Apocalipse – Born In Hell
10 Ep10 - Pensamentos
Notas iniciais
POV SIMON KANNE
As habilidades daquele estranho com a crossbow me deixaram realmente impressionando. Rachel disse que eu devia convida-los a participar do nosso grupo, queríamos nos fixar, fazia muito tempo que viajávamos sem rumo enfrentando todos os perigos da estrada, mas pra isso precisávamos de mais integrantes um homem forte e com competência como as dele seria de grande ajuda. E o fato de ele não tentar nos matar e sentir-se em divida conosco também era muito válido. Nos últimos anos os andarilhos que encontramos na estrada sempre tentavam nos ferir de algum modo e eu sempre acabava tendo que mata-los. Eu não era um assassino, mas precisava defender Rachel e Josh mesmo sem laços de sangue eles eram minha família e eu faria qualquer coisa por eles.
Daryl e a menina voltaram do meio da floresta. Ele me disse que nos ajudariam a encontrar um lugar e a torna-lo seguro e depois continuariam rumando ao sul. Eu concordei e disse que precisaríamos arranjar gasolina, havia outra cidade nas imediações. Uma cidade grande, sempre tentei evita-las por causa da quantidade de walkers, mas agora eram nossa única opção já que as pequenas cidades e vilas estavam totalmente vazias.
Levantamos acampamento eu dei uma mochila com as roupas que tinha encontrado na cidade pra menina, ela nem mesmo agradeceu. Apenas pegou a mochila e colocou nas costas. Daryl pegou a mochila dela dizendo que não era bom ela fazer força estando ainda tão debilitada.
_Onde está meu arco? – disse ela fitando seu pai
_Eu não sei acho que perdi.
_Acha que perdeu? Com que eu vou me defender agora?
Eu peguei a Glock que Daryl havia me dado no bar e os cartuchos e as entreguei a ela.
_Fica com isso.
Ela assentiu com a cabeça e colocou a arma da cintura.
Caminhamos durante o resto do dia, a cidade estava a menos de meia hora, mas a noite os walkers ficavam mais espertos e ágeis era melhor esperar o dia amanhecer.
Fiz uma fogueira e sentei-me ao lado de Rachel, ela me fascinava de um modo indescritível, bonita, gentil e muito inteligente. Antes do Apocalipse ela estudava medicina e tinha uma pequena loja de produtos naturais na cidade vizinha à vila que eu morava. Meu pai era dono de um armazém de armas quase vizinho à loja dela, na época eu era um adolescente imaturo e irresponsável. Sair pela cidade com meus amigos e atormentar os moradores jogando rolos de papel higiênico por cima das casas e pichando paredes parecia algo muito divertido. Uma vez pichei a vitrine dela, Rachel saiu furiosa gritando feito louca na rua e me jogando algumas sementes duras que eu não tinha nem ideia pra que serviam. Quando o apocalipse chegou e ficamos ilhados na vila, meu pai voltou ao armazém pra buscar as armas e a munição, e a encontrou na loja sozinha e desesperada ele a trouxe pra vila. Durante muito tempo nos sentimos seguros la, nos organizamos em uma pequena sociedade, plantando, colhendo, nos defendendo dos walkers e de outros grupos que tentavam invadir e roubar a nossa terra. Eu amadureci muito rápido, aquele novo mundo me forçou a isso, a maioria dos meus amigos estavam mortos e depois foram meu pai, minha mãe e por último minha irmã mais nova. Eu levantei afastando-me um pouco do grupo.
‘Minha irmã, prometi ao meu pai que ia cuidar dela no seu leito de morte e não pude cumprir essa promessa.’
Senti as mãos de Rachel me abraçando por trás, e sua cabeça pousando nas minhas costas eu adorava e ao mesmo tempo odiava quando ela fazia aquilo por que sabia que não iria passar de um abraço. Tínhamos feito amor bêbados alguns anos atrás, mas Rachel deixava bem claro que jamais aconteceria novamente, que o que ela sentia por mim era apenas um afeto fraterno. Mesmo assim eu não desistia se fosse apenas carinho de irmão o que ela sentia com certeza não teríamos tranzado e por sinal tinha sido maravilhoso.
_Você esta bem? Pergunto ela com aquela voz suave.
_Estou sim, só estava perdido nas lembranças. Lembrando da vez que pichei a sua loja e você saiu feito loca na rua.
_Você era uma peste! Disse ela sorrindo._Amanha não vai ser fácil não é?
_Não mesmo...
_Josh vai ficar na vigia hoje, melhor a gente ir dormir...Disse ela
_Isso é um convite? _ falei sugestivamente
_Boa noite Simon! Respondeu ela sorrindo.
Ela saiu e caminhou em direção a barraca.
_Quer dormir aqui comigo Emma?_ Ouvi ela perguntar a menina que cochilava com a cabeça no colo de seu pai. A garota levantou e entrou na barraca com Rachel.
_Então sobramos só os homens, tão a fim de um poker? Josh ainda tem aquele baralho?
_Perdi com a outra mochila. Respondeu ele lustrando o taco de beisebol já bem desgastado.
_ Você tem cara de quem já esteve em Las Vegas to certo? Disse olhando pra Daryl.
_Perdi seis meses de trabalho em dois dias.
_Sorte sua, eu não tive essa chance. Casou bêbado?
_Não.
_Foi a Vegas e não casou bêbado?
Ele me olhou de um jeito torto e eu resolvi terminar a conversa.
_Melhor irmos dormir, Josh olho aberto. Amanhã não vai ser moleza.
POV JOSH WINTTER
Não gostava do jeito que Simon falava comigo, sempre me dando ordens como se eu fosse uma criança. Agora tinha mais esses estranhos no nosso grupo, Rachel e Simon nem perguntaram a minha opinião sobre eles ficarem com a gente. A garota tudo bem, mas esse cara parecia um tanto perigoso. Sabia que não ia dar certo, nunca dava. Simon era educado e simpático até, mas no momento que esse tal Daryl pisasse no calo dele ou não concordasse com as suas decisões a coisa ia ficar feia. Dava pra ver que Daryl não era o tipo de cara que leva desaforo pra casa e Simon sabia ser muito rude às vezes. Eu ficava na minha embora não concordasse muitas vezes com o que ele dizia e me irritasse com o modo que me tratava, mas eu não queria confusão com ele, não por ele ter o dobro do meu tamanho mas por Rachel, ela sempre foi muito legal comigo e não queria magoa-la brigando com Simon. Peguei meu taco e fui fazer a ronda pra garantir que não havia perigo se aproximando.
[...]
O dia amanheceu, Simon, Rachel e Daryl se preparavam para ir a cidade eu queria muito ir com eles estourar a cabeça de alguns walkers, mas mandaram eu ficar no acampamento de olho na garota que ainda tava fraca e não tinha condições de lutar.
‘Agora vou virar babá’ Pensei um pouco chateado.
Emma também protestou com o pai dela dizendo que queria ir com ele, mas ele lhe deu uma bronca e mandou que se comportasse. Daryl se aproximou de mim.
_Fica de olho nela se acontecer alguma coisa eu quebro a sua cara. – disse ele com um olhar assustador.
_Tudo bem vou cuidar dela, respondi meio sem jeito.
_Eu não preciso que ninguém cuide de mim! Eu quero ir junto vai me deixar aqui ?
_Eu volto logo, sabe que eu te levaria, mas você ta fraca mal consegue andar! Tive que te carregar metade do caminho ontem. Fica aqui, se cuide e não faça nenhuma besteira ok? E Emma estou confiando em você não me desaponte.
Ela sentou-se na frente da fogueira e eu também fui me aquecer enquanto eles se afastavam, aquela primavera estava sendo muito fria. Olhei pra Emma um pouco sem jeito tentando disfarçar.
‘Ela é tão bonita’ Pensei
_Seu pai é sempre tão bravo? – perguntei tentando puxar assunto.
_Não é da sua conta! – Disse ela impaciente.
_ Pelo jeito não é só ele que é bravo... Falei em tom sarcástico.
Fui até a mochila e peguei meu Wallkmam, era um aparelho bem antigo de muito antes do apocalipse, ele havia pertencido ao meu pai quando era garoto. De vez em quando eu encontrava pilhas que ainda funcionavam e eu escutava a única fita que restara uma coletânea com os sucessos do Elvis Presley. Era o meu tesouro, a única coisa que sobrou da minha família.
Eu o liguei e coloquei os fones. Emma me olhou curiosa.
_Que é isso? Perguntou ela não aguentando a curiosidade e se aproximando.
_Musica, respondi. Colocando um dos fones no ouvido dela.
Ela arregalou os olhos surpresa.
_Nossa isso é incrível! Respondeu já sacudindo a cabeça acompanhando o ritmo da música.
_Legal né, uns anos atrás não tinha tanto ruído.
_Eu tive uma câmera, meu pai conseguiu carregar algumas baterias com um gerador que encontramos num posto. Era bem legal também!
_Nunca vi uma câmera ligada. Eles tinham uma vida boa antes disso não acha? Meu pai me contava muitas historias de como eram as coisas antes da infecção. Queria ter nascido antes disso.
Ela parecia nem me escutar de tão empolgada que estava com a musica, coloquei o outro fone nela e deixei que se divertisse um pouco com o som. Ela mexia a cabeça fazendo seus cabelos se embalarem compassadamente, seus olhos estavam brilhando alegres com a novidade. Senti-me feliz por ela estar se divertindo naquele momento, eu sabia muito bem como eram horríveis os primeiros dias depois de ser molestado. Raiva, dor, medo, revolta, tristeza um coquetel de sentimentos muito perigoso. Cocei as cicatrizes nos meus pulsos, elas sempre comichavam quando eu pensava nisso.
Emma continuava se embalando agora mais calmamente ela devia estar ouvindo ‘Baby, what you want me to do’. Percebi dois walkers se aproximando peguei meu taco e caminhei na direção deles, um estava podre já sem um dos braços e parte de seu rosto exibia os ossos e dentes o outro era de uma mulher usava um vestido totalmente embebido em sangue fresco devia ter se alimentado a pouco. Deferi um golpe na cabeça do homem fazendo seu crânio se espedaçar a mulher continuava caminhando na minha direção com a boca aberta soltando grunhidos, Esperei que ela chegasse bem perto a golpeei na barriga a derrubando e depois emasguei sua cabeça com uma pisada forte. Eu não sei mas eu sempre me sentia bem melhor depois de matar um Walker. Emma ainda se embalava com a musica com os olhos fechados nem percebendo o errante que caminhava na direção dela.
_Emma! Gritei tentando alerta-la do perigo eminente. Ela não me ouviu e continuava a escutar a musica totalmente distraída.
Peguei a arma e mirei na cabeça do errante disparando, ele caiu. Emma deu um pulo assustada com o disparo tão próximo a ela.
_Seu idiota quase acertou em mim!- disse ela reclamando.
_Obrigado por me salvar de levar uma mordida, falei ironicamente
Puxei meu walkman das mãos dela, ela tentou segura-lo.
_Larga agora isso é meu!
Ela soltou me olhando torto.
_Pode ficar com essa porcaria, disse ela entrando na barraca.
‘Porcaria, minutos atrás estava adorando a porcaria’ pensei
Sentei-me coloquei os fones e continuei ouvindo o som, agora tocava Blue Suede Shoes.
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