Apocalipse – Born In Hell
2 Ep2- Na estrada
Notas iniciais
Ep2- Na estrada
POV DARYl DIXON
O dia já quase amanhecia, passei a noite toda acordado esperando ver uma coruja, um esquilo ou cobra que fosse. Nada, estávamos ficando fracos, magros demais e apesar de tentar manter Emma minimamente alimentada ela era uma menina esperta racionava a comida e ficava o tempo todo praticamente me obrigando a comer o pouco que tínhamos. Precisávamos encontrar alimento e rápido ou acabaríamos morrendo pela estrada.
Ela saiu da barraca cedo esfregando os olhos e começou a remexer a mochila.
_ Hei como se diz?
_ Bom dia pai.
Ela pegou a câmera e posicionou na frente de seu rosto.
_Emma Dixon, 13 anos 10 meses e 18 dias, minha bateria ta acabando então esse deve ser o ultimo vídeo. Estamos vivos, fugimos de um caminhão ontem e estamos em algum lugar próximo a Hilden Falls. Fim da transmissão.
_ Pronta? Vamos?
_ Vamos...
Caminhamos por uma hora, até chegarmos a entrada de Hilden Falls, era uma cidade mediana, tinha muitos carros trancando as ruas, dois Errantes caminhavam em nossa direçao, eu disparei duas flechas certeiras eles caíram imediatamente.
_ Pega as flechas Emma.
Continuei caminhando com a besta em posição de ataque, enquanto Emma arrancava as flechas das cabeças daqueles Errantes.
A cidade parecia deserta, não tinha sinal de que alguém vivo passara por ali nos últimos tempos. Caminhamos até uma casa que as portas estavam bem trancadas, ali teríamos mais chances de encontrar alguma coisa. Entrei e Emma veio logo atrás de mim empunhando seu arco, eu a ensinei desde muito cedo a manuser qualquer coisa que pudesse ser usado como uma arma, ela tinha uma boa mira. A Besta e o Arco nos davam certa segurança a mais porque nós mesmos podíamos confeccionar as flechas, Já estávamos sem munição pras pistolas há algum tempo, sem eles estaríamos mortos. Na sala da casa havia barricadas sobre as janelas, fomos pra cozinha olhei tudo garantindo que não havia nenhum Errante e subi ao segundo andar deixando Emma responsável por vasculhar a parte inferior da casa.
Subi as escadas, havia um corredor com umas seis portas, abri a primeira era um quarto de criança decorado com super heróis nas paredes bastante empoeirado. Abri as outras portas eram quartos um banheiro na ultima porta havia uma casal de Errantes enforcados pendurados no teto por uma corda já bem decompostos remexendo-se descordenadamente deviam estar ali há bastante tempo, sob a cama outro corpo igualmente decomposto devia ser de uma criança pelo tamanho.
Emma surgiu atrás de mim...
_Que é isso?
_ Nada que você já não tenha visto. Olhe as gavetas vê se encontra um casaco do sue tamanho esse que ta usando cabe duas de você dentro dele.
_ Eles mataram o garoto né e depois se mataram. E isso que vai acontecer com a gente?
_ Não, eles desistiram nos não desistimos nunca.
_ Então porque ta guardando aquelas duas balas desde que a mamãe morreu? Acha que eu não vejo você ficar olhando pra elas pai!
Ela tinha os olhos cheios de lagrimas, era tão parecida com a mãe dela.
_ Eu vou olhar o porão vasculha tudo aqui e para de cena. Falei
Desci as escadas, Emma era muito inteligente ela sabia exatamente o porquê de eu guardar aquelas balas, eram pra ela e pra mim quando não tivéssemos mais saída, nem esperança. Eu não ia deixa-la sozinha pra ser estuprada e devorada, por mais esperta e forte que fosse minha filha sabia muito bem que ela não sobreviveria sozinha.
Desci as escadas e comecei a revirar o porão encontrei uma caixa com alguns enlatados, me senti aliviado. Coloquei tudo na mochila e subi pro segundo piso,
_ Emma venha ver o que eu encontrei, salsichas que você adora! Emma?
Olhei os quartos ela não estava em nenhum deles, desci as escadas fui até a cozinha a porta estava aberta, voltei ate a sala de estar peguei a besta e as flechas, sai na rua olhei pros lados nenhum sinal dela.
_ Emma!!!!!! Gritei
Comecei a correr pela rua olhando em todas as direções eu não tinha demorado tanto tempo no porão ela não poderia ter ido longe. Voltei a casa e comecei a vasculhar a casa ao lado a porta estava aberta ela podia ter ido ali procurar a tal bateria, comecei a andar pela casa cuidadosamente, pessoas deveriam ter passado por ali a pouco tempo e se estivessem vivos ainda deviam usar a casa como abrigo pois havia mochilas e na mesa alguns restos de uma refeição feita a pouco tempo. Ouvi alguns barulhos e comecei a caminhar na direção deles, cheguei até um banheiro havia um corpo multilado na banheira sem braços nem pernas coberto de sal, devia estar ali há pouco tempo ainda havia sangue fresco nas bordas da banheira.
Passos se aproximaram e eu me escondi atrás da porta. Ouvi vozes na minha direção.
_É serio cara eu tenho certeza que eu vi uma garota.
_ Ta sonhando Bronw, ta tão necessitado de mulher que ta vendo coisas.
_ Se fosse pra ver coisas, eu não ia ver um mulherão não uma garotinha franzina.
Eles falavam de Emma, pelo menos eu podia ter certeza que não há haviam encontrado. Um deles entrou no banheiro. Fiquei imóvel atrás da porta, ele entrou e arrancou a cabeça do corpo com um cutelo e saiu segurando pelos cabelos e sacudindo aquela cabeça como se fosse um brinquedo. Esperei o homem se afastar, sai do banheiro e abri a outra porta de onde os homens saíram, era um quarto nenhum sinal de Emma. Ouvi um estrondo forte seguido por gritos era a voz dela, sai correndo pelo corredor e já disparei uma flecha contra um dos homens que caiu imediatamente. Emma estava no chão e o outro homem segurava uma faca em seu pescoço.
_ Tira as mãos dela! Gritei
_ Abaixa essa coisa ou eu corto o pescoço dessa gracinha! Vamos abaixa logo!_ Disse ele forçando a faca no pescoço da minha filha.
_ Solta ela ou vai acabar como o seu amigo, solta agora!
_ O que eu solto e você atira na minha cabeça com essa coisa ai, acha que eu sou idiota. Ele levantou segurando Emma pela cintura com uma das mãos e mantendo a outra com a faca firme no pescoço dela.
_ Tudo bem, não a machuque. _ comecei a baixar a besta lentamente fazendo um sinal pra Emma ela pisou com força no pé do homem e se abaixou eu disparei e acertei em seu peito.
Ela correu na minha direção me abraçando assustada, eu a apertei contra meu peito e depois a segurei pelos ombros a sacudindo.
_ Nunca mais faça isso, não se afaste de mim quantas vezes vou ter que te falar isso Emma? Gritei muito irritado.
_ Não briga comigo, eu só estava tentando encontrar mantimentos.
_ Sozinha? Sem nem trazer seu arco onde tava com a cabeça? Quantas vezes já disse que não andamos desarmados nunca Emma nunca! Será que é tão difícil entender isso? Esses caras eram canibais tem um corpo que ta servindo de refeição pra eles no banheiro sabe o perigo que você correu?
Ela começou a chorar, eu sabia que estava cobrando demais dela, mas eu precisava fazer isso era meu dever protege-la e ensinar lhe tudo que pudesse mante-la viva.
_Não chora, vem vamos sair daqui pegar nossas coisas e ir embora se tivermos sorte algum daqueles carros vai funcionar.
Pegamos nossas coisas e encontrei um carro, provavelmente pertenciam aqueles dois, estava com meio tanque de gasolina, era difícil encontrar combustível quase todos os postos estavam secos, mas era bom dirigir de novo fazia tempo que eu não pegava num volante. Deixei as janelas bem abertas pra tentar fazer o cheiro de sangue sair, Emma colocava o rosto bem próximo a janela deixando o vento bater e esvoaçar os seus cabelos.
_ Pai, quando chegar-mos no sul as coisas vão ser bem melhores neh.
_ Vão sim Emma. Fazia quase dois anos que começamos a rumar em direção ao sul, mas andamos poucos quilômetros de carro, a maioria do trajeto foi a pé mesmo.
_ Mamãe vai ficar feliz quando chegarmos lá não acha?
_ Ela vai.
_ Porque não gosta de falar dela?
_ Não é que eu não goste Emma é difícil lembrar da Anna e saber que nunca mais vou vê-la entende?
_Foi minha culpa, ela ainda estaria com a gente se eu não tivesse gritado. Aqueles caras teriam ido embora e não teriam visto a gente.
_ Não foi sua culpa Emma não foi... Vai pro banco de trás tem salsichas na mochila a lata ta bem fechada devem estar boas.
Continuei dirigindo pela estrada deserta, as lembranças com Anna me atormentavam ao ponto de eu querer esquece-las, era uma ferida aberta que não curava, nem mesmo o tempo parecia amenizar a falta que ela me fazia, parecia doer ainda mais e mais dilacerando meu peito dia após dia. Era impossível eu salvar as duas, tive que fazer uma escolha a mais lógica e difícil da minha vida. Emma foi minha decisão, não tinha como ser diferente. Anna jamais me perdoaria se eu tivesse tomado outra atitude.
Tentei livrar a minha cabeça daqueles pensamentos e me concentrar na estrada, a primavera já estava chegando, quase não havia mais gelo e aquele cheiro doce das flores já podia adentrar as minhas narinas. Um momento de nostalgia eu estava com Anna, sentia sua pele, seus cabelos levemente encaracolados descendo suavemente pelas suas costas, seu toque e aquele cheiro doce. Ouvi meu nome ecoando ao longe e as mãos de Emma me sacudindo abri os olhos havia um grupo grande de Errantes na estrada tentei desviar saindo da estrada acertando em cheio um carro parado ao acostamento. Uma dor forte na cabeça e tudo ficou escuro.
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