Aprendendo a Amar
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Enquanto seguiam em direção à faculdade, o tatuado Abarai não parava de tagarelar; falava sobre como foi a viagem, os negócios da empresa, nos lugares que passou pelos Estados Unidos, e principalmente, não parava de falar sobre uma mulher que havia conhecido nos “States”, falava de como era bonita, inteligente, bonita, simpática, bonita...
— Eu devia ter pegado carona com o Ichigo. – balbuciou Rukia, com os olhos revirados de tanto tédio. O cotovelo estava apoiado na janela do carro, uma Mercedes preta, que estava com os vidros abaixados.
— Que intimidade é essa com o seu chefe? – questionou sério, ao perceber como a morena pronunciara o nome do chefe dela.
— Você também chama seu chefe pelo nome.
— Mas o meu chefe não é nenhuma mulher.
— O Ichigo também não é.
— Você entendeu o que eu quis dizer.
— Por que você não fala da sua adorável Tatsuki, é melhor do que ficar pegando no meu pé. – disse fitando a paisagem pela janela percebendo que faltava pouco para chegar, enquanto Reji continuava dirigindo sem responder a provocação da baixinha, irritado.
— Que horas o nii-sama chega? – perguntou Rukia, que não gostava de ficar naquele silêncio.
— Não sei direito... Talvez pela noite, por quê?
— Preciso falar com ele, sobre negócios. – disse ficando meio rubra. Seria a primeira conversa que Rukia terá com Byakuya sobre negócios, o que a deixava feliz, pois admirava bastante seu nii-sama.
— Você? Falando sobre negócios com Byakuya? Você cresceu e eu não percebi? – disse com um sorriso de deboche no rosto que logo deu espaço a uma feição de dor após a cotovelada da pequena. — Ei! Não se esqueça de que eu estou dirigindo!
— Então não me chame de baixinha!
— Argh! Você não tem jeito... – disse já estacionando o carro em frente ao portão da faculdade. — Quer que eu te espere?
— Se você quiser ficar esperando mais de oito horas, por mim, tudo bem. – disse saindo do carro.
— Está bem, já entendi. – Renji logo deu a partida.
...
Era sete e dez, quando Kurosaki Ichigo chegou ao hospital. Parecia meio aborrecido, não gostou nada do fato de Rukia ter “trocado” ele pelo tatuado. “Pela cara não me pareceu boa pessoa.” foi o que Ichigo pensou. Estava bastante preocupado com sua assistente, ou será que essa preocupação era outra coisa? Só de pensar o ruivinho repreendia-se. Tinha uma namorada, que apesar de nos últimos dias se comportar de um modo que ele particularmente detestava, continuava sendo sua namorada. Além do que, mal conhecia Rukia. Concluiu então que era apenas uma preocupação com a morena, ficou tocado com sua história que lembrava também a de uma outra menina. Ichigo estava tão pensativo que nem percebeu a presença de sua prima que o chamava.
— Ichigo! – gritou a jovem de mechas esverdeadas, balançando o primo pelos ombros.
— Nell?
— A sua namorada irritante é que não é. – disse tentando provocá-lo, o que não deu certo. —Que cara é essa?
— É a minha, não está vendo? – disse aborrecido, enquanto sua prima fitava-o preocupada.
— Precisamos conversar... Vamos até a minha sala! – ordenou em um tom sério, o que fez Ichigo a fitar surpreso.
Chegando à sala, Nell sentou-se em sua cadeira, que na verdade era uma poltrona acolchoada de cor marrom, e Ichigo sentou-se numa espécie de sofá-cama em que os pacientes de Nell ficavam deitados. Nell era a única psicóloga daquele grande hospital, como boa psicóloga era difícil esconderam alguma coisa dela, e Ichigo sabia muito bem disso.
— Está assim por causa da conversa que vocês tiveram? – perguntou referindo-se a Ichigo e sua assistente.
— Não tivemos conversa nenhuma. – disse fitando o chão, não tinha coragem em olhar pra sua prima, sabia que devia ter a deixado contar, mas naquele momento achou que ela apenas se sentia pressionada. Não queria que acontecesse o mesmo que há dois anos atrás.
— Como assim? Deixei os dois a sós justamente para terem uma conversa.
— Eu sei, mas não teve.
— Por acaso ela não quis falar?
— Na verdade..., eu não a deixei falar. – respondeu encarando sua prima.
— Por quê? – questionou sem entender. Ichigo era médico e como ele mesmo havia dito a ela naquela manhã, ele já havia presenciado muito esse tipo de situação.
— Nem eu mesmo compreendo. – mentiu. Ichigo sabia muito bem o motivo de ter feito aquilo, mas Nell não sabia do caso de sua ex-paciente. Na verdade quase ninguém sabia, apenas Toushirou, seu pai e Inoue sabiam.
...
— Kuchiki-san! – exclamou um certo rapaz de cabelos azulados, ajeitando os óculos como de costume, ao ver a morena pelo imenso corredor daquele prédio.
— Ishida. – disse Rukia sorridente ao ver seu grande amigo Ishida Uryuu.
— Está atrasada. – apontou para seu relógio de pulso, ainda distante da pequena.
— Eu sei, Renji é meio lerdo dirigindo. – explicou-se já perto do amigo.
— Então ele voltou. – disse não gostando muito da notícia. Renji e Uryuu nunca se deram muito bem, sempre foram rivais principalmente quando se trata de garotas.
— Não se preocupe, pelo que tudo indica, ele não está mais interessado na Nemu.
— Como se isso me preocupa-se. – disse fazendo a pequena Kuchiki rir. — Mas então, quem é a vítima?
— Tatsuki, eu acho que é esse o nome. Ele a conheceu nos “States”.
— Uma americana, aposto que é peituda.
— Não, ela é japonesa, parece que só mora por lá. Quanto se é peituda, eu não sei.
— Deve ser bonita, afinal ele se encantou pela minha Nemu. – disse com os olhinhos brilhando enquanto pronunciava o nome da amada.
— Essa sua convivência com o Keigo não está te fazendo bem.
— Vamos logo pra sala, antes que levemos alguma advertência. – disse ignorando o último comentário da amiga.
...
— E então, o que aconteceu com o Kurosaki-kun? – perguntou Matsumoto que estava debruçada sobre o balcão a Nell que passava naquele instante.
— Bem que eu queria saber... – suspirou pesadamente ficando de frente a ruiva.
— Pelo visto você está bastante preocupada.
— É estou. E você..., como estão as coisas? – perguntou se referindo ao casamento da ruiva com o empresário Ichimaru Gin.
— Se está perguntando do Gin não tenho muita coisa a falar. – disse com um semblante tristonho.
— Continuam se desentendendo? – perguntou fitando a ruiva que assentiu.
— Nosso relacionamento não está indo tão bem, na verdade já nem sei se temos alguma coisa.
Matsumoto estava bastante pessimista quanto ao seu relacionamento com o empresário Ichimaru Gin. Já estava há bastante tempo juntos e sentia que aquele encanto que tinham no começo já não era mais o mesmo, o que a deixava bastante chateada.
— Nell, você sabe se o Ichigo já chegou?- perguntou Hitsugaya, um jovem cirurgião, que apesar da cor dos cabelos, tinha uma aparência bem jovem, além de encantar as enfermeiras do hospital com seus olhos verdes como a esmeralda.
— Sim, ele está na sala dele. – respondeu percebendo que ele estava com a feição parecida com a de seu primo quando chegou no hospital.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntou a ruiva que também percebeu algo errado.
— O segundo cirurgião ainda não veio e eu preciso de um ajudante urgente.
— Acho que o Ichigo não está bem para fazer uma cirurgia. — disse Nell lembrando-se do ocorrido de ontem à noite.
— O que ele tem? – perguntou preocupado, Toushirou sempre fora um grande amigo de Ichigo, desde os tempos da faculdade.
— Problemas pessoais, depois ele te conta. – respondeu não querendo dar muito detalhes já que Matsumoto era muito amiga de Inoue.
— Se quiser eu posso ligar para o Ulquiorra vir mais cedo. – disse Matsumoto procurando a agenda telefônica em seu computador.
— Faça isso, diga a ele que a cirurgia é daqui há uma hora. – disse se retirando.
— Pela sua cara... Ainda está bastante preocupada. – disse a ruiva ainda fitando a tela do computador.
— E estou, mas mudando de assunto... A sua amiga ainda não passou por aqui. – comentou se referindo a Orihime.
— Verdade..., liguei para ela ontem à noite e ela parecia um pouco triste.
— Acho melhor você fazer uma visita a ela.
— Você se preocupando com a Inoue? – Matsumoto estava surpresa e ao mesmo tempo divertida.
— Pois é... Eu devo estar naqueles dias. – disse pousando as mãos na testa como sinal de auto reprovação provocando uma risada da ruiva.
— Finalmente achei o número do Ulquiorra! – exclamou fitando vitoriosa a tela do computador.
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