Apocalipse – Born In Hell
47 Ep47 - Evoluçao ou destruiçao?
Notas iniciais
POV ANNA
Senti um ódio ir crescendo dentro de mim, uma coisa que a muito tempo não sentia, meus filhos eram sagrados, nada que fisessem a mim me afetava tanto quanto se fisessem a eles. Fui até a pequena cabana onde Dinna e Lucy moravam, bati na porta com força e Lucy abriu.
_anna o que faz aqui?
_sai da minha frente. Falei dando um empurrão e adentrando a cabana, fui até o quarto e comecei a remexer nas gavetas e armários.
_O que ta fazendo? Não pode fazer isso! Protestou Lucy.
Me aproximei dela e coloquei um pequeno punhal em sua garganta.
_Quem vai me impedir? Você? Ela me olhou apavorada, eu a soltei e voltei a vasculhar.
_O que ta procurando?
_Ja encontrei... Senti um aperto no peito ao abrir o frasco e constratar que se tratava mesmo do veneno agrícola que usávamos, respirei fundo, uma parte de mim gritava de raiva mas a outra não queria acreditar no que os meus olhos e minha mente constatavam. Dinna era a assassina.
_O que é isso? Perguntou Lucy.
_Veneno, Dinna estava usando pra matar criança da Colônia.
_Não, Dinna jamais faria isso ela adora crianças! Disse Lucy com os olhos arregalados.
Com o frasco na mao, caminhei até a sala e me sentei em uma cadeira.
_Sai daqui Lucy e nehuma palavra a ninguém entendeu. Falei.
_Anna não pode ser... você deve estar enganada.
_Eu queria estar, mas não to, ela contou o que estava fazendo a Sra Dumont ela tentou me avisar eu não entendi, mas agora está claro.
_Anna a Sra Dumont é maluca, não pode acreditar nela.
_E isso? Pra que ela teria isso na gaveta? Perguntei, Lucy me olhou sem resposta e saiu, eu esperi por cerca de 20 minutos até Dinna voltar pra casa.
Assim que ela abriu a porta, arrregalou os olhos ao me ver ali sentada, tive que usar todo o meu auto-controle pra não pular em cima dela naquele mesmo instante.
_Anna, que faz aqui?
_Você falhou... Jimmy está vivo. Falei, ela me olhou com uma expressão assustada.
_Eu estou feliz que ele esteja bem mas o que quer dizer com isso?
_Parabéns! Matar alguém já é difícil, matar uma criança então nem se fala, mas agora, matar uma criança e depois ir chorar junto com a mãe dela isso sim foi o ápice da dissimulação e crueldade que eu já vi em toda a minha vida e olha eu já vi muita coisa ruim. Falei.
_Você ta enganada, não sou uma assassina.
_Não assassina sou eu, você é o próprio diabo. Falei levantando e olhando no fundo dos olhos dela.
_Você ta louca, já não prenderam o Stuart!
_Ah o Stuart claro, foi perfeito não foi, você sabia do plano da Ruby e esperou até a gente voltar pra atacar o meu filho! Você é um monstro! Gritei
Ela me olhou e soltou um sorriso sarcástico.
_Monstro é você, eu os libertei de uma vida de sofrimento eu os dei o paraíso. Suas contas a acertar no inferno são muito maiores do que as minhas Anna!
_ Eu nunca matei alguém que não merecesse morrer! gritei.
_Isso não diminui a sua culpa. Somos assassinas nos duas. Disse ela se recostando na pia da cozinha e pegando uma faca.
_Se eu fosse você não tentaria isso. Falei
Ela pegou a fala e avançou na minha direção tentado me acertar, eu desviei me abaixando e deferindo-lhe um soco forte no estômago, ela se afastou um pouco pra se recuperar do golpe, e voltou a me atacar, com a faca, segurei seu pulso no ar e usei toda a minha força pra tentar faze-la soltar a faca, Dinna me acertou uma joelhada forte nas costelas que me fez recuar, ao longo dos anos eu perdi a conta de quantas costelas eu já havia quebrado, elas eram meu ponto fraco, respirei fundo pra aliviar a dor, e segurei a investida que ela deu contra a minha barriga, empurrei ela com força a jogando contra a parede. Dina ficou um pouco tonta e eu aproveitei pra desarma-la e bater o rosto dela contra a parede algumas vezes até deixa-la sem defesa, seu rosto estava ensanguentado e eu a joguei ao chão, meu sangue fervia ao lembrar de todas as vezes que a vi consolando as mães que choravam sobre os corpos gelados de seus meninos, eu poderia ter sido uma delas se Rachel não estivesse aqui. Subi sobre ela e comecei a dar diversos socos, ela tentou reagir e me acertou um soco no queixo mas ela já estava fraca, aquele ódio me dominava e eu continuei socando o rosto dela, meus pulsos ardiam mas eu so parei quando me senti demasiadamente cansada.
Ela estava imóvel com o rosto completamente ensanguentado e inchado, sai de cima dela com a respiração ofegante, fiquei alguns minutos sentada no chão recuperando as forças, assim que me senti melhor, peguei um pedaço de corda e amarrei seus braços, ela ainda tentava reagir mas estava muito debilitada pra isso. Arrastei ela pra fora da casa a obrigando a andar a base de chutes, empurrões e puxões de cabelo. Havia pouca gente circulando mas todos olhavam incrédulos a cena, sem entender nada, Dinna era querida por todos na Colônia. Amanha eles saberia m o verdadeiro lobo em pele de cordeiro que ela era. Ruby já havia me alertado algumas vezes sobre o caráter de Dinna, mas eu sempre achava que era implicância dela, como eu estava enganada, nos todos estávamos. Cheguei ao casarão, Dinna já não conseguia mais andar e eu a arrastava pelos cabelos e de vez em quando dava alguns chutes também, eu estava exausta, faminta, atormentada e extremamente enraivecida.
_Ta achando ruim hoje sua vadia, espere até amanha! Falei jogando ela no chão e chutando suas costelas.
_Anna!
Olhei em direção a escada, Daryl ainda muito pálido e Emma me olhavam com os olhos arregalados.
_Vai pro seu quarto agora Emma! Gritou Daryl, ela continuou me olhando por alguns segundos e depois obedeceu, Daryl desceu as escadas segurando-se ao corrimão.
_Você devia estar na enfermaria. Falei
_Que merda é essa que está fazendo? Gritou ele me olhando torto.
_Não ta vendo? Estou espancando ela. Respondi calmamente.
_O que ta acontecendo com você? Você não é assim Anna nunca foi! Protestou ele se abaixando e tentando verificar a situação de Dinna.
_Ela matou seis crianças e por pouco não foram sete. Falei.
Ele levantou novamente do chão deixando a cabeça de Dinna bater contra o piso, virou as costas colocando as mãos na cabeça parecia confuso.
_Anna? Que ta acontecendo que você fez com a Dinna? Perguntou Ruby se aproximando.
_Ela confessou, e aqui ta prova. Falei tirando o frasco do bolso e entregando a ela.
_Vagabunda! Gritou Ruby chutando o corpo desfalecido de Dinna. _Amanha teremos um dia difícil interando os moradores sobre tudo! Merda!
_Temos que soltar o Stuart. Falei.
_Faça isso você, ele vai com a sua cara vai te ouvir melhor do que eu. Temos que deixa-lo de boca fechada.
_Tudo bem. Respondi.
_Faça isso amanha, vai descansar você ta a ponto de explodir, eu dou jeito nessa vadia! Disse Ruby levantando Dinna pelos cabelos.
Caminhei até Daryl, ele permanecia de costas com o olhar longe.
_Ela mereceu, Jimmy podia estar morto ele é meu filho, meus filhos são sagrados ninguém toca neles e sai impune sabe disso. Falei subindo as escadas, senti a dor nas costelas voltar.
Fui até meu quarto tirei a roupa e liguei o chuveiro, senti a água quente descendo pelo meu corpo, comecei a chorar enquanto me esfregava com força, toda vez que eu sentia raiva fosse por qualquer motivo aquelas lembranças voltavam a tona, quando aquilo ia parar? Quando eu ia me sentir verdadeiramente limpa? Desde que me separei de Daryl e Emma eu não tive um minuto se quer de paz e de tranquilidade, primeiro tendo meu corpo usado por aqueles homens repugnantes, a busca incessante pela minha família, a gravidez indesejada, as caçadas com a ruby não posso negar que elas me fizeram sentir-me melhor durante um tempo, acreditei que dessa forma estaria deixando o mundo mais seguro pra Emma, matei tantos... Do que adiantou? Mesmo assim Emma acabou caindo nas mãos de um deles, o nascimento conturbado do Jimmy, a Colônia e todas as responsabilidades e decisões dificies que ela me obrigou a ter, mais caçadas, mais mortes, eu tentando reprimir o amor que crescia dentro de mim pelo Jimmy, a culpa por ter tentado aborta-lo, por rejeitar meu próprio bebê, doía tanto. Me sentei no Box e fiquei chorando até não ter mais lagrimas pra derramar.
Levantei e vesti o roupão, voltei ao quarto, Daryl estava sentado na poltrona ficou me olhando por algum tempo, como se quisesse dizer algo. Apenas levantei o olhar e o encarei por alguns segundos, Daryl nunca foi do tipo de querer discutir a relação e acho que eu também me acostumei a isso.
Ele levantou e me abraçou, era tao bom sentir o cheiro dele de novo. Deitamos na cama e ficamos abraçados sem trocar qualquer palavra, apenas sentindo a presença do outro. A vida me ensinou muita coisa, ou melhor me obrigou a aprender, as vezes nem eu mesma me reconheço no espelho lembrando de todas as coisas que fiz, coisas que eu nunca teria feito se o apocalipse não tivesse acontecido, o mundo mudou e eu fui obrigada a seguir o rumo dele. Eu teria evoluido ou apenas destruido uma parte esencial do meu ser? Me aconcheguei em seus braços e dormi tranquilamente, sem pesadelos, sem medos, ele era a única pessoa que conseguia fazer eu me sentir segura protegida, nos braços dele eu podia voltar a ser aquela menina assustada, cheia de sentimentos e frágil que ficou perdida em algum lugar do passado.
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