Aprendendo a Viver
3 Capítulo Dois: Medo
Notas iniciais
Não estava a fim de responder a tantas perguntas e todas ao mesmo tempo. Estava ficando impaciente e nervoso ouvindo tantas vozes juntas. O seu café da manhã embrulhava-lhe o estomago e com um movimento brusco levantou-se da mesa e tomou o caminho para a sala.
Mas, os outros não o deixariam em paz enquanto não conhecessem a tal Samirah. Estava extremamente se odiando por ter contado a eles sobre ela. Se pudesse voltar no tempo não teria dito nada.
Sentado no sofá, não conseguia prestar a atenção no programa de TV por que todos os cavaleiros tapavam sua visão. Irritado, esbravejou:
– Calem a boca! Que merda! – levantou-se e caminhou até a porta. Saiu, fechando a porta com força.
Balbuciou algumas palavras sem nexo e continuou o caminho até sair portão a fora. Não queria se estressar dando explicações, só queria aproveitar o dia de sol que se fazia. Inesperadamente a imagem de Samirah tomou-lhe a mente e praguejou por isso. Deu de ombros e continuou o caminho sem rumo.
Sentia uma agitação dentro de si, uma necessidade em encontrá-la. “Será que...?” limitou-se a pensar tais coisas. Vê se ele iria gostar daquela menina enxerida!? Bobagem...
Entrou em uma praça e sentou-se no primeiro banco que viu. Não estava ligando para detalhes. Encostou-se no banco e inclinou a cabeça, fechando os olhos. Uma leve brisa tocou-lhe o rosto e trouxe consigo alguns fios de cabelo que se encostaram a sua face. Abriu os olhos lentamente e deparou-se com Samirah a sua frente. Levou um pequeno susto, mas não demonstrou.
– Posso me sentar? – perguntou já se sentando.
– Já sentou né? – a impaciência era visível. – Será que todo lugar que eu for irei te encontrar? – soltou um suspiro desanimado.
– Ah, não seja grosso! – emburrou a cara, mas logo voltou a sorrir. – Eu estou indo tomar um café, gostaria de ir?
Máscara da Morte redirecionou o olhar a ela com as sobrancelhas arqueadas em espanto e confusão. Sorriu ironicamente e disse:
– Sabia que é o homem que convida a mulher?
– Não faz mal! – sorriu mais largamente, só queria ouvir um sim. – Vai ou não?
– Me dê um motivo para aceitar o seu convite. – lançou desafiador, pensando que ela não teria resposta. Enganou-se...
– É feio um homem recusar o convite de uma mulher. – o olhou provocante, com ar de vitória. – Sabia?
– Não invente coisas, garota. – virou o rosto, desviando o olhar. Mas, seria uma falta de educação recusar.
– Garota é feio. Chame-me de Samirah. – disse, fingindo irritação.
– Tanto faz. – levantou-se e começou a caminhar. – Vai ficar ai?
Samirah sorriu e levantou-se para segui-lo. Realmente achou que ele recusaria.
Caminhavam lado a lado e nenhuma palavra foi dita. A lanchonete estava a vista, atravessaram a rua e Mascara da Morte deixou que ela entrasse primeiro. Escolheram uma mesa discreta e fizeram os pedidos. Enquanto o garçom se retirava, Samirah queria afastar aquele silencio perturbador, então perguntou qualquer coisa:
– Como se chama?
– Não gosto do meu nome, então pode me chamar de Máscara da Morte. – deu de ombros para o que ela iria achar ou pensar.
– Que estranho! – não gostou muito da idéia e pôs-se a pensar num apelido. Ficou alguns minutos em silencio, mas logo despertou. – Não dá!
– Não dá o quê? – perguntou, estranhando a atitude dela.
– Queria achar um apelido, mas deixa pra lá...
O papo deu por encerrado e o garçom trouxe os pedidos. Estavam tranqüilos, curtindo, sem demonstrar, presença do outro. Pareciam que se conheciam há tempos, estavam bem à vontade numa conversa animada. Máscara da Morte tinha que admitir que lhe fazia bem estar com ela. Seu coração ficava em paz.
“Nós não mandamos nos sentimentos.”
Inesperadamente esta frase percorreu seus pensamentos e teve que concordar. Sentia raiva dela por livrá-lo do que chamava de verdadeira liberdade e agora estava ali, ouvindo-a falar animadamente. Soltou uma risada que a fez parar de falar e prestar atenção no que ele achava tão engraçado. Meio sem graça, decidi perguntar:
– Tá rindo de quê? – fez uma expressão séria, esperando a resposta.
– Você fala demais... – declarou desanimado.
Samirah achava aquele jeito despreocupado atraente, talvez este fosse o motivo que fazia seu coração bater mais forte. Máscara da Morte não podia ignorar o fato que sua salvadora era uma mulher bonita, apesar de nova.
Terminaram o café e saíram da lanchonete, tomando um caminho sem rumo. Nenhuma palavra era dita, mas Máscara da Morte teve que perguntar:
– Deu dor na língua? – a olhou de relance com um sorriso debochado.
Samirah virou o rosto, mas não pôde deixar de sorrir. A medida que andava seus braços balançavam e sem querer sua mão esbarrou na dele. O calor que sentiu fez seu corpo arrepiar, fazendo-a parar de andar.
O moreno percebendo que andava sozinho parou e virou-se redirecionando o olhar a ela que permanecia estática olhando para a mão com um sorriso bobo nos lábios.
– O que foi? – não fez questão de mencionar que também sentiu o toque da mão dela na sua.
– Nada... – tentou se recompor, mas seus olhos demonstravam a sensação que ele fez surgir com apenas um simples toque. – Vamos continuar o passeio?
– Tá... – concordou desconfiado. Percebeu a atitude e o jeito dela altamente nervoso.
Continuaram andando com ele um pouco a frente dela. Samirah ia com a cabeça baixa, estava se sentindo desconcertada por ter ficado abobada com o simples esbarrão e em ter mostrado seus sentimentos. Era tão espontâneo o jeito que tudo estava acontecendo que tinha um pouco de medo que Zeus dissesse que já era o suficiente. Um sentimento de tristeza tomou-lhe o coração e sentou-se no primeiro banco da praça.
– Que cara é essa? – ficou um pouco preocupado, redirecionando o olhar a ela.
– Tenho medo que não dê tempo... – confessou sem pensar, abrindo seu coração.
– Tempo de quê? – interessou-se, mas sentiu o medo aparente nos olhos dela quando estes foram voltados para si.
Um filete de lágrima escorreu do canto do olho de Samirah que tentando contê-las fechou os olhos com força. Segundos depois sentiu as pontas dos dedos grossos impedindo o caminho que elas destinavam fazer. Abriu os olhos, incrédula. Ele estava enxugando suas lágrimas.
Empalideceu-se quando ele inclinou-se um pouco para mais perto e os olhos azul-escuros fixaram nos seus. Observava-o com os lábios entreabertos, como se o convidasse para um beijo.
Inconscientemente aquilo estava sendo uma provocação a ele e não sabia se agüentaria se controlar. Aproveitou que a sua mão estava n rosto dela e escorregou para a nuca iniciando um carinho leve. Seus rostos estavam próximos e com um sorriso gentil, ele disse:
– Seja o que for, sei que dará tempo... – e enfim colou seus lábios aos dela.
CONTINUA...
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