Notas iniciais
Feliz Natal atrasado! ^^ Meu presente pra vocês será esse capítulo ok :) Boa leitura =^.^=

Os sobreviventes correram para a pick-up como um bando de condenados. Como o bando de condenados que eram. Damien pulou no banco do motorista e os outros quatro se ajustaram adequadamente nos demais bancos.

Damien começou a dirigir, mas, a pedido de Cristina, não passou dos 60km. Por Damien estava tudo bem, afinal não conseguia manusear o carro corretamente devido ao ferimento em seu ombro. Assim que a adrenalina dos sobreviventes caiu, começaram os gemidos de dor, os choros e os lamentos.

Logo, a pick-up parecia um Muro das Lamentações ensaguentado. Todos estavam nervosos pela decisão de Maryanne. O que aquela ruiva tinha na cabeça?

– O Sol já está se pondo — anunciou Damien — Christie, desculpa, mas vou ter que acelerar agora.

E assim fez.

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Os sobreviventes do acampamento estavam aflitos. Todos estavam sentados ao redor da fogueira apagada, cabisbaixos. Ninguém emitia um único som. O Sol descia no horizonte e os animais já estavam se recolhendo.

– Por que eles ainda não voltaram? — perguntou Kath, derramando uma lágrima de seu olho bom, enquanto abraçava seu ursinho.

– Eles podem ter tido algum problema, Kath. Fique tranquila que eles logo irão voltar — disse Derick abraçando a cintura da amiga e tascando um beijo estalado em sua testa.

Kath ficou vermelha, porém, aninhou-se no abraço do "amigo".

Andrew abraçou Katrina.

– E se eles não voltarem mais? — perguntou a morena.

– Eles vão voltar. Eles têm que voltar — respondeu Andrew — Mas, se não voltarem, estou com você.

A morena sorriu e lhe deu um rápido beijo nos lábios, que fez Andrew ficar vermelho como um pimentão. O olhar dos dois voltou a ficar triste depois de um tempo.

O céu escarlate era um mau sinal para todos, inclusive para Harry. Ele estava sentado ao lado de Clear, porém, de costas para a fogueira. Olhava para o lago e para o céu que era refletido nas águas a sua frente. Seu pai não voltaria, pensou, e nem havia se lembrado de seu aniversário, de lhe dar um "adeus" apropriado ou de ter pelo menos agido como um pai. Um abraço, um beijo na bochecha. Qualquer coisa.

O loiro soltou um suspiro e uma lágrima discreta brotou de seu olho esquerdo. Ele não fez questão de limpa-la, sabia que ninguém estava vendo. Ou melhor, achava que ninguém estava.

– Sabe — murmurou Clear baixinho, mexendo em seus óculos. O súbito sussurro aos ouvidos de Harry fez com que o loiro desse um pulo e enxugasse as lágrimas. Clear continuou — Li em algum lugar que, quando a pessoa chora, e a primeira lágrima vem do olho direito, é um choro de alegria. Mas se a primeira lágrima vem do olho esquerdo, é um choro de dor.

Clear sussurrou baixinho, para que ninguém ouvisse.

– To aqui se precisar — e colocou a mão no ombro do "amigo".

Jason se sentia péssimo. Pior do que jamais se sentira. Estava com aquele sentimento no estômago crescendo, que significava raiva, culpa, tristeza... Queria levantar na hora e ir procurar pelo resto do grupo, por Cristina.

Mas se conteve. Eles logo chegariam, pensou sozinho, e ele teria de estar ali para recebe-los e ajudar com as mochilas. Abaixou a cabeça. Talvez fosse melhor ter ido junto e Cristina ter ficado ali. Estaria segura, pelo menos.

"Droga", pensou ele "Eu poderia ter mudado isso".

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O belíssimo por-do-sol se fora. Os pequenos sobreviventes (e Jason) ainda estavam sentados. As esperanças foram trituradas e jogadas no cosmos. Eles não voltariam. Nunca voltariam. Clear abraçava Harry com um instinto protetor prevalecendo sobre o orgulho. Harry não chorava mais, porém, assim como todos do grupo, sentia um enorme vazio no peito.

Katherine estava deitada no colo de Derick, que acariciava seus cabelos e, de vez em quando, acariciava sua bochecha também. Katherine virou-se para o amigo e acariciou sua bochecha. Os músculos de Derick relaxaram, mas continuava triste. Sorriu amarelo para Kath e beijou sua testa.

Katrina e Andrew já estavam muito cansados e foram para suas barracas. Na realidade, Katrina fora para sua barraca e Andrew a acompanhara. Permaneceram lá dentro em silencio.

Jason permanecia imóvel. Vazio. Sem esperança nenhuma de ver o resto do grupo novamente. Sentia que quase morria por dentro, que mesmo que seu coração ainda batesse, não tinha alma que o diferenciasse dos errantes.

Então ouviram um barulho.

Atordoados pela recente falta de esperança, todos ergueram suas armas. Achavam que poderia ser o inimigo, o violador. Permaneceram armados até que uma pick-up enorme apareceu. Os pequenos sobreviventes (e Jason) estavam rígidos.

– Quem está aí? — gritou Harry — Saiam do carro agora!

A porta do motorista se abriu lentamente. De dentro dela, um Damien pálido.

– Damien! — exclamou Clear.

Não demorou muito para que todos vissem o buraco do tiro em seu ombro. Pouco a pouco, todos os integrantes do grupo foram saindo do carro. Cristina pulou do banco traseiro e Jason se animou, até ver o estado de sua perna.

– Rápido! — gritou uma Triz manchada de sangue da cabeça aos pés — Coloquem ela dentro da minha barraca. Gaspar, quero você lá também.

O coração de Harry deu um pulo. Seu pai estava vivo! Seu mundo desmanchou, porém, quando viu o enorme curativo vermelho de sangue no olho esquerdo do pai.

Todos os sobreviventes que saíram do carro, levavam uma Lucie completamente inconsciente e sem um dos braços em conjunto para uma das barracas.

– Lucie... — murmurou Derick, enquanto abraçava Katherine pela cintura, fazendo com que a menina, que agora chorava, ficasse na ponta dos pés.

Triz passou correndo pelos pequenos (e Jason) que os olhavam, atordoados. Não entendiam o que estava acontecendo.

– Harry — chamou Clear.

– Sim, eu vi... — ele respondeu — Perdemos Maryanne.

Notas finais
Acho que lanço outro ainda hoje. Acho