Aprendendo a Amar
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Enfim, tagarelei demais, mil desculpas pela MEGA MEGA MEGA demora. Só posso desejar agora que tenham uma Boa Leitura!
Saía da sala de cirurgia com um notório sorriso de satisfação, a mesma tinha sido um sucesso. Ulquiorra estava a sua frente encostado na parede e o encarava com sua costumeira expressão séria. Era difícil tirar qualquer outro tipo de expressão do branquelo.
— Desculpe ter te tirado da cama, mas não tínhamos outro cirurgião disponível.
Ele não respondera nada, e aquilo de certa forma irritara o mais novo. Decidiu deixa-lo no corredor sozinho e seguiu em direção ao setor de atendimento. Ali era um ótimo lugar para procurar pelos outros médicos da casa. E estava à procura de Urahara que não fora encontrado mais cedo em sua sala. Precisava noticia-lo sobre a quantidade insatisfatória de cirurgiões no hospital. Ele era um dos poucos que estava ali apenas para fazer cirurgias. Ichigo era um clinico geral, Urahara e Isshin eram donos do hospital e sempre ficavam ocupados com fatores internos. A última que ficara sabendo foi sobre o estoque de remédios, e parece que já estava quase resolvida.
— Matsumoto! – chamou ao chegar ao balcão.
A loira estava ao telefone com uma aparência tristonha quando fora interrompida pelo seu colega de trabalho.
— Sim... – a feição estava avermelhada e ela tentava não desabar na frente do amigo.
— Estava chorando? – indagou ao ver a mesma virar-se de costas e encerrando a conversa ao telefone.
— Não... Imagina se eu ficaria chorando... Acho que é alguma alergia. – respondeu limpando os olhos com a mão.
— Ann... É melhor procurar um médico, antes que piore. – recomendou mesmo notando que sua amiga estava mentindo, conhecia-a há bastante tempo para saber que estava mentido e também o porquê estava chorando. — Sabe se o Urahara já chegou?
— Não, ele ainda não passou por aqui. Mas o Isshin está na sala dele.
— A conversa é só com o Urahara mesmo. – mentiu, poderia falar com Isshin a respeito, mas conhecia muito bem seu padrinho e o jeito aparvalhado dele o irritava. — Bem vou indo, trate de procurar um médico, ou então procure uma amiga pra desabafar. – e logo se retirou deixando sua amiga um pouco surpresa.
...
Estava distraído quando escutou algumas batidas em sua porta, sabia que não se tratava de sua prima Nell, que não possuía esse tipo de educação, e deu permissão para entrar. Era seu grande amigo Hitsugaya que não parecia estar com a expressão melhor que a dele.
— Você parece mal. – comentou o menor sentando na cadeira onde os pacientes costumavam ficar.
— E você está ótimo. – ironizou. — Qual é o problema?
— O mesmo de sempre. – respondeu e Ichigo o encarou compreensível.
— Vou ter uma conversa com o velho a respeito.
Ichigo sabia sobre as reclamações do amigo sobre a quantidade insuficiente de cirurgiões que havia, principalmente pelo turno da manhã.
— E qual é o seu problema? – indagou preocupado.
— O de sempre. – repetiu a resposta do amigo, apesar do mesmo não compreender.
— Fiquei sabendo que você tá tendo uns problemas com a sua namorada...
— Não é isso, apesar de ela ter me dado bastante dor de cabeça ultimamente. Estou falando da Senna.
Toushirou o encarou surpreso. Sabia que seu amigo ainda se culpava pelo que aconteceu com sua ex-paciente, mas agora parecia que ele estava perturbado novamente por aquele fantasma. O mais novo resolveu não dizer nada, sabia que lhe falar palavras de acalanto não iria ajuda-lo em nada. Seu amigo estava cansado de ouvir de seu pai, dele e de sua namorada Inoue que ele não tinha culpa nenhuma do ocorrido. Mas só dependia dele acreditar naquilo.
— Eu sei que já faz um certo tempo... – principiou tirando o menor de seus devaneios. — Mas com a Rukia... Parece que tudo voltou novamente.
— Rukia? – perguntou não reconhecendo o nome.
— Minha nova assistente.
— Ah! Já a vi pelos corredores, mas o que ela tem a ver com isso?
Como explicar ao seu amigo sem falar sobre o que aconteceu com a pequena Kuchiki? Confiava muito em Toushirou, era seu amigo de infância, porém não se sentia confortável em ficar falando sobre a vida de outra pessoa. Ainda mais se tratando de algo tão pessoal. Resolveu então disfarçar dizendo apenas que citou o nome da menina por engano.
— Sei lá, acho que estava pensando nela e acabei falando seu nome. – justificou-se ao ser indagado do motivo de ter se enganado.
Toushirou sorriu de canto. Era apenas impressão sua ou seu melhor amigo realmente estava apaixonado?
— Quer dizer que tem medo de se apaixonar novamente?
— Do que você está... Por acaso acha que eu estou apaixonado pela Rukia?
— Por que mais você ficaria pensando nela? E ainda mais associando sua nova assistente com sua ex-paciente.
— Eu não estou apaixonado pela Rukia, eu mal a conheço...
— Matsumoto já me falou sobre uma certa paixão a primeira vista, quem sabe você não se enquadra nesse caso.
— Até você fica ouvindo as baboseiras da Matsumoto. – resmungou levantando-se, aquela conversa já estava o incomodando. — Eu queria muito te dizer o que está acontecendo, mas a vida não é minha... Digamos que eu esteja preocupado com ela, mas não, não estou apaixonado.
— Então é algo sério? – preocupou-se com assentimento de Ichigo. — Mas é algo que te fez lembrar-se da Senna?
— Sim.
— Se a Rukia estivesse doente ela provavelmente estaria se consultando conosco ou se tratando... A única coisa que me sobrou pensar foi... Mas como você saberia disso Ichigo? A Rukia, ela sofreu abuso?
...
Mais uma aula havia acabado e ela tinha um intervalo de cinco minutos antes que a próxima começasse. Caminhou até o corredor a cabinho de um bebedouro próximo e esbarrou-se em seu amigo Uryuu Ishida.
— Não vai assistir a última aula? – indagou ao notar seu amigo com a mochila.
— Não está sabendo? Ukitake-sama está no hospital e o coordenador resolveu nos liberar.
— Que hospital? – questionou já preocupada.
— No que você está estagiando. Ele está lá desde a noite de ontem, pensei que você sabia.
— Não eu não sabia... Estou indo pra lá, até. – despediu-se praticamente correndo até a saída.
Sempre teve uma grande admiração por Ukitake, desde antes o mesmo tornar-se seu professor. O conheceu quando ele dava aulas para seu irmão Byakuya e o deixava até sua casa. Seu irmão como sempre educado e bastante grato quando as pessoas o ajudavam, convidava-o para almoçar em sua casa e assim Ukitake passava suas tardes disponíveis junto com os irmãos Kuchiki.
E foi em uma dessas tardes que os irmãos descobriram sobre o estado de saúde do taichou, como eles costumavam o chamar. Ukitake-sama possuía a saúde frágil e se adoentava facilmente. Os médicos nunca descobriram a causa de sua baixa imunidade.
— Renji. – disse assim que seu amigo atendera a ligação. — Espero que esteja aqui perto, preciso de uma carona.
...
— Só não entendi o que ela estava fazendo em seu apartamento. – comentou após ouvir toda a estória de seu amigo.
— Mas eu já disse, ela dormiu no meu carro e eu não sabia onde morava.
— Você poderia tê-la acordado e perguntado.
Ichigo ficara desconcertado, realmente poderia ter feito isso e nem ao menos tentou, na verdade aquilo nem passou pela sua cabeça.
— Ok! Mas esse não é o ponto da nossa conversa...
— E qual seria? – indagou ao ver a preocupação no rosto do amigo. — Não, Ichigo, realmente foi muito triste o que aconteceu com ela, mas é passado. Ela está fazendo faculdade, faz estágio, ela está seguindo com sua vida. E você também estava não é? Não vai empacar agora com uma estória que não lhe pertence.
— Eu vi como ela estava frágil, assustada...
— Ichigo pare com isso. Está fazendo de novo, está projetando o sofrimento da Senna na pobre da Rukia.
— As duas passaram pela mesma coisa...
— Não, você não sabe o que aconteceu com a sua assistente. Por que não conversa com ela? Ela queria te dizer, não era? Então...
— Melhor não, ela precisa de um tempo...
— Tudo bem, Kurosaki. – disse sentindo-se derrotado pela fragilidade do amigo. — Eu já vou indo, nós dois temos trabalho a fazer.
...
A pequena Kuchiki andava pelos corredores do hospital com a feição preocupada. A atendente Matsumoto havia lhe falado que o paciente encontrava-se no setor de internação, fato que preocupou bastante Rukia. Assim que chegou, encontrou seu professor recebendo medicação na veia. Apesar de sua frágil situação, Ukitake-sama parecia bastante sereno e despreocupado. Conversava com a enfermeira quando Rukia entrara no quarto.
— Kuchiki-san é muito bom vê-la.
— Gomem Ukitake-sama, eu não sabia que você havia sido internado ontem à noite... Se eu soubesse...
— Pare de se desculpar, Kuchiki. Como está? Conte-me... Está gostando do estágio?
— Ah! Sim... Eu fico no setor do Ambulatório daqui do segundo andar, sou assistente do clinico geral, Ichigo. – envergonhara-se por notar que chamara seu chefe pelo primeiro nome.
— O filho de Isshin. Está aprendendo muito?
— Ainda só estou observando, mas em breve o Kurosaki-san disse que eu posso assistir a um procedimento cirúrgico.
— Pelos seus olhos brilhando deu pra perceber que você gostaria de ser cirurgiã.
— Sim, mas professor, estamos falando muito de mim. Como você está?
...
Era a quinta vez que ligava e caia na caixa postal. Ou Inoue Orihime estava bastante ocupada ou ela estava em casa chorando deitada na cama como costumava fazer quando estava deprimida. Resolveu ligar para a escola onde a amiga trabalhava e teve a resposta que já esperava. Inoue não havia ido trabalhar. Era o jeito a Rangiku visitar sua amiga.
...
Já fazia meia hora que a Kuchiki havia se despedido de seu professor. Era impressionante como o humor do ambiente mudara drasticamente desde que chegara à clínica e avistara o jovem Kurosaki. Ele mal falava com ela, só lhe dizia o básico, apenas assuntos do trabalho.
— Posso chamar o próximo? – indagou ao entrar na sala.
— Sim... Rukia. – chamou assim que ela fez menção em se retirar. — Quantos pacientes estão esperando?
— Esse é o último. – respondeu e se retirou.
Ela estava irritada, irritada com ela mesma por achar que ele a ouviria. Ainda não entendia a reação dele em não querer ouvir o que aconteceu com ela. O normal seria ela não querer falar, mas aquilo já tinha acontecido há tanto tempo. Não que tenha superado totalmente, ontem mesmo ela se viu apavorada em imaginar que aquilo poderia ter acontecido novamente. E por um momento pensara que Ichigo fosse... Ele é tão parecido com ele, se não fosse pela cor dos cabelos, Ichigo era extremamente parecido com seu ex-namorado.
— Pensei que tinha dito que era o último. – disse enquanto trancava a porta de sua sala.
— E era.
— Então, por que você não foi logo almoçar? – perguntou aparentemente desconfortável.
— Eu estava te esperando.
— Eu não vou almoçar hoje aqui, vou pra casa...
— Ichigo, por que você está me evitando?
— E-eu não estou te evitando.
— Você não está? Então por que mal fala comigo?
— Hoje tivemos muito pacientes não podíamos perder tempo com papo furado.
— E agora você resolveu almoçar em casa? Você estava normal comigo hoje de manhã, queria até me dar carona até a faculdade, então porque isso agora?
— Não tem... – fora interrompido pelo toque de celular da Kuchiki.
— Oi Renji... Quando?
Ao ouvir o nome do ruivo que conhecera pela manhã, Ichigo partira irritado sem ao menos se despedir deixando a pequena Kuchiki cheia de duvidas com relação a reação do Kurosaki.
...
Matsumoto resolveu aproveitar sua hora de almoço para visitar sua amiga Orihime. O lugar onde morava não ficava longe, apenas andava-se duas quadras para chegar ao prédio de três andares que mais parecia uma republica. Não só pela aparência como também pela quantidade de jovens que moravam lá. A Rangiku esbarrara-se em um dos garotos que aparentava ter apenas dezoito anos antes de chegar até a porta da ruivinha.
— Matsumoto?
Quem atendera a porta fora uma jovem que parecia-se muito com sua amiga, tinha o mesmo cabelo, a mesma cor dos olhos, a mesma altura, porém os olhos estavam inchados e vermelhos, o cabelo desarrumado. E a garota da porta não tinha o que pertencia a sua melhor amiga, um alegre sorriso.
— Vim visitar minha amiga e olha o que eu trouxe. – comentou mostrando um saco de marshmallows.
Orihime sorriu, mas não pode evitar em deixar algumas lágrimas caírem de seus olhos. Matsumoto era sua melhor amiga e sabia que podia contar sempre com ela. Mesmo que esteja passando por algumas dificuldades em seu casamento, lá estava ela se preocupando com a ruivinha.
Matsumoto abraçou sua amiga antes de entrar, sabia do que ela precisava, sempre sabia. As duas amigas seguiram em direção ao quarto da menor e ficaram a tagarelar sobre futilidades enquanto se deliciavam com os marshmallows. Inoue parecia mais contente e a loira sorriu ao perceber que conseguira ajudar sua amiga.
— E então faltou o trabalho pra comer marshmallows com a amiga aqui foi?
— Claro, sabia que você viria. – disse mastigando um suculento marshmallow.
— Mas então, o que aconteceu?
— As dicas que você me deu não parecem funcionar. Nem a meiga Orihime ou a sexy Inoue consegue conquistar o Kurosaki-kun.
— Deixa disso amiga, não se pode desistir tão fácil. Uma hora...
— Não, não Matsu-chan! – elevou a voz a interrompendo. — A verdade é que o Kurosaki-kun não me ama e nunca vai me amar do mesmo modo que eu o amo. Eu tentei me iludir, fechar os olhos, mas essa é a verdade. E o pior é que eu me sinto perdida mantendo esse sentimento solitário... O que... O que eu faço, Matsu-chan?
Rangiku a encarou surpresa. Era a primeira vez que via sua amiga tão perdida como ela estava. Era normal ela estar exausta depois de anos ficar se sacrificando por uma relação que mais parecia um monólogo. Via sempre a amiga tentar, tentar e tentar algo para agrada-lo, para receber o amor que tanto merecia, mas nunca tivera uma resposta. Ichigo nunca fizera algum esforço, nem ao menos para entendê-la. Quando deu as dicas para sua amiga sabia que aquilo não ajudaria a conquista-lo. Só queria que ela chamasse a atenção dele e mostrar que havia algo errado ali, mas ele preferiu ignorar o fato, provavelmente julgando do que tentando compreende-la. Ela estava certa, sabia que Ichigo amava Inoue, mas como amiga, nunca a viu como mulher. Era um desperdício continuar com aquela relação.
— Termine com ele. – foi a única solução que a loira achara.
Notas finais
Beijos :*
@Cacalchan
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