Aprendemos a viver sem vocês
6 Fotos - Especial - Lucy Heartfilia
Notas iniciais
Lucy estava sentada em sua escrivaninha de olhos fechados enquanto pensava em um final perfeito para seu romance. Depois de longos dez anos, a loira encerrara a trilogia do seu querido romance. Anos estes árduos de trabalho, e agora vendo que faltava nada mais que um paragrafo se sentia realizado.
Escreveu as ultimas palavras de seu querido livro e por fim o fechou e sorriu satisfeita. Lembrou-se de tudo pelo qual passara para escrever aquele bendito romance, lembrou-se das noites passava fora de casa para encontrar inspiração, pensou nas varias vezes que teve de salvá-lo de perigos iminentes, como: seus filhos preciosos e seu marido arruaceiro.
Lagrimas de felicidade brotaram dos olhos castanhos e escorreram pela face delicada de Lucy, enquanto um sorriso tão belo tomava forma no rosto da loira. Pensou no quanto sua amiga, Levy, ficaria feliz em ver que ela tinha realizado um sonho tão grande como aquele, e ela sorriu ainda mais.
Porém a moça deixou seu momento de pura felicidade para trás ao sentir uma mãozinha tocar-lhe o braço direito. Olhou para o menino de dez anos que passava as mãos pelos olhos, como se o simples gesto pudesse levar embora o seu sono – Mãe, você não vem dormir? – ele perguntou com a voz manhosa fazendo Lucy soltar uma risadinha do gesto.
– Eu já estava indo Ig – ela falou enquanto pegava seu filho no colo e lhe acariciava os cabelos rosados – E o que meu filho favorito faz acordado à uma hora dessas? – perguntou à loira enquanto se levantava e guardava seu livro em uma gaveta próxima. O filho tinha apenas dez anos, mas era irresistível para a mulher o tratar como um bebe de colo, e olha que ele nem era o mais novo entre seus filhos.
– Não consegui dormir mãe – falou o menino enquanto se segurava nos cabelos da mãe. Ele sempre tivera um amor maior pela mãe, e mesmo que gostasse do pai não era a mesma coisa, se sentia incompleto perto dele, como se algo estivesse fora do cenário em tudo aquilo – Conta uma historia pra mim mãe, talvez eu consiga dormir um pouco melhor – disse ele seguro de suas palavras, o que fez a loira rir baixinho no ouvido do filho.
– Como quiser querido – falou ela enquanto o apertava ainda mais contra seu peito. Igneel sempre fora o mais inteligente dentre seus amados filhos, porém uma vez ao mês ele não conseguia dormir e vinha pedir para que sua mãe, quando ela não estava viajando a missões, lhe contasse historias.
A mulher levou o garoto até o sofá e se sentou com ele em seu colo – Qual historia você quer ouvir filho? – perguntou à loira enquanto passava mais uma vez a mão nos sedosos cabelos rosados do garoto. Ele pensou por alguns instantes, até que um sorriso bobo brotou em seus lábios e seus olhinhos começaram a brilhar em expectativa.
– Me conta como você e o papai entraram na guilda – pediu ele completamente feliz, vendo a mãe lhe retribuir os sorrisos – Você nunca contou muito sobre como isso aconteceu. E eu ouvi falar que a terceira geração, a qual você fez parte, foi a mais incrível – disse o menino, que não deixou de espantar a mãe. De onde aquele garoto conseguia ser tão maduro às vezes?
– É verdade – falou a loira enquanto ria das palavras do filho – A geração da qual fiz parte foi a mais incrível de todas, posso até te contar um pouco sobre ela – as palavras tentadoras da mais velha fizeram o pequeno sorrir e concordar com a cabeça – Então você quer ouvir um pouco sobre como era a Fairy Tail, por onde eu começo? – se perguntou a mulher de cabelos loiros.
– Quem era o mais forte? – perguntou o pequeno menino enquanto mirava sua mãe com curiosidade. E Lucy riu mais uma vez do filho, aquele menino era uma figura.
– Tudo bem – falou a loira enquanto deitava no sofá e trazia seu filho junto – Na minha época de adolescente, não muito mais velha que você, o mais forte da Fairy Tail era o Ojichan – dita as palavras sentiu o filho estremecer.
– Ele era mais forte até que você mãe? – perguntou ingenuamente o pequeno enquanto olhava a mãe.
– Muito mais forte filho, nessa época eu era apenas uma garota que a pouco descobrira a magia. Tudo era novo pra mim – ela disse enquanto voltava a acariciar os belos cabelos rosados – Porém o velhote passava muito pouco tempo na guilda, chegou a passar anos sem pisar nela.
– Mas agora ele quase nunca sai da guilda, só em reuniões do conselho – disse o menino emburrado. Para ele era estranho demais ouvir de uma época onde seu Ojichan passava pouco tempo na guilda, um homem que lhe era tão incrível e o qual tinha orgulho em fazer parte de sua família.
– Sim, mas não pense que isso o agrada – falou a mãe enquanto fechava os olhos e pensava em tudo pelo qual já passara. Aquele velho irritante já lhe dera tantos problemas, o se dera, só de lembrar-se da época a qual assumira o cargo, Kami saia da frente, por que Gildarts era o demônio em pessoa – Ele só começou há passar bastante tempo na guilda quando se tornou mestre.
– Pensando bem o Ojichan já está bem velho – comentou o garotinho enquanto a imagem do homem vinha a sua mente – Ele nunca vai ter filhos não Mãe? – perguntou inocentemente, o que arrancou longas risadas da mais velha, que não tardou a lhe responder.
– Mas ele tem uma filha, meu anjo – disse a loira enquanto ria.
– Sério? – perguntou ele animado para a mãe – Por que eu nunca a vi na guilda? – o menino quis saber e Lucy tentou acalmar os ânimos do garoto dando-lhe um leve tapa na cabeça.
– Se acalme – disse ela séria enquanto voltava à posição anterior – Você nunca a viu na guilda porque ela faleceu antes de você nascer – disse ela um pouco cabisbaixa, e viu que isso fez o filho ficar triste. Provavelmente o garoto queria ter conhecido a morena – Mas eu acho que tenho uma foto dela aqui, posso te mostrar – falou a loira tentando animar o garoto. Tarefa bem sucedida.
Lucy levantou-se e caminhou até seu quarto. Naquele dia ela resolvera dormir no seu antigo apartamento junto do filho rosado. Não tinha muito tempo para visitar o lugar, porém sempre que podia o fazia, era o único lugar que ainda tinha algumas recordações de seu passado, que muitos pensavam estarem enterradas.
Encontrou um baú sobre o guarda roupa e o pegou. Caminhou em direção ao sofá mais uma vez, onde seu amado filho a esperava ansioso e sentado mais uma vez. Abriu o objeto e averiguou as fotos ali dentro, procurando pela Nakama antes mencionada, e não tardou a encontrar uma foto dela junto de seu pai.
– Aqui filho – entregou a foto para o menino que se admirou com tamanha beleza da mulher – O nome dela era Kana – disse a loira enquanto via as reações do menino, que olhava bobo para a imagem. A fotografia retratava Kana e Gildarts bebendo juntos e rindo ao mesmo tempo, o que fez Lucy sentir uma onde de prazer enorme. A loira sabia muito bem que Gildarts daria tudo para ter mais um momento como esse junto da filha amada, e não podia dizer que não o entendia, se a separassem de seus filhos ficaria sem chão.
– Ela era bonita mãe – disse o pequeno menino enquanto abandonava a foto velha e enfiava sua mãozinha dentro do baú, no objetivo de pegar outra foto. Quando retirou a mão trazia mais uma foto junto, porém esta era de Gray e Juvia juntos, no mesmo dia em que oficializaram o namoro – E quem são esses?
– Estes são Gray e Juvia, eles eram namorados – disse a loira enquanto puxava o filho para mais perto de si – O Gray era um grande amigo da mamãe – disse a loira com um brilho nostálgico nos olhos – Eu e Juvia nunca fomos muito amigas, ela sempre dizia que eu era sua rival no amor – Lucy disse sorrindo da lembrança boba da amiga.
– E por que esse cara está quase pelado? – o garotinho perguntou fazendo cara de desgosto, o que arrancou risadas de sua mãe.
– Era uma mania dele – disse Lucy enquanto se lembrava dos velhos tempos – Quando você menos imaginava ele tirava as roupas e nem percebia – Lucy riu da imagem que se formara em sua cabeça.
– Não gostei dele – disse emburrado o garotinho – Onde eles estão? – perguntou o menino, que logo se arrependeu ao ver a cara triste de sua mãe, e logo deduziu o pior – Eles estão mortos?
– Apenas a Juvia – ela falou enquanto suspirava – O Gray desapareceu um ano depois de ela morrer, e não gosta muito de falar conosco, acho que deve doer muito – ela disse enquanto olhava atentamente para o filho.
– Gomen’nasai mãe, eu não devia focar perguntando – ele falou um pouco triste, não gostava de ver a mãe assim.
– Está tudo bem – a loira falou tentando acalmar o pequeno garoto – Não tem problema, você só está curioso – ela disse enquanto retirava mais uma foto e entregava ao pequeno garoto, e sorriu ao ver quem estava na foto – Olha só essa – disse entregando a foto para o menino que lhe sorriu abertamente ao ver a bela mulher ruiva – Ela era uma das melhores amigas da sua mãe. O nome dela era Erza – Lucy disse sorrindo.
– Sugoooo! – disse o menino enquanto olhava para as duas espadas que a mulher segurava – Ela parece bem forte – ele comentou enquanto mirava a figura esbelta da mulher.
– E ela era – a loira falou enquanto sorria mais uma vez. Toda aquela seção de fotos antigas estava lhe fazendo um bem que ela nunca imaginou – Ela era conhecida como a Titânia, à mulher mais forte da Fairy Tail – Lucy falou orgulhosa. Viu o filho arregalar ainda mais os olhos em descrença, fazendo a loira ver o quão pequeno o mundo dele era. Infelizmente ele não vira nada além das portas da guilda e de se colégio, não sabia o grande numero de magos poderosos que o mundo escondia, e para ele, sua mãe era a maga mais poderosa do mundo, o que teoricamente era verdade.
Lucy pegou mais uma foto e sorriu novamente ao ver quem era. A foto mostrava os três irmãos Strauss aproveitando juntos da própria companhia – Olha só esse filho – disse Lucy enquanto mostrava a foto para o garoto – Essa de cabelos curtos é a sua tia, Lisanna – o menino não se surpreendeu, porém estranhou o fato de que havia dois outros albinos – Os outros dois são os irmãos da tia Lisanna: Mirajane e Elfman.
O menino deixou a foto de lado e enfio as mãozinhas no baú em busca de outra foto, e o que encontrou foi deveras estranho, fazendo Lucy rir de sua cara assustada – Esses são a tribo do deus trovão, sempre estava junto de Laxus aonde ele fosse – a loira riu só de lembrar-se das loucuras que os três faziam para estarem juntos de seu maior ídolo.
Pegou mais uma foto e pensou em coloca-la no baú mais uma vez ao notar quem era, mas pensou que isso não seria justo com o pequeno garotinho e então lhe entregou a imagem – Essa é a Levy-chan, minha melhor amiga – o menino sorriu bobo para a foto, algo na pequena mulher lhe agradara, porém não sabia explicar – Ela era muito importante pra mim.
– Gostei dela – o menino respondeu com um sorriso singelo nos lábios pequenos. Deixou a foto de lado e enfiou as mãozinhas no baú novamente, esperando que não fosse mais uma foto de malucos, e o que encontrou era deveras estranho. Era uma das poucas fotos de Natsu que Lucy tinha. A loira arregalou os olhos e pensou em tomar a foto do filho, mas ela não teria tamanha coragem – Quem é esse? – o menino perguntou com os olhos vidrados na figura do homem mais velho.
– O nome dele era Natsu – a loira falou depois de um tempo, respirou fundo antes de começar – Um grande amigo. Happy, ele e eu éramos uma equipe, ás vezes o Gray e a Erza iam junto, o que nos transformava no time mais forte da Fairy Tail – disse Lucy sorrindo fraco em direção de seu filho.
– Ele... – o menino não conseguiu terminar, parecia não encontrar palavras para expressar o que estava sentindo no momento, ele não conseguia definir aquele homem como fizera antes, só sabia dizer que apenas a imagem dele lhe fizera um bem formidável – Gostei muito dele – disse em um sussurro inaudível para sua mãe.
A mais velha guardou todas as fotos novamente e se sentou ao lado do filho no sofá, desde que vira a ultima foto ele não parava de pensar no estranho homem e depois de longos minutos em silencio fez uma pergunta – Mãe, por que eu sou tão diferente do meu pai? Quer dizer, a Layla e o Matt são muito parecidos com o papai, mas eu sou o oposto dele.
Lucy se sentiu jogada contra uma parede, não sabia o que dizer ao seu filho. Contar a verdade estava fora de cogitação, mas nunca fora uma boa mentirosa – Porque você é único – ela falou encabulada enquanto puxava o filho para seus braços e o levava para a cama – É melhor dormir que já está tarde.
Dita as palavras, a loira se retirou constrangida do quarto do menino, se sentiu um lixo por mentir tão descaradamente para aquele que tanto amava, porém sacrifícios eram necessários, e ela teria de aprender isso por bem ou por mal. Depois daquela noite Igneel jamais posou sozinho com a mãe naquele pequeno apartamento.
Fale com o autor