Apocalipse - A Era dos Mortos 2
16 Capitulo 16
Notas iniciais
Pov – Seth
O dia clareia e já acordo automaticamente, tanto tempo acordando tão cedo que já me acostumei.
Olho para cama ao lado da minha. Scott e Judy dormem abraçados, dormiram ainda era dia, viraram a noite e continuam como se pudessem dormir por dias.
Judy descansa a cabeça no peito de Scott, ele a envolve, não sei quem esses dois querem enganar, é ridículo se fingirem de amigos, está tão evidente que não sei por que não admitem logo e aproveitam essa chance. Pego uma muda de roupa e saio para me trocar no pequeno banheiro. Quando chego a cozinha minha mãe servia uma xicara de chá quente.
─Bom dia filho. Tudo bem? – Ela me beija a testa, meu pai surge ao meu lado, bagunça meu cabelo e se senta.
─Bom dia. O Scott e a Judy ainda estão dormindo. – Aviso tomando um gole do chá. – Nossa que delicia uma xicara de chá, pena que não posso voltar para cama.
─Você tem razão Seth. – Meu pai me diz do nada, olho para ele sem entender. – Faz tempo que está nesse trabalho. Vou falar com o Arthur, esse Caleb por exemplo não faz nada, ele pode ficar no seu lugar, trabalha desde os onze anos sem uma folga.
─Eu acho amor, quem sabe ele não tira uns dias de férias e depois começa a treinar mesmo com afinco, quero ensina-lo a usar a besta. – Minha mãe se senta ao lado do meu pai, envolve seu braço, encosta a cabeça em seu ombro e depois me sorri. – Não está feliz? Pensei que era isso que queria.
─Eu? Não, quer dizer sim, mas não agora.
─Não? Como assim Seth? – Meu pai pergunta confuso.
─Nina está lá comigo, eu estou ensinando o trabalho a ela. Acho que não é um bom momento.
─Nina é? – Meu pai sorri. – Está acontecendo algo?
─Pai, não vai falar nada, eu e ela somos amigos, no dia do ataque ela ficou tão assustada.
─Meu filho aqui sozinho e tudo isso acontecendo. – Minha mãe fecha os olhos.
─Não estava sozinho mãe, estava protegido, fiquei protegido, armado, mas fechado. Nina apesar de ter passado tanto tempo lá fora é muito despreparada, ela chorou muito.
─E você a consolou. – Os olhos do meu pai riem e faço careta.
─Papai! – Reclamo mais uma vez, agora os dois vão ficar querendo saber o tempo todo disso, do Scott com a Judy ninguém pergunta, ninguém se intromete, fica todo mundo fingindo que são amiguinhos. Da vontade de falar, mas não vou prejudicar o meu irmão.
Tomo mais um gole do chá.
─Seth, se for mais que amizade precisa ficar mais atento, sabe filho, a gente não tem certeza sobre eles.
─A gente não tem certeza sobre ninguém papai.
─Por isso cuidado com todos. Não quero que se decepcione.
─Rosita lutou do nosso lado, Caleb também, Ashley ajudou lá fora.
─Seth eu e sua mãe sempre vamos estar do seu lado, não é uma crítica, não tem ninguém dizendo para ficar longe, só prestando atenção.
─Vou fazer isso, agora eu tenho que ir. – Fico de pé, caminho para a porta. – Sempre vão ficar do meu lado né? Meu e do Scott, em tudo que a gente decidir?
─Sim, desde que isso não coloque nenhum dos dois em risco.
─Ótimo. – Acho que vou ter que dizer isso ao meu irmão para ver se ele se toca.
Apresso meu passo em direção ao alojamento, espero na porta ouvindo uma pequena movimentação, logo a porta se abre e ela surge com seus cabelos de fogo e um sorriso tímido.
─Bom dia.
─Bom dia. – Caminhamos lado a lado em direção a nossa pequena fábrica de pão. Ela puxa os cabelos para trás, e prende com um elástico, me sorri com cara de sono.
─Você está legal? Não está com medo?
─Agora não Seth, minha mãe e eu conversamos, ela está muito mais confiante, antes ela estava com medo, mas depois desses últimos dias minha mãe acha que estamos no lugar certo.
─Isso é bom.
O trabalho é cansativo, preparar a massa, formar as bolinhas que depois de assadas serão divididas, colocar naquele forno quente, mantes lenha o bastante para não esfriar, dividir em porções e esperar todo mundo passar para pegar sua cota. Só por volta de dez da manhã estamos livres.
O rosto de Nina está corado, meio vermelho, limpamos tudo e deixamos adiantado para a manhã seguinte, sobra alguns pães e deixo num cesto numa mesinha de canto, sempre que alguém precisa vem pegar as sobras.
Quando realmente acabamos nos sentamos nos degraus do fundo com uma garrafinha de água cada um.
─O que vai fazer agora? – Pergunto a ela que dá de ombros.
─Acho que nada. E você?
─Nada também. Quer ir no telhado ver a vista? Essa hora não tem vigia por lá e está tudo vazio.
─Pode ser. – Ela me sorri e caminhamos juntos para o telhado principal, as vezes faço guarda com a Judy, quando Scott sai e ela fica sozinha. Deixo que Nina suba primeiro.
Ela é tão bonita e eu bem que queria saber como é beijar alguém, mas não vou pedir isso a ela por que não quero assustar a menina e nem acho que ela gosta de mim desse jeito.
Venta bastante no telhado, é bom que refresca um pouco o calor do forno que parece nos cozinhar por dentro.
─Tanto verde à nossa volta. O ar tão limpo. Já ouviu falar de poluição Seth?
─Já. Mamãe me explicou. Talvez eles tenham brincado demais com o mundo, por isso terminamos aqui.
─É. Pode ser. – Nos sentamos na beira do telhado, Nina olha para baixo despreocupada. – Sinto falta do meu pai. Ele era muito maluco, mas esperto. Acho que aqui ele se daria bem. Eu queria que eles não tivessem ido atrás de Washington.
─Aí nós dois teríamos crescidos juntos, como Judy e Scott. – Ela me sorri. Tem um sorriso bem bonito e a deixa mais adulta.
─Eles são namorados, não é?
─Não, quer dizer, não ainda, vão ser, só estão com medo eu acho.
─Do que?
─Sei lá. Acho que dos pais, essas coisas, bobagem. Todo mundo vai gostar de saber. Eles se amam. Gosta de alguém? – Me arrependo de perguntar, meu rosto queima de vergonha, estou sempre dizendo alguma tolice quando estou com ela. – Não precisa responder. Desculpe a intromissão.
─Se responder eu respondo.
─O que? Se eu gosto de alguém?
─Sim.
─Eu... eu acho que estou sim gostando de alguém. – Acho que é melhor dizer logo que ficar anos enrolando que nem o bobo do meu irmão mais velho. – Mas ainda não sei se é boa ideia.
─Por que? – Nina me pergunta. E suspiro.
─Por que não sei se ela gosta de mim.
─Pergunte a ela. – Nina deve saber que falo dela, não é possível que não saiba, talvez ela queira que eu fale de uma vez.
─Gosta? – Pergunto de supetão, acho que ela não esperava e me olha arregalando os olhos e ficando vermelha feito seus cabelos. Ela vai dizer não, como eu sou burro, nunca mais que falo com ela, vou correr daqui, me atirar lá em baixo e virar um maldito zumbi, é muito melhor que viver com o não que vou ouvir agora. Burro, burro!
─Gosto! – Gosta? Ela disse que gosta? O que eu faço com isso? Por que fui perguntar? E agora.
─Acho que isso é bom. – Digo a ela que afirma. – Os dois gostarmos um do outro eu digo.
─É. – Nina me olha, o sorriso some, fica só o rosto vermelho de vergonha. Engulo em seco. – Seth se me beijasse eu não acharia ruim.
─Beijar? Como namorados?
─Acho que sim.
─Tá. – Respondo me preparando. Chego mais perto, não sei beijar ninguém. Talvez eu deva avisar. – Eu nunca... é a primeira vez.
─Eu também. Podemos... aprender. – Afirmo, mas não escuto bem, estou mesmo é pensando no beijo, na boca dela, toco meus lábios nos dela e depois me afasto. Sorrimos, é muito bom fazer isso. Repito, dessa vez me demoro um pouco mais, melhor parar por aqui. Sei lá se ela vai brigar comigo, acho que tenho que perguntar para o meu pai como que eu faço agora.
─Eu gostei.
─Também gostei.
Olhamos para o horizonte, os dois com um pouco de vergonha. Procuro sua mão e prendo a minha.
─É minha namorada agora? – Só mantenho meus olhos nas copas das arvores a distância.
─Sou. – Afirmo com um movimento de cabeça, não vejo a hora de contar para todo mundo.
─Vai contar para sua mãe?
─É melhor. Você vai contar.
─Correndo. – Nos olhamos, os dois começamos a rir. – Gosto de você Nina. Desde o dia que chegou.
─Eu também Seth, desde o dia que cheguei.
Pov — Scott
Judy continua a dormir quando acordo, deixo ela na cama e me levanto para abrir a janela, acho que nunca dormi tanto, olho para o céu, acho que passa das dez da manhã. Quando me viro ela me observava da cama. Sorri toda linda.
─Bom dia.
─Bom dia bravinha. Com fome?
─Nossa, muita fome. Dormi demais que horas são?
─Mais de dez. – Ela salta da cama assustada.
─Tenho que ir Scott, ver a Ally e saber do Carl. Puxa os dois devem estar precisando de mim.
─Quer que vá com você?
─Não. Vou ficar bem. – Ele me beija os lábios. – Te vejo depois.
Judy deixa minha casa correndo, fico mais um momento ali, olhando o movimento das ruas do santuário. Depois me arrumo e quando deixo o quarto a casa está vazia, tem pão e pêssegos sobre a mesa, me sento depois de me servir de café forte.
Fico ali comendo a espera dos meus pais, é hora de começar a resolver minha vida com Judy, contar para eles primeiro e depois para Rick.
─Oi filho! – Minha mãe entra carregando uma sacola, logo vem meu pai com mais duas, eles colocam sobre a mesa e começam a tirar vidros e potes de dentro. São os suprimentos da semana. – Cadê a Judy?
─Já foi mãe.
─As coisas felizmente voltaram a se acalmar. Dei uma boa volta por tudo com Rick, nada de sinais, acho que somos apenas nós mais uma vez. Tomara que Don tenha chegado bem em Nova Albany.
─Espero que sim pai, devo voltar lá daqui uns dias para ter certeza.
─Acho bom. Estou pensando em levar seu irmão junto, essas coisas todas me fizeram pensar e acho que passou da hora dele enfrentar o mundo lá fora.
─Pensei em uma viagem em família. – Minha mãe continua. – Os Dixons todos juntos por uns dias.
─Eu amo a Judith. – Solto de uma vez e os dois paralisam me olhando. Acho que não os preparei muito. – Amo e vamos namorar.
─Que bom. – Minha mãe sorri. – Não é nenhuma novidade, andei me perguntando se demorariam a descobrir.
─Já sabia? – Fico surpreso.
─Faz tempo. – Meu pai se senta ao meu lado. – Eu e sua mãe conversamos muito e decidimos não nos envolver nisso, então só esperamos esse dia chegar.
─Sei. E não acham estranho?
─Não. Por que acharíamos? – Dou de ombros, meus medos meio sem importância diante da opinião deles.
─Se entenderam? – Meu pai pergunta.
─Sim. Ela gosta de mim também. Falamos há uns dias, mas um monte de coisas aconteceram e sei lá, não deu tempo de assumir nada de modo formal.
─Mas vão? Quer dizer, você vai procurar o Rick e falar com ele não é filho? Sabe sorvetinho ele é como um irmão e quero que faça tudo certo.
─Vou fazer, acha que ele vai me odiar?
─Duvido, mas para ser honesto nunca falei com ele sobre isso.
─Pensei em esperar uns dias pai, acho que não é legal atirar isso nele e no Carl depois do que aconteceu com Kim.
─Tudo bem. De todo modo até lá não quero mais que a Judith durma aqui, amo a Bravinha, mas se são namorados agora então tudo fica diferente, principalmente se o Rick não sabe. – Não esperava por isso vindo do meu pai, mas essa é a casa dele e vai ser como eles querem.
─Como quiser pai, vocês não estão decepcionados? Bravos? Preocupados? Nada? Simplesmente tudo bem?
Minha mãe se senta ao meu lado. Segura minha mão, tem aquele sorriso doce e o olhar carinhoso de sempre.
─Scott, você é meu filho, um presente que ganhei num momento onde só tinha a minha volta dor e feiura. Todos os dias eu rezo para que seja feliz, eu sei o que é ser infeliz, sem muito bem, conheço a tristeza e a solidão de todos os modos, se saí dela foi porque encontrei o seu pai, ele me amou e eu o amei e isso salvou os dois. Só posso desejar que tenha o mesmo e se tem alguém que pode te amar e ficar do seu lado aconteça o que acontecer essa pessoa é a Judy, fico feliz que seja ela.
─Obrigado mãe, pensei muitas coisas, achei que não ficariam nada contentes.
─Ficamos felizes e acredite o Rick vai ficar também. Quem mais ele pode querer ao lado da filha?
─Ele achou que ela estava interessada no Caleb, Carl achou que eu gostava da Ally.
─Dá um desconto filho. – Meu pai pede com um tapinha em meu ombro. – São os Grimes, eles não enxergam essas coisas como nós. Olha o que o Carl fez com a vida dele?
─Tem razão. – Abraço minha mãe e depois meu pai. – Obrigada por ficarem do meu lado.
─Sempre. Agora nada de desrespeito, vai com calma, tenha uma conversa com o Rick. – Meu pai pede e afirmo.
─Não se preocupa pai, é a Judy, eu a amo e nunca vou fazer nada para magoa-la ou a família dela.
─Bom. E sabe que aquela Ashley está interessada em você? Cuidado, a garota é uma víbora.
─Já percebi, mas a Judy não vai cair nas provocações dela, acho que depois que resolver as coisas com o Rick todo mundo vai aceitar e vai ficar tudo bem.
É um alivio desabafar, por que demorei tanto? Agora tudo parece tão natural e fácil.
─Como sabiam?
─Está escrito na testa de vocês dois, a gente tem amigos Scott, mas não dormimos agarrados com eles e nem temos ataques de ciúme.
─Eu não sou ciumento. – Meu pai e minha mãe trocam um olhar de dúvida. – Eu sou?
─Vai descobrir quando ela for oficialmente sua namorada. Se puxar seu pai vai sim ser ciumento.
─Eu? Não tenho ciúme de você Bruxa. Você sim tem ciúme.
─Claro que tenho. É Daryl Dixon, lindo, forte e corajoso, acha que não sei que metade das mulheres daqui adorariam ter uma chance?
─Nem as enxergo Bruxa.
Minha mãe senta a seu lado, ele passa um braço por seu pescoço e beija seus lábios, um dia eu e Judy vamos poder namorar assim, em público e sem medo, não vejo a hora disso, talvez eu procure o Rick e conte logo, por que esperar?
Ainda mais nesse mundo que tudo muda do dia para noite.
─Vamos rapazes, me ajudem a guardar os suprimentos, essa semana teremos que economizar, perdemos um pouco da horta com esse ataque. – Minha mãe fica de pé e começa a separar coisas. Ajudamos ela distraídos a porta se abre abruptamente, Seth invade a casa apressado.
─Eu tenho uma namorada! – Ele diz com um sorriso de orelha a orelha, meu pai e minha mãe trocam um olhar.
─O que deu nesses meninos hoje? – Minha mãe pergunta confusa.
─ O que? O Scott desencantou?
─É que eu contei que gosto da Judy.
─Finalmente. Ela agora é minha cunhada?
─Acho que sim, mas que droga, todo mundo sabia? – Pergunto incrédulo.
─Claro. Ninguém quer saber com quem eu estou namorando? – Seth nos questiona.
─Nina! – Respondemos em uníssono, ele se desaponta.
─Todo mundo já sabia? – Afirmamos e Seth me olha.
─É Seth, acho que não somos bons em esconder sentimentos.
─Parece que não. Mãe se a Rosita brigar você fala com ela? O papai pode ir junto e ela deixa não acham isso?
─Vamos ver. Não sei não se gosto dos meus meninos todos querendo bater asas.
─Seth ajuda a mãe, eu tenho que sair. – Vou procurar a Judy, agora fiquei ansioso e já quero resolver isso de uma vez. – Daqui a pouco eu volto.
─Pai, ele sempre faz só o que quer. – Seth reclama enquanto fecho a porta e saio em busca de Judy, eu sei que ela vai estar no único lugar que eu não pensar, é sempre complicado achar Judith.
Fale com o autor