Aprendemos a viver sem vocês

7 Reencontro Doloroso - Gildarts Clive


Notas iniciais
Bem pessoal, como prometido aqui está o segundo capitulo do dia. Quero agradecer a LadyMidnight por comentar. Espero que gostem dele e apreciem o retorno da imagem de alguns magos queridos.

Gildarts despertou sentindo uma terrível dor em sua nuca, ainda não abrira os olhos, porém sabia que tinha alguém muito próximo a si, devido a sua respiração pesada perto de seu ouvido. O homem sentiu algo macio sob sua cabeça e uma mão passando por seus cabelos e os acariciando. Era uma sensação tão boa que não queria acabar com ela, mas se lembrou do que o fizera parar ali.

Abriu os olhos, mas não tardou a fecha-los novamente. A luz do lugar podia ser fraca, mas já era o suficiente para agredir os olhos do homem. Ele tentou mais uma vez abrir os olhos, agora com mais cuidado que antes, e quando finalmente conseguiu avistou uma mulher de longos cabelos castanhos olhando para si.

Os olhos violeta estavam opacos, mas o homem pode ver que ela estava feliz. Acabou por constatar que era ela quem lhe acariciava os cabelos com carinho, porém não sabia quem era a mulher. Isso até olhar mais atentamente para ela.

Aqueles cabelos castanhos lhe eram tão familiares que se sentia em casa perto da mulher. Os olhos violeta lhe eram acolhedores mesmo que não tivessem tanto brilho e seu rosto possuía varias cicatrizes espalhadas por ele, o que fez o homem se preocupar com a mulher mesmo sem saber quem ela era.

Ele sentiu a outra mão da mulher pegar na sua e apertar firme, como se lhe desse coragem, alguns segundos depois Gildarts viu a mulher sorrir. Aquele sorriso foi o que bastou para que o grisalho identificasse quem era mulher a sua frente.

– K-Kana? – ele perguntou assustado. Não via sua amada filha há 16 anos, mas nunca imaginou que ela pudesse mudar tanto. Ela sorriu em resposta e logo abraçou o pai o qual sentira tanta falta nos anos que se passou – Como você mudou Kana – ele disse em meio ao abraço.

– Também senti sua falta pai – ela disse. Sua voz estava um pouco mais madura, o que fez Gildarts refletir sobre o quanto perdera da vida da filha – Não tem ideia do quanto estive preocupada com você – ela disse suavemente – O que aconteceu com você e como veio parar aqui? – as perguntas alarmaram o homem que rapidamente se levantou.

Olhando a sua volta percebeu estar em uma cela, mas o que realmente o assustou foi ver muitas outras pessoas ali, e para alarma-lo ainda mais conhecia a todos, mesmo que estivessem tão diferentes pelo tempo que se passou. Ao seu lado esquerdo estava um trio muito conhecido por ele.

Evergreen estava sentada no meio de Bickslow e Freed, os cabelos completamente bagunçados e muito mais compridos que um dia fora, os óculos estavam levemente quebrados e a marca da Fairy Tail quase desaparecia devido a varias cicatrizes no local.

Bickslow perdera a mascara e seus cabelos também estavam à mostra, mais compridos batendo no ombro do homem, porém continuavam rebeldes como sempre. O grisalho percebeu que uma de suas mãos fora amputada.

Freed não mudara muito, mantinha os cabelos compridos porem seus braços estavam repletos de cicatrizes.

Virou-se em um pouco e seus olhos se encontraram com os de Juvia, que mesmo estando opacos e sem vida, eram tão lindos quanto à agua. A mulher tinha milhares de cicatrizes pelas esbeltas pernas torneadas, e também já estava muito mais magra. Provavelmente demoraria a andar.

Virou-se mais um pouco e avistou Mirajane de cabeça baixa ao lado de seu irmão Elfman, ambos ainda mantinham-se normais, como se nada tivesse realmente acontecido, porém pelo rosto de ambos Gildarts soube que estavam sentindo muita dor.

Um pouco mais ao lado deles estava Natsu sentado sozinho. Natsu estava com os cabelos agora muito mais compridos, adquirira uma barba fina. Seu olho esquerdo havia sido cortado, deixando uma cicatriz sobre ele, que provavelmente impedia o rosado de ver pelo mesmo.

Ao lado deles se encontrava Levy, que aparentava não ter mudado muito, mas sua expressão perdida mostrava o contrario. Ela olhava diretamente para Gildarts, mas era como se não tivesse nada no lugar dele, como se ela olhasse para o nada.

E assim por diante foram se seguindo mais alguns membros da guilda que estavam seriamente feridos, deixando Gildarts pasmo com tudo que via. Ele voltou sua atenção para a filha e a puxou para si e lhe abraçou com força.

– Por todos esses anos eles vêm lhes torturando? – o mais velho perguntou com a voz firme, vendo todos os outros assentirem – Malditos – disse ele em raiva. Percebeu que Natsu se levantara com dificuldade e vinha em sua direção com dificuldade.

– Gildarts, a Lucy está bem e meu filho? – ele perguntou no que mais pareceu uma suplica muda por resposta. Aquela foi a primeira vez que o grisalho percebeu que a maior dor que eles sentiram em tantos anos foi a do branco. Tentou imaginar a situação deles, sem saber se aqueles que amavam tinham fugido dos problemas que afligiam a eles.

– Eles estão bem Natsu – falou o mais velho. Ele pensou em falar mais alguma coisa, porém foi atrapalhado pelo barulho de Levy se levantando e pulando nele, seus olhos continham um brilho desesperado.

– Diga-me que eles não machucaram o Metallicana, diga que meu filho está bem – ela exigiu as resposta, só teve tempo de ver o aceno positivo do mais velho e caiu desacordada. Atrás da pequena mulher estava Natsu com a mão levantada, ele já conhecia perfeitamente os ataques de sua colega, e não queria ter de ouvir seus choros na noite seguinte.

– Mas o que foi isso? – o homem perguntou abismado com a cena que presenciara há pouco. E Natsu prontamente se propôs a lhe responder.

– Sinto muito por isso – disse ele um pouco triste – Todos esses anos fomos torturados não só fisicamente, mas também psicologicamente – ele falou com a cabeça abaixada e olhos marejando – Eles disseram que haviam matado todos vocês das piores formas possíveis, e isso vem nos matando por dentro – as palavras foram como facadas no coração do mais velho, mesmo que ele já imaginasse isso, até coisas piores – E quando vimos você nossa esperança retornou.

– Gildarts, por favor, diga-nos como estão todos – a suplica escapou pelos lábios carnudos de Mirajane. Grossas lágrimas escorriam pelos olhos azuis de Mira, o que fez o velho homem se espantar com a semelhança entre ela e Lisanna – Minha irmã está bem e Laxus? – a pergunta pairou pela cela, fazendo o homem sentir um bolo em sua garganta.

Lembrou-se que antes deles serem presos, Mirajane e Laxus tinham uma relação muito próxima, podiam até ser namorados, mas ninguém nunca confirmara nada. Mas em seus pensamentos, ele acreditava que Laxus jamais teria nada com Lisanna se os boatos fossem reais.

– Eles estão muito bem – falou o homem com calma, fazendo o possível para transpassar calma as pessoas que ali estavam – Todos que não foram pegos, estão completamente bem – ele viu todas as pessoas respirarem aliviados, mas então a imagem de seu antigo mestre lhe veio à mente – A não ser... – viu todos prenderem a respiração – O Ojichan, mas isso nada tem a ver com esse povo.

– O que aconteceu com ele? – boa parte deles perguntou em uníssono, outros não tinham força nem para isso, mas seus olhos transbordavam preocupação. O mais velho respirou fundo pensando nas melhores palavras, porém nenhuma palavra bonita os faria sentir menor dor.

– Sete anos após vocês desaparecerem ele adoeceu – olhou mais uma vez para todos com o peso em suas costas, só de se lembrar da ultima vez em que vira o velhinho era doloroso – E dois meses depois ele veio a falecer – o choque foi mútuo, não que algum deles já não esperasse por algo parecido, mas continuava a ser terrivelmente doloroso.

A maioria deles passou a chorar em silencio, fazendo com que Gildarts se sentisse arrependido, mas ele tinha que terminar o que começou – Minna, a Fairy Tail que vocês conheceram há 16 anos não existe mais.

Ódio, raiva, medo, descrença e desespero eram vistos nos olhos daquelas pessoas. Ódio, por aqueles que lhe tiraram tudo. Raiva, por terem perdido tanto tempo de suas vidas. Medo, de terem sido esquecidos. Descrença, em saber que passaram tantos anos em sofrimento para nada. Mas acima de tudo, desespero, por acreditarem que estavam sozinhos novamente.

Mas antes que alguém pudesse perguntar mais alguma coisa uma porta fora da cela foi aberta, dando passagem para que alguém entrasse no campo de visão dos presos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijinhos da Luna