Apocalipse Zumbi (interativa)
20 Nada mais os surpreende
Notas iniciais
Triz trabalhou a noite toda com muito empenho. Hora nenhuma saiu da barraca onde estavam os machucados. Pouco a pouco, alguns dos sobreviventes saiam de lá, aliviados. A primeira foi Cristina.
Ela mancou para o lado de fora, com ataduras novas e com uma cara péssima e cansada. Todos viraram a cabeça quando perceberam o movimento. Clear sorriu. Jason se levantou.
Andou até o companheiro e parou diante dele. Os sorriso no rosto de Jason ia de orelha a orelha. Cristina sorriu de volta e os dois se abraçaram. A euforia foi tanta que Jason tirou Cristina do chão e rodou com ela em seus braços.
– Meu deus, achei que tinha morrido — disse ela, quando a colocou no chão.
– Eu disse que eu me cuidava — respondeu ela.
Mancou na direção de Clear que chorava. Abraçou a garota como se não a visse a meses. As duas sorriam muito.
– Está tudo bem? Como foram as coisa por aqui? Está com fome? Sede? Cansada? Doente? Por favor, não me diga que está doente.
Cristina bombardeou Clear de perguntas. A pequena apenas riu e respondeu:
– Você que chega praricamente sem perna de uma cidade cheia de errantes e eu que estou cheia de problemas.
Clear se sentou ao lado de Harry, limpou as lágrimas e riu nervosamente. Harry inclinou-se na direção da pequena e sussurrou:
– Olho direito.
Clear o olhou, sorridente e se jogou nos braços do loiro para um abraço, fato que acabou derrubando-os no chão. O próximo a sair foi Damien, com o ombro enfaixado e depois de gritos abafados. Ele suava, mas estava melhor. Andou até Cristina, que sussurrou algo no ouvido do Maldonado e os dois se abraçaram. Jason não sentira ciúmes. A tratava como uma irmã mais nova e agora, finalmente, havia entendido isso.
O abraço entre os dois foi tão caloroso que os sobreviventes se permitiram um "UuUuUuUuUh!" debochado e pervertido para os dois. Cristina ficou vermelha e Damien sorriu, tascando-lhe um beijo na boca que os sobreviventes não viam desde que as televisões não passavam mais filmes.
O próximo a sair foi Gaspar. A blusa encharcada de sangue e a pele pálida. Saiu cambaleando ao encontro de Harry, que o olhava com os olhos arregalados. Gaspar ignorava os gritos de Triz dizendo que ele precisava voltar e descansar, que havia perdido muito sangue. Ignorou por completo. Usava um tapa-olho preto, como um pirata, porém, com gaze na parte de dentro.
Andou, se ajoelhou diante de Harry (ato que fez Clear se afastar do loiro sorrindo) e abriu os braços para o filho.
– Desculpe — ele pediu — Quase perdi você...
Harry começou a chorar e, desta vez, a lágrima caiu do olho direito. O loiro se jogou nos braços do pai e eles se abraçaram calorosamente. Gaspar chorava e murmurava "Desculpa desculpa desculpa", enquanto Harry fazia que sim com a cabeça e sorria, enquanto as lágrima rolavam. Gaspar disse que precisava voltar a barraca antes que Triz lhe desse outro tiro e prometeu contar-lhe a história assim que acordasse.
Depois de mais alguma horas, Triz saiu de sua barraca. Havia uma atadura em seu ombro e ela suava mais do que todos. Katrina correu para lhe dar um abraço. Ela fora como uma mãe para a morena e estava aliviada que ela estava de volta. Triz retribuiu o abraço surpresa. Descobriu que tinha alguém para quem voltar, afinal de contas.
Quando o abraço se desfez, Triz suspirou e andou até os integrantes do outro grupo (Kath, Derick e Andrew). Eles a olharam, apreensivos.
– Tivemos que tirar o braço dela fora — começou Triz, com um ar de médica — Ela foi mordida e esse podeira ser um jeito de salva-la. O que interessa é que ela perdeu muito sangue e está em coma a horas. Esterilizei o material necessário para fechar o braço e espero que seja o suficiente... Se vocês... Se vocês quiserem ve-la, a hora é agora.
Dizendo isso, deu um passo para o lado. Os mais novos ficaram estáticos por um momento até que Kath respirou fundo, abraçou seu ursinho e andou até a barraca. O resto do grupo lhe seguiu.
Ao entrarem, viram um Gaspar praticamente morto de tão profundamente que dormia e uma Lucie completamente apagada. Sua respiração era normal, mas estava muito pálida e os lábios estavam azuis e secos. Ela estava suada. Aonde deveria haver o seu braço, havia um cotoco enfaixado com gaze que estava um pouco vermelho nas pontas.
– Qual é a chance de ela sobreviver? — perguntou Andrew.
– Está aumentando — respondeu Triz — Mas ela precisa acordar logo e comer. E ela pode demorar dias para acordar.
Todos assentiram com a cabeça e saíram em silêncio.
E todos foram dormir.
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Acordaram um pouco mais tarde, às 5:30 da manhã, mais ou menos, com um barulho de passos. Todos os sobreviventes se levantaram com o barulho de alguma coisa caindo na água e depois saindo de lá e andando na direção das barracas. Cristina ousou colocar a cabeça pra fora e viu uma silhueta de alguma coisa mancando na direção deles. Levantou sua arma e deu um tiro de aviso.
Todos do acampamento levantaram num pulo e foram ver o que tinha do lado de fora. A medida que a silhueta ia se aproximando, ia ficando mais evidente que era uma pessoa (ou errante) do genero feminino e que tinha alguma coisa em suas costas.
– Não pode ser... — murmurou Cristina.
– Então — disse a silhueta — Eu andei horas pra voltar pra cá. Alguém poderia me ajudar aqui antes que eu caia dura no chão?
Cristina pulou para fora de sua barraca e ajudou a dona da silhueta a andar até a fogueira apagada. Alguns sobreviventes acenderam suas lanternas e soltaram um suspiro ao ver fios ruivos espetados.
– Mas como...?
– Impossível...
– Maryanne?!
A ruiva sorriu e jogou as mochilas no chão. Tinha comida e medicamentos, bem como instrumentos médicos e cirúrgicos.
– E ai, Christie — murmurou a ruiva, abraçando Cristina.
Gaspar pulou para fora d barraca.
– Triz! Triz! Corre pra cá! — então seus olhos pousaram na ruiva — Você está viva!
Beatriz correu até Gaspar.
– O que houve? — ela perguntou.
Uma voz dentro da barraca respondeu.
– Estou acordada... E quero saber quem foi o errante desgraçado que roubou meu braço.
Todos riram.
Triz entrou para cuidar de Lucie. Harry, que olhara ao seu redor, deu um sorriso enquanto murmurava.
– É... Acho que nada mais me surpreende.
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