Aprendendo a Amar
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo21
Dias atuais.
Bella.
— O que a senhora nos diz sobre o relacionamento da Srta. Swan e do Sr. Cullen com Srta. Vanessa Santiago? – O juiz perguntou a assistente social que havia nos feito visitas no último mês.
— Senhor, vejo que eles são bons tutores. Se esforçam muito para estar a par dos assuntos da escola, e Vanessa parece ter um grande apreço por eles. Não vejo motivos para que não permaneçam com a guarda. – Respondeu séria, fitando o Juíz.
Dei um discreto sorriso para Edward. As coisas estavam ocorrendo bem. E eu estava ansiosa para ter Vanessa finalmente conosco.
Para sempre.
— Bom, depois do relatório do advogado da família, sendo a vontade dos pais que vocês fossem os responsáveis pela criança em sua ausência, apesar de que há poucas semanas nem mesmo a conhecessem, e após conversar com a psicóloga da menor... não vejo motivos para que assim não seja feito. – Anotou algumas coisas antes de nos olhar novamente – Declaro Isabella Swan e Edward Cullen guardiões legais da menor Vanessa Santiago. – Bateu o martelo.
— Isso! – deixei escapar minha alegria. – Desculpe. – sussurrei para o juiz. Ele apenas deu um pequeno sorriso e deu a audiência por encerrada.
— Conseguimos. – Edward sussurrou em meu ouvido. Não me contive e o abracei forte. Seu cheiro me confortava e acalmava. Eu amava seu cheiro.
— Assim sendo, nosso trabalho termina por aqui. – Marcus disse já fora da sala.
— Edward te disse que planejamos ir para Washington? – Questionei, o olhando.
— Sim, Isabella. E concordo que talvez seja mesmo o melhor para Vanessa. Recomeçar. Longe de todo o peso que essa cidade trás para ela. – Ele suspirou pesadamente.
Senna, a psicóloga de Vanessa parecia um pouco triste com isso.
—Tenho uma conhecida em Washington para continuar acompanhando Vanessa. – Se pronunciou.
— Para quê? – Edward franziu a testa.
— Ela ainda precisa de acompanhamento, Edward. – Senna respondeu. Vi o momento em que seu rosto se avermelhou e abriu a boca retrucar, mas tomei a frente segurando em seu braço. Não era surpresa que depois de toda a história com James ele tinha passado a odiar a mulher.
O objeto de nossa conversa nos olhava muito quieta de uma cadeira a distância, os pequenos pés balançando a alguns centímetros do chão.
Andei a passos rápidos em sua direção, parando em sua frente e me ajoelhei.
— Adivinha? – Perguntei sorrindo.
— Vou poder ficar com vocês? E vamos comer pizza pra comemorar? – Ela tentou devolvendo meu sorriso.
—Hum... Toda a pizza que quiser! – Eu a puxei, apertando-a em meus braços.
Definitivamente eu conseguia ver as coisas melhorando daqui para frente.
—Então, Vanessa... animada para se mudar? – Marcus perguntou com seu sorriso bondoso.
Ela se encolheu ao meu lado.
—Sim... Edward e Bella tem uma família grande, e todo mundo quer me conhecer. – Respondeu numa voz fininha.
—Isso é demais, querida! – ele lhe sorriu. Marcus era um enigma para mim; solitário, bondoso... claramente tinha um apreço especial pela menina em meus braços e pelo seus falecidos pais. Porém, não fazia objeções para que ela fossem embora conosco, dois completos estranhos para ele.
Passamos aos preparativos para a mudança, eu queria estar em casa e instalada antes da noite de natal, que aconteceria na casa de Alice Jasper. Vanessa iria amar tudo aqui, eu tinha certeza disso.
(...)
— Você pegou seus livros?
—Sim. – Vanessa me respondeu com simplicidade. Nosso voo estava atrasado. Duas horas atrasado.
Eu já estava impaciente, batendo os pés no chão.
—Onde Edward foi? – Olhei para todos os olhados, o terminal estava lotado, graças a uma tempestade que fizeram vários voos serem cancelados. E o nosso estava no meio.
— Foi pegar um lanche. – Ela tinha a atenção presa no celular que Edward havia lhe dado na noite anterior, o qual fui veemente em ser contra. Exatamente por que queria evitar isso: ela com a cara num joguinho virtual.
Parabéns, Edward, você a viciou.
Fiquei sentada ao lado dela, com os pés sobre nossas malas, quando avistei Edward vindo em nossa direção com um saquinho do McDonalds e uma loira espetacular ao seu lado.
Senti meu estomago revirar quando reconheci quem era.
— Tânya. – Sussurrei me levando de imediato.
—Bella, acho que se lembra de Tânya. – Edward deu saco para Vanessa, que por um milagre pausou o jogo. Rapidamente atacou o saquinho de batatas nos ignorando. Agradeci por isso.
— Como vai, Tânya? – Estendi a mão para cumprimentá-la. Suas unhas pintadas de um rosa perfeito, como sempre.
— Estou bem, Bella. Estava comentando com Edward que fiquei feliz em vê-los juntos. E a filha de vocês... parece uma cópia exata! – Ela olhou para Vanessa sorrindo. Edward não havia explicado a situação?
— Vanessa, essa é uma amiga minha e da Bella. – Edward fez as honras.
—Olá. – Ela acenou com a boca cheia.
—Oi, lindinha. –Tânya tinha os olhos marejados ao falar com ela. – Posso estar alguns anos atrasada, Bella, mas sinto muito pela minha mãe em Las Vegas. Edward e eu conversamos brevemente naquela época, e eu fico muito feliz que vocês tenham... ficado juntos. – Edward não a corrigiu e eu não achei a necessidade de o fazer. Tânya não era minha amiga ou ex namorada. O que ela pensava da minha relação com Edward agora era problema dela, e dele, que a deixou entender que estávamos juntos.
Ficamos num silencio desconfortável, Tânya olhava fixamente para Vanessa.
— Era um menino. – Sussurrou e finalmente as lágrimas trasbordaram.
— Eu sinto muito. – Falei e senti a verdade em minhas palavras. Em um ato estúpido, ela havia matado o filho dela e de Edward, e quase morrera no processo.
Eu sentia muito por ela.
— Eles teriam quase a mesma idade. – Não tirava os olhos de Vanessa enquanto sussurrava para nós. Se não estivéssemos tão próximas, não iria conseguir ouvir suas palavras.
—Tânya... – Edward tentou tocá-la.
—Não, eu estou bem, de verdade. – ela secou as lágrimas com ambas as mãos. – estou feliz com minha carreira, e me casei com um bom homem. Que já tem filhos. Um casal de gêmeos do primeiro casamento, e ele me faz feliz. – ela assentia sem parar ao falar. – Foi bom ver vocês. Eu... tenho que ir. – e saiu correndo com a bolsa grande na mão em meio à multidão.
Girei meus calcanhares para fitar Edward.
— O que foi isso?! – perguntei assim que não podia mais ver o brilho dos cabelos dela.
— Eu estava pedindo um lanche e ela se aproximou. Falei que estava aqui com você e ela quis dar um “Oi”. Eu não sabia, não percebi que passei a impressão errada ao falar que estava aqui com você e Vanessa. – Coçou os cabelos, os puxando.
— Deverei ter dito a ela que não estamos juntos e que Vanessa não é nossa. – O censurei. A mulher poderia estar muito mal agora.
— Eu não a encorajei a acreditar nisso de qualquer forma. Só que ela disse coisas quando viu a Vanessa, mesmo de longe... – Ele não me olhava nesse momento. Parecia preso em algum pensamento confuso.
— Que coisas? – Vanessa mais uma vez tinha sua atenção voltada para o celular e o hambúrguer em sua outra mão. Nos ignorando completamente.
— Ela não se parece com os pais. Nem mesmo um pouco.
— Ela foi gerada in vitro, reprodução assistida. Sem óvulos de Carmen e sem espermas do Eleazar. Não tem porquê se parecer com eles de fato. – Sussurrei com medo que a menina prestasse atenção a nós.
Edward passou a mãos nos cabelos novamente e bufou.
— Quando estávamos no último ano, eu fiz uma coisa... estupida eu confesso, mas era necessário na época. – Cruzou os braços, concentrado.
— O que você fez?
— Doei sêmen para o banco da cidade. – Falou e olhou de novo para Vanessa.
— Acha que Vanessa é sua filha? – eu ri da impossibilidade daquilo. – Só porque ela tem seu nariz arrebitadinho? É muita pretensão sua, Cullen. E não se sinta mal... eu também cheguei a doar óvulos. Como acha que Jane e eu bancamos nossa viagem a Vegas? – Rolei os olhos para ele.
Não esperei para que aquela conversa continuasse, corri em direção ao banheiro sussurrando um “volto logo”.
Droga. Como assim Edward também doou? Quais seriam as chances... não, não era possível!
Simplesmente impossível.
Não teria como ser... teria?
Lavei meu rosto na pia.
Estávamos envolvidos demais com Vanessa. Vivendo demais entre nós três, e vendo semelhanças onde não existiam, apenas por que queríamos que assim o fosse. Era isso, eu queria que Vanessa se parecesse comigo e Edward queria a mesma coisa. Logo que nos estabelecêssemos eu precisaria procurar um psicólogo para mim e não apenas para Vanessa. Antes dela, eu nem mesmo pensava muito sobre ter filhos. E agora... eu desejo já ter. Não carregar em meu ventre... é mais do que isso. Eu sinto como se ela fosse minha de fato, um pedaço de mim, e desejo ser chamada de “mãe”...
Por ela.
— Não fique louca, Bella. – Falei para meu reflexo no espelho. Dando leves tapinhas em minha face.
Havia uma criança minha pelo mundo. Uma que eu abrira mão, que outra mulher carregara em seu ventre. Agora, tendo uma criança da mesma idade por perto, eu me perguntava: como seria essa criança? Seria menina? Um menino? Gostaria de ler livros como Vanessa ou preferia esportes? Eu tinha um equilíbrio tão ruim quando criança! Seria desastrado?
Merda, Edward! Você me fez pensar nisso! Eu não deveria pensar na criança que eu não tive! Era apenas meu material genético, que se combinou com o de outra pessoa, que eu não faço ideia de quem seja e gerou um filho para alguém. Talvez a criança em questão não tenha se parecido comigo, afinal.
Eu tinha um filho biológico em algum lugar, eu nunca o conheceria, ele nunca me conheceria e era melhor assim. Eu decidira assim.
Fim.
Vanessa tinha pais biológicos que nunca saberíamos quem eram, e era melhor assim.
E seriamos uma família. Eu, ela, Edward. E talvez um dia eu carregasse um filho em meu ventre.
Jacob.
Eu teria que pensar seriamente se continuaria ou não com essa relação. Parecia mais um passatempo do que uma relação com um futuro de fato.
Finalmente, depois de quase quatro horas de atraso, nosso voo decolou.
—Tudo bem? – Edward sussurrou. Vanessa dormia no nosso meio, toda encostada em Edward, com as pernas em meu colo.
—Sim. Apenas ansiosa para chegar a casa. – Sorri amarelo para ele.
—Sobre antes... – Tentou falar, mas o cortei.
—Eu sei, Edward. Loucura. Vamos esquecer, ok? – ele apenas assentiu confirmando e voltou a digitar em seu notebook.
—Muito trabalho? – Puxei assunto.
—Só algumas “papeladas”. Emmett conseguiu um apartamento para mim em Washington e adivinha? É próximo ao seu. – Sorriu parando de digitar um pouco, começando a afagar os cabelos de Vanessa.
— Isso é bom. – Sorri de volta.
—Jacob mora perto? – Perguntou curioso.
—Não... ele mora em outro bairro distante. – Respondi distraída.
— Achei que vocês tivessem se conhecido na mesma cafeteria, perto da sua casa. – Falou confuso.
— E foi assim. Ele estava lá todos os dias de manhã. – onde ele queria chegar?
— Se não era perto da casa dele, não faz sentido ele estar lá todo dia de manhã cedo, não é? – Sua confusão era evidente.
— É o melhor café da cidade. – Dei de ombros indiferente. Ele resmungou algo voltando a digitar em seu notebook.
— Bella? – Alguns minutos depois ele me chamou. Eu estava distraída analisando a intenção de uma ONG que queria fazer projetos em uma favela no Rio de Janeiro, no Brasil.
— O que? – Me virei para olhá-lo.
— Olha seu Whashapp. – Mandou sorrindo como um idiota.
Peguei meu celular sem entender. Estava desligado.
— Pode me adiantar o assunto? – Ele balançou a cabeça, os olhos dançando com diversão.
— Me mandou algum conteúdo pornográfico? – Brinquei.
— Ah, tem nudez sim. – Ele sorriu ainda mais. Intrigada, abri o aplicativo.
No grupo das famílias Cullen e Swan havia mais de mil mensagens. Minha sobrinha havia nascido finalmente.
Fotos dela com poucos instantes de vida pipocavam na tela. Chorando, o corpo todo manchadinho de sangue, o rosto lado a lado do de Alice, que tinha o próprio banhado em lagrimas e sorria. Outra foto, Jasper com roupas cirúrgicas segurando o pequeno embrulho que era sua filha. Nunca vira meu irmão tão... radiante.
— É maravilhoso. – Disse para Edward.
— É, Sim. – ele confirmou se inclinado um pouco em minha direção, olhando as fotos da tela no meu celular, embora eu soubesse que ele já havia visto no próprio. Vanessa resmungou um pouco em seu sono com o movimento repentino.
— Eles finalmente revelaram o nome? – Rolei as mensagens tentando achar uma especifica.
— Charlotte. – Edward disse o nome com ternura. – Minha sobrinha é perfeita. – Seus olhos estavam brilhando.
— Nossa sobrinha, seu bobo. Ela me parece tão grande. – Eu provavelmente estava na mesma situação que ele.
— Alice estava imensa, Bella. – Edward revirou os olhos.
— Nossa, Edward! Ela nasceu com três quilos e seiscentos gramas! – Eu estava maravilhada lendo as informações que meu irmão colocara no grupo.
— Sorte de Alice que não foram gêmeas, então. Lembro de Renée falar que você e Jasper nasceram grandes também. – Comentou rolando as mensagens.
— Eu com três e quinhentos, e ele com três e quatrocentos. – Nossa pobre mãe aguentara dois partos normais. Jasper e eu tínhamos diferenças de minutos.
— Então estão todos em Seattle. – Constatei. Ninguém iria nos receber no aeroporto.
— Emmett vai estar lá. – Edward disse interpretando minha cara de decepção. – Finalmente irei conhecer a famosa Rosalie.
—Você vai amá-la. – Eu já conhecia a mecânica mais importante da oficina do Emmett.
Rosalie Hale. Havia aprendido tudo o que sabia sobre carros com o pai já falecido, era a melhor no que fazia em Seattle. Apesar de viver com um macacão sujo de graxa, era uma mulher linda e forte. Quem a visse com um leve vestido (sua roupa favorita, eu apostava), nunca imaginaria seu trabalho do dia a dia.
Como Edward havia dito, Emmett estava ao lado de Rosalie para nos receber, e com eles os pequenos filhos dela, Petter e Harry, de seu primeiro casamento.
Edward adiantou o passo para abraçar o irmão.
—Oi, Rosalie. – Abracei-a. Eu a tinha encontrado um par de vezes na casa de meus pais junto aos pais de Edward, e logo na primeira ocasião, já nos identificamos uma com a outra.
Pena que não era dessa forma com minha própria cunhada, Alice.
—Bella, esses são Petter e Harry. Digam oi para tia Bella, meninos. – Incentivou os filhos.
Os dois eram loiros como a mãe, Petter com quatro anos parecia tímido agarrado a perna da mãe, já Harry era todo sorrisos com seus dois aninhos. Eu o peguei no colo dando um beijo e sua bochecha.
— Oi, lindinho da titia. – Enchi seu rostinho de beijos.
Edward e Rosalie se cumprimentavam.
— É um prazer conhecer a mulher que tem colocado juízo na cabeça do meu irmão. – Ele brincou.
— Há-há, Edward. Muito engraçado. – Emmett o abraçou pelo pescoço. – e esta linda menina! – Emmett se abaixou para ficar da altura de Nessie.
— Muito prazer em conhecê-la, senhorita Vanessa. – Ele fez uma reverencia fazendo ela rir. Ele estendeu a mão e ela colocou a sua ali.
—Oi. – Disse tímida.
—Oi, senhorita bonita. Eu sou Emmett, irmão do Edward e serei o seu tio. – A abraçou, girando-a no ar, fazendo ela rir enquanto eu batia em seu braço para ele coloca-la de volta no chão.
Depois das breves apresentações, seguimos para o carro de Emmett.
— Vamos para minha casa, certo? – Perguntei acomodando Vanessa.
— Sim, Belinha. Jane está lá com um almoço de boa vindas. – Emmett respondeu feliz.
— Era para ser surpresa, Emmett. –Rosalie revirou os olhos amarrando os filhos na cadeirinha.
— Que merda! – Ele bateu uma mão na testa.
— Olha a boca. – Rosalie e eu falamos juntas e rimos em seguida.
Foi uma surpresa agradável ter Jane ali esperando por mim, eu imaginei que ela estivesse em Seattle, porém isso não fazia sentido; ela não era da família, e não era tão amiga assim de Alice. Escolheu me esperar voltar para irmos juntas visitar minha sobrinha.
Minha casa ficou cheia naquela primeira noite, com Emmett Rosalie e os filhos pequenos. E claro, Tyler e Edward conversando agradavelmente.
Senti que Vanessa estava fascinada com nossos amigos, ela ficava quieta, mas sorria com frequência e sempre respondia quando lhe perguntavam algo.
Todos dormimos na sala no fim das contas. Pela manhã, tendo apenas eu e Edward acordados conversamos sobre as coisas praticas a fazer dali em diante. Qual escola seria melhor para Vanessa, como iriamos conciliar nosso trabalho com o tempo com ela, e Edward deu a melhor resposta.
— Bella, está chegando os feriados do natal e depois ano novo. Vamos pensar nisso no próximo ano? – Falou suavemente me fitando.
— Ok. – Suspirei.
— Você esta ansiosa certo? Eu também estou, mas uma coisa de cada vez. Daqui a dois dias pretendo ir para Forks ficar com meus pais, e de lá vamos passar o natal com Alice e Jasper. Espero que você tenha os mesmo planos que eu. – Ele terminou sorrindo.
—Com certeza. Forks e depois Seattle. Perfeito. – Devolvi seu sorriso magnífico.
(...)
Natal.
— Bella, ela é um amor! – Esme repetiu com a mão no peito.
— Eu sei. – Sorri orgulhosa da minha pequena, que segurava a prima com muito cuidado sentada no sofá. Ela pescou meu olhar e sorriu.
— Petter, deixa seu irmão! – Rosalie ralou com o filho que fazia o irmão menor chorar e ria se divertindo.
— Ei, rapaz! –Emmett repreendeu o menino com um olhar sério.
— Não pode bigar comigo! –Petter deu língua para ele.
— Petter! – Rosalie levantou a voz em sua direção.
O menino correu de volta para sala onde os outros estavam, deixando o irmão caçula chorando no chão. Rosalie o pegou no colo.
— Desculpe por isso, Emmett. – Rosalie pediu. Emmett acariciou suas costas dando um beijo em seus cabelos.
— Tudo bem, Rose. Tem pouco tempo, ele vai se acostumar comigo.
Esme sorriu para os dois. Eu não queria nem imaginar o que era namorar alguém que tinha um passado como o de Rosalie e ainda mais a sua bagagem.
— Bella, você me parece estar indo muito bem com Vanessa. – Esme comentou sorrindo carinhosamente para mim.
— Ela é um amor, Esme. Não dá trabalho, não é difícil. – Dei de ombros me focando em Nessie novamente.
— Minha filha já tem todos os instintos maternos. – Renée me abraçou.
— Mulheres... vocês podem fazer a gentiliza de servir ceia? – Emmett sorriu amarelo.
—Vá arrumar a mesa, Em. –Esme lhe sorriu condescendente.
Quando ele saiu deixando nós quatro sozinhas novamente na cozinha, minha mãe começou a interrogar Rosalie.
—Querida, ele tem sido bom com você?
—Sim, Renée, Emmett é um amor. Tem tanta paciência com meus filhos... e tem me ajudado muito. – Completou com uma voz mais baixa.
— E o pai das crianças?- Esme perguntou.
— Na prisão. E ele nunca chegará perto dos meus filhos. – Falou entredentes.
Nessa hora Alice entrou esbaforida.
— Vocês estão bem? Precisam de algo? Eu sou uma péssima anfitriã! – Passou a mão pelos cabelos, tirando-os da frente do rosto.
— Calma, querida. – Esme peou suas mãos. – Você esta de resguardo, acalme-se. A ceia está pronta, vamos servir.
A casa do meu irmão estava cheia. Os nossos pais, os pais de Alice, os pais de Edward.
Os filhos de Rosalie, Vanessa, e a bebê Charlotte.
Emmett, Edward, Rosalie e Jacob.
A mesa ficou cheia, e sobre muitas risadas comemos e desejamos feliz natal uns aos outros, e na hora dos presentes fiquei feliz ao ver Vanessa ganhar tantos. Todos se preocuparam em presenteá-la.
Com muita insistência, minha mãe convenceu Alice a ir se deitar, e Jasper a seguiu. Os pais de Alice, senhores já com uma certa idade, preferiram ir para sua casa, se despedindo de todos logo após a meia noite.
Os pais de Edward dormiram no quarto de hospedes junto a Rosalie, Emmett e as crianças, e meus pais em outro. Ficamos Edward, Vanessa, eu e Jacob na sala em colchonetes. Vanessa não demorou a dormir do meu lado, Jacob havia há muito apagado no sofá, e Edward dormia virado para a lareira.
Acordei sobressaltada. O coração disparado. Talvez um pesadelo... eu não conseguia me lembrar. Levantei com cuidado, para não acordar meus companheiros de sala. Na cozinha, peguei um copo d’agua tomando calmamente.
—Charlie, são quatro e meia da manhã. Isso não são horas de falarmos sobre este assunto! – Ouvi minha mãe falar. A voz vinha do corredor de serviços. Porque ela e meu pai estariam acordados?
Segui a passos cautelosos para lá.
— Se eu não te confrontar aqui, em casa você não me dará respostas. Quero o divorcio Renée! – Praticamente gritou.
Estanquei no lugar.
— E eu te darei de bom grado! Agora podemos voltar para o quarto?
— Mãe? pai? – Me fiz presente. Charlie tinha um copo, do que julguei ser whisky, na mão. Parecia meio trôpego.
— Bella. – Falou embolado.
— Pai, acho que o senhor bebeu demais, não vamos acordar todos. Ouça a mamãe e volte para a cama.
— Bella... – Repetiu se aproximando de mim. Renée se pôs em sua frente.
— Charlie, não! – Sussurrou.
— Ela precisa saber. Assim você para de me enrolar! Estou tentando me divorciar da sua mãe e ela não deixa. – Me olhou.
— Tenho certeza de que podemos resolver isso outra hora, em casa. – Falei cautelosa.
— Sua mãe não está sendo direta em me dar uma resposta, querida. Coloque juízo na cabeça dela. – Bebeu o resto do liquido que estava no copo.
Renée começou a chorar. Aquilo era demais.
— Você está fazendo cena na casa do seu filho, que acaba de se tornar pai, onde todos dormem. E é Natal. Conversamos sobre isso outra hora, pai.
Eu não reconhecia meu pai. Os olhos vermelhos da bebida estavam semicerrados de ódio.
Ele nunca olhara assim para mim.
— Eu amo outra mulher, Bella. Meta isso na cabeça da sua mãe! – Ele elevou a voz.
— Esme? – Sussurrei com ódio. Renée fechou os olhos. Ela sabia.
Charlie riu.
— Não. Sue. Amo Sue, e preciso do divorcio da sua mãe para me casar com ela.
— Você não precisou do divorcio da minha mãe para traí-la com Esme, seu porco imundo. – O xinguei com raiva.
Foi rápido. Sua mão desceu com força sobre meu rosto, fazendo um som alto e nítido. Senti o sangue escorrer do canto do meu lábio.
—Charlie. – Renée colocou a mão na boca horrorizada.
Ele pareceu perceber o que havia feito. Olhava a mão abismado.
— Bella... – Tentou se aproximar de mim, levantando a mão para me tocar.
— Não me toca! – Gritei me afastando dele com passos para trás.
— Bella... – Repetiu meu nome novamente, me olhando aturdido.
— O que é isso? – Edward apareceu onde estávamos, me analisando e parando seu olhar em meu lábio inferior que sangrava.
— Não deixe esse homem acordar o resto da casa. – Olhei a porta dos fundos e sai para o quintal.
Edward me seguiu.
— Bella?! O que foi? – Sentei de qualquer jeito no último degrau. O sereno da noite deixou meu rosto frio de imediato.
Edward sentou-se ao meu lado.
— Ele te bateu? – Ele puxou meu rosto em sua direção, para olhar direito. Secou minhas lágrimas com as costas das mãos. – Eu vou acabar com ele. – Afirmou fazendo carinho em minhas bochechas, seus olhos penetrando minha alma.
— É meu pai, Edward. Ninguém vai acabar com ninguém. – Abaixei o olhar, mirando o chão.
— Ele não pode te bater! – Se enfureceu.
— Ele está bêbado. De manhã, com calma, resolvemos isso. – Suspirei tristemente.
— O que houve? Não peguei a conversa...
— Ele quer o divórcio, está com outra mulher. – Expliquei por alto o que eu havia entendido. — Meus pais vão se divorciar. – Dei de ombros, tentando parecer indiferente.
Ele me abraçou. Eu sentia seu corpo tenso, por isso espalmei uma mão em sua perna, fazendo movimentos circulares. Uma de suas mãos acariciou meu braço tentando gerar calor com o atrito, e a outra fazia um cafuné em meus cabelos.
— Eu não fazia ideia de como andava a relação deles. – Sussurrei.
Edward não respondeu. Ficamos ali incontáveis minutos, eu no circulo protetor dos seus braços, passando os momentos com os meus pais mentalmente, nos últimos anos eu não vira índices de uma traição... verdade seja dita, eles nunca foram um casal apaixonado, e talvez Esme não tenha sido a primeira traição. E pelo o visto, não foi a última, e pela cara de Renée... ela sabia. Ela sabia de Esme.
Os primeiros raios da manhã vieram. Edward havia ficado comigo todo aquele tempo em silêncio, respeitando meu momento.
— Feliz natal. – Edward sussurrou em meus ouvidos. Sorrindo, me desencostei de seu peito.
Seu rosto, tão conhecido agora, tinha ruguinhas ao lado dos olhos quando ele sorria, o que o conferia ainda mais chame. Os olhos verdes pareciam incrivelmente brilhantes nessa manhã de natal. Segurei seu rosto em minhas mãos. Eu não poderia... Eu não conseguia pensar em outra pessoa que poderia estar ali agora, ao meu lado naquele momento tão vulnerável.
— Obrigado. – Sussurrei com o coração apertado. Como eu senti a falta dele todos esses anos! E daqui pra frente? Como seria? Eu o teria por perto, seu compromisso com Vanessa era tão forte quanto o meu, porém seria o bastante? Essa amizade seria o bastante? E quando houvesse outra mulher? Uma que ele trouxesse para casa no natal, que a mãe dele amasse como eu percebia que ela já amava Rosalie?
— O que você tanto olha? – Sussurrou. Seu hálito quente.
— Eu amo você. De todas as formas que consigo imaginar, eu amo você. – Falei certa. Ele ficou apenas me olhando. Não fez nenhum movimento para sair dali. Tomado aquilo como uma permissão, aproximei meu rosto do seu devagar, dando tempo para ele, caso aquilo não fosse seu desejo. Seus olhos focaram em meus lábios. Ele humedeceu os próprios. Fechei meus olhos e deixei que meus lábios tocassem os seus devagar, como uma carícia suave.
Como senti falta desses lábios!
Meu coração bateu mais forte, quando senti seus lábios abrirem em resposta, e ele estava me beijando de volta.
Nossos lábios ficaram nessa dança lenta, sem que nossas línguas se tocassem. Nossos ombros se tocavam, e nossas mãos se uniram em nossos colos, nossos dedos se acariciando.
Foi doce.
Foi terno.
Foi profundo.
Senti que esse beijo alcançava minha alma, e marcava seu lugar em mim.
Para sempre.
Depois desse dia, nunca mais haveria outro.
Apenas Edward.
Sempre Edward.
Por que eu estaria mentindo para mim mesma, se eu quis algo além dele. Eu tentei seguir sem ele. E consegui, todos podem seguir a diante, mas nem todos conseguem deixar para trás, deixar de desejar.
E eu nunca deixei de desejar esse homem.
Nos beijamos incontáveis vezes sobre aquele fraco sol de vinte cinto de dezembro, sem medo que alguém da casa acordasse e nos visse ali. Sem presa, sem passado e sem futuro.
Finalmente era apenas Edward e eu.
Sem medo das palavras.
— Eu também te amo. – ele sussurrou em meu ouvido.
Amor.
Sim, era uma palavra pequena, com um significado enorme e pesado.
‘’O amor verdadeiro é aquele onde nada abala e que resiste a qualquer dificuldade, fazendo com que o casal fique unido nos momentos ruins e celebre todos os momentos alegres juntos.’’
Sorri ao lembrar da passagem lida em um livro.
Eu poderia dizer que amava Edward.
E mesmo se um dia, o desejo já não mais existisse entre nós, eu ainda o amaria.
Porque Isabella Swan sempre amaria Edward Cullen.
E Edward Cullen?
A julgar pelo jeito como me olhava, nem mesmo seu orgulho conseguiria desfazer o laço entre nós.
E eu sabia que agora seria para sempre.
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