Aprendemos a viver sem vocês
5 Descobrindo a verdade - Lucy Heartfilia
Notas iniciais
Lucy estava sentada em um banco da guilda afastada de toda a bagunça que se desenrolava no centro, adorava ver os companheiros de guilda se divertindo. Viu um rapaz de cabelos azuis, levantar-se e convidar Luna para dançar, porém o que era para ser uma simples dança acabou virando em uma gigantesca briga ao estilo Fairy Tail, é claro que a menina não pretendia acertar o garoto depois de o mesmo pisar em seu pé, mas reflexos eram reflexos.
E Luna também não contava com a intromissão do filho de Lucy, é claro que o rapaz não ficaria parado vendo sua “amiga” ser assediada por um rapaz qualquer. Convenhamos que não fosse lá um rapaz qualquer, mas sim o maior rival do jovem Igneel Heartfilia Redfox, o que gerou uma longa e inusitada briga, que não tardou a ser interrompida. E quem dera o ar de sua graça para parar aquela briga fora um grande amigo de Luna, e provavelmente um dos jovens mais poderosas da atualidade.
Lucy deixou de olhar o jovem infernizando os causadores da briga, era a mesma coisa que olhar o passado, porém um pouco diferente. Aquela era uma das poucas vezes que vira o filho puxar uma briga, ele era um rapaz centrado e calmo. Igneel não havia puxado o pai.
Porém Lucy não gostava de olhar eles se divertindo, não que desejasse o mal aos jovens, mas sempre que via essa cena sentia falta de sua vida. A nova geração da Fairy Tail ainda mantinha o espirito brincalhão e destruidor, mas não como a terceira geração. Jamais outra geração como aquela apareceria, eles eram únicos, cada um especial do seu jeito e Lucy sentia-se feliz por ter a sorte de fazer parte de tal geração.
Fechou os olhos por um instante e quando os abriu podia ver com clareza Natsu puxando briga com Gray. Juvia seguindo o mago de gelo com os olhos vidrados enquanto era paparicada por Lyon, que jamais se cansaria de tentar a conquistar, mesmo já sabendo do romance da mesma com seu irmão. Lucy viu Erza sentada no balcão e ao seu lado estava nada mais nada menos que ela mesma se divertindo enquanto riam de bobagens.
Viu em uma mesa perto sua melhor amiga Levy lendo o ultimo capitulo de seu romance, tão vidrada que não percebia Jet e Droy em seu encalço, sendo claramente impedidos de interromper a leitura da menor por Gajeel, que estava muito irritado com tal comportamento.
Ouviu o barulho de Kana e Gildarts pedindo juntos por mais um barril de cerveja enquanto riam de si mesmos, ambos já muito perdidos por causa do álcool. Viu distante Mira se levantar para atender ao pedido enquanto deixava a mesa em que conversava com os irmãos e a tribo do deus trovão.
Olhou para o segundo andar e avistou o velho mestre Makarov sentado olhando para seus filhos ao lado do neto, Laxus, ambos com sorrisos largos no rosto. Viu com o canto do olho Wendy chamando Romeu para brincar.
Queria aproveitar muito mais da imagem que estava na sua frente, porém foi desperta de seus devaneios e trazida a realidade por uma mão forte em seu ombro. Olhou atenta para o rapaz que lhe interrompera, já pronta para lhe insultar das piores formas possíveis, porém se acalmou ao constatar que era seu filho, Igneel.
– Está no mundo da lua mamãe – disse o jovem enquanto se sentava ao seu lado na mesa, e Lucy não deixou de perceber um leve corte perto de seu lábio. Preocupação de mãe – O que anda pensando tanto desde que voltou de sua missão? – ele pediu curioso enquanto a mirava com aqueles belos olhos esverdeados que tanto intrigavam Lucy.
– Muitas coisas meu filho – disse ela com um sorriso calmo. Lucy se sentiu uma velha ao ver o filho tão crescido, ele já era um palmo mais alto que a loira e parecia que iria crescer mais – Mas e você? Raramente te vejo provocar alguma briga, será que tem algo a ver com a Luna? – disse sapecamente a mãe do rosado, que não conseguiu esconder o rubor na face.
– É claro que não mamãe – disse o jovem envergonhado e tentando mudar de assunto falou – Onde está o Ji-chan? Ele sumiu faz uma semana, todos estão preocupados – ele olhou para a expressão da mãe e sentiu que ela iria lhe omitir algo, então não tardou a dizer – Tem algo a ver com o chamado de emergência logo após a sua chegada? Percebi que era exclusivo para os magos mais poderosos da guilda, o que o velho queria dizer de tão importante?
Lucy sentiu um arrepio na espinha, contar ao filho sobre onde seu mestre estava era a mesma coisa que contar sobre os antigos membros da guilda, coisa que Lucy se recusava a dizer. Seu filho sempre fora muito inteligente, não demoraria a juntar as peças e descobrir quem era seu verdadeiro pai, não que Lucy não gostasse da ideia, mas não queria o iludir com falsas esperanças.
– Nada, ele só queria nos avisar que iria viajar por um tempo, ele volta em uma semana, pode acreditar – disse a loira tristemente, fazia algumas horas que vinha sentindo uma angustia no peito, e isso não podia ser coisa boa, ainda mais com o velho desaparecido.
– Sei – o jovem fingiu acreditar. Ele também estava se sentindo estranho nas ultimas horas, e pensou que sua mãe pudesse lhe explicar algo, porém viu que ela estava tão aflita quanto ele e para descontrair o clima convidou a mãe para um treino rápido, já que estava perto de escurecer.
Seguiram em direção ao campo de treinamento e segundos depois foram encurralados por dois jovens de cabelos pretos – Onde vocês pensam que vão? – quase gritou a mais nova dos dois. A garota de cabelos pretos e pontas louras usava roupas leves, uma regata e short, luvas de couro para facilitar a luta e olhos medonhos.
– Faz tão pouco tempo que a mamãe voltou e você já quer roubar ela Ig? – perguntou sério o outro. Ele era mais velho que os outros jovens, porém mais baixo que ambos, ele tinha um sorriso assombroso que deixava Lucy arrepiada da cabeça aos pés, mas já estava acostumada. O menino usava roupas largas e grossas, todas em cores escuras, calção largo e camiseta aberta, botas de cano longo e de couro, com pircings espalhados pelo rosto. Tudo no menino dizia: Corra!
– O tipo ciumento nunca fez o estilo de vocês dois – falou o rosado que não tardou a ver as caras emburradas desaparecerem para dar lugar a sorrisos travessos – Venham treinar junto, faz tempo que não temos uma boa disputa entre irmãos – e aquela simples frase fez com que os outros dois, que eram muito mais levados que o rosado, desejasse acompanha-los.
E assim os quatro seguiram seu caminho, rindo de piadas contadas por um ou por outro. Lucy ficou quieta por quase todo o trajeto, sempre gostara de ouvir os filhos conversarem e rirem. Porém aquele frio na espinha ainda estava lá. Finalmente chegaram ao lugar desejado e Lucy não tardou a dar uma boa lição em seu filho mais velho que ousou chama-la de velha.
Após rirem bastante a loira deixou que os mais novos disputassem entre si por sua atenção com golpes extravagantes. Só que nem um deles percebeu que Lucy estava distraída demais para prestar atenção em seus filhos, nem mesmo que ela já estava divagando sozinha.
A loira pensava o quanto a próxima semana mudaria sua vida. Se o maldito egoísmo de Gildarts não fosse tão gigantesco não teria que se preocupar, mas não, ele tinha que sair em busca de algo inútil e ainda a deixar preocupada. É claro que Lucy tinha medo pelo homem, eram amigos de longa data, já até perdera as contas de quantas vezes beberam juntos para afogar as magoas.
Mas Lucy sempre soubera que o homem mantinha segredos, vários por sinal. E uma memoria não tão distante tomou conta de sua cabeça. A descoberta do primeiro segredo que o homem mantinha de si.
Flashback on
Lucy estava sentada em um banco do balcão da guilda, ao seu lado direito estava um Gildarts bêbado que já perdera a consciência fazia horas, e mesmo que a loira estivesse bebendo mantinha-se estável. Do seu lado esquerdo estava um Laxus sóbrio e bravo, fora proibido de beber pela esposa, já que na noite passada fora arrastado para casa por uma Lucy tonta e um Gildarts cambaleante.
Lisanna sentia a necessidade de impor isso ao marido, fazia três anos que estavam casados, e em momento algum as bebedeiras constantes diminuíram. Antigamente ela levava na esportiva, mas agora ele tinha coisas muito sérias com as quais se preocupar, e a primeira delas era sua filha de um ano, Yumi Dreyar.
Os três estavam sozinhos na guilda há vários minutos, Lucy e Laxus ficaram para cuidar do velho mestre o qual parecia uma criança birrenta quando bêbado, o que não deixava de arrancar longas risadas dos companheiros.
Lucy e Laxus trocaram conversas e entre palavras e brincadeiras as risadas se tornavam mais constantes. Raramente tinham um tempo assim para conversar, ainda mais com as viagens constantes da loira em direção a países fora do reino. Laxus também não era visto muito pela guilda nos últimos tempos, diziam algumas pessoas que ele andava pegando alguns trabalhos a mais no ultimo ano.
Lucy sabia muito bem o motivo do comportamento estranho. Recentemente ele e Lisanna vinham brigando a todo instante, e o loiro querendo diminuir as brigas começara a trabalhar mais que o necessário, pegando missões longas e com pagamentos exorbitantes, pelo menos Lisanna não poderia reclamar da falta de dinheiro, já que estavam entre as pessoas mais ricas da cidade.
A loira entendia perfeitamente como era esse momento, compreendia o motivo do loiro não querer contrariar a esposa nesses tempos. Já enfrentara a crise dos primeiros anos de casados, pensar que a do casal de amigos demorara bastante para acontecer, já chegara a imaginar que eles eram tão perfeitos um para o outro que nem a teriam, mas ninguém escapa dela.
Deuses como Lisanna era sortuda em ter Laxus como marido. A loira se lembrava do quão problemático Gajeel fora nesta época, o pior ano de sua vida, mas dizem que quem passa por essa época bem não tem muitos problemas no futuro.
As brincadeiras foram interrompidas por um barulho estranho vindo do porão da guilda, que deixou ambos os magos alarmados. Ninguém além deles deveria estar na guilda àquela hora da noite. Ambos se levantaram com calma e levaram o mestre para um lugar escuro onde ele não seria visto com facilidade, foram até a dispensa e por lá desceram até o porão.
Havia um lampião na parede, podia se ver que fora acesso a não muito tempo. Ambos os magos trocaram olhares desconfiados e caminharam até perto do mesmo, porém foram interrompidos pelo barulho do ranger de algo solto. Lucy olhou para seus pés e percebeu que havia uma parte do piso solta, com mais calma pode perceber que era um alçapão. Trocou mais um olhar com o loiro e puxou a madeira para cima dando vista para a entrada de um túnel.
A loira pegou o lampião e adentrou o túnel sem cerimonias, tentando fazer o menor barulho possível, sendo seguida de perto por Laxus. Desceram vários lances de escadas silenciosamente, quando finalmente avistarão o fim do corredor. Chegarão juntos ao fim e quando deram dois passos em linha reta a luz capitou a imagem de alguém transluzindo por perto, e era nada mais nada menos que a primeira mestra: Mavis Vermilion.
– Primeira? – perguntou receosa a loira enquanto chegava mais perto para ver o rosto sereno da menina – Que lugar é esse? – ela perguntou curiosa enquanto olhava mais atentamente para o mesmo, sentia sua cabeça latejar devido à bebida e por descobrir um lugar tão entranho abaixo de sua guilda.
– Lucy-chan – falou a mestra sorridente, mas o sorriso era contido, notava-se sua preocupação – Trouxe-os aqui devido a um temor meu – disse ela séria enquanto olhava para ambos – Quero que ambos descubram o maior segredo de nossa guilda. A Lumen Histoire.
A loira não compreendeu sobre o que se tratava, mas Laxus arregalou os olhos ao ouvir a sentença. Já ouvira falar de tal segredo, mas não tinha motivos para que ela contasse a ambos o que aquilo era, nem um deles era mestre da guilda – Mavis, nenhum de nós é mestre da guilda. Você me disse anos atrás que esse era um segredo passado de mestre para mestre, então por que vai nos contar?
Lucy assimilou tudo rapidamente, compreendendo boa parte da conversa. Ela podia ser loira, mas de burra não tinha nada, o que anulava completamente o boato maldoso sobre pessoas como ela. Viu a mestra fechar os olhos e respirar fundo enquanto pensava na melhor maneira de contar a ambos.
– Ainda é um pouco sedo, mas precinto que nossa guilda corre perigo, meu espirito está fraco e temo que o atual mestre não tenha tempo de lhes contar sobre a Lumen Histoire – ela disse séria e pensativa – Pensei em contar apenas para Laxus, que é a primeira opção de mestre depois da morte de Gildarts, mas resolvi contar aos dois.
Lucy e Laxus sentiram um arrepio pelo corpo ao ver a mestra falar da morte de seu mestre com tanta naturalidade e engoliram em seco – Quando ele já não estiver mais aqui sei muito bem que ambos serão nomeados mestres da guilda por ordens do conselho – disse severa a primeira. Laxus começou a notar que a imagem da mesma começava a desaparecer e isso o deixou assustado, em anos de vida nunca vira uma cena tão assustadora como esta. A primeira mestra estava deixando o mundo humano até mesmo em espirito.
– As forças das trevas estão apagando tudo que a de bom no mundo, pode demorar a perceberem, mas elas estão agindo, logo uma guerra se iniciara e vocês estarão no centro da batalha. São vocês dois que irão escolher o futuro do mundo e é por isso que vou lhes dar a maior chance de se vencer está guerra.
Com estas palavras a primeira mestra abriu um enorme portão e desapareceu, deixando para trás dois loiros de olhos arregalados e com medo do que podia realmente acontecer em seu futuro. Aquela foi a ultima vez que o espirito de Mavis foi visto.
Flashback off
Lucy balançou a cabeça tentando tirar tais pensamentos da cabeça, acenou para os filhos e se retirou do lugar. O aperto em seu coração aumentava e Lucy começava a se preocupar com seu estado de saúde, deveria fazer uma visita a Wendy, mas depois de pensar um pouco resolveu não o fazer, a jovem tinha muito mais com o que se preocupar.
Subiu as escadas e foi em direção à sala de seu mestre, pelo menos lá poderia se sentir acolhida. Aquela sensação única que só o mestre podia passar á ela sempre esteve presente em seu escritório. Talvez assim acalmasse um pouco seu coração.
Adentrou a sala sem fazer barulho, era uma quebra clara das regras da guilda. Ninguém podia entrar na sala do mestre sem ele presente, como se Lucy se importasse com isso. Ela se sentou na poltrona antiga do escritório, sabia que ela era a mesma que o velho Makarov usava, havia o visto muitas vezes sentado nesta mesma cadeira anos antes, quando ele ainda estava enfermo, mas insistia em cuidar dos problemas da guilda.
Ela examinou o lugar meticulosamente, e não tardou a perceber que tudo estava como o baixinho tinha deixado. Riu-se com tais pensamentos, sabia o quão bobo Gildarts era por agir de tal forma, mas não podia negar que lhe agradara tal decisão.
Mas algo estava fora do lugar naquele cenário. A ultima gaveta da escrivaninha estava aberta, e se Lucy vasculhasse em sua cabeça, descobriria que nunca a vira aberta antes, e tais pensamentos a fizeram ir em direção a mesma e terminar de abri-la. Só podia se ver uma pequena folha já amassada e desgastada pelo tempo, porém Lucy era profissional na arte de ler objetos antigos.
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