Aprendendo a Viver.
6 Capítulo 5 - Apaixonada.
Notas iniciais
Ainn, eu tô tão feliz. Obrigada pelos os comentários de vocês. Continuem comentando e me deixando feliz assim. :D
Beeeeijos e se divirtam.
5. Apaixonada.
Edward estava com os seus olhos verdes fixos na estrada a sua frente. Parecia está tendo todo o cuidado possível ao dirigir a minha caminhonete. Eu achei engraçada a preocupação demasiada dele com aquele mostrengo. Minha caminhonete parecia ser daquelas que quando bati em um carro luxuoso, o destrói todinho e ainda continua intacta.
Sorri, vendo a expressão de Edward preocupada com a direção enquanto dirigia. Ele percebeu e me lançou um olhar ligeiro, voltando logo depois para pista.
- Do que está rindo? – Percebi sua voz emburrada.
- Você. – Sorri novamente. – Dirige como se estivesse protegendo a própria vida. – Olhei para suas mãos; elas estavam firmes no volante como se ele estivesse segurando um pino de uma bomba, com todo o medo de soltá-la.
Sem tirar os olhos da estrada, ele deu um sorriso torto em reação á minha resposta.
- O carro não é meu, tenho que ter cuidado.
Eu dei de ombros e olhei pela a janela, vendo o céu escurecendo com a chegada da noite e os pingos finos de chuva caindo.
- De qualquer maneira, fique a vontade para batê-la. Não vai fazer muita diferença para mim. – Comentei em um tom divertido. Meio segundo depois me arrependi do que falei; o carro estava saindo muito bem para as minhas necessidades.
Se eu não o tivesse, não estaria vendo a satisfação de Edward detrás de um volante. Percebi por ali que ele não era muito acostumado a dirigir. Também não é Bella? Como ele vai dirigir se nem ao menos pode comprar um carro? Pensei sarcasticamente e suspirei.
Ele ouviu meu suspiro, jogando outro olhar de relance para mim.
- Algum problema? – Perguntou.
- Não. – Suspirei novamente e decidi mudar a conversa. – Só estava pensando aqui o quanto você está se fingindo de ocupado, para não ter que responder as minhas perguntas.
Ele comprimiu os lábios, segurando um sorriso que iria entregá-lo.
- Como você pôde chegar á essa conclusão? – Fingiu-se de inocente.
- HAHA. Vejo isso nos seus olhos. Se não, deixe-me começar as perguntas. – Exigi, cruzando os braços e estreitando os olhos em sua direção.
- Por que não esperamos chegar até a sua casa?
- Esta vendo. Você esta tentando fugir das perguntas. – Acusei, ficando de lado no banco, para encará-lo melhor.
Ele suspirou e pareceu relaxar em frente ao volante. Até suas mãos que seguravam com força o volante se soltaram um pouco.
— Tudo bem. Não vou mais fingir. De qualquer maneira você não vai desistir de perguntar mesmo. – Se rendeu.
- Não vou mesmo. – Não entendia porque ele estava tão hesitante em responder minhas perguntas.
- Pode começar então. – Foi quase como um silvo emburrado.
Franzi o cenho com sua atitude e olhei para a janela novamente, pensativa. Queria começar pelas as mais fáceis, portanto minha curiosidade era grande para começar com as que eu queria. Inclusive a que eu fiz no refeitório e ele não quis responder.
- Bem... Eu queria começar por... – Hesitei, tentando adivinhar se ele iria inventar outra coisa para não me responder. – Eu queria começar pela a pergunta que eu lhe fiz no refeitório. – Voltei a minha atenção para ele. – Por que você disse aquilo para Jacob? “Dessa vez eu não vou deixar” – Fiz umas aspas com minhas mãos.
Vi seus dedos apertando novamente o volante, seus olhos cerrando para a pista na sua frente. Ele suspirou resignado.
- Você não poderia ter escolhido uma mais fácil? – Perguntou querendo botar um tom brincalhão na voz, mas tudo o que saiu foi um tom murcho.
- Isso é algum tipo de segredo? – Perguntei prestando mais atenção em suas expressões.
Ele franziu cenho e comprimiu os lábios.
- Não, é só que eu não gosto de falar sobre isso... – Suspirei entediada. – Mas... – Ele percebeu o meu humor. – Como é a sua pergunta, eu tenho que responder. Certo?
- Sim. Com sinceridade, assim como eu respondi as minhas.
- Tudo bem. – Suas mãos afrouxaram; sinal que ele estava tranqüilo novamente. Eu estava medido o seu humor por elas. – Não é a primeira vez que Jacob faz isso. – Ele respondeu.
- Faz o que? Ficar no pé de alguma garota?
Aquilo iria servir como resposta para a outra dúvida que eu estava no dia anterior; Edward agia assim com todas as meninas indefesas que atravessavam o seu caminho? De alguma forma, mesmo que isso me incomode, poderia justificar porque Edward estava sendo tão compassivo comigo.
- È, você não é a primeira. – Ele concordou meio insatisfeito. — Quando alguma garota entra no colégio e é atrativa para os olhos de Jacob, ele cai em cima. Não sei se é só para assustar ou para jogar, mas, ele sempre faz isso. Ele sempre consegue o que quer. Sempre consegue... – Ele franziu o cenho, sem saber o que falar. – Ele consegue fazer o que quer com essas garotas. – Suspirou e seus olhos ficaram mais tristes. – Ano passado, houve uma garota. Só que essa resistiu, assim como você está resistindo... – Engoli em seco. Não queria uma história parecida com a minha. – Ela estava assustada com as atitudes de Jacob. Procurou ajuda comigo e eu tentei protegê-la...
Senti um incomodo no coração. Tanto que desviei o olhar dele. Ele não percebeu minha atitude e continuou a falar com os olhos fixos na pista:
- Quanto mais a garota dizia que não queria nada com ele, mas ele ia atrás. Quanto mais eu a tentava deixar longe dele, mas ele ia atrás. Parecia ser um tipo de jogo. Parecia ser um tipo de jeito de ele mostrar para mim que conseguia o que queria mesmo sendo como era.
- Você protegeu a garota... – Minha voz saiu cortada e eu pigarreie, querendo controlar isso. – O que? Você... Você faz isso a todas... – Engoli em seco e olhei para o lado de fora. Sentia meus olhos querendo expulsar lágrimas? Por quê? – Você faz isso com todas as garotas que Jacob tenta machucar? – Perguntei com a voz abafada.
- È o meu dever. Não quero ver Jacob machucando ninguém.
Ofeguei, ainda olhando para fora. Então, era como eu imaginava. Isso que ele estava fazendo comigo, ele também fazia com outras garotas. Minha mente me levou a outro pensamento; se ele não estava com nenhuma dessas garotas agora, no mínimo ele se cansou. Ou seja, ele também se cansaria de mim algum dia. Isso me incomodou mais do que eu queria.
- Então é isso que é? – Perguntei com a voz baixa. As lagrimas ainda estavam persistentes em querer sair. Será que Edward não era o que eu imaginava? Será que era por causa disso que ele estava tão hesitante em me falar a verdade? – È disso que... – Não consegui terminar, tamanha minha vergonha por está tão preocupada com aquilo.
- Bella, o que foi? – Ele perguntou quando eu não consegui continuar.
Virei minha face para ele.
- È disso que se tratam suas atitudes comigo? – Mordi os lábios quando ele lançou um olhar para mim confuso e depois os voltou para a pista. – È só... Como você trata to...
- Bella. – Ele falou de maneira suave, me interrompendo. – Não, não é isso que você acha que é. Eu só as protejo porque eu acho que é um dever. Você está com raiva disso? – Perguntou confuso.
Suspirei decepcionada. O que tinha dado em mim? Eu não tinha o direito de ficar com... Ciúmes (?) por causa disso. Desviei o rosto antes que ele inventasse de me olhar e visse a pequena lágrima querendo sair dos meus olhos.
- Não, me desculpe... – Suspirei. – Eu... Eu não tenho nada a ver com isso. Desculpe-me.
Ele ficou calado por um tempo. Sentia sua respiração um pouco mais pesada, mas não quis desviar o rosto para ele. Estava me sentindo uma tola. Eu não tinha nada a ver com a vida de Edward. Por que eu tinha que sentir aquilo?
- Você pode continuar a história. – Murmurei mais firme. – O que aconteceu com a garota?
Quando eu o ouvir suspirar, decidi olhar para ele. Seus olhos estavam presos na estrada, como se ele estivesse vendo o flashback nas pistas.
- Eu tentei fazer de tudo para afastá-la de Jacob. Mas, Jacob não a deixava em paz. Parecia mais persistente nessa do que em qualquer uma... – Ele sacudiu a cabeça, desaprovando. — Um dia, quando eu cheguei ao colégio, percebi a ausência da garota. Ela sempre vinha me procurar no começo das aulas só para dizer que estava bem ou que Jacob não a procurara. Mas, naquele dia, ela não estava lá. Então, mais tarde, eu a percebi entre a gangue de Jacob. Ela estava com ele. – Deu de ombros e seus olhos pareciam tristes. – Eu não sei o que aconteceu, mas ela simplesmente se entregou á ele.
- Então você desistiu de tentá-la ajudá-la?
- Não havia mais o que fazer. – Ele murmurou.
- Vo... Você se apaixonou por ela? – Perguntei em um sussurro.
Um sorriso torto saiu dos seus lábios.
- Não. – Ele balançou a cabeça levemente.
Quando ele se encostou ao banco do carro, percebi que havíamos chegando á minha casa. Ele desligou o carro e me olhou, encontrando seus olhos com os meus. Pareciam está mais determinados.
- Eu não me apaixonei por ela. – Ele falou como se quisesse deixar aquilo claro para mim. Mais uma vez, vim que não era da minha conta. Mas, quando o ouvir falar aquilo de maneira determinada, meu coração pareceu ficar quieto.
- Então por que você ficou tão preocupado pelo o fato de ela ter se entregado para Jacob? – Eu perguntei, olhando ele nos olhos.
Ele balançou a cabeça e voltou a olhar para frente, como se ainda estivesse dirigindo.
- Ela caiu na armadilha dele. Foi isso o que me deixou mais triste. Eu não soube protegê-la direito. – Sua voz estava cheia de culpa.
Quando ele olhou para mim, voltei meu olhar para as minhas mãos, tentando me distrair. Eu estava com medo de minha atitude anterior – a de quase chorar só por ele ter falado das garotas anteriores. Não era para eu está agindo assim; eu nunca agia assim.
Ele suspirou e eu percebi que havia mais coisas.
- Quando eu disse aquilo hoje para Jacob... – Recomeçou. – È porque eu não quero que aconteça com você a mesma coisa.
Eu olhei para ele assustada. Como é que ele pode pensar que eu poderia me entregar para aquele miserável do Jacob?
- Você acha que eu seria capaz de...? – Fui incapaz de terminar a frase quando minha voz falhou. – Ninguém é igual á ninguém.
- Eu sei Bella. – Ele concordou veemente. – Eu não estou falando de você. Estou falando de mim. Eu não vou o deixar atormentar você como ele atormentara a outra.
- Por quê? – Perguntei confusa por sua ênfase nas palavras.
Ele suspirou e passou as mãos no cabelo. Eu o percebi engolindo em seco e desviando o olhar.
- Eu gosto de você. – Por mais que aquelas três palavras tivessem me agradado, eu ainda não estava satisfeita com a resposta.
- Por quê? Para você protegê-la deveria gostar dela também. – Foi quase uma acusação.
Ele fechou os olhos e balançou a cabeça, vagarosamente, de um lado para o outro. Abri-os e suspirou.
- Não Bella. Você é diferente.
- Eu? – Dei um leve sorriso sarcástico. – Eu ainda continuo sendo a garotinha patricinha mimada. Não mudei muito ainda. Pode parecer que sim, mas, por dentro ainda continuou querendo ser aquela garota rica que era antes. Então por que eu sou diferente? Devia ser mais gratificante para você proteger a outra, que não era tão diferente de você, do que a mim que sou teimosa e diferente o bastante de você.
- Não. – Ele sussurrou entre os lábios e abaixou a cabeça, soltando um leve sorriso torto. – Eu não quero te perder para ele, Bella. Não é por experiência da outra ou por querer jogar com Jacob, só não quero te perder para ele. Você é... – Hesitou e franziu os lábios. – È diferente. Eu já disse.
Ele não olhou para mim novamente. Olhava para sua frente, ainda com as mãos no volante. O que era bom. Não queria que ele visse o quanto eu estava vermelha agora. Mordi os lábios e por um momento nós ficamos em silêncio. As palavras dele ainda tremeluziam dentro de mim. Eu sentia o meu coração batendo mais forte, minhas mãos suando e o meu bem estar ao seu lado. Eu estava sentindo o que eu não queria sentir por ele. Não por não querer. E sim, por ser difícil se fosse o que eu estava pensando.
Procurando deixar para lá aqueles pensamentos, querendo pensar neles somente quando não estivesse sobre a influência de Edward, decidi recomeçar a conversa.
- Você e Jacob sempre brigaram tanto assim? – Minha voz saiu mais baixa como se eu estivesse com medo de falar e o tremor em minha voz o fizesse perceber como as suas palavras desconcertantes me fizeram ficar. Ele me acharia tola demais?
- Não. – Ele negou com o queixo firme.
Eu olhei para ele surpresa.
- Como não? Eu... Eu me lembro que no primeiro dia eu lhe perguntei sobre isso e você disse que vocês sempre brigaram.
Ele suspirou pesadamente para falar.
- Eu sei. Eu menti; Jacob e eu já fomos amigos. – Ele declarou e meus olhos esbugalharam novamente. Quando Edward percebeu minha atitude, voltou-se para mim com uma expressão impassível; não querendo demonstrar sentimento nenhum.
- Já foram... Amigos? – Perguntei querendo que ele continuasse.
- Sim. Faz uns três anos desde que estamos assim. No entanto, parece que nunca nos demos bem em alguma vida.
Ele olhou para frente, fazendo-me também olhar e perceber que a noite já surgia diante de nós com o crepúsculo já acontecendo no céu cor de chiclete. Foram na luzes fracas do pôr do sol que Edward se concentrou para contar sua história:
- Jacob e eu éramos muito apegados. – Ele recomeçou com a voz suave. — Sempre estudamos naquele colégio e sempre tivemos amigos em comum. Só que Jacob... Começou a fazer novas amizades. Amizades da qual eu não... Gostava. – Franziu o cenho como se quisesse reprimir alguma emoção mais violenta. – Parece que todo mundo naquele colégio gosta de ser ruim, gosta de assustar as pessoas. È como se fosse a única forma de mostrar que eles estão bem apesar das dificuldades. Com Jacob, foi a mesma coisa. Quando ele começou a andar com esse grupo de garotos, eu comecei a me afastar dele. Eram garotos que viviam arrumando ainda mais confusão no colégio. – Balançou a cabeça e apertou o volante com força, tornando visíveis os ossos salientes de sua mão. – Um dia Jacob perguntou se eu não queria ajudar o grupo dele a pinchar o colégio. Eles estavam falando do colégio inteiro – Sacudiu novamente a cabeça, incrédulo. – O único lugar que nós, desse lado pobre da cidade, temos para nos educar. Eu não concordei, é claro. Jacob começou a dizer um monte de coisas comigo, mas, eu não me importei. O que eu fiz foi melhor; fui até o Diretor Turner e contei a ele o que o grupo de Jacob estava planejando fazer. O diretor expulsou o grupo, mas deixou Jacob no colégio...
- Por quê? – Perguntei incrédula. – Ele também tinha que ser expulso.
Ele franziu os lábios novamente e seus olhos ficaram semicerrados.
- Por mais que não pareça, Bella, Jacob tem condições de pagar um colégio bom. Ele é de boas condições... Até mais que você. – Eu olhei para ele ainda mais confusa e incrédula. Mesmo estando com o olhar longe ele percebeu minha reação. – Ele só está naquele colégio porque gosta do que se sente lá e por causa do poder que o pai dele tem sobre a escola. O pai de Jacob já ajudou muito em questões financeiras quando o Diretor Turner precisa.
- O rei do pedaço, é assim que ele se sente. – Eu afirmei e bufei.
- È – Ele concordou. — E também, ele parece querer está próximo de mim para sempre me provocar. Ele acha que eu sou tolo, tentando concertar um colégio, manter a paz em um colégio em que nunca se pode ter esperanças... – Ele falou aquela parte com a voz melancólica.
- Não. – Sussurrei e movendo-se sem minha permissão, minha mão foi para o seu ombro. – Você não é um tolo, Edward. È bonito o que você faz. – Minha voz saiu baixa e minhas bochechas esquentaram.
Ele sorriu torto; o sorriso que aparecia a pequena covinha do lado da sua boca. Eu suspirei hipnotizada por ver o quanto ele era lindo.
- Obrigada Bella. – Ele agradeceu.
Ficamos em silêncio e meio sem jeito, eu tirei minha mão de seu ombro. Será que ele percebeu quando eu apertei-o demais?
- Desde então vocês estão nessa de briga? – Perguntei.
- È
- E o que aconteceu com o resto do grupo de Jacob? Simplesmente sumiram?
Ao fazer a pergunta, percebi sua expressão ficando estranhamente mais sombria. Seu nariz inflou e sua boca se contorceu em uma expressão de desgosto.
- Será que podemos pular essa parte? – Foi quase um rugido que me assustou.
- Mas...
- Por favor, Bella. – Ele pediu novamente com um silvo irritado.
Franzi o cenho, um pouco confusa. Ele não estava me contando tudo. Edward tinha mais segredos, ou problemas ou complicações em sua vida do que ele parecia demonstrar. Fiquei curiosa para saber o que havia de errado naquela parte da história. Portanto, pela a sua reação tentei esquecer essa por enquanto. Eu ia esperar por um momento mais propicio para perguntar. Agora eu queria saber sobre ele e insisti em uma pergunta que ele não queria responder, não parecia uma boa forma de fazer-lo responder o resto.
Suspirei e levantei minhas pernas, colocando em cima do banco e abraçando-as. Estava frio.
- Tudo bem, eu não vou comentar mais sobre isso. – Murmurei.
- Obrigada. – Ele sussurrou e pareceu relaxar mais. – Então, o que mais você quer saber? – Sua expressão mudou da água para o vinho; estava sorridente agora.
Ergui o olhar para o crepúsculo que ainda estava no céu. Edward nunca falava de família ou alguém próximo. Não sabia se ele tinha pai, mãe, irmãos. De repente, me sentia angustiada para saber isso. Será que ele era sozinho no mundo?
- Err... Bem... – Comecei meio hesitante. Já que ele nunca falava sobre isso tinha medo de que fosse lembrá-lo de algo que fosse machucá-lo. Desde quando eu fui tão altruísta? OK! Nem tanto. Eu ainda estava curiosa para saber sobre a família dele. – E quanto a sua família?
Instintivamente olhei para ele, esperando algum tipo de rejeição a perguntou ou alguma expressão que demonstrasse que eu estava fazendo a pergunta errada. Aliviei-me quando eu o vi dar um breve sorriso.
Ele olhou para mim com seus olhos brilhantes.
- Você quer saber sobre minha família? – Perguntou como se não esperasse por aquilo.
- Sim. Você tem uma, certo?
Ele sorriu torto e olhou para frente, satisfeito com alguma coisa.
- Sim, tenho. – Sua voz ao falar isso, saiu certa e determinada com um tom de orgulho por trás.
Eu sorri mais quando o vi tão feliz. Esse era um caminho em que eu poderia fazer muitas perguntas que talvez não o fosse tornar tão sombrio ou triste como ele estava antes.
- Fale-me sobre eles. Como é o seu pai? – Pedi, animada com o rumo que estava tomando.
Ele franziu o cenho, como se eu estivesse falando alguma besteira e me olhou confuso com um sorriso estreito nos lábios.
- Como assim quem é o meu pai? – Perguntou com uma voz divertida. O que eu tinha falado de errado? Com isso, eu fiquei hesitante.
- Bem... – Olhei para longe dos seus olhos. – Você... Tem um pai, certo? – Mordi os lábios, com medo da pergunta e encolhi mais minhas pernas.
Ele sorriu e abaixou a cabeça.
- Tenho sim, Bella. Mas... – Sorriu novamente. – Pensei que você já conhecesse. Bem, você já conhece...
- Eu já... Eu já conheço? – Perguntei confusa. Certo! Agora confesso que boiei total.
- Agora percebo que você é desligada... – Ele falou querendo esconder uma risada.
- Ei. – Reclamei e ele colocou a mão na boca, rindo.
- Bella. – Ele suspirou e sacudiu a cabeça. – O Carlisle, o professor de inglês, ele é o meu pai.
- Wow. – Exclamei e olhei para frente pensativa. – Bem que eu pensei ter reconhecido aqueles olhos verdes. – Resmunguei para mim mesma e pude ouvir Edward rindo de minha expressão pasma.
Era bom vê-lo sorrindo novamente. Ele parecia realmente ficar triste e irritado com a conversa sobre o Jacob.
- Bem, deu para ver então de onde vem toda a sua bondade. – Comentei alegremente. – Não me admira tanto Carlisle ser o seu pai.
Eu pensei que ele iria ficar mais feliz com a frase, portanto, para a minha surpresa surtiu o efeito oposto. Ele suspirou e desviou o rosto para olhar pela a janela do carro. Novamente, eu quis morder minha língua. Mas, dessa vez eu não sabia o que tinha falado de errado. Pelo o tom que ele falou, ele parecia gostar de Carlisle.
- O que foi? – Perguntei apressada. – Eu falei alguma coisa de errado?
- Não. – Ele balançou a cabeça levemente. – È só que... – Suspirou. – Carlisle não é meu pai verdadeiro e eu gostaria muito que ele fosse.
A resposta me pegou desprevenida. Então, eu tive que esperar um pouco até minha mente filtrar o que ele falara ali. Carlisle não era o pai verdadeiro dele? Então, como podia haver tanta semelhança entre os dois?
- Carlisle não é seu pai? – Perguntei um pouco triste por ver sua expressão.
Ele balançou a cabeça negativamente. Fiquei calada, esperando que ele continuasse.
- Na verdade... – Ele começou com a voz pesada. Seus olhos novamente indo para uma época de que tudo aconteceu. – Eu lembro pouco da minha mãe verdadeira. Eu tinha quatro anos quando ela morreu. A única coisa que eu me lembro é que ela se chamava Elizabeth Mansen.
- Do que ela morreu? – Perguntei, sentindo apertar minhas mãos com força na minha perna. Elas queriam ir para ele, consolá-lo.
Edward hesitou um bom tempo. Era como se estivesse pensando na resposta; Não. Era como se ele estivesse escolhendo as palavras adequadas e não estivesse satisfeito com elas. Por fim, ele pigarreou e respondeu a pergunta com a voz monótona:
- Frio. Fome. Violência. – Enumerou os itens com a voz fria e ressentida, como se quisesse esconder ainda algo de mim. Ele não me deu tempo para pensar, começou a falar novamente.
— Morreu com as diferenças que existi nesse mundo. – Eu engoli em seco e ele continuou. – Eu soube que ela foi encontrada na rua morta comigo ao seu lado. Carlisle trabalhava como faxineiro no hospital que ela foi levada e soube de mim; o garoto perdido na rua que perdera a mãe. Eu iria ser levado para o orfanato. Mofar lá dentro até alguém ter pena de mim e me levar... – Um suspiro pesado saiu dos seus lábios franzidos. – Mas, Carlisle foi mais rápido. Ele lutou para ter minha guarda. Eu não sei o que ele fez para me adotar. Carlisle era pobre. È pobre. Portanto, ele não hesitou um segundo em me adotar, em levar mais uma boca para a sua casa... Eu nunca vi ninguém tão bom como ele nesse mundo. Parece não existi mais gente assim, mas eu sempre procuro me agarrar nele. Ele me mostra que o ser humano ainda pode ser bom.
Encolhi ainda mais as minhas pernas. Edward estava certo; parecia impossível acreditar que alguém pobre se preocupasse em adotar uma criança. Agora eu entendia o motivo de orgulho na voz de Edward ao falar sobre a família.
- Ele fez isso? – Perguntei baixo. – Ele parece ser um bom homem.
- E é. – Ele se virou para mim com um sorriso animado, o ressentimento desaparecendo de seus olhos. – Ainda bem que todos na minha casa são muito unidos. Carlisle sempre nos ensinou o bem e que o importante é ter paciência.
- Nós? Quem mais? – Perguntei curiosa.
Ele sorriu como se lembrasse de algo importante ou se lembrasse de alguém.
- Oh! Quase ia me esquecendo. È claro. Carlisle me adotou já tendo uma filha com minha mesma idade.
- Então você tem uma irmã? – Perguntei surpresa. Nunca poderia prever isso.
Ele balançou a cabeça, novamente com o sorriso de orgulho no rosto. Na verdade, parecia mais animado ao lembrar-se da irmã.
- Sim. Alice. – Ele falou o nome da irmã com uma animação que eu nunca vi e depois se virou para mim com um brilho nos olhos. – Se você a conhecesse duvido que você pensaria que nós temos uma... – Hesitou, como se não quisesse falar a palavra.
- Uma vida difícil? – Completei para ele.
- É. – Novamente o sorriso apareceu. – Na verdade, Alice é a alegria muitas vezes naquela casa. Tenho certeza que você gostaria dela se a conhecesse.
- OH! Sim, tenho certeza de que ela é que não faz questão de me conhecer. – Comentei com um tom sarcástico, lembrando-me dos olhares hostis do colégio.
- Não, não, Alice não é assim. Aposto que você já a viu.
- Já? – Perguntei surpresa.
- Sim. È a garota de cabelos curtinhos e pretos, que anda comigo e com meu grupo.
Com sua descrição, rapidamente eu me lembrei. A garota da qual ele se referia era a única do grupo de amigos de Edward que não me olhava torto. Agora entendia porque o motivo; ela era irmão de Edward. Eu não queria me enganar com o pessoal daquela escola, mas, sendo irmã de Edward, concluir que ela devia ser igualmente dócil.
- È, eu acho que eu me lembro. – Respondi em tom pensativo.
Ele deu de ombros.
- De qualquer maneira, eu gosto da família que tenho. Por mais que às vezes a situação aperte, mantermo-nos unidos ajuda muito. Esme, a mulher de Carlisle, também é igualmente doce. Não hesito em chamá-la de mãe.
- Então é por isso? È por causa de Carslile que você não quer ser rebelde como todos daquele colégio?
- Também. – Ele deu de ombros. – È só que... – Franziu os lábios. – Tornar-se amargurado com a vida como muitos fazem naquela escola, parece somente piorar as coisas. È como se chamasse coisas negativas para a vida. Eu não gosto disso e nem quero ser assim.
Sorri com a reposta dele. Sempre alguma coisa para me ensinar. Ele era incrível!
- Carlisle é muito amigo do diretor Turner... – Ele continuou. – Assim como eu, ele também tenta ajudar o Diretor a manter um pouco de paz naquela escola. Mais que isso, Carlisle tenta ajudar todos da maneira que pode. Ele diz que o braço estendido para o irmão é o ato mais amoroso que pode existe. Que nunca devemos dizer não para uma necessidade de um semelhante nosso. Porque assim como eles, um dia, nós vamos precisar de ajuda.
As coisas não funcionavam assim para mim. Não. Eu não parecia me importar com as pessoas como ele e a família se importavam. E mais que isso, Edward era pobre e mesmo assim se preocupava em ajudar o próximo. Carlisle, toda a sua família, eram incrivelmente... Desconcertantes para o mundo em que viviam. Nem sempre as esperanças de encontrar pessoas diferentes do padrão humano – egoístas e mesquinhos – estavam acabadas. Edward e sua família eram um exemplo disso. E isso só me fazia admira-lo ainda mais.
- Deve ser por isso que todo mundo gosta dele naquele colégio. – Eu comecei, desfazendo-me do abraçado em minhas pernas e me inclinando para frente, mais animada. — È incrível! Carslile é o único professor que consegue atrair a atenção daqueles alunos perturbados.
Edward riu. Um tilintar de som suave de sua voz.
- È – Ele concordou. — Carlisle fez um curso quando era mais novo para lecionar. Ele sempre gostou de ensinar as pessoas. Deixava-o satisfeito. Mas, seu pai morreu quando ele tinha acabado de tentar o curso. Tudo o que ele tinha foi com o pai dele. Então, Carlisle ficou perdido no mundo, pulando de emprego para emprego e parando no que ele está agora. È por isso que ele tem capacidade para ensinar os alunos do colégio. Ele consegue atrair a atenção dos alunos. Ele sabe como chamar a atenção de um jovem. Além do mais, a paciência dele... – Suspirou.
Enquanto Edward falava, via o quanto ele admirava o pai. Mesmo ele não sendo o pai verdadeiro. Via que ele tentava ser como o mesmo; compreensivo, pacifico e amoroso. Isso o tornava tão mais lindo. Não mostrava só a beleza exterior de Edward, mas também a interior. Agora eu via o quanto a união dessas duas belezas podia fazer um ser humano ser ainda mais digno. Edward era. Digno de merecer qualquer coisa de boa que acontecesse em sua vida. Só o vendo falar de sua família com tanto amor, com tanto ardor, fazia meu coração bater mais forte por ele.
- Eu tento ajudá-lo de todas as maneiras com as despesas lá de casa... – Ele continuou e deu de ombros.
- Tenta? Como? – Perguntei mais curiosa, chegando mais perto para ouvi-lo. Era como um imã que me puxava para ele, para ouvir melhor sua voz.
- Eu trabalho. – Ele falou com um sorriso. O sorriso novamente de orgulho.
- Trabalha? – Perguntei confusa. Ele nunca me disse sobre isso.
- È. Esme tem um problema. Ela tem câncer. – Ele não demonstrou, mas eu pude ver um pequeno lampejo de tristeza passando pelos os seus olhos. Mordi os lábios com a afirmação. – Carslile faz o possível para que ela tenha toda a assistência médica e o remédio de que precisa. È muito caro e o dinheiro que ele recebe na escola não é muito, então eu procuro ajudá-lo como posso. Assim sobra alguma coisa para nossa casa. Mesmo que seja pouco.
- Eu sinto muito Edward. – Foi a única coisa capaz de falar quando a sua voz saiu tão pesada.
Ele sorriu, balançando a cabeça.
- Não sinta. Nós somos felizes mesmo assim. – Seus olhos vieram para a minha face, com um sorriso torto abobalhado no rosto. Fiquei o encarando, respondendo seu sorriso mesmo sem perceber. Quando vi que estava encarando-o demais, suspirando demais, desviei o rosto e pigarreei.
- E onde você trabalha? – Minha voz saiu um pouco baixa, ainda sob os efeitos do poder que seu olhar tinha sobre mim.
- Não acho que seja um local da qual você gostaria de entrar.
Levantei uma sobrancelha e encarei novamente, dessa vez meio desafiante.
- Outro segredo? – Perguntei especulativa.
Ele deu um sorriso torto e me olhou divertido.
- Não, só acho que você não iria querer entrar em um local assim. – Ele deu de ombros. – È algo da qual eu gosto de fazer. Faz-me ficar satisfeito e... – Olhou para o céu, como se tornasse as palavras em imagens. – E servi de ajuda. Foi o único lugar em que eu consegui um emprego. As pessoas dessa cidade são muito preconceituosas em relação a pessoas como a gente; pobres o bastante para elas não confiarem.
Não tinha o que julgar nessas pessoas preconceituosas. Até não conhecer Edward eu era assim. Agora, eu não sabia ou não conseguia pensar se podia ser assim, se eu ainda era assim. Até minha identidade estava se tornando confusa para mim no momento. Conseqüências das influências das atitudes de Edward. Eu não tinha que reclamar; aquela influência era a melhor que eu podia receber em toda a minha vida.
- Eu não posso falar nada, eu costumava ser assim. – Eu murmurei um pouco triste.
- Ainda é? – Ele perguntou, virando-se para mim.
- Não sei. – Mordi os lábios. — Acho que você me faz mudar.
- Você não tem nojo de mim agora? Veja o quanto eu sou... – Novamente ele parou, incapaz de falar a palavra.
- Eu não me importo. Edward, você é um garoto especial. – Senti minhas bochechas avermelharem.
Ele abriu um sorriso de orelha a orelha. O sorriso que chegava aos seus olhos e me fazia quase parar de respirar. Antes que eu pudesse desanuviar meu cérebro de seu sorriso resplandecente, ele pegou minha mão e segurou levemente na palma da sua. Eu a senti suando ainda mais.
- Obrigado, Bella. Obrigada por está tentando mudar. – Ele fixou seus olhos satisfeitos no meu.
Eu sorri um pouco envergonhada.
- Obrigada a me ajudar a mudar. – Murmurei, abaixando a cabeça.
- De nada. Isso para mim não está sendo nada. Ficar ao seu lado, vem sendo a melhor coisa dos meus dias agora. – Sua voz estava tão animada que o timbre parecia de um garotinho agradecendo um presente que recebeu e gostou muito.
Eu levantei a cabeça para ele e sorri constrangida.
- Você realmente sabe como me deixar sem graça. – Murmurei.
Ele franziu o cenho naquela expressão como se quisesse entender algo e se aproximou um pouco mais de mim, apertando ainda mais sua mão na minha. A outra que estava solta veio para minhas bochechas rosadas enquanto seus olhos me fitavam com um brilho intenso que eu nunca vi neles. Senti novamente a dor boa preencher o meu coração que parecia tão pequeno para suportar ela. Era como um aperto. Uma sensação de que seu coração estava se espremendo em seu peito. Uma dor, mas uma dor boa.
- Não me importo de ver essa cor em suas bochechas o tempo todo. – Ele sussurrou perto de mim. Estava tão próximo que senti seu hálito de menta tocar as minhas bochechas.
Engoli em seco com o repentino nervosismo. Dessa vez ele começou a acariciar a minha face sem hesitação, mais confiante do que de manhã para fazer isso. Na escuridão do carro seus olhos pareciam ainda mais brilhantes, como duas esferas de luzes verdes; pontos luminosos em um local escuro sem esperanças. Como estávamos próximos demais, silenciosos demais, pude ver mais os detalhes de seu rosto tão... Lindo. Agora via que nunca tinha visto garoto mais bonito que Edward. Ele tinha uma beleza tão natural. Seus gestos, sua fala, sua risada, tudo fazia ficar nele ainda mais perfeito. Era o útil do seu exterior belo se juntando com o agradável de seu interior bonito. Transformava-o na pessoa em que eu queria ter ao meu lado. Queria ter ao meu lado por muito tempo. Eu sentia isso, a dor que ainda sentia em meu peito, me dizia isso.
Quase sem querer, enquanto Edward ainda me analisava com a expressão suave, entreabrir a boca, precisando de ar para respirar um pouco. – não sabia por quanto tempo prendia o fôlego no meu peito. Edward percebeu o movimento da minha boca e seus olhos pareceram ficar mais escuros quando seu dedo se moveu – deixando um rastro de formigamento por minha face – até os meus lábios. Engoli de novo e seus olhos vieram para os meus.
- Eu... – Ele começou a falar com a voz baixa. – Eu... Preciso ir embora agora. – Sussurrou perto o bastante de mim. Podia ver que se me aproximasse mais um pouco, nossas faces podiam se encostar, nossos lábios podiam... Fechei os olhos por um segundo, tirando a idéia da cabeça e abrir novamente.
Assenti em resposta ao seu comentário sem muito fôlego para fazer outra coisa. Ele deu um sorriso torto que de perto pareceu ainda mais bonito do que quando estava longe e soltou minha mão, trazendo a sua para o meu rosto. Segurou a minha face entre suas duas palmas e levou suavemente seus lábios para minha testa.
Fechei os olhos quando senti os seus lábios frios tocando minha pele. Uma corrente elétrica pareceu percorrer todo o meu corpo. De onde ele tinha beijado até o último dedo do meu pé. Fazendo meu pulso acelerar e minha respiração quase parar. Meu estômago se contorceu, dando cambalhotas por causa do frio que sentia na barriga. Meu coração se apertou mais dentro do meu peito e eu me perguntei se ele podia doer mais do que estava doendo. Perguntei-me como ele iria se sentir se eu sentisse os lábios de Edward não na minha testa, mas em meus lábios. Como meu coração iria reagir se eu sentisse o seu gosto.
Edward permaneceu com seus lábios tempo demais em minha pele. Senti quando ele inspirou o ar e soltou levemente, apertando minha face suavemente entre suas mãos, como se um mínimo movimento dele fosse me quebrar de alguma forma. Podia sentir seu cheiro – menta, quase uma suave fragrância – em meu olfato. Aquilo só fez minhas mãos suarem ainda mais. Como era isso? Nunca me senti assim na minha vida. Era tão bom... Mas, tão arrebatador.
Perguntei-me se poderia existir no mundo homem como Edward? Não. Ele não era perfeito em condições financeiras, mas, por dentro Edward tinha a maior riqueza de todas. Era honesto, era humilde, e por mais que ás vezes fosse difícil, era feliz. Eu senti em meu coração a vontade de ser como ele. A vontade de entrar nesse mundo dele sem reclamar do passado que tinha perdido. Edward fazia-me senti renovada. Fazia-me sentir uma pessoa não materialista – quem sabe até mais dócil também.
Quando ofeguei, querendo respirar um pouco mais rápido, Edward separou – cedo demais – seus lábios da minha testa. Senti a ausência do seu toque frio. Do seu hálito tocando os meus cabelos.
Quando ele se afastou, olhou para mim novamente e em um gesto devagar – novamente como se eu fosse quebrável – soltou minha face. Sorriu, não parecendo nenhum pouco constrangido com o que tinha acabado de fazer. Diferente novamente de sua hesitação de manhã.
- Acho que é melhor você entrar. Já está de noite. Sua mãe deve está preocupada. – Sua voz foi baixa como se não quisesse quebrar o silêncio que reinava na cabine do meu carro.
Balancei a cabeça, procurando esforça-me para saber onde estava e com quem e que tinha que agir de maneira que eu não parecesse uma louca. Ouvi uma risada rouca vindo dele.
- Você vai embora. – Foi um comentário tristonho. Não queria que ele fosse embora. Queria continuar a sentir a sensação boa que estava sentindo, queria ele perto de mim como nunca quis alguém.
- Tenho que ir. – Seu rosto estava decepcionado, mas ele sorriu amável. – Mas, nos vemos amanhã, certo?
Assenti novamente. Se eu fosse falar minha voz sairia empolgada demais. Isso acabaria me constrangendo.
Ele suspirou e assentiu, afastando-se de mim. Ia abrindo a porta do carro quando eu lhe chamei em um leve sussurro:
- Edward...
Ele se virou para mim com a mão no trinco da porta.
- Eu quero conhecer.
As sobrancelhas dele se uniram confusas, ainda em sua expressão doce.
- Seu trabalho. Da forma como você falou, pareceu ser uma coisa bastante importante.
Ele deu um sorriso brilhante. Seus olhos pareceram ficar mais verdes do que o habitual.
- Tem certeza? – Ele perguntou.
- Sim. Absoluta. – Confirmei.
Seus lábios deram o sorriso torto. Agora, que eu o via de uma maneira... Diferente – maneira da qual teria que pensar muito depois – seu sorriso torto, que mostrava seu pequeno buraquinho fizeram já que eu sentisse saudades de tê-lo perto de mim. Isso era normal? Senti saudades antes mesmo que ele já tivesse indo?
- Tudo bem. – Ele sussurrou. – Amanhã é quinta. O dia que eu sempre vou. Então, está tudo bem para você ir comigo amanha?
Mais algumas horas com ele. E ainda conhecer uma parte dele? Ele só podia está brincando se eu queria ir ou não.
- Claro. – Concordei veemente.
Ele assentiu, olhou sob os meus ombros para minha casa e depois para mim novamente.
- Você realmente precisa entrar. Até amanhã, Bella. – Sussurrou meu nome com mais intensidade.
- Até amanhã, Edward.
Ele sorriu, piscou o olho para mim e abriu a porta. Em alguns segundos, já estava do lado de fora, desaparecendo na escuridão que se formou na rua da minha casa.
Confusa com tudo o que acontecera ali e com o que meu coração estava sentindo agora, vi-o se afastar; cabeça baixa, mãos no bolso, passos rápidos, mas graciosos. Como se ele não tivesse com pressa para nada.
Quando o vi desaparecer entre as árvores, coloquei a mão no meu coração. Pensei que nunca poderia escutar ou sentir meu coração batendo tão forte como estava. Eu já sabia que aquilo não era normal. Não podia ser normal. Amigos não sentem essas coisas, sentem?
Eu sabia bem a resposta para essa pergunta. O problema era pensar sobre ela agora que ainda estava sob a influência do beijo de Edward em minha testa. Sob a influência do cheiro dele que estava na cabine do meu carro como se fosse para me lembrar que ele estivera ali, como se fosse para meu coração já senti saudades de sua presença e de suas palavras de afeto e carinho.
Balancei cabeça, procurando me esforçar ao máximo para não pensar nisso. Ao menos agora. Eu precisava relaxar, entrar em casa como se nada tivesse acontecido e cumprimentar minha mãe. Depois entraria em meu quarto – considerado meu cantinho feliz – e iria expor, para mim, em mínimos detalhes, tudo o que essa mente estava pensando. Tudo o que esse aperto bom no coração estava querendo me dizer.
Assenti para mim mesma, dizendo para o meu consciente que as coisas ficariam bem se fossem feitas nessa ordem.
Procurando tentar ir me isolar no meu quarto o mais rápido possível, sair do meu carro, fechando a porta com força. O chuvisco fraco ainda caia. Uma garoa pequena, irritantemente chata e fria.
Com a cabeça baixa, movi-me pelo o jardim de casa e cheguei á porta quase tremendo meus dentes de frio. Ao abrir a porta, quase me joguei para dentro de casa por sentir o alivio de está em algum lugar quente – não tão quente, já que o frio parecia se espalhar por cada inferno de lugar dessa cidade – e fui me sentar pensativa, no sofá.
A TV estava ligada sem ninguém, mas eu apenas me joguei, cansada e exausta, no sofá. Principalmente emocionalmente.
- Bella? – A voz de Renée veio da cozinha.
Não respondi. Minha voz ainda estava travada com os meus pensamentos.
- Bella? – Dessa vez ela estava na porta da cozinha.
Virei o rosto em sua direção, procurando manter um sorriso despreocupado nos lábios.
- Oi, mãe.
- Onde você estava criatura? – Perguntou um pouco mais brusca. Suspirou e chegou mais perto de mim, sentando-se ao meu lado no sofá. – Bella, você não está se envolvendo com droga, não é? – Perguntou parecendo realmente preocupada.
- O que? – Perguntei assustada, esbugalhando os olhos.
Estava feliz por minha mãe não ter percebido meu carro estacionado em frente de casa desde que cheguei. Com certeza, ela perguntaria com quem e por que eu estava do lado de fora se tivesse visto. Portanto, precisava ela chegar a essa conclusão?
- Minha filha, demoras para voltar para casa depois de um colégio barra pesada é sinal de que está fazendo alguma coisa de errado.
- Eu não estou fazendo nada errado. – Resmunguei. – Fui apenas dar um volta pela a cidade. Ver o movimento. Conhecer outras partes. Sabe como é! – Desviei o rosto, fingindo me distrair com minhas unhas para ela não perceber a mentira em meus olhos.
Ela suspirou aliviada e se levantou do sofá. Colocou a mão no meu cabelo e o bagunçou.
- Ainda bem, odiaria saber que você está viciada em droga.
- Mãe. – Repreendi-a. – Por favor, não é? – Revirei os olhos. Ela era sempre muito exagerada.
- Bem, como você está bem, porque não vem comer? Seu pai logo chegara da delegacia. – Ela perguntou movendo-se para a cozinha novamente.
Conhecendo da minha mãe, mesmo que eu estivesse sem fome, ela me obrigaria a comer agora. Reclamaria que eu estava muito magra, sendo que eu como regulamente todo o dia. Revirei os olhos. Ela é sempre exagerada.
Com esse pensamento, levantei do sofá e me movi para a cozinha. A sensação do beijo de Edward ainda estava em minha testa; uma tatuagem permanente em minha pele.
Ela estava certa; Charlie chegou depois de cinco minutos. Ele estava falante como sempre. Charlie era uma espécie de pai que eu não compreendia bem. Uma hora ele estava calado em seu canto – aspecto que eu gostava de ter puxado dele – outra hora parecia animado e empolgado para conversar sobre tudo. O que aconteceu exatamente hoje, o dia em que eu mais queria silêncio e que eu mais queria pensar. Será que eles não vinham na minha testa “preciso de silêncio”? Não, eu sabia que não.
- O trabalho hoje foi meio cansativo. – Ele comentava com minha mãe enquanto estávamos na mesa, comendo. Ainda estava falando de boca cheia!
Rolei os olhos, colocando uma colherada da sopa – eca – que minha mãe havia feito para o jantar, na boca.
- Imagino o quanto aquela delegacia deve receber de trabalho. – Minha mãe respondeu.
- Sim, esses primeiros dias da semana foram bem calmos. Mas, hoje, estava uma loucura. Houve alguns assaltos estranhos na reserva Quileute. – Interessei-me por aquele nome.
Eu parei no meio do caminho de levar uma colherada de comida para minha boca e voltei para o prato. Olhei para o meu pai.
- Reserva Quileute? O que é isso?
- Aah. – Charlie sorriu e olhou para minha mãe sorridente. – È onde tem a praia de La Push.
- Aaah. – Franzi o cenho depois de pensar um pouco. – Aqui tem uma praia?
- Claro Bella. – Minha mãe riu. – Nós estamos próximos ao mar aqui. Esqueceu?
Bufou, como se minha pergunta fosse idiota demais. Fiz uma careta e voltei a comer.
- È onde Billy e o filho dele moram. – Charlie falou.
Outra vez falando desse tal Billy. Se não fosse por eu ter descoberto Edward por aqui, já teria matado esse tal Billy por induzir meu pai para esse fim de mundo.
- Filho? Ele tem um filho? – Minha mãe perguntou curiosa.
- Sim. – Meu pai falou empolgado. – È um bom rapaz, pelo o que eu vi. – Eu olhei de relance para o meu pai e vi-o pensando. – Esqueci o nome dele. – Ele afirmou com a voz decepcionada. – Você iria gostar dele, Bella. – Dessa vez, era empolgado.
- O que? Um Caipira? – Perguntei incrédula.
- Ele não é um caipira. – Meu pai sorriu. – Ele é filho de Billy. Billy tem dinheiro querida.
- Hmm, interessante. – Comentei com descaso. Voltei minha atenção para a minha sopa, tomando outra colherada dela.
Depois de alguns segundos, senti o incomodo dos olhos de meu pai e minha mãe em cima de mim. Levantei os meus para ver o que tinha de errado com eles. Eles me olhavam assustados, como se não estivessem me reconhecendo. Levantei uma sobrancelha, confusa.
- O... O que foi?
- Nós falamos de um garoto de dinheiro e você simplesmente ignorou? – Meu pai perguntou incrédulo.
Pensei sobre aquilo. Entendia meu pai. Se fosse antigamente – ou exatamente a uns três ou quatro dias atrás – eu pediria logo ao meu pai que me apresentasse esse tal garoto. Hoje, eu sabia por que eu não fazia isso. Parecia que outro garoto não me chamava a atenção que não fosse a bondade e simplicidade de Edward Cullen.
- È, eu acho que sim. – Concordei com ele e dei de ombros.
Eu pude perceber, antes de voltar a atenção para o prato, meus pais esbugalhando os olhos novamente. Minha mãe suspirou.
- Ela não deve está normal hoje. – Pelo o canto dos olhos, pude vê-la se aproximando de Charlie. – Eu acho que ela está usando drogas. – Sussurrou.
- Mãe. – Repreendi-a com raiva.
Meu pai, percebendo a brincadeira, gargalhou. Eu olhei furiosa para minha mãe que comia cinicamente sua janta.
Voltamos a comer em silêncio e eu quase agradeci o descanso que eles deram para minha mente, quando meu pai voltou a falar.
- Falar em drogas. Eu estou preocupado com esses assaltos na reserva – Revirei os olhos e suspirei entediada.
- Por quê? – Minha mãe perguntou curiosa.
- Tudo indica que são algumas gangues de adolescentes perigosos.
Ao ouvir isso, novamente parei a colher no meio do caminho do prato para minha boca. Dessa vez, incrédula. Meu pai estava falando de gangues. Será que era a de Edward? Não, não. Edward não faria isso. Aquela gangue dele era apenas para manter a paz no colégio.
Procurei voltar ao normal e abaixei a colher.
- Gangues? – Perguntei ao meu pai. Como minha voz saiu engasgada, tive que pigarrear.
- Sim, gangues. – Ele suspirou, parecendo decepcionado. – O lado que sua escola está, é cheio delas. A delegacia precisa tomar uma atitude contra isso. – Charlie bufou e colocou uma colher na boca.
- E... Eles... Eles são perigosos? – Perguntei devagar.
- Alguns. – Ele deu de ombros. – Mas, estamos cuidando disso. – Ele suspirou e me olhou mais cuidadoso. – Bella, tenha cuidado enquanto andar por aquele colégio ou pelas as ruas ao redor dele, aquele lugar é perigoso. – Ele avisou.
- È querida, seu pai está certo. – Minha mãe pegou na minha mão. – Odiaria saber que você está sendo rodeada por uma gangue de adolescentes perigosos.
OK! O que eles diriam de eu está andando com um líder de uma gangue? Como se estivesse com medo que eles lessem isso em minha expressão, eu voltei a face para o meu prato. Comendo mais depressa dessa vez.
- Claro, mãe. Não se preocupe. – Sussurrei, tentando acalmar minha mãe.
Mas, quem não estava nem um pouco calma era eu. Eu estava preocupada; com Edward e sobre o que ele fazia poderia influenciar em nosso relacionamento “amigável”.
Suspirei e comi a sopa ainda mais depressa.
Preciso pensar, preciso pensar, preciso pensar. Era tudo o que minha mente me alertava.
Quando – graças a Deus – eu terminei de jantar, com meu pai ainda tagarelando sobre o trabalho e principalmente, sobre as gangues – assunto que deixava-me temerosa – eu lavei o meu prato – por minha mãe ter praticamente me obrigado – e me arrastei para o quarto, dando beijos de boa noite neles. Tinha certeza de que não iria descer de novo.
Subi as escada quase desesperada para chegar na minha privacidade e investigar os meus sentimentos, investigar o que diabos estava acontecendo comigo quando Edward estava por perto. Entretanto, decidi tomar um banho logo.
Foi rápido; tempo suficiente para eu me pôr debaixo da água quente, sair, vesti meu moletom venho e deitar na minha cama quente e aconchegante. Quando encostei a cabeça no travesseiro, foi como se um botão tivesse sido apertado em minha mente, fazendo as imagens e conversas com Edward aparecerem.
Hoje não hesitaria em pensar nele. Estava desesperada. Precisava saber o que sentia por ele. Sabia que não era um simples sentimento de amizade ou de compaixão ou de admiração. Não, era muito mais que isso.
Sabia que quando eu visse Edward amanhã e meus olhos cruzassem com seus olhos verdes intensos, meu coração ia palpitar, minhas mãos iam suar, eu sentiria minhas bochechas esquentando e eu sentiria a vontade enorme de passar os meus braços ao redor de sua cintura e senti-lo perto de mim. Sabia que isso ia acontecer porque era o que estava acontecendo comigo todos esses dias que eu já o conhecia.
Sem falar que quando eu estava perto dele esquecia tempo, local ou qualquer coisa que não fizesse sentido na conversa que estivéssemos tendo. Minha atenção ficava involuntariamente, em seus lábios se movendo para me contar alguma coisa ou em sua expressão confusa quando ele tentava entender alguma coisa ou quando não entendia alguma coisa.
Eu sabia o que isso queria dizer. Portanto, parecia ter medo de pensar na resposta. Eu sabia o que estava sentindo, só não queria admitir para mim mesma. Porque para mim, esse sentimento parecia ser impossível de já está habitando o meu coração. Há quanto tempo conhecia Edward? Cinco dias? Seis? Menos que isso? Era possível eu me sentir assim por ele apenas nesse pouco tempo que eu já passei com ele?
Nunca acreditei em amor a primeira vista. Para mim parece algo de outro mundo. Algo inventado por adolescentes só para dizer um ao outro, depois de dois meses namorando, que se amavam. Para mim, amor verdadeiro é construindo com o tempo. Com o conhecer da pessoa que se sente atraída.
Portanto, com Edward foi... Diferente. As coisas estavam indo rápido demais. Nós contávamos segredos um ao outro como se já nos conhecêssemos há muito tempo. Eu gostava dessa rapidez, eu só estava confusa por isso está acontecendo comigo.
Mais uma vez, não podia imaginar que eu já estava apaixonada por Edward Cullen. Como? Eu mal o conhecia. Tudo bem que eu sabia que ele era gentil, carinhoso, lindo, amoroso e... Um monte de coisas que me fazem ficar pensando neles horas do meu dia, mas isso é normal? Senti-me dependente dele como estava me sentindo agora?
Não podia suportar a idéia de chegar naquela escola e não ver Edward. Não se tratava apenas do ambiente, de eu andar sozinha pelo o colégio com os olhares hostis em minhas costas, se tratava de não ter a presença dele ao meu lado. De não perceber seu sorriso torto, ou sua risada baixa quando eu falava alguma besteira; ou seus olhos brilhando em um verde intenso quando ele falava de algo tão bom para si.
Suspirei pesadamente e percebi que agora olhava para o teto do meu quarto como se ele passasse em imagens os pensamentos que eu estava tendo. Eu não podia deixar de admitir; o que estava sentindo por Edward era mais do que eu podia prever. Era mais do que algum dia eu podia querer sentir por alguém.
Tinha medo desse sentimento. Não de senti-lo, mas da dificuldade que ele poderia impor sobre nós. Era algo totalmente comprovado que Edward e eu éramos totalmente opostos um do outro. E não só no pensamento, mas também em financeiro. Sem contar que Edward mexia em coisas perigosas às vezes, como lutas contra gangues. Ele gostava daquela escola em que estudava, eu, não gostava nem um pouco. E principalmente, eu tinha pais que não podiam nem pensar que eu estava andando com gente – na palavra deles – desse tipo. Para Charlie e Renée que não estudavam no colégio que eu estudava as pessoas de lá eram pobres, perigosas, delinqüentes, má influência. Bom, considerando o meu pensamento e o que eu via, a maioria poderia ser, mas, não Edward. Era desse lado que entrava o problema. Meu pai não podia saber que eu estava... Apaixonada (?) por um garoto daquela escola, que tinha uma gangue da qual meu pai dizia ser perigosa. Ele me mataria. Charlie não queria esse futuro para mim e se soubesse que isso aconteceria com certeza nunca teria se mudado para cá.
De que futuro eu estava falando? Suspirei. Eu considerei o que estava sentido. Eu podia está enganada, pois para mim era impossível sentir algo tão forte assim em apenas cinco dias em que conhecia Edward, mas não podia saber se ele sentia a mesma coisa por mim.
Considerando as atitudes no começo, quando nos conhecemos, ficou claro que ele não queria se aproximar o bastante de mim. Porque eu não era do mundo dele. Eu sou apenas uma invasora em seu mundo. Seria capaz de ele se apaixonar por mim? A idéia de isso acontecer deixou-me agitada. Será que eu estava apaixonada por um garoto que nem ao menos estava apaixonado por mim?
Não podia me enganar. Edward não queria em sua vida uma garota da qual já teve o mundo nos pés e era mesquinha o bastante para sentir nojo de entrar no ambiente escolar que estudava. A repulsa com aquele colégio já era uma das coisas que abriam um buraco enorme entre nós.
Pensando nisso, achei melhor que as coisas ficassem dessem jeito. Era melhor que nada acontecesse a mais que uma amizade. No que eu estava pensando? Eu não estava falando de amor. Apenas de atração. Era isso que eu sentia por ele; Atração. Não era possível que fosse uma coisa maior que isso. Ou era?
Gemi quando senti meu coração dizendo a verdade para mim; poderia sim ser mais que isso. No entanto, eu não iria mexer nas coisas como estavam. Eu sabia que Charlie estava se recuperando financeiramente e quando eu entrei no colégio ele disse que seria provisório. Como seria quando eu saísse daquele colégio? Quando eu fosse para um colégio particular e voltasse a ter contato com as pessoas que eu tinha antes?
Eu estava inquieta; Eu queria está apaixonada por Edward, mas não podia. Não com esse mundo de diferenças entre nós; não quando meu pai e minha mãe soubessem por quem eu estava apaixonada e iriam querer me manter o mais distante possível dele. Pensar nisso, fez meu corpo estremecer
Por mais que fosse errado forçar um sentimento mais que uma amizade, eu não queria deixar de sentir o que eu estava sentindo. Era tão... Bom. Algo que eu nunca pensei que podia sentir por alguém. Para mim, amor era ilusão. Para mim, amor não existia completamente entre um casal. Para mim, amor verdadeiro, só existia entre pai, mãe e filho. Mas, e agora, eu poderia amar Edward? Sim, eu poderia amá-lo se eu ficasse mais alguns dias com ele. Eu poderia amá-lo de uma maneira que nunca pensei que poderia amar algum garoto na minha vida. Todos os garotos, antes, na minha concepção eram esnobes e idiotas. Eu não sabia que existia alguém como Edward Cullen.
Saber que existia, mas nesse mundo tão diferente do meu, entristeceu-me. Porque era um amor difícil e eu não sabia se Edward era capaz de me amar, de se apaixonar por mim. Isso me deixou angustiada, mas, eu sabia que o melhor era assim. Talvez, quando eu fosse embora daquela escola, ele não iria sofrer se não sentisse o mesmo que eu.
Essa dor deveria ser somente para mim. Eu merecia. Agora, vendo a situação que eu estava — apaixonada por um garoto que talvez não fosse capaz de gostar de mim como eu gostava dele e também em condições financeiras que não convém ao meu pai e minha mãe – senti por um momento que as coisas não seriam difíceis se eu tivesse nascido nesse mundo; no mundo de Edward. Nesse momento, aconteceu a coisa que mais parecia impossível acontecer comigo; eu me entristeci por ter nascido rica.
Suspirei e fechei os olhos. Não havia percebido, mas eles estavam um pouco úmidos e deixavam uma lágrima escapar pelos os cantos.
Eu não queria me afastar de Edward. Portanto, nutrir o que eu sentia por ele, parecia ser a coisa mais estúpida naquele momento. Seria um amor desnecessário já que não faz sentindo ele me amar e nós um dia termos que nos separar.
No entanto, não conseguia pensar na possibilidade de me afastar nesse momento dele. Eu já estava perdida. O que eu sentia por ele já era mais forte do que a vontade de querer ser rica novamente algum dia. Eu só queria ficar ao seu lado. Eu só queria que as coisas parassem no tempo em que eu estivesse com ele.
Melhor assim; deixaria meu sentimento guardado, deixaria as coisas fluírem. Tudo isso era melhor do que eu tentar me afastar dele.
Estava decidido, Edward não podia ser meu, mas ao menos eu podia amá-lo em silêncio. Silêncio.
Ao pensar nisso, meus olhos se fecharam, quase como se eles tivessem percebido a minha decisão. Cair na inconsciência, mas não totalmente; ainda sentia o aperto de dor no meu coração.
Dessa vez, a dor não era muito boa; era uma dor de angústia, uma dor que comprovava que tudo o que eu pensei era verdade.
Notas finais
E a Bella? Descobriu está apaixonada por alguém que não pode. Mas, eles vão lutar contra essa diferenças e outras coisinhas. :D
Espero que vocês tenham gostado. Eu sei que vocês queriam PDV de EDWARD, mas é que eu já escrevi boa parte da história com Bella, e eu queria fazer algo diferente dessa fic. Espero que isso não desanimem vocês. :
Beeeeijos e não esqueçam, comentem. :D
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