Apocalipse – Born In Hell
22 Ep 22 – Assassino Interno part I
Notas iniciais
Narrador
Stuart começava a sua ronda pelas guaritas dos muros, era uma propriedade grande aquilo demorava mais de uma hora. A colônia tinha quase 100 sobreviventes que se dividiam em diversas tarefas que mantinham a pequena sociedade funcionando. A maioria dos homens era encarregados dos trabalhos braçais do plantio e das construções , alguns também faziam parte da segurança e do grupo de buscas que saia sempre que o grupo necessitava de algo de fora dos muros. A liderança era total e absoluta de Ruby , ela decidia sobre a vida de todos na Colônia. Anna era a segunda no comando, Stuart sabia que ela tinha uma grande influência sobre Ruby e que se ela não era mais cruel era porque se importava com a opinião de Anna em suas ações.
Ele terminou a ronda, levando água e verificando a munição dos guardas e voltou a seu posto junto ao portão principal o jovem Timothy veio ao encontro dele.
_Oi John! E ai as coisas estão tranquilas?
_Tranquilas? Eu soube que você trouxe bebida pra cá na ultima busca, sabe muito bem que isso é contra as regras!
_Foi só uma garrafa de uísque e duas de vinho, quem te contou? Foi o idiota do Michael?
_Tim, eu só não vou levar esta historia mais longe porque você é muito jovem, mas se for pego fazendo isso de novo eu vou levar ao conhecimento da Ruby e sabe que ela odeia quando infringem as leis da colônia.
_Tudo bem Stu, não vai acontecer de novo! Mas eram so umas garafas pra mim e os outros garotos nos divertirmos um pouco esse lugar é um saco!
_Prefere ir lá pra fora se divertir com os errantes? Vai lá boa sorte.
_Não.
_Então anda na linha ou é isso que vai acontecer.
O garoto se afastou irritado indo em direção a sua guarita. Stuart viu Anna saindo da casa principal. Ela estava linda com as cabelos descendo até a cintura, uma calça jeans bem justa, botas, uma blusa de tecido leve que o vento fazia colar em seu corpo deixando a mostra suas curvas bem feitas de mulher na cintura o coldre com uma pistola e uma adaga pros dois punhais que ela não se separava que não combinavam em nada com suas feições delicadas. Ele balançou a cabeça tentando tirar os pensamentos eróticos que aquela imagem trouxe a sua mente. Ela se aproximou.
_Bom dia! Disse ela tirando o cabelo do rosto.
_Bom dia, já fiz a ronda da manha está tudo certo. Ah e o bebê da Sara nasceu ontem é um menino muito forte e saudável.
_ Que bom, vou até la e daqui a uma hora quero que reúna o grupo de buscas precisamos sair trazer combustível pra colônia.
_Tudo bem.
Anna saiu caminhando em direção as pequenas casas de madeira improvisadas que davam abrigo a alguns moradores. Chegou numa das casas entrou e viu Ruby consolando a mãe que chorava. Nos pés da cama o corpo do recém-nascido imóvel e pálido.
_ O que aconteceu? Disse ela olhando pra criança sem vida.
_O pobrezinho não aguentou disse Ruby, nasceu fraco demais. Disse Ruby enquanto a mulher se debruçava sobre a cama chorando desesperadamente.
_Tire-o daqui Anna, Sara precisa descansar. Mande preparar o batismo e o enterro dele.
Anna pegou a criança da cama, vendo o choro incontrolável de Sara que começou a gritar.
_Não devolva o meu bebê! Ele é meu!
_Acalme-se querida ele está melhor agora, foi liberado desse inferno. Disse Ruby abraçando a jovem mãe.
_Ele nasceu bem, ele estava bem ontem chorou forte, se alimentou do meu leite! Como pode morrer? Disse Sara desolada.
_ Essas coisas acontecem Sara, podia ter algum problema que não se podia ver por fora. Falou Anna enrolando a criança em uma mantilha e saindo pela porta e se afastando enquanto ouvia os gritos inconformados de Sara.
POV RUBY QUISSIN SALIB
Tentei acalmar Sara da melhor maneira que pude, era duro perder um bebê recém-nascido, mas às vezes era a melhor opção que se podia ter ainda mais nesse mundo apocalíptico. Um filho tornava a mulher completamente presa a uma rotina de cuidados e afetos que as tornavam escravas da sobrevivência deles, abnegando da sua própria existência e amor-próprio para o bem de suas crias. A maternidade era a maneira tácita que a sociedade machista impôs as mulheres como forma de dominação.
Caminhei até a capela onde Anna conversava com Janini, ela era o mais próximo que tínhamos de uma líder espiritual. Apesar de eu ter meus receios quanto a ela, sabia o quanto a comunidade apreciava seus conselhos e seguia suas convicções.
_Anna pode vir por favor.
_O que houve com aquele bebê? Perguntou ela em tom de acusação.
_O que acha que eu tenho alguma coisa a ver com isso?
_Eu não sei me diga você!
_Eu não fiz nada com aquela criança, nunca fiz mal a criança alguma! Quando cheguei ele já estava morto! Era exatamente sobre isso que eu vim falar com você. Foram seis nos últimos dois meses todos meninos que morreram em circunstancias suspeitas temos um assassino na colônia.
_Meu Deus...Disse ela coçando a nuca e me olhando de maneira estranha.
_O que foi? Porque ta me olhando desse jeito?
_Você mandou a Sara fazer um aborto não mandou? Não é isso que diz pra todas fazerem.
_Eu disse e digo, uma gravidez hoje em dia é quase uma sentença de morte! Mas ai dizer que eu estou matando crianças pequenas Anna! O que esta pensando? Acha que eu sou um monstro?
_Desculpa Ruby eu não sei, eu só estou chocada e com medo. Temos que descobrir quem está fazendo isso e rápido.
_Onde deixou o bebê? Vou olhar o corpo dele e tentar descobrir o que aconteceu.
_Está no oratório.
POV ANNA H DIXON
Sai da capela confusa e apavorada, já fazia tempo que eu desconfiava que havia algo errado, mas acho que tentava não acreditar me fazendo crer que se tratava de algum vírus ou bactéria que atacara as crianças carentes de nutrientes, remédios e vacinas. Qualquer simples gripe tornava-se assassina depois que os antibióticos pararam de fazer efeito. A ideia de um assassino me deixava em pânico, quantos meninos sobraram na colônia com menos de 7 anos que parecia ser o alvo do assassino? Apenas dois, Julian de 5 anos e Jeremy de pouco mais de um ano de idade. Comecei a caminhar rapidamente a casa principal em direção ao quarto de Melissa e o bebê. Ela abriu a porta um pouco assustada com a minha presença eu não costumava vir ali com tanta frequência.
_Esta tudo bem Anna?
_Está sim e o Jeremy?
_Está tirando uma soneca. Respondeu ela enquanto eu tentava esticar a cabeça pra ver o menino.
_Quer entrar? Disse ela.
Eu entrei e vi Jeremy dormindo tranquilamente no carrinho de bebê que já estava se tornando pequeno pra ele.
_Vou conseguir um berço quando for a cidade. Melissa eu preciso que você fique de olho nele, não o deixe com ninguém, não dê nada que outra pessoa ofereça a ele que não esteja lacrado entendeu?
_Porque ta falando isso? Acho que eu não sei cuidar do meu filho? Achei que tivéssemos um acordo estou cumprindo a minha parte cumpra a sua e não se meta no jeito que cuido dele! Ele é meu! MEU!
_Melissa eu não to querendo me meter, só estou preocupada tem alguém matando os meninos pequenos aqui na colônia. Quero te alertar apenas isso!
_Deus... Quem faria uma coisa dessas?
_E o que vamos tentar descobrir, fique de olho e não comente o que eu disse com ninguém não quero que todos entrem em pânico.
_Tudo bem, pode ir embora agora? Jimmy esta protegido comigo, não vou deixar que nada de mal aconteça.
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