Apocalipse - A Era dos Mortos 2
19 Capitulo 19
Notas iniciais
Pov – Caleb
─Caleb! – Paro de andar quando escuto a voz de Scott, respiro fundo pensando se fiz bem em me meter naquilo. Só pensei que Judy ficar bem triste se o irmão e o cara que ama cortassem relações.
Me viro e ele caminha em minha direção, Judy e Daryl com ele. Fico esperando que se aproximem.
─Scott. – Daryl dá um aviso mudo ao filho, uma troca de olhar apenas.
─Pai, leva a Judy para casa. Não demoro, só quero dar uma palavrinha rápida com o Caleb.
Daryl afirma, passa um braço pelo ombro de Judy que tem os olhos tristes. Sinto pena dela. Ele beija o topo de sua cabeça, mas ela mantem os olhos preocupados em Scott.
─Vem bravinha, o sorvetinho vai se comportar. –Os dois se afastam.
─Está indo para o alojamento? – Scott questiona e afirmo. – Te acompanho.
Vamos caminhando lado a lado.
─Olha cara desculpe me intrometer. Realmente não estava querendo piorar nada. Só achei que se batesse no irmão dela as coisas perderiam o controle.
─Obrigado. – Ele me diz e olho para ele meio incrédulo. – Sei reconhecer meus erros, agradecer quando sou ajudado. Obrigado, eu teria quebrado a cara dele se não tivesse entrado no meio e sim, seria sem volta.
─Tudo bem. Acho que me enganei um pouco com você, e com esse lugar também.
─Eu também posso ter me enganado um pouco. – Chegamos a porta do alojamento. – Fez pela Judy, mesmo assim fez e não foi a primeira vez, já se colocou em risco por ela, não gosto da ideia de um rival, mas se comporta com respeito, então talvez seja possível conviver.
─Está errado sobre isso Scott. Não quero sua namorada? É sua namorada agora pelo que entendi.
─Sim. Somos namorados oficialmente, deu para ver pelo escândalo do irmão dela.
─Deu. – Sorrio, parece surreal que no meio do fim do mundo ainda se brigue por algo tão trivial.
─Está tirando seu time de campo? É isso que entendi? – Scott me pergunta.
─Expressão engraçada para quem não conhece nada do mundo de antes. – Ele dá de ombros.
─Eu a ouvi algumas vezes. – Scott me diz tranquilo. – Está tirando seu time de campo ou não?
─Meu time nunca esteve realmente em campo. – Aviso, decido ser sincero. – Eu tenho sim que admitir que sua garota é linda, mais do que isso, é especial e quando cheguei aqui ela era uma possibilidade. Não por interesse realmente, mais como uma fuga de outro sentimento que sempre me fez mal.
─Não sei se entendo. – Scott me diz nada contente com os elogios que faço a Judy.
─Eu me apaixonei por Ashley, acredite, não é fácil admitir tamanha estupidez, nem faz qualquer sentido sendo ela quem é.
─Nisso podemos concordar.
─Olhando para o passado, para esse sentimento, eu acho que foi por pura falta de opção, instinto de sobrevivência sabe? Eu lado mais primitivo querendo quem sabe salvar a raça humana.
─um jeito bem cientifico e racional de desculpar a estupidez. – Scott brinca e sorrio.
─Basicamente. – Afirmo. – O fato é que quando cheguei achei que uma garota legal como a sua podia me ajudar a superar isso, não aconteceu, ela é comprometida, não teve o mesmo interesse e nunca escondeu que eu não tinha chance.
Scott fica mais calmo, sinto que sente uma ponta de orgulho por Judy, tem direito e razão disso. Ela protegeu o sentimento dele e dela muito bem.
─Judy até que ajudou, a existência dela mostrou o pior de Ashley, vi como ela pode ser mesquinha e raivosa, vingativa. Superficial. Foi bom. Desencantei um pouco.
─Deixou de gostar dela?
─Descobri que não gostava realmente, acho que esse é o termo certo. Sobre a Judy eu quero manter essa amizade. Ela foi a única a me dar uma chance quando cheguei aqui. Eu sei, cheguei arrogante e cínico, eu sou assim as vezes, como proteção, mas ela aceitou isso e ficamos amigos. Então o que fiz foi apenas proteger um pouco isso e devolver a gentileza, por isso me meti no seu negócio com o irmão dela.
─Só quis mesmo agradecer por isso, e me desculpar pelo modo como venho tratando você. Foi um tempo difícil desde que chegou, muita confusão. Minha cabeça estava cheia.
─Tudo bem. Não deve ser fácil carregar tanta responsabilidade. Eu sempre achei uma grande droga tudo isso, todo esse esforço, mas aqui, assistindo o quanto se importam, as coisas têm mudado um pouco em minha cabeça. Então desculpe.
─Tudo bem Scott. Não fiz por merecer mais que seu desprezo.
Ele me estende a mão, o rosto está tranquilo, talvez seja isso que me falta, um aperto de mão e uma chance.
─Vamos recomeçar. – Scott me diz firme. – Seja bem-vindo a Terinus.
─Obrigado. – Scott começa a se afastar. – Scott. – Eu o chamo de volta. – Não sou nenhum covarde, se precisar de ajuda lá fora. Pode contar comigo.
─Já notei isso. Obrigado. Quem sabe não se encaixa no grupo.
Ele acena seguindo para longe, sigo para o alojamento. Quando entro Helen está sentada na sua cama, ela fica encostada em uma janela e seus olhos estão perdidos olhando o vazio do lado de fora.
Ashley sai do banheiro enrolada a uma toalha, se senta na cama e pega uma escova de cabelos.
─Estava correndo atrás da princesinha de Terminus?
─Se importa? – Pergunto a ela.
─Não, me dá pena é claro, não vejo como poderia ter chance perto de Scott.
─Judy e eu não temos nada, somos bons amigos, e nem teríamos agora que os dois resolveram assumir diante de todos. São oficialmente namorados. – Ela sente o baque, tenta não demonstrar, mas sente, seus olhos cintilam de ódio, a mão trabalha mais rápido desembaraçando os fios de cabelo. Me atiro em minha cama sem ânimo para conviver com ela.
Agora que Nina e Rosita deixaram o alojamento ficar com Ashley parece pouco promissor. Talvez seja a hora de achar um canto para mim. Olho para Helen, é uma moça bonita, meio perdida e muito assustada. Conviver com Ashley não a ajuda a se sentir melhor, mas sei que é boa pessoa.
Ashley achando que ainda tem poder sobre mim tira a toalha, fica nua no quarto só para me provocar, Helen arregala os olhos olhando de mim para ela, abro um livro que descansava ao lado da cabeceira da cama, só para mostrar que não me afeta.
Pela visão periférica assisto Ashley se vestir, depois calçar os sapatos e prender os cabelos, pegar suas armas e sair batendo a porta em silencio, fecho o livro e olho para Helen.
─Tudo bem? – Pergunto quando ela dá de ombros. – É um bom lugar.
─Como pode ter certeza? Se está aqui é porque chegou a pouco.
─Pode ser, mas desde que cheguei já aconteceu de tudo e pude ver quem eles são e como lidam como todo tipo de questões então posso garantir que está num bom lugar.
─O que viu? – Ela pergunta decidida a prestar atenção. – Posso ir até ai? – Faço que sim achando o pedido engraçado, ela se senta nos pés da minha cama e ficamos frente a frente. – Pode me contar o que viu?
─Posso. – Ela me olha atenta. – Me viram chegar com meu grupo. Scott viu e foi nos receber armado. Nos trouxe porque Rosita conheceu a família dele quando juntos lutaram para vencer gente ruim que viveu aqui uma década atrás.
─Ally me contou sobre eles. Canibais, alguém que conheci no passado perdeu um amigo para eles. Conseguiu fugir.
─Pois é. Tem gente assim no mundo. Logo teve um monte de problemas, gente ruim que atacou a sua cidade e a cidade de uns amigos deles. Fomos até lá. Depois uma parte desse grupo atacou aqui. Zumbis entraram.
─Muita coisa ao mesmo tempo, nem sei como estão de pé e tão inteiros.
─isso Helen é a prova de que estão prontos.
─Acha? Por que estar prontos não quer dizer que estamos seguros, nem falo de ameaça externa, falo do dia a dia, de gente má aqui dentro, eu não sei o quanto estou segura aqui. Entende?
Ser uma mulher nesse mundo não deve mesmo ser fácil e sei o que ela tenta me dizer. Sinto um carinho diferente surgir em mim. Acho que já me senti sozinho e perdido por tempo demais.
Helen é uma moça boa, delicada e parece tão perdida que me lembra um pouco o menino que eu fui. Meio jogado no mundo sem ninguém querer assumir a responsabilidade por mim.
Criando problemas para me sentir notado. Uma confusão em mim que nunca teve fim, mas que hoje começa a se acomodar.
─O grupo lutou para proteger gente de longe, foram fieis a amigos, isso mostra coragem e dignidade, também enfrentaram juntos os mortos aqui dentro, e os inimigos vivos, mostra companheirismo e amizade. Não foi um salve-se quem puder como costuma ser quando algo assim acontece.
─Esse salve-se quem puder é que destruiu o mundo no passado quando essa droga toda começou. Se as pessoas tivessem pensado em tratar de mais do que se salvar a própria pele talvez tivéssemos vencido.
Sorrio para ela, Helen sorri de volta, tem um rosto bonito e quando sorri forma covinhas no canto da boca. É estranho como reajo a isso.
─Você está certa. Mas preciso ser honesto, por muito tempo estive nesse grupo do salve-se quem puder, é novo para mim pensar em mais do que minha própria pele.
─Que bom que está disposto a rever isso. É legal, tem gente que não aprende nunca.
─Tem. Acho que está segura aqui. Não posso falar por cada homem ou mesmo mulher desse lugar, mas posso falar das peças centrais, eles são honrados e não permitiriam nada disso que passou por sua cabeça.
─Já é um consolo.
─Como foi para você? Consegue contar?
─Era criança quando começou. Sabe como é, também era uma. Eu fiquei apavorada e nos primeiros meses era como viver num filme de terror.
─Foi como vi tudo também.
─Nem seis meses depois eu já tinha visto de tudo e perdido todos que me importavam. Minha família se reuniu toda quando tudo começou, tios, primos, avô e pais. Todos numa casa de fazenda do tio Steve. Eles achavam que era só esperar e ficar vivos e com o tempo viria uma vacina.
─Todo mundo achando que alguém estava fazendo algo.
─É. Não aconteceu, fomos perdendo todos, um dia aconteceu um grande ataque e sobramos três membros da família. Aí fui crescendo assim, de lugar em lugar, perdi eles também, me pergunto porque eu fui escolhida de toda a família para sobreviver, nunca fui lá muito corajosa. Tinha sempre alguém para assumir a responsabilidade de me manter viva. Um dia chegamos nessa comunidade que vivi e os grandes dramas acabaram. Tudo pareceu ir ficando seguro, quase não tinha zumbis na região, tínhamos terra para plantar, alguns animais de pequeno porte eram criados.
─Como aqui. – Ela concorda.
─Mas sem nem um terço dessa estrutura. Aqui tem luz, moinhos, comercio. Lá era só um esboço desse lugar. Um dia teve um ataque e foi de novo o salve-se quem puder. Fugi com um pequeno grupo de pessoas e no fim sobrei eu apenas mais uma vez.
─E Ally te encontrou?
─É. Como mais um milagre em minha vida, de novo quando não tinha mais nada alguém me estendeu a mão e estou aqui.
─Acho que a gente pode aproveitar isso. O que acha? E recomeçar. Podemos ficar, posso te ajudar Helen e faz o mesmo por mim. Vamos tentar nos encaixar em algo aqui.
─É tentador, mas sua amiga Ashley, eu não sei se posso me entender bem com ela.
─Ashley não é uma amiga. Acredite, ela não é ruim, salvaria sua vida se fosse preciso, sem pensar duas vez, isso é ela, Ashely gosta de viver no fio da navalha, isso para ela é como uma aventura. Nada é muito profundo, foi o jeito que achou de sobreviver.
─Mas esse jeito provocador é complicado.
─Muito. Só que isso é com ela. Quero me desvencilhar dela um pouco e ofereço minha amizade se estiver interessada. – Helen afirma, abre um sorriso mais largo e as covinhas aprofundam.
─Me sinto melhor.
─Vamos dar uma volta por aí então? Conhecer um pouco o lugar? Não saiu daqui desde que chegou.
Ela fica de pé animada. Me ergo e deixamos o alojamento, no caminho encontro Nina de mãos dadas com o irmão de Scott. Seth se não me engano, paro diante dos dois.
─Minha mãe sabe Caleb. – Nina me avisa. Gosto dela, no fundo metade das coisas que fiz foi por ela. Rosita não é má pessoa, mas seus olhos estiveram sempre voltados para Nina e nunca nos aproximamos muito, já Nina parece Judy, ela fica presente, aceita meu jeito. – Vou sentir falta de você agora que mudamos.
─Sabe onde me encontrar Nina.
─Você também. Pode ir me ver de vez em quando.
─Eu vou. Helen, essa é Nina e esse é Seth.
─Bem-vinda Nina. – Os dois sorriem sem soltarem as mãos.
─Isso aí é um namoro? – Pergunto olhando para os dedos entrelaçados.
─Eu fiz tudo direito, pedi e a mãe dela deixou, meu pai e minha mãe vão conversar com ela e mostrar que eu sou sério e que namoramos de verdade.
Seth diz solene e dou de ombros. Por mim que sejam felizes. Toco seu ombro.
─Não tenho nada com isso, Nina não é meu problema. – Acho que preciso rever esse meu jeito, nem todo mundo entende e podem achar grosseria. Talvez seja.
─Vamos dar uma volta. Acabamos nosso trabalho no forno.
─Bom passeio. Vou mostrar tudo para Helen.
─Pensei em ir até a Ally, podemos? – Helen me pede. – Ela me prometeu umas roupas, eu não tenho nada.
─Podemos, acho que tudo bem.
─Não. Vamos na minha casa. – Seth se apressa. – A minha mãe cuida disso. O Carl está lá com a Ally e eu quero tentar ver se eles se entendem.
Não sei muito sobre o que se trata. Achava que Carl sendo casado devia estar sofrendo, mas não sei nada disso e nem quero saber.
─Tudo bem ir até a casa dele e ver sua amiga outra hora? – Pergunto a Helen tentando ser um cara legal, não vai ser muito fácil.
Ela afirma e Nina e Seth nos guiam até sua casa. Lá assim que entramos Scott e Judy conversavam com Daryl e a esposa. Os dois são pessoas fortes no grupo, toda essa família é. Assim como a da Judy, como se fossem os lideres, a bússola do lugar.
─Oi gente. – Seth cumprimenta. A cozinha fica meio apertada quando entramos todos. – Mamãe a Helen está sem as roupas, o Carl deu uma de idiota e levou ela de manhã, agora a Ally prometeu umas coisas para ela, mas como ele ainda está lá na Ally falei para ela que você cuidava disso. Desculpa Judy chamar o seu irmão de idiota.
─Honestidade não é crime Seth. – Ela diz abatida. Se encosta em Scott que passa um braço por seu ombro e dá um beijo leve nela, vejo o sorriso orgulhoso dos pais dele, como se tivessem esperado por isso.
─Helen, é bem-vinda ao Santuario, desculpa se não foi recebida como de costume, somos mais receptivos, acredite.
─Tudo bem senhora Dixon, eu sei que foram momentos difíceis.
─Adoro quando alguém me chama assim. – Mary sorri para o marido. – Mas pode me chamar de Mary apenas. Temos uma dispensa, é onde deixamos de tudo. Vamos até lá e fazemos compras.
─Obrigada Mary. Nem sei o que dizer. – Helen é tímida e gosto disso, fico pensando por que me interessei por Ashley quando percebo que tudo que gosto em Helen é exatamente oposto a Ashley.
─Já volto amor. Judy cuida das minhas panelas. – Ela segura a mão de Helen. – Nina ajuda a Judy. Estou gostando desse negócio de ter noras.
Rindo Mary deixa a pequena casa, decido seguir com elas já que não tenho nada a fazer na casa de Scott. Aceno e deixo o lugar.
Mary é gentil com Helen. Fico sentado na porta e quase meia hora depois quando saem Helen carrega uma sacola pesada onde posso ver roupas, sapatos e produtos de higiene.
─Obrigada mesmo Mary. Cheguei aqui sem nada. Sobre ter uma arma. Acha que posso? – Helen pergunta mudando a sacola de mão.
─Helen isso é com Carl e Arthur, de todo modo demora uns dias para decidirem, mas acredite, se perigo surgir o grupo protege os desarmados.
─Não quero de jeito nenhum criar problemas. Obrigada. – Helen me sorri. – Podemos ir. – Afirmo descendo os degraus. Ela caminha ao meu lado.
─Caleb! – Mary me chama. Olho para ela. – Seja gentil, está pesada. – Ela aponta a sacola.
─Claro. – Me sinto um idiota. Essas pequenas gentilezas não são coisa que prático. – Desculpe Helen, eu levo isso. – Pego a sacola de sua mão e seguimos os dois para o alojamento.
─Obrigada Caleb. – Helen me sorri quando entramos.
─Vou deixar aqui e arruma nessa parte do armário. Era onde estavam as coisas da Nina e da Rosita, pode ser seu agora. – Deixo a sacola pesada sobre sua cama.
─Você não está mesmo fazendo isso né? – Ashley diz de pé na porta rindo do seu velho modo cínico.
─Devia ter pego mais um cobertor, o inverno está a caminho. – Ignoro Ashley.
─Você está. Inacreditável. – Ela ri alto, se senta na cama e olha para Helen com o desdém com que olha para tudo a seu redor. – Ele quer pegar você. Primeiro queria Judy, sentiu que não podia vencer a competição com o rei do pedaço, decidiu voar mais baixo. – Ela se dirige a Helen que fica surpresa, olha dela para mim sem saber como reagir.
─Não se importe com ela Helen, hoje ela está especialmente amarga, o rei do pedaço como ela diz acaba de assumir compromisso com a Judy e ela perdeu a chance dela, por isso está furiosa.
─Perdi? – Ashley me desafia. – Você não me conhece. Não entro numa luta para perder. Mas devo admitir que formam um casalzinho lindo. – Ela nos aponta. – Querem juntar as caminhas? Que bonitinhos. – Ashley coloca um dedo na boca como se fosse induzir vômito. – E eu sou obrigada a conviver com isso. Que tédio.
─Pelo que sei a porta está destrancada. – Aviso a ela que se joga na cama virando de costas para nós. Sorrio para Helen, ela acaba por me sorrir de volta.
Vamos ver onde essa viagem me leva. Acho que pode dar certo. Acho que posso tentar olhar para mais do que a vida infeliz que tive e tentar ser um cara legal, o dia de hoje foi realmente bom. Ainda não acabou e já me sinto melhor.
É o apocalipse, isso é fato. Se vou olhar como o ponto final ou um novo começo depende de mim. Não do que me cerca. Me deito olhando para o teto. O dia começa a escurecer, mas a vida começa a clarear.
Uma leve batida na porta e logo ela se abre. Rosita entra nos trazendo o jantar. Aqui não cozinhamos, me sento quando ela é ajudada por Helen.
─Ashley está dormindo?
─Não. Só mal-humorada. – Aviso e Rosita balança a cabeça tão cansada disso quanto eu. Mas ela tem uma dívida de gratidão com ela. Ashley a ajudou muito na tarefa de proteger Nina.
─Estive com o Arthur e a Beth há pouco. – Ela me diz quando me sento ao lado de Helen diante da comida quente. – Arthur acha que todos nós estamos prontos para ficar. – Ela olha para Helen. – Menos você, estávamos falando sobre meu pequeno grupo, então não sei como estão vendo sua situação. – Ela me olha de novo. – Mas o fato é que Arthur disse que tem mais casinhas livres Caleb, pode se mudar para uma delas, todas têm dois pequenos quartos e uma cozinha, pode dividir uma com a Ashley, ou ter uma sua apenas. O que acha?
─Vou ficar mais um tempo aqui Rosita. Não quero dividir nada com Ashley, e se quem sabe no futuro tudo der certo talvez Helen possa dividir a casa comigo.
─Ashley? – Rosita se vira para garota que nos ignorava.
─Estou bem aqui. – Ela avisa. Rosita dá de ombros.
─Bom. Só saibam que pelo que entendi em breve terão que deixar esse lugar, isso é para quem chega para ficar ou para o pessoal de Nova Albany. Boa noite pessoal.
─Obrigada Rosita. – Só Helen agradece. Rosita se vai.
─Se me esperar eu gostaria de dividir um lugar como aquele que Mary mora com você. Me sentiria mais segura.
─Que bom. Vamos fazer isso então.
─Já posso jogar arroz nos noivos? – Ashley resmunga da cama. – Mas espere. Não tenho arroz, talvez eu jogue minhas botas então. Querem calar a boca? Que nojo!
─Já falei sobre ignorar Ashley? – Pergunto a Helen que sorri e lá vem de novo as covinhas. Sorrio também e é um sorriso honesto, só Judy tinha conseguido isso nos últimos tempos. É bom.
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