Notas iniciais
Oi gente! Eu estava louca para postar, e finalmente consegui! Dedico esse Capítulo a Thalia Luna pela linda Recomendação >< Flor MUITO OBRIGADO MESMO!!! fico muito feliz por ter essa retribuição de carinho de vocês! Que tal me darem recomendações de pascoa? kkk sem pressão! maisss eu ficaria muito feliz *O* Novas leitoras sejam muito bem vindas! Boa leitura ♥

Aprendendo a Amar

Capítulo 14

Dias atuais.

Mississippi, novembro, 2015

Bella.

O apartamento do Tyler não havia mudado com os anos que se passou, entrar ali era como entrar numa maquina do tempo e ser transportada direto para os tempos de faculdade, onde Edward e eu namorávamos, e aqui vivíamos momentos de... Casal.

—Vocês alugam o lugar mobiliado? – reconheci praticamente toda a mobília disposta no lugar. O tapete na sala era exatamente o mesmo onde eu havia derramado vinho, e a mancha permanecia ali como se tivesse ocorrido na noite passada. Ok, não tão recente assim, talvez no mês passado. Ainda assim, a lembrança de como derramei o vinho e o porque...

Os olhos de Edward acompanharam os meus, e ele sorriu provavelmente se lembrando daquele dia.

—Você sentia cócegas em lugares estranhos.

Ofeguei indignada.

Virilha não é um lugar estranho para se ter cócegas. E querer fazer uma oral com a boca cheia de pizza... Era engraçado.

Ele apenas riu. O acompanhei, o clima entre nós ficando leve. Era como ser... Apenas Edward e Bella. Aqueles dois do pós-namoro, que eram apenas bons amigos, sem cobranças.

—Uma correção... Nós não alugamos nada. Tyler, o dono, aluga. – ele jogou sua mochila e minha pequena mala- que ele havia insistido em carregar- de viagem no sofá e rumou para a cozinha com a sacola da farmácia a tira colo.

—Vá tomar um banho e se aquecer, vou preparar um chá para nós e pedir alguma comida.

—Alguma massa, por favor. – pedi andando para o banheiro arrastando minha bagagem.

—E vinho?

—Se possível. – concordei. Eu tinha uma forte dor de cabeça no momento, se não fosse uma gripe já se esgueirando, era resultado dos eventos emocionais da tarde.

O banheiro bonito me encheu de lembranças quentes. Por favor, fazia nove anos! Como entrar aqui poderia me aquecer assim? Me fazer lembrar assim?

Edward era o culpado. Ele estava na cozinha como em tantas outras ocasiões, e eu indo para o banho. A diferença era que meu banho seria inteiramente sozinho e nós não havíamos feito amor...

Tirei a roupa parcialmente úmida, e deixei que os jatos quentes de agua relaxassem meus músculos e quem sabe acalmassem meus pensamentos.

Impossível.

Fechando os olhos, eu podia sentir, no boxe quente pelo vapor, a sensação da pele de Edward em contato com a minha, o gelo do azulejo nas minhas costas quando ele me empresava de encontro ao mesmo, seus braços me apertando, seu corpo me pressionando...

Não!

Pelo amor de Deus! Eu estava com tesão lembrando do sexo com Edward nesse banheiro?

Bufando, e agindo como se tivesse vinte e um anos de novo, levei uma mão a minha intimidade, a unidade ali não tinha nada haver com a agua que passava pelo meu corpo. Foi um dia tenso, justifiquei, eu precisava disso, a intimidade com meu corpo era algo que vinha perdendo nos últimos anos. Quando foi a ultima vez em que me masturbei?

Deixei que meus dedos assumissem o controle. Mais tarde, o jato quente do chuveirinho fez todo o resto e eu pude voltar à presença de Edward mais relaxada.

(...)

Enquanto vasculhava minha mala em busca do meu conjunto de pijama cinza (calça de moletom e casaco), minha mente rondava em torno do rosto triste da menina, Vanessa. Triste não, vazio, o que era muito mais apavorante. Seu olhar desprovido de emoção, como se já não fosse capaz de sentir a dor pela perda, como se aquilo já a tivesse assolado de todas as formas possíveis.

Por que Carmen a havia confiado a mim? Ela deveria saber que eu não era a pessoa certa para isso! Ela deveria ter uma amiga próxima para tal tarefa! Eu com vinte e nove anos, um apartamento recém-financiado, uma sobrinha a caminho, e uma melhor amiga para casar. Não havia espaço para uma criança de nove anos que eu nunca havia visto na vida e que acabara de perder os pais.

Eu estava sendo egoísta, eu tinha consciência disso, porem não existia lógica em pensar de outro jeito.

No meio das minhas coisas estava o anel que Jacob havia me dado. Era de ouro, com um pequeno brilhante no topo. O ouro era baixo, eu sabia reconhecer, e o brilhante falso. Eu podia não ser rica, mas vivia com muitas pessoas ricas (ei, Jane!) e reconheceria uma joia de verdade em qualquer lugar, contudo aquele anel fora caro para ele, que estava tendo alguns problemas na loja.

Observei-me atentamente no espelho enquanto secava os cabelos com o secador. Eu estava aparentemente mais velha? Não me parecia. Um tanto mais madura na expressão sim, porem não mais velha, como alguém que irá fazer trinta anos no próximo treze de setembro. Ok, no próximo ano.

O que farei quando Jane estiver casada? Será que ela e Tyler logo terão filhos? Que irão brincar com a filha de Jasper e Alice? E finalmente... Eu deveria me casar com Jacob? Por que mesmo que eu diga não hoje, no próximo ano direi sim? Não seria bobeira adiar isso?

O problema de tudo era que eu não me via casada com ele. Eu me imaginava casa, com filhos até, mas não com ele. Não dividíamos nem nossas despesas, que dirá uma casa e filhos.

—Bonita. – Edward me elogiou quando o encontrei na sala. O tempo que passei em um dos quartos (o que pertenceu a Tyler e não a ele) ele havia tomado banho e se trocado também, estando agora com uma calça de moletom também cinza e uma regata azul marinho. Fiquei um pouco impressionada com o tamanho dos seus bíceps.

—Obrigado. Você também não está nada mal. Tem levado a academia a serio?- ele soltou uma risada sem graça, e coçou os cabelos. Hum, Edward Cullen estava encabulado, forçou mais os braços tentando fazer parecer que foi natural. Tive vontade de rir.

—Só às vezes vou lá, você sabe... Temos que cuidar da saúde. – tentou parecer despreocupado dando de ombros. Tosi para abafar o riso, com toda certeza ele ia pelo menos quatro vezes por semana.

—Beba. – ele me estendeu uma caneca fumegante. Espirrei. Ele riu.

—Você sempre foi fraca para resfriados. Tome esses compridos também.

—Obrigado Dr.Cullen. – agradeci. Ele ficou me olhando e eu comecei a me sentir um tanto desconfortável... Lembrando que havia-me masturbado pensando nele a apenas alguns minutos.

Ele pigarreou.

—Bom, vou mandar uns email lá no quarto, coisa rápida. Se a comida chegar pode pagar com aquele cartão ali, a senha é...

—Posso pagar pela nossa comida. – protestei largando a caneca na mesinha de centro. Ele estendeu as mãos em sinal de rendição. Não queria discutir. Bom.

—Como quiser madame. Pode me gritar, estarei morrendo de fome.

E saiu em direção ao quarto que foi dele, sem mais.

(...)
—O que você faz quando não está trabalhando? – perguntei tomando outra taça de vinho. A garrafa já estava menos que a metade.

—Vejo series. – ele bebericou sua taça.

—As nerdices de sempre. – debochei.

—Duvido que você seja muito diferente. – ele apontou com o queixo o filme que eu havia selecionado na TV. Vingadores.

—É um bom filme. – justifiquei.

—Não discordo. – ele se inclinou e tirou uma mecha de cabelo do meu rosto. Seu toque pareceu deixar uma trilha de fogo pela minha bochecha. Fechei os olhos apreciando o toque.

A chuva havia voltado a cair forte lá fora, mas a sala do apartamento estava quente e aconchegante, graças ao vinho, graças a lareira.

—E você? Jasper disse que trabalha com o presidente. – ele sussurrou seus olhos em meus lábios.

—Não trabalho diretamente com ele, trabalho para a embaixada, às vezes estou no mesmo recinto que ele. Fico nervosa na presença dele. – fiz uma careta.

—Por quê?

—Alô?! É o presidente dos Estados Unidos? De qualquer forma, ele é sempre muito gentil com todos a sua volta. Eu não faço parte dos trabalhos na Casa Branca. Ainda.

—Você está sendo modesta. Jasper disse que você fez um discurso sobre as tensões na síria, e sobre como as mulheres são submetidas a situações estremas no Oriente-Médio...

—Fui convidada a discursa-lo na ONU. – sussurrei.

—Bella! Isso é incrível!- ele riu realmente feliz. Ele estava sentado de frente para mim, se inclinou de novo em minha direção de mau jeito e se jogou em cima de mim em um abraço. Não aguentei seu peso, claro, e cai para trás nas almofadas rindo. Seu corpo em cima do meu. Minha cabeça estava bastante leve graças ao vinho, meu corpo entorpecido. Ri verdadeiramente feliz. Ri até da minha risada misturada à dele, até perceber que apenas o som da minha voz preenchia o espaço. Abri os olhos para encontrar um Edward a cima de mim, olhando atentamente o meu rosto, todo o divertimento havia deixado sua expressão.

—Que foi? – sussurrei. Havia algo errado com meu rosto?

—Nada. Tudo. Você é linda. – sussurrou de volta, seu hálito de vinho sendo lançado pelo meu rosto.

Aquelas palavras me deixaram hiper consciente do seu corpo colado ao meu. Fiquei ciente também do meu coração batendo forte em meu peito. Minha boca de repente estava seca, ao observar ele passar a língua por entre os lábios, os olhos verdes fitando minha boca.

Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça em minha direção.

—Que porra você está fazendo? – falei nervosa, o empurrando. Imediatamente ele se afastou, sentando sobre os calcanhares. Parecia atordoado.

—Bella...

—Então é assim? Nos encontramos em uma situação no mínimo fudida, relaxamos como amigos e você acha que pode transar comigo? – acho que eu estava levando as ociosas por um caminho muito serio. Ele arregalou os olhos.

—Transar? Não! Eu não sei o que me deu...

—Você iria me beijar! Eu estou noiva Edward! – me levantei de um pulo meio trôpega. Aquilo o irritou. Se levantou também, o equilíbrio mais perfeito que o meu.

—Agora te convém jogar na minha cara que está noiva? Parabéns!

—Não seja um babaca! Por que iria me beijar? – ele queria arruinar tudo?!

—Eu não sei porra!

—Você não sabe? Eu te explico, tem vinte e nove anos, vive como se tivesse vinte e um, me encontra, estamos aqui cercados de lembranças e acha que pode revivê-las comigo!

Ele me olhava como se eu fosse louca. Na verdade eu me sentia um pouco.

—Eu... Quer saber?! Não vale a pena, você está bêbada! Não jogue em cima de mim pensamentos que você mesma teve!

—Negue que não pensou no tempo em que passamos juntos nesse mesmo lugar como um casal, desde que cruzamos aquela porta? – senti minha garganta fechar, eu estava com muitos sentimentos acumulados, e o uso do álcool queria jogá-los para fora.

Edward passou as mãos pelos cabelos, bufou.

—Sim, eu pensei. Pensei em cada momento bom em que passamos aqui, fazendo planos, vivendo o momento, estudando, transando ou apenas conversando. Mas quando eu olhei pra você eu senti...

—Sentiu o que?!

Ele ficou mudo me olhando. Depois balançou a cabeça triste.

—Não vale a pena. Você não entende.

—Tem razão. Nunca vou entender por que você desistiu de nós.

Ele abriu a boca e a fechou. Parecia perdido. Peguei meu celular no chão e fui para o quarto.

Era esse o ponto. No fundo eu não conseguia perdoar Edward por ter desistido de nós. Jasper encontrou Alice, e mesmo ela sendo mandona e durona (características que eu achava que assustavam meu irmão) ele teve coragem de convida-la para sair, até que ela se apaixonou por ele. Jane e Tyer! Sempre dando um jeito de se verem, e ainda dizendo ‘’não somos namorados’’. Edward manteve uma amizade comigo, colorida até certo ponto, e quando ele finalmente disse que iria me ver um Washington, passar o ano novo... Por um momento pensei que minha aventura com Jacob terminaria, e finalmente... Finalmente Edward e eu faríamos planos para um futuro juntos. Mas ele nunca chegou. E agora que eu o tinha aqui, era inevitável não querer jogar essas coisas na cara dele.

Coloquei os fones de ouvido no máximo, e ouvi minha playlist favorita do Creed até dormir.

(...)

Acordei cedo no dia seguinte. Ainda não eram sete da manhã. Tomei outra pílula de gripe, meu corpo doía um pouco e minha cabeça também. Meu nariz? Entupido. Havia uma mensagem de Jane no meu celular;

‘’Como estão às coisas por aí? Tyler ficou um bom tempo com Edward no telefone essa madrugada! Ele só me disse que vocês ficaram com a guarda da filha de Eleazar e Carmen. O que vocês farão? Me ligue assim que puder.’’

Eu não estava no clima para conversar com Jane ainda. Me perguntei se Edward teria contado ao Tyler sobre nossa pequena discussão. Respondi a mensagem de Jane;

‘’Depois te ligo. Seu pai pediu a guarda de Vanessa. O que você acha disso?’’

Ela provavelmente demoraria para me responder.

Eu estava um caco. Uma confusão completa. Só havia uma pessoa que eu realmente queria ouvir a voz.

O telefone chamou muito. Ela deveria estar dormindo. Deveria ser cinco da manhã ainda por lá. Finalmente na terceira vez que tentei ela atendeu.

—Bella? Filha o que houve?

Sua voz alarmada me comoveu. Renée era avoada, porem amorosa de mais com os filhos.

—Oi mamãe. – sussurrei e as lágrimas vieram com força.

—Bella? Bella você está chorando? O que houve?

—Ah mamãe... Tantas coisas. – gemi deitando de volta a cama. Acalmei-me para que pudesse explicar a ela o que havia acontecido. Tudo. Toda a confusão desde que Jacob havia me pedido em casamento, passando pelo enterro dos meus professores e a herança deixada para mim, e claro para encerrar minha briga com Edward. Rénee ouviu tudo muito quieta, e imagino que custou muito para ela não me interromper vez alguma. Quando terminei houve um silêncio profundo.

—Você acha mesmo que Aro Volturi deve ficar com essa menina? – foi o que me perguntou. De tudo o que disse, ela estava preocupada com isso.

—Ele é rico. Criou Jane, Alec e Heidi.

—Jane, sua amiga que fez uma faculdade que não gostava para agradar ao pai, e hoje está fazendo a que gosta fisioterapia, ganhando pouco e trabalhando muito para arcar com tudo. Alec, o irmão gêmeo que ela mal vê, por que vive viajando o mundo, nunca quer ver a família. E Heidi. A jovem que tirou a própria vida. Aro Volturi não parece... – ela se interrompeu e respirou fundo. – Não que eu o culpe Bella, mas não acho que ele seja um bom pai. O que ele pode trazer para essa criança? Conforto? Ela perdeu os pais! Precisa de amor e carinho.

—Mãe, o que você quer dizer?

—Quero dizer que você tem vinte e nove anos e deve olhar para algo além do seu próprio umbigo. Existem coisas maiores que nós, querida, e colocar alguém acima de nós mesmo é a atitude mais nobre que alguém pode ter.

—O que eu faria de bom por ela? – sussurrei.

—O que eu fiz de bom para você? Para Jasper? Quantos dos seus brinquedos foram brinquedos de segunda mão, quantas das suas roupas foram de bazar? Mas nunca faltou comida e amor. Você tem amor em seu coração filha? Eu sei que tem! Isso é que você pode fazer para essa menina, dar o seu amor. Bella, eu sei que está confusa, com Edward, Jacob... Mas uma mãe confiou à segurança do bem mais precioso dela a você. É seu dever cuidar dele.

Nunca em toda minha vida, Rénee havia falado tão serio comigo. E nunca eu havia entendido suas palavras tão bem. Eu estava uma pilha de nervosos, uma verdadeira confusão, por que estava me focando nas coisas erradas.

—Você tem razão, mãe. Desculpa.

—Bella... Não há o que desculpar. Tenho orgulho de você meu amor. Apenas deixe todo esse amor que você tem ai dentro se estender a alguém que precisa de você.

—Obrigado mãe. Muito obrigado. Eu te amo.

—Também te amo bebê. Agora eu preciso ir, faça a coisa certa Bella.

—Farei.

Desliguei o celular me sentindo leve. Acabou. Todo o problema era esse. Eu estava fugindo. Fugindo da responsabilidade confiada a mim, e isso estava me consumindo também. Peguei o cartão do advogado Marcus e liguei para ele. Passava das oito agora. Ele logo atendeu.

—Marcus Carone.

—Senhor Carone, aqui é Bella... Isabella Swan.

—Senhorita Swan. Precisa de algo?

—Sim. Preciso do endereço do abrigo onde Vanessa está.

—Posso lhe passar, mas por que o quer?

—Preciso visita-la. E quero a guarda dela.

—Senhorita Swan... Parecia tão certa de sua decisão ontem.

—Eu estava em choque pelos acontecimentos. Espero que não seja tarde.

—A Senhorita e o Senhor Cullen...

—Apenas eu. Quero a guarda para mim. Pode agilizar tudo?

Ele ficou mais serio.

—Sim posso. Mesmo com o pedido do senhor Volturi, a senhora tem o direito à guarda por ser a escolhida dos pais.

—Ótimo.

Ele me passou o endereço. Pedi um Uber. Quando sai do apartamento ainda não havia sinal algum de Edward. Nossa bagunça, caixa de comida, talheres, taças e garrafa de vinho permaneciam na sala. Sai para a manhã fria de Outono, respirando aliviada por ter finalmente dado um rumo na situação. Esse era meu grande problema, tomar uma decisão, depois que a tomava podia segui-la com segurança.

Notas finais
Foi um CAP forte não é mesmo? O que acharam da Rénee metendo juízo na Bella? é disso que se trata a fic, amar alguém acima de si mesmo, alguém de fora, que vc não gerou em seu ventre. o que esperam daqui pra frente? vejo vcs nos comentarios? *_*bjs :*