Notas iniciais
Quem é vivo sempre aparece! FELIZ NATAL gente! a fic fez 1 ano no dia vinte e três e eu quis muito trazer o capitulo para vocês nesse dia, mas como eu sou funcionária do comercio não deu, eu estava na corrida do Natal! agora que estou ''relaxando'' e ''comendo'' os restos da ceia hora de me dedicar a isto aqui! muito obrigado por cada comentário nesse período, eles são inventivo e combustível para produzir capitulo, acreditem! feliz Natal, que o menino Jesus possa fazer morada no coração de vocês e abençoar a vida de vcs! Boa leitura ♥

Aprendendo a Amar

Capítulo 35

Washigton,D.C.Maio.

Heidi.

—Meu nome é Heidi Volturi. Sou filha mais velha de Aro e Didyme Volturi. Tenho dois irmãos... um casal de gêmeos.

—Fale mais sobre você, Heidi. – O homem, suspeitosamente sempre sorridente incentivou. Olhei em volta, as cadeiras postas de forma que fazíamos um círculo perfeito, todos na roda, doze pessoas contando comigo e o doutor, me olhavam atentamente.

—Eu não sei o que falar. – Sussurrei. Eu era uma ótima oradora, desde que aprendera a falar, tive desenvoltura para conversar e contar histórias. Estudando com os melhores professores me aperfeiçoei, sempre era escolhida como representante de turma. Aos dez anos eu já seguia Aro para negociações perigosas e muitas vezes sussurrava para ele o que deveria dizer para levar vantagem.

—Pode falar o que quiser. Queremos conhecer você melhor, mais pode falar sobre qualquer coisa. – Uma das internas, a viciada em sexo disse. Ela era magra, muito magra, eu podia contar suas costelas quando tinha um surto e tirava a blusa em uma tentativa de seduzir alguém. Tinha certeza de que ela era viciada em muitas coisas, sexo era o menor de seus problemas.

— Eu tentei me matar. – falei. Pronto, algo para convencê-los de que tinha de estar ali, não apenas ouvindo seus tristes relatos, eu tinha o meu próprio. Já fazia um mês que estava ali, era hora de dizer algo que os comovesse.

Isso me ajudaria a sair daqui.

—Por isso está aqui? – disse com ironia o mais novo do grupo, um menino ainda, não mais que dezesseis anos. Diego viciado em maconha. A situação dele era a engraçada do grupo; adolescente deprimido, usou maconha uma vez, os pais souberam e pronto; clínica de reabilitação.

—Não, isso faz muito tempo, eu quase tive sucesso. – Parei para sorrir com a lembrança; talvez eu tive mesmo sucesso, já que em minha empreitada morri para o mundo e passei a viver de acordo com a vontade dos meus pais. A vegetar.

Olhei para os rostos ansiosos pelo meu relato, e por último o de nosso terapeuta. Finalmente eu falaria para outras pessoas coisas que já havia dito para ele, e com certeza a forma como me comportaria seria decisiva para minha estadia aqui.

Respirei fundo, fechei os olhos e uma lagrima escorreu.

Hora do show Heidi.

—Eu não tive muito tempo para pensar em meu suicídio, nem antes de tentar nem depois de fracassar. Ele foi... a resposta para um desespero, uma dor que eu não sabia como fazer passar...- me interrompi como se o ar me faltasse. O silencio era absoluto, eu tinha a atenção de todos.

Respirei fundo de novo, e uma mão buscou a minha, a apertando para passar apoio. A aceitei.

—Minha dor ou o que viria a causa-la começou muito cedo. Desde que consigo me lembrar eu sempre quis ser mãe; sempre amei bonecas e brincar de ‘’casinha’’. Não as barbies, e sim as que poderiam servir para brincar de mãe e filha. Eu sempre tinha uma boneca por perto, simulando uma relação mãe e filha. Não aprendi isso com minha mãe e para falar a verdade não sei com quem, acredito que todo esse instinto materno já tenha nascido comigo.

‘’Quando minha mãe anunciou que estava gravida e eu teria irmãos fui ao céus! Teríamos bebês em casa, bebês de verdade! Eu fui a melhor irmã mais velha que aquelas duas criaturinhas poderiam ter. minha mãe não cuidava deles, isso era obrigação das babás, e eu vivia em volta delas com eles, trocando suas fraudas e colocando para dormir. Eles haviam se tornado minhas bonecas.’’

—Quantos anos tinha nessa época? – nosso terapeuta interrompeu. Ele sabia a resposta, eu já havia contado esta mesma historia a ele, mesmo assim o respondi;

—Seis. – E dei continuidade ao vê-lo anotar algo em sua prancheta.

Eu sonhava em me casar e ter filhos. Ser dona de casa, mãe e esposa. Meu pai me via de outro jeito com uma mulher de negócios e para ser honesta eu sempre tive aptidão para ambos os cargos. Convenci meus pais a permitirem que eu me cassasse aos dezesseis anos, eu estava apaixonada e ele era perfeito, tinha dezenove anos. – Parei com a lembrança vivida do rosto do meu ex-marido em minha mente. Eu era terrível quando queria algo, e fiz de tudo para que meus pais aprovassem a minha decisão. — Viveríamos muito felizes pelos próximos dez anos, estudando, prosperando, até que eu descobrir que não poderia gerar filhos. Foram tratamentos, abortos... um pesadelo. E ele dizia que isso não era importante para ele, poderíamos adotar. Adotar! Eu já havia criado meus irmãos, eu criaria um bebê que pudesse carregar em meu ventre agora.

Vi as mulheres presentes na roda assentirem como em concordância comigo. Prossegui.

—Eu fiquei obcecada a cada negativa medica a cada aborto, que foram quatro no total. Quatro bebês mortos dentro de mim. – Eu não precisei forças as lagrimas, as memorias eram bem vividas dentro de mim agora que não contava mais com o estupor dos remédios, aquilo havia me dilacerado a traição do meu marido foi só o pequeno incentivo que precisei para pôr fim na vida que não queria mais.

—Entrei em uma depressão profunda, consumia muito álcool, não comia ou se quer dormia. Contudo as coisas no trabalho iam bem, eu trabalhava com o meu pai e ele nunca ganhou tanto dinheiro como na época mais escura de minha vida. Para ser honesta com vocês, comigo e com meu ex-marido, eu me esqueci completamente da existência dele. Mais também acredito que ele tenha desistido de mim com muita rapidez. Ele encontrou uma amante e o resto vocês podem adivinhar.

—Não podemos não. – Diego disse com a testa franzida. Ri de sua inocência jovem. Limpei meu rosto das lagrimas, a mulher ao meu lado que segurava a minha mão para me dar força me ofereceu um lenço para limpar meu nariz que se encontrava em uma situação lastimável.

—Não seja idiota garoto. – A mulher o repreendeu.

—Tudo bem, posso continuar. – falei.

—Tem certeza? – o médico perguntou, os olhos escuros me sondando.

—Sim. – Afirmei o olhando diretamente nos olhos. – Ele, meu marido engravidou a amante em tempo recorde e antes que eu pudesse suspeitar, até por que não o notava, ele pediu o divórcio. Imagino que ele viva feliz com a mulher e o filho.

—Então você tenta se matar? – Diego para não acreditar. – Quer dizer você passou por um monte de merdas, e porque o babaca arrumou outra você tenta se matar?!

—Diego não estamos aqui para julgar. – O Médico o chamou a atenção. O menino se recostou de volta a cadeira.

—Desculpe só é meio revoltante.

—Você perdeu a parte importante Diego. – falei o olhando com condescendência. -Ela estava gravida, tudo o que eu queria era um filho e ela tinha o filho do meu homem no ventre. A dor... eu precisava fazer a dor passar.

—A dor. – Ele repetiu.

—A dor. – Ecoei.

—Isso tudo já faz tempo. Por que está aqui agora?

As pessoas riram um pouco da curiosidade dele.

—Como já falei e vocês perceberam, minha tentativa de suicídio não foi bem-sucedida, mas deixou sequelas e a pior delas; meus pais assumiram o controle total sobre mim nos últimos dez anos me mantendo sobre o controle de fortes alucinógenos, onde eu não sabia o que era realidade e fantasia, e me deram como morta para o resto do mundo. Estou aqui tentando ficar... limpa dessas substancias que nem sei o nome, e claro tendo a certeza de que a morte não será a minha saída para a dor. Porque a vida é difícil e devemos... viver um dia de cada vez. – Todos me seguiram nesta última frase.

Quando fomos dispensados da reunião, Diego ficou comigo o resto da tarde. Pobre rapaz, seus pais tinham muito dos meus. O aconselhei a estudar, aproveitar tudo que os pais pudessem oferecer financeiramente e na primeira oportunidade seguir a própria vida, como meu irmão Alec fez.

—Não deixe que controlem você. – Sussurrei antes de voltar ao meu quarto.

Eu deixei que me controlasse. Afinal de contas o que poderia fazer? Eu havia perdido completamente o interesse em viver, fosse para os negócios fosse para minha vida pessoal. Deixar que Aro e Didyme assumissem o controle sobre mim era o de menos, os anos passados sobre o estupor das drogas um grande alivio. Agora eu tinha que encarar a realidade. O que fazer?

Uma hora eu sairia daqui minha irmã Jane estava mais do que satisfeita em me receber em sua casa eu apostava, contudo eu não poderia ser dependente dela para sempre, deveria trabalhar, fazer amigos, conhecer alguém...

Eu me sentia cansada só de imaginar viver no mundo real de novo.

—Heidi, você tem visita. – A enfermeira sorridente abriu a porta do meu quarto. Eu não tinha acesso a relógios, mas pela posição do sol diria que passava das três da tarde.

—No jardim? – perguntei. A maioria das visitas dos pacientes ‘’comportado’’ eram lá.

—Sim. Esperamos você. – Ela disse e fechou a porta. O fato de não me acompanhar pelo corredor até meus visitantes era uma forma de mostrarem que confiavam em mim, eu iria para o lugar designado e não fugiria no caminho.

Se eles soubessem que a vida lá fora me apavora, jamais imaginariam que eu poderia querer fugir.

Havia uma escova de cabelo na minha cabeceira, meu único objeto autorizado no quarto, penteei meus cabelos de forma metódica, minha visitante deveria ser Jane ou Alec, talvez ambos.

Andei de vagar pelos corredores, eu amava meus irmãos, contudo ainda era difícil olhar para eles e entender o tempo que eu havia perdido. Os dez anos passados estavam estampados nas expressões maduras deles e o fato de eu estar nessa posição feria meu ego. Eu era a irmã mais velha, a forte que cuidava deles. Agora era a louca internada no hospício.

Como esperado Jane estava em uma cadeira no jardim, olhava em volta para as pessoas no espaço, algumas pitando quadros, outras lendo livros, e ainda algumas fazendo algum exercício em grupo. Todas em seus uniformes brancos da clínica. Fiquei surpresa ao notar que o homem ao seu lado não era Alec. Talvez seu noivo? Não, esse eu já conhecia de outra visita. O de hoje era tão alto quanto Tyler, porem os cabelos eram acobreados, um pouco louros aqui e ali, diferentes dos escuros de Tyler.

Meus questionamentos acerca do acompanhante de Jane cessaram assim que uma juba de cabelos com uma fita vermelha se fez presente saindo por de trás do homem. Vanessa.

Seus olhos escuros arregalaram-se ao meu ver, ela tentou correr em minha direção, mas o homem manteve uma mão restritiva em seu ombro dizendo algo para ela que me pareceu uma reprimenda. Decidi que odiava aquele homem. Adiantei minhas passadas para estar juntos a eles.

—Heidi! – Vanessa finalmente pode vir ao meu encontro. Me ajoelhei diante dela para um abraço. Ela cheirava a roupa limpa e cupecake.

—Lindinha. – Sussurrei em seus cabelos.

—Eu queria vir te ver há muito tempo! – ela disse rindo. Ri junto por sua risada ser tão gostava.

—Agora você está aqui. – Segurei suas pequenas mãos olhando seu rostinho adorado. Essa menina era como o frescor de primavera na minha vida. Antes dela encontrar meu quarto naquela velha casa... eu não tinha vontade de sair dali, de lutar contra aquilo. Vanessa me fez querer viver de novo.

—Bella também queria vir, mas com a ordem de repouso em vigor absoluto não pode. – Jane esclareceu. Olhei para minha pequena irmã. O vestido primaveril verde a conferia um ar mais jovial, poderia passar por dezoito anos. Me levantei para abraça-la.

—Conhecerei sua amiga no seu casamento imagino. – comentei. Eu já conhecia a tão falada Bella, afinal ela foi nos resgatar no México (resgatar Vanessa) e colocara sua gravidez em risco devido ao grande estresse sofrido. Aquela não foi a melhor experiência e nem mesmo trocamos uma palavra. Eu estava num estado psicológico fora de alcance.

—Sim com toda certeza! Este é Edward. -Ela indicou o homem ao seu lado. Ele me estendeu a mão todo formal.

—É um prazer conhece-lo. Vanessa falou muito de você- aceitei seu cumprimento. — Fico muito feliz que esteja bem. – Nossa, alguém avisa a esse cara que o sorriso dele confunde a mente.

—É bom estar ‘’fora’’. – Sim, era bom. Eu não precisava acrescentar que estava apavorada com a ideia do que faria com a minha vida depois que fosse considerada mentalmente sã e devesse sair daqui.

Fiquei com eles no jardim durante um tempo ouvindo em maioria sobre o casamento que estava nos seus preparativos finais.

—Vanessa, tem um lago ali do outro lado. Quer ver? – a convidei.

—Sim!

—Vocês vêm? – perguntei. Eu queria uns minutinhos sozinha com a menina, mas não iria impor isto. Jane era boa em me ler, salvando o dia.

—A visita está quase acabando e tenho que falar com seu médico. Vão vocês duas. Edward me acompanha?

Edward não estava muito satisfeito em deixar a filha sozinha comigo. De qualquer modo não arrumou discursão, beijou o topo da cabeça de Vanessa e seguiu Jane de volta a instalação.

—Edward não gosta de mim. – Confidencie para Vanessa assim que eles estavam a uma distância segura.

Ela fez uma careta mais não discordou.

Começamos a caminhar para o lago.

—Como é a vida com seus pais agora que sabe que são mesmo os seus pais?

—É bom estar com eles. Nada mudou muito, só a mamãe Bella que não pode sair da cama.

—Por causa do bebê né? Jane mencionou algo. E como é ser irmã? – fiz cocegas nela.

—O bebê ta na barriga Heidi. -Ela revirou os olhos.

—Mas você já é irmã. – Lembrei. Sua expressão murchou um pouco.

—Era mais divertido quando não tinha um bebê na barriga da Bella. A gente brincava sempre.

—Mas isso é só por enquanto. Você sabe que...

—Sim é para o bebê ficar bem, eu sei. E se eles não gostarem mais de mim quando ele nascer?

Eu sabia que o que faria a seguir era muito errado e provavelmente uma mentira, mas nas não consegui evitar.

—Você pode morar comigo. Seremos melhores amigas para sempre. – Prometi. Seus olhos brilharam.

—Promete Heidi?

—Te juro. – falei seria. Isso, Vanessa poderia ser meu objetivo! Edward e Bella teriam um filho pequeno logo que demandaria muito cuidado e atenção, se Vanessa se sentisse deixada de lado por eles... eu estaria lá por ela.

—Obrigado Heidi, você é minha melhor amiga. – Ela agradeceu me abraçando pela cintura.

—De nada lindinha. Olha lá! O sol refletindo na agua... não é lindo?

—É sim. – Ela disse. Com o polegar da mão direta, traçou círculos na mão esquerda.

—Machucou o pulso?

—AH isso... não. – Sussurrou.

—Aconteceu alguma coisa?

Ela pareceu pensar, fitando os tênis.

—Eu sei porque seu pai não achou o chip no México.

—O Chip já era Vanessa. – Descartei. – Se foi na explosão.

Mas ela não prestava atenção ao que eu dizia.

—Não pode contar para ninguém. – Ela levantou a cabeça para mim, uma nova urgência em sua voz.

—O que foi?

—Quando meus pais... foram comigo para o México no meu aniversário, meu pai tirou o chip de lá.

—Sim você estava junto com eles, por isso sabia o local. – Tentei.

—O chip não estava lá quando voltamos, Aro e eu. – Ela tentou explicar.

—Não entendo. – Vanessa estendeu o braço para mim, o polegar de volta ao pulso.

—Meu pai colocou o chip em mim. – Sussurrou.

Meus lábios se separaram. Eu não sabia o que dizer. O local mais seguro para um chip de controle global como esse, sob a pele da garota! Eleazar era mais esperto do que qualquer um julgou.

—Porque não disse isso antes?

—Ele disse que eu não podia contar era perigoso. Nem a mamãe sabia. Mas agora... meu braço ta doendo. – disse e coçou a pele por cima do local.

Poderia ser uma inflamação, o chip já estava ali há quase um ano.

—Por que não contou ao Edward e a Bella?

—Não quero preocupar eles. Bella pode passar mal.

Puxei seu braço para examinar. Passando o polegar sobre o pulso percebia a leve protuberância. A pele ali era mais áspera. Não estava inchado ou vermelho.

—Dói? – perguntei.

Ela fez uma careta.

—Só quando aperta. Eu tenho que contar para o Edward?

Deveria. Mas se ela contar...

Repassei o que aconteceria.

Ele a levaria ao hospital imediatamente para remoção;

Chamaria a concunhada e agente de FBI;

O governo teria o controle do Chip Freya;

Usariam para espionar outros países e até mesmo quem sabe controlar o mercado capital mundial;

Eles achariam meu pai, Victor e qualquer um que trabalhasse fora e dentro da lei;

O chip estaria fora do meu alcance.

Mas o que eu faria tendo ele em meu poder?

Eu conseguiria dinheiro. Até mesmo poderia vende-lo a um preço exorbitante, algo só para reaver meu status social, para poder me sustentar sem depender da caridade da minha irmã mais nova.

Eu poderia ter dinheiro suficiente para cuidar de mim mesma e de Vanessa.

—Não conte ao Edward. – Pedi. – Ao menos se doer muito, uma dor insuportável, ok?

Ela assentiu.

—Seu pai Eleazar não queria que ninguém o achasse porque poderiam fazer mal com ele em mãos. Está mais seguro com você, se sair... Aro pode acha-lo. – menti. – E Bella estará em perigo de novo.

—Não quero isso!

—Eu sei. Por isso não pode contar. Quando eu sair daqui... vou pensar em um lugar seguro, ok? Até lá... fique quieta sobre isso. Promete?

—Prometo.

—Boa garota. Agora vamos voltar, deve estar na hora de vocês irem.

Voltamos muito mais rápido à casa, fazendo o trajeto em silencio.

Eu estava concentrada imaginando o que fazer a seguir. Para alguém que acordou sem saber o que fazer quando saísse daqui eu estava agora muito ansiosa para sair e pôr em pratica o plano que se formava em minha mente.

—Vou sair logo? – brinquei quando encontrei Jane.

—O bom doutor dizia que você está liberada pelo fim de semana para o meu casamento, e assim que eu voltar da lua de mel ele deve assinar sua alta!

—Isto depende da sua irmã. – Ele lembrou.

—Tenho um comportamento exemplar. – Lembrei. E de agora em diante não pediria medicação para dormir. Falaria em toda terapia de grupo. Eu ficaria bem, eu estava bem. Sairia daqui, venderia o Freya para quem pagasse mais, ficaria rica de novo e talvez Vanessa viesse a morar comigo. Talvez eu adotasse um bebê! Eu tinha uma vida me esperando lá fora agora.

Bella.

O casamento da minha melhor amiga.

—Você está bem, querida? – mamãe me perguntou de novo.

—Perfeitamente. – Respondi. Eu não pude ficar com Jane enquanto ela se arrumava, Renée havia assumido para si a função de minha enfermeira e aferido minha pressão, depois de não gostar do resultado me retirou da correria do quarto destinado para Jane se arrumar no grande sitio da família de Tyler.

Eu estava perfeitamente arrumada em meu vestido longo sentada de frente para altar, e só me levantaria para ocupar o lugar ao lado da noiva quando fosse a hora dela entrar.

Edward, já no altar ao lado de Tyler ficava lançando beijos em minha direção.

—Vocês dois parecem um casal adolescente. – Renée riu.

—De muitas formas somos. – Sorri para minha mãe.

—Fico feliz que você e seu pai tenham se entendido.

Suspirei antes de responder.

—Não posso odiar o papai pelo o que aconteceu, todos comentemos erros. Segui o bom exemplo da minha mãe e o perdoei. – Olhei para trás. O lugar exato em que Esme estava sentada ao lado de Carlisle.

—Você sabia. – Sussurrei para Renée. Ela seguiu meu olhar, tentando entender sobre o que eu falava. Sorriu para Esme antes de me responder.

—Seu pai e Esme se amavam na adolescência. – Sussurrou. Sua revelação me desconcertou.

—Serio? – ela apenas assentiu.

—Não é hora nem lugar para que eu te fale sobre isso, só entenda que não penso que eles agiram para magoar Carlisle e eu. Poderiam ter evitado? Sim claro, mas não o fizeram e nem por isso os odeio.

—Foi apenas uma vez? – sussurrei.

—Gosto de pensar que sim. Agora vamos deixar esses assuntos do passado, já passou não temos que revivê-lo.

—Você a perdoo? – insisti. Pensei em Jane, se ela me traísse desse jeito... Meu mundo cairia.

—Esme é minha amiga Bella. Também tenho minha parcela de coisas que fiz para ela e não me orgulho. Olhe está na hora, vá para seu lugar. –Ela me enxotou para o altar.

Vanessa entrou na frente, trazia junto a sim uma cestinha com pétalas de rosas que jogou pelo caminho. O vestido lilás a dava um ar angelical com toda magia daquela tarde de maio, começo de primavera, e toda aquela decoração floral. Eu me sentia em um sonho.

As damas de Jane a seguiram, eram cinco, todas amigas de infância, vestidas com o mesmo vestido na cor azul claro.

Sorri ao avistar minha amiga de braços dados com o irmão, o vestido branco esvoaçado caíra muito bem nela.

Quando finalmente se pôs no altar, segurei seu buque, ela não contende com o contado, me abraçou.

—Eu estou feliz. – Sussurrou em meu ouvido.

—E eu também. Parabéns. – Devolvi.

O pastor deu seu sermão a cerca das responsabilidades do matrimonio e como um deveria cuidar do outro. Edward ficava me olhando e fazendo caretas, até sussurrar a palavra ‘’tedio’’.

Fiz cara feia para ele, esperando que assim se comportasse.

Eles fizeram os votos, trocaram as alianças e finalmente se beijaram sobre uma grande onda de aplausos.

Edward pegou em meu braço para sairmos em fila atrás dos recém-casados.

Para contrariar os medos de Jane de que as pessoas ficariam cochichando sobre a prisão de sua mãe e pai foragido, todos pareciam apenas se divertir e distribuir olhares e sorrisos orgulhosos para ela.

E claro, o melhor era que minha amiga tinha sua irmã de volta a sua vida. Heidi realmente era deslumbrante em seu vestido verde, sorria para todos, e me parecia simpática. A olhando assim eu não podia acreditar que ela ainda precisava passar por tratamentos psiquiátricos.

—Você tem uma menina de ouro, Isabella. – Ela disse sentando a nossa mesa.

—Bella. – A corrigi de novo. A forma como disse meu nome, me lembrou de Aro, o que me fez estremecer. Desde que fomos apresentadas devidamente, hoje cedo, dado a sua estadia na clinica e minha impossibilidade de sair de casa, ela teimava em me chamar de Isabella.

—Isabella é um nome muito lindo. – lembrou.

—Eu sei, mas prefiro Bella.

—Eu fui criada sobre muitas formalidades. É difícil para mim ainda. – Desculpou-se. – Quando estava em eventos assim, sociais, a formalidade era indispensável, e agora que estou me readaptando a vida... estou voltando a certos hábitos.

—Não tenha presa, nada mudou muito. – brinquei.

—Discordo, parece que entrei numa máquina do tempo e fui transportada para o futuro! – ela riu.

Esme sentada na cadeira ao lado de Heidi puxou assunto com ela, o que eu agradeci, não sabia como me sentir em relação a ela.

Edward e eu fomos convocados a tirar fotos com os noivos.

—Desculpe! Não estou te dando atenção! – Jane disse logo depois do fotografo tirar varias fotos nossa com os outros padrinhos.

—Jane é o seu casamento! Seu dia especial apenas aproveite!

—Ficou tudo perfeito, não é?

—Sim amiga, tudo perfeito. – Eu a puxei para um abraço. Com nossos corpos colados ela sentiu quando a bebê se mexeu.

—Bella! – exclamou maravilhada.

Puxei sua mão para minha barriga, para o local exato em que a bebê estava se mexendo. Ela me olhou maravilhada.

—Ela está mexendo para a titia!

—Sim! – rimos bobas.

Haviam muitas crianças na festa e Venessa não parou um segundo.

—Eu não a vi comer nada. –Exteriorizei minha queixei com Edward.

—Ela está se divertindo Bella. – Ele fez pouco caso, bebendo uma taça de champanhe.

—Você era igualzinha a ela nas festas Bella. – Renée me lembrou.

—Lembra-se daquele casamento que fomos em Port Angels, Renée? – Esme puxou. Estávamos todos na mesma mesa.

—No qual a Bella me apareceu toda coberta de lama? Nunca vou esquecer. – Minha mãe sacudiu a cabeça incrédula.

—Eu não lembro.

—Você tinha quatro anos querida. – Esme assinalou. As duas começaram a falar da noiva daquele dia e sua família.

—Vá conversar com seus amigos. – Incentivei Edward. Eu sabia que ele queria colocar o papo em dia com os amigos da faculdade presentes. Ele olhou para eles no bar.

—Não quero deixa-la sozinha.

—Não estou. Não posso ficar andando com esses sapatos e nem ficar andando de fato. Vou ficar bem, vá lá um pouco e depois volte.

Ele sorriu, me deu um beijo na testa e foi encontrar os amigos.

—Você é boa de mais para ele. – Carlisle disse.

—Você fez um bom filho Carlisle. Dois bons filhos.

—Sim. Obrigado por fazer deste um homem melhor.

—Ei ei. – Chamei Vanessa quando ela passou pela nossa mesa correndo com outras daminhas.

—Oi.

—Senta e come.

—Não to com fome. – Fez bico. Falou arfante. Apesar da noite fresca o rosto estava bastante suado.

—Mas não comeu nada, só almoçou e já está de noite. Se não quiser ir para casa agora, coma um pouco. – Apontei o prato com aperitivos que eu tinha separado para ela. Ela ficou me olhando de cara feia. Arquei uma sobrancelha para ela, ela não queria fazer o jogo da cara feia comigo.

Bufando sentou a mesa.

—Você é boa nisso. – Carlisle sussurrou para mim.

—Aprendi com a melhor. – Indiquei Renée com o queixo, esta que ria com Esme.

A festa foi tudo o que prometia, comida em abundancia, musica e brincadeira. Em certa altura Jane trouxe seu buque de flores, declarando que eu deveria ser a próxima a casar.

Chegamos a casa muito tarde, Edward teve de levar Vanessa nos braços já que ela dormiu no carro.

—Olhando assim nem parece aquela pimenta que correu o dia todo. – Minha mãe disse.

—Como faço para ela tomar banho? está suada e com os pés sujos já que correu pela grama descalça. – Reclamei abrindo a porta. Toddy apenas balançou o rabo para nós de seu lugar no tapete da sala.

—Deixe comigo, querida, ela ‘’capotou’’ só acorda amanhã. Melhor deixa-la dormir.

—Suja? – me apavorei.

—Vou trocar as roupas e limpar os pés. É o melhor, de manhã quando acorda toma banho.

—Vou deixa-la na cama para você então Renée. – Edward anunciou.

—Certo querido. Boa noite filha.

—Boa noite mãe.

foi um aliviou tirar as sandálias de salto alto, em algum ponto do dia meus pés incharam, e me livras dos sapatos foi maravilhoso.

Retirei o vestido com cuidado já que estava me sentindo um pouco tonta, caminhei de vagar para o banheiro e sentei no vaso sanitário com alivio, muito xixi acumulado. Edward me encontrou assim, com calcinha no tornozelo.

—Amor? – ele perguntou.

—Só um pouco tonta. A gente acha que os enjoos e tonturas se vão depois das primeiras semanas, mas eles aparecem às vezes.

—Acha que vai vomitar?

—Não, só não queria ficar de pé e acabar caindo, por isso estava te esperando.

—Boa escolha.

Ele retirou as roupas as atirando no sexto.

—Edward, isso é um smoking, não pode ir para o cesto de roupas, tem que ir para lavanderia. – Reclamei.

—Amanhã eu o tiro. Vem. – Ele me pegou pelos braços ajudando a me firmar. Fiquei em pé com facilidade, toda a tontura já havia passado.

Ele ligou a agua no quente sabendo que eu gostava assim, suas mãos passaram pelo meu corpo em caricias suaves junto do sabonete, minhas mãos trouxeram seu corpo para mais junto ao meu, até que ficamos colados. Respirei em seu ombro molhado.

—Sinto falta de você. – Sussurrei.

—Eu também. – Devolveu. Suas mãos espalmaram em minha bunda trazendo meu corpo para mais junto do dele, fazendo com que eu sentisse seu membro duro em meu abdome.

Gemi.

—Você me deixa assim. Só de estar aqui com você em um inocente banho. – Sussurrou em meu ouvido mordiscando o lóbulo da minha orelha. Tremi de excitação.

Mas não podíamos.

Não foi preciso eu lembrar, ele mesmo se afastou suspirando, não falou nada, apenas me beijou a testa e sussurrou;

—Vai valer a pena. Quando nossa menina estiver aqui e você estiver bem, vai valer a pena, eu prometo.

Oh e eu acreditava nele.

...

O máximo de contado que eu tinha com o mundo exterior era na varanda do meu apartamento, então eu passava horas sentada ou deitada lá, na companhia de Vanessa ou Toddy, e durante esse fim de semana tive Alice e a pequena Charlotte conosco.

Esta que ficava de bruços tentando se levantar com os bracinhos e perninhas para engatinhar.

—Ela é um bebê precoce. – Minha mãe se maravilhou com a neta.

—Eu andei com dez meses, acho que Char irá para o mesmo caminho. – Alice se orgulhou. Ela tinha o olhar na rua, já fazia um tempo que observava com atenção. Renée parecia não notar, entretida com Vanessa e Charlotte.

—O que tem na rua? – perguntei. Ela me olhou sobressaltada. Sorriu disfarçando.

—Apenas observando o movimento. – Desconversou. Eu poderia estar sendo paranoica, mas Alice não era o tipo de mulher que ‘’observava o movimento’’. Se estava focada na rua era porque algo de importante atraia sua atenção.

Continuei a olha-la, esperando que dessa forma ela entendesse que eu precisava de que ela fosse sincera comigo, Alice precisava aceitar que a confiança era uma via de mão dupla.

Ela sentou na beirada da minha espreguiçadeira.

—Tem um carro preto há três casas daqui. tem estado ali todos os dias em que vim aqui ou passei pela rua nos últimos cinco dias. – Sussurrou mantendo os olhos nas crianças.

—Pode ser de algum vizinho sem garagem. – Sugeri.

—Tem um homem dentro Bella. desde que cheguei de manhã e até agora ele está lá, durante todo o dia.

—O que você sugere? – tentei manter um tom frio e desinteressado, embora meu coração começasse a pular.

—Alguém está vigiando. Pode ser você ou outro vizinho, mais alguém está vigiando. – Sentenciou.

—Dado os últimos acontecimentos... – adivinhei.

—Você tem mais chance de ser o alvo. Vou mandar uma equipe ficar de olho nessa rua, só por segurança. – Ela acariciou minha mão de força insegura.

Ela mesma já estava vigiando o carro por conta própria eu podia apostar. A casa de Alice não era tão próxima a minha para ela passar na rua ocasionalmente.

Mandando qualquer duvida que ela poderia ter sobre nossa amizade embora, peguei sua mão com força na minha.

—Obrigado. – Sussurrei.

—Não tem de que. – Sua resposta veio com um sorriso.

Maio terminou, minha amiga continuava em sua lua de mel pelas praias francesas e o aniversario de Edward batia a porta.

—Sei que deve ser maravilhoso estar aí com Tyler, mas eu preciso de você aqui. – Sussurrei ao telefone, Edward estava jogando no x-box com Nessie na sala.

—Voltaremos a tempo para o aniversario do Edward. – ela disse relaxada. – Minha pele está amando isso aqui Bella!

Eu ri com seu entusiasmo.

—Parabéns, aproveite, e quero meus presentes. – Lembrei.

—Estarei levando presentes para todos, incluindo minha afilhada em sua barrigada, que apesar de não ter nome eu mandei bordar algumas toalhas.

—Com qual nome?! – me apavorei.

—‘’Princesa’’. – Eu podia imaginar Jane dando de ombros.

—Princesa me parece perfeito. Vou falar com Edward e Nessie sobre essa escolha de nome. –ri.

—Sua boba! Mas serio está na hora de decidirem o nome, ou revela-lo.

—O que te faz pensar que eu escolheria um nome e o esconderia de você?

—Você as vezes é má. – Pontou. – De qualquer forma chegaremos antes do aniversario do Edward. Festa surpresa?

—Por favor. – Suspirei. – Rosalie e Emmett estão cuidando de tudo. Mais uma coisa! Se estarão aqui para o aniversario dele, diga para ele que não estarão, assim faremos mais uma surpresa.

—Não falei?

—O que?

—Você é má! – ela riu.

—Quero ver a carinha de surpresa dele, estou fingindo que me esqueci do aniversario dele, ninguém toca no assunto.

—Vou falar para Tyler não contar. Agora me deixe ir, tenho um marido nu me esperando ansioso.

—Poupe-me dos detalhes. – fiz uma careta. Ela riu.

—Eu sei que você ama detalhes sua safada. Beijos te amo!

—Também te amo sua boba. – Desliguei o telefone o jogando ao meu lado na cama e sacudindo a cabeça, Jane era mesmo a irmã que sempre quis ter.

Para minha surpresa ele tocou de novo, o que Jane teria esquecido de me dizer?

Não era Jane, o número na tela me era desconhecido, de outro país talvez.

Atendi por curiosidade.

—Alô?

Silencio.

—Alô? – tentei de novo, meu coração acelerando.

—I-sa-be-lla.— Foi como se um balde de agua fria tivesse sido jogado em meu corpo ao som daquela voz. A forma como separava as silabas do meu nome, eu podia imaginar com exatidão seus lábios se separando para a pronuncia, como tantas vezes o vi fazer e cheguei até a achar charmoso, antes de descobrir o mostro que ele era.

—Aro. – Falei, minha voz um pouco mais que um sussurro apavorado.

—Fico feliz que me reconheça apenas ao som da minha voz. – Seu tom era divertido.

—O que quer? Sabe que a polícia está atrás de você!

—E isso é culpa de quem mesmo? – ironizou.

—Você matou os pais de Vanessa! – acusei.

—Não sei, você e Edward me parecem bastante vivo.

—Não se faça de esperto Aro.

—Não faça acusações, não é você quem dá as cartas nesse jogo. Lembro que nós costumávamos a nos entender bem, no fundo sentia vontade de você fosse minha filha e não Jane.

—Deixe-nos em paz! – gritei desesperada.

—Eu terei o que quero Isabella e nenhum de vocês irão me impedir, ouviu bem? Isso pode ser fácil, com você me dando o que quero, ou difícil com eu tendo de ir aí buscar. O que vai ser?

—Você será preso seu assassino! Ouviu bem? Preso! – gritei.

—Bella?! – Edward adentrou no quarto. Vendo meu estado arrancou o telefone de minha mão. -Bella! Quem era? Alo? Alô? Quem era Bella?! – ele atirou meu celular na cama, os olhos arregalados de terror. Eu só sabia chorar, Vanessa a porta nos olhava assustada.

—É ele Edward! Ele não desistiu! Ele vai vir atrás de mim agora, da nossa família como fez com Eleazar e Carmen!

Edward me pegou nos braços com força.

—Bella de quem está falando?

—De Aro! Ele vai vir atrás da gente!

Edward olhou em pânico para Vanessa.

—Filha pegue um copo de agua para sua mãe.

Com os olhos aterrorizados ela correu para a cozinha.

—Bella você tem que ficar calma. O que exatamente ele disse?

—Que vira atrás de nós! – eu gemi.

—Não faz sentindo isso. – Ele levou as mãos ao cabelo em frustração os bagunçando.

—Aqui. -Nessie voltou com uma garrafinha de agua.

Abri meus braços para que ela se alinhasse ali, segura perto de mim.

—Eu não vou deixar ele chegar perto de você nunca mais. – Prometi.

—Ele quer o chip. – ela disse.

—O chip foi destruído na explosão, Nessie. – Edward disse com o celular no ouvido, devia estar ligando para Alice.

Vanessa fechou os lábios numa linha rígida, parecia querer dizer algo.

—Ele não vai te fazer mal, meu amor. – Beijei seu rosto. Eu mesma o mataria com minhas mãos se ele se aproximasse de novo da minha filha.

—Eu espero Alice. – Edward disse desligando o telefone. -Uma equipe está vindo, vão pegar o seu telefone para tentar rastrear de onde veio a ligação. Terá uma equipe vigiando o quarteirão também.

—Ninguém vai entrar aqui em casa, temos o Toddy. -Vanessa sorriu tentando brincar.

—Sim querida, temos o Toddy. – Concordei com ela. – Quer ficar aqui essa noite? – aquilo era mais para mim que para ela, eu me sentia mais segura com Vanessa próxima a mim.

Ela concordou, e como foi em muitas noites quando ela veio morar conosco ainda no Mississipi, dormimos os três na mesma cama.

Eu não consegui dormir de imediato, fiquei olhando os rostos tão queridos para mim, se algo acontecesse e eu perdesse um deles... eu não teria a força necessária para viver.

Avaliei a situação em que estava; eu não confiava que a polícia conseguiria manter Aro longe se ele quisesse se aproximar.

Ele ainda queria o maldito chip, que de alguma forma ainda existia e não estava em poder deles.

O que eu de fato sabia sobre Aro? Do tempo em que passei com ele e com sua esposa durante férias de verão da faculdade quando eles insistiam que Jane viajassem com eles e ela só concordava se eu fosse junto. Quem era aquele Aro para mim? Como conhecer aquele Aro poderia me ajudar agora?

Um homem de negócios, sempre com um terno bem aliado, a menos que estivéssemos na praia, onde um calção de banho tomava seu lugar, ainda assim parecendo algo atípico.

Cortez com os funcionários que o serviam, generoso em gorjetas.

Vamos Bella, como pessoa, o que eu achava do Aro como pessoa?!

Eu costumava a conversar sobre política com ele. Uma taça de vinho depois do jantar, Jane fingindo estar interessada sobre os assuntos que a mãe puxava e eu imersa em uma conversa sobre políticas globais com Aro. O tipo de conversa que eu sonhava em ter com Charlie, e julgava Jane louca por não aproveitar o intelecto do pai dela.

—Ele está mentindo. – Aro comentou de forma casual enquanto assistimos o discurso de um presidente na ONU.

—Como sabe? – questionei intrigada pela forma elegante como o pai da minha amiga comentava os assuntos tratados ali, com sua casualidade, como se ele própria conhecesse intimamente cada representante de cada nação.

—É tudo uma questão de observar e conhecer pessoas, Isabella. A forma como ela se comporta ao falar diz se é verdade ou mentira. E além do mais um mentiroso reconhece outro. – Ele piscou para mim. Senti minhas bochechas quentes.

—Mentir é errado senhor Volturi. – Devolvi bebendo o Whisky que ele havia me oferecido. Eca, forte demais.

—Depende de para quem você mente e se será descoberto. – Ele se levantou de sua elegante cadeira próxima a lareira, foi ao bar pegando um vinho tinto, serviu na taça e voltou para o sofá onde eu estava me oferendo ela.

E aceitei de bom grado.

—Combina mais com você, vinho tinto e doce, doce como Isabella.

Minhas bochechas estavam chamas, estaria o pai de Jane me Cortejando?

Jane apareça logo!

Bebi um forte gole, sim muito melhor que Whisky.

Aro ficou quieto, sua atenção voltada para mim, eu fingia não perceber, mantenho minha atenção na TV.

—Queria que Jane fosse mais parecida com você, isso a faria mais parecida com Heidi, e consequentemente me deixaria mais tranquilo sobre o futuro de tudo o que construí.

—Jane será uma ótima administradora. – Sai em sua defesa.

—Nós dois sabemos que a cabeça de Jane não está nos negócios. E em nenhuma parte da administração. Com exceção da forma peculiar como ela fez dinheiro rápido com esse negócio de drogas. Sabe fazer dinheiro, mas não administrar.

—Ela estava apenas revendendo... -tentei defender.

Ele levantou a mão direita como que para me calar. Engoli outro gole de minha bebida.

—Eu não sei o que Alec faz para viver, não o que realmente faz e isso me deixa inquieto. Não sei o que esperar para o futuro de Jane, ficarei agradecido se não terminar como a mulher de um traficante barato de bairro, Heidi... – ele se calou ao falar da filha mais velha, acho que pela dor da perda.

Ficamos em silencio por mais alguns minutos, achei que a mãe de Jane a tinha prendido a cadeira da cozinha, já era para as duas terem voltado!

—Será uma grande mulher Isabella. – Ele disse quebrando o silencio.

—Obrigado. – Tentei sorriu. Seu tom era melancólico.

—Não me agradeça. Sinto que nossos destinos estão intercruzados, um de nós ou ambos irá sofrer pela mão do outro.

—Senhor Volturi... – eu estava bem nervosa agora, tinha misturado as bebidas e estava tonta.

—Aro apenas. Não tema criança, minha mãe era uma cigana. Nunca falo dela, convivi com ela muito pouco, imagine só, ela dizia que podia ver o futuro, veja que ironia, hoje sinto que herdei certos traços dela nesse quesito.

—Eu vou ver onde está Jane. — Tentei me levantar. Ele me segurou pelo braço.

—Senhor Volturi... – me desesperei.

—Aro. Chama-me de Aro.

—Aro. – Sussurrei, meu coração aos saltos, minha garganta seca.

Ele sacudiu a cabeça como que para se livrar de uma ideia, afrouxou o aperto em meu pulso esquerdo.

—Não sei quando será esse dia, Isabella, nem o que nos levará a isso, mas quando a hora chegar, acredite, lutarei com honra e não mentirei para você.

—Deixe-me ir. – Sussurrei. – Ele olhou para sua mão ainda em meu braço, como se só a tivesse notada ali naquele momento, a recolhe e acenou para que eu saísse.

Corri dali o mais rápido que pude, não contei a ninguém do ocorrido, e no dia seguinte, achei ter inventado tudo.

Afastei para o fundo da minha mente a lembrança dos olhos leitosos dele, e a forma como seu toque queimou sobre minha pela ao falar de sofrimento.

Que tipo de sofrimento eu poderia impor a Aro Volturi?

Hoje olhando meu namorado e filha dormindo, eu entendia. De certa forma eu era a culpada por a casa de Aro ruir.

Eu doei os óvulos que fizeram Eleazar e Carmen se tornarem pais.

Por causa disso Eleazer, com medo que Aro pudesse fazer algo contra sua família, passou a investigar seus passos. (bom, é nisso que eu acredito, a menos que Eleazar sempre tenha investigado.)

Eu incentivei Jane a fazer a faculdade que ela amava, fisioterapia.

Fui eu quem disse para ela para não ir à casa dos pais já que sempre brigavam.

E Vanessa. Graças ao sequestro malsucedido de Vanessa, achamos a filha que ele mantinha escondida.

Sim, indiretamente eu era a culpada pelas desgraças de Aro Volturi.

Basta saber o que ele faria comigo.

Notas finais
Não é que a Heidi esteja fingindo sua dor, é só que ela não se importa, mas ela sabe que deveria por isso diz coisas como ''agora não precisei forçar as lagrimas'', porque a dor real que ela sente é sobre não ter filhos. agora entramos em reta final! não vou estipular capitulos, até porque teremos alguns extras. ansiosos para o desfecho? vejo vcs comentarios?>< bjs