Aprendendo a Amar
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capitulo 36
Rússia, Maio.
Aro
—Aro, você só está vivo pela consideração que o meu pai tinha por você. – Victor disse mais uma vez naquele dia.
Errado, Victor, eu só estava vivo por que seu pai estava morto, ele não teria toda essa paciência e já teria me matado ao deduzir que eu não tinha para dar a ele o que ele queria.
—O Chip não estava no cofre. – Ele relembrou. Um mês sobre o mesmo teto que ele, usufruindo de sua hospitalidade, e já não aguentava seu jeito de fazer constatações obvias. Na verdade, me matar seria um favor.
—E nós não fazemos ideia de onde esteja. – falei cordial. – Talvez já esteja nas mãos da inteligência Americana.
Victor apontou o dedo indicador para o teto.
—Vê isso? Estamos na minha casa, onde a inteligência Americana não pode penetrar, a menos que tenha o chip Freya para me pegar de guarda baixa desarmando meus sistemas de segurança. Dado o fato que de continuamos em segurança, eles não o têm, o que me leva de volta a você. – Terminou sua sentença com um sorriso, tentando ser ameaçador suponho, mas nesse jogo eu era o mestre, Victor era apenas uma criança mimada.
—Eu vi sua filha, Heidi, depois de todos esses anos... e se Freya estiver com ela?
Eu ri da impossibilidade da ideia.
—Não, minha filha não é como se lembra, ela não teria...
—A mente para fazer de você um idiota? — ele completou. -Deveria tê-la deixado se casar comigo.
—Ela não o escolheu, Victor, de todos os pretendes dela, eu julgava você o melhor.
—Por isso ela me desprezou.
—Heidi não queria esta vida, queria uma vida fora de tudo isto. – Indiquei seus guardas a nossa volta. Eu errei ao forçar minha filha a essa vida.
—Heidi está em uma clinica psiquiátrica, vou traze-la para nós, assim saberemos de fato se ela não sabe nada sobre o chip.
—Ela não sabe. – falei de vagar, mantendo o tom baixo de forma ameaçadora.
—Isso é o que veremos. – Ele se levantou batendo a porta ao deixar meu quarto.
Eu não poderia deixar Heidi se envolver com isso de novo, ela tinha uma chance longe de nós, uma chance de ter uma vida e eu não tiraria isso dela de novo.
O chip... era certo que ele não podia ter sido destruído na explosão, e se estivesse onde Eleazar tinha dado a entender que estava, a essa hora Victor já teria achado.
O que você fez com o chip Eleazar?
A menina...
Tudo me fazia crer que aquele ragazza* era a chave.
Por que a levar ao México justo no aniversário dela? Por que a presa em a levar? Ele poderia ter mandado alguém de confiança para lá, até mesmo Marcus, não precisava ter levado a família, o fato de levar a filha e a mulher já diz algo, mais o que?
Carmen não sabia muitas coisas a respeito da vida de Eleazar antes de a conhecer, ela não sabia do chip isto eu tinha certeza.
A menina... apesar da pouca idade era muito astuta. Me lembrava Heidi na mesma época.
A forma como ela agiu durante a nossa busca... tinha medo que as pessoas se machucassem, não queria me levar a casa, contudo quando chegamos...
Ela não parecia muito preocupada com o chip. Vanessa me lembrava muito Heidi na mesma idade, e sua lealdade ao pai Eleazar era inquestionável. Mesmo não entendo muito o que o pai fazia quando a levou ali, ela sabia o quanto era importante proteger o chip e iria querer protege-lo, assim como Heidi sempre fez tudo que julgava me agradar.
A menina não estava preocupada com a possibilidade de eu o encontrar.
Quase como se...
Soubesse que não encontraríamos o chip lá.
—Ragazza... – sussurrei. O Chip estava com ela todo esse tempo. É o que eu faria, claro que Eleazar faria o mesmo.
Procurei o telefone próximo a minha cama, Victor havia garantido que era uma linha segura. Acionei o Cão-de-Caça, capanga de Victor que estava de vigia na rua de Isabella.
—Senhor? – seu forte sotaque Russo era irritante.
—Preciso falar com Isabella.
—Quer que eu invada agora? – apesar do tom ser sarcástico eu apostaria que ele não estava brincando.
—Não. Apenas faça a conexão com o telefone celular dela. – ele tinhas esse tipo de tecnologia a mão.
—Como preferir. – ele meio grunhiu a resposta, com certeza irritado por não ter um pouco de ação. Mas que ação tinha em ameaçar uma mulher gravida?
Por um período curto de houve um silencio absoluto sendo quebrado pelo som da estatística.
E como num sonho...
—Alô? – a voz suave e curiosa. Eu podia imaginar que a jovem tinha os dentes comprimindo os lábios inferiores. -Alô? – repetiu com a voz mais firme.
—I-sa-be-lla. – Sussurrei seu nome, cada silaba carregada com emoção. Essa menina... essa mulher... como poderia me causar tantos problemas?
—Aro. – ela reconheceu, a voz mais firme ainda que baixa.
Aquilo me divertiu.
—Fico feliz que me reconheça apenas ao som da minha voz.
—O que quer? Sabe que a polícia está atrás de você!
—Eu sinto muito por como as coisas sucederam... acreditaria que não era minha intensão causar tamanho... desconforto a vocês? – eu perdi o controlo de minhas ações e isso culminou nesse fim horrendo. Jamais poderia viver em sociedade de novo com a liberdade de outrora.
—Você matou os pais de Vanessa! – acusações, acusações...
—Não sei, você e Edward me parecem bastante vivos.
—Não se faça de esperto Aro. – Ela tinha razão, o motivo desta ligação não era brincadeiras e sim confirmar um ponto.
—Não faça acusações, não é você quem da as cartas nesse jogo. Lembro que nós costumávamos a nós entender bem, no fundo sentia vontade de que você fosse minha filha e não Jane.
—Deixe-nos em paz! – ela gritou. Isabella parecia descontrolada, não a jovem de diplomática que conheci. Deixar a conversa ir por esse rumo tendo ela tão nervosa não seria de nenhuma ajuda para mim.
Resolvi a pressionar um pouco mais.
—Eu terei o que quero Isabella e nenhum de vocês irão me impedir, ouviu bem? Isso pode ser fácil, com você me dando o que eu quero, ou difícil com eu tendo de ir aí buscar. O que vai ser?
Vamos, mostre que sabe que estou atrás do chip, que ele ainda está com a menina!
—Bella?! -ouvi a voz grosa ao fundo. Desliguei o aparelho.
Isabella não respondeu a minha pergunta e a intromissão de quem supus ser Edward Cullen foi um contratempo. Ela não me parecia em seu estado normal, meio histérica, gritando e não questionando o motivo de eu ligar. Completamente distancia da jovem racional que eu conheci.
Seria isso o que a maternidade fazia com as mulheres? Uma grande perda Isabella se envolver nisso, tanto talento sendo perdido.
Uma coisa era clara, ela não estava nervosa com o que eu queria, mas sim com o fato de eu ligar, de eu me fazer presente. Apavorada com a ideia de que eu aparecesse, então se houvesse alguma chance de ela saber do Chip teria dito algo a respeito, ou melhor jogado na minha cara que já estava em poder dos policias.
Bella não sabia que a criança estava com o chip.
Vanessa era esperta de mais, eu me recusava a acreditar que o chip estivesse perdido em algum lugar, e aquela maldita explosão nunca seria o bastante para destruí-lo.
Ela estava com o chip e não contara a ninguém.
Isabella está apavorada com ideia de que eu possa fazer mal a sua estupida família.
Fará o que eu quiser.
Eu só precisava convencer Victor a me deixar voltar aos Estados unidos e tudo seria resolvido.
Heidi.
Clinica para cuidados mentais, Washigton.
Maio.
—Quando vou poder sair? – perguntei a Alec naquela tarde.
—Ainda não temos certeza. – ele disse com paciência, tanto amor em seu olhar direcionado a mim, sua irmã mais velha. Segurei suas mãos grandes entre as minhas.
—Antes do casamento de Jane eu estava perto de sair, semanas já se passaram e agora parece que não temos uma data. – me queixei olhando em seus olhos sem desviar nem a menos uma vez.
Ele colocou uma de minhas mãos em seu rosto.
—Você está indo muito bem, continue assim. De qualquer jeito não fazem semanas – ele fez uma careta zombando de mim – e sim apenas uma semana que Jane se casou.
—Não vejo como posso ter regredido em meu tratamento em tão pouco tempo. Ter parado de pedir remédios para dormir não deveria ser um sinal de melhora? – me queixei. Então percebi que apertava as mãos de Alec com mais forma do que deveria e recolhi as minhas para o meu colo.
Alec levantou do banco para ficar de pé de frente para mim. Sua nova posição tampava o sol que eu estava aproveitando. Olhou para os lados se certificando e que ninguém poderia nos ouvir. Quando voltou a falar tinha o tom mais baixo.
—Seu psiquiatra tem me alertado para atitudes mais... agressivas da sua parte.
—Não sou agressiva! – meu tom de voz me denunciou e ri. – Ok, Alec. Talvez eu não tenha dormido muito desde que pedi para não me darem mais remédios. Talvez eu deva voltar atrás com essa decisão.
Ele ficou me olhando como se me analisasse. Demorou a voltar a falar, e quando voltou tinha um tom falsamente alegre.
—Você sempre foi muito observadora e analítica. Aprendi isso com você, sabia? – sacudiu a cabeça como se expulsasse uma ideia.
—Lembro que quando eu tinha seis anos você quebrou meu carrinho favorito e queimou ele junto da boneca de Jane. Fez isso para que não soubéssemos, mas eu vi. Era tarde da noite e você estava no quintal fazendo uma fogueira.
Como ele lembrava disso?
Continuou;
—Eu estava na janela do quarto que ainda dividia com Jane e vi, ela dormia. Eu nunca me esqueci.
—Eu também era uma criança, tinha ciúmes de vocês – justifiquei.
—Foi o que pensei depois com o passar dos anos. Mas com o treinamento que tenho agora... não sei se é seguro você lá fora.
—Posso lidar com o mundo Alec. – brinquei embora o jeito que ele me olhava me deixava nervosa.
—Sei que você pode lidar com o mundo, só não sei se o mundo pode lidar com você.
Respirei fundo como havia aprendido com o médico. Alec não me faria perder a calma.
—Não sou má Alec. Apenas tenho problemas, você ficaria surpreso se ouvisse pelo menos cinco outras historias do porque algumas dessas pessoas estão aqui.
—Essas pessoas não me interessam. Você me preocupa, e enquanto não tivermos cem por cento de certeza de que você não fara mal a ninguém você fica aqui.
—Nunca machuquei ninguém! – eu quase gritei atraindo a atenção de uma enfermeira que passa próxima a nós. Ela ficou parada olhando para nós; sorrimos para ela que seguiu seu caminho.
Meu irmão colocou as mãos no joelho se agachando para olhar bem meu rosto. Me analisando.
—Eu sei o que você fazia com os homens que deviam ao papai. Tenho um grande relatório na mesa de centro do meu apartamento com fotos, áudios tudo muito bem documentado de como uma menina de apenas dez anos podia surrar um homem de noventa quilos usando diversos objetos de tortura.
Arregalei os olhos diante de sua afirmação. Imagens saltavam diante de mim.
O galpão. A cadeira. Um homem. Soco inglês nos meus dedos. Os homens do meu pai me ensinando e incentivando a socar.
Uma faca. Eu cortava as bochechas, achava fofa as caretas que eles faziam.
Tudo muito de vagar perguntando...interrogando... obtendo informação...
—Como? – como ele tinha acesso a esse tio de informação?!
—Quando entrei nesse emprego me colocaram com um parceiro. Ele era muito mais velho e trabalhava no caso ‘’Aro’’ há muitos anos. Quando ele morreu eu herdei todo o caso, tendo acesso a tudo. Minha doce irmã não é tão doce assim.
—Eu fiz o que precisava fazer. – sussurrei, meus olhos querendo transbordar.
—Também precisava matar a mulher do seu ex marido? – como Alec sabia disso?!
—Foi assim que eu descobri que você estava viva. Fui ao enterro dela por curiosidade, queria ver como o seu ex marido estava, se parecia tão triste quando pareceu no seu enterro. Ele estava muito mais arrasado. Conversei com alguns amigos deles me inteirando da morte... ela morreu engasgada enquanto dirigia na alto-estrada. É claro que eu tive que procurar o legista e descobri que a verdadeira causa era envenenamento. Então eu investiguei até que encontrar as câmeras do posto de gasolina que ela parou no caminho que fazia para Seattle; ela foi abordada por uma mulher, e essa mulher lhe ofereceu um doce.
—Ela amava doces. – quis morder minha língua pelo comentário, mas aquilo me fazia feliz; a maldita que dormia com meu marido pagou caro por tirá-lo de mim e dar a ele o que eu não podia dar; filhos.
—Eu reconheci você imediatamente nas imagens. Fui à casa dos nossos pais...
—E me achou. – eu conclui. – Por que não me tirou de lá? Por que não jogou toda a merda no ventilador?
—Eu acobertei seu crime. Dei nó em suas pontas soltas. Você me parecia... tão frágil lá.
—Por que eu estava! – falei firme porem baixo. Deixar eu me vingar do meu ex marido foi um grande presente concedido por Aro.
—Você estava lucida quando cometeu o crime. Por que continuou a deixar nossos pais controlar você?
—Porque era mais fácil. – dei de ombros cansada. Deixei algumas lágrimas caírem. – Nada fazia sentido, Alec, nada. Mas eu era importante para eles.
Meu choro veio forte. Aquilo desarmou meu irmão, que logo estava ao meu lado me abraçando e consolando.
Ele apenas voltou a falar quando percebeu que o horário de visitas acabava.
—Nunca contei a Jane e não pretendo contar, mas você consegue entender porque não me sinto confortável com a ideia de você saindo daqui quando deixa seus cuidadores tão confusos sobre sua personalidade?
—Entendo. Obrigado por cuidar de mim, Alec. – sussurrei em seu pescoço.
—Sempre irei cuidar. Você e Jane são tudo para mim.
Ele foi embora logo em seguida.
Então o problema era esse, Alec sabia da minha ‘’agressividade’’, e embarreirava minha alta se os médicos não garantissem cem por cento de que eu estava sobre controle sem medicamentos fortes.
Mas Vanessa precisava de mim, eu não sabia quanto tempo mais ela aguentaria aquele chip infecionando em seu braço sem contar aos pais.
E quando isso acontecesse minhas chances de obter dinheiro iriam por agua a baixo, e eu teria que trabalhar duro ou viver da bondade dos meus irmãos.
E assim minhas chances de ter uma vida boa independente iriam por agua a baixo.
Vanessa precisava de mim.
Vanessa precisava de mim.
Vanessa precisava de mim.
Eu repetia esse mantra seguindo de volta para meu quarto.
—Não prefere ficar na sala com outros, Heidi? – uma enfermeira me interceptou.
—Dor de cabeça. – dei a desculpa e logo me olhou preocupada.
—Vou pedir ao doutor para passar no seu quarto.
—Obrigado, mas não acho que seja nada demais.
Segui para o quarto a passos apressados. Quando estava sozinha finalmente peguei a cadeira do canto e a joguei de encontro a parede, rezando para que todos estivem na sala de televisão e não ouvissem o barulho. Eu estava com muita raiva.
—Claro que ela seria geniosa. – uma voz em russo perfeito veio da porta do banheiro e me virei para olhar. Uma mulher alta e loira, num loiro platinado estava deliberadamente encostada no batente da porta, ela usava o uniforme da clínica, contudo eu nunca a tinha visto antes.
—Irina. – ela se apresentou.
—Saia. – falei entre dentes, no meu russo perfeito, eu não estava com paciência para novatas.
Ela riu.
—Não sou uma interna, estou aqui apenas para trazer uma mensagem de Victor. – ela deu pequenos passos na minha direção.
—Não estou com o chip. – logo falei. Os olhos dela brilharam.
— Ele disse que você falaria isso apenas se soubesse onde está.
Maldito.
—Qual a mensagem? – cuspi.
—Ele está disposto a te ajudar com o que você desejar.
—Em troca de... – incentivei. Apesar dos anos meu russo continuava bom.
—Nada. Ele quer apenas... que palavras ele usou mesmo... agradar a senhora.
Ele esperava que eu fosse pedir que me tirasse daqui, então ele me seguira e saberia onde estava o chip. Boa Victor.
—Não quero nada que venha dele. – ela deu de ombros sem se incomodar.
—Minha missão está cumprida. – disse sacando uma arma e atirando na própria cabeça.
QUE MERDA?!
Eu gritei. Gritei até me perder naquilo e não saber mais a noção do tempo. Pareceram dias até vários enfermeiros abrirem minha porta e a encontrarem no chão, sangue para todo o lado.
Em algum lugar na minha mente eu observava tudo a distância, analisando o momento;
Se matar era um sinal para Victor, para ele saber que eu não havia aceitado e me desestabilizar.
Ele viria atrás do chip, eu precisava tirá-lo de Vanessa o quanto antes.
Bella
Washington, Junho.
Aniversario do Edward.
—Você está realmente me dizendo que estamos no dia do aniversário do Edward e vocês perderam o bolo?! – eu queria gritar, mas sabia que não me faria bem. O bebê dentro de mim se mexeu inquieto com a minha agitação.
—Relaxa cunhadinha. Nós não o perdemos, ele apenas caiu quando o peguei de dentro do carro. Está no chão da sua garagem. – Emmett adentrou o apartamento em uma calma imperturbável, o celular ainda na orelha.
Desliguei meu aparelho com raiva.
—O que o cabeçudo do meu namorado quer dizer Bella – Rose tomou a frente – É que ligamos para Jasper e ele passará na padaria e conseguirá outro bolo.
—Mas esse tinha uma foto nosso! – reclamei.
Ela me olhou com compaixão.
—Bella, eu sou mãe de dois meninos pequenos.
—Eu sei, Rose e te admiro por sempre estar linda e cuidar tão bem dos seus filhos, mas não sei como isso pode ter a ver com o bolo perfeito que perdemos. Vanessa! – olhei feio para ela que comia um docinho da mesa e dava outro ao tio.
—Desculpa.- Ela sussurrou, contudo, pegou dois e deu a cada primo um e os puxou para a cozinha. Emmett os segui com a boca cheia.
—O que isso tem a ver Bella, é que sou uma mulher prevenida, sempre pronta para algo dar errado. – ela abriu a bolsa e tirou dela lá um envelope. – Abra.
Peguei meio desconfiada. Meus olhos ficaram marejados quando vi seu conteúdo. Sim! Era a foto nossa em papel de arroz que eu havia selecionado para o bolo.
—Como? – questionei.
—Mandei fazer dois papeis de arroz prevendo que algo pudesse dar errado com o primeiro. Quando Jasper chegar com o novo bolo o colocamos em cima. -Abracei minha concunhada.
—Você é a melhor!
—Obrigado, obrigado. E Edward?
—Estou com pena dele Rose! Acordou todo animadinho, então fiquei na cama fingindo que queria dormir mais e mandei ele levar Vanessa para a escola cedo porque ela tinha prova. Nem mesmo o olhei e dispensei beijo de bom dia.
—Nossa quanta maldade! – ela riu.
—Realmente fiquei péssima! Quase o chamei de volta. Quase. -tive que rir um pouco, contudo eu realmente senti pena de Edward.
—E os pais dele?
—Carlisle e Esme não puderam vir mesmo e seguindo meu pedido não ligaram para o filho. – Estávamos no dirigindo a cozinha quando a campainha tocou de novo.
—Jasper e Alice. – Falamos juntas. – Deixa que eu atendo.
Meu irmão e cunhada salvaram o dia com o bolo que trouxeram, que apesar de ter sido de ultima hora tinha o tamanho e o sabor exato de que precisávamos.
—Será que ele irá gostar? – Vanessa estava ansiosa.
—O Edward? Nessie isto é bolo de chocolate, doces e balas! Ele vai é querer que a gente saia para comer tudo sozinho. – Emmett disse balançando a cabeça em concordância com sua própria afirmação.
—Eu quero bolo tio Emmett! – o mais velho de Rosalie reclamou.
—Eu também cara! Mas é o aniversário do tio Ed, não seja apresado, é capaz dele não dar bolo a nenhum de nós.
O menino fez uma cara apavorada.
—Está tudo bem, querido, todo mundo terá bolo. — interferi, Emm conseguia ser mais criança que todos ali.
—Promete tia Bella?
—Sim lindinho.
—Que horas o Edward chega? – Alice perguntou.
—Ele sempre me liga quando está saindo do trabalho... – olhei o visor do celular, nem ao menos uma mensagem dele, ele já havia passado bons vinte minutos do horário de sair do trabalho. Onde estava Edward?
—Será que ele ficou chateado por ninguém ter ligado para o seu aniversário e decidiu não voltar para casa? – Jasper tentou.
—Não mesmo. – falei firme. Edward não era assim, nem dado saidinho com amigos depois do horário de trabalho em um happy hour.
—Onde estão Jane e Alec? – Rosalie perguntou.
—Eles não vão chegar a tempo. -Eu estava chateado por isso, mas não queria deixar transparecer muito. Meus amigos tinham o direito de se divertirem em sua lua de mel. Meu celular tocou.
—Deve ser ele. – Peguei o aparelho constatando que era ele quando seu nome apareceu no visor.
—Onde você está? – eu não pretendia ser tão grossa, mas estava preocupada!
—Bella eu vou chegar depois do jantar. – Ele disse, havia um som muito alto, sua voz saiu aos gritos.
—Edward onde você está? – tentei controlar minha voz. Não seria possível ele faltar a própria festa surpresa.
—Uns amigos do escritório me chamaram para beber uma cerveja não muito longe da empresa e não pude recusar. Chego antes das dez.
—Mas Edward. – Eu gaguejei.
—Até mais amor! – e desligou.
E foi isso!
—Edward não vem para a festa dele? – Emmett. Sua voz sempre leve e brincalhona estava tensa.
—Parece que não. -Sussurrei. Um nó se formou em minha garganta e senti meus olhos ardendo pelas lagrimas que queriam vir.
—Festa surpresa não é para todo mundo. Talvez não devêssemos ter fingido que não lembrávamos. – Jasper comentou abrindo uma latinha de cerveja.
—O papai não vem? – Nessie logo estava ao meu lado. Eu iria chorar...
—Senta Bella. – Alice me puxou para o sofá.
—Eu não acredito que ele fez isso! – não deu em outra, as lagrimas transbordaram molhando minha bochecha. Eu odiava esses maditos hormônios!
O silencio se tornou sepulcral, nem mesmo Charlotte que era apenas um bebê emitia som algum.
Alguém bateu a porta.
—Emmett você limpou o bolo do estacionamento? – Rose sussurrou.
Ele levou uma mão a cabeça sem jeito.
—Não.
—Avisou ao zelador pelo menos.
—Não, baby.
—Arght, agora o homem deve ter visto pelas câmeras e está aqui para nos dar uma bronca. — ela se dirigiu a porta. Eu não queria continuar a chorar, era humilhante de mais, e afinal a culpa era toda minha! Edward devia estar pensando que eu não o amava!
—SURPRESA! – o coro me pegou desprevenida. Levantei os olhos para encontrar a porta um Edward de terno e gravata desfeita, acompanhado de ninguém menos que Jane e Tyler Lockwood.
A imagem dos meus amigos e aniversariante da noite sorrindo a porta foi de mais para mim. Senti todo o meu rosto esquentar e as lagrimas em meu rosto aumentaram. Agora eu não sabia se chorava de raiva ou pesar. Provavelmente um pouco dos dois.
—Bella, amor. – Edward largou a pasta no chão do apartamento e correu para se ajoelhar aos meus pés.
—Seu idiota! Eu pensei que não me amasse mais, pensei que tivesse te magoado de mais! – eu estava fazendo cena, eu sabia, contudo não podia evitar de chorar e sentir raiva.
—Eu não planejei isso, Bella, mas quando encontrei esses dois no caminho para cá eu os forcei a dizer a verdade ou eu mesmo os deixaria a pé.
Olhei para minha melhor amiga buscando uma resposta e explicação. Jane, cuja a pela estava morena e brilhante sorriu para mim.
—Queríamos fazer uma surpresa para você também, por isso dissemos que o voo tinha sido cancelado e que não chegaríamos a tempo, mas o nosso pneu furou a duas quadras daqui e o ‘’super’’ Edward ai apareceu. – Tyler explicou.
—Desisto de tentar fazer surpresas para você. – Reclamei, contudo eu me sentia mais calma agora. Edward riu em seguido pegou minhas mãos as beijando.
—Eu gostaria disso, da surpresa, mas ter sido tratado com frieza no meu aniversario não foi uma sensação boa. Nem mesmo minha mãe me ligou!
—Eu pedi aos seus pais que não ligassem. – Justifiquei. Tudo parecia bem ridículo agora.
—Mamãe a gente vai comer bolo? – ouvi o sussurrou do menor de Rose. Isso quebrou o clima tenso e todos riram.
—Sim meu amor, todos vão comer bolo. Agora vai lá dar parabéns ao tio Ed que é aniversario dele. – ela o incentivou a vir a nós.
—Feliz aniversario tio Ed. – o menino pequeno abriu os braços para abraça-lo.
Edward o pegou no colo e se levantou com ele nos braços.
—Obrigado campeão!
—Mais eu fui a primeira a te abraçar. – Vanessa se dirigiu a Edward o abraçando pela cintura.
—Como assim? — Alice questionou fingindo espanto.
Nessie corou.
—Ele tava tristinho cedo e eu deu parabéns.
—Só minha garota mesmo. – Edward confirmou beijando o topo a cabeça dela.
—Ah então você trapaceou Nessie? – fingi estar brava. Ela se encolheu do lado dele que ainda a abraçava. Era fofo de mais ver os dois juntos.
Nossos amigos foram procurar os salgadinhos para se servirem, Carlisle e Esme ligaram para Edward desejando um feliz aniversário e se desculpando por o terem negligenciado durante todo o dia.
Eu me sentia boba por ter pensado em fingir esquecer o aniversario dele.
Edward prevendo que eu me sentia péssima se aproximou de mim com um salgadinho.
—Uma coxinha para desfazer esse biquinho dos seus lábios. – Ofereceu.
—Apenas um beijo pode fazer isso.
—Não seja por isso. – ele se inclinou para me beijar. Nossos lábios se tocaram por um momento curto demais.
—Obrigado. – ele disse.
—Pela desastrosa festa surpresa que só fez o seu dia ser miserável? – revirei os olhos.
—Sim pode se dizer que é isso mesmo. – ele riu.
—Desc...- ele tampou minha boca com o dedo indicador em meus lábios.
—Foi desastroso, mas todos estão aqui. Nossos amigos, nossa família. Não fique triste. – beijou todo o meu rosto me fazendo rir.
Não eu não devia ficar triste, afinal o mais prejudicado em minha falha tentativa de festa surpresa estava feliz bem na minha frente.
Contudo aquela foi a primeira e ultima vez que eu tentaria fazer uma festa surpresa.
—Seus pés estão inchados. -Rosalie observou. Suspirei concordando. Estávamos as três, ela, Alice e eu na varanda.
—É um dos efeitos da pressão alta. Não abaixa Rose. – Confidenciei.
—Você está seguindo toda a orientação da medica?
—A risca! – afirmei. Alice tinha o olhar serio na rua. O carro suspeito não estava lá, em seu lugar tinha o que dois agentes amigos de Alice.
—Você está sempre muita tensa, Bella. – Rosalie me censurou.
—Ela tem razão. – Alice voltou seu olhar para mim. -A bebê sente tudo o que você sente.
—Meninas. – Jane se jogou na cadeira ao lado de Rosalie.
—Diga a sua amiga que ela precisa relaxar. – Rose disse a ela. Jane imediatamente me olhou seria e disse;
—Você precisa relaxar. Vamos para a França!
Todas rimos.
—Uma viagem está fora da minha lista de coisas que posso fazer.
—Por que está tão tensa? – ela agora tinha o olhar serio em mim. Respirei fundo antes de responder, meu coração acelerando.
—Aro virá atrás de Vanessa. Eu sinto... como se ele pudesse entrar por aquela porta a qualquer momento. Como se alguém a mando dele pudesse pular agora mesmo nessa varanda.
—Isso não vai acontecer, Bella! – Alice me censurou.
—É sufocante, Alice e eu não posso evitar.
—Pois tente, já que está te fazendo mal, pior a bebê. – Rosalie falou e minha mão foi imediatamente para meu ventre de forma protetora.
Jane puxou assuntos mais leves, nos contando como foi sua viagem e eu agradeci por deixar de ser o foco do assunto.
...
—Amor, temos que pensar nos nomes. – Edward comentou ainda naquela noite quando estávamos sozinhos em nosso quarto.
Me recostei nos travesseiros, eu sentia um incomodo no baixo ventre.
—Nada me parece adequado. Nenhum nome me atrai ainda. – Confessei. Ele riu.
—E você? Pensou em algo? – ele deitou ao meu lado e logo me aninhei em seus braços.
—Ana?
—Ana Edward? Serio? Tão simples!
—Ok está descartado. Eu só... acho que tem de ser algo meigo. Ela será assim, meiga.
—Você está me saindo um ótimo vidente; tinha certeza de que era menina, agora tem certeza da personalidade dela.
Edward riu.
Eu só sinto Bella. Só isso. Eu não tive tempo de conversar com Jane, com ela está com o que aconteceu com Heidi?
—Ela ainda não sabe. Alec quer contar pessoalmente e pediu para que não falássemos. Desculpa, você poderia ter deixado escapar. – Só naquele momento me dei conta do perigo que corremos naquela noite.
—Bella, amor? Calma eu não tocaria naquele assunto. Você está muito agitada. – Reclamou.
—Dor de cabeça.
—Apenas? – não quis contar da cólica, não devia ser nada de mais, poderia ser gases até.
—Só. Preciso dormir. – logo ele nos ajeitou na cama, ficou acariciando meus cabelos até que eu relaxei o bastante para dormir.
Sonhei que estava em um jardim, tudo era flores e arvores, o céu limpo e sol forte. Aquele cenário me deixava feliz, até que ouvi o choro de uma criança. Um bebê. Eu sabia, aquele bebê chorando era meu, então corri em sua procura. O choro ficava cada vez mais alto e agudo e meu desespero aumentava. Corri em todas as direções, e sempre que parecia próxima a fonte do choro, ele mudava de direção.
—Mãe! – era a voz de Vanessa se sobrepondo ao choro. -Mãe me salva! Mãe.
O choro recomeçou mais alto, agudo, mais desesperado.
—Mãe! Socorro mãe!
Eu queria gritar que estava indo mais minha voz não saia. Eu corria mais, contudo não saia do lugar, não achava o bebê, não achava Vanessa.
O cenário pareceu mudar abruptamente. O sol tampado por nuvens carregas, um vento forte e frio jogava meus cabelos em todas direções, em um campo mais aberto. E alto.
—Mãe! – eu achara Vanessa. A vários metros de mim, na ponta do...
Então eu reconheci o lugar. Era La Push, a praia na reserva Quileute. No verão eu pulava do penhasco com meus amigos, era muito divertido a adrenalina incrível.
Mas aquela altura... não era seguro.
Mas eu não tinha mais dezessete anos. Não era verão. E lá estava Vanessa, prestes a ser jogada do penhasco. Por Heidi.
Eu corri. Mas quando mais eu corria mais longe ela parecia estar. Então Heidi se jogou empurrando Vanessa junto.
Meu corpo parecia ter sido solto das correntes invisíveis que o prendiam. Eu cheguei a beirada e se não fosse por uma cesta disposta diante de mim eu teria pulado. O choro vinha dali. Minha bebê! Ela estava na cesta! Me joguei em meus joelhos e tirei a manta que o cobria. Para encontrar em seu interior um vazio.
Vazia não, cheia de sangue.
Abri os olhos para encontrar meu quarto bastante iluminado. Já era dia. eu estava sozinha na cama e o cheiro de café enchia o quarto.
Não fora um sonho, fora um pesadelo dos mais terríveis. O pior que já tive.
Me levantei de vagar, me apoiando nos moveis e na parede ate chegar ao banheiro. Minha bexiga parecia incrivelmente cheia. Quando cheguei na frente do vaso sanitário meus olhos pareciam mais despertos.
Foi quando eu vi com horror o caminho que tinha feito e o chão a minha frente.
Sangue. Sangue pingava no chão e escorria pelas minhas pernas.
—Edward! – gritei segurando minha barriga. Eu não sentia nada, nem uma dorzinha, nem minha filha se mexendo... – EDWARD! EDWARD!
—Bella?! – ele entrou no banheiro num rompante apesar da porta aberta. Olhou para o chão, os pintos de sangue, e para minha perna com uma trilha marcante. Eu tinha levado a mão a minha vagina, e minha calcinha estava completamente molhada de sangue, meus dedos tingidos de vermelho.
Minha cabeça doía ainda mais, minha vista escureceu.
Antes de perder a consciência eu senti os braços dele a minha volta me impedindo de cair no chão.
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