Aprendendo a Viver
4 Capítulo Três: Desespero
Notas iniciais
Capítulo Três: Desespero
O beijo foi encerrado e ambos estavam com os rostos levemente corados. As respirações estavam alteradas e os corações batiam descompassados. Mesmo envergonhados por causa do inesperado beijo, ainda estavam com os olhos fixos no do outro.
– Desculpe-me... – pediu ele, embora não estivesse nem m pouco arrependido.
– Tudo bem... – levou a mão aos cabelos e os colocou atrás da orelha. Sempre fazia isso quando ficava nervosa.
Máscara da Morte sorriu debochado ao ver como seu beijo havia a deixado. Sentiu todas as sensações que no fundo de sua alma sempre desejou sentir. O beijo dela fora doce, embora tenha demorado um pouco a corresponder. Inclinou a cabeça para trás e viu as primeiras estrelas o tingindo. Logo a lua também resolveu aparecer.
– Acho melhor ir para casa. – ela disse já se levantando. Nem um tchau deu, também não precisava. Ela sabia que o encontraria amanhã.
Máscara da Morte deixou mais um sorriso chegar a seus lábios. Mesmo negando, tinha que admitir que ela estava mexendo com ele.
Descia as escadas para se juntar no café da manhã. Sabia que seus amigos iriam fazer perguntas e quem sabe responderia. Sentou-se na ponta da mesa e preparou seu café. Em menos de cinco minutos, ouviu a primeira pergunta:
– Quando vai nos apresentar Samirah? – Mu perguntou impaciente, despertando a curiosidade dos outros.
– Não sei. – estava um pouco distraído, ficou pensando a noite toda no beijo que havia trocado. – Se saíssem na rua iriam vê-la.
– Não podemos simplesmente pará-la na rua! – esbravejou Afrodite. – Ela...
– Os conhece. – terminou a frase como se tivesse certeza que era isso que Afrodite iria falar. – Perfeitamente.
– Incrível! – Shaka manifestou-se. – Passaram-se tantos anos e nós nunca a encontramos... Agora você a encontra do nada... Ai tem!
Os outros também acharam estranho, mas ficaram quietos. Se apenas um tinha a encontrado sentiam-se aliviados.
Cansado daquela conversa sem importância, Máscara levantou-se e seguiu para porta. Preferiu ignorar o comentário que Milo fizera: “Já vai, né?” para não precisar bater nele. Mas, eles tinham razão. Ultimamente sentia necessidade de vê-la, de estar com ela. Praguejava em pensamentos, repreendendo a si mesmo por estar sentindo aquela agitação banal dentro do peito.
Não estava feliz com aquela vida, era humilhante. Como alguém pode tomar decisões por ele? Está certo que daquela forma em que estavam antes não dava para pedir nada, mas mesmo assim ela não tinha o direito. Uma coisa martelava em sua cabeça. Queria saber que condição ela havia aceitado. Talvez perguntasse, mas não agora, embora estivesse curioso.
Passos apressados vinham em sua direção, parecia estar atrasada. Sem dar tempo para desviar, Samirah bateu de frente com ele. Atordoado, o moreno desequilibrou-se a levando para o chão consigo. Seu corpo amorteceu a queda, mas começou a sentir dor nas costas. Seus olhos estavam fechados com força e começou a abri-los lentamente. A imagem embaçada de Samirah foi ficando nítida aos poucos e sentiu seu rosto corar por vê-la tão perto, com as mãos acariciando-lhe o rosto.
Viu no olhar dela desespero, e quando se deu conta do por quê, um rastro de sangue marcou sua testa. Samirah saiu de cima dele e sentou-se ao lado enquanto ele se levantava. Máscara não se lembrava de ter batido a testa, mas a leve ardência estava presente.
– Eu te machuquei... – disse ela, com voz embargada de preocupação.
– É só um corte. – tentou tranqüilizá-la e estendeu a mão a ela.
– Mas... – olhava-o confusa, mas aceitou a mão dele e levantou-se.
A grande mão apertava a sua e uma onda de calor percorria-lhe o corpo. Estava tão próximo dela que podia sentir a respiração. Antes que fizesse alguma coisa, Máscara chamou-lhe a atenção:
– Quero conversar com você. – sua voz estava séria, não admitiria um “não” como resposta. Por precaução, puxou-a pelo braço e a afastou de olhares curiosos. Não podia esperar mais. – Diga-me, que condição aceitou?
Mesmo temendo o que ele faria se dissesse “não”, não podia contar. Isso não era da conta dele. Ele refez a pergunta com impaciência, mas ela ainda permanecia em silêncio. Ela desviou o rosto, mas ele segurou-lhe o queixo e a obrigou olhá-lo.
– Não se preocupe com isso. – foi à resposta que ouviu e o irritou.
O estranho sentimento de desespero percorreu-lhe o corpo, a ligação que sentia naquele momento era perturbadora.
– Não me faça obrigar-lhe a falar. – estava perdendo a paciência. Se tiver feito aquilo por eles, era da conta de todos.
– Não há necessidade de saber! – afastou a mão dele de seu rosto e deu um passo para trás. – Droga... Por que você não aproveita a sua vida e esquece isso?! – esbravejou, baixando a cabeça para esconder as lágrimas.
– Por que está chorando? – perguntou co voz mais suave.
– Não estou. – tentava mentir sem se dar conta que seria inútil.
– Está sim! – puxou-a para mais perto e ergueu novamente o rosto dela.
Um filete de lágrima escorreu e contornou o rosto da jovem, que em vão tentava disfarçar virando-o. Com um gesto rude, Máscara da Morte fez-a sustentar seu olhar. Viu nos olhos verdes desespero e medo. Seu coração transbordou compaixão e a prendeu em seus braços, fazendo o rosto dela encostar-se em seu peito enquanto apoiava o queixo no topo da cabeça dela. Seu corpo tremia junto com o dela e a apertou mais para confortá-la.
As lágrimas saíam mais, seguidas de soluços. Envolveu a cintura dele com, os braços, prendendo-o mais forte. Ficaram assim um bom tempo, antes de ele a soltar e fixar os olhos nos dela.
– Ontem você disse-me algo que não daria tempo. O que quis dizer com isso? – tentava insistir, imprensá-la até falar aos gritos.
– Esquece! – virou-se para ir embora, mas ele puxou-a pelo braço. – Por que se preocupa tanto? – algumas lágrimas voltaram a fazer caminhos por sua face.
– Por que... – hesitou, mas preferiu continuar. – Eu gosto de você, Samirah!
Samirah ficou sem palavras ao ouvir aquilo. Para alguém que havia chamado-a de maldita, era um bom progresso.
– Já que se recusa a falar, prometa-me que um dia saberei.
– Prometo. – abriu um leve sorriso, aquele que silenciosamente Máscara ansiava por ver.
– Venha. – segurou-a pela mão e tomou o caminho conhecido.
– Aonde vai me levar? – perguntou confusa, mas confiante nele.
– Não se preocupe. – tranqüilizou-a. – Só quero ir a um lugar... Especial.
Samirah não estava com medo. Seja onde for que ela a levasse gostaria com certeza.
Continua...
Notas finais
beeeijos
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