Apocalipse - A Era dos Mortos 2
20 Capitulo 20
Notas iniciais
Pov – Scott
─Era para ser um momento tão especial. – Judy lamenta com as costas de encontro as minhas enquanto estamos sentados no telhado fazendo a velha vigia. – Mas claro que algo tinha que dar errado.
─Para mim está sendo um momento especial. – Aviso antes de mais uma vez levar algumas batatas a boca. – Seu irmão não conseguiu tirar a minha felicidade, quem me importava aceitou, o resto que se dane. No fundo não é cem por cento verdade, mas não quero que ela fique triste.
─Não enfia um monte de batata na boca Sorvetinho. – Judy força as costas de encontro as minha para me repreender. Rio de como ela sempre sabe. – Acho que ele e Ally estão se resolvendo. Pelo menos ele se enfiou lá ontem e não saiu mais.
─Se ele magoa-la mais uma vez aí sim Carl vai ganhar um inimigo. – Ally é muito especial e sei que sofreu muito.
─Vamos torcer. – Ela pega a garrafa de agua, dá uns goles e passa para mim. – Calor maldito. Senti falta de dormir com você.
─Eu sei, mas a gente prometeu ao seu pai.
─Acho que ele só quer fazer uma graça, parecer que está tomando conta das coisas. Não acho que realmente ele se importe. – Concordo. Rick é bem tranquilo sobre isso. Um tanto liberal, acho que apenas quer nos frear um pouco, é bom do jeito que me sinto passaria o resto da vida grudado em Judy.
─É possível. – Ergo mais algumas batatas e enfio na boca, depois uso o binóculo para varrer o ambiente. Tudo está calmo de novo, como foi durante anos e vai continuar por mais muitos anos. – Marquei minha partida para Nova Albany.
─Sabia que estava me enrolando. – Judy suspira, me movo para ficarmos frente a frente. Seus olhos parecem preocupados quando me encara. ─Também vou.
─Judy...
─Não é você que decide, nem meu pai, sou eu quem decide e vou com você.
─Quero você comigo sempre. – Eu apoio minha mão em sua nuca e a puxo para um beijo. – Apenas tenho medo.
─Claro que tem Scott, como eu tenho, mas não vou abrir mão. Meu lugar é a seu lado. Aqui ou lá fora. – Ela aponta a vastidão a nossa volta.
─Se quer saber você está certa. Vai comigo amanhã. – Ela abre um sorriso grandioso e por um sorriso como esse podemos ganhar o mundo quando ela quiser. Nos beijamos, depois ela vem se aninhar em meus braços, eu já fui mais sério com a vigia, mas hoje só quero aproveitar esse momento de solidão com ela para poder beijá-la. – Pensei em levar o Caleb no lugar do Paul.
─Gosto disso. – Ela me conta enquanto brinca com meus dedos. – Dessa amizade entre vocês. Os dois precisam disso.
─Vai com calma Bravinha. Ainda não posso chamar o cara de amigo.
─Mas vai Sorvetinho. E eu gosto disso. Por que Caleb é legal, precisa de um amigo e você também precisa.
─Eu? Que ideia! Tenho muitos amigos.
─Tem, eu sei disso. O problema é que também é meio que o herói deles, acho que precisa de um que não te veja assim. Como a amizade dos nossos pais.
─Já entendi seus planos. – Beijo mais uma vez seus lábios. – Ele demonstrou ser confiável, ao menos até agora.
─Ela já sabe? – Judy me questiona.
─Se está falando da Ashley eu não sei. Nem quero saber.
─Aposto como ela vai querer ir para Nova Albany.
─Ela é forte. Se for junto eu não quero que entre em suas provocações.
─Já entendi. Por que me exige sangue de barata e não exige que ela fique longe?
─Não exijo sangue de barata. Conto com sua inteligência é diferente.
Ela faz careta. Suspira e fica de pé. Nosso horário terminou. Hoje não tenho mais nenhum trabalho, queria poder ficar com ela, dormir com Judy em meus braços, mas agora namoramos como dois garotinhos. Com vigia constante sobre nós. Meu pai que devia me ajudar está mais preocupado com Judy e no fim é um beijo de boa noite na porta e cada um para sua cama.
─Vamos Scott, vou avisar meu pai e me preparar para amanhã. Vai me ver mais tarde?
─Sim senhorita. – Ela tenta se afastar, mas eu a puxo para mim, damos um longo beijo, meu corpo reage com um coração acelerado e a respiração agitada.
Está na hora de dizer a ela que eu a amo, que quero viver com ela, ter um canto nosso e construir uma vida.
Enquanto Judy vai procurar o pai aproveito para dar uma volta pelo Santuário, conversar aqui e ali, tem sempre alguém querendo me desejar felicidades com Judy, todo mundo dizendo que sempre soube que um dia ficaríamos juntos.
Acho que eu também sempre soube, ou sempre sonhei com isso. Tanto que jamais olhei para outra garota um minuto que fosse o que me leva a outro problema.
Um dia vamos ir adiante e não tenho certeza que como fazer isso. Nada além de teoria. Será a primeira vez dos dois e seria tolice esconder que estou um tanto tenso com a ideia.
Me pergunto se falo com ela sobre isso ou vivo essa angustia sozinho.
─Scott! – Arthur me chama e sigo até ele. – Vai mesmo amanhã?
─Sim. Kevin e Spencer vão comigo. Judy também vai e vou ver se o Caleb quer ir.
─Ally não vai?
─Não falei com ela ainda. Eu quero que ela fique e descanse um pouco.
─Certo. – Vamos caminhando em direção a sua casa. Paramos na porta. – Quer um café? – Ele me oferece e afirmo, não tem ninguém em casa quando entramos, ele coloca a chaleira no fogo enquanto vamos falando sobre o Santuário e coisas que temos que fazer, uns minutos depois me serve uma xicara e se senta. – Scott, eu sei que está um clima pesado entre você e o Carl. Não vou pedir para esquecer o que ele fez.
─Ótimo, por que não vou esquecer.
─Só peço que me procure sobre o que quer que seja. Não deixe nada atrapalhar o andamento das coisas aqui. Esse lugar precisa de você.
─Não tenha medo de abandonar meu posto Arthur. Isso é sobre todo mundo que amo e o Carl não tem esse poder sobre mim.
─Você tem razão. Bobagem me preocupar com isso. – Arthur balança a mão com o copo de café quente, sorri. – E o namoro? Beth não cabe em si de alegria.
─Estamos bem. Fomos meio tolos não falando logo de uma vez, mas também aconteceu tanta coisa. Onde está a Beth e a Judy?
─As duas estão na Maggie. Scott não sei se sabe disso, mas metade das mulheres desse lugar já começaram a fazer os preparativos para a mudança de vocês.
─Mudança? Você diz eu e a Judy?
─Sim. E uma casinha que recebi ordens expressas de mandar pintar e esvaziar.
─Beth arrastou a Judy para ver umas coisas que ela e Maggie vinham guardando para ela. Um enxoval é como chamam eu acho.
─Puxa... Nem sei o que dizer, estava aqui me perguntando quantos meses eu tinha que esperar para pedir e não parecer desesperado, acho que tenho que pensam em semanas.
─Dias. Vocês já tiveram anos. Começa logo isso, é só quando se divide uma casa que o amor fica mesmo pleno.
─Arthur. – Olho para ele um momento. Não. Se tenho que pedir algum conselho tem que ser ao meu pai. Ele nunca me perdoaria se falasse com outra pessoa.
─Pode dizer.
─Nada. Eu vou para casa. – Fico de pé. Arthur sorri como se entendesse meu silencio.
─Na hora é só o instinto, não faz diferença se já teve ou não experiência, sempre vai saber o que fazer. – Passo a mão pelo cabelo, aceno e deixo a casa sem responder, até que suas palavras me tranquilizam um pouco. Mesmo assim me preocupe em magoar Judy de algum modo.
Meus pais estão sentados na cozinha, meu pai remexendo suas flechas, minha mãe limpando a besta.
─Boa tarde casal de besteiros. – Os dois sorriem. Beijo minha mãe e toco o ombro do meu pai me sentando a seu lado.
─Oi filho. Tudo bem?
─Tudo certo. Quero viver com a Judy. – Os dois me olham. – É muito cedo?
─Se é ela, se não tem a menor chance de um dia isso mudar não é cedo, é a hora certa. – Meu pai me diz sem parecer em dúvida. Olho para os dois. São perfeitos juntos. Se entendem de todos os modos, nunca os vi brigando. Minha mãe me entrega sua besta.
─Seu irmão agora que está namorando se acha adulto. Vou procura-lo, não veio nem mesmo almoçar em casa. Vai limpando isso para mim. – Ela me sorri. Beija minha testa enquanto tem as duas mãos sobre meu rosto. Encaro seus olhos dourados como o papai diz. — Amo você Scott, tenho orgulho também, eu sei que vai ser muito feliz com a Judy.
Ela se afasta rápido com os olhos marejados e quando fecha a porta eu olho para meu pai, ele tem um ar orgulhoso para a porta.
─Alguma vez teve dúvidas de que era ela?
─Não. Sabia que seria sua mãe ou ninguém. Já contei isso. Você está em dúvida sobre os seus sentimentos?
─Nunca. Minhas dúvidas são de como agir agora. – Desvio meus olhos com um pouco de vergonha de mergulhar logo de cara no assunto sexo. Meu pai larga suas flechas.
─Scott vocês dois não...
─Não. – Eu o corto. – Ainda nada além de beijos. Pai, como sabia que era o que a minha mãe queria. Como foi essa parte. Conversa difícil essa. – Reclamo e ele sorri. Pensa um momento, acho que procura a melhor abordagem.
─As coisas que Mary gosta. – Ele diz mais para si mesmo. – Scott. Você conhece a minha história com a sua mãe. Eu te contei as coisas que ela passou.
─Contou. – Foi quando fiz dezesseis anos e começamos a sair por aí, ele achou que era um jeito de eu entender a maldade humana e também todo o medo que minha mãe tinha de algo nos acontecer.
─Só quero te lembrar que sua mãe tinha um monte de traumas, não era uma moça com a mente fresca e cheia de ilusões sobre esse tema como a Judy deve ser. Fomos sendo pacientes, descobrindo seus limites. Foi um tempo bonito Scott. Eu a amei mais ainda por isso.
─Eu vejo esse amor.
─Mas nós falamos sobre isso. Talvez esse seja o caminho. A mamãe era toda tímida e delicadinha. Tinha vergonha de tudo, mas ela ia se soltando e me dizendo como se sentia e eu ia dando passos lentos e depois um dia ela tinha superado e tudo da certo desde então.
─Mas você sabia o que estava fazendo pai. – É meu jeito de dizer a ele que eu não sei essa parte também.
─É, mais ou menos. – Ele ri. – Já tinha estado com mulheres antes da sua mãe, mas isso não me preparou para nada, não tinha sentimento, era um ato mecânico, com a sua mãe eu fui aprendendo sobre ela e sobre mim. Scott você só precisa ir com calma. Na teoria você sabe o que fazer. O resto é o momento.
─Acho que não preciso ter medo de decepcionar a Judy né?
─Ela ama você, sexo é algo que vão dividir e aprender juntos então não torna isso um problema filho.
─Obrigado pai. Isso estava me martirizando um pouco.
─Talvez devessem procurar o doutor Chan.
─Para que? – Não estamos doentes, por que procuraríamos um médico? Minha ruga na testa arranca um sorriso do meu pai.
─Quer filhos? – Meu pai pergunta e abro a boca meio em choque, nunca nem pensei sobre isso. Eu e Judy temos muito do que falar. – Não me entenda mal, podem ter. Lutamos para isso, para criar um lugar que pudéssemos continuar através dos tempos com nossos descendentes. Apenas quero saber se querem isso agora.
─Quer que a gente procure o doutor para explicar métodos de proteção.
─Isso filho. Ele tem aquela coisa de medicina chinesa que usa. E pode explicar umas coisas para vocês. Antigamente era mais fácil. Tínhamos preservativos e comprimidos, hoje as coisas são diferentes.
─Tá a gente vai ver isso. Viajo cedo amanhã. – A porta se abre e Seth entra seguido de minha mãe.
─Eu amo você mãe, mas ficar me beijando e abraçando na frente da Nina? O pai fala com ela. – Seth reclama enquanto minha mãe ri de seu ar ofendido.
─O Scott nunca ligou para isso.
─Mamãe o Scott é... – Seth me olha, passa a mão pelo cabelo. – Sensível.
─Ei garoto!
─É bom. Não estou te xingando não. Só que eu sou um cara mais do tipo fechado, misterioso. Entendem isso? – Nos olhamos tentando não rir. – Daí a mamãe fica me apertando como se eu fosse um bebê na frente da minha namorada. Ela vai achar que sou um garotinho.
─Sem chance! – Meu pai diz tentando esconder o sorriso. – Quem pensaria que um cara assim, misterioso, fechado como você é um bebê?
─Acha papai? – Seth pergunta.
─Um beijo de mãe não apaga essa sua... como posso dizer? Fama!
─Nesse caso tudo bem.
─Agora que o homem mistério chegou eu vou atrás da minha namorada. – Beijo minha mãe. – Obrigada por me deixar conversar um momento com o papai. – Ela afirma, sei que só queria nos deixar a sós. – O homem sensível aqui não se importa com beijo da mamãe em público, não se preocupe.
Eu e Judy namoramos na porta de sua casa até tarde, depois sem alternativa vou para cama e penso que devia ao menos ter conversado, mas quando ficamos juntos só quero envolve-la, beija-la, rir e conversar tolices.
Ser amigo de Judy sempre foi bom, ser namorado é perfeito.
Nos despedimos de todos no portão logo cedo. Rick não parece muito preocupado em deixar Judy ir junto, acho que de algum modo ele a está libertando da proteção que sempre teve sobre ela.
Ally vem se despedir, Carl fica assistindo de longe. Abraço minha amiga.
─Vocês estão...
─Não. Nesse momento é só... Ainda não pensei no futuro, ele tem muito o que mudar, mas eu precisava tentar. Entende isso?
─Claro. Torço por você sempre. – Ela afirma.
─Eu sei, mas as coisas só vão realmente se acerta entre nós quando ele se acertar com vocês. Antes disso não dou o próximo passo.
Achava que já tinham dado todos os passos, mas vejo a vida de um modo mais sensível como diz meu misterioso irmão. Essa vai entrar para as pérolas de Seth. Judy não vai nunca mais parar de rir disso.
─Se cuida lá fora.
─Se cuida aqui dentro.
Quando estamos deixando Terminus Ashley surge com suas armas, vem caminhando de cabeça erguida e ar superior. Ela para diante de Judy com seu ar intimidador. Judy balança a cabeça e continua a caminhar.
─Se vem com a gente apresse o passo Ashley. – Ela diz antes de entrelaçar seus dedos aos meus.
Começamos a caminhada em silencio. Nenhum zumbi no nosso caminho até chegarmos a casa de apoio. Entro na frente para verificar. Da última vez que estive aqui eu e Caleb nos enrolamos numa briga por que ele nos seguia.
Se com Ashley tudo só piorou com ele as coisas estão bem melhores. Assobio quando vasculho tudo. Judy entra de rosto fechado. Se senta no chão e encosta as costas na parede.
─Tudo bem? Parece brava. – Digo me sentando a seu lado.
─Lembrei que foi nessa droga de casa que vi você e a Ashley se beijando.
─Não foi assim. Você sabe muito bem. – Ela dá de ombro.
─Quero esganar os dois do mesmo jeito.
─Eu? Que droga Judy. Não tenho nada com isso.
─Tá. Vamos dormir então. – É o jeito. Pelo menos podemos dormir juntos e estico um cobertor no chão, ela vem para meus braços e fico feliz de não termos privacidade. Está ficando difícil resistir.
─Vamos passar uma noite em Albany?
─Acho que sim. Acertar tudo com eles e descansar um pouco antes de voltar.
─Só vimos um zumbi caminhando a esmo, tão longe que nem precisamos pega-lo. Acha que um dia acaba?
─O caminho estava mais limpo porque esses dias e tudo que aconteceu deslocou os zumbis. O que não significa segurança.
Ela só se aconchega mais em meus braços, os olhos fechados, tão cansada que só se deixa ficar ali até adormecer. A pior parte do caminho vem amanhã. Vamos ver se tudo continua seguro.
─Boa noite Bravinha. – Ela ressona, Judy não esmorece, caminha do meu lado o tempo todo, é uma grande companheira. Vamos fazer isso juntos. Nós dois vamos ser uma dupla como meu pai e minha mãe.
Isso definido em minha cabeça me deixo descansar. Spencer será o primeiro vigia então o melhor é dormir.
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