Notas iniciais
bom gente mais um cap! Espero que gostem bjus!

POV EMMA H. DIXON

Acordei com uma dor forte nas costas e entre as pernas minha boca estava seca e eu sentia muita sede, abri os olhos e vi a copa das arvores, sentei-me com um pouco de dificuldade e olhei ao redor, era um acampamento, havia uma mulher mexendo com uma vareta na fogueira e um garoto dormindo encostado em uma árvore.
Eu tentei lembrar-me como eu vim parar naquele local mais minha mente estava confusa, recordava-me de correr pela estrada e das botas de Steve, depois apenas imagens desconexas e vozes. Ela virou-se pra mim e eu me encolhi procurando com o olhar algo por perto que eu pudesse usar se ela me atacasse.
_Você acordou, não precisa ficar com medo não vou te machucar. Meu nome é Rachel e aquele durminhoco é o Josh. Encontramos você ontem à noite num hotel com umas pessoas más.
Algumas imagens vieram na minha cabeça, alguém me carregava no colo eu podia ver o teto do hotel, as cabeças do corredor... Steve em cima mim, senti um misto de raiva, nojo e medo tomando conta do meu corpo eu tentei me controlar, mas meus olhos se encheram de lagrimas. Eu fraca e muito dolorida. Fechei os olhos aquelas imagens tornaram a aparecer, eu tentava empurra-lo, mas eu não tinha força por causa da dor ele tirou a minha calcinha e entrou em mim, lembrei-me de senti-lo me rasgando por dentro, do sorriso assustador que ele estampava no rosto e do cheiro fétido do corpo dele.
Soquei o chão com força tentando dissipar a minha raiva.
_Ta tudo bem agora, fique calma. Eu vou pegar uma água pra você!
A mulher se afastou um pouco e começou a remexer numa mochila, eu tirei os cobertores de cima de mim e tentei me levantar. Eu estava usando o vestido que a velha havia me dado ele estava coberto com meu sangue já seco e com um rasgo nas costas perto da ferida do disparo.
_Fique sentada você perdeu muito sangue beba um pouco vai se sentir melhor.
Bebi alguns goles da garrafa de água, levantei e comecei a caminhar eu podia ouvir o barulho de água corrente deveria haver um rio por perto.
_Espera você tem que descansar, você levou um tiro. Disse ela tentando me impedir.
_Me deixa! Você é uma estranha não chegue perto de mim! Gritei.
Ela se afastou permitindo minha passagem, comecei a caminhar na direção do barulho me apoiando nas arvores. Pude ouvir a voz de Rachel falando algo com o garoto que despertou com o meu grito.
Andei por uns 10 ou 15 minutos até chegar a uma cachoeira que descia formando um pequeno lago entre as pedras e depois seguia floresta a baixo como um rio raso de águas límpidas.
Entrei embaixo da cachoeira o fluxo de água era pequeno, e ela descia pelo meu rosto e depois pelo meu corpo estava gelada vi a mancha de sangue que se formou ao meu redor no lago. Sai de baixo da cachoeira e mergulhei meu corpo na água fria, ela amenizava um pouco a dor. Eu voltaria aquele hotel eu mataria aquele desgraçado, arrancaria a cabeça dele e a penduraria naquele corredor.
Fiquei lá por alguns minutos até o frio se tornar insuportável. Sentei no chão na beira do rio e deixei o sol aquecer um pouco meu corpo. Rachel caminhava na minha direção com um cobertor se aproximou de mim e o pousou nas minhas costas.
_Eu sei que é difícil, mas se ficar remoendo essas lembranças vai ser pior.
_Ele tocou em mim eu vou mata-lo. Eu vou mata-lo!
_Vem, eu vou te dar uma roupa seca vai ficar grande, mas é melhor que pegar uma pneumonia.
Ela me ajudou a levantar e me levou de volta ao acampamento. O garoto acenou com a mão me cumprimentando de longe, eu desviei o olhar. Entrei na barraca com Rachel ela me deu algumas roupas ficaram um pouco grandes, mas estavam secas e quentes. Ela tinha um olhar terno daqueles que você consegue entender sem qualquer palavra.
_Qual seu nome? _perguntou ela
_Emma, Emma Dixon. Respondi de cabeça baixa.

Eu não conseguia pensar em outra coisa se não em matar aquele homem, ele devia ter me matado quando teve a chance porque eu o mataria lenta e dolorosamente.
Sai da barraca Josh me alcançou uma fruta, eu recusei empurrando a mão dele.
_Não está com fome? Perguntou ele.
Eu não estava com fome eu não sentia nada alem de dor, raiva e vergonha. Eu estava respirando, mas me sentia morta ele havia me matado, não havia mais nada dentro de mim além de desejo de vingança. Ninguém me tocaria novamente ninguém, eu mataria qualquer um que tentasse. Meu pai estava certo naquele mundo tínhamos que fazer o que devíamos fazer pra sobreviver, o desespero era o pior conselheiro e as decisões erradas podiam te matar ou pior te manter vivo se sentindo morto.
Ele estaria vivo? Se nenhum Walker o encontrou desacordado, provavelmente estaria ele era forte, teria que me recuperar pra tentar encontra-lo ou não? Se estava envergonhada demais pra olhar nos olhos daqueles estranhos imagina nos dele’ pensei
_Hey garota ta com fome? _ insistiu o garoto
Eu peguei a maça das mãos dele e a mordi, eu precisaria de energia pra voltar pra estrada. Eu não devia confiar em ninguém, mesmo aqueles dois parecendo inofensivos, ninguém ajudava uma pessoa sem algo em troca. Eu deveria ficar atenta. Sentei-me perto da fogueira eu estava tremendo de frio. Rachel sentou-se ao meu lado.
_Você não ta sozinha, se quiser conversar sobre o que aconteceu...
_Eu to bem, obrigado por me ajudarem.
_Você tem família? Ou um grupo?
_Tenho meu pai, mas ele deve ta morto.
_Pode ficar com a gente se quiser... Além de mim e do Josh temos mais um se chama Simon, foi ele que te salvou.
_E porque ele fez isso?
_Porque as pessoas devem ajudar umas as outras não acha? É a única maneira de se sobreviver. Disse ela afagando meu cabelo.
_ E vale a pena sobreviver?

\"\"

POV RACHEL LINS
Imaginava o que devia estar passando pela cabeça daquela menina conseguir superar um abuso sexual não era fácil, ainda mais pra nascidos no inferno como eram chamadas as crianças que nasceram no mundo pós-apocalíptico. Não havia psicólogos, terapias ou qualquer outra coisa que pudesse mudar o foco de seus pensamentos, não havia nem mesmo lembranças que pudessem trazer alento a dor. Eles tinham que procurar forças neles mesmos pra tentar seguir adiante, na vila aquilo acontecia com muita frequência a humanidade não era mais a mesma, o respeito a vida e o corpo não existia mais. Satisfazer a carne tornou-se uma necessidade insana pra muitos, estupros, prostituição e escravidão sexual de crianças e jovens como Emma e Josh tornou-se comum. Eles eram trocados por munição ou comida muitas vezes pelos próprios pais ou raptados por outros grupos pra esse fim. Era difícil ver jovens na idade deles a maioria morria antes disso. Eu acreditava que um dia o mundo ia tornar-se um lugar onde se viveria novamente e não se sobreviveria. Tentava fazer com que Josh acreditasse nisso também afinal era dele o futuro, aos 15 anos ele já tentara o suicídio, diversas vezes podiam se observar facilmente as profundas marcas em seus pulsos. Fazia mais de um ano que ele não tentara mais, aquilo me deixava mais tranquila. Josh não nascera de meu ventre, mas era meu filho, meu menino eu o amava como tal e acho que se eu o perdesse perderia minha esperança e depois que se perder a esperança não existe mais nada.
Emma permanecia sentada encostada em uma arvore com os olhos parados, tentei puxar conversa, mas ela continuou olhando pro nada, eu respeitei, conhecia aquele olhar um olhar de luto de pesar ela velava a criança que um dia fora, velava a inocência perdida de maneira tão brutal. Me afastei um pouco.
_Ela vai ficar bem _ perguntou-me Josh um tanto preocupado com a mais jovem integrante do grupo.
_Vai sim, ela só precisa de um tempo.
_Simon ta demorando, acho que eu devia ir ver se ele esta bem. Disse ele pegando o taco de beisebol.
_Não, Simon sabe se cuidar daqui um pouco ele ta de volta ele sempre volta.

Rachel Lins
\"\"

Notas finais
Elogios e críticas são bem vindos não deixe de comentar e ai que acharam da nova capa?