Apocalipse - A Era dos Mortos 2
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Pov – Scott
Não gosto de ter minha mãe caminhando conosco, não gosto que meu pai esteja aqui também, eles tiveram uma vida disso, não foi fácil sobreviver, proteger o grupo, nos trazer ao santuário e torna-lo nosso lar.
O peso de tudo isso foi de algum modo físico também e sei que esgotaram suas forças muitas vezes, mas não traze-los, não contar com a experiência e os talentos deles também seria tolice e deixaria gente que amo em risco.
─Eram tantos, de todos os lados, nem sei como sobrevivemos. – Minha mãe diz caminhando ao lado do meu pai, ele afirma. – Scott tão pequeno, quase o tempo todo no colo.
─Memórias mamãe?
─Acho que caminhar para mais uma batalha me trouxe recordações, ver você liderando o grupo também. – Toco seu ombro, sorrio também.
─Mamãe já saímos juntos outras vezes. – Ela afirma, os olhos marejam um pouco.
─Não para lutar contra dementes, não entendia naquela época, não entendo agora.
─Sei que tem um mundo diferente dentro da sua cabeça mãe, onde existiam leis e justiça, mas esse mundo aí que você fala eu não conheço e então entendo o que acontece aqui. Nesse mundo, só existe uma lei, a lei do mais forte.
─E hoje vamos ser nós. – Ela me diz e afirmo. – Mas você era um garotinho bem lindo grudado as calças do seu pai.
Meu pai ri com a lembrança. Acho que me lembro vagamente de ficar olhando para cima para poder encontrar seu rosto, dele me carregando por Terminus, dos desenhos que fazíamos juntos.
─Corridas, Flame contra aquele carrinho. – Meu pai me lembra.
─Me deixava vencer todas pai. – Pulo um tronco de árvore, desde que saímos nenhum zumbi, realmente nos últimos anos eles definharam em sua maioria, mas os que estão de pé ainda te pegam desprevenido, ainda te devoram sem pena. – Cuidado mãe. – Ajudo ela a passar pelo tronco.
─Scott deixa de ser educadinho, me dá nervoso. – Mich brinca com a mão erguida pronta para puxar a katana. – E vamos para com as memórias do passado, logo vem as más recordações, daí perdemos o foco.
─Tem razão Mich. – Minha mãe concorda. Uns metros depois para com a besta erguida, um zumbi sai de traz de uma árvore, metade do couro cabeludo solto caído para o lado segurando restos de cabelos escuros, calça jeans, botas, uma faca na cintura, alguém que esteve tentando sobreviver. Tem uma perfuração no ombro, um tiro provavelmente, morte estúpida. A flecha de minha mãe atravessa seu cérebro, meu pai se adianta para recolhe-la.
─Quando aprendeu Mary? – Paul pergunta a minha mãe sobre a besta.
─Foi há muito tempo, na fazenda do pai das irmãs Greene, um presente do Daryl. Lembra amor?
─Como se fosse hoje. –Meu pai troca um olhar apaixonado com ela. ─ No tempo que ainda acreditávamos que era tudo uma fase.
─Todo mundo passou por essa fase, achando que bastava suportar uns meses, que logo tudo se resolvia. – Paul comenta. O assunto morre, ficamos em silencio, apenas caminhando próximos um do outro, a noite fica pesada.
Penso em Judy, em nós dois, nela caminhando comigo no meio da escuridão, do medo que tive de algo dar errado quando ela estava comigo, ao mesmo tempo sinto falta de tê-la aqui.
Podia me acostumar a andar com ela. Judy foi tão forte o tempo todo, tão segura, sempre sabendo como se portar, sem medo, andando de cabeça erguida, salvando Ashley mesmo que está finja que não aconteceu.
Já ouvi falar sobre religiões e Deus, alguns ainda acreditam, Beth é ainda um pouco religiosa, se ele existe, se qualquer coisa além de nossa força interior existe peço que proteja Judy, que a mantenha segura até que possa voltar.
Quando a madrugada chega trazendo sua pouca iluminação nos damos ao luxo de parar para tomar um pouco de água, descansar um momento e então seguir para a batalha. Sentamos em círculo, assim um mantem o outro seguro.
É isso que nos faz sobreviver, ficar perto um do outro. Meu pai e Rick conversam baixo em minha frente, Ashley se senta ao meu lado.
─Estou feliz de ter vindo com você, acho que formamos uma boa dupla.
─Não, não formamos, não veio comigo Ashley, veio com o grupo e isso está além de nós, não é um dia de ronda, é uma batalha e peço que se concentre nisso.
─E você? Consegue se concentrar na batalha ou está aqui pensando em Caleb e sua tentativa de conquistar Judith, por que acho que sabe que é isso que ele quer.
─Não sou dono das vontades dele, das vontades de ninguém alias.
─Acho que ele tem boas chances, Judy dá bastante espaço a ele, não achou?
─O que eu realmente acho é que me afastar de Judy não necessariamente me aproxima de você. Isso parece um pensamento limitado.
─Vamos ver. Caleb é galanteador, ele sabe iludir. – Não fico imune as suas palavras, não poderia, mas ao mesmo tempo ela não sabe o que eu e Judy temos, as coisas que vivemos e dividimos, é nisso que tenho que me concentrar e confiar.
─Ashley não quer tentar uma amizade sem interesses? Podia dar certo, é forte e corajosa, sabe se defender e lutar, uma boa companheira de batalha, não precisa ser o tempo todo essa tensão, essa guerra de palavras e insinuações.
─Aí não teria a menor graça Scott, vamos apimentar isso, tornar divertido, eu gosto do jogo.
─Não tem jogo, é isso que falta entender.
─Scott. Acha que chegamos em quanto tempo. – Meu pai me pergunta e fico grato por me livrar do tema conquista, não gosto dessa conversa.
─Uma hora de caminhada seguramente pai, se for onde me disse que era. O caminho está bom, estamos com uma boa folga no tempo.
─Ainda não vai ser dia por completo. Chegamos antes das seis, podemos pega-los muito desprevenidos.
─Vai ser nossa melhor chance, se estivermos certos eles ganham em número. Pelo que entendi não vão ser muitas armas, quando nos atacaram não usavam arma de fogo. – Don nos lembra. – Eles têm provavelmente apenas as que nos roubaram e a munição que tínhamos em mãos, não é muito mesmo que resistam.
─Vamos planejar tudo. Primeiro nos dividimos, Mich, vem comigo, Rick, Don e Luke, pela floresta, Ashley e Spencer, pela lateral norte, meu pai e minha mãe pela frente, com Kevin dando cobertura. Paul vai com Quentin pelo sul. Cobrimos todos os lados. – Todos ficam atentos a minha explicação enquanto traço linhas sobre a terra. – Coloco fogo, só quando virem a fumaça meu pai e minha mãe derrubam os sentinelas, aí é só pegarmos os que saírem.
─Kevin e Mich se concentrem nos zumbis, tiros e fogo vão atraí-los, não podemos deixar que eles estraguem nossos planos e nem podem esquece-los para lutar.
Rick determina, seu aviso é expresso para Mich, ela pode nos ver em perigo e se esquecer dos zumbis, isso seria um grande problema.
─Carreguem suas armas, quando nos dividirmos não vamos ter mais muito tempo. Então fiquem prontos. Se acabar e por algum motivo nos perdermos, se zumbis chegarem em grande número e alguém tiver que desviar do caminho então voltem para casa.
─Scott tem razão, ficarmos tentando achar uns aos outros só vai nos deixar em risco, voltem assim que acabar não importa o resto.
Meu pai diz firme e simplesmente sei que ele e minha mãe não voltam sem mim, por isso me deixo em alerta para acha-los antes que tudo se complique por que é claro que sempre complica.
A região não recebe tanta movimentação há anos, com esse grupo na fazenda e depois do ataque a Albany claro que deve ter mais zumbis que o comum e muitos chegando.
Nos colocamos de pé, encaro meus pais, um último longo e tranquilizador olhar antes de partirmos, não quero que eles se preocupem comigo, não quero que nada de errado. Hoje mais do que nunca quero retornar e levar todos em segurança comigo.
─Scott. – Rick se junta a mim uns metros à frente, fala baixo para não chamar os mortos. – Se me acontecer alguma coisa...
─Rick!
─Por favor Scott. – Ele toca meu ombro pedindo atenção. – Isso é sério.
─Vá em frente Rick. – Deixo que fale. No fim ele tem razão, a gente nunca sabe.
─Se me acontecer alguma coisa, se não voltar, então eu peço que cuide da Judy, ela e Carl são unidos, acho que posso confiar nisso, mas mesmo assim eu sei que ela é difícil, decidida e que quando quer uma coisa não dá ouvidos ao irmão, mas escuta você. Cuide dela. Proteja Judy como sempre fez. Desde pequeno. – Ele me sorri, fios brancos saem de sua barba e revelam os anos de luta e o esforço em manter os filhos, não é fácil pedir a outro que faça isso. – Ela parece meio encantada por aquele Caleb, não achou?
─Eu? – O que deu em todo mundo, estão todos loucos ou eu estou cego? – Acha?
─Pode ser, ele é um cara bonito, diferente de tudo que ela conhece, gente nova e seus mistérios, definitivamente não seria minha escolha para ela, mas nem me atrevo a me meter nisso.
─Acha que Judy está atraída por ele?
─Scott, ela é uma garota e não viveu muito isso então eu não sei. – Rick me encara mais uma vez. – Como eu disse não é minha preferência, se não for a sua... Bom, só quero que cuide dela.
─Rick essa é a única coisa que jamais precisaria me pedir, Judy é ao lado de Seth minha prioridade. Sabe disso.
─Sei. Só queria lembra-lo do quanto eu confio em você e o quanto gosto que esteja perto dela.
Afirmo e voltamos a caminhar em silencio. Como ele gosta? Como um irmão mais velho? Um amigo? Aceitaria se fosse mais que isso? Quase parecer me indicar que gostaria disso, mas não tenho certeza.
Nem posso pensar nisso agora, o que preciso é trazer Rick de volta para Judy, isso sim, não poderia chegar e contar a ela que seu pai não conseguiu. Prefiro morrer em seu lugar.
Tem muitas vidas na frente da minha. Uma vez meu pai me disse isso, que tinham muitas vidas na frente da dele, muita gente que ele preferia que vivesse e não compreendi totalmente, agora isso fica claro para mim.
A vegetação começa a mudar quando nos aproximamos da fazenda, minha tensão aumenta na medida que fica mais claro o que estamos prestes a fazer. Paramos escondidos por entre as arvores quando a casa velha e meio destruída surge a nossa frente.
Com sinais dou ordens para o grupo se mover, minha mãe vem até mim, sem uma palavra me dá um longo e apertado abraço que cria um nó na minha garganta, me olha longamente, acaricia meu rosto e se afasta, meu pai beija minha testa, aperta meu ombro e como minha mãe me olha longamente.
Não é preciso palavras, sei o que tudo aquilo significa e sinto o mesmo. Vejo os dois se afastarem, todo grupo se movendo em suas direções, o silencio absoluto ao caminhar, para nada dar errado.
Quando chegamos no nosso local Mich corta uma cabeça, outro zumbi vinha pouco depois e ela se apressa em derruba-lo também. Como pensei a fazenda ocupada atrai os mortos. Quatro arranhavam a porta dos fundos.
Se por um lado aquilo era bom para não ser ouvido quando me aproximar para atear fogo por outro me obriga a quem sabe lidar com eles, talvez se afastarem da porta onde devem estar a horas talvez dias, pode chamar atenção dos homens, mas esse é o plano e não podemos mudar agora que todos estão separados.
Enquanto todos se armar e fazem mira eu coloco meu rifle nas costas e me abaixo para remexer as mochilas e pegar o galão de combustível. Esse é mais um produto que nós fabricamos ao longo do tempo.
Mich está atenta percebo usando minha visão periférica. Levo o galão em uma mão, no bolso um isqueiro antigo que já pertenceu a meu pai.
Faço sinal para Rick, ele está usando o rifle como lente para investigar a casa. Afirma me fazendo sinal para seguir, os outros se preparam, calculo que já estão todos a postos e me ponho a caminhar para a velha casa de madeira.
Assim que saio da floresta e caminho por sobre a vegetação um tanto alto pelo tempo e o descuido os zumbis que arranham a porta me notam, se viram todos ao mesmo tempo e começam a vir em minha direção.
Não me importo com eles, começo a jogar o combustível pela lateral, sigo em direção a porta, os zumbis se aproximando, chuto um deles, coloco o galão no chão e acerto minha faca na cabeça de outro, molho de combustível outro deles depois de derruba-lo, antes de conseguir ficar de pé vai estar em chamas e quem sabe ajudar no incêndio.
Desvio do último que continua a me seguir, o galão fica no chão quando chego a outra lateral da casa. Acendo o isqueiro e começo o fogo. O som do fogo consumindo oxigênio chega aos meus ouvidos quando corro abaixado de volta para a floresta.
Me posiciono ao lado de Don quando o fogo estilhaça as janelas por conta do calor. Escuto uma gritaria e correria dentro da casa, me concentro em portas e janelas.
Um homem sai pelos fundos e o zumbi em chamas o abraça, seus gritos ecoam pela floresta enquanto queima junto com o zumbi.
Dois saem pela lateral onde Ashley e Spencer estão, escuto os disparos e espero que tenham conseguido pega-lo. Tem tiros de todos os lados, dois tentam entrar pela floresta, derrubo um deles e alguém derruba o outro. Atiramos para matar não importa quem sejam.
Mais deles saem tentando entrar pela floresta. Tentamos não perder nenhum.
─Rick não vou dar conta! – Michonne avisa.
─Eu vou! – Luke comunica indo se juntar a Mich na proteção. Um homem salta do andar superior quando a casa parece se incendiar toda. Vamos ganhando terreno em direção a casa e nos afastando da floresta onde fica difícil conter os zumbis que surgem.
─Temos que sair daqui! – Michonne grita e me dou a chance de olhar um momento para trás. Um grupo grande de zumbis surgia e já começava a nos cercar.
─Vamos! – Grito sabendo que ficar é a morte e que mais nenhum homem parece sair de dentro da casa. Luke se vira para correr em nossa direção, um tiro vindo da casa acerta seu peito, ele cai e zumbis se dobram sobre ele.
Nos abaixamos, olho a vidraça do lado norte, um quarto esfumaçado e uma silhueta armada.
─Merda! – Se nos erguermos ele nos vê e dispara, se ficamos os zumbis nos alcançam. – Rick tem mira? – Sussurro ele nega. – Don. – Pergunto me virando para o outro lado.
─Não vejo nada! – Don se deita e fica de frente para a floresta, atira em dois zumbis que estavam mais próximos, Michonne já não tentava mais conte-los e estava apenas conosco, atirando como Don nos zumbis mais próximos.
─Me deem cobertura, preciso ficar de pé e atirar. Não tem outro jeito.
Eles começam a atirar quando me levanto, eu disparo quando o clarão do fogo ilumina a janela, o homem cai com o tiro e corremos circundando a casa.
Quando chegamos a frente, agora com Ashley e Spencer conosco, meu pai acerta a cabeça de um homem com as costas da besta, o homem fica atordoado e disparo um tiro certeiro que o derruba.
Zumbis começam a chegar de todos os lados, se não corrermos não saímos daqui. Não sem muita guerra.
─Cadê o Luke? – Kevin questiona quando se junta a nós.
─Não conseguiu. Vamos. Paul e Quentin? – Pergunto já correndo para derrubar dois zumbis, minha mãe atira em um deles. O corpo despenca e escuto um grito de dor.
Me aproximo com o rifle pronto, Paul está empurrando o corpo do zumbi de cima dele.
─Paul! – Me junto a ele. – Ajuda! – Logo todos corriam.
─Estou bem. Só torci o pé, acho que rompeu algum ligamento, não sei. Que merda é essa de derrubar um zumbi bem em cima de mim?
─Cadê o Quentin. – Meu pai pergunta quando nós erguíamos Paul.
─Não conseguiu. Um dos caras saiu atirando, acertou nele, nem tinha mirado, só... Isso é um inferno. – Spencer começa a ajudar Paul a andar e nos afastamos da fazenda.
Perdemos Luke e Quentin, dois bons homens. Um de Albany e outro de Terminus, me volto para olhar a casa, o fogo lambe o céu em labaredas gigantes. Zumbis virão de todos os lados e o caminho de volta será duas vezes mais perigoso.
─Alguém perdeu algum homem? – Pergunto para nos prepararmos para mais luta caso homens tenham conseguido fugir.
─Não pela frente. – Meu pai avisa.
─Dei cabo de todos. ─ Paul comunica. ─Depois tive que correr por conta dos zumbis, mas não podia ter mais ninguém vivo lá dentro, a casa queimou como palha. – Ele ri, talvez num misto de nervoso e raiva pela morte de Quentin.
─Spencer? – Questiono para ter certeza.
─Pegamos eles, foram apenas quatro pelo nosso lado, mas nem deram dez passos, Ashley atira muito bem. – Spencer sorri para ela.
─Ótimo. Vamos manter o ritmo e a atenção. Deixem Paul e Spencer no centro, isso vai ficar lotado de zumbi nos próximos momentos.
Escutamos o barulho do fogo por muito tempo ainda, acertamos muitos zumbis no caminho, sem parar de andar, com calor e sede. Minha garganta queima pela fumaça inalada no meio da confusão.
Não podemos nos dar ao luxo de parar. Penso em Judy, que estou chegando, que vou vê-la, só preciso me concentrar e torcer para não dar de cara com nenhuma horda no caminho.
Minha mãe toca meu ombro. É uma linda e jovem mulher apesar de todos os anos no apocalipse, está corada pelo calor e esforço.
─Estamos indo para casa filho. Estamos bem. Eles vão estar também.
Afirmo. Continuamos a caminhar em silencio. A essa altura Ally já chegou, deve estar brava por ter perdido o que ela chamaria de festa, talvez tenha tido uma grande discussão com Carl, no pátio na frente de todos como de costume, Judy os acalmou e no fim tudo está bem.
Preciso acreditar nisso ou não terei paz. Um pequeno grupo de zumbis surge a nossa esquerda, desviamos mudando nosso caminho, estão tão atiçados pelo fogo e fumaça ao longe que nem mesmo nos percebem e podemos seguir sem lutar.
Então as coisas realmente se acalmam. O número de zumbis cai a ponto de não surgir mais nenhum e conseguimos beber agua e enfaixar o pé ferido de Paul. Ele pragueja a cada volta que minha mãe dá na faixa.
Depois disso é só caminhar e caminhar, sem parada, sem descanso, todos com uma única ideia na mente. Voltar ao nosso Santuário e abraçar a família.
─Não se sente um menino quando sua mãe e se pai te tratam como um? Isso não te incomoda? – Ashley surge ao meu lado. – Quer dizer, parece estranho sendo você o chefão do grupo, isso não tira o respeito que as pessoas deviam ter por você?
─São as coisas que faço que atraem o respeito, não minha relação com meus pais. Isso é o modo como eu os amo e sou grato. Alguém te salvou Ashley, pela sua idade, que é quase a mesma que a minha, alguém cuidou de você por toda sua vida, ao menos até ter idade de se defender, não amava essa pessoa do mesmo modo?
─Sim. Meu pai, apenas nós dois por um tempo, depois um grupo de pessoas, então foram caindo um por um e meu pai entre eles e então cheguei na minha vila e sobrevivi. Não tem ninguém vivo. Não os que me protegeram.
─Sinto muito.
─Achei que vocês tinham sorte, mas não. Não é isso que os mantêm, vocês lutam, são absurdamente fortes e impiedosos. É isso que os mantêm, nenhum de vocês pensou duas vezes antes de derrubar um por um daqueles homens, acho que finalmente estou no lugar certo.
─Obrigado. Você foi importante hoje, não precisava ter se arriscado, mas veio e mostrou lealdade. Obrigado. – Ela sorri. Podia ser uma boa amizade, ela realmente fez um bom trabalho, dois morreram tentando e podia ser ela a morrer por gente que mal conhece, preciso agradecer.
─Foi um prazer lutar ao seu lado. – Ela toca meu braço e penso em Judy. Me afasto no mesmo instante.
Os muros de términos surgem no fim da tarde, Paul está pálido e imagino como deve estar sendo difícil para ele. Vejo a fumaça nos fundos onde costumamos queimar zumbis.
Não é natural que estejam queimando corpos quando estamos tantos de nós fora. Apresso meu passo, acho que todos sentem uma leve tensão e fazem o mesmo.
Meu coração apertado de medo, um medo tão grande que quando toco as grades do portão penso em recuar, como se não saber fosse mais fácil. Tem sangue e restos de pele de zumbi nas grades. Rick empurra o portão e entramos todos.
Corro meus olhos pelo lugar e sei que algo deu errado, vejo Seth que estava caminhando com as roupas sujas de sangue nos ver e correr em nossa direção, então lá está Judy.
Viva, não importa o que tenha perdido hoje ela está viva e corre para mim, sei que perdeu hoje, sei por que sei tudo sobre ela apenas de olhar em seus olhos.
Ela me abraça chorando. Se aperta a mim e só isso, só de sentir seu cheiro e seu corpo colado ao meu, minha vida já faz sentido.
─Kim, Annet e Bob. – Ela soluça. – Fomos atacados. – Meu coração gela e a aperto mais a mim. – Lutei sorvetinho, matei homens, dois pelo menos.
─Foi forte, está aqui. Vai ficar tudo bem. – Tento acalma-la. Judy treme em meus braços, soluça.
─Scott. – Ela toca meu rosto, como se quisesse ter certeza. Depois olha para o resto do grupo, Seth abraçado a meus pais, Rick nos olhando. Todos ou quase todos de volta. – Pai.
Ela me deixa para abraçar o pai.
─Estamos de volta filha. Cadê seu irmão?
─Abrindo covas. – Ela diz soluçando. – A Kim pai, mordida, eles atacaram, o barulho, os portões abertos, ela socorrendo a mãe. Tudo confuso.
─Vou ver seu irmão. – Ele beija a testa da filha, depois me olha e me aproximo dela para afasta-la de Rick. – Fica com seu sorvetinho, eu o trouxe de volta. – Rick toca meu ombro como numa tentativa de sorrir.
─Vem Judy. – Eu a abraço mais uma vez, estamos juntos de novo. – Ally já tinha chegado quando foram atacados? – Judy se afasta com olhos arregalados, minhas palavras a enchem de algo que a assusta ainda mais.
─Ally não voltou Scott. – Então é esse seu medo, ela sabe que tenho que sair mais uma vez, que não posso simplesmente ignorar isso.
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