Aprendemos a viver sem vocês
10 Repugnante - Lucy Heartfilia
Notas iniciais
Lucy sentiu o frio bater em seu rosto e se arrependeu por não ter pegado roupas para o frio. Ouviu Happy reclamar em suas costas, dizendo que a loira estava pesada e que deveria fazer regime, caso contrário o gatinho nunca mais voaria com a jovem. Lucy mandou alguns palavrões para o pequeno, e mandando-o se calar, eles tinham muito mais com o que se preocupar.
A mulher olhou em volta de si, buscando encontrar os companheiros, porém eles já estavam muito distantes de si. Abaixo dos pés de Lucy, uma densa mata se alastrava, e se a jovem não tivesse vindo com a companhia dos Exceeds teriam demorado uma semana para chegar ao local desejado.
Mas o que realmente chamava a atenção da loira, não era a mata densa abaixo de seus pés, ou o frio que fazia no lugar, mas sim um enorme castelo sobre uma montanha. Ele era bem antigo, podia se ver algumas marcas nos muros de que ele já fora atacado antes, mas pelo visto era necessário muito para derrubar aqueles muros de pedra.
As cores escuras do lugar eram adornadas pelo branco da grossa neve que caia sobre aquele mundo. Trazendo um misto de desespero e angustia para aqueles que a viam, ainda mais diante aquela triste imagem de destruição. Um pouco mais afastado da montanha uma pequena vila ardia em chamas, os gritos de sofrimento daqueles que morriam junto de sua vila ecoavam nos ouvidos apurados de Lucy.
Ela não entendia o motivo para alguém construir uma vila tão perto de uma Dark Guild. Lágrimas ameaçaram escorrer pelos olhos castanhos de Lucy, ao ver uma mãe correr com sua filha em seus braços, tentando escapar das chamas que consumiam tudo que estava em volta. Logo a densa floresta seria engolida pelo fogo e não haveria onde se esconder, não haveria nenhum lugar que não fosse visado pela Guild.
Happy diminuiu a altitude de seu voo, talvez procurasse encontrar alguém que não havia conseguido fugir das chamas, mas até mesmo o gatinho sabia admitir que eles não poderiam ajudar em nada.
Decidida, Lucy fez sinal para o gato e assim eles desceram em direção a enorme construção de pedras logo abaixo de seus pés. O gato a deixou perto de uma das paredes, e não tardou a se esconder na bolsa que a loira carregou, e com isso Lucy riu. O pequeno não mudara em nada, sempre seria medroso.
A loira se escondeu perto do muro e atrás de uma pedra. Ficou sentada por vários minutos, sem ter muito que fazer, e também tentando se aquecer, já que a neve descia impiedosa sobre o corpo alvo da mulher. Quando a loira menos esperava, viu a pouca luz que chegava a si ser ofuscada por algo grande que se tornava maior, o coração da mulher bateu aceleradamente no peito, e antes que ela pudesse pegar alguma de suas chaves percebeu de quem se tratava a tal sombra.
Laxus descia dos céus acompanhado de Charles, que apenas naquela missão se oferecera para ajudar o grupo. O homem pousou não muito longe de Lucy, e logo veio se sentar ao lado da moça, jogando seu casaco sobre os ombros desnudos da loira, que já tremia com o frio que fazia. A gatinha branca puxou a bolsa da loira e tirou Happy dela, brigando e implicando com o pobre gato, que para apaziguar a situação em que se encontrava, ofereceu um peixe de sua bolsa. Não preciso nem dizer que sua situação piorou consideravelmente depois de tal oferta.
Laxus respirou pesado enquanto olhava a amiga tentar se aquecer com auxilio do casaco – Lucy – ele chamou por ela, e não tardou a ter a atenção da colega sobre si – Você descobriu alguma coisa? – perguntou ele com a voz grossa e séria.
Minutos antes, os três amigos chegaram ao local em que se encontravam e se depararam com a imagem da vila pegando fogo, é claro que aquilo os assustou e então por questão de sua própria segurança, decidiram investigar o que havia ocorrido.
– Nada – a loira falou, com o rosto sério e de certa forma deprimido. Não era do feitio de Lucy ser a pessoa sem nenhuma informação para eles, geralmente esse papel era assumido por Gajeel, que sempre ficava perdido em meio a tudo e todos, e se não fosse por Lily ele talvez não tivesse chegado aonde havia chegado – E você?
– Nada muito concreto – o homem falou enquanto olhava para o outro lado – Só encontrei mais e mais sinais de possíveis magias, obviamente eles foram atacados por magos, agora se foi a Dark Guild eu não sei dizer, podem ter sido magos que pretendiam atacar esse lugar, e acabaram encontrando a vila no caminho. – Laxus falou as palavras sem acreditar muito nelas, a chance de algum mago além deles invadir aquela mata para atacar a Dark Guild era mínima, apenas eles eram loucos o suficiente para fazer isso.
– Interessante – falou Lucy enquanto mirava os olhos do amigo – Por algum motivo, acho que você não acredita nas próprias palavras – a loira falou. Ambos trocaram olhares sérios entre si, e segundos depois caíram na risada. Lucy deixou uma das mãos na barriga e outra limpou as lágrimas que em seus olhos castanhos, já Laxus ria um pouco mais contido.
– Desse jeito vamos ficar tão inúteis quanto o Gajeel – exclamou Laxus rindo junto da moça – Cuidado Lucy, isso pode ser a idade chegando – e nesse mesmo momento um frio passou pela espinha da mulher – Já até fico vendo você daqui a alguns anos, com os cabelos brancos, andando com o auxilio do Happy. Seus filhos vão estar casados e sem tempo pra você. Gajeel vai ter ficado um velho ranzinza e você vai ter de suportá-lo.
– Não fale uma coisa dessas – disse Lucy enquanto colocava a mão no rosto em busca de alguma ruga – Olha só quem está falando – exclamou a loira, enquanto seu rosto de temor se tornava um travesso – O possível futuro mestre da guilda, que já está perto dos seus 40 anos – risos escaparam dos lábios de Lucy, e ela viu perto de si ambos os gatinhos abafarem o riso – Já imaginou daqui a 15 anos? Sua pequena Yumi aparecendo na guilda acompanhada de um homem cheio de pircings e tatuagens, e o apresentando como seu namorado.
Está foi à vez de Laxus se arrepiar, porém ele não teve tempo de retrucar as “doces palavras” de sua colega, pois uma voz grossa fez isso por ele – Inútil como o Gajeel e velho ranzinza? O que mais vocês falam de mim pelas minhas costas? – a voz tenebrosa do homem se fez presente no local. Ambos os loiros ficaram alarmados, se até Gajeel conseguia chegar sem ser percebido, imagine um inimigo muito mais preparado.
– Vamos parar de brincar – exclamou Laxus tentando mudar de assunto – Você descobriu alguma coisa? – perguntou o mais velho, ficando apreensivo, algum segundo depois de ver o aceno positivo do moreno.
– Eu e Lily acabamos encontrando um sobrevivente ao desastre – Gajeel falou enquanto se sentava ao lado de Lucy e a abraçava, tentando lhe passar um pouco de calor. Ele sabia perfeitamente que ela não tinha resistência alguma ao frio, e também para se sentir mais confiante. Não saia da cabeça do moreno que em alguns minutos ele entraria no castelo e todos estariam correndo perigo, mas ele não temia por si, temia por sua esposa e pelos filhos que deixaram em casa, temia não poder voltar para casa e estar lá para ajuda-los quando eles necessitassem.
– Não é muita coisa, mas tenho certeza que vai ajudar – exclamou o pequeno exceed – Ele nos disse que a Dark Guild os atacou – e com essas palavras todas as duvidas e incertezas de Laxus e Lucy foram extintos – O homem ouviu comentários de que alguns membros enquanto estava ainda na vila – Lily pensou em terminar o que tinha começado, mas nenhuma palavra vinha, ele não conseguia encontrar palavras certas.
– Lily? – Happy chamou pelo gatinho negro, que parecia ter perdido a fala, depois de algum tempo ele balançou a cabeça, porém viu um sinal da cabeça de Gajeel.
– Eles comentaram algo sobre o renascimento da morte – falou Gajeel enquanto abraçava ainda mais forte a loira contra seu peito – Eles disseram que a ultima ponte foi destruída, comentaram algo sobre terem conseguido pegar o penúltimo coração e... – Lucy se arrepiou dos pés a cabeça com a repentina parada do marido – Eles também disseram que já está quase tudo pronto para o plano ser iniciado, e que logo vamos conhecer o verdadeiro desespero.
Alguns minutos se passaram em completo silencio, nenhum deles compreendia com perfeição o que aquelas palavras queriam dizer, mas sentiam que era importante e mesmo que não estivessem se importando muito, sentiam que uma hora aquilo teria um sentido maior do que eles imaginavam.
Lucy esqueceu as palavras do marido no momento. Quando estivesse em casa, em segurança junto de seus filhos e marido pensaria com maior cuidado no assunto. Ela se levantou devagar saindo de trás das pedras, sendo acompanhada dos dois homens e dos exceeds – Vamos invadir essa pocilga, depois poderemos nos preocupar com isso – a loira disse com convicção e apenas viu a aceno positivo dos outros dois.
– Primeiro – falou Charles enquanto mirava a loira – Já tem um plano para entrar? – rápida e curta, ao estilo da gata. Apenas seis palavras fizeram a loira corar absurdos e colocar a mão na cabeça em sinal de culpa – Como eu esperava – pronunciou-se a pequena – Diferente de você e desse gato estupido, eu e Laxus fizemos algo de útil – exclamou ela um tanto irritada ao ver o gatinho azul chorar diante a afirmação dela.
Laxus suspirou pesado ao ouvir aquilo, tinha suportado a gata por horas a fio reclamando de seu peso, suas roupas fora da moda, seus cabelos raspados e outras milhares de coisas as quais ele não se importava, porém até mesmo o loiro tinha um limite – Encontramos uma porta atrás do castelo. Ela fica a beira do precipício, já que a decida por aquele lado é íngreme, o que dificultaria a nossa entrada se não tivéssemos os Exceeds para ajudar.
Lucy pensou por alguns instantes, mas não tinha outra forma de entrar no lugar. Tirando é claro a entrada da frente, que seria como um alarme para todo e qualquer inimigo na região – Pois bem, então vamos por lá – falou a loira enquanto já era levantada por Happy e seguia a direção que era indicada pelo mais velho.
Segundos depois eles estavam à frente da porta indicada por Laxus, a primeira e chegar foi Lucy, que sem se importar com o que se passava já foi abrindo a porta com um simples soco que a fez se quebrar ao meio. A loira pousou no chão e logo atrás de si estavam os outros, já prontos para enfrentar qualquer inimigo que ousa se chegar perto deles.
O lugar estava vazio, muito diferente do que eles imaginavam. Lucy mirou o lugar por alguns instantes, avistando caixas de comida, barris de diversas bebidas e qualquer outra coisa que uma Dark Guild pode necessitar para suprimentos. Gajeel apontou para uma porta do outro lado do cômodo, e assim as três pessoas acompanhados de seus gatos seguiram naquela direção, mas antes que Lucy pudesse quebrar a segunda porta a mão de Laxus a impediu.
– O nosso plano é ser o menos chamativo possível, e não vamos conseguir isso se sairmos quebrando todas as portas desse lugar – exclamou Laxus irritado, e de relance de olho Lucy viu a gatinha branca virar o olho, como se tais pensamentos fossem óbvios – Gajeel, você consegue abrir essa porta? – o moreno deu dois passos a frente e concordou com a cabeça.
O homem levantou sua mão direita e em um de seus dedos algo se formava em ferro. Segundos depois eles puderam ter certeza que era o formato de uma chave, que logo foi inserida na fechadura, fazendo os ouvir o som metálico da fechadura sendo aberto, o que tirou largos sorrisos dos três.
Ao saírem pela porta se depararam com um enorme corredor, e ao final dele podia se ver uma escada. Havia algumas salas que eram mantidas com as portas fechadas, mais podia se ver outras com as portas abertas – Vamos fazer assim – Lucy disse com a voz baixa – Temos que encontrar o lugar onde está Gildarts, mas obviamente vamos encontrar com magos inimigos no caminho – os outros olhavam para ela em expectativa – Matem todos, quanto menor o numero de inimigos melhor.
Todos concordaram com as palavras dela e assim seguiram até as primeiras portas, e cada um adentrou o lugar em silencio, se deparando com alojamentos para os membros da Guild Negra. Os quartos possuíam dois beliches e eram pequenos, não havia muito lugar onde colocar seus pertences, a não ser um pequeno roupeiro no canto direito.
Havia duas pessoas no lugar, e ambos dormiam serenamente em suas camas. Lucy caminhou em silencio até eles indo em direção ao beliche da direita, puxou a cabeça do homem com cuidado para que ele não acordasse, e logo em seguida pegou uma faca que estava em sua bolsa. Com o canto do olho a loira viu Happy virar o rosto na direção contraria dela, no exato momento em que a lamina passou pelo pescoço do homem, que nem teve tempo de ver o que lhe acontecera, e começava a morrer sufocado. Sem mais delongas a loira fez a mesma coisa com o homem da esquerda.
Durante todos os anos de sua vida, ela aprendeu que era melhor prever do que remediar. Mesmo que seu inimigo não tivesse chance alguma de revidar ou ataca-la, a loira não podia ser piedosa. Porque talvez, a mesma pessoa que ela um dia resolvesse poupar, podia vir pelas suas costas e lhe cravar uma espada.
Ela saiu do lugar acompanhado do gatinho, e em suas mãos a prova de seu crime escorria por entre seus dedos. O sangue escarlate caiu dominante sobre a madeira do corredor, deixando a prova de que Lucy passara por ali. A mulher viu Gajeel, Laxus e Lily saírem de outros quartos em um estado parecido ao seu, já Charles estava às costas de Laxus em estado de choque, afinal de contas, a gatinha nunca havia presenciado tamanha atrocidade a vida humana como aquela.
E assim eles fizeram pelas outras diversas portas que se encontravam no corredor, é claro que acabaram se encontrando com inimigos despertos, que não tardaram a caírem mortos no chão do corredor. Porém na ultima porta em que Lucy entrou, ela se deparou com uma cena inusitada.
Era a primeira porta que entrava e não se deparava com o mesmo ambiente com dois beliches, Naquele quarto havia uma cama de casal e uma de solteiro, que estavam todas ocupadas. Na cama de casal se encontrava um homem e uma mulher dormindo juntos, e obviamente era um casal, porém aquilo que chamou a atenção de Lucy foi à outra cama, que era ocupada por uma menina que deveria ter seus cinco anos.
Lucy foi até o lado do homem e sem nem pensar cortou a sua garganta. Viu a mulher ao lado despertar com o barulho e rapidamente foi até seu lado e posicionou a faca na garganta da mulher, porém antes de lhe desferir o golpe mortal ouviu suas ultimas palavras – Por favor, não mate minha filha – logo em seguida sangue jorrava da garganta da mulher.
Lucy deu dois passos em direção à menina, porém parou ao ver dois olhinhos vermelhos mirando as suas ações. A menina era pequena para sua idade, tinha cabelos negros como a noite e olhos tão rubros quanto o sangue que escorria das mãos de Lucy. A pequena garotinha se agarrava a um pequeno coelhinho de pelúcia e em seu rosto Lucy viu o medo percorrer. A mais velha colocou a dedo sobre sua boca e fez sinal para que a menina ficasse em silencio, e esta apenas fez sinal positivo, a loira saiu pela porta a fechando logo em seguida. Por sorte, Happy não havia entrado naquele quarto.
Lucy não comentou nada sobre o ocorrido para os colegas, pois de certa forma ela se sentia suja por tirar os pais do uma garotinha que mal sabia da vida. O grupo novamente reunido seguia pela escada em espiral silenciosamente, parando apenas quando chegaram à frente de uma porta e ouviram algumas conversas do outro lado, porém os ouvidos aguçados das três pessoas detectaram uma conversa em particular que lhes chamou a atenção.
– Você ficou sabendo Ned? – perguntou uma voz feminina e aguda, que irritava a qualquer pessoa normal – O mestre vai voltar no final dessa semana – falou a voz toda animada – Parece que todos os quatro prodígios estão vindo com ele – disse ela em uma vez que se fez parecer surpresa.
– Sério? – falou uma voz masculina – Eu nunca os vi todos juntos na guilda – ele disse surpreso para a mulher – As coisas devem estar ainda mais próximas de acontecer do que imaginamos – ele disse em obvia felicidade, intrigando os três ouvintes.
– Eu já os vi todos juntos aqui na guilda – exclamou a mulher de voz irritante – Já faz bastante tempo, deve fazer uns 15 ou 16 anos, não me lembro muito bem – ela disse pensativa – Naquela época nossa guilda sofreu ataque da Fairy Tail, quase fomos destruídos completamente, se não fosse pelos prodígios e o mestre, tenho certeza que nossa guilda teria sido completamente devastada.
Depois disso a conversa deles perdeu sentido para Lucy e os rapazes – Então, a carta estava mentindo – a loira disse num sussurro – Eles não perderam feio pra essa guilda, eles não tem nada de mais em comparação a nós – sua voz começou a se alterar – Eles nos fizeram ficar de cabeça abaixada por 16 anos, por nada, eles me tiraram tudo por nada – se não fosse por Gajeel tapar a boca da loira ela teria gritado.
– Lucy – Laxus a chamou – Agora não adiante nos irritarmos a toa, se você gritar vai por tudo em risco – as palavras acalmaram a mulher, que puxou Happy para seu colo, talvez algo no gato a acalma-se.
Gajeel foi até a porta e abriu uma fresta, dando visão para um enorme salão de festas, que estava completamente lotado de pessoas de vários tipos. Baixinhos e altos, mulheres e homens, gordos ou magros, porém todos possuem uma única semelhança em comum, um frio e nojento olhar de assassinos.
– Não tem como passar despercebidos por isso – exclamou um Happy sufocado pelo aperto de Lucy – O que vamos fazer agora? – perguntou ele curioso depois de escapar das garras homicidas de Lucy.
– Eu sou de opinião de fazermos algo bem simples – exclamou Gajeel – Entrar lá e dar uma surra nesses malditos – Todos concordaram e então para o agrado do moreno, ele se levantou e foi até a porta de madeira e deu um chute bem no meio dela, fazendo a voar alguns metros para frente chamando a atenção de todos os magos inimigos – Vamos começar a festa – e com essas palavras, as três pessoas junto de Lily foram ao ataque, já Charles e Happy ficaram voando e dando suporte para aquele que precisasse.
Porém, sem que nenhum dos magos da Fairy Tail percebesse, um homem qualquer de porte médio, cabelos castanhos e olhos da mesma cor subiu as escadas que ficavam no lado oposto ao qual Lucy e os outros entraram. Quando já estava no segundo andar ele adentrou a uma porta que até hoje nunca tinha entrado, pois era restritamente proibido. Depois de passar por salas parecidas com a do salão de entrada ele chegou até a última.
Ele se deparou com um lugar amplo e bem cuidado, com uma mesa e cadeira do lado esquerdo, no fundo da sala ele avistou uma grande cela onde varias pessoas estavam presas, e um pouco a frente dela, três pessoas torturavam um homem a base de chutes e socos. O homem já era velho e de idade, já estava em um estado deveras perigoso, e se não fosse tratado ele logo morreria, porém o invasor não se importou com aquilo.
– Senhorita Mila – o homem chamou enquanto tentava recuperar o folega. A mulher em questão virou-se na direção oposta a que olhava e mirou com repugnância o jovem que interrompera a sua diversão – Temos problemas – ele exclamo um tanto inseguro, enquanto viu três pares de olhos mirarem a si com repugnância.
– O que você quer aqui verme inútil? – perguntou a mulher citada antes, enquanto andava a passos lentos pela sala fazendo o barulho de seu salto ecoar pelo recinto. O homem tremeu diante a imagem de sua superiora, que olhava intensamente para si. Atrás dela outros dois homens se encontravam, porém eles não quiseram parar sua diversão, e continuaram a torturar o velho de cabelos brancos.
– Estamos sendo invadidos, senhorita – ele falou afobado – Não da para ouvir o barulho daqui, mas tenho certeza que eles estão lutando agora mesmo – ele falou rapidamente, mas a mulher não se surpreendeu com isso, afinal de contas, eram constantemente atacados por magos que tinha missões para destruir sua guilda.
– Quantos são? Eu tenho certeza que nossos magos podem cuidar de qualquer guilda que invadir aqui – ela disse em desdém e logo se virava em direção ao homem caído no chão para terminar o que começara.
– Mas não é quaisquer magos, senhorita – falou ele ainda mais rápido, a mulher se virou mais uma vez para ele – São magos da Fairy Tail, apenas três pessoas e três gatos – ele falou apavorado com tudo que tinha visto. Todos os magos que estavam presos olharam atentamente para o rapaz, esperando saber mais dos tais magos que haviam invadido a Dark Guild.
– Quem são os três magos? – a pergunta pairou no ar, e até mesmo os dois homens atrás pararam de bater no velho, que abrira os olhou curioso com tal situação.
– Gajeel de Ferro, Laxus dos Trovões e... – ele engoliu sua própria saliva com medo da ultima pessoa em questão – E Lucy das Estrelas – em seguido ele viu pasmo seus três superiores arregalarem o olhar e tremerem levemente – Eles vieram acompanhados de seus exceeds e estão destruindo tudo.
A mulher fechou os olhos e respirou pesadamente, ouvindo o estardalhaço que os magos na cela faziam ao saber que seus amigos vieram em seu auxilio – Calados – ela ordenou irritada enquanto levantava a mão na direção deles – Doro, crie um escudo em volta da cela, deixe o velho para fora.
– Mas Mila, o escudo só é lento de ser quebrado, você sabe que se aqueles três nos derrotarem, um escudo não vai ajudar em nada – a mulher lançou um olhar para o mais baixo dentre eles, que não tardou a abaixar a cabeça.
– Meu caro Nathan, eu tenho planos muito além desse escudo – ela disse vitoriosa – Não precisa se preocupar, não vamos lutar com eles. De todas as formas, nós sabemos muito bem que em termos de poder, somos muito mais fracos, mas eu sou inteligente, pena que eles não têm ninguém desse tipo da guilda deles – exclamou ela enquanto mirava a cela.
Não muito longe dali, Laxus colocava fim na ultima vida que restara de seus inimigos, enquanto Lucy passava por vários corpos que a pouco havia derrubado – Vocês são loucos – exclamou Charles enquanto os mirava com o canto do olho – Mataram os membros de uma guilda inteira, podia haver pessoas que queriam mudar – ela falou em total descrença.
– Charles, aprenda algo – exclamou Happy, enquanto agia sério pela primeira vez na missão – Nenhum deles gosta do que está fazendo, mas um inimigo poupado é o mesmo inimigo que pode lhe tirar sua vida no futuro, por isso aprenda a não ser piedosa – ele disse enquanto olhava profundamente nos olhos dela – Você pode ainda não ter visto, mas a Wendy e o Romeu também são assim.
A gatinha ficou quieta e pensativa, vendo que as palavras do gatinho faziam sentido – Por enquanto esqueça isso, você pode nos julgar mais tarde Charles, mas agora temos coisas mais importantes – falou séria a loira – Onde está o cheiro do Gildarts? – perguntou a mulher enquanto procurava o rosto do marido, que não tardou aparecer.
– Subindo as escadas – ele falou enquanto se levantava da pilha de corpos que abatera – Vamos logo, estou sentindo cheiro forte de sangue por lá – O grupo seguiu quieto pela extensão de salões e lugares diferentes que havia por além da porta no fim da escada, mas quando chegaram até o ultimo salão sentiram o sangue ferver.
Gildarts estava caído no meio da sala, completamente ferido e sangrando, ao seu lado se encontrava três pessoas. Uma delas era uma mulher, loira de olhos azuis e com um sorriso convencido. Os outros eram homens, porém apenas um chamou a atenção de Lucy, pois suas pernas firmes, seu corpo deformado era algo que jamais tinha visto.
Mas tudo a sua volta desapareceu no exato segundo em que seus orbes castanhos cruzaram com aqueles belos orbes ônix, o qual tanto sentira falta. Um misto de sentimentos a preencheu, a esperança cresceu no seu coração, e aquele pequeno momento, a fez entrar no mundo das mais belas memórias de um tempo há muito esquecido.
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