesma mesa que eu. Eu me senti uma intrometida já que não tinha a intenção de tirá-la de onde ela pertencia. Afinal, quem estava chegando era eu e não ela. Edward insistiu para que eu fosse me sentar com eles usando aquele mesmo olhar impossível de se recusar de sempre. Ele dizia que isso era infantilidade de Rosalie, e que quando ela visse que ele não ia se render em me aproximar dos seus amigos, ela voltaria para mesa.

Eu só podia suspirar e concordar.

Acabou que ele estava certo.

Depois de alguns dias, Rosalie voltou a se sentar conosco. Seus olhares, porém, não pareciam ainda agradáveis para mim – piores, se fosse possível.

Entretanto, o que mais me atormentou naqueles dias não foram os meus sentimentos cada vez florescendo ainda mais por Edward a cada dia que se passava – isso parecia ser um caminho normal desse sentimento a seguir –, não era minha repentina proximidade com os amigos de Edward – pessoas da qual, antes, eu achava que me odiavam. –, não era o fato dos alunos estarem moderando para o meu lado em seus olhares hostis – eu já estava acostumada, acho que não me importava mais com eles – mas, o que mais me atormentou nesses dias anteriores, foi o Jacob. Não no sentindo íntegro da palavra. Jacob estava me apavorando com as suas mudanças de reações.

A expressão hostil que eu achava que ia voltar depois daquele dia que nós nos encontramos no corredor depois do dia em que ele prendeu Edward no porão, não voltou á sua face. Sua expressão ao olhar para mim continuava impassível e neutra.

Jacob nunca mais lançou um olhar de ódio ou malícia em minha direção. E ele não se aproximava mais de mim para me assustar, como era antes.

Na verdade, ele se aproximava de mim, raramente, na aula de história – ele, magicamente, começou a freqüentar essa mesma aula que eu nos últimos dias – para perguntar algo sobre a matéria ou simplesmente, lançava um olhar para mim e sorria. Mas, não era um sorriso zombador ou malicioso que ele sempre me lançava antes, mas um sorriso quase de... Cumprimento.

Eu, mesmo com essa sua mudança repentina e assustadora, não abaixei a minha guarda. Procurava evitar ao máximo os seus olhares de relance ou seus sorrisos estranhos. Edward percebeu que isso estava me incomodando quando eu disse sobre o fato para ele. Ele rugiu algo incompreensível e no dia seguinte já estava na minha aula de história, sentando-se ao meu lado. Depois que Edward começou a freqüentar a aula comigo, Jacob nunca mais veio perguntar nada sobre a matéria e nem se virou mais para dar qualquer sorriso estranho que ele tivesse nos lábios.

Na verdade, eu ficava tranqüila que além de está comigo na aula de história, Edward incrivelmente, conseguiu mudar as suas aulas para todos os horários da minha. Eu ficava mais protegida com ele ao meu lado. E cada vez mais apaixonada por ele.

Eu gostava que as coisas estivessem dando certo de alguma forma. Via-me agora capaz de me adaptar naquela escola. Por mais que não fosse o que eu queria para minha educação, via-me relutante em só de pensar em me mudar dela para uma escola particular.

Claro que as brigas e as rivalidades entre as gangues que existiam dentro dela não tinham diminuindo. Edward, Carlisle e o Diretor Turner ainda estavam insistentes em querer manter a paz no colégio.

Em algumas semanas havia mesmo alguma paz que poderia quebrar a qualquer instante. Edward, quando via que uma briga poderia acontecer, quando via que algo de ruim ia acontecer, fazia o possível para resolver a questão com a calma e a passividade que era constante em seu coração puro.

Porém, as coisas ainda não estavam tão certas. Edward ainda continuava a me manter por fora de uma parte de sua vida. Quando eu começava a falar sobre a sua gangue, querendo saber sobre o que eles faziam, Edward se calava e não dizia nada. Ele murmurava coisas como: Você não precisa saber disso, Bella; Eu não vou lhe envolver nisso Bella; Isso é coisa da gente, não precisa se preocupar com nada.

Eu bufava e suspirava. Era irracional tentar arrancar alguma coisa dele sobre essa questão.

O que eu mais estranhava, e o que mais me fazia ficar curiosa sobre o que Edward fazia com a sua gangue, eram os seus sumiços em algumas noites da semana.

Ele não sumia, simplesmente, sem me dar alguma desculpa. Ele sempre vinha em minha casa, dava-me um beijo e dizia que precisava voltar, porque tinha algo a resolver. Depois disso, ele pulava pela a minha janela e sumia na noite escura, deixando-me curiosa e preocupada sobre o que ele iria fazer.

Nas quintas eu ficava mais tranqüila. Já que era o dia em que ele ia trabalhar com as crianças no hospital. De vez em quando, eu ia com ele. Estava começando a me acostumar com as criancinhas e hoje em dia elas não parecem mais uns monstrinhos para mim.

Mas, havia quartas que Edward me acompanhava até em casa e dizia que não podia ficar, dizendo novamente que tinha um compromisso.

Eu insistia para que ele dissesse o que era, mas ele sempre resmungava que era melhor eu não saber. Bom, era impossível lutar com ele nessa questão. Ele era muito cabeça- dura.

Apesar de alguns problemas ali e outros aqui, como o meu medo de meus pais descobrirem com quem eu estou namorando, ou eles de repente quiserem me mudar de escola, ou de repente Edward se tocar que eu não sou boa para ele, e mais um monte de coisa que eu tinha medo em minha cabeça, as coisas estavam indo melhores do que eu esperava.

- Isso está uma delicia. – Charlie elogiou quando provou no sábado a macarronada que eu fiz.

Sorrir e olhei para minha mãe com uma sobrancelha levantada.

- Eu disse que sabia cozinhar. – Comentei me exibindo.

Minha mãe bufou.

- Até os seus talentos culinários estão melhorando nessa cidade. – Ela falou irônica enquanto colocava um punhado de macarronada em seu prato.

Sorri juntamente com o meu pai. Charlie estava cada vez mais feliz na nova vida. Dizia que estava se dando bem com o trabalho. Que ele era mais eficiente que qualquer outro policial na delegacia e já estava presumindo uma subida de cargo para o chefe de policia da cidade, quando o atual se aposentasse. – parecia que na delegacia não havia outro policial mais disposto que Charlie para assumir esse cargo.

Eu podia ficar feliz por ele, mas isso significava aumento de salário, e conseqüentemente ter dinheiro para me pôr em outra escola. Procurei deixar o pensamento para lá. Eu estava me saindo muito bem nesses últimos dias, não queria pensar sobre um futuro que ainda estivesse muito distante.

- Talvez você pudesse fazer essa macarronada novamente amanhã. – Ele falou, olhando para mim com os olhos especulativos.

Franzi o cenho, confusa.

-Por quê? O que tem aqui é suficiente para sobrar para amanha. – Dei de ombros. Nós não tínhamos a besteira de não guardar comida para o dia seguinte.

- Charlie vai receber visitas amanhã. – Minha mãe falou animada, tomando qualquer tentativa de Charlie falar alguma coisa.

- Visitas? – Perguntei, curiosa.

- Sim. – Meu pai respondeu exultante. – Billy finalmente vem a nossa casa conhecer nossa família.

Ah sim! Claro! Por que eu não deduzi que era o Billy?

Meu pai, a cada dia, ficava mais e mais agradecido ao seu amigo. Ele dizia que não se arrependia nem um pouco de ter seguindo o conselho dele e ter vindo morar aqui.

Bem, eu agora agradecia por meu pai tê-lo ouvido. Se eu não tivesse vindo morar aqui, aliás, se meu pai nunca tivesse perdido a empresa, eu nunca teria conhecido o Edward.

Não era que eu estivesse feliz por meu pai ter perdido a empresa, é só que, Charlie realmente parecia mais feliz com o que estava fazendo. Seus olhos não estavam mais tão opacos, por falta de brilho, como ficaram nas primeiras semanas que ele perdeu a empresa.

- Ah! Sim. – Balbuciei, colocando um punhado de macarronada na boca. – Poderia supor que era ele.

Minha mãe sorriu mais animada do que o habitual e levou a sua mão para a minha.

- E querida, nós vamos conhecer finalmente o filho dele. Você não está ansiosa? – Renée perguntou com os olhos brilhando.

Gemi internamente com as suas palavras. Aquilo era algo que estava me preocupando. Renée parecia cada vez mais falando desse garoto – e ela, que nem sabia o nome –,vivia dizendo que meu pai falava muito bem dele e que sendo filho de Billy ele devia ser um garoto respeitável.

Eu procurava fingir que ela não estava tentando me aproximar dele – sendo que eu nunca o vi e nem o conhecia – mas, no fundo estava bem apavorada de deduzir o que poderia acontecer se isso fosse mais longe. Minha mãe não sabia que eu estava apaixonada. E eu agradecia que ela não ligasse o brilho dos meus olhos com esse fato. Uma explicação plausível para ela não perceber, é que ela nunca pensaria que eu poderia me apaixonar por um garoto daquele colégio já que era o único lugar que eu tinha contato com pessoas.

- Eu não sei se eu devo cozinhar. – Eu falei quando engoli a macarronada, procurando levar aquela conversa para outro lado. – Acho que ficaria nervosa se soubesse que outras pessoas iriam provar.

- Ah Bells. – Charlie começou a falar. – Mas, você fez tão bem hoje.

- Tenho certeza que a mamãe poderá fazer uma ainda melhor amanhã. — Sorri para ela, querendo que ela concordasse.

Na verdade, eu não estava nem um pouco á vontade de cozinhar para alguém que minha mãe e meu pai estavam me empurrando para cima.

Minha mãe suspirou e deu de ombros.

- Tudo bem, ela está certa. È melhor ter a garantia de que a comida não vai sair estragada, do que ela sair e nós pagarmos vergonha na frente de visitas.

Abrir a boca abismada e olhei para ela com os olhos estreitos. Ela ainda estava dizendo que minha comida era ruim!

Ela sorriu, juntamente com meu pai. Não podia deixar de dizer que habitualmente, estávamos rindo mais do que qualquer dias de nossas vidas. Tudo parecia mais tranqüilo, mais leve.

Aquele sábado passou rápido. Eu arrumei a casa de tarde e li um livro fajuto que peguei na biblioteca de Forks no dia passado. Eu tinha medo que minha adorável caminhonete não agüentasse até a biblioteca de Port Angels — isso não foi uma ironia, eu realmente estava gostando mais da picape. – por isso, decidi me entreter com os poucos livros da biblioteca daquela cidade.

Eu também fiz algumas tarefas. Descobrir que por mais que as aulas fossem do jeito que era – alunos sem prestar atenção na aula — os professores sempre cobravam as atividades. Eles sempre ficavam meio assustados quando eu, ás vezes, era a única a fazê-las.

Eu pintei um pouco. Minha mente parecia cada vez mais aberta para criatividades. Abertas principalmente para temas românticos. Tudo o que eu sentia por Edward entrava em proporção tamanha com os meus desenhos na parede.

De noite, o habitual embrulho na barriga surgiu quando eu via que estava próximo de Edward chegar. Eu tomei banho, coloquei a minha melhor roupa de ficar em casa e fui desejar boa noite para os meus pais. Eles nunca ligavam se eu ia dormir cedo ou não. Em Jacksonville eu vivia trancada no quarto. Não haveria porque eu mudar esse hábito aqui – principalmente, aqui.

- Oi. – Edward me cumprimentou com um sorriso quando atravessou a minha janela.

Eu o abraçava e o beijava. Nós conversamos praticamente parte da noite e eu dormia sempre com a música que ele fizera para mim em meus ouvidos.

Até hoje, Edward nunca foi mais além do que os seus beijos carinhosos. Eu ás vezes ficava nervosa. Queria que ele fosse a mais. Os papeis estavam trocando nesse relacionamento. Portanto, Edward sempre me dizia para ter calma, que o momento certo iria chegar.

Claro que eu corava com a resposta dele. Não era para eu ser a persistente da dupla. Era só que a idéia de que se algo acontecesse com nós – pensamento que sempre me fazia estremecer – eu não queria não tirar minha virgindade com alguém que eu verdadeiramente estava apaixonada. Ele dizia que entendia o meu ponto de vista e que por mais que eu estivesse errada sobre a pessoa que iria fazer aquilo – eu sempre revirava os olhos quando ele falava isso – a hora certa ia chegar.

E toda vez, eu dormia sobre o seu peito, ouvindo a música da qual nunca enjoava de escutar em sua voz de veludo.

- Bom dia filha. – Minha mãe me cumprimentou quando eu acordei no domingo e passei pela a soleira da porta da cozinha.

Bocejei e me sentei na cadeira de todo o jeito.

- Bom dia, mãe. – Percebi a ausência de meu pai. – Cadê Charlie?

Renée se virou para mim com um sorriso iluminado, vindo colocar a panqueca que havia feito em cima da mesa.

- Foi buscar algumas cervejas para tomar com Billy. – Sua voz estava animada. – Eles vão vim mais ou menos umas onze horas. Fique pronta até lá filha. Seu pai disse que Billy está ansioso por conhecê-la.

Billy estava ansioso ou ela estava ansiosa para que eu conhecesse o tal garoto? Perguntei mentalmente para mim mesma.

- Está certo, mãe. – Balbuciei. – Estarei pronta.

Depois que tomei café, lavei o prato e subi. Tomei um banho para ficar pronta para quando a visita chegasse.

Não estava me sentindo nem um pouco empolgada para esse encontro. Na verdade, tinha medo das reações de minha mãe e meu pai em relação a esse garoto.

Eu preferia ficar no quarto pensando em Edward ou desenhando do que descer e enfrentar isso. Parecia muito mais satisfatório para mim.

Portanto, eu sabia que minha mãe me obrigaria a descer, então para me preparar das investidas – que eu sabia que iria ter – de minha mãe me jogando em cima desse garoto desconhecido, decidi pintar. Isso me acalmaria os nervos um pouco, além de sempre me levar para o sentimento maravilhoso que eu sentia por Edward.

Eu suspirei entediada quando já estava vestida em uma calça jeans e uma blusa preta de manga longa, e fui para os meus pinceis. A tinta já estava acabando e logo eu não teria mais com o que pintar.

Era uma parte ruim de ser pobre. Ser limitada em algo que você gosta de fazer. Onde eu ia arrumar dinheiro para comprar outras tintas?

Ignorei o pensamento triste por um momento. Não queria que nada me chateasse nesses dias.

Sentia-me tão diferente, tão mudada, que pensar nas coisas que perdi quando empobreci poderia me afetar de algum jeito. Ainda afetava ás vezes. Principalmente quando eu estava com Edward e ele pedia para que eu falasse da minha vida antiga.

Quando eu falava, não podia deixar de ficar com saudades ou melancólica. Não com saudades de Jacksonville, ou da casa que tinha antes, ou das roupas; agora eu sentia mais saudades do que eu poderia ter se tivesse ainda a vida que tinha. Como por exemplo, as minhas aulas de arte.

Edward ficava triste quando percebia minha tristeza, portanto eu, no mesmo momento, me lembrava que se eu não tivesse vindo para cá, nunca teria o conhecido e dava o meu maior sorriso. Está ao lado dele realmente eliminava qualquer outra coisa que estivesse faltando em minha vida. Ele preenchia as lacunas das faltas quase instantaneamente.

Eu não sabia como isso podia acontecer. Como sentimentos assim crescem e diminuem. Mas, meu sentimento por Edward não parecia ser... Normal. Seu toque em qualquer lugar que seja do meu corpo parecia um botão que desencadeava sensações ainda mais desconhecidas em mim. Sensações que a cada vez mais deixava meu corpo leve e pedido para que ele sempre estivesse comigo. Não conseguia mais ficar separada dele. Era como um imã que sempre me guiava para onde ele estava, puxando-me cada vez mais para perto de seus braços, cheiro e beijos.

Quando eu pensava nisso, quando eu pensava o quanto estava ganhando com Edward – um sentimento que eu sabia que não seria capaz de sentir por mais ninguém – eu não me importava de está aqui. Não me importava de ter perdido tudo. Quando eu pensava em Edward, tudo simplesmente desaparecia, e só restava ele em minha cabeça.

Uma buzina estridente soou do lado de fora da minha casa, tirando-me dos meus pensamentos e da minha concentração no desenho que fazia. Antes mesmo que eu pudesse fazer alguma coisa, minha mãe rompeu, sem nem ao menos bater, pela a porta do meu quarto.

- Bella, já esta pronta? – Ela perguntou animada, passando os olhos pela a minha roupa. – Billy e o filho já chegaram. – Anunciou.

- Mãe, eu estou pronta. – Eu falei meio impaciente, colocando os meus pinceis de volta no local.

- Então vamos. – Ela me apressou quase me puxando pelos os cotovelos.

- Eu já vou descer. – Revirei os olhos. – Só me dê um minuto ok? – Pedi.

- Be...

- Mãe, por favor.

Renée, impaciente como sempre, suspirou, revirou os olhos e começou a andar em direção saída do quarto.

- Ver se não demora muito, hen? – Saiu falando, parecendo um pouco meio entediada.

Bufei e fui até a janela para ver se conseguia enxergar o garoto que minha mãe ia me torrar a paciência. Na janela, vi o meu pai e um cara em cadeira de rodas, de cabelo longo em frente a uma caminhonete azul que parecia com a minha – mais nova, claro.

Aquele era Billy?

Franzi o cenho, confusa. Nunca ia imaginar que ele usava cadeiras de rodas.

Eu não vi o garoto, então imaginei que talvez ele nem tivesse vindo. Isso me aliviou um pouco e me tornou confiante a descer até onde eles estavam.

Sair da janela e do meu quarto, mais disposta a descer.

- Billy, eu quero que você conheça a nossa menina. – Charlie falou todo cheio de orgulho, abraçando os ombros da minha mãe, quando eu atravessei a porta de casa e dei um sorriso enquanto me aproximava dos três.

- Olá garota. – Billy cumprimentou com uma voz gutural. – Finalmente, eu estou conhecendo a garota que faz o velho Charlie aqui ficar preocupado. – Ele olhou divertido para o amigo.

Eu sorri e olhei para o meu pai e minha mãe que tinham sorrisos enormes no rosto.

- Bom e eu finalmente conheço o homem que fez meu pai trabalhar novamente. – Comentei divertida, apertando a mão grande de Billy que estava estendida.

- Prazer, Billy. – Ele se apresentou, balançando as nossas mãos.

- Bella.

Uma risada gutural saiu da garganta de Billy. Ele era um homem em uma bonita cor de marrom avermelhado com cabelos pretos enormes e olhos repuxados que demonstravam exatamente a sua origem; Os Quileutes. . Na verdade, ele me lembrava alguém se eu olhasse bem. Mas quem?

- Bem, Billy, por que você não apresenta o seu filho para Bella? – Meu pai perguntou com uma pontada de empolgação na voz.

Hen? O filho dele? Mais ele nem se quer está por perto. Pensei nervosa.

- Oh! Sim, claro. – Billy concordou e se virou um pouco de lado, em direção ao seu carro, enquanto eu observava com o cenho franzido o que ele estava olhando. – Filho, venha cá. Venha conhecer a filha de Charlie. – Ele falou com a voz um pouco mais alta.

Esperei alguns segundos até ouvi alguém do outro lado do carro, abaixado do lado dos pneus em um ponto de vista que eu não podia enxergar. Depois de mais um segundo, o garoto apareceu sorridente em nossa vista.

Então, eu congelei.

Na verdade, eu acho que até minha respiração tinha parado e a única coisa que se mexeu foram os meus punhos ao se fecharem em duas bolas tensas.

Eu não podia acreditar que o filho de Billy era nada mais, nada menos do que Jacob. Jacob, o garoto que queria transformar minha vida em um inferno no colégio. Pensei assustada em minha mente.

Jacob cruzou rapidamente os seus olhos comigo — não pareciam surpresos.

Eu fiquei no canto, petrificada. Eu queria gritar para que ele saísse daqui, que não era para ele se aproximar e que meu pai e minha mãe não tinham que o conhecer. Só que eu não conseguia mover minha boca, quem dirá gritar.

Eu ainda estava uma estátua perfeita quando, depois que Jacob colocou um macaco na caçapa do carro, ele veio até onde o seu pai estava e parou ao seu lado.

- Desculpe, eu estava concertando o pneu pai. – Aquela voz não era a que eu conhecia. Estava calma e gentil.

- Tudo bem. – Billy falou com descaso. – Apresente-se para a garota, Jacob. – Indicou a cabeça em minha direção, dando um sorriso entusiasmado.

Novamente, os meus olhos se cruzaram com o garoto que eu odiava. Dessa vez, procurei mandar-lhe um olhar imperceptivelmente -para os meus pais- irritado em sua direção. Jacob não pareceu se importar com minha reação e levantou a mão para me cumprimentar. Seu sorriso branco sobre os lábios morenos era totalmente diferente do que ele usava na escola quando queria me assustar.

- Prazer, Jacob Black. – Ele falou com uma voz firme e alegre.

O quê? O imbecil estava fingindo que não me conhecia? Pensei irritada e confusa.

Eu não sabia o que fazer.

Na certa, Jacob estava querendo fazer uma de bom garoto para cima do seu pai. Era o que eu estava vendo de sua imagem agora. Um garoto que fingia ser uma coisa para o pai, e era outra em suas costas.

Engoli em seco e meus olhos dispararam para as suas mãos.

- Bella. – Meu pai balbuciou atrás de mim com um sorriso nervoso. – O garoto está esperando.

Eu levantei o rosto e olhei novamente para Jacob. Ele deu um sorriso maior de dentes braços. E por trás desse sorriso eu vi que ele estava pedido que eu apertasse a sua mão. Sem saber o porquê de está concordando em esconder quem ele era do pai, levantei a minha mão e apertei com firmeza a sua.

- Isabella Swan. – Minha voz saiu mais fria do que eu esperava. Ouvi um pigarro atrás de mim e percebi que meu pai tinha percebido minha frieza.

Jacob sorriu para mim e antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, tirei suas mãos da minha, encolhendo-as em meus bolsos.

- Bom, então Billy, que tal um jogo e algumas bebidas? – Meu pai perguntou depois de dois segundos de silêncio tensos.

- Sim, claro. – Billy concordou animado. – Jake, me guie até a casa, por favor? – Billy pediu com a voz grave.

- Claro pai. – Jacob concordou.

Meus pais foram na frente. Jacob pegou a cadeira do pai. E como se eu não quisesse ficar na frente dele, com medo de que ele pudesse de alguma forma fazer alguma coisa comigo, esperei ele passar com a cadeira do pai. Ele passou por mim e me olhou; enviei-lhe o olhar mais raivoso e frio que eu conseguia. Ele sorriu presunçoso, não se importando com a minha expressão e virou a cara, andando a passos vagarosos com a cadeira do pai em direção a minha casa.

Eu não acreditava que aquele ser estúpido ia entrar no meu seguro lar. Já não bastava ter de lhe encarar todo dia na escola com aquele sorriso que mesmo amenizado se tornava assustador, eu teria que lhe encarar aqui em casa também?

E o pior era saber que o pai dele era o que estava tornando tudo mais fácil para a minha família nessa cidade. Eu sabia que tinha sido esse motivo que me fizera concordar em não abrir a boca e dizer o que Jacob era. Gritar que não eu queria conhecê-lo e que não apertaria as suas mãos, que um dia foram usadas para fazer mal a mim ou a Edward.

Eu teria que agüentar, eu sabia. Portanto, ficaria o mais distante possível dele. Nem por cem minha mãe ia ficar no meu pé por causa daquele idiota. Eu não agüentaria essa parte.

Com o pensamento, eu entrei em casa de má vontade. Não podia saber como estava a minha expressão — se incrédula, fria ou temerosa.

Meu pai se sentou no sofá, conversando animadamente com Billy enquanto Jacob postava a cadeira do pai ao lado de Charlie. Minha mãe olhou para mim parada na porta e depois sorriu.

- Bella, por que você não senta aqui e conversa um pouco com o filho de Billy? – Perguntou animada. – Adolescentes gostam de conversar com pessoas de sua idade.

Jacob me lançou um olhar impassível nesse momento, voltando-se depois para minha mãe com um sorriso.

Minha mente foi rápida. Eu não queria ter que continuar naquela sala. Eu não sabia se conseguiria forjar um teatro de que não estava aflita com a presença de Jacob ali.

Então eu pigarreei e pus a mão na cabeça, fazendo uma careta de dor.

- Err... Mãe. – Tentei fazer o possível para minha voz sair como se eu, realmente, estivesse sentindo algum tipo de dor. – Eu estou de dor de cabeça. Eu queria subir... – Sem vontade lancei um olhar para Jacob. – Aposto que... Jacob. – Hesitei ao falar seu nome. – Não se incomodará.

- Mas, Bella... – Renée começou a reclamar.

- Não, ela esta certa. – Jacob cortou minha mãe antes que ela revidasse. Trinquei os dentes imperceptivelmente. – Eu não me importo, Dona Renée. A Bella pode subir, eu gosto de conversar com pessoas assim também. – Ele sorriu e pôs as mãos no ombro de minha mãe.

Renée lançou um sorriso encantado para ele – na certa, feliz pela a educação que o idiota estava mostrando – e depois suspirou, voltando o olhar para mim um pouco menos animada.

- Tudo bem, Bella. Então suba. Se a dor piorar venha aqui embaixo para tomar um remédio. Logo mais eu chamarei você para almoçar.

Assenti vagarosamente, fingindo teatralmente não consegui nem fazer aquilo com a cabeça. Depois de lançar outro olhar frio para Jacob, eu me virei para subir, apressada, as escadas em direção ao meu quarto.

Cheguei ao meu quarto quase chutando a minha cama de tanta revolta. Respirei rápido, procurando acalmar os meus nervos do que acabara de acontecer.

Eu não conseguia acreditar no fato de que o pai de Jacob é que estava ajudando o meu pai no momento em que Charlie mais precisava. Eu não acreditava que o pai de Jacob era o melhor amigo do meu pai.

As coisas não podiam ser tão imprevisíveis assim, droga!

Eu não queria ter que agüentar não dizer ao meu pai quem era o verdadeiro filho do seu amigo. O pior de tudo era que eles acreditavam que Jacob era um bom rapaz.

Exasperada com o pensamento, me movi até perto da janela, impaciente. Queria tanto o Edward comigo nesse momento.

Com Jacob por perto, mesmo em minha casa com meu pai, minha mãe e o seu pai, eu me sentia desprotegida sem a segurança dele. Minha vontade era ligar para ele e dizer o absurdo que estava acontecendo. Na certa, se tivesse como eu fazer isso, eu tinha certeza de que faria. Mas, nem eu e nem ele tinha uma merda de celular.

Depois de alguns segundos, eu pensei um pouco, e concluir que talvez a reação de Edward não fosse uma das melhores ao saber dessa noticia.

E havia ainda outro problema; meu relacionamento com Edward. Com choque, eu percebi que eu não podia dizer nada ao meu pai ou ao tal de Billy quem Jacob verdadeiramente era; eu não podia tirar a falsa ilusão da minha mãe que achava que um dia eu poderia ter alguma coisa com Jacob; eu não podia fazer nada, simplesmente nada. Porque mais que eu, Jacob tinha algo contra mim em mãos; meu namoro com Edward.

Eu sabia que eu perderia muito mais se Jacob revelasse isso para os meus pais. Eles não iriam me deixar ver Edward nunca mais. E isso, provavelmente, iria doer bastante em mim. Então, o melhor era eu ficar quieta e calada no meu canto.

Contudo, eu sabia que tinha que arrumar um jeito de fazer com que minha mãe desistisse de uma vez de me jogar para cima de Jacob. Nem amigos nós poderíamos ser. Jacob foi o primeiro garoto que me assustou naquela escola. Ele fez com o que os meus primeiros dias ali virassem um inferno. Eu não podia confiar nele, mesmo com a sua mudança repentina no colégio.

Eu não sabia o que ele poderia está armando com isso ou porque ele fingia ser outra coisa para o seu pai ou porque ele sentia a necessidade de querer assustar os outros. Ele tinha tudo. Seu pai era rico. Ele não precisava de nada disso.

Suspirei pesadamente com a cabeça encostada no vidro da janela — meu hálito encostou-se no vidro, embaçando-o. Eu queria tanto, mais tanto Edward ao meu lado.

O que ele falaria daquilo? O que ele acharia do fato do pai do seu pior inimigo ser o que estava deixando as coisas, nessa cidade, ainda mais tranqüilas para a minha família? Se não Billy, o pai de seu pior inimigo, nós nunca teríamos nos conhecido.

Eu gostava de Billy, só não gostava de seu filho. Seria melhor se seu filho fosse outra pessoa que não fosse aquele ordinário do Jacob Black.

Eu poderia ter evitado esse encontro surpresa. Se eu não tivesse fingindo tanto descaso e tivesse perguntado a minha mãe o nome do garoto que ela tanto falava, não seria difícil eu consegui ligar as coisas ou o sobrenome de Billy com o de Jacob, e eu não ficaria na situação perturbadora que fiquei lá embaixo.

Rugir um pouco baixo. Eu sabia de uma coisa; que as coisas agora entre mim, aquele imbecil e Edward ficariam bem piores. Jacob agora era filho do melhor amigo do meu pai. Isso complicava as coisas. E muito.

- Seu quarto é bem colorido.

A voz repentina que veio da porta do meu quarto sobressaltou-me. Eu respirei fundo para manter o controle, não querendo matar ou trucidar ninguém ali, e me virei para encarar o rosto de Jacob.

Eu pensei que iria encontrar uma expressão sarcástica ou maliciosa em sua face, mas, sua expressão estava impassível enquanto ela sondava meu quarto com os olhos curiosos.

Isso diluiu um pouco da minha raiva. Pelo o menos, ele não viera me tirar do sério.

- Saia do meu quarto. – Eu sibilei indo em direção a ele, pronta para lhe pôr para fora do quarto a chutes, se fosse preciso. – Não tenho que te agüentar aqui também.

- Ei, ei, ei. – Ele levantou as mãos, como se se rendesse de algo. – Calma. – Eu parei no canto quando ouvi sua voz calma. – Eu vim na paz Bella.

- Paz? – Perguntei sarcástica e coloquei a minha mão na cintura. – Desde quanto você age com paz, Jacob? – Minha voz saiu mais ríspida.

Ele suspirou e tentou dar um passo mais adentro do meu quarto.

- Nem se aproxime. – Minha voz saiu baixa e ameaçadora.

- Claro, claro. – Ele levantou as mãos novamente e deu um passo para trás. – Bella... – Suspirou. – Eu sei que não foi muito bom a maneira que eu lhe recebi no colégio...

- Ah! Você veio perceber somente isso agora? – Eu perguntei irônica, interrompendo-lhe. – E em relação a me assustar o tempo todo? E a maltratar Edward como se ele fosse qualquer coisa? Sendo que ele é muito mais que você. E o fato de você não se importar com mais ninguém que não seja você? Isso também não é muito bom para você? Porque para mim é terrível.

- Eu sei, eu sei Bella. – Sua voz baixa e rouca, saiu entediada. – Eu sei que eu fiz isso tudo. Desculpe-me, tá legal?

Eu lhe olhei incrédula.

- Por quê?

- Por que o que? – Ele perguntou confuso.

- Por que você está vindo me pedir desculpas, Jacob? Não era isso o que você estava querendo fazer o tempo todo? Assustar-me?

Ele suspirou mais melancólico e olhou ao redor do meu quarto. Seus olhos foram diretamente para os meus desenhos na parede.

- Você parece bem apaixonada por ele. – Sua voz saiu um pouco irônica ao falar isso e seus olhos ficaram mais frios ao se voltarem para mim.

- Jacob, o que você quer? Já não basta no colégio, tem que vim aqui também? – Eu perguntei impaciente, já chegando ao limite da minha paciência.

- Bella. – Seus olhos pretos voltaram a ser cuidadosos. Era como se ele estivesse tentando colocar algo para fora e não soubesse como falar. – Eu só... È que... – Ele franziu o cenho, lutando com as palavras. – Eu só quero melhorar.

- Melhorar? – Perguntei confusa.

- Sim... – Suspirou e moveu o peso de um pé para outro, parecendo inquieto. – Eu errei, tá legal? Eu sei disso. Eu errei sobre tudo o que achei que você era. Eu errei em ter agido com você daquela maneira, de ter agido da maneira brusca até com o Edward... – Retorceu a face.

- Mas, por que agora Jacob? – Minha voz saiu um pouco mais alta, não conseguindo ver o sentido em suas palavras.

Eu não entendia porque ele estava querendo pedir desculpas agora, porque ele queria mudar, quando sempre foi assim.

- Porque sim. – Ele respondeu exasperado. — Porque eu sei que esse é o momento para mudar. — Seus punhos se fecharam e suas mãos foram para os seus bolsos. – Billy está feliz com a vinda de seu pai. Há muito tempo Billy é um homem solitário e a vinda de seu pai é algo que deixa ele entusiasmado. Ele disse que seu pai era um bom homem, disse que toda a sua família são pessoas boas. – Abaixou a cabeça, parecendo pesaroso, e depois de pensar um pouco, ergueu-a novamente. — Bella, eu sei que pode ser difícil de entender, mas eu só agir daquela maneira no começo com você, por... Medo. – Admitiu, com um bufo de resignação logo depois.

- Medo? – Perguntei incrédula.

- Sim. – Ele balançou as mãos, como se procurasse algo para se concentrar enquanto falava. – Pode não parecer, mas eu gosto muito daquela escola. Eu não sabia o que sua chegada poderia significar para ela. Todo mundo estava te vendo como uma patricinha mimada, uma garota que não pertencia ao nosso... – Ele franziu os cenhos. – Ao mundo deles. – Concertou.

- E o que isso tem a ver Jacob? – Cruzei os braços, dando um suspiro.

- Eu só queria mostrar que também concordava com eles. Só queria lhe assustar para você ver que as coisas ali não eram brincadeira. Só queria que você não se metesse a patricinha no nosso colégio.

- Isso não é desculpa. Edward me disse que você faz isso com muitas outras meninas.

- Edward. – Ele sussurrou sarcástico e bufou. – Claro que ele disse isso para você. Ele me odeia. – Sorriu um pouco frio. – Eu também o odeio e o fato de perseguir as outras garotas era por isso, por odiá-lo, por querer machucá-lo lhe infringindo a vulnerabilidade de que ele não podia proteger todo mundo... Ele acha que o super homem. – Revirou os olhos e eu trinquei os dentes. — Foi a mesma coisa com você. Depois do primeiro dia, que eu vi que Edward iria lhe proteger, mesmo você sendo a mimada que é, eu sabia que também teria que ficar atrás de você.

- Só para ter o prazer de tirar algo dele? – Perguntei séria.

- Sim... Edward se acha o dono daquele colégio.

- Edward, está querendo fazer o melhor por aquele colégio. – Cerrei os olhos em sua direção. – O que você não faz. – Acusei com o tom ácido.

Ele revirou os olhos e seus dentes se trincaram por cinco segundos, até a sua expressão suavizar novamente. Ele estava querendo se controlar. Eu via isso.

- Bella, eu não vi discutir sobre ele aqui. – Sua voz saiu melancólica ao pronunciar essas palavras. – Eu não vou mais continuar lhe atormentando.

- Por quê?

- Porque eu vi que você era diferente do que eu pensava. Pensei que você teria desprezo por todo mundo naquele colégio, mas depois do que você fez por um de nós naquele dia da briga... – Pensou por um segundo. – Mesmo que fosse o Edward, demonstrou que você é uma garota boa. Você também parece ser diferente em relação á Edward. Acho que não vou consegui-la tirá-la de perto dele.

- Não Jacob. Nunca. Eu realmente gosto dele e não é só porque ele é pobre que eu iria me afastar.

- Eu sei. E é isso o que eu estou vendo agora. – Calou-se por um tempo e correu os olhos novamente pelo o meu quarto, parando em meu rosto inexpressivo. – Eu vi lhe propor uma coisa. – Ele falou baixo, como se estivesse com medo.

Era estranho esta diante daquele Jacob.

Franzi o cenho, levantando o queixo desafiante.

- Propor o que?

- Um recomeço.

- Recomeço?

- Sim. – Ele respirou fundo. – Veja, seu pai e meu pai são melhores amigos, Bella. Charlie está quebrando vários galhos na delegacia para o meu pai. E meu pai, também está ajudando ao seu pai. E muito. Não acho justo deixar a vida da filha de Charlie, que é amigo do meu pai, um inferno naquele colégio.

- Ótimo. – Comentei irônica e revirei os olhos.

- Bella, deixe-me terminar. OK? – Ele pediu impaciente.

Suspirei e fiz com a mão que ele prosseguisse.

- Então, eu acho que se nossos pais podem ser amigos eu e você também podemos ser. Ao menos isso, ao menos para não deixar um clima estranho entre sua família e a minha, Bella. Billy vai ter que vim direto na sua casa, provavelmente me trazendo junto às vezes. Eu não quero ter que ficar encarando essa sua expressão de desprezo quando há algo melhor para se fazer... Então, o que você acha? – Perguntou e levantou uma sobrancelha, ansioso pela a minha resposta.

- Você quer que... Você quer que eu e você... – Gesticulei de maneira desdenhosa o espaço entre nós. – Sejamos amigos? È isso que eu ouvir? – Não estava acreditando no que ele estava dizendo.

- Bella, por seu pai, por sua família. Só isso, Bella. Não precisamos ser amigos se quiser. Podemos ser só colegas, sei lá. Só algo que não venha a ter tanta hostilidade entre nós. – Cerrei os olhos, desconfiada em sua direção. – Vamos lá, Bella. Eu não sou tão ruim assim. Deixe-me mostrar isso.

Fiquei em duvida. Por um lado ele estava tão certo. Não seria bom para meu pai ter um amigo da qual a filha tinha hostilidade das grandes com o filho. Isso podia acabar influenciando a amizade dele também. Por outro lado, tinha o fato da dúvida de saber se eu deveria mesmo confiar em Jacob.

Seria bom não ter que enfrentar mais o seu olhar hostil, a dúvida de que se ele estava agindo de maneira certa comigo ou essas coisas. Seria bom também eu não ter que subir para o meu quarto todas as vezes que ele chegasse aqui com Billy. E, enfim, seria bom não ter mais um inimigo na merda daquele colégio. Principalmente, esse inimigo sendo o Jacob.

Eu suspirei e olhei para o garoto corpulento na minha frente. Eu poderia confiar nele? Ele que me assustou com suas expressões maliciosas a semana toda? Será que aquilo não era um simples jogo dele para aproximar-se de mim e tentar – já que eu nunca abandonaria Edward – me tomar de Edward?

- Jacob, você... Você não tá querendo armar para cima de mim, fazer isso só para...

- Não, Bella. – Ele falou de maneira determinada, seus dentes trincando como se eu tivesse o ofendido. – Eu já disse que eu não faria mal a filha de um amigo de meu pai. Pode não parecer, por eu ser assim, mas eu tenho um grande respeito por Billy. Não iria decepcioná-lo assim.

Suspirei um pouco confusa. Ele parecia está falando tão serio. Esse Jacob era tão diferente do o que eu conhecia no inicio de minha vida aqui.

- Vamos lá Bella. – Ele insistiu de novo. – Eu sei que você é capaz de dar segundas chances para as pessoas.

Surpreendi-me um pouco com as suas palavras, mas não procurei demonstrar. Ele pareceu falar isso como se realmente me conhecesse. E mesmo não querendo, eu gostei da visão que ele teve de mim nessa questão. Será que finalmente eu estava começando a me tornar outra pessoa aos olhos dos outros?

- Então? – Perguntou ele e ergueu a mão para eu apertar, mesmo estando a alguma distância de mim.

Eu olhei para ele por alguns segundos, tentando ver alguma pista de mentira ou do Jacob que conhecera algumas semanas atrás. Eu não encontrei nada em seu olhar a não ser sinceridade.

Eu não ainda não me sentia muito simpatizada com ele – lembrar das coisas que ele fez comigo e com Edward algumas semanas atrás não eram boas lembranças — mas, o fato de ele ao menos ter vindo pedir desculpas e também se preocupar com o fato de seu pai ser amigo do meu pai, talvez deva valer alguma coisa. Talvez ele não seja o monstro que demonstrou ser. Além de que isso seria muito bom para mim e para o Edward.

Suspirei vencida e andei até ele, encurtando o espaço enorme que havia entre a gente. Ergui a minha mão e apertei a sua de maneira confiante. Ele sorriu, parecendo satisfeito.

- Obrigada Bella. Eu prometo, não irá se arrepender. – Da maneira que ele falou, até parece que ele estava vendendo algum produto para mim.

Eu revirei os olhos e dei de ombros, olhando para ele com uma sobrancelha levantada.

- Eu espero. – Meu comentário foi mais um aviso de alerta, do que algo brincalhão.

Ele sorriu não se importando com o tom de minha voz e assentiu.

Eu realmente esperava que não me arrependesse da minha decisão e realmente, esperava que Edward não ficasse com raiva dela. Teria que conversar com ele sobre isso. Sabia que ele não ia gostar nadinha sobre esse fato.

Eu não fiquei mais tranqüila na hora em que minha mãe nos chamou para almoçar. Mesmo que eu tivesse concordado com aquele termo de amizade entre mim e Jacob, sabia que isso não poderia ir mais longe do que não ter que ficar agüentando suas coisas na escola. Não era fácil começar a confiar em alguém assim tão rápido. Só podia esperar que Jacob estivesse falando sério e deixasse Edward e a mim em paz.

Eu procurei disfarçar ao máximo o incomodo que estava sentido na mesa do almoço. Diversas vezes minha mãe tentou fazer com que eu e Jacob tivéssemos uma conversa longa – e isso já estava me dando nos nervos – mas, da minha boca não saia mais que duas ou três palavras. No fim, com uma expressão meio irritada, minha mãe desistiu de tentar. Eu sabia que era só por hora. Talvez ela estivesse pondo a culpa de eu estar tão quieta na dor de cabeça que fingira ter.

Billy e Jacob passaram quase o restante da tarde na minha casa. Eu estava nervosa para que eles fossem embora. Na verdade, meus pensamentos por vários minutos não ficavam especificamente naquela sala, mas no meu quarto, mais tarde quando Edward chegasse.

Não podia deixar de admitir de que eu estava com medo da reação que ele teria sobre o que aconteceu naquela tarde. Manter-me longe de Jacob era quase uma prioridade para ele, porém, aqui estava eu, sendo quase obrigada a aceitar esse termo de amizade com Jacob.

Será que Edward aceitaria esse acordo de amizade? Será que ele ficaria satisfeito com a idéia de Jacob freqüentemente ir a minha casa? O que ele acharia, principalmente, de minha mãe ficar me jogando para cima de Jacob?

Decidi que a parte da minha mãe, não era necessária, nem saudável para o nosso relacionamento. Não precisava falar para ele que Renée me jogava para cima de Jacob. Pelo o pouco que eu já conhecia de Edward, eu sabia que ele ficaria pensativo, com a expressão de que estava pensando que não era para ele está ao meu lado, de que nosso relacionamento era errado.

Eu odiava quando ele ficava com essa expressão de relutância, como se estivesse fazendo a coisa mais errada do mundo. Deixava-me triste e insegura. Às vezes, eu tinha medo de que ele fixasse essa idéia na cabeça ou que reparasse que eu ainda não havia saindo do meu mundo perfeito e me deixasse.

Não sabia que efeito esse fato de Jacob iria ter sobre o nosso namoro. Só que eu sabia que isso era o melhor para nós e também para a amizade de Charlie e Billy. Não queria estragar as coisas com Charlie por causa de Jacob. Então, se Jacob estava disposto a mudar e não me tratar como estava me tratando, eu iria aceitar.

- Você é uma garota muito bonita. – Billy disse para mim depois que eu lhe abracei, despedindo-me.

- Obrigada. – Eu disse meio constrangida, sentindo minhas bochechas enrubescerem levemente. – Obrigada pelo o que vem fazendo pelo o meu pai também. Eu fico muito agradecida.

- Ora, seu pai é um grande amigo meu. Não é problema nenhum. – Ele lançou um olhar de cumplicidade a Charlie.

- Isso nos dar mais uma tarde para o jogo, Hen Billy? – Meu pai perguntou empolgado vindo se postar do lado do amigo.

- Com certeza. Não é mesmo Jacob? – Billy perguntou a Jacob, que estava na suas costas segurando a cadeira.

- È sim, pai. Eu me diverti muito. – Ele lançou um olhar para mim, fazendo-me desviar e ir pouco para trás, enquanto minha mãe ia se despedir dos dois.

- Até mais, Bella. – Jacob ergueu a mão, despedindo-se de mim.

Hesitante, eu levantei a minha e apertei a dele, enquanto o meu pai e minha mãe olhavam com um sorriso para nós dois.

- Até mais, Jacob. – Minha voz saiu neutra, mas o olhar que eu lhe direcionei fosse que ele cumprisse a promessa que tinha feito.

Ele sorriu e os dois entraram no carro, ainda dando abanando as mãos em um tchau para nós. Assim que os vi desaparecer na esquina, suspirei e corri para o meu quarto dizendo a minha mãe que estava cansada.

Eu precisava tomar um banho para receber Edward.

Tomei o banho às pressas, já sentindo a habitual movimentação de ansiedade em meu estômago por saber que estava próximo de vê-lo. Era incrível que a cada noite aquilo só tencionava aumentar. E eu gostava disso; quanto mais aumentasse a minha ansiedade para ver Edward, mais significava que eu devia lutar por ele.

Coloquei uma calça moletom cinza e uma blusa marrom de alça. Isso mostraria aos meus pais que eu iria dormir quando eu desci para beber água, dando-lhes a pista de que não precisavam mais entrar no meu quarto e atrapalhar o meu “sono”.

- Boa noite, pai. Mãe. – Eu falei quando passei por eles em direção a escada novamente.

- Boa noite, Filha. Durma bem. – Minha mãe falou, levantando os olhos para me fitar.

- Ultimamente você vem dormindo muito cedo, Bella. Está com algum problema? – Meu pai perguntou e pelo o seu semblante vi que ele realmente estava preocupado. Não havia acusação ou suspeita.

Gelei um pouco com a sua pergunta. Eu não podia dar pistas a Charlie. Ele iria ficar louco, mas não apenas pelo o fato de quem se tratar, mas pelo o fato de eu ter um homem em meu quarto quase todas as noites.

- Err... – Pigarreei, procurando disfarçar a voz engasgada. – Claro que não, pai. Eu estou perfeitamente bem. – Bufei como se dormir cedo fosse um hábito.

- Aaaah. – Ele exclamou e deu de ombros, concluindo que eu estava falando com seriedade e voltando a olhar para a televisão. – Então tudo bem, boa noite, querida.

Assim que ele se despediu, eu corri pela a escada em direção ao meu quarto, trancando a porta quando passei. Eu olhei as horas no relógio velho que minha mãe usava como despertador para mim e já vi que ia dar oito e meia da noite.

Fiquei andando de um lado para o outro, esperando que ele chegasse. De vez em quando ia á janela, ver se o via se aproximando. Quando eu já não agüentava mais de ansiedade e o relógio acabava de marcar nove horas, eu me postei em frente á janela, esperando vê-lo surgir na esquina.

Foi com um sorriso de canto a canto em meu rosto, que eu vi ele se aproximando, saindo da pequena quantidade de árvores que tinha na frente da minha casa. Ele via calmamente, andando como se estivesse passando casualmente na rua. Andou até o lado da minha casa e se postou embaixo da minha janela. Vi ele escalando para minha janela com agilidade – já deveria está acostumado. Quanto tempo ele já fazia isso? Dois meses?

Ele não me viu parada na janela até chegar um pouco mais perto. Sorri para ele, abrindo o vidro para que ele entrasse. Assim que ele chegou e passou pelo o quadrado da janela, colocando os pés no assoalho do meu quarto, eu o abracei.

Eu o abracei com todas as forças que surgia em mim. Era como se eu não suportasse mais viver sem seus braços me circundando, ou seus lábios beijando o topo da minha cabeça como ele estava fazendo agora. Eu não queria ter que me separar de Edward. Ele era tão extremamente importante em minha vida agora. Não queria ter que me separar dele por causa de diferenças sociais ou por causa de problemas que venham surgir em estamos em seu mundo que ele considera ruim para mim.

- Você veio. – Comentei exultante, ainda abraçada a ele.

Ele sorriu. O leve sorriso de veludo que me fizera me apaixonar por ele.

- Claro que sim. – Ele falou, passando as mãos suavemente em meu cabelo. – Eu sempre venho, lembra? – Ele pareceu meio apreensivo com essa segunda fala.

Eu sabia que ele devia está estranhando minha atitude nessa noite. Toda noite eu o recebia com a felicidade de poder vê-lo, mas naquela noite eu estava mais nervosa pelo o fato de ele realmente ter vindo. Eu estava com medo de algo, insegura pelo o que tinha acontecido hoje de tarde; meu pai e minha mãe tão amigos da pessoa errada.

Naquele momento, eu sentia que eu me tornava mais incomodada por não apresentar Edward para eles. Quanto tempo isso iria durar? Um dia eu teria que contar.

- Sim, você sempre vem. Obrigada por isso. – Eu murmurei.

- Bella. – Sua voz estava angustiada. – O que foi? – Ele passou as mãos para os meus ombros e me afastou um pouco para poder fitar os meus olhos.

Seus olhos verdes estavam brilhantes, enquanto seu cenho tinha uma pequena ruga de preocupação no meio de sua testa.

- Eu quero te contar algo. – Anunciei preocupada.

Ele franziu ainda mais o cenho e depois deu um leve sorriso torto.

- Tudo bem. – Sua voz estava mais suave. – Mas, antes me deixe te dar algo.

- Me dar algo? – Perguntei confusa, abaixando minha guarda nervosa.

Ele sorriu um pouco mais animado e nessa hora eu percebi a sacola que ele segurava em suas mãos.

- O que é isso? – Perguntei quando ele ergueu a sacola para mim.

- Algo que eu quis te dar. – Ele deu de ombros.

- Edward... – Minha voz saiu repreensiva. – Você... Você não precisa se preocupar em me dar presentes. Eu sei que você...

- Bella, não importa. Eu não gastei quase nada. Tome. – Ergueu mais a sacola para que eu pegasse.

- Você não devia fazer isso. – Resmunguei. — Sei que você acha que eu venho de um mundo totalmente diferente do seu, mas não precisa fazer isso.

- Bella, eu sou seu namorado. – Ele falou firme, olhando-me um pouco mais triste. – Eu quis te dar isso. Não se preocupe. Eu já disse; eu não gastei quase nada.

- Mas...

- Bella. – Ele ergueu mais a mão com a sacola. – Só aceite. Por favor. – Sorriu torto e me olhou sobre os cílios em seu olhar irresistível.

Suspirei e olhando para ele, peguei a sacola. Quando tirei o presente de dentro, estava coberto com um suave papel de presente rosa. Eu olhei para ele, dando-lhe mais um sorriso torto e abrir o pacote, um pouco mais animada.

Minha boca se abriu um pouco surpresa quando eu vi o presente e o meu coração palpitou alegre. Era um conjunto de pinturas completo. Com tintas de várias cores e pinceis. Como ele adivinhará que eu estava precisando?

Eu olhei para ele, sentindo meus olhos um pouco úmidos.

- Eu sei o quanto pintar é importante para você... – Deu um sorriso meio triste. – Eu ouvi você comentando que sua tinta estava acabando certo dia e percebi o quanto isso lhe deixava triste. Então eu... – Deu outro sorriso e deu de ombros. – Esme pintava também. Tinha um conjunto incompleto em casa e eu só precisei completar com algumas tintas. Não são tão boas assim, mas...

- È perfeito. – Cortei-lhe antes que ele terminasse e o abracei novamente, grata. – Obrigada Edward. Você realmente está me fazendo feliz.

Senti-o inspirando o ar do meu cabelo.

- È o mínimo que eu posso fazer por você. Não quero que você se sinta tão infeliz por esta com essa nova vida e não ter como pintar.

Desencostei a minha cabeça de seu peito e o olhei. Ele tinha um sorriso mínimo no rosto, mas eu sabia que ele estava triste.

- Edward. – Procurei pronunciar seu nome com intensidade. – Eu não estou infeliz. Você recompensa qualquer coisa que eu tenha perdido. Será que pode entender? Por favor, eu gostei muito do presente. Muito mesmo, principalmente por ele está vindo de você. Mas, não se preocupe muito com isso. Eu não quero que você tenha que ficar se preocupando em me dar algumas coisas que talvez você não possa. Carlisle precisa mais desse dinheiro do que eu preciso. Além do mais, eu não tenho nada para te dar em troca.

- Você me dar tudo só pelo o fato de respirar, Bella. Não precisa me dar mais nada. – Ele franziu o cenho, como se estivesse chateado com a minha frase.

Abaixei a cabeça, sentindo que estava corando.

- Viu? Isso tudo o que eu preciso. Não precisa se preocupar em me dar mais nada. – Sussurrei e ele riu.

Ele sentou em minha cama, levando-me consigo e me colocando em seu colo, contraindo-me em seu peito o mais forte que podia.

- È uma pena que eu não possa fazer um desenho seu aqui no quarto. – Eu falei frustrada, procurando esquecer as sensações que me tomavam quando eu estava tão perto dele.

- Não me importo. – Ele deu de ombros. – Desde que você continue a desenhar, eu fico feliz.

Sorriu animado e eu retribuir-lhe, mas logo minha expressão ficou séria quando eu lembrei o que aconteceu a tarde. Ele percebeu minha mudança de humor e franziu os lábios, preocupado.

- Então, o que você tinha para me contar mesmo? – Perguntou um pouco mais cauteloso.

Eu suspirei e fechei os olhos, programando as palavras que diria a ele.

- Edward, o amigo do meu pai é...

Toc toc toc!

Eu parei abruptamente quando ouvi alguém tocar na minha porta. Olhei para Edward assustada, vendo seus olhos esbugalhados exatamente como deviam está os meus.

- Bella? Querida, você pode abrir aqui, por favor? – A voz de minha mãe soou calma do outro lado da porta enquanto eu e Edward continuávamos a nos olhar com as expressões espantadas.

- E agora? – Ele sussurrou apreensivo.

- Bella?

- Já estou indo, mãe. – Eu falei, saindo apressada do colo de Edward. – Se esconde de baixo da cama, Edward. Rápido.

Ele se levantou e se abaixou do lado da cama. Antes de se esconder debaixo dela, ele cruzou os seus olhos comigo. A expressão dele era o que já podia saber. Aquilo não estava certo. Se fosse, ele não precisava está fazendo aquilo. Na cabeça dele, ele sabia que não devia está ali, ele pensava que era errado está ali.

Fechei os olhos, procurando deixar esse pensamento um pouco de lado e quando vi que ele já estava escondido, corri até a porta, fazendo a minha melhor cara de sono antes de abrir a porta para Renée.

- Mãe? – Perguntei com uma voz sonolenta, ficando na frente da porta para que ela não precisasse ver dentro do meu quarto.

- Bella? Você está bem? Eu ouvi alguns murmúrios no seu quarto.

Tentei não engoli em seco.

- No meu... Quarto? – Fingi confusão, franzido o cenho. – Hmmm, talvez tenha sido eu. A senhora sabe que eu costumo falar enquanto durmo. – Dei de ombros, procurando fazer pouco caso. Esperava que eu estivesse deixando a mentira tão expressa em meus olhos.

Ela franziu o cenho, como se estivesse pensando em algo que não se encaixava em minha resposta.

- È que eu ouvi uma voz de homem... – Ela falou pensativamente, mas antes que eu entrasse em pânico, ela bufou e deu dois tapinhas em meu braço. – Talvez eu já esteja ficando doida. – Deu um sorriso maternal.

Forcei um sorriso para ela.

- Bom, mãe, se era só isso, eu vou dormir. – Eu falei, já fazendo a ação de fechar a porta.

- Espere querida. – Ela pôs a mão na porta, impedido que eu fechasse.

- O que foi mãe? – Minha voz saiu meio engasgada, então eu tive que pigarrear.

- Eu queria saber de você o que achou do garoto? De Jacob Black? Ele não é um garoto lindo e educado? – Ela perguntou mais animada, juntando as mãos em uma atitude de exultação.

Fechei os punhos da mão estava sobre o trinco da porta, a que minha mãe não estava vendo e procurei deixar o meu rosto impassível. Eu tinha certeza que Edward estava ouvindo a conversa.

- Ele é... – Pigarreei. – Legal.

- Ah Querida! – Minha mãe começou a falar, enquanto eu fechava os olhos, nervosa.

Que ela não falasse nada demais. Pedi mentalmente. Tenho certeza de que Edward já tinha escutado.

- Ele é legal e lindo. – Ela completou empolgada. — Você não acha que vocês fariam um belo casal juntos? Seria bom você ter um garoto como ele do lado, não acha? Aqueles alunos de sua escola... – Bufou. – Não servem para serem os seus amigos.

Mordi os lábios e abaixei a cabeça. Droga! Era tudo o que eu queria que ela não falasse.

- Mãe, eu...

- Bella, e por que você agiu com ele daquele jeito? Tem algo de errado com vocês dois? Vocês já se conhecem?

- Não. – Menti e levantei a cabeça para lhe encarar. – Mãe, eu não quero...

- Oh! Que bom! – Ela me cortou com um sorriso mais amplo. – Então, acho que posso esperar um namoro desse relacionamento, hã? Ele é rico, Bella. Poderá dar um futuro bom que você...

- Mãe... – Cortei-lhe com a voz tão dura e fria, antes que ela falasse outra coisa que eu sabia que iria incomodar o Edward.

Ela parou e me encarou surpresa quando ouviu o tom de minha voz. Fechei os olhos e engoli em seco. Eu tinha que manter a calma. Um erro, e ele poderiam descobrir meu relacionamento com Edward.

- Por favor... – Eu continuei com a voz um pouco mais calma. — Eu não quero conversar sobre isso agora. Eu estou morrendo de sono.

Ela me olhou confusa, analisando a minha face. Sua expressão estava mais séria enquanto ela tentava encontrar alguma coisa que eu não sabia dizer o que, em mim.

- Como assim? Você se recusando a falar sobre isso? Bella, está acontecendo algo com você da qual eu tenha que saber? – Perguntou seriamente.

- Claro... – Sorri para ser convincente. – Que não, mãe. Eu só estou cansada. – Mordi os lábios, esperando que ela acreditasse em mim.

Ela ficou mais alguns segundos me encarando até e depois de cerrar os olhos em uma atitude suspeita, suspirou, como se desistisse de tentar ver o que tinha de errado comigo.

- Aaah, tudo bem. – Ela deu de ombros, mais leve e despreocupada, fazendo-me suspirar aliviada. – Eu só estou feliz por saber que Billy tenha um garoto gentil para ser seu amigo. Eu te vejo tão sozinha e não gostaria também que você se misturasse com as pessoas do seu colégio. – Passou a mão em meu rosto e deu um beijo em minha bochecha. – Durma bem, querida. Amanhã nós conversarmos mais.

Assenti, dando um pequeno sorriso desanimado para ela. Quando ia fechando a porta, ela me chamou. Eu trinquei levemente os dentes e olhei para ela.

- Bella, espero que você tenha consciência das escolhas que faz, filha. Muitas influenciam bastante em seu futuro. Eu ficaria orgulhosa se minha filha tivesse uma vida promissora, com alguém que possa lhe fazer feliz.

- OK! Mãe. – Minha voz não saiu mais que um sussurro. Sentia um nó se formando em minha garganta, trazendo a dor da dificuldade da realidade em minha mente. – Nós conversamos outra hora, OK?

- Claro. Boa noite, querida.

- Boa noite, Renée.

Ela sorriu e se virou, começando a andar em direção a escada. Só quando eu vi que ela já estava no andar de baixo é que fui capaz de fechar a porta e olhar para o meu dentro do meu quarto, sabendo o que me aguardava.

Edward já estava de pé, seu rosto estava sendo iluminado pelo o suave feixe da luz da lua que entrava pela a minha janela. Seus olhos estavam tristes como eu nunca os vi. Eu sabia o quanto daquela conversa entre mim e minha mãe o incomodava. Eu queria que não tivesse que ser assim.

- Ja... Jacob esteve aqui? – Ele sussurrou, mas eu pude ouvi a rispidez por baixo de sua voz.

Assenti com dificuldade, olhando-o nos olhos e odiando a distância que havia entre nós. Só me fazia lembrar o buraco de dificuldades que tinha em nosso relacionamento.

- E ele é o filho de Billy... – Sua boca entortou, dolorosa com a afirmação. – Que é o amigo que está ajudando ao seu pai a se reerguer. – Seus olhos foram para o piso do meu quarto, enquanto ele dava um sorriso sem humor. — Isso parece bastante conveniente.

- Edward, escute... – Caminhei até ele, sentindo a necessidade de está próxima dele.

Um erro, uma palavra, um gesto, uma conversa que saísse errada no nosso meio, poderia pôr o fim em nosso namoro. Eu não agüentaria não ter ele por perto.

- Não, Bella. Eles estão certos. – Ele falou antes que eu continuasse.

- Não, eles não estão. – Eu falei com firmeza e suspirei.

Peguei a sua mão e o puxei para cama, sentando-o nela e me sentando em seu colo para melhor lhe encarar.

- Eu já disse que o dinheiro não importa mais para mim. – Justifiquei, esperando que ele me ouvisse.

- Mas, para eles importa, Bella.

- Edward... Deixe-me, deixe-me falar, Ok? – Eu pedi implorativa, segurando a sua mão sobre a minha.

Ele suspirou e abaixou a cabeça, dando-me um consentimento para prosseguir.

- O Jacob veio mesmo aqui. – Afirmei e pude sentir suas mãos se contraindo sobre a minha. — O pai dele é o amigo do meu pai. Eu sei que isso é atormentador, é atormentador até para mim. Eu não queria ter motivos para ter que ficar perto de Jacob. – Suspirei pronta para contar o pior da história. – Mas, meu pai está muito grato a Billy sobre o que ele vem fazendo por nossa família ultimamente. Eu também estou, Edward. Se não fosse ele, nós não estaríamos aqui agora. Eu não estaria com você aqui agora.

Abaixei a cabeça, olhando nossas mãos ao continuar.

— Foi por isso que Jacob veio ao meu quarto hoje e...

- Ele veio em seu quarto? – Ele perguntou entredentes. – Ele não fez nada com você, não é? – Ele segurou mais apertado as minhas mãos, quase com violência.

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- Não, ele não fez. – Apesar da minha veemente negação, seus dentes se trincaram.

- E o que ele queria? – Sibilou.

- Uma proposta. Ele disse que estava disposto a mudar comigo, a me deixar em paz, a lhe deixar em paz, se nós... Nós somente fossemos amigos. Não sei, qualquer coisa que não tenha tanta hostilidade no meio...

- Amigos? – Edward perguntou com um arquejo. Sob a luz do luar, seus olhos verdes claros, estavam quase escuros. – Você e Jacob?

- È para o nosso bem. È para o bem de minha família. – Comecei a justificar. — Seria tão desnorteante para o meu pai ver que o filho do seu amigo estava me desprezando na escola. Eu aposto que Charlie devolveria tudo o que Biily lhe deu, até abandonaria o cargo que conseguira na delegacia, porque Charlie não suportaria que algo que ele fez me aflija de alguma forma. Então, para que isso não ocorra, eu tive que concordar com ele. Pense comigo também, isso vai nos proteger. È uma forma de nos manter escondidos. – Abaixei a cabeça, triste. – Se Charlie descobrir que eu estou com você, ele... – Fui incapaz de completar a frase.

- Ele nunca mais vai te deixar me ver, não é?

- Capaz até me tirar do colégio... – Eu olhei mais em pânico para ele. – E eu não quero isso, Edward. Eu só quero está ao seu lado.

Edward ficou calado por alguns segundos. Seu rosto perfeito e preocupado olhando algum ponto invisível sob os meus ombros quando sua testa se enrugou e ele olhou para mim.

- O que ele disse? – Perguntou de repente, mas sério.

- O Jacob? – Perguntei e ele assentiu duramente. Suspirei. — Ele só disse que queria mudar. Que viu que eu não era a pessoa que ele pensou que eu fosse, e que por esse motivo não ia mais agir como estava agindo. Ele disse que ia nos deixar em paz, mas ele queria que ao menos eu pudesse ser... – Entortei a boca. – Colega ou qualquer coisa do tipo dele. Ele disse que isso tinha alguma coisa a ver de ele respeitar muito o pai e não gostar de ir contra algumas atitudes do mesmo. Ele disse que se o pai dele está nos ajudando, é porque é missão dele também fazer isso. – Os olhos de Edward se estreitaram. – Eu não acreditei muito também, mas...

- Não. – Ele me cortou e abaixou a cabeça. – Ele está falando a verdade. – Sua voz era um sussurro no escuro do meu quarto. — Ele respeita muito o pai. Billy é muito compreensivo com ele, e apesar de agir como age, Jacob ama o pai. Ele odiaria que algo que ele fez viesse a se colocar no meio de uma amizade de Billy.

Eu não disse nada. Apertei mais suas mãos na minha quando percebi o suspiro de resignação saindo de sua boca.

- Bella, Jacob é um... – Ele começou, parando com o cenho franzido, lutando com as palavras. – Um garoto legal. Mas, só com quem ele quer ser. Eu tenho certeza que ele vai cumprir a promessa que lhe fez. – Suspirou pesadamente. – E isso não está errado. Se... Sua mãe quer tanto que... – Fechou os punhos sobre as pernas.

- Edward. – Segurei a sua face contorcida em dor com as minhas duas mãos, obrigando-o a me fitar – Eu não me importo com o que ela quer. Sendo Jacob legal ou não, nosso relacionamento não pode sair mais do que uma amizade e olhe lá. – Bufei contrariada. — Você tem que entender, que quem eu quero do lado é você. Você me faz feliz nessa nova vida. Ninguém mais pode fazer isso.

- Mas, Bella, ele pode te dar coisas que eu não posso. Sua mãe está certa em se preocupar com o seu futuro...

- Edward. – Minha voz saiu quase raivosa, contrariada com as palavras dele. – Não fale essas coisas entendeu? Eu não sou mais a mesma de antes. A que eu era antes de te conhecer. Você tem que entender que eu não me importo mais com isso.

- Mas, sua mãe se importa, e ela está certa em se importar. Bella, você perde um mundo inteiro se relacionando comigo, se esse nosso relacionamento se tornar mais forte, nós...

- E eu quero que se torne, Edward. – Segurei mais forte sua face, quase espremendo suas bochechas sobre a palma de minhas mãos. – Eu quero você por toda a minha vida. Eu sei que esse sentimento que eu sinto por você não vai diminuir. Não é assim que eu costumo ver as pessoas apaixonadas. Elas são menos dependentes. E eu, Edward, não agüento ficar longe de você.

- Mas, é tão difícil, Bella. – Ele murmurou.

- Você não gosta de mim? – Perguntei melancólica.

Seus olhos se esbugalharam quando viraram para minha face, como se eu o tivesse o insultado com o pior palavrão do mundo.

- Claro que eu gosto. – Sua voz saiu firme e forte. – E o motivo de eu esta preocupado com você, com o seu futuro, é justamente por eu está me sentindo egoísta, por esta te prendendo em meu mundo por causa desse nosso sentimento.

- Você não está me prendendo. – Eu suspirei, cansada de tentar discutir com ele o quanto eu o amava para não me importar com nada que não fosse está ao seu lado.

- Bella, seus pais vão arrumar um jeito de lhe juntar com Jacob.

Eu sorri.

- Edward, você está esquecendo-se de algo. Ninguém pode querer me juntar com alguém que também não goste de mim. Jacob vai ficar tão contra quanto eu. Então, não se preocupe com isso. – Sorri um pouco animada por me lembrar daquilo

Era lógico! Eu não tinha pensado por esse lado. Minha mãe não poderia tentar me juntar a alguém que também não gostasse de mim. Só porque Jacob queria manter uma amizade comigo por causa do pai, não significava que ele gostava de mim para ter esse tipo de relacionamento que minha mãe tanto quer. Isso me aliviou um pouco.

Edward não respondeu meu comentário, apenas encolheu o cenho e abaixou a cabeça.

- Edward, eu preciso que você me prometa uma coisa. – Eu pedi e ele olhou para mim quando a minha voz saiu seria demais.

Eu comprimir os lábios, tensa, pedindo que ele concordasse com o que eu iria falar.

- Você tem que me prometer que vai lutar, Edward. Que você vai lutar por mim. Eu não posso ganhar essa luta sozinha, entende? Não posso embarcar nesse sentimento se não tiver a certeza de que você não ira a lugar algum, não vai me deixar por medo de não ter como me dar um futuro bom. – Ele fechou as mãos com mais força em minha cintura. – Certo, Edward? Você me promete?

Sua respiração ficou mais rápida enquanto eu fitava o seu rosto, esperando uma resposta. Seus lábios se comprimiram e seus olhos fitaram os meus de maneira intensa, como se ele quisesse ver as resposta por debaixo de minha pupila.

Um sorriso — um que não era o meu preferido e não chegava até os seus olhos — surgiu em seus lábios. Ele elevou a mão até o meu rosto, afagando-a com suavidade. Eu inclinei a cabeça para ela, fechando os olhos, sentindo o formigamento em meu rosto por causa de seu toque. Isso não era normal.

- Para onde mais eu iria, Bella? – Ele falou sério e eu abrir os olhos para lhe encarar. – Por mais que meu lugar não seja ao seu lado, por mais que esse sentimento que eu sinta por você esteja errado...

- Não fale que ele está errado. Isso me magoa. – Revidei com uma careta de resignação.

Ele comprimiu os lábios e puxou a minha cabeça para o seu peitoral. Eu fechei os olhos, sentindo o sei peito levantar-se e abaixar-se regulamente com a sua respiração um pouco descompassada.

- Desculpe-me, meu amor. – Sua voz estava mais leve. – Eu prometo que não te deixarei. – Ele citou solenemente. — Enquanto você estiver certa do que sente por mim e me quiser ao seu lado, eu continuarei aqui. Mas, você tem que me prometer que quando estiver cansada de mim, Bella, você vai me pedir para ir embora.

Uma arfada aguda saiu da minha boca quando eu o vi falar aquilo.

- Edward, então pode se prepara de ter que me agüentar para sempre. Eu não vou enjoar de você. Nunca. – Apertei a sua cintura confirmando minhas palavras.

Ele deu um riso curto, não muito animado. Apesar de ele ainda não parecer ameno com a conversa que tivemos ali, eu fiquei mais tranqüila quando ele prometeu não sair do meu lado por causa desses seus pensamentos de ser errado para mim.

Eu levantei a minha cabeça para ver como estava sua expressão, e o percebi olhando para mim com os olhos gentis e doces. Não agüentando, eu encurtei o espaço que havia entre nossos lábios e o beijei com leveza. Sua mão veio para meu rosto e a minha foi enrolar meus dedos em seus cabelos macios, enquanto com suavidade ele entrelaçava sua boca na minha.

Depois de ficarmos sem ar e sem falar mais nada, Edward se acomodou na cabeceira da minha cama e me puxou delicadamente, colocando a minha cabeça em seu peitoral e me cobrindo com o lençol. Suas mãos começaram a alisar o meu cabelo quando eu o ouvir começar a cantar a minha canção de ninar.

Fechei os olhos, acomodando-me mais em seu peitoral. Havia uma dor em meu peito. Uma dor que não era tão satisfatória como ao que eu sentia por ter aquele sentimento por ele. Aquela dor doía de maneira preocupante. Era como se dissesse que para Edward e eu sermos felizes, eu teria que encarar muito mais coisas do que poderia eu imaginar. Coisas que ainda pareciam invisíveis para mim.

Com o pensamento, a dor se aprofundou. Apertei-me a Edward, procurando me segurar nele, procurando fazer com que aquela angustia se fosse e que seus braços confirmassem a minha segurança ao seu lado.

Eu não me importava. Não importava com a luta que teria que encarar. Se for para está sempre ao lado dele, eu não relutaria. Iria até o fim para tê-lo comigo.

Notas finais
ÈÈÈ, então? O que acharam? Justa a atitude de Bella com o Jacob? Será que ele realmente quer mudar? kkkkk Não fiquem apreensivos. O sentimento de Bella por Edward não vai mudar. Então, relaxem. Booom, a justificativa por ele está meio grande é porque eu vou demorar mais dias para postar. :( Minhas aulas começam segunda --' e eu estou no terceiro ano. Meu pai vai pegar mais no meu pé, e eu vou ter que estudar mais. Afinal, o vestibular está batendo na porta e eu tenho que fixa em coisa importantes. Não vou abandonar a fanfic. Não se preocupem com isso. Tenho muitos capítulos já escritos. Mas, vou demorar um pouquinho para postar. Espero que vocês não me abandonem. *---* Bom, é isso. Comentem e me deixem feliz. *---* Beeeeeijos ;*