Aprendendo a Amar
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo 20
Dias atuais.
Mississippi, dezembro de 2015
Bella.
O começo do mês foi marcado por bombardeios de informações.
Na primeira semana, Edward teve que viajar a Nova York para uma audiência; a empresa de lá estava prestes a perder um caso e precisavam da sua urgentemente. Ele ficou três dias fora, e Vanessa logo sentiu sua falta tendo até uma leve febre, que o médico classificou com emocional. Ela estava tendo provas na escola e não estava indo bem em matemática. Na verdade, estava indo o ano todo mal e precisava se recuperar logo. Eu já havia estado na escola conversando com seus professores, e eles me orientaram que seus pais sabiam de seu desenvolvimento baixo na parte de exatas, e estudavam de perto com ela.
Depois de conhecer Jacob, ela começou a perguntar sobre minha família e do Edward, então eu fiz um Skype com meus pais para que ela os visse, juntamente com Alice e Jasper. Com Jane ela já havia falado por vídeo-chamada.
A viagem de Edward trouxe novos questionamentos como:
“Vocês não moram aqui? ” “Quando vão embora? ” “Eu vou voltar para o abrigo? ” E assim por diante.
Ela estava assustada, então precisei tirar todas as suas dúvidas e medos.
“Não querida, você nunca mais irá para um abrigo. Edward e eu somos responsáveis por você agora.” — Expliquei pacientemente.
“Mas vocês não namoram. Eu vou morar com quem?” – Havia questionado novamente.
“Comigo, claro!” – Falei sorrindo, mas com uma pontinha de medo que ela não ficasse feliz.
“E com Jacob?” – seu rostinho se franziu.
— “Jacob é meu namorado, mas não moramos juntos” – disse com cuidado.
— “Então Edward pode morar com a gente?” – Sorriu.
— “Não acho que seja possível”
— “Ele já mora aqui” – ela constatou o obvio.
Essa conversa só me fez pensar que ela não fazia ideia de que nossa estadia ali era provisória.
Lembrei-me de nossa conversa mais importante na ausência de Edward. Sobre James.
“Estava chovendo, e ela ainda estava febril, por isso achei melhor não passearmos ao ar livre com Toddy, e neste dia ficamos no quarto assistindo filmes infantis.
Eu não sabia como abordar o assunto, então soltei a única coisa que me parecia plausível no momento:
— “Sente falta de algum amiguinho no abrigo? Podemos visitar eles” — comentei querendo parecer despreocupada.
Ela ficou séria de imediato.
— “Não tinha amigos lá” – falou mexendo numa parte do cobertor, balançando-o rapidamente.
— “Nem mesmo James?” – Ela estremeceu com a menção do nome. A abracei. – “Princesa, eu sei que ele fez de algo errado. Você precisa me dizer.” – Beijei seus cabelos passando confiança.
— “Não quero colocar ele em problemas. Ele não tem casa, só pode comer e dormir lá.” – Murmurou.
— “Não vai colocá-lo em problemas, mas tem que contar o que ele fez com você. – Pressionei novamente.
— “Nada” – sussurrou.
— “Ele... te viu sem roupa?” – Tentei. Ela apenas afirmou com a cabeça.
— “Ele fez um negocio feio. Fiquei com medo de que alguém dissesse que eu não devia estar lá.”
— “Me conta o que foi. Sou sua amiga, certo?” – Sussurrei em seus cabelos.
— “Ele estava no banheiro quando eu tomei banho. E mexia no negocio dele assim – ela fez o gesto com a mão. Engoli em seco. Maldito. – eu fiquei com medo, não sabia que ele estava lá! Não foi minha culpa!” – Exclamou um pouco mais alto, demonstrando o medo que estava sentindo.
A abracei novamente.
— “Meu amor, claro que não foi! Ele não deveria estar lá! Fez algo muito errado. Ele tocou em você?”
—“Não. Apenas ficou lá mexendo e mexendo... E depois saiu um xixi branco. Ele jogou aquilo no meu rosto, e disse que se eu contasse para alguém... Ele iria matar todo mundo lá e a culpa ia ser minha.” – O medo em sua voz era palpável.
Concheguei-a em meus braços fortemente.
— “Ele não te tocou mais que isso?”
— “Não. Apenas apertou meu rosto. Depois saiu rindo.”
— “Por que não contou para Dra. Senna?” – Questinonei.
— “Ela iria brigar com ele, não?” – Perguntou inocentemente.
— “Olha para mim” – puxei seu rostinho em minha direção. Seu olhar assustado partia meu coração.
— “Existem muitas pessoas más no mundo, que fazem mal a meninas como você, a meninas mais novas e a mulheres como eu. Sempre que alguém fizer algo... você tem que me contar, entende?” – Falei suavemente.
Então a conversa ficou mais profunda. Vanessa sabia sobre sexo, claro, e sobre estupro. A mãe já havia dito essas coisas para ela, porém ela não sabia a quem contar, não tinha alguém próximo quando aconteceu... aquilo.
O lado bom da viagem de Edward, foi que nós estreitamos nossos laços, e eu senti que havia ganhado mais a confiança dela. Se algum dia – por favor, que nunca aconteça – ela passasse por algo semelhante, me contaria.”
Era sexta feria, Edward havia ido buscá-la na escola enquanto eu preparava nosso almoço. Minha relação com Edward havia melhorado, sem estranhezas. Conversávamos, brincávamos, não havia mais climas estranhos entre nós, e eu agradecia por isso.
Ouvi a campainha tocando e fui atender correndo, com medo de deixar algo queimar no fogo. Edward deveria ter esquecido as chaves.
— Você deixou as chaves na... – parei de súbito com a pessoa diante de mim. Rapidamente escondi o pano de prato em uma mão, enquanto passava a outra pelos cabelos para tentar domá-los.
Na minha porta havia uma mulher muito... bonita. Vestia um vestido justo vermelho e saltos agulha. A maquiagem impecável e o cabelo preto perfeitamente arrumado em um coque alto.
Eu me senti um lixo diante dela.
— Posso ajuda-la? – Perguntei quase simpaticamente.
Quase.
— Desculpe bater na sua porta assim, sou Makenna, sua vizinha. – Apresentou-se sorrindo exageradamente.
Ah.
— Em que posso ajudar? — Tentei sorrir.
Será que ela queria um pouco de sal? Pensei com ironia.
— Seu marido me ajudou ontem. Meu carro não queria pegar, e ele me socorreu na garagem. – Continuou sorrindo enquanto falava.
Nossa, o meu “marido” a socorreu.
Continuou.
— Ele deixou o casaco em cima do capo do meu carro. Vim devolver. – Estendeu a peça.
Peguei o casaco preto de suas mãos.
— Obrigada, Edward é tão esquecido! Você mora aqui há muito tempo? Com seu marido? – Questionei sorrindo.
— Oh, não sou casada. Na verdade divorciada. Edward foi um amor. – Continuou sorrindo. Será que ela tinha algum problema na boca que não conseguia parar de sorrir?
Edward.
A fulana estava cheia de intimidades. Resolvi socorrer Edward do que poderia ser uma grande armadilha.
— O chame de senhor Cullen. – Falei sorrindo falsamente.
Ela arqueou as sobrancelhas surpresa.
— Desculpe...
— Senhora Cullen. Meu marido não é bom mecânico, então duvido que tenha sido de grande ajuda – fui logo a cortando – se ele consertou seu carro, aposto que o problema não era... como posso dizer... sério. – Arqueei minhas sobrancelhas cinicamente.
— Você é louca? – Ela parecia desacreditar da minha ousadia, porém eu conhecia muito bem o tipo dela, e eu estava adorando esse teatrinho de casal.
Antes que as coisas pudessem esquentar mais, as portas do elevador abriram, e uma Vanessa pisando duro saiu de dentro. Edward vinha trazendo sua mochila nas mãos, com a cara confusa.
— Boa tarde, linda. – Saudei, contudo, ela me ignorou passando pelo pequeno espaço da porta.
Olhei confusa para meu “marido”.
— O que houve? – Sussurrei para Edward
— Coisa séria. – Ele respondeu grave. Depois olhou minha acompanhante com interesse.
— Makenna?! – Ele parecia agradavelmente surpreso em vê-la. Que babaca. Estendeu mão com simpatia.
— Oi, Edward. – Ela enfatizou o nome dele me encarando.
Vaca.
— Seu carro voltou a dar problemas? – Questionou muito solícito.
Já o chamei de otário? Não? Otário.
— Não! Está perfeito, graças a você. Vim devolver a blusa que você esqueceu no carro. – Apontou para o casado em minhas mãos.
—Foi muita gentileza sua, Mackena. – Sorri o abraçando pela cintura. – Mas agora peço licença querida, nós vamos almoçar em família.
— Vocês podem aparecer qualquer hora lá em casa. Seria ótimo conhecer meus novos vizinhos melhor. – Falou olhando diretamente para Edward. Me segurei para não revirar os olhos.
— Seria...
— Não podemos. Infelizmente já estamos de mudança. Edward vá desligar o fogo, vou ver como Vanessa está.
Ele entendeu o recado, entrando na minha frente enquanto eu batia a porta na cara de mulher.
—O que aconteceu lá fora? – Questionou.
— O que aconteceu ontem? – Eu perguntei. Ficamos olhando feio um pra o outro. Até que foi demais e ambos caímos na risada.
— Você devia ter visto sua cara lá fora! Toda descabelada parecendo uma mãe de família com seis filhos pequenos! – Ele riu.
— E a cara de abusada dela? Aposto que é uma ladra de maridos! – Ri com ele.
— Mas por que fez aquilo? Eu poderia ter uma transa fácil ali. – Franziu a testa me olhando.
— Exatamente por isso, Edward. Ela não é boa pra você. –Falei indo olhar o molho na panela. Estava com um cheiro ótimo mesmo. – E o carro?
— Apenas com cabo solto. Na certa foi ela mesma quem tirou – revirou os olhos
— Hmm... e tudo isso para ter um momento da sua atenção – Debochei olhando as panelas.
Ela deu de ombros reconhecendo.
— O que houve na escola? – Perguntei em parte por interesse, e grande parte para mudar de assunto.
— As crianças estão fazendo perguntas sobre os seus pais. E isso a está deixando chateada. – Suspirou tristemente.
— Que merda. O que faremos? – Mordi meus lábios nervosa.
— Não sei, são crianças da idade dela, não? A professora disse que irá conversar com os pais das outras crianças.
— Já é alguma coisa. Vou chama-la pra comer, você coloca a mesa?
— Sim.
Encontrei Nessie sentada no chão do quarto fazendo carinho em Toddy. Para um labrador, ele era um cão muito preguiçoso. Se você começasse um carinho na barriga então... era dormida na certa.
— Vamos lavar as mãos para o almoço?
Ela apenas levantou e seguiu para o banheiro.
— Vanessa! Por que não fala comigo? – Segurei seu ombro direito, fazendo com que ela me olhasse.
— Todo mundo quer saber como é não ter pais. Eles acham que eu posso comer doces sempre e não preciso fazer a lição de casa, e a Julia disse que queria que os pais morressem! – Ela começou a chorar no lavabo. – Eu deveria ficar feliz porque não tenho pais, Bella? Como o Jonas disse? – Olhou-me com os olhinhos tristes.
— Ei! – Me ajoelhei na sua frente. – Por algum acaso você fica sem fazer a lição? Nós cuidamos de você. E você tem pais, e eles te amam e cuidam de você lá de cima! – Limpei as lágrimas que caíam com as costas da mão.
— Eu queria eles aqui! – Ela disse mais alto. As lágrimas não paravam de cair. – Dói, Bella, às vezes que eu não consigo respirar! – Abracei-a fortemente, querendo retirar toda a dor de seu peito.
— Pode chorar, meu amor. Chora que vai passar.
— Está doendo muito. – Sua voz saiu abafada pela minha blusa.
— Olha para mim. – Levantei sua cabeça olhando em seus olhos decididamente. – Eu e o Edward vamos cuidar de você para sempre. Você não está sozinha. Você nunca mais estará sozinha, eu prometo. Eu te amo, pequena. – sussurrei olhando seu rostinho perfeito. – Prometo que nunca vou te deixar, ok?
Ela balançou a cabeça.
— A gente pode ir embora daqui? – Perguntou mais calma.
— Não quer mais ficar na escola daqui?
— Não quero mais voltar lá. Quero outra escola, quero outro lugar.
— Então não precisa ir para lá. – A confortei, trazendo seu corpinho para o meu novamente.
Era uma situação delicada, e talvez um pouco precipitada da parte dela, mas era a minha chance de leva-la para minha vida definidamente, e eu iria agarrar esta oportunidade com todas as forças.
(***)
— Vanessa não quer mais ir para essa escola. – Comentei com Edward quando ela já dormia no quarto. Estávamos na sala dividindo uma garrafa de vinho.
— Foi a primeira coisa que ela me disse quando a busquei na escola. – Tomou o gole da sua taça me fitando.
— De qualquer jeito, assim será melhor. Começando de novo, em outra escola, em outro lugar, seguir em frente. É disso que ela precisa. – Falei bebericando meu vinho.
— Ela perdeu os pais, Bella. Não se “segue em frente” assim. – Fez aspas com as mãos.
— Eu sei, mas num lugar onde ninguém ficará lembrando-a a todo o minuto será mais fácil. – Como Edward não via isso?!
— Eu queria ir mais devagar. Essa cidade, essas pessoas... São tudo que ela conhece. Não queria tirá-la disso tão abruptamente, contudo, você tem um bom ponto. Entendi, de qualquer forma não podemos ficar aqui assim, certo? Você tem seu trabalho, eu tenho o meu. – Deu de ombros sorvendo mais um gole de sua taça.
— Exato. Tenho que voltar para Washington e ela virá comigo. – Pontoei.
— E eu também. – Ele disse com tranquilidade. –
— Vai se mudar?! – Indaguei não querendo esconder minha felicidade.
— Conversei com Grey e aceitei trabalhar para ele. Não posso ficar longe de vocês... De Vanessa. – Deu de ombros mais uma vez, me olhando feliz.
—É o melhor para ela. – Sussurrei contente.
— Vanessa tem razão. — Ele comentou sorrindo de lado.
— Sobre o que exatamente? – Seu semblante tranquilo me deixava relaxa e um tanto hipnotizada por ele. Me vi correspondendo ao seu sorriso e olhado seus lábios finos.
— Você me olha com cara de boba. – Meu sorriso morreu com sua risada que se seguiu.
— Há-ha. Muito engraçado. Estou rolando de rir, Cullen – me levantei pegando nossas taças e levando para a cozinha, meu rosto quente pela raiva.
—Ah, Bella! Não fica assim, vai! – Me seguiu.
Idiota.
— Então na próxima semana já podemos comprar nossas passagens? – Mudei de assunto novamente.
— Vou perguntar ao Marcus, mas acho que não teremos problemas quanto a isto.
— Ele não vai se intrometer nessa questão? Digo... ele a conhece desde que ela nasceu. Deve ter algum apego... – Murmurei incerta, não querendo nenhum empecilho nos nossos planos.
— Ele poderá visitá-la a qualquer momento, é claro. – Edward parecia completamente à vontade agora.
— Já que voltaremos para casa logo...
—Você não vai ligar pra sua mãe, não é? – Sua cara de medo me fez rir.
— Sim! Eu vou! Renée está louca para conhecer nossa menina pessoalmente. – Apertei suas bochechas e corri para pegar meu celular. Mamãe atendeu no segundo toque. Rápida como sempre.
— Mãe! – Exclamei contente.
— Filha? – Questionou confusa com minha felicidade repentina.
— Vamos voltar para casa! – Eu comemorei, escutando-a dar um gritinho do outro lado da linha.
(...)
Narrador.
Aro desligou o telefone com raiva. Não era possível que mesmo depois de quase um mês, Demitri, seu detetive particular, não tivesse encontrado nenhum podre a respeito do Edward e da Isabella. Como Aro convenceria um Juiz que esses dois não poderiam ficar com a menina?
Ele precisava de Vanessa, ela tinha uma fortuna milionária, que tinha de passar para ele. Tudo estava caminhando tão certo, tão bem! Como teria adivinhado que Carmen e Eleazar teriam nomeado alguém para cuidar da criança? Tanto trabalho para por fim a vida deles, e agora precisa de uma briga judicial para ter a guarda da menina. Se a garota tivesse morrido, isso tudo poderia ter sido evitado!
—O carregamento da China foi entregue. – Caius, seu braço direito, entrou no escritório.
—Bom, isso nos dará tempo com os Chineses. – Comentou exasperado.
— Vão perdoar sua divida? – Caius questionou.
— Não mesmo, meu amigo. Mas ganho tempo.
— E os Russos?
— Caius, meu caro, você sabe tudo que precisa saber. O que há? – Caius parecia ansioso. Acompanhou seu olhar através da janela e viu o motivo para deixa-lo daquele jeito.
Sua filha.
Heidi.
Heidi sempre fora sua favorita, a sua maior aposta.
Boa nos negócios, seguia ao pai desde seus quatorze anos, e graças a isso, conheceu o homem que seria sua desgraça. Aro teve de aceitar casar sua filha de apenas dezoito anos, e ver toda a carreira no mundo dos negócios que havia imaginado para ela ruírem.
Por fim, veio a tentativa de suicido, que graças a uma força maior ela não conseguiu completar. Tomara uma grande quantidade de medicamentos, e graças à governanta da casa que havia acionado uma ambulância a tempo, ela sobreviveu.
Mas não sem sequelas.
Heidi não tinha a vivacidade de outrora, ou as habilidades mentais. Pouco falava, apenas pintava e desenhava. Havia dias em que tinha crises de nervos fortíssimas, em que era preciso seda-la.
A escondeu da sociedade e da família, apenas sua esposa sabia que a filha continuava viva e sobre eternos cuidados mentais.
E havia Caius. Seu braço direito que era pateticamente apaixonado pela sua filha.
Por mais que isso desagradasse Aro às vezes, era uma boa forma de conseguir o que quisesse dele do homem.
— Quem são os pais dessa menina? – Perguntou de repente.
— Demitri descobriu que eles usaram uma clínica de fertilidade.
— Isso eu já sabia sem a ajuda de Demitri. – Aro sorriu duro. – Precisamos descobrir quem são seus pais biológicos.
— Isso seria impossível.
— Nada é impossível, meu caro. Com certeza há registros. – Comentou astuto.
— São confidencias! – Caius estava um tanto apavorado.
— Está vendo aquela mulher lá fora? – Ele apontou para sua filha no banco do jardim com expressão serena. A mãe ao lado. – A existência dela é confidencial. Se quiser continuar sabendo onde e como encontra-la é melhor descobrir quem foram os doadores.
—E como vou fazer isso?! – Questionou com cuidado.
— Apenas consiga. – Aro sorriu amável.
Caius saiu de sua sala as presas. Como queria matar aquele homem!
Tudo o que havia acontecido na vida de sua preciosa Heidi havia sido culpa dele; sua cobrança como pai durante toda sua vida, as expectativas que ela sempre tentou alcançar. Aro era o desgraçado que arruinara a vida de Heidi, muito mais que o marido infiel que ela tivera, esse aliás que ele mesmo já havia matado.
Chegaria esse dia, o dia em que ele, Caius, poderia livrar sua Heidi de Aro Volturi. Por enquanto ele faria o que tinha de fazer, descobrir quem eram os pais biológicos dessa menina.
A resposta não demorou a aparecer. Apenas subordinado as pessoas certas da clínica de fertilidade, Caius obteve as fichas dos doadores, e ainda mais informações; Eleazar e Carmen haviam selecionado os doadores sabendo exatamente quem eles eram.
— Por isso deixaram a guarda para eles. –Aro refletiu diante da informação.
— Penso que neste caso, será impossível tirar a menina deles. – Falou Caius.
—É aí em que você se engana, meu caro. Agora é extremamente mais fácil. – Aro sorriu ao olhar uma fotografia de sua juventude; nela estavam Aro, Eleazar e Marcus, os amigos inseparáveis, até que a ganância de Aro os separou.
— Agora posso mover as peças desse jogo ao meu favor. – Falou sorrindo sadicamente.
— O que pretende fazer com a menina? – Caius quis saber. Não deixaria Aro fazer mal a uma criança.
—Vou criá-la. Mas se ela torna-se um estorvo, a matarei e ficarei com o que é meu de direito. Nunca vou entender porque meus pais deixaram minha herança para Eleazar.
— Achei que fosse apenas uma parte. – Perguntou curioso. Quanto mais informações conseguisse de Aro, melhor.
— A mais importante. As ações milionárias. Preciso desse dinheiro, do contrario perderei tudo o que conquistei para os chineses e os russos, e talvez acabar na cadeia. E não podemos esquecer... eles me matariam antes mesmo da polícia me encontrar. Elezar nem mesmo pegou um tostão, chega a ser admirável! Essa bastardinha que não irá por a mão no meu dinheiro. – Exclamou com ódio.
— Se ele nunca quis o dinheiro, porque ele mesmo não o devolveu a você?
— Eleazar tem um... ódio particular por mim. Matei sua irmã.
Caius sentiu o ar escapar dos seus pulmões. Sabia que Aro não valia nada, mas matar? Com as próprias mãos? Era demais.
— Foi um acidente. – Aro disse baixo, olhando os livros na estante, e Caius não teve certeza se ele ainda falava consigo.
Aro estava determinado, e finalmente todas as peças do jogo estavam no tabuleiro.
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