Aprendemos a viver sem vocês

8 Vou lhe dizer o que vai fazer - Laxus Dreyar


Notas iniciais
Bem pessoal, aqui estou eu novamente, desculpa ter demorado para postar, mas consegui terminar este capitulo. Quero agradecer a Sora Kin por comentar, e a LadyMidnight por comentarem. Valeu pessoal.

Laxus tinha uma teoria sobre momentos. Para ele existia momentos que não podiam ser esquecidos, e ele os chamava de Momentos de Impacto. Momentos que ficavam gravados na memoria e jamais poderiam ser esquecidos, momentos tão únicos que sempre se faziam lembrar, por pequenos gestos e poucas palavras.

Existem momentos bons e ruins, momentos que você jamais se daria ao luxo de se esquecer. Momentos que nem mesmo uma maquina do tempo podem mudar, nem mesmo os desejos mais profundos podem apagar. Apenas momentos.

E um desses momentos de impacto para Laxus foi à morte de seu avô. Lembrava-se de como era tocar suas mãos frias enquanto o via imóvel no caixão, mas sorria ao lembrar-se de suas palavras para si.

Flashback on

Ele estava sentado ao lado do leito da enfermaria fazia alguns minutos, e também não fazia muito tempo que Lisanna e Wendy saíram da sala para dar a noticia, noticia esta que abalava o coração de pedra do loiro. Olhou para seu avô, sentiu as mãos tremulas tocarem o pequeno corpo do homem e não impediu mais que lágrimas escorressem por seus olhos azuis.

O mais velho levantou a cabeça e olhou seu neto com tristeza nos olhos – Não chore Laxus – ele pediu com a voz fraca, fazendo mais soluços preencherem o ambiente hospitalar – Não gosto de te ver assim, ainda mais por um velho decrepito como eu – palavras duras saíram da boca de Makarov.

– Ji-chan – quase gritou o loiro mais novo enquanto tentava enxugar suas lágrimas cristalinas – Não fale um absurdo desses – exigiu o homem em prantos. Ele não se importava com o que os outros iam pensar de si, não se importava se lhe chamassem de fraco ou coisas do tipo. Seu avô estava morrendo, aquele que lhe criara como um pai verdadeiro estava morrendo.

– Olha só como você cresceu – falou o velho senhor enquanto passava a mão pelos cabelos curtos de seu neto – Quem diria que um dia eu veria o tão incrível Laxus chorar abertamente, está parecendo uma criança – mais uma vez fora duro com o loiro, fazendo este se irritar. Aquele não era um momento para coisas do tipo, e por que justamente agora o velho resolvia ser duro com o neto?

– Já chega de brincadeiras – ofendeu-se o mais novo – Não percebe que você está morrendo? – ele disse as palavras sem pensar, mas logo se arrependeu. Por que diabos Laxus havia dito isso? Nem ele mesmo sabia responder, mas ao ver a cara triste do velho deixou mais lágrimas e soluços escaparem por seus lábios – Eu não quis... – não conseguiu terminar a frase e já era consumido por espasmos pelo corpo, e tremores por todo ele. Laxus estava se deixando levar pela dor.

– Meu neto, eu sei que estou morrendo – as palavras chamaram a atenção do loiro que olhou fixamente para seu avô – Mas não quero que tenha uma ultima lembrança tão ridícula de mim – e pela primeira vez desde que descobrira sua doença, Makarov Dreyar chorou compulsivamente, fazendo o pequeno corpo balançar e logo foi preenchido por tosses longas.

– Não precisa fazer esforço velhote – falou Laxus tentando colocar seu avô deitado direito. O mais novo pensou com calma nas palavras do avô “Mas não quero que tenha uma ultima lembrança tão ridícula de mim”, fingiu que as palavras não o afetaram, mas como negar aquilo que estava tão na cara?

– Meu neto – mais uma vez Makarov chamou a atenção de Laxus para si – Não tem ideia do quanto eu queria ficar aqui para te ver tomar juízo – lágrimas complementavam as palavras dolorosas do velho – O quanto eu queria te ver ter um filho com Lisanna – depois de tais palavras o velho soltou uma leve risada ao ver o rosto de seu neto corado – Não pense que não percebo as coisas, até mesmo antes de ficar doente já tinha percebido – ele falou zombeteiramente, arrancando risos de ambos – Quero que seja muito feliz com ela.

O mais novo fechou os olhos e suspirou, sentia-se feliz pelo velho ter descoberto – Está tão na cara? – perguntou o obvio e teve sua resposta através dos risos de seu avô – Sabe Ji-chan, você sempre viu mais a fundo nossas relações. Você sabia que Lucy e Gajeel se sentiriam bem com o casamento arranjado, antes mesmo que eles ou qualquer outro imaginasse isso – ele falou com um sorriso bobo e agora olhando para o teto, como se pudesse imaginar a cena de seu casal de amigos rindo juntos – Então assim eu passo a acreditar com maior convicção no meu rolo com a Lis.

– Rolo? – perguntou incrédulo o velhinho – Não deixe ela te ouvir rapaz, se não você não terá filhos nem com ela e nem com ninguém – o sentido implícito na frase não demorou a ser percebido por Laxus, que logo colocou a mão em seu membro já sentindo a dor de lhe ser tirado – Quero ter muitos netos, então nunca mais solte essa palavra perto da albina – falou severamente o grisalho.

– Como desejar velhote – sussurrou o mais novo pensativo. Ele ficou imaginando o que faria dali em diante, com quem teria suas conversas taradas? E mais uma vez a dor lhe atingiu o peito assombrosamente, como se estivesse perfurando seu coração lentamente – Diga-me Ji-chan, o que vou fazer de agora em diante? – perguntou com medo estampado.

– Eu vou dizer o que você vai fazer – falou o velhinho enquanto enxugava as lágrimas do neto – Você vai tomar juízo, ira ajudar Gildarts a cuidar da guilda, daqui alguns anos ira casar-se com Lisanna e terá dois filhos com ela. Uma menina e um menino. A menina vai se chamar Yumi, e o menino você dará o meu nome para ele. – ele riu de sua própria piada junto do neto, não era todo dia que alguém exigia que outro desse seu nome ao seu filho – Depois você se tornara um velho, cabeça dura, e herdara a guilda junto com a Lucy, e ambos vão guiar a guilda á gloria e felicidade, como todos os outros mestres fizeram.

E aquilo não acabava por ali, ele ainda tinha muito que dizer aquele pirralho – Você brigara com aquela loira muitas de vezes até se acertarem, você brigara com os filhos dela e nunca ira negar um duelo com os jovens Igneel e Matt. Ensinara aos seus filhos a sua magia e lhes tornara grandes magos, ficara com ciúmes ao ver sua filha sair para o primeiro encontro – mais risos contidos, porém verdadeiros – E por fim, terá a vida que merece ter e morrera de velho enquanto dorme, ao lado de sua esposa, a quem amou do fundo de sua alma.

Ambos choraram mais diante ao final. Para Laxus este parecia um final impossível, diante a tantas coisas que teria de enfrentar em seu futuro, mas não quis dizer isso ao velho senhor que já respirava ofegante – Arigato Ji-chan – o homem disse pensando no quanto aquele homem lhe fora importante. Makarov não era apenas seu avô. Não, ele era muito mais que isso.

Makarov Dreyar, a quem Laxus olhava agora, já muito debilitado por sua doença, era seu maior herói. Ele era um homem que valia a pena confiar, um homem que arriscou sua vida para proteger aqueles que com orgulho chamava de filhos, um homem que todos os outros querem ser. O velhinho não podia ter um final tão ridículo, sendo vencido por uma mera doença, que fora lhe consumindo por dentro até já não restar mais nada, apenas àquela triste figura de pele e ossos a sua frente.

– Laxus – ele chamou mais uma vez – Tenho orgulho em tê-lo como neto – as palavras foram um alivio para a figura alta do loiro que mais uma vez chorou – Seu pai cometeu muitos enganos na vida, caminhou por estradas escuras e desertas, mas eu não me arrependo em chama-lo de filho – aquilo chamou a atenção do loiro – Ele me deu o meu maior orgulho, você – e depois de tais palavras o loiro chorou mais ainda enquanto era consolado por seu avô.

Só acabou com este triste momento quando a loira de olhos chocolates entrou na enfermaria e tocou o braço do mais novo, fazendo com que Laxus se despedisse de seu avô apenas com o olhar.

Flashback off

Laxus passou a mão pela cabeça tentando tirar os pensamentos que povoavam sua mente há dias. Pelo menos boa parte das previsões de seu avô haviam se tornado realidade, e teve maior certeza disso quando se sentou na poltrona perto da cama da filha, onde ela tirava seu sono da tarde.

Ele olhou bobo para a pequena, sem ela e sua esposa Laxus não sabia o que seria de sua vida. Ouviu a menina resmungar algo enquanto dormia e se aproximou ainda mais da pequena cama para ouvir com clareza.

– Papa, mama eu amo vocês – palavras de uma pequena criança, mas que tinham um efeito enorme no coração daquele pai coruja. Ele amava tanto a filha que daria sua vida para vê-la sorrindo, mesmo que fosse com um garoto ao seu lado. Só de imaginar o loiro já teve arrepios pelo corpo, não ele nunca deixaria um homem passar as mãos sujas em sua garotinha.

Foi tirado de seus pensamentos ao ouvir um barulho alto da porta sendo aberta a força. O homem se levantou apressado, sabia que sua esposa estava trabalhando, e logo imaginou o pior, mas ao descer suas escadas acabou constatando que eram apenas Lucy e Gajeel. Ambos suavam ofegantes e tinham ambos os olhos arregalados em descrença.

– O que aconteceu? – perguntou o loiro de imediato para ambos. Tomara que eles tivessem um bom motivo para quebrar a porta da casa de Laxus – Quem lhes deu permissão para entrar na minha casa assim e quebrar minha porta? – perguntou raivoso.

– Eu – Lucy falou enquanto colocava a mão no ombro do colega – Batemos varias vezes e você não veio atender, não tínhamos tempo para esperar – falou ela aflita enquanto balançava o loiro – O que diabos deu em você? Estamos te procurando à uma hora, não tem ideia do que descobri – a loira parecia desesperada.

– O que aconteceu? – o loiro perguntou em choque e espanto. Foram poucas às vezes em que vira Lucy tão aflita com algo, e atrás dela também estava um Gajeel em estado de choque, fazendo o mais velho se preocupar muito – Falem logo – perguntou impaciente Laxus, que já não suportava o clima estranho.

– Arrume suas coisas, já falei com Lisanna, partiremos em alguns minutos – curta e rápida, esse era o estilo da loira – Descobri que Gildarts está caminhando em direção a morte, e como magos da Fairy Tail e futuros mestres, não podemos deixar que ele manche o orgulho de nossa guilda.

Laxus compreendeu que Lucy fazia aquilo mais por medo de perder um companheiro do que pelo orgulho da guilda, para ela isso nunca importara, mas entendia que se não fosse por esse motivo que irão atrás de seu mestre, ele não deixaria que eles o ajudassem, era demasiado orgulhoso para isso. Laxus correu para o segundo andar e arrumou a mala, avisou para a babá que cuidasse de sua filha e partiu junto dos companheiros e de seus exceeds que a pouco haviam voltado de missão.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado do capitulo, eu chorei ao escrever a parte com o Makarov. Beijinhos pessoal, até o próximo domingo.