Apocalipse Zumbi (interativa)
8 Nunca estaremos realmente sozinhos
Notas iniciais
Hoje, é o dia da tão esperada batalha :3
Eu, particularmente, gostei bastante desse capítulo, mas, quem decide são vocês, certo?
Boa leitura!
Havia uma coisa que marcaria aquele momento na cabeça de todos para sempre. O cheiro. O cheiro dos mortos, o cheiro de sangue, o cheiro do medo...
Um a um, os errantes sairam da floresta. Cristina estava certa quando contou vinte e cinco deles. Clear se encolheu na pá carregadora e olhou para Avery. Percebeu que ela estava aflita, por não poder fazer nada para ajudar. A pequena se sentia assim também, mas, como dizia seu pai, "muito ajuda quem não atrapalha".
Avery olhava de seu namorado, Damien, para os errantes. Não queria que nada de ruim lhe acontecesse, principalmente agora, nesse momento em que estaria ali, observando tudo e incapaz de ajudar.
Harry estava na frente, junto a Gaspar. Eles mantinham uma distancia razoável dos errantes que se aproximavam aos poucos. Eles tinham um plano, plano este que foi aprovado pelos dois em um consenso silencioso. Harry sorriu, levantando sua arma, e Gaspar fez o mesmo.
Atrás deles, Jason e Cristina estavam lado a lado, como se houvessem prometido proteger um ao outro sem dizer nada. Katrina estava sobre o trator e tinha uma boa vista dos errantes, Christian e de Clear e Avery.
Damien levantou o taco de baseball.
Cristina levantou seu pé de cabra.
Beatriz se encolheu no trator junto a Christian.
- Harry! — gritou Gaspar.
Tendo o grito de seu pai como uma permissão, o loiro mirou nas cabeças dos errantes mais próximos e descarregou a arma aos poucos. O grupo de errantes se dividiu em dois, um para cada lado.
Cristina acertou um deles bem na cabeça com seu pé de cabra, levando-o ao chão. Alguma coisa espirrou da cabeça dele, e, definitivamente, não tinha um cheiro agradável. Jason, rapidamente, esmagou a cabeça do errante com seu pé, fazendo os gemidos cessarem.
- Boa! — gritou Cristina.
- Cuidado! Atrás de você! — gritou Jason, tirando o pé de cabra da mão de Cristina e acertando-o na cabeça com um movimento vertical. O errante foi ao chão antes mesmo de Cristina perceber que estava desarmada. Jason devolveu o pé de cabra a ela e sorriu — De nada.
Cristina revirou os olhos e partiu para cima de mais um.
Harry, já havia abatido cinco deles, mas estava nervoso e tenso. Quanto mais ele atirava, mais os errantes se aproximavam.
- Droga... Por que... Você não... Morre logo!? — murmurou Harry.
O errante chagava cada vez mais perto e as balas do loiro passavam cada vez mais longe da cabeça do errante. Para o desespero do pequeno, as balas haviam acabado. Harry, trincou os dentes. Demoraria demais recarregar ali, no meio de um grupo de errantes que chegavam cada vez mais perto. Quando Harry começou a cogitar a correr, apareceu Gaspar.
Com um movimento rápido, o major acertou a cabeça do errante mais próximo e jogou-o no chão com uma força incrível. Assim que o errante caiu no chão, Gaspar explodiu a cabeça dele dando um único chute.
- Kung Fu assassino, antes que você me pergunte — disse Gaspar, sorrindo torto. Mesmo sorrindo, Harry pode perceber que ele estava aflito. Sorriu de volta.
- Cansei de brincar aqui, pai — disse Harry, recarregando sua LAPA 03.
Gaspar sorriu.
- Vamos esmagar umas cabeças.
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Alguem gritou. Muito alto. Uma mulher, Avery.
- Por favor, calma! — pediu Clear — Não grite.
Avery tremia. Seus olhos chocolate transbordavam medo.
- Mas eles estão...
- Eu sei! — disse a pequena, impaciente. Ela procurava alguma coisa em sua mochila — Pare de espernear, ou vai chamar a atenção deles!
Avery abaixou a cabeça, envergonhada. Depois, sorriu de canto, afinal, não era todo dia que ela levava um sermão de uma garota de 14 anos.
Debaixo da pá carregadeira, cinco errantes tentavam agarrar os pés das meninas. Damien havia tentado se livrar deles, mas Clear o mandou parar. A pequena tinha uma idéia.
- Achei! — exclamou a mais nova, arrumando seus óculos de armação. De dentro da mochila puxou uma adaga e uma pistola pequena — Agora, fique calma! Se gritar novamente, pode chamar a atenção de outros!
Avery assentiu, surpresa com a frieza de Clear.
Dentro do trator, Beatriz e Christian esperavam uma chance para sair de lá e ajudar de alguma maneira.
- Como isso foi acontecer? — perguntou Christian.
- O trator, provavelmente — respondeu Triz. Seus olhos azuis estavam focados no lado de fora — Fez muito barulho, nos arriscamos demais...
Christian a olhava confuso. Não sabia quem ela era e nem como havia parado ali. "Aonde está Katrina, afinal de contas?", pensou ele.
- Ahn... Hum... Onde está Katrina? — perguntou ele, baixinho.
Os olhos de Triz se voltaram para ele.
- Quem?
- Katrina, sabe? Morena, magra, vive falando gírias...
- Ah! Ela está... — de repente, uma idéia brotou na cabeça da loira — É isso!
O trator estava cheio de errantes cercando-o. Katrina observava amedrontada. Não sairia viva dali, com certeza. Foi então que sentiu alguns impactos fortes em seus pés. Alguém havia batido no teto do trator.
Katrina chutou de volta. Então, uma trilha de batidas a guiou até a porta, que estava cercada por errantes. Então ela entendeu.
Olhou para as caras horríveis dos errantes sob seus pés e sentiu um embrulho no estômago. "Foco, Katrina, foco!", pensou ela.
A morena se sentou no teto e, deu graças a Deus por não ser muito alta.
- Ei! — gritou. Os errantes se viraram para ela e começaram a gemer e a estender suas mãos na direção da morena — Isso, venham cá, zumbis idiotas! Venham!
Pouco a pouco, Katrina foi se arrastando para o lado, guiando os errantes para qualquer lugar, menos a porta. Assim que Beatriz viu que estava dando certo, pois se de pé num pulo e se preparou para abrir a porta. Christian fez o mesmo, mas estava muito tonto. Assim que se colocou de pé, caiu entre o banco do passageiro e do motorista abaixando uma alavanca.
Assim que a alavanca foi abaixada, ouviu-se um barulho de metal muito alto e dois gritos femininos.
~#~#~
Lucie corria como se não houvesse amanhã. Bom, talvez realmente não houvesse para alguns. Logo atrás dela vinham Andrew e Derick que puxava Katherine pela mão. Os quatro corriam como nunca haviam corrida antes. Precisavam manter os vivos vivos.
A cada passo que davam, o cheiro de morte ficava maior e o barulho de corpos caindo no chão também. Logo, avistaram a Interestadual.
- Os sobreviventes! — gritou Andrew.
- Derick! — gritou Lucie. O mais novo entendeu o recado e jogou uma de suas facas de cozinha para ela, que a pegou no ar — Temos que ser rápidos.
Mais cinco passos e adentraram o caos. Lucie avistou um garoto loiro, que estava começando a ser cercado pelos errantes. Acelerou e, num pulo, acertou a cabeça do errante atrás do garoto verticalmente. Logo em seguida, acertou um que vinha pela sua lateral. O garoto percebeu a presença de Lucie e a encarou, incrédulo.
- Não deixe que eles te cerquem garoto — disse ela — Entrar na rodinha deles é fácil, sair de dentro é que são elas.
Dizendo isso, voltou sua atenção aos outros errantes. O loiro fez o mesmo.
Andrew tirou sua metralhadora das costas e atirou na cabeça de três errantes que atacavam uma mulher e um homem. A mulher abaixou seu pé de cabra e o olhou com as sobrancelhas arqueadas.
- Quem é...?
- Vamos deixar as apresentações para depois, certo? — disse Andrew, se virando para abater mais um errante.
Do outro lado do trator, Derick e Katherine corriam.
- Derick, espera... Eu não estou vendo! — disse Kath, colocando uma de suas mãos sobre a franja que tampava seu olho esquerdo. Na verdade, seu cabelo tampava todo o seu rosto.
- Só mais um pouco, Kath. Confie em mim — disse Derick, apertando mais a mão da colega. "Colega".
Kath soltou um grito agudo.
- Na sua direita! — gritou a mais nova.
Derick olhou para o lado de relance e viu. Ele corria. "Mas que diabos? Em que mundo zumbis correm?", pensou ele.
Em um movimento rápido, puxou Kath pela cintura e ficou de lado para o errante. Colocou-se entre o errante e a amiga e estendeu seu braço, segurando a pistola. Ainda segurando Kath pela cintura, deu um tiro certeiro na cabeça do errante.
- Derick...
- De nada — disse ele — Agora vamos!
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- Socorro! — grito Avery.
- Aqui! Nos ajudem! — berrou Clear.
A alavanca que Christian havia acionado era a alavanca da pá carregadora. Esta, havia sido levantada por completo, num movimento tão brusco que desequilibrou as duas garotas. Nesse momento, Clear e Avery tentavam com todas as suas forças, subir novamente na pá.
Estavam penduradas.
Avery soltou outro grito agudo, que pareceu ter estimulado mais ainda os errantes sob seus pés.
- Cale a boca! Pelo amor de Deus! — exclamou Clear.
- Como pode ser tão fria numa hora dessas? — perguntou Avery — Se nos soltarmos, podemos morrer!
- Eu sei! Estou tentando pensar! — disse ela — Se não conseguirmos subir agora, vamos cair em alguns minutos. Dois, talvez três...
- Isso não está ajudando!
- Não estou querendo ajudar! Estou tentando te fazer entender que fritar não vai adiantar e...
Os dedos da mão esquerda de Clear se soltaram e ela ficou pendurada com a mão esquerda. No susto, ela soltou um gritinho agudo. Depois de alguns segundos, levantou o braço e se segurou novamente, com a respiração falha.
- Gritar não adianta nada, não é? — perguntou Avery, ironicamente.
- N-não enche...
No chão, Beatriz e Christian corriam. Alguns errantes tinham notado a presença deles e os perseguiam. Para o desespero de Beatriz, Christian estava perdendo a velocidade.
- Corra Chris! — gritou Katrina de cima do trator — Ande logo mocinha, ou corre ou morre!
Katrina não tinha a intenção de provoca-lo. Queria alerta-lo.
Infelizmente, não funcionou.
Christian estava muito fraco e muito pálido. Já não conseguia se aguentar em pá, quanto mais correr. Ele estava se esforçando, mas não estava sendo o suficiente. "A ferida. Ele está fraco por causa da ferida", pensou Katrina.
Como se o destino estivesse pregando uma peça na morena, Christian desabou no chão. O coração de Katrina parou por dois segundos.
- CHRISTIAN! — ela gritou.
Mas ele não respondeu. Não se mexeu.
E os errantes chegaram.
- NÃO!
Os gemidos dos bichos dava nojo em Katrina. Ela os viu chegar e matar, pouco a pouco, aquela mocinha que sempre a irritava. Uma lágrima escorreu pela bochecha da morena. Os gritos de Christian eram agoniantes.
- Para... Por favor para... — pedia Katrina.
Enfim, eles pararam. Christian estava imóvel no chão, enquanto os zumbis se amontoavam sobre ele. Ela não podia descer. Não podia fazer nada. Apenas observar. E chorar.
Na pá carregadora, os dedos de Clear e Avery doíam. Todas as tentativas de subir na pá novamente foram falhas.
- AVERY! — gritou Damien — Segure-se!
Clear revirou os olhos. "Como se pudéssemos fazer outra coisa, gênio!", pensou ela. Seus dedos escorregaram novamente e ela prendeu a respiração. Se mexesse um músculo, poderia cair. A mesma situação se aplicava a Avery. A diferença é que esta chorava.
- Vamos tentar de novo — disse Clear — Vamos tentar subir de novo.
Avery fez que sim com a cabeça. Ela não queria morrer, não queria deixar Damien sozinho. Ouviram um barulho de tiros logo abaixou delas. Era Damien. Dos cinco errantes de pá, apenas um foi abatido.
- No três — disse Clear.
- 1...2...3!
As duas forçaram seus braços a levantarem-nas, porém em vão. Clear arrumou suas mãos na pá do trator e mexeu seus pés. A sensação de estar sem chão era horrível. Avery, porém, tentou novamente.
- Avery! Não! Você não...
Mas a loira não a escutou. Clear sabia, sabia que se Avery continuasse forçado suas articulações ela suaria, escorregaria e...
- Avery! Pare!
Avery, se puxou para cima novamente. As lágrimas escorriam por sua bochecha e sumiam entre os errantes sob seus pés.
Então o inevitável aconteceu.
A mão esquerda de Avery escorregou e todo o seu peso se concentrou na mão direita. A loira deu um berro de dor. Seu grito se transformou em um gemido e, depois, em um choro.
- Avery... — murmurou Clear.
- Clear... Acabou pra mim...
Antes que Clear pudesse abrir a boca para responder, a mão direita de Avery se soltou. Sua garganta soltou um grito agudo de dor e desespero, enquanto seus cabelos loiros voavam suavemente. O tempo parou para Damien. Congelou naquela cena. Na cena em que Avery caia a direção dos errantes.
Clear chorou.
Damien caiu de joelhos.
Todos observaram Avery desaparecer entre os errantes, para nunca mais se levantar.
Notas finais
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