Notas iniciais
Bem pessoal, esse capitulo não tem muita ação. Vai apenas retratar como é a vida na guilda e também os sentimentos da Lucy com a estranha revelação de seu mestre. Quero logo avisar, que os antigos membros, vão ter algumas aparições antes de fato de voltarem a fazer parte efetiva dos personagens principais. Quero agradecer a Samy, Asuka hyuuga e Meyru por comentarem. Também agradecer por favoritarem: Asuka hyuuga e Meyru, além de Manulua e Mary Dragneel. Seu apoio é essencial para a historia continuar, muito obrigado pessoal, vou esperar por vocês nesse capitulo também. É claro que também agradeço aos leitores fantasmas que gostaram da historia, e mesmo que vocês não venham a comentar ou favoritar, eu entendo. Sem mais delongas, espero que gostem do capitulo.

Lucy estava sentada em uma mesa da guilda, a cabeça escorada nos braços sobre a mesa. Estava com muito sono por ter acordado cedo, e não só por isso, já que chegara muito cansada de sua missão na noite passada e não tivera tempo para descansar.

Seu mestre sairá a não mais que duas horas, deixando para trás uma Lucy pensativa, por que aquele velho insistia em acreditar em coisas impossíveis? Naquele momento algumas lembranças vieram para a loira.

Flashback

A mulher acabara de chegar a guilda, em seus braços sua filha de apenas quatro anos se segurava em seu pescoço, a pequena garotinha estava com o rosto escondido no pescoço e ressonava calmamente. Eram três horas da manha, e mesmo que a loira não gostasse de ter acordado a pequena sabia que, para Lisanna a chamar tão cedo, era importante. A mão que não segurava a filha, e puxava o filho com cuidado, já que o menino ainda estava meio sonolento. E ao lado dele, que além de segurar a mão da mãe, segurava a mão do “irmão mais velho”.

Todas as três crianças eram diferentes entre si, a garotinha no colo de Lucy, tinha cabelos negros e as pontas eram loiras, os olhinhos agora fechados eram de um vivido vermelho, mas seu rosto era completamente infantil, as pequenas mãozinhas se agarravam fortemente a roupa da loira. O menino que segurava firmemente a mão da mãe tinha cabelos rosados e olhos verdes, mas em seu rosto, mesmo cheio de olheiras, podia se ver um olhar calmo e meticuloso.

E o outro garotinho tinha cabelos azuis com leves mechas pretas, olhos negros e um sorriso encantador, porém ao lado de seu irmão parecia nanico, a diferença de tamanhos era evidente. E no sorriso do garoto era possível ver certo tom macabro. E para finalizar aquela família estava Gajeel, que segurava a mão do filho mais velho com força, temendo que o pequeno aprontasse alguma coisa por ter sido acordado tão cedo.

Lucy percorreu o lugar com os olhos, até que finalmente avistou a albina sentada em uma mesa afastada, não sabia o motivo de tantas pessoas estarem na guilda à uma hora dessas, mas de uma coisa sabia, nenhuma delas estava ali de bom grado.

Andou calmamente em direção à albina, que estava de cabeça baixa, impossibilitando que qualquer um visse seu rosto. Um leve soluço escapou pelos lábios de Lisanna, que fez o máximo possível para esconder que estava chorando, mas com a chegada da amiga não pode mais segurar as lágrimas.

Lisanna levantou o rosto e olhou para a amiga recém-chegada, que se assustou ao ver as olheiras e lágrimas no rosto da colega. Querendo ou não, Lucy e Lisanna se tornaram grandes amigas com os anos, e mesmo que a mais nova ainda fosse um tanto “infantil”, combinava e muito com o jeito sério da loira. Não que Lucy fosse uma megera ou coisas do tipo, mas aprenderá a se controlar, tinha três filhos para criar, não podia ficar por ai se expondo a coisas fúteis.

Já a albina não tinha nada com o que se preocupar, além do seu aluguel, mas isso são coisas a parte. Lucy andou o mais rápido possível para perto da amiga, deixando a filha no colo do marido, para poder abraçar a colega e a reconfortar, seja lá o que tenha acontecido com ela.

Ambas se olharam profundamente nos olhos uma da outra, e então a loira tomou coragem e perguntou – O que aconteceu Lisanna? – a loira perguntou exasperada.

– Lucy-san – ela falou enquanto soluçava mais uma vez e se agarrava a amiga – Ele piorou, Wendy disse que ele não tem mais que algumas horas, ô meu deus Lucy-san – ela disse em prantos – Laxus está no andar de cima, não sai do lado do mestre, ele está arrasado – a albina proclamou em desespero.

Lucy sabia que mesmo a albina vivendo constantemente a brigar com o loiro ainda tinha certa atração pelo mesmo, e o ver sofrer e de tal forma era doloroso, e somado a noticia de que o mestre, Makarov Dreyar, estava em suas ultimas horas de vida, não era algo tão fácil de aceitar.

Lucy tentou consolar a albina, mas vendo que era em vão deixou que ela chorasse ainda mais na mesa. A loira pediu que o marido ficasse ao lado da amiga, e que omitisse por enquanto o estado de seu mestre, as crianças ainda eram muito novas para assimilar uma perda tão grande.

A loira subiu até o segundo andar, em direção à enfermaria, e ao chegar à porta da enfermaria, se deparou com Wendy, que era abraçada por Romeu e chorava tristemente, lançou lhe um sorriso terno e caloroso, sabia que era de coisas assim que a azulada precisava, colocou a mão no ombro de Romeu, que lhe olhou por alguns instantes, vendo a loira acenar com a cabeça, e o moreno não deixou de entender o recado.

A loira entrou na enfermaria sem nenhuma cerimonia, procurando com os olhos uma cama ocupada, e não demorou a encontrar a mesma. Makarov Dreyar se encontrava deitado sobre um dos leitos da enfermaria, com profundas olheiras e um sorriso fraco, era possível ver as marcas da doença que, com o tempo, se espalhara ainda mais pelo débil corpo do senhor já de idade.

Estava mais magro que anos antes, mas ainda tinha aquele espirito guerreiro que todo mago da Fairy Tail carrega, e os olhos ainda brilhavam ao ver a loira. Para o velho senhor, que virá a maioria daqueles adultos crescerem, era deslumbrante ver o quanto tinha amadurecido, e em especial Lucy, sempre tivera um grande afeto pela loira.

Temia ter de abandonar seus preciosos filhos, mas era inevitável, já estava na hora de deixar este mundo para aqueles que tinham mais tempo para aproveitarem, ele tinha orgulho de tudo que fizera, e não carregava arrependimentos, até mesmo em relação ao seu filho Ivan, fizera tudo que pudera, mesmo que o homem escolhera seguir por outro caminho.

Em compensação o filho lhe dera o maior de todos os seus orgulhos, seu tão amado neto, que naquele momento chorava de cabeça baixa em uma cadeira ao lado da cama, e mesmo que o velho tentasse o consolar, era impossível com aquela voz fraca.

Lucy se sentou ao lado de Laxus e o olhou, sabendo que o mesmo entenderia, e não demorou ao loiro se retirar. A loira sabia que aquele seria seu único momento em que poderia ser fraca, debruçou-se sobre a cama e chorou, recebendo o levo carinho do mais velho em seus cabelos. Há cerca de dois meses, dês da descoberta da doença incurável do “pai”, que a loira guardava aqueles sentimentos a sete chaves.

– Pode chorar minha filha, eles vão precisar de você depois – se pronunciou o senhor, ele sabia o quanto era difícil para a moça ter guardar aqueles sentimentos, mas também sabia o quão importante isso foi para os outros, que ao verem a garra da moça ainda tinham fé, mesmo que pouca – Eu pedi que Lisanna lhe chamasse, é de suma importância que você ouça o que vou falar.

Ao ouvir as palavras Lucy levantou a cabeça e ela limpou as lágrimas, seu momento de ser fraca acabara ali, e atenta ouviu o que seu mestre dizia – Em algumas horas já não estarei mais entre vocês, e quero que saiba de algo – Lucy fechou os olhos, não queria que o homem visse a dor em seus olhos – Escolhi Gildarts para ser o novo mestre – a loira não demonstrou choque, uma vez que o mestre já tinha escolhido o moreno, então provavelmente o faria agora novamente – Porém ele fica pouco tempo na guilda, não está tão familiarizado com tudo e todos. Então quero que você o ajude.

Lucy concordou com a cabeça, e se levantou para se retirar, não tinha mais nada para dizer ou para ouvir, mas antes que saísse da sala o senhor ainda lhe disse algo – Lucy, eu sei que não acredita que eles ainda estejam vivos, mas eu sim, e vou passar essa minha vontade para o novo mestre, então não o julgue – dita as palavras, a loira se retirou deixando que mais uma vez Laxus entrasse na sala.

Lucy voltou para o marido e filhos, algumas horas depois receberam a noticia. Makarov Dreyar, mestre da Fairy Tail há quase 60 anos, havia deixado este mundo, e desta vez ele não voltaria. Seu enterro foi um dos mais belos que o mundo da magia chegou a presenciar, não houve um grande mago que não quis lhe homenagear, vindo de todos os cantos de Fiore para aquela única despedida.

Seus filhos tiveram ainda mais orgulho do mestre que tinham ao verem todas aquelas pessoas, umas mais distintas que as outras, se unirem em único proposito, em uma única despedida. Aquele dia foi marcado por lágrimas e esperança de um novo mundo, e junto da Makarov Dreyar, aquela Era se acabou, dando inicio a uma nova Era da Magia.

Flashback off

Lucy sentiu uma mão pesada lhe fazer um leve cafuné, e depois sentiu o braço do marido lhe rondando a cintura, ela se deixou ser puxada pelo mesmo para mais perto do peito do homem, era quente e reconfortante estar assim com ele. Eles não tinham nada em comum, e mesmo que as más línguas dissessem que jamais dariam certo, ainda estavam ali, provando que era um casal belo e cheio de amor.

É claro que a principio nem mesmo eles botaram fé no relacionamento, tratando do mesmo como uma simples “Amizade colorida”, mas o tempo passou e sentimentos foram nascendo, sentimentos nenhum pouco desejado.

Lucy amava o homem, mas no fundo sabia que não era amor de homem e mulher, mas tinham três filhos para criar, se separar agora não era uma hipótese, não mesmo. Claro que Lucy tinha afeto por ele, já que o moreno se importou com ela, e a ajudou quando mais precisou, mas o coração de Lucy já tinha dono, pena que ele estava morto.

O casal ficou assim, aproveitando da companhia um do outro, palavras não eram necessárias para expressar a saudade que sentiam, e aquele simples toque junto da pouca proximidade podiam muito bem matar as saudades. Alguns minutos depois o homem disse que sairia em uma missão, rápida, mas complicada, voltaria ainda naquele dia, porém sentia a necessidade de avisar a mulher. Queria passar mais tempo ao lado da loira, mas criar três filhos não era fácil.

Lucy ficou mais algum tempo ali, olhando para aqueles que entravam e saiam. Cada pessoa destinada a uma missão distinta. Lucy lembrava-se bem como era aquilo, chegar a guilda sedo e pegar uma missão, logo depois sair com sua equipe para fazê-la, tudo bem que as missões eram cheias de brigas e muita destruição, mas era tão divertido, não que agora não o fosse, mas era apenas, normal.

Ela sentia falta de acordar todos os dias se preocupando apenas com seu aluguel, ou ás vezes acordando no chão de sua casa, pois certo rosado viera a visitar na noite passada. Sentia falta de ver Mira no balcão para recepcioná-la em mais um dia, sentia falta de ver Erza lhe chamando para saírem juntas, sentia falta da mania estranha de Gray.

Lucy sentia falta de trazer mais um capitulo para que sua amiga Levy lesse, sentia falta de ver Cana bebendo no balcão até altas horas da madrugada, sentia falta de ver o mestre Makarov olhando seus filhos do segundo andar, e acima de tudo sentia falta daquele sorriso, do sorriso que só Natsu podia dar. Lucy definitivamente sentia falta da Fairy Tail de 16 anos antes.

Mais uma vez a loira foi tirada de seus pensamentos por um toque, desta vez em seu ombro, olhou cansada para o dono da mão e ela deparou-se com uma jovem, de prováveis 17 anos, com cabelos vermelhos, tão chamativos que chegava a doer os olhos. Um sorriso calmo e contido fazia destaque ao rosto, os olhos negros como a noite brilhavam em direção a mais velha.

– Olá Obaa-san – falou a menina, que soltou uma leve risada ao ver o rosto da loira ao ser chamada de Vovó– Quanto tempo não é? – ela disse enquanto se sentava ao lado da loira.

A loira tentou, com todas as suas forças se recordar daqueles cabelos vermelhos e do sorriso da garota, mas Lucy tinha que admitir, não tinha uma boa memoria – Etto, eu te conheço? – a loira perguntou com uma mão atrás da cabeça, fazendo com que a moça dessa mais uma risada, ela já estava acostumada com a figura da mulher a sua frente.

– Eu já devia imaginar – disse a ruiva com um sorriso de canto – Eu sou a Luna, voltei a dois meses do meu treino – ela disse enquanto alargava o sorriso ao ver a compreensão passar pelos olhos de Lucy.

A loira estagnou, não podia acreditar que aquele jovem, tão linda e carismática, era Luna. Uma imagem passou em sua cabeça, era uma menina, de longos cabelos vermelhos, iguais aos da jovem a sua frente, mas essa garota tinha no máximo dez anos, usava um vestidinho comprido e estava repleta da maior inocência. Em seus braços estava uma boneca de pano, no qual estava muito agarrada, parecia gostar do brinquedo.

Ao lembrar-se quem era a menina, Lucy se levantou de imediato e a abraçou forte, a diferença entre tamanhos não era muita, mas a loira realmente estava feliz, depois de longos cinco anos podia ver ela. Havia a visto crescer junto de seus filhos, visto ela se tornar uma grande maga e agora uma bela mulher, o tempo ás vezes passa mais rápido do que imaginamos.

– Incrível como você mudou Luna – falou a loira enquanto puxava as bochechas da mais nova, que sorria insatisfeita com o gesto da outra, mas a felicidade não podia ser escondida no rosto da jovem, depois de tantos anos estava vendo a mulher que considerava como mãe novamente, e além do mais, fora essa mesma mulher que a incentivara a se tornar forte.

Passaram algum tempo sentadas relembrando o passado, das varias brigas que tiveram por atos bobos, e de como sentiram a falta uma da outra, quando Luna tomou coragem e falou – Obaa-san, por favor, vamos lutar mais uma vez – as palavras eram serias, revelando a veracidade das mesmas – Onegai.

Olhando nos olhos da moça a loira não pode negar, acenando com a cabeça e se levantando – Prometo que não vou lhe desapontar – exclamou a ruiva sorridente. Finalmente provaria que todo aquele tempo de treino não fora em vão.

Ambas caminharam apressadas para fora da guilda, sendo seguida com os olhos pela albina, esta que se sentia feliz ao ver aquelas duas juntas, eram realmente parecidas no jeito de ser e de agir, o que transformava tudo em algo ainda mais nostálgico. As duas eram como Natsu e Gildarts, não com a mesma brutalidade, mas com aquele jeito brincalhão. Lucy era tudo que Luna queria ser, forte, corajosa, feliz e acima de tudo realizada.

A luta entre as duas foi rápida, obviamente Lucy ganhou da menina com facilidade, mas não podia deixar de se surpreender com o quanto ela estava mais forte, com certeza um dia aquela menina seria tão forte quanto ela, se não mais.

E então quando Lucy retornou a guilda ficou se perguntando, o que Natsu pensaria ao ver ela agora? Ele teria um ataque do coração. Ao se lembrar dele, a loira colocou a mão em seu cachecol, além de Happy, aquilo era tudo que ela tinha do rosado, o qual se apaixonara anos antes, mas que por infortúnios da vida tiveram de se separar. E mais uma vez ela teve certeza, a vida prega muitas peças.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capitulo, e mesmo que ele não tenha muita ação é importante para o enredo. O próximo capitulo apenas em três dias . Beijos a todos :D