Aprendendo a Viver.

3 Capítulo 2 - Atraída.


Notas iniciais
Mais um capítulo. Espero que gostem e recomendem. :D :D :D

Beijos e Enjoy!

- Bella? — Minha mãe me chamou da mini cozinha quando eu entrei em casa confusa e irritada com as mudanças de humor de Edward – o garoto que mal conhecia e já me fizera ficar estressada no primeiro dia de aula naquele colégio decadente — jogando minha bolsa em cima do sofá e jogando-me nele logo depois.

- Quem mais? – Perguntei sarcástica.

Ela apareceu na porta com um sorriso um pouco animado demais para o meu gosto, fitando-me de alto a baixo como se analisasse o meu humor.

- Você não vem almoçar? – Perguntou.

- O que? Arroz com ovo? – Minha voz saiu irônica.

- Bella. – Ela me olhou repreensiva. – Por favor, coopere, ok? As coisas vão melhoras com seu pai nesse novo emprego. Só tenha paciência.

Levantei-me do sofá, revirando os olhos por ter que ouvi a mesma ladainha de sempre.

- A gente vai voltar a ter a vida que tínhamos? – Perguntei.

- Você sabe que não é mais possível, Bella.

- Isso é animador.

Entrei na cozinha e me sentei na cadeira da mesa redonda. Minha mãe pareceu ficar feliz com minha atitude e animada foi até o fogão, onde pegou uma lasanha caprichada e pôs em cima da mesa. Meus olhos praticamente comeram a lasanha por si só.

- Eu disse que as coisas iam melhorar... – Minha mãe começou a falar com um pingo de orgulho na voz. — Já que seu pai conseguiu esse novo emprego e eu tinha algumas economias, comprei alguns ingredientes baratos. – Olhei para ela com os olhos brilhando e ela deu de ombros.

- Isso é demais, mãe.

Sem pensar em mais nada, peguei o prato e comecei a colocar a lasanha. Estava morrendo de fome.

- Como foi seu primeiro dia? – Ela perguntou, sentando-se na cadeira da minha frente.

- Oh! Muito agradável. – Comentei sarcástica. – Gente olhando torto para mim, professores que não se importam se os alunos estão prestando atenção ou não na aula, paredes pinchadas, meninas e meninos fumando. – Olhei para ela e entortei a boca. – Realmente muito agradável.

Não quis comentar com ela sobre Edward. Não entendi porque essa minha relutância. Vai ver era porque ele não tinha importância.

-Oh! Querida. – Minha mãe comentou meio desanimada. – Eu prometo que assim que nós estivermos melhores, a primeira coisa que faremos é colocá-la em um colégio particular. Só não podemos deixar você sem estudos.

Suspirei e coloquei a primeira garfada de lasanha na minha boca. Nessa hora, uma buzina estranha tocou do lado de fora da casa.

- O que é isso? – Perguntei confusa para a minha mãe.

- BELLA, RENÉE, venham ver. – Ouvimos o grito do meu pai do lado de fora.

Olhamos uma para outra, demos de ombros e no mesmo instante levantamos da cadeira e fomos em direção a saída da casa.

- Oh! Meu Deus o que é isso? – Perguntei assustada quando sair e vi aquele mostrengo em frente a minha casa.

Era uma caminhonete velha – muito, muito velha — tinha uma cor vermelha desbotada e eu achei que se eu desse um chute ela desmontaria a qualquer momento. Cheguei mais perto do carro assim como minha mãe.

- Pai, onde você encontrou isso? No ferro velho? – Um sorriso provocativo saiu dos meus lábios.

Ele fechou a cara, meio chateado.

- Não, Bella, o velho Billy que me deu. Você não gostou? – Perguntou, batendo com uma mão na porta do carro, parecendo bastante satisfeito com seu presente.

- Fala sério. – Bufei.

- Aah, até que é bonitinha. – Minha mãe comentou ao meu lado.

Olhei para ela assustada. OK! Aquilo não era bonitinho. Era uma caminhonete velha e suja que eu nunca faria questão de andar.

- E por que ele te deu? – Minha mãe perguntou curiosa.

- Era do filho dele. Mas, o garoto cresceu e... – Bufou. – Não quer mais andar nisso aqui. Então, quando eu disse que eu tinha uma filha que precisava se locomover ele me deu esse carro.

Ele sorriu em minha direção completando a frase. Acho que passei cerca de um minuto para entender o que aquilo queria dizer.

- O que? – Perguntei assustada, saindo do transe. – Você... Você está querendo dizer que eu vou ter que andar nesse troço? – Apontei com indiferença para o projeto de carro ao meu lado.

Meu pai sorriu não se importando nenhum pouquinho com minha expressão de desprezo.

- Ou é isso, ou vai ter que andar a pé nessa cidade vazia e fria.

Sorrir sarcástica e cerrei os olhos em sua direção tentando ver algum sinal de brincadeira em sua face. Infelizmente, eu não consegui encontrar vestígios disso. A expressão dele, séria e esperando uma resposta minha, disseram-me que ele estava falando sério. Muito, muito sério.

- Você não está brincando. – Não foi uma pergunta, mas uma afirmação desapontadora.

- Não. – Ele balançou a cabeça.

Suspirei.

- Acho que eu não tenho opção, certo? Entre andar a velocidade dos meus pés e a velocidade de uma... – Hesitei e olhei para o meu mais novo e lindo carro á minha frente. — Bicicleta, eu acho que prefiro a bicicleta.

- Bella. – Minha mãe reclamou.

Suspirei.

- Quer saber, eu preciso descansar um pouco. – Balbuciei entediada.

Comecei a me direcionar em direção á casa.

- Você não vai terminar de comer? – Ouvi minha mãe perguntar.

- Não, perdi a fome.

Desapareci pela a porta e subi as escadas correndo. Precisava entrar em meu mundinho. Ficar lá e esquecer onde eu estava — se é que eu podia esquecer com todo esse frio me rodeando.

Assim que cheguei ao quarto, entrei e fechei a porta com raiva. Sentei na cama, sentindo-me desapontada e infeliz.

Meus pincéis de desenho estavam em cima da mesinha suja quando eu olhei para eles. Suspirei. Nem ao menos onde pintar eu tinha. Isso era frustrante. Nesse momento, eu precisava pintar algo grande e satisfatório. Era a única maneira de me esquecer quem eu era, onde eu estava e o que eu estava fazendo. Era a única maneira de eu sair do mundo real.

Mas, não havia mais uma porcaria de tela onde eu pudesse pintar. Bufei e rugi ao mesmo tempo, passando os olhos pelo o quarto.

- Uhhh. – A exclamação saiu mais animada dos meus lábios quando eu descobrir um local perfeito para usar como tela.

A parede do meu quarto. Ótimo. Ela era grande, branca e espaçosa. Minha mãe não se importaria já que não tinha como comprar uma tela para mim. E, na verdade, aquele quarto precisava de um pouco mais de vida, era tudo tão muito branco e escuro ao mesmo tempo.

Animada com a descoberta de que não precisaria ficar sem pintar, levantei-me e fui em direção aos meus pinceis. Peguei-os e preparei todos, abrindo as tintas e colocando todas abertas em cima da mesa. Depois prendi meu cabelo em um rabo de cavalo firme e peguei o primeiro pincel, para passar na tinta preta.

Queria começar com algo sombrio, assim como eu estava me sentindo no momento. Olhei para a parede branca a minha frente e a pergunta veio em minha cabeça: O que eu iria pintar? O que eu estava sentindo? O que eu precisava expressar para me sentir melhor?

De repente, sem explicações e hesitações, os olhos verdes de Edward vieram em minha mente sem avisos prévios. Estranhamente, senti meu coração bater um pouco mais rápido ao lembrar-me deles. Aqueles olhos eram tão profundos, tão cheios de bravura, tão... Frios e duros. Mas, ainda assim me fez sentir certa curiosidade em relação a ele.

Segurei o pincel com mais força entre meus dedos.

Por que ele era daquele jeito? Uma hora gentil e outra brusco, como se quisesse afastar as pessoas? Ou era a só a mim que ele estava querendo afastar? Não, não sabia, não podia ser isso também, ele mal me conhecia. Assim como eu o mal conhecia. Mas, somente com esse pouco que eu o conheci, eu percebi que Edward parecia ser um garoto complexo. Isso o tornava bastante atraente – sem contar o quanto ele já era bonito — e um pouco misterioso demais.

Mordi os lábios e como um clique, a idéia de que eu precisava para começar o desenho veio em minha cabeça. Preparei o pincel novamente entre meus dedos e coloquei novamente na tinta. Levei-o para a parede e comecei a pintar sem rodeios já sabendo o que queria que saísse daquelas linhas.

Quando eu começava, não havia uma coisa, ou uma única hora que me fizesse parar.

As coisas pareciam fluir enquanto eu estava pintando ou desenhando. E aquele desenho que eu começava fazia-me ficar, excepcionalmente, animada por fazê-lo. Eu poderia ficar horas e horas fazendo isso e não me importaria. O importante era está pitando.

O mais estranho era que enquanto eu traçava linhas e mais linhas no meu desenho, Edward ainda continuava a vim em minha cabeça. Era como se minha mente estivesse tentando decifrá-lo, tentando decifrar o que havia acontecido àquela manhã, mesmo que eu não quisesse. Era algo que não costumava acontecer comigo.

Ao terminar meu desenho, não me lembro muito bem, apenas deitei na cama, olhei para os misteriosos olhos sombrios e verdes na minha frente, e adormeci.

Bocejei alto e abrir meus olhos pesados, piscando-os levemente para me acostumar com a pouca claridade que entrava pela a minha janela – um pequeno feixe de luz acinzentada. O teto a minha frente ainda mostrava onde eu me encontrava. E eu só sabia que tinha feito essa constatação de maneira deprimente, porque ainda esperava que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo e quando eu abrisse os olhos estaria em minha casa novamente, em Jacksonville. Portanto, nada é como a gente quer; eu ainda estava nessa cidade fria e escura. A esperança de acordar na minha antiga cama espaçosa e confortável, sempre permaneceria em mim, mesmo eu sabendo que nunca seria atendida.

- Bonito desenho. – Ouvi minha mãe comentar ao meu lado quando acordei.

Eu olhei para ela, percebendo-a ali, somente agora. Atordoada e ainda com sono, sentei-me na cama e dei de cara com os olhos verdes que havia pintada no dia passado. Dei um sorriso torto; estavam bonitos mesmo. Não eram simples olhos verdes sombrios. Dentro de uma das pupilas dele havia uma garota perdida em um mundo que nunca conseguiria se adaptar; a garota era eu. Acho que era assim que Edward me observava; uma indefesa e frágil garota perdida em seu mundo de hostilidade.

Suspirei com o pensamento deprimente – me fazia lembrar que teria que ir para escola daqui alguns minutos — e me levantei da cama.

- Se inspirou em quem? – Minha mãe perguntou curiosa enquanto ainda observava o desenho com cautela.

- Ninguém mãe. – Bufei e peguei minha toalha em cima da cadeira.

- E por que verdes? – Ela perguntou, aproximando-se do desenho.

- Não sei. – Dei de ombros. – Talvez combine com essa cidade. Tudo é tão verde e... – Olhei para a janela; não consegui encontrar outras cores. Bufei.

Ela balançou a cabeça como se compreendesse como se compreendesse. Revirei os olhos. Ela sempre estava tentando decifrar meus desenhos, mas, nunca conseguia. Era uma parte inativa da minha mente que eu colocava para fora quando sentia a necessidade de saber o que estava sentido. Às vezes, nem eu mesma entendia o que eu desenhava.

Passei direto por ela em direção a porta do quarto.

- Querida. – Ela chamou antes que eu atravessasse a soleira. Olhei para ela. – Você vai mesmo ficar riscando a parede do quarto?

- Não ao menos que você me dê uma tela para pintar. – Sorrir debochada sabendo qual seria sua resposta.

Ela suspirou, determinada a não reclamar.

- Bom, pelo o menos é o seu quarto. – Sorriu. – Vá tomar banho, seu pai concertou o chuveiro elétrico.

- Oh! Graças á Deus. – Comentei e mais animada me direcionei para o banheiro.

Ao menos não teria que encarar estacas de gelo no meu corpo antes de ir para o meu inferno particular que era o meu novo colégio.

Ao terminar o banho e a vestimenta de uma calça jeans escuras e uma blusa de manga clara, desci e tomei um café rápido. Peguei minhas coisas, dei tchau para a minha mãe, e peguei as chaves da maldita picape que agora eu teria que me locomover.

Lá fora, depois de correr pela a chuva irritantemente fina, entrei na picape me sentindo um pouco hesitante. Será que ela não ia desmontar ou alguma coisa do tipo comigo dentro dela? Balancei a cabeça, tentando tirar aquele pensamento e entrei de vez na porcaria.

Quando eu olhei seu lado interno até achei que ela era bem limpinha. E quente e aconchegante. Isso quase me convenceu de que aquela picape até poderia ser um bom carro. Mas, assim que eu girei a chave e o motor ligou, na verdade, rugiu da maneira mais assustadora possível, eu vi que não era definitivamente um bom carro.

Suspirei e dei a marcha, dando os primeiros solavancos no carro. Pelo o jeito o barulho irritante daquela picape ia ser mais um motivo para eu chamar atenção naquele maldito colégio.

Segui entediada com o chacoalhar daquela velhota caminhonete, pelas as ruas de Forks. Segurava o volante com uma força desnecessária, como se estivesse com medo de que a qualquer hora ele saísse do lugar.

Enquanto olhava com os olhos cerrados a pista, dirigindo com cuidado para que o carro não batesse em qualquer outro, os olhos verdes de Edward vieram em minha cabeça. Lembrei-me do meu desenho — desenho da qual não sabia por que tinha desenhado – e de repente senti — me ansiosa para encontrá-lo. Na verdade, só queria saber o que acontecera com ele para que saísse da forma que saiu na tarde passada.

Bufei. Pelo o jeito para falar com Edward eu teria que ter cuidado com as palavras que saiam da minha boca. O caso era: Eu conseguia ter cuidado com minhas palavras?

A viagem barulhenta na caminhonete durou menos tempo do que eu pensei. Talvez aquele carrinho não fosse tão ruim assim. Pelo o menos ele impedia que eu tivesse que caminhar. Coisa da qual nunca estive acostumada a fazer na minha vida.

Quando cheguei ao colégio – o maldito colégio –não me senti tão desconfortável de entrar de carro. Havia alguns pelo o estacionamento e eu tinha a certeza de que eles eram bem melhores que o meu – talvez fossem dos professores.

Ao descer do carro, o frio horripilante da cidade atingiu-me. Encolhi-me dentro do casaco, com minha mochila nas costas, e rugi. Inferno de cidade fria demais. A chuva fina e incessante continuava então eu coloquei o capuz do casaco na cabeça, antes de começar a andar.

Os olhares, na hora em que comecei a ir em direção a porta do colégio, eram os mesmos do dia passado – hostis e violentos. Na verdade, até pareciam bem piores.

Quando eu ia atravessando a porta para entrar no corredor apinhado de alunos do colégio, percebi um pouco afastados um grupo de meninos conversando. Meu coração disparou – sem explicação, aliás – quando eu reconheci o garoto de cabelos acobreados que estava entre eles.

Era a primeira vez que eu via Edward conversando com outros alunos e principalmente, sorridente como estava agora. Talvez aqueles garotos fossem a maldita gangue que pertencia á ele. Na verdade, não sabia por que estava tão preocupada com o fato dele ter esse tipo de grupo. Se Edward tinha uma gangue ou não era problema dele, não meu. Eu mal o conhecia, droga!

Eu queria falar com ele sobre o fato de ontem, mas, não sabia se agüentaria os olhares desprezíveis que os amigos dele me lançariam se eu fosse agora. No entanto, sentia a necessidade de saber se ele estava com raiva de mim e por que ele estava.

E isso era estranho, porque eu nunca fui disso; pedi desculpas ou saber se uma pessoa que mal conheço está com raiva de mim por causa de umas palavrinhas bestas que talvez eu nem tenha percebido que tinha dito. Alias, que palavras eu tinha dito para ele ter saindo daquele jeito? Talvez fosse só besteira da parte dele.

Suspirei entediada. Sabia que tinha que ir lá. Edward me ajudou bastante no dia passado, devia ao menos isso para ele. Muito mais que isso, eu não queria me enganar; Edward era o único que ainda falava comigo naquela maldita escola. Ele não me tratava como se eu tivesse com uma doença contagiosa ou fosse a criminosa mais procurada de todos os tempos.

Decidida a não entrar no colégio antes de falar com ele, dirigi-me determinada – não sabia de onde tinha conseguindo essa determinação – para os garotos que riam estridentes á pouco metros de mim. Quando eles me viram aproximar, pararam de rir abruptamente e suas expressões ficaram visivelmente frias. Sério! O que havia de errado comigo? Eu não era o monstro do lago Ness. Queria rir do meu pensamento irônico, mas isso talvez os fizesse, além de tudo, me acharem louca. Então, mantive a expressão séria quando me direcionei para quem procurava.

- Será que posso falar com você? — Perguntei diretamente á Edward, procurando fixar meu olhar somente nos seus olhos verdes, mesmo que isso me deixava nervosa e constrangida. Era melhor olhar para ele, do que para os olhares frios que eu sabia que tinha ao meu redor.

Edward manteve seu olhar duro em cima de mim por um tempo que parecia que não ia acabar; parecia está procurando algum tipo de resposta que eu não poderia saber o que era. Depois, como se desistisse e talvez depois de ver minhas bochechas ficando vermelhas, suspirou e saiu do meio dos garotos.

- Vamos para ali. – Ele falou em tom de voz baixa e suave. Não combinava com a expressão de seus olhos.

Ele levou-me consigo enquanto me guiava com uma mão hesitante em meu ombro. Procurei ignorar a sensação estranha que o seu toque me fez sentir — como a sensação de total segurança por está ao seu lado ou o embrulho que estava sentindo em minha barriga. Aaah! Deus, eu estava louca ou o que?

Ele parou á uns poucos metros dos amigos e virou para me encarar. Sua expressão estava impassível, mas quase chegando á uma de melancolia. Seus olhos não estavam mais tão duros.

- Bella... – Ele falou com a voz pesada antes mesmo que eu chegasse a abrir a boca. Parou e suspirou, como se não conseguisse dizer as palavras que iria dizer. Esperei ele continuar. – Nós não... – Hesitou e fixou seu olhar no meu com a testa franzida. – Nós... Não podemos ser amigos. – As palavras saíram quase frias.

Encolhi o cenho, procurando ver ou entender o que ele poderia está querendo dizer com aquilo. Como assim nós não podíamos ser amigos? Eu era irritante demais para que ele me quisesse ao seu lado? Não, algum motivo bem mais concreto que esse deveria ter. E eu não sabia por que estava me importando tanto!

- O quê? – Perguntei confusa quando os pensamentos pararam em minha mente.

De repente, me senti estranhamente em pânico. Sabia que Edward ás vezes era rude, grosseiro – somente comigo, por sinal – mas, ele ao mesmo tempo era gentil. Ele ao menos não tinha nojo de mim ou qualquer outra aversão contra mim – quer dizer, até agora pelo menos. Senti que não queria deixar de me aproximar dele mesmo que isso fosse extremamente estranho para mim.

- Bella, nós não demos nada a ver. – Sua voz saiu meio engasgada. – Ontem eu só te salvei. Você não precisa se senti obrigada á andar do meu lado por causa disso.

- Eu não estou ao seu lado por obrigação. – Minha voz saiu incrédula com sua afirmação. – E diferenças? Que diferenças? Edward eu estou estudando nessa escola, então estamos na mesma categoria, certo?

- Não Bella, nós não estamos na mesma categoria. E não é só nas diferenças financeiras. – Passou a mão no cabelo, hesitando um pouco. – Nós temos pensamentos totalmente divergente um do outro. – Sua voz saiu suave como se quisesse me convencer sobre aquilo.

De repente, ele suspirou pesadamente e franziu o cenho em minha direção; parecia está procurando as palavras certas para me dizer. Não entendia sua relutância a se aproximar de mim. Certo! Tínhamos muitas diferenças de pensamentos e sociais; Edward era feliz com as poucas coisas que tinha e eu queria muito mais. Mas isso era desculpa para ele não querer se aproximar de mim? A não ser que...

- Não. – Eu falei de repente quando um motivo para sua relutância veio em minha cabeça. – Tudo bem, eu já entendi. – Ele me olhou confuso. – Você está arrependido de tentar se aproximar de mim, certo? Digo, até talvez de me salvar das mãos de Jacob ontem. Tudo bem, Edward! Pode admitir, eu entendo. Você talvez só queira agir como todo mundo aqui age em relação á mim. – Dei de ombros, mas percebi que minhas palavras não saíram tão determinadas como eu queria.

Sua expressão ficou repentinamente mais fria quando eu terminei de falar.

- Acha que eu estou arrependido de ter lhe salvado das mãos de Jacob? – Sibilou.

- Eu vejo isso. – Admiti, assumindo o mesmo tom que ele.

- Você não sabe de nada, Bella. Quando eu te salvei, era porque era coisa certa a se fazer. Era porque foi o que eu achei certo fazer. Eu não me arrependo de coisas certas que costumo fazer. Ninguém, Bella, se arrepende te ter feito algo certo. Então, não me venha com essas suas palavras.

- E por que então não podemos ser amigos? Isso não parece certo para você? – Minha voz saiu baixa.

Eu estava confusa porque estava insistindo tanto nele. Era só um garoto que com certeza, era complicado demais para mim.

Ele suavizou a expressão fria; foi para quase uma de ternura. Será que ele tinha visto o pânico em meus olhos?

- Bella, nós temos muitas diferenças. – Repetiu.

- Diferenças? Edward, se você fala em questão financeira, acho que eu estou no mesmo patamar que você. Do contrario, não estaria aqui.

- Não Bella. – Ele riu. Foi um riso doloroso. – Você não é pobre. Você é como uma princesa perto de mim. Perto de qualquer pessoa aqui... – Senti-me corar com sua frase e engoli em seco. – È por isso que os alunos aqui te olham torto. Porque elas têm inveja de você. Porque, apesar de tudo, você já teve uma vida boa, você ainda tem uma vida boa.

- Mas...

- Bella, você tem uma casa bonita, um carro para se locomover, seu pai tem um trabalho que com certeza vai dar bons frutos e aposto que todos os dias você tem do bom e do melhor na mesa para se alimentar. Você tem um talento com a pintura, porque já fez cursos de artes, e pode ser mais inteligente do que todos os alunos daqui porque teve uma base satisfatória de educação. Porque, além de tudo, você conheceu uma vida além desse mundo, Bella. Sem contar outras diferenças que eu não consigo pensar aqui.

Suspirou e abaixou a cabeça.

- Você está falando disso? – Perguntei incrédula.

- Bella, você não enxerga? Você não é desse mundo. Você não é do meu mundo. Eu não sou a melhor companhia para você. Eu tenho uma gangue para me defender. As pessoas da qual eu gosto, estão em constante perigo por causa das gangues inimigas. Isso abre um buraco enorme entre nós. – Suspirou. – Nenhum pai quer ver sua filha andando com amigos assim. Eu tenho certeza de que na primeira oportunidade que você tiver — que eu sei que você vai ter — você vai para um colégio melhor. Vai esquecer daqui como se nem ao menos tivesse posto os pés aqui.

Engoli em seco diante de suas palavras. Senti uma angustia enorme ao ouvi-lo citá-lo, dentre muitas, nossas diferenças. Porque ele estava certo, e eu não queria que ele estivesse certo. Queria achar palavras para dizer que ele estava errado, para revidar, só que pela a primeira vez, eu não conseguia. Edward estava me desconcertando novamente com toda a força de suas palavras verdadeiras.

- Edward. – Sussurrei e mordi os lábios. Coloquei uma mecha do cabelo para trás, procurando esconder o nervosismo. – Não podemos apenas ser amigos?

Ele sorriu torto. Fui incapaz de desviar o olhar de sua boca ao vê-lo fazer isso.

- Bella, você está confusa.

- Não, eu não estou. Eu quero ser sua amiga. – De repente, quando falei isso, tive a certeza que era o que eu queria. Eu o queria próximo, eu queria conhecê-lo melhor.

- Só pense... – Ele chegou mais próximo de mim. – Se você não estivesse aqui, se você ainda fosse rica, você faria questão de me ver ao seu lado? Gostaria que as pessoas me vissem ao seu lado? – Perguntou de maneira quase retórica.

Fiquei calada por não saber o que responder; ele estava certo mais uma vez. Eu tenho certeza de que se eu não estivesse nesse colégio, se eu não eu não tivesse conhecido ele da maneira que eu conheci e passasse pela a rua e visse Edward por acaso, eu iria descriminá-lo. Com certeza, eu iria para a rua oposta que ele estava só por olhar sua roupa jogada – como um casaco cinza e uma calça baixa demais. Eu nunca pensei que poderia me aproximar de um garoto como ele. Mas, e agora? Por que eu fazia tanta questão de está ao seu lado?

- Foi o que eu pensei. – Ele comentou com a voz pesada quando eu não disse nada.

- Edward... – As próximas palavras não saíram.

- Bella, você tem que ver se isso é o que você quer. – Aproximou-se ainda mais de mim. Seus olhos olhando-me de maneira bastante intensa. – Realmente quer está ao meu lado? Não tem vergonha do que eu sou? Um garoto simples e pobre? – Suspirou e franziu o cenho, a expressão um pouco dolorosa. – Eu não sirvo para você, Bella. Sou apenas um plebeu nos pés da princesa. – Abaixou a cabeça com um sorriso triste.

Engoli em seco e senti novamente ele me fazer corar. Por que ele tinha que usar aqueles termos comigo? Vindo da boca dele, daquela maneira que ele falava, eu não gostava.

- Mas... – Tentei falar, mas ele me ignorou dando dois tapinhas em meu ombro e com o mesmo sorriso sem animo, saindo de perto de mim.

Fiquei paralisada no canto até vê-lo se aproximar de seus amigos de novo. Sem saber o que fazer, rugi e seguir em frente para a escola. Eu precisava saber o que eu queria.

O dia foi como o passado; um saco. Olhares furtivos e hostis em minhas direção, piadinhas de mal gosto, aulas sem uma pingo de rendimento e etc, etc e etc. Portanto, eu ainda achei pior do que o passado. Motivo? Edward e suas palavras estavam constantemente em minha cabeça. Era estranho, mas eu sentia falta dele do meu lado com suas criticas em relação ao meu comportamento.

O pior foi quando no intervalo ele me ignorou totalmente. Por um milagre eu consegui uma mesa – distante o bastante do aglomerado de adolescentes que dizia com o olhar “Eu odeio Isabella Swan” – e mesmo que eu não quisesse, não parava de olhar em direção á ele. Parecia que meus olhos tinham escolhas próprias.

Ele estava sentado com os mesmos garotos do começo da aula. Um grandalhão forte de cabelos curtos e escuros, um loirinho de expressão suave, um moreno baixinho de cabelos curtos. Percebi a adição de mais duas garotas; uma baixinha de cabelos pretos escuros espetados e outra com cabelos loiros e com cara de enjoada. È, com certeza devia ser a gangue dele.

Edward, em todo o recreio, não direcionou um olhar sequer em minha direção.

Na aula de biologia – a que tínhamos que dividi a mesma mesa – foi ainda mais estranho. Ele sentou ao meu lado, mas era como se eu não estivesse ali. De vez em quando até ausência de sua respiração eu sentia.

Procurei não olhar para ele — claro que perdendo total nessa missão. – na aula toda. De qualquer maneira, se eu olhasse ou não, não faria diferença, ele estava me tratando como se eu fosse invisível, como se eu nem estivesse ao seu lado. Por que eu não conseguia agir como ele?

De repente, senti-me mal, muito mal com essa sua atitude. Eu estava me sentindo sozinha de novo. Na verdade, estava me sentindo sem... Ele.

Eu tinha que fazer alguma coisa a respeito disso. Estava mais que na cara – ao menos para mim – que eu queria Edward do lado. Mas, ele estava certo; e nossas diferenças? Edward era tão pobre quanto ele dava a entender? Logo mais eu sairia dessa escola; Eu continuaria querendo ser sua amiga? Ou isso era só porque eu estava nesse lugar hostil, onde todos me olhavam torto, menos ele?

Eu não sabia responder nenhuma dessas questões. Isso tudo era muito novo para mim; uma cidade nova, uma casa nova, um colégio que eu nunca pensei que poderia estudar e um garoto da qual nunca pensei que poderia aceitar como amigo. Enfim, uma vida nova totalmente diferente da que eu tinha. Sem contar, o quanto Edward me desconcertava quando ele falava as palavras que pareciam ser tão certas. Ele não parecia ser um garoto tão simples.

Isso tudo era tão longe da minha realidade. Nunca pensei que viveria em um mundo assim. E agora, eu sabia que só tinha que me acostumar com essas mudanças, era o único jeito agora. Eu conseguiria me acostumar?

A única coisa que salvou um pouco o dia foi a aula de Carlisle. Definitivamente, eu gostava dele. Não só eu, mas todos os alunos daquela escola. Já que a aula dele, era a única que todo mundo prestava atenção.

- Você está bem, Bella? – Ele me perguntou quando eu estava saindo da sala depois do termino da aula.

- Sim, por quê? – Perguntei confusa.

- Nada, só parece um pouco triste ou abatida. – Comentou e deu de ombros.

Ficou me encarando como se esperasse uma resposta. Eu estava triste? OK! Eu não tinha percebido isso.

Se eu realmente estava triste, não era pelo o que os alunos dali pensavam de mim. Eu estava triste com o que Edward pensava de mim. Agora, percebia que me importava com sua opinião. Queria odiá-lo por causa disso – já que eu não era obrigada a me importar com a opinião de ninguém – mas, eu não conseguia.

Ao ter o pensamento, encarei o professor Carlisle que ainda me observava.

- Eu estou bem. – Comentei com a voz fraca e sair apressada da sala.

Uma coisa estranhíssima estava acontecendo comigo. Aquela escola, de alguma maneira, estava me afetando.

No final da aula, corri para o meu carro. Estava mais desesperada para chegar em casa do que no dia passado. Antes de entrar na picape, pude ver Edward com os mesmos amigos. Por um instante, mas um único instante mesmo, seus olhos se cruzaram com os meus. Logo, ele desviou. E era como se ele não tivesse visto nada.

Suspirei meio desanimada e entrei no carro. Segui pelas as ruas de Forks, não ligando para como eu estava me movimentando e cheguei em casa rápido.

Ao entrar em casa, sentia-me com o coração apertado. Minha mãe apareceu na porta da cozinha, mas, eu não esperei ela falar qualquer coisa. Subir as escadas urgentes para o meu quarto. Entrei nele, joguei a bolsa no chão e sentei na cama, pensativa.

Sentia o desenho dos olhos de Edward me observando da parede. Então, me lembrei de suas últimas palavras na conversa que nós tivermos de manhã:

“Eu não sirvo para você, Bella. Sou apenas um plebeu nos pés da princesa.”

Ele achava-se abaixo de mim? Ele não se achava digno de ter a minha amizade? O que? O que minha imagem transmitia para ele se achar desse jeito?

Por um momento senti-me egoísta. Não por aqueles alunos que me olhavam torto o dia inteiro, mas por Edward. Ele era tão gentil, tão forte e determinado que eu via que ele não tinha que senti-se achar abaixo de ninguém. Ele, no interior, era melhor que eu.

Eu era uma garotinha perdida que acaba de sair da sua vida perfeita cheia de glamoures e riquezas. Edward, eu não sei, mas mesmo vivendo como vive, ainda é capaz de ser forte e lutar contra a maré.

- Bella. – Renée me chamou da porta do meu quarto, tirando-me dos pensamentos. – Você está bem?

Olhei para ela confusa e especulativa.

- Mãe, o que você faz quando você quer coisas que nunca cogitou ter por não pertencer ao que você é?

Ela olhou confusa para mim por um tempo, mas logo sua expressão ficou pensativa. Do mesmo jeito, ela se sentou ao meu lado na cama.

- Bem, querida... – Começou. — Ninguém manipula ou adivinha o que quer. Se esse tal gosto apareceu, era porque era para aparecer. Você só tem que parar e pensar se vale a pena investi nessa coisa que você gosta. Se se sente bem com isso.

- Mas, se você se se sente bem com isso e tem medo do que pode acontecer no futuro? Quando as coisas mudarem e você não poderá mais ter o que quer?

- Então reflita. Querida, eu não sei sobre o que você está falando, mas, Bella... – Pegou minha mão e falou mais maternalmente — Todos nós temos que mudar um dia. Se antes você tinha planos e outros princípios, agora eles tem que mudar, porque você está em um mundo diferente do que era antes. Mas, querida, ele só vai mudar se você souber mudar.

- Mudar? – Perguntei melancólica. Não queria abandonar o que eu era.

- È, se adaptar a essa nova vida, Bella. O mundo é assim. Nunca podemos saber onde estaremos amanhã. O melhor é mudar de acordo com as necessidades.

Suspirei tristemente e abaixei a cabeça. Minha levantou-se e passou a mão em minha cabeça.

- Eu não sei o que esta passando nessa sua cabecinha. – Olhei para ela. Ela sorriu e pôs o dedo no meu queixo. – Mas, filha o que você quer? Você tentaria mudar por isso que você quer?

- Talvez eu tenha que pensar? – Não foi uma afirmação, mas uma pergunta confusa.

- È, e quer um conselho? – Olhou para o desenho dos olhos verdes e depois para mim novamente. – Desenhe. Você sempre acha respostas quando faz isso.

Assenti, com um sorriso desanimado no rosto. Ela deu um beijo no meu rosto e saiu do quarto.

O que eu queria? Eu queria a amizade de Edward, mas eu poderia lutar contra nossas diferenças? Elas iriam interferir em algo? Só se eu me importasse.

Renée estava certa. As coisas só iriam dar certo nessa minha vida agora se eu mudasse. Eu era uma criança, infantil; queria porque queria voltar a vida que tinha antes sendo que não podia mais ter. Por outro lado, eu queria a amizade de Edward que fazia parte de um mundo totalmente diferente do que aquele que eu queria. Isso não era meio contraditório?

Talvez eu só estivesse com medo — de quê eu não sei. Talvez do que Edward me fez senti só naqueles dois dias que esteve comigo, talvez do que os seus olhos verdes causavam em mim, afinal só de pensar neles, deixava-me sem ar.

Olhei para o meu desenho mais uma vez. A garota perdida na pupila do olho ver era eu. Sim, era eu que estava perdida e não Edward. Quem precisava dele nesse momento, era eu e não ele. Mas, para eu me aproximar dele, eu precisava mudar. Ou ao menos, encurtar um pouco todas as diferenças que tínhamos.

Enfim, eu precisava dele porque agora eu percebia que ele seria o único á me ajudar a me transformar em uma pessoa melhor. Ele seria o único que me aceitaria nesse meu novo mundo. Sim! Eu estava desesperada pela a amizade dele. Eu queria. Mesmo com esse buraco de diferenças tanto psicológicas tanto financeiras, que havia entre nós.

OK! Agora eu só precisava demonstrar isso para ele. Eu precisava demonstrar que eu era capaz de consegui sobreviver nesse mundo. Eu era capaz de mudar mesmo que isso fosse difícil.

Como eu iria convencê-lo a ser o meu amigo apesar das diferenças?

E daí? Eu não me importava se ele era pobre, tinha uma gangue ou qualquer outra coisa. Porque dentro daquela escola, ele era o único que merecia minha admiração.

Suspirei e olhei para os meus lápis de desenho em cima da mesa. Uma idéia surgiu em minha cabeça e de repente, eu sabia exatamente o que fazer para lhe convencer.

Animada, peguei os lápis de cor e um papel. Iria usar do meu melhor dom para lhe mostrar que não me importava com o que ele era. Talvez assim, ele não relutasse tanto a ser meu amigo. Eu esperava sinceramente por isso.

Notas finais
Então? Merece comentário? Espero que sim. Dependo de vocês para os proximos capítulos.

E ai a Bella conseguirá convencer Edward a ser seu amigo? Já deu para perceber em qual contexto essa história vai acontecer não é? Mas, tem muitas coisas imprevisíveis ainda, então não desistam e continuem a ler. :D

Tenho certeza que o Edward dessa fanfic irá agradá-las. kkkkk

Obrigada para quem já leu e já comentou. Beeijos ;*