Apocalipse - A Era dos Mortos 2
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Pov – Scott
─Quando vou poder ir com ele? – Seth pergunta assim que me vê fechar o casaco. Meu pai e minha mãe trocam um longo olhar. – Já entendi, nunca.
─Mais um tempo Seth, só mais um tempo e vamos juntos ver o mundo. – Meu pai diz a ele, Seth suspira.
─Enquanto isso eu asso junto com os pães? – Ele faz careta.
─Filho todo mundo já passou pelo mesmo trabalho. – Minha mãe o lembra.
─O papai não. – Ele acusa e sorrio verificando meu rifle. O dia amanhecendo lento e frio.
─O papai cuidava de manter o lugar de pé e as pessoas seguras, por isso não trabalhou na padaria.
─Quando tinha sua idade eu fazia o mesmo que você. – Aviso ao garoto que amarrava o sapato atrasado para o trabalho.
─Quando tinha minha idade ainda chupava o dedo. – Seth provoca rindo.
─Mentira. Parei de chupar o dedo com uns... Quantos anos mamãe? – Pergunto e ela ri. – Papai. – Apelo para meu pai, mas ele apenas toma um gole de café.
─Faz tempo filho, isso que importa e morro de saudade da luta do seu pai com seu dedo, ele tirava da sua boca e você colocava de volta e isso durava a noite toda.
─Dormia com o papai. – Seth ri da minha cara, nem bem o dia começa e o palhaço já está provocando.
─Você também padeiro. – Guardo um pequeno machado na cintura e arrumo a faca. – Tenho que ir. Vou dar a volta no santuário e pegar um pedaço dos trilhos por onde os novatos chegaram, quero ter certeza que não veio nada com eles.
─Vou com você Sorvetinho. – Meu pai me avisa.
─Pai, não precisa, o Rick está te esperando mais tarde para ajudar com as entrevistas. Sabe que o Carl é um tanto duro com tudo por aqui, e além disso só escuta vocês dois. Não tem perigo.
─A gente já falou sobre isso. Não subestime os mortos, não diminua o perigo que te cerca, você é só um homem Scott! – Meu pai é duro comigo. Baixo a cabeça, está aí alguém para quem me dobro sem me envergonhar. Ele me trouxe até aqui.
─Desculpe pai, me expressei mal.
─Eu sei. Pode ir, mais tarde falamos sobre essa sua pequena viagem para buscar a máquina.
─Tudo bem. – Beijo a cabeça de minha mãe sentada ao lado dele. Depois beijo meu pai além de abraça-lo. – Te amo pai. – Seth sempre ri disso, mas não tenho problemas em beijar e abraçar meu pai, me sinto ligado a ele de um modo inexplicável. – Tchau. Volto para o almoço.
Ainda escuto Seth resmungando qualquer coisa quando fecho a porta depois de sair. Caminho para o portão. Denis está lá, me sorri jogando o cigarro longe. Produzimos fumo para os viciados, nem mesmo o apocalipse foi capaz de pôr fim a isso.
─Bom dia. Chegou no horário? – Pergunto e ele afirma.
─Sim, vim até mais cedo, nem tinha amanhecido. – Ele diz olhando o portão. – Já dei uma olhadinha, tudo na paz de sempre.
─Scott! – A voz feminina me faz virar para observar quem me chama. – Bom dia. – Ashley diz se aproximando. Carrega uma faca grande, usa botas e tem um martelo consigo.
─Bom dia. – Digo achando estranho que pareça pronta para sair. – Parece que tem planos.
─Vou dar uma volta pelo lugar. – Ela diz tranquila.
─Vai o que?
─Isso é algum tipo de prisão? – Ela me pergunta de queixo erguido.
─Não. – Aviso meio confuso.
─Que bom, porque realmente não me conformaria com uma. Eu não confio no julgamento de ninguém, me dizem que é seguro, pois quero ver isso.
─Estou indo fazer a ronda. Aviso se tiver problemas. – Ela me olha um tanto cansada. Pensa um momento.
─Eu sou grata pelo abrigo, estou disposta a ajudar em qualquer trabalho, não quero ser um problema. Definitivamente não quero. Acontece que não sou uma garotinha indefesa que precisa de proteção, vou lá fora ver esse lugar, saber onde estamos, se tem uma rota de fuga, conhecer o terreno, preciso estar pronta para o caso de problemas, pode me levar com você em sua ronda ou me deixar passar. Para mim, tanto faz.
─É razoável, pode vir. Avisou Rosita? – Pergunto quando passávamos pelo portão que Denis nos abria.
─Olha. A Rosita é ótima sabe, boa amiga, mas não é responsável por mim, sou independente, vim com ela muito mais para ajuda-la a proteger Nina do que para ser protegida por ela.
─Entendo. Vamos pelo norte. – Digo começando a caminhar com meu facão na mão, ela vem ao meu lado, caminha tranquila. – Devem ter passado maus bocados, podia ter descansado um pouco mais. – Aviso pulando uma pequena vala, olho para dentro e não tem nenhum corpo.
─Essas valas são boa ideia. – Ela diz pulando logo depois de mim. – Não posso descansar se não sei bem onde estou. – Ela aponta uma pequena estradinha de terra batida que um dia teve asfalto. – Isso dá em alguma estrada?
─Sim, mas não é boa ideia. Leva a uma estrada fechada por carros, já foi limpa com tudo que prestava há muito tempo, agora é só rota de horda. As vezes nós os movemos para lá.
─Entendi. Em caso de fuga nada de seguir por aqui.
─Isso. – Paro um momento para testar as cercas um pouco acima dos muros, a vegetação cobre boa parte, mas as vezes os fios de aço se soltam, tudo está bem preso e seguimos. – Sinto muito por sua vila.
─Também sinto. Foi uma tristeza. As pessoas subestimaram o perigo, depois de uns anos acharam que tinham vencido, se tornaram descuidados, Abe estava sempre reclamando, ele não conseguia conter a moleza e a vida mansa que o povo de lá queria. Só tinha eu e Rosita do seu lado.
─Meu pai disse que ele parecia ser um bom homem, que era forte.
─Muito, e era justo também, avisou que uma hora tudo iria ruir, ninguém deu ouvidos, ele deixou tudo pronto. Estocou algumas armas e suprimentos em mochilas para ele, Rosita, Nina e Caleb. Quando caiu acabei me juntando a eles. Depois ajudei Rosita.
─E esse Caleb? Tenho que me preocupar?
─Caleb sabe se defender, não é um estúpido, mas não vai ajudar ninguém, nem mesmo eu ou Nina.
─Um egoísta.
─Pode chamar assim se quiser. Acontece que ele esteve sozinho muito tempo, ninguém fez nada por ele até Abe decidir fazer.
─Bom então manter a filha do cara viva deveria ser sua missão.
Ela me olha um momento e depois sorri, segue ao meu lado pulando galhos caídos e abaixando para não bater a cabeça em outros. Falamos baixo, me concentro em tudo a minha volta mesmo conversando com ela.
─Caleb não conhece esse tipo de honra. Para ser honesta eu também não.
─Eu sim. E toda essa gente que vivi aqui. – Aponto as cercas de Terminus.
Chegamos as estacas, muita madeira colocada de modo a furar os imbecis que tentam se aproximar. Um corpo está lá, apodrecido e mesmo assim gemendo.
─Uma vez sugeri fazer algo assim lá. Riram de mim. – Ela conta quando me aproximo do corpo. – Você devia ser o líder. Pensa nisso?
─Não. – Digo enfiando minha faca no cérebro do corpo que depois apenas para de se mover. Guardo a faca para tira-lo de lá. Aquilo é tão deprimente. Começo a puxar e metade dele se desfaz no processo. – Droga! – Reclamo. – Vai me ajudar?
Ela se aproxima a contragosto.
─Por que não deixa ele aí?
─Gostaria de terminar assim? – Pergunto usando um pouco mais de força para puxar o peito enfincado na madeira.
─Não. – Ela diz quando consigo e então arrasto o tronco para uma pequena clareira. Ashley atira um braço que havia caído sobre o corpo, recolho as pernas soltas no chão.
─Nem eu. – Ela se abaixa, pega mais um braço e balança antes de atirar junto aos restos.
─Três braços? – Ela ri.
─Alguém deve ter esquecido disso. Mais tarde recolho junto com o que estiver no caminho e queimamos outro dia. Não nos preocupamos em queimar muito rápido, é bom deixar o cheiro deles impregnar no lugar, encobre o nosso cheiro.
─Achei que criavam zumbis quando cheguei, agora entendo. – Ela faz careta quando seguimos nosso caminho.
─Você se acostuma.
─Não vejo como. – Ela prende os cabelos com um elástico, espero que faça isso enquanto olho em volta e escuto o silencio que sempre diz muito.
─Eu tenho um cheiro na memória, acho que ele afasta todo o resto. – Não sei porque digo isso, não pretendia dizer, nem é algo assim... É só... – O que foi? – Pergunto ao notar seu sorriso amplo.
─O cheiro dela? – Ashley pergunta e me espanta um pouco. A verdade é que sempre trago comigo o cheiro de Judy, mas não como ela pensa.
─Dela quem? – Pergunto quando ela começa a caminhar de novo ao meu lado.
─Sua namorada. A garota que te deu uma bronca quando chegou conosco, que me emprestou essa roupa. Reconhece?
─Sim. – Digo sem olhar muito para ela, só caminhando ao seu lado. – São roupas da Judy. Só que não somos namorados.
─Não? – Ela pergunta para confirmar. – São o que? Amigos apenas? Duvido.
─Eu não tenho que te provar nada Ashley. – Chegamos aos trilhos por onde eles vieram. – Aqui é boa rota de fuga. Siga para leste e vai ter uma chance.
─Ok. Obrigada pela dica, mas não saio correndo sem lutar. Se fizer isso é porque tudo acabou e talvez você esteja seguindo comigo nesse caso.
─Não vou estar. – Aviso e ela para de andar me obrigando a fazer o mesmo. – É isso. Aquela é minha gente. – Aponto o Santuário. – Fico lá e caio junto, mas não deixo ninguém para trás.
─E mesmo assim não quer ser o líder deles? – Ela pergunta.
─Eu não tenho tempo para ser o líder. Não quero, gosto de quem toma conta das coisas, além disso estou aqui. Garantindo que tudo fique de pé. Não quero me meter em brigas sobre quantidade de suprimento, quem gasta mais água. Quantos pães cada família tem direito. Isso é com o Arthur e o Carl.
─Quero trabalhar no grupo que faz a segurança. – Ela diz firme.
─É como eu disse, isso é com o Arthur e o Carl. Minha função não é agradar as pessoas, é manter esse lugar. – Apresso o passo, ela que vá discutir com eles o que vai fazer.
─Se eles permitirem eu me reporto a você? Você é o como vou dizer? Chefe da segurança?
─Chame como quiser. Eu cuido do grupo que sai aqui fora. Meu pai e Rick me treinaram para isso. Claro que o Carl e o Arthur poderiam facilmente fazer o mesmo, fazem as vezes.
─Por que você? – Ela pergunta quando três zumbis saem da floresta e caminham para nós. Pego o pequeno machado. Caminho até eles. Não faço graça, não gasto tempo, não brinco com o perigo, é rápido e fatal, acerto os três cérebros um depois do outro e derrubo os três, depois os empilho no canto. – Entendi.
Fico encarando os corpos um longo momento. Puxo um deles que está em baixo para olhar melhor.
─Que droga! – Suspiro um tanto chateado.
─Que foi? Alguém do Santuário?
─Não. De uma outra comunidade. Nova Albany.
─Tem outra comunidade? – Ela me pergunta chocada.
─Sim. Fica há dois dias daqui. Não nos vemos muito. Duas ou três vezes por ano. Temos que atravessar uma cidade fantasma, não é fácil. Então quase não fazemos isso.
Me abaixo para verificar o corpo. Caço nos bolsos para ver se encontro algo. O homem tem uma mordida na altura do ombro. Não deve ter vindo sozinho. As viagens são sempre feitar em três ou quatro. Talvez algo tenha dado errado e o resto do grupo voltou.
Mas porque voltar se estavam tão perto? Talvez estejam todos mortos. Isso é uma porcaria. Com o inverno tão perto eles devem ter vindo em busca de algo antes de ficarem assim como nós um tanto ilhados.
─Nada? Nenhuma pista? – Ela pergunta.
─Não. Vamos voltar. Tenho que falar com o conselho sobre isso. Talvez ir até eles saber o que deu errado.
Me ponho de pé e começo a voltar. Ashley me segue de perto. Guardo o machado e pego o rifle.
─O que foi? – Ela pergunta.
─Dificilmente zumbis seriam o problema. Claro que pode acontecer. Uma distração e já era. Só que ele não estava sozinho, então os outros teriam chegado. Poder ser algum grupo inimigo. Nunca se sabe.
─Grupo Inimigo? Não está fantasiando muito? – Ela pergunta.
─Já enfrentamos coisas assim, mais de uma vez se quer saber. Há uns anos um grupo de nômades tentou tomar terminus. Eu era garoto. Meu pai e Rick cuidaram de tudo.
Passo o resto do caminho em silencio. Talvez tenha gente por perto. Talvez seja só bobagem, ele não foi abatido por vivos, o homem foi mordido e se transformou como todo mundo que morre. Então pode ser só impressão.
Denis nos abre o portão, Judy sorria à minha espera, mas logo fecha a cara. Aceno para Ashley quando nos afastamos, ela segue para o alojamento e vou me encontrar com Judy, se ignora-la vou ter que ouvir um caminhão de reclamações.
─Bom dia. – Sorrio e recebo uma careta em resposta.
─Gosta dela? – A pergunta me pega desprevenido.
─Ahm? Como assim? Não entendi.
─Acha ela bonita? Gosta dela? Quer dizer, nunca posso ir lá fora com você, ela acabou de chegar e já passaram a manhã juntos. A pergunta é simples. Gosta dela?
─Não passamos a manhã juntos. – Olho para o céu. – Nem são dez horas ainda. Ela iria sozinha, então apenas me acompanhou, além disso você sair ou não é uma decisão que sabe muito bem não cabe a mim.
─Gosta dela? Não me respondeu. Pode gostar se quiser, não tenho nada com isso, só quero que me conte se gostar. – Suas palavras me magoam um pouco. Não sei bem porquê. Talvez ela deixar claro que estou livre. Não que eu e ela... nunca. Seria errado, somos como irmãos ou sei lá. Perto disso, nem sei o que o Rick diria. Mesmo assim... Encaro Judy.
─Que bom que tenho sua permissão! – Digo sem esconder a magoa. – Mas não é necessário. Não estou me envolvendo com ela se é o que pensa. Nem mesmo pensei sobre isso.
─Achou a garota bonita?
─Achei alguém de Nova Albany transformado, isso é realmente importante Judy, podemos discutir a beleza de Ashley outra hora?
─Então acha? – Ela reclama e suspiro.
─Acho você a garota mais bonita que existe. Está bom assim?
─Por enquanto sim. Me fala desse cara que achou. – Me sinto aliviado e caminhamos em direção a sala do conselho. Ao menos Carl deve estar lá.
─Foi mordido, não tinha nada com ele, estava com outros zumbis. Notei que o corpo está em ótimas condições, fui olhar melhor e reconheci, não lembro o nome, mas já o vi por lá algumas vezes.
─Acha que tiveram problemas?
─Não sei. Pode ser. O fato é que nosso encontro estava marcado para daqui um mês e nós é que iriamos.
Judy me abraça, o coração disparado. Lá está o cheiro que uso para não sentir os mortos ou qualquer outra coisa. Eu a envolvo em meus braços.
─Ai meu Deus sorvetinho. E se estivermos prestes a ter problemas? E se você estiver prestes a partir? Odeio isso.
─Eu sei que odeia. – Queria dizer que não estou de partida. Acontece que não sei, isso é o conselho que vai decidir. – Vamos lá contar ao conselho, eles vão discutir o assunto.
─Vou ficar na reunião. Não deixa eles me tirarem. – Ela pede e sorrio.
─Não deixo, se te mandarem embora saio junto. – Ela passa o braço por minha cintura e envolvo seu ombro. Caminhamos abraçados.
─Isso! Ninguém faz nada sem Scott Dixon na linha de frente.
─Tão bonitinha me chamando de Scott. Por que não faz isso sempre?
─Por que isso nos torna especiais, eu e seu pai, apenas nós, somos um trio. Daryl o sorvetinho e a bravinha.
─Meu pai tinha que começar com isso.
Caleb está sentado na frente da sala do conselho, braços cruzados e ar entediado. Ergue os olhos quando nos vê, faz tara de tédio. Paramos a seu lado, olho para trás e Ashley nos seguia. Ela se junta a nós.
─Outra entrevista? – Reclama para Caleb ele dá de ombros.
─Parece que sim. Rosita está lá com Nina. Depois sou eu e então você. – Ele diz a ela que se senta a seu lado. Sigo em direção a porta agora segurando a mão de Judy. – Disseram para esperar aqui fora. – Caleb me alerta.
─Eu sei. – Digo abrindo a porta e entrando com Judy, quando fechava sinto seu olhar de irritação sobre mim. Caleb não é só egoísta, é no mínimo infantil também.
Lá dentro estão meu pai, Rick, Carl, Arthur, Glenn com a perna quebrada e Beth. Eles erguem o olhar quando entramos, Rosita para de falar.
─Pode continuar Rosita. – Carl pede a ela.
─É isso, acho que posso ensina-los uns bons truques de ciências que aprendemos com Eugene e a Nina pode trabalhar aqui dentro.
─Claro Rosita. – Beth avisa. – Não se preocupe com isso. Não mesmo, cuidamos muito bem das crianças, ela vai estar segura.
─Confio plenamente em vocês. – Ela encara Glenn. – Me lembro de como Glenn foi digno no tempo que passamos na estrada em busca de Maggie.
─Acho que é só. Pode ir. Vamos falar com o Caleb agora. – Arthur avisa. ─ Podem manda-lo entrar?
─Depois. Tenho que conversar antes. – Aviso e os olhares deixam claro que todos já esperam por problemas.
Rosita chegava a porta quando uma ideia me ocorre.
─Pode ficar Rosita? Gostaria que ouvisse. – Ela beija o rosto da filha.
─Vai Nina. Manda os outros me esperarem lá fora.
A menina obedece, penso em Seth e seu encantamento por ela. Depois que a porta se fecha todos me olham. Relato o ocorrido, ficamos todos pensativos um momento.
─Olha eu não encontrei ninguém vivo nos últimos dias como eu disse, então não vejo como possa ter nada com isso. – Rosita se explica.
─Não pensei em você Rosita. Pensei no seu pessoal, eles sabiam sobre esse lugar?
─Creio que sim. Vocês eram quase como uma lenda. Estávamos sempre lembrando de um grupo que tinha ficado no meio do caminho. Ninguém tinha certeza, mas gostávamos de pensar que tinham conseguido, tanto que vim.
─Quando partiu tinha mesmo ruído? Não tinha mais nada? ─ Pergunto e logo todos entendem onde quero chegar.
─Scott eu não posso garantir nada. Deixamos a cidade queimando, invadida por zumbis, com gritos de todos os tipos e de todos os lados. Só fugimos sem olhar para trás.
─Mais gente pode ter sobrevivido e podem estar tentando chegar aqui como vocês. – Meu pai diz a ela.
─Acho tão improvável. De todo modo eu não acho que tentariam nada ruim, só estariam em busca de abrigo.
─Pode garantir? Por que as coisas lá fora mudam a cabeça de um homem Rosita. – Rick declara e ela mantem seu olhar de modo firme.
─Não posso garantir mais nada.
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