Notas iniciais
Oiiieeeeee Capitulo completamente especial para minhas amigas queridas que me recomendaram e amie. STELA sua linda, adorei sua recomendação. Obrigada pelo carinho. THAATY outra linda que além de ser minha capista dedicada que faz esses trabalhos lindos como vocês sabem ainda me faz recomendações. Eu bem que queria ir lá recomendar a capa. Obrigada as duas por serem essas amigas queridas que acompanham tudo que escrevo sempre com tanto carinho. AMEI

Pov – Judith

─Scott! Scott. – A voz do meu pai chega aos meus ouvidos quando Scott se mexe ao meu lado. Abro os olhos, meu pai balançava o ombro de Scott. – Você também Judy, está anoitecendo.

─Ally? – Scott pergunta se sentando um tanto atordoado.

─Nada ainda. – Meu pai avisa. Scott passa a mão pelo cabelo. Esfrega os olhos. – Eu sei que quer largar tudo e ir atrás dela Scott, mas preciso de você. O Santuário precisa.

─Eu sei Rick, vou com vocês, é só que Ally não ter voltado... Ela só pode estar com problemas ou...

─Não pensa nisso sorvetinho. – Me sento na cama.

─Encontro vocês dois lá fora. Não demora Judy. Quero conversar com você antes de partir.

Meu pai nos deixa. Scott se curva um pouco. Cobre o rosto com as mãos. Me encosto em suas costas.

─Você estava mais confiante. – Digo fazendo um carinho em seus cabelos.

─É tanta coisa. Essa droga de batalha, Ally, nós dois.

─Está colocando nós dois como um dos seus problemas? – Isso me magoa um pouco.

─Seu pai acaba de nos acordar.

─Sim, ele não ligou que estávamos dormindo juntos Scott.

─Exato. Nenhum sinal de desgosto, raiva, só nos acordou, saiu e nos deixou aqui sozinhos, por que tudo bem. Sou eu, o Scott, então o que pode acontecer?

─Entendi. Me perguntou se podia enfrentar tudo isso e eu disse que sim, mas talvez você não possa. – Me afasto dele, por mim apenas vivia a minha vida como todo mundo aqui faz.

Scott se ergue, vem até mim, me abraça. Me encosto nele, quero mesmo é que ele volte bem, o resto não importa.

─Desculpa. Eu só queria mesmo pegar meu rifle e caçar Ally, odeio ter deixado ela para trás.

─Ela faria o mesmo Scott, confiaria em seu talento para voltar e iria com o grupo para guerra.

─Racionalmente eu sei disso, mas é difícil assim mesmo, já passamos muita coisa lá fora. Eu sei como é ficar sozinho lá.

─Ally não está sozinha. Agora vai se aprontar, por favor, não sai daqui assim eu vou morrer de medo de estar com a cabeça em outro lugar e acabar... – Nem consigo dizer, só me aperto a ele. Scott beija o topo da minha cabeça.

─Vou ficar bem. Vou me organizar, te vejo no portão. – Ele deixa a casa. Me sento na cama. Penso em meu pai nos acordando, será que seria mesmo um choque para ele? No fundo acho que meu pai ficaria feliz. Não tem ninguém que ele respeite e admire mais que Scott, mais até que eu e meu irmão.

Prendo os cabelos depois de constatar que estão horríveis. Pego minhas armas, se sair lá fora desarmada Scott tem um pequeno ataque. Um grupo já se juntava no portão.

Passo por Glenn e Maggie, a perna dele ainda não está cem por cento, foi um tombo feio. O doutor Chan disse que ele teve muita sorte, mas quando Glenn não tem sorte?

Meu pai vem ao meu encontro, me puxa para um canto longe de todos, está apreensivo.

─Vou ficar bem pai, não se preocupe.

─Sei que vai Judy, não é isso que quero falar. Preciso que fique de olho no Carl.

─Por que?

─Ele está atormentado com o sumiço da Ally, tenho medo que ele faça uma loucura e você é a única que pode impedi-lo.

─Que tipo de loucura?

─Pegar uma arma e ir sozinho atrás dela.

─Isso. – No fundo eu acho que é o que ele devia fazer, mesmo sabendo que Kim não o perdoaria. – Pode deixar eu vou fazer o que puder.

Meu pai nega com um movimento de cabeça, segura meu braço para dar mais força a suas palavras.

─Não. Você vai impedi-lo. Nós sabemos como ele se sente. Se for lá fora assim ele vai se encrencar.

─Prometo. – Ele me abraça, meu coração se aperta um pouco.

─Não quero que fique muito próxima desse Caleb, eu entendo que ele é novidade, um rapaz bonito, mas não conhecemos ele.

─Pai, acha que eu...

─Judy tudo bem, isso é normal, mas espera eu retornar.

Não acredito que meu pai acha que estou apaixonada ou sei lá o que pelo Caleb. Balanço a cabeça tentando negar, mas sem dizer a ele a verdade não vou conseguir convence-lo e apenas me calo.

─Se cuida lá fora pai, eu te amo. – Eu o abraço. Aperto seu pescoço e sinto medo.

─Também te amo. Se algo acontecer comigo... – Tento tampar sua boca ele afasta minha mão. – Nós não fingimos, sabe que pode acontecer, se algo der errado ninguém ama você nesse mundo mais do que a Beth. Fique perto dela.

─Volta pai, traz meu sorvetinho de volta.

Não consigo não chorar, ele sorri carinhoso, seca minhas lágrimas.

─Mais fácil seu sorvetinho me trazer de volta, ele é o cara! – Meu pai brinca depois se afasta. Assisto Seth abraçado a mãe, chorando feito um bebê.

Mary com sua besta nas costas, forte e corajosa como todos os Dixons, ela consegue ser doce e delicada e ainda assim ser forte. Depois é a vez de Daryl abraçar Seth, beijar a testa do filho e dar um longo olhar para Glenn, seu pedido mudo de proteção.

Maggie se aproxima puxando Seth e abraçando o garoto. Meus olhos encontram os de Scott, ele caminha para mim.

─Provou que sabe se defender então fique pronta para qualquer coisa, cuida de tudo aqui, não relaxa, não dispersa a mente e não se preocupa com a gente.

─Está exigindo muito de mim.

─Eu sei. Mais uma coisa, não dá muito espaço para esse Caleb.

─Por que tem ciúme de mim? – Scott beija minha testa.

─Não. Por que ele é um babaca. – Ele sorri e depois me dá as costas.

Custava ao menos admitir que tem ciúme? A mão de Beth me envolve a cintura enquanto assistimos todos partirem, o portão se fecha. Meu coração se fecha junto. É como se ficasse nas sombras, o sol só vai voltar a ilumina-lo quando meu povo estiver de volta.

─Eles vão ficar bem. – Beth me aperta a cintura. Carl encara o portão com olhos perdidos. – Ele não está nada bem.

─Sinto um pouco de pena da Kim. – Beth me olha, nega num movimento de cabeça.

─Ela sabia onde estava se metendo, todo mundo sabia.

─Vou lá com ele um pouco. Alguém tem que aturar o mal humor.

Beth afirma, segue para seus afazeres e vou ao encontro de Carl.

─Onde está a Kim?

─Com a mãe dela. Annet não anda nada bem. – A mãe de Kim nunca se recuperou realmente do mundo que viveu lá fora, seu corpo é frágil, ela tem a respiração delicada, pulou do segundo andar uma vez, antes de chegar aqui, o doutor Chan acredita que ela perdeu um pouco a capacidade respiratória com a queda, Kim vive às voltas com a mãe e muitas vezes ouvi que tudo que ela procurava em Carl era o apoio e a proteção para sobreviver e cuidar da mãe.

─Quer que eu vá vê-las? Vocês dois...

─Não tem nada demais estar preocupado com a Ally, não somos inimigos, Kim sabe disso. – Ele se exalta. – Desculpe Judy. Sei que quer ajudar, mas o certo era eu ir procurar a Ally.

─Estou pronta para ir. Quando for eu vou junto e nem adianta tentar me impedir por que sigo você. – Meu pai disse que eu devia impedi-lo de ir e nada é mais eficaz do que dizer que vou com ele, Carl simplesmente não vai.

─Vamos esperar o grupo voltar. Amanhã no fim do dia eles vão estar de volta e se ela não tiver voltado então eu vou.

─Certo. Vou para meu posto no telhado. – Ele afirma. Caminho para os fundos de términos, passo pela dispensa, Bob está na porta do arsenal em seu turno de proteção a sala das armas. – Boa noite Bob. – Ele me sorri, tem trinta anos, chegou numa manhã chuvosa arrastando a perna, atira bem, é gentil, mas a perna não se recuperou e por isso seu trabalho é aqui dentro.

─Eles já partiram?

─Sim Bob. Vai dar tudo certo.

─Eu sei, quando foi que Scott errou?

─Verdade. – Abro um sorriso de orgulho. – Precisa de algo?

─Não. Beth vem me trazer o jantar mais tarde, estou bem.

Pego uma garrafa de água na dispensa e depois subo as escadas com meu binóculo e armas. Me sento no chão. Uma noite toda aqui. Trabalho chato e irritante que só é bom quando tem Scott comigo.

Penso neles caminhando pela escuridão, foi tão assustador estar lá fora caminhando a noite, só queria estar com ele agora. Mas é Ashley que está.

Me ajeito, ergo o binóculo, olho toda a extensão de terminus, não tem nada, se tiver não enxergo por que a noite é só breu. Abaixo o objeto e me sento sobre uma almofada, minha mente fica viajando entre o medo do que eles vão enfrentar, Ally sabe Deus onde e os bons momentos com Scott.

Ele gosta de mim, não disse te amo, nem nada parecido, nem diria do jeito que está atordoado com todos os acontecimentos, mesmo assim gosta de mim, está disposto a tentar, não sei realmente como vai ser, não acho que vai ser nada demais.

Não é errado, não somos irmãos, não somos nem parentes, somos dois jovens, saudáveis, descomprometidos, podemos viver nossas vidas e isso não tem que ser da conta de ninguém.

Scott é muito preocupado com tudo e todos, entendo esse medo que tem de decepcionar as pessoas, todo mundo espera muito dele, depositaram todas as fichas na capacidade de Scott de sobreviver e levar o grupo ao futuro.

Ele não tem medo, não erra, não para, não perdoa, faz o que tem que fazer e isso criou muita expectativa sobre ele. Um peso que carrega sozinho e que acho que é a única coisa que pode nos afastar, se Scott achar que estar comigo coloca a comunidade em risco então...

─Não coloca Judy, pare de pensar tolices. – Digo em voz alta só para ouvir qualquer com que não seja o farfalhar das árvores além de Terminus.

O silencio e a escuridão me sufocam um pouco, muito talvez, sinto falta do grupo que nos deixou, me preocupo com os que ficaram, não somos tão fortes assim.

Escuto passos na escada quase no começo da madrugada, depois a luz de uma lanterna surge e Caleb acena.

─Posso? – Ele se senta ao meu lado, aproveito para usar o binóculo mais uma vez. – Não dá para ver nada. – Ele ri.

─Que bom. Se der é que é o problema, uma fogueira, sombras se movendo, lanterna. A escuridão morta é sinal que tudo está bem.

─Ok sabe tudo. – Ele diz se arrumando. – Não consegui dormir, estava sozinho no alojamento.

─Onde estão Rosita e Nina?

─Rosita está montando guarda em torno dos muros e deixou a Nina na casa do... Como se chama o coreano com a perna machucada?

─Glenn

─Isso, Nina está na casa deles.

─Que bom. Seth vai gostar da companhia e ele está muito preocupado com toda família lá fora. Quando descer vou vê-lo.

─O cunhado?

─Caleb, suas ironias não me agradam em nada. – Aviso, ser honesta é sempre a melhor escolha.

─Assim você dificulta as coisas. Esse é meu jeito de sobreviver.

─Uma resposta honesta. Um começo.

─Perdi tudo Judith, não tive a sua sorte, pai, mães, amigos, protetores.

─Suas dores não tornam as minhas menos importantes. Sinto por tudo que deu errado para você.

─Ninguém realmente sente. Passei um bom tempo perambulando pelas ruas da minha pequena e fechada cidade, vendo as famílias que sobreviveram se dando bem, jantando em família, enquanto eu vivia aqui e ali, jogado. Até que me tornei um tanto rebelde e virei problema, só então olharam para mim. Abe me levou para sua casa, não por que gostava de mim, mas por que sentia pena e queria diminuir os riscos que eu representava.

─Acho que realmente não gosto das pessoas que seu grupo eram.

─Tanto faz, morreram. Abe era bom, não estou reclamando, a casa era boa, Rosita e Nina me tratavam bem. Eu era um visitante, um hospede do dia que cheguei até o dia que os portões cederam aos mortos.

História triste, explica um pouco esse jeito dele.

─Pode tentar criar laços com alguém agora.

─Estou aqui. – Ele me diz, olho para ele e não sei bem se ele fala de amizade ou algo mais. Não sei muito lidar com isso, nunca tive que enfrentar um paquerador se posso chamar assim.

─Caleb... É que eu não sei se posso...

─Eu sei que ama aquele idiota. Não se preocupe.

─Scott é o melhor homem que conheço e você é que está sendo um idiota.

─Ele é frio e mandão, você é gentil, aberta a conhecer novas pessoas.

─O tempo vai te mostrar quem ele é, não preciso provar nada.

─Ashley está interessada nele. Já percebi isso. É bem o tipo de homem que ela gosta.

─Se ela pensa como você então ela não sabe como ele é realmente. Além disso ele não gosta dela.

─Ashley não é má. Isso é só o jeito que ela encontrou de sobreviver, viu tudo ruir muitas vezes, se tornou fria e arrogante, mas pode proteger e amar, eu sei que sim, é só ela sentir segurança e vai mostrar isso.

─Você gosta dela? É isso? – Fico surpresa.

─Ashley nunca olharia em minha direção, ela me acha um nada.

Nem sei o que dizer, fico olhando para ele um longo momento, Caleb veio me procurar para se abrir por que está sofrendo de amor.

─Talvez você possa mostrar a ela que não é isso. Quando se apaixonou?

─Quero esquecer Ashley, nem sei se gosto dela, deixamos nossa vila e passamos muito tempo juntos, foram muitos apuros na estrada, noites de guarda, dias e mais dias de fome, matar zumbis, correr lado a lado, pode ser só... sei lá. Não ligo, estou tentando tira-la da minha cabeça.

─Não posso te aconselhar Caleb, não entendo muito disso.

─Não espero por um conselho, só estou aqui e pronto, matando o tempo e conversando com alguém além de Nina. – Ele dá um meio sorriso.

─Gosta dela. Da Nina. Não tem nada errado nisso.

─Nina vai morrer como todos, não quero me prender a ela.

─Que cabecinha confusa essa sua. Não quer gostar de ninguém, não quer mudar nada, por que não salta daqui do telhado?

─A queda não me mataria, provavelmente me deixaria paraplégico e dependente apenas isso.

─Idiota! – Acabo rindo.

─Quando encontramos seu namoradinho.

─Scott.

─Quando encontramos o Scott heroizinho. – Ele me provoca. – Ele viu o zumbi, o cara que era de Albany, nenhum sinal sabe. Ele não deu nenhum sinal de dor. Somos tão poucos, ele seguiu conosco e só deixou o corpo lá.

─Ele tinha algo grande para se preocupar, prova disso é que foi lá fora enfrentar o que aquele corpo significa.

O céu começa a mudar de tom, meu coração se aperta, quanto mais perto do dia mais próximo o momento da luta, abraço meus joelhos, encosto a testa neles, odeio isso. Nada pode ser pior do que não saber.

─Espera. – Encaro Caleb. – Estavam aqui perto? Quando encontraram o zumbi de Albany?

─Sim.

─Ele não foi morto pelos caras que estão na fazenda perto de Albany e caminhou até aqui, não veio como zumbi de lá.

─O que quer dizer Judy?

─Foi morto aqui perto. Então deve ter sido seguido, talvez esses homens saibam de nós. Talvez tenham vindo para cá. Todos eles, ou uma parte deles, quem sabe não estão na região a espera de um momento para nos atacar?

Começo a juntar minhas coisas, fico de pé e dou uma boa olhada em tudo, agora o dia está perto de começar e pode ser que veja algo mais claro, é diferente quando se procura. Vejo uma pequena nuvem de fumaça branca subindo no meio da mata. Uma fogueira recém apagada.

─Caleb, vamos descer. Atira bem?

─Sim. Abe me ensinou.

─Vamos precisar de todos a postos.

Corro direto para casa de Carl, ele está acordado, sentado na porta. Explico a ele em meio a meus atropelos. Carl se agita.

─Mande todo mundo para o arsenal, se é uma fogueira apagando eles podem estar vindo e não sabemos de quantos estamos falando. Vou avisar a Kim e já encontro vocês.

Carl determina. Olho para Caleb.

─Te ajudo a avisar todo mundo. – Nos separamos, saio chamando todos, na casa de Maggie bato na porta e Glenn abre vestido e armado.

─Acho que vamos ser atacados Glenn.

─Maggie! – Ele grita.

─Estamos reunindo todos no arsenal. – Não espero por nada só corro ao encontro de Carl. Quando chego ele está distribuindo armas. Quase todo mundo está lá.

─Bob vai para o telhado, não pode correr e de lá você nos cobre. – Carl entrega a ele um rifle e uma caixa de munição. Saber produzir munição nos deixa numa boa vantagem, mas aqueles caras roubaram armas de fogo em Albany e podem estar com elas agora mesmo. Bob nos deixa mancando apressado.

─Onde está Nina? – Rosita chega correndo.

─Em minha casa. Seth ficou com ela e Hershel, ele está bem armado, sabe se defender. Estão levando as outras crianças para lá. – Maggie avisa, entrega uma pistola e mais munição a Rosita. ─Vai Rosita, fica próxima protegendo para nada chegar a eles.

─Atirem para matar! – Carl avisa.

─Cadê a Kim? – Pergunto olhando em volta.

─Vai levar Annet para casa da Maggie. Judy quero que fique perto de mim. Ouviu?

─Maggie e Glenn cuidam do portão, atrás da cabine de metal. – Arthur pede a eles. ─Os outros consigam proteção e fiquem prontos para se defender. Danny eu e Beth vamos correr os muros. José, você fica dentro do arsenal. Porta fechada, não podem chegar aqui.

─Tudo bem Arthur só entram se eu estiver morto. – O sotaque carregado de José me atinge os ouvidos como uma sentença.

─Doutor Chan fica com José.

Todos nós começamos a carregar as armas, juntas munição em bolsos quando o primeiro disparo explode ecoando por Terminus.

Corro ao lado de Carl e Caleb, homens entravam e se espalhavam por terminus, conto seis deles muito rapidamente, pode ser mais. Carl atira acertando um deles, me abaixo atrás de uma proteção de metal, temos algumas espalhadas exatamente para isso.

Bob dispara lá de cima, ninguém vai conseguir chegar a seus postos, tem tiros de todas as direções, os portões ficaram abertos e isso tem que acabar logo antes que zumbis cheguem.

Vejo um dos caras se esconder atrás de um carro. Faço mira, ele não vai ficar ali para sempre. O homem se ergue e disparo, o tiro pega em seu pescoço e ele cai, tiros vem em minha direção, me escondo enquanto escuto explodirem na lata que me protege. Eles param e me atrevo a olhar o ambiente.

Bob atira de cima do telhado derruba mais um homem que entrava seguido por zumbis.

─Cuidado Bob! – É a voz de Maggie e então um estrondo e uns metros de mim o corpo de Bob ao chão. Os tiros do telhado continuam, mas agora nosso grupo é o alvo.

Vejo Kim caminhando com Annet, ela tenta arrastar a mãe, um tiro acerta as costas de Annet. As duas caem, o maldito do telhado está fazendo estrago. A escada está a cinco metros de mim, ele subiu e pegou Bob, posso fazer o mesmo.

─Judy não. – Caleb sussurra e só então o vejo abaixado na parede de uma das pequenas casas.

─Me dá cobertura. – Saio correndo desgovernada ouvindo tiros de todos os lados e contando com a sorte para me permitir chegar as escadas. Subo com a arma em punho, a mão treme um pouco. A arma no telhado está frenética e imagino que o homem esteja distraído, concentrado em manter todos nós rendidos e escondidos.

Assim que visualizo o telhado vejo um par de botar de cano longo próximo a beirada. Ergo a arma, se errar quem morre sou eu. Meus dedos tremem um pouco e me concentro nas mil aulas que tive.

Seguro a pistola com as duas mãos, limpo a mente, isso é por todos nós, foco minha visão na nuca do homem que dispara o rifle sem descanso e então aperto o gatilho, a cabeça explode num jato de sangue e miolos, o impacto o empurra para frente e ele despenca. O rifle segue com ele, mesmo assim corro para o telhado abaixada. Me deito no parapeito, recarrego minha pistola.

Procuro enxergar os inimigos, Glenn e Maggie estão atirando, Kim chora sobre o corpo da mãe no meio do pátio e Carl corre para ela. Zumbis começam a surgir no portão, procuro por mais inimigos. Tem pelo menos quatro deles caídos pelo pátio. Contei seis. Tem que ter mais.

Escuto mais um disparo. Que seja mais um deles. Meia dúzia de zumbis começam a entrar, nem sei se mais deles entraram no meio da confusão, derrubo alguns, depois sei que tenho que descer.

Caleb me esperava na ponta da escada, um zumbi caído a seus pés.

─Entraram vários. Estão por aí. – Ele me diz. – Os caras acho que se foram todos. Arthur e Beth pegaram dois deles se aproximando do arsenal.

Kim está nos braços de Carl, chorando desconsolada. Quatro zumbis se aproximam deles.

─Carl! – Eu grito correndo para ajuda-lo. Ele se ergue, se desvencilha de Kim para lutar, ela se deita no peito da mãe, Carl derruba os quatro antes que eu chegue, me concentro em olhar em volta para ver se mais deles estão chegando, Kim está há muito tempo sobre o peito da mãe e então seu grito nos faz correr.

A cena me faz cambalear confusa. Annet transformada mordia o pescoço de Kim enquanto seus braços arranhavam Kim segurando-a junto a sim.

─Não! – O grito de Carl é dolorido, aperta meu coração, ele dispara um único tiro na testa de Annet, Segura Kim tentando conter o sangramento com a mão.

─Sinto muito. Sinto muito. – Ela diz tocando seu rosto.

─Vai ficar tudo bem Kim. Alguém me ajuda! – Ele grita e não sei o que fazer, olho em minha volta, pessoas derrubam zumbis, Maggie e Glenn com ajuda de Danny fecham o portão.

Beth corre para perto de Carl com Arthur. Um zumbi vira em nossa direção, ergo a pistola e o acerto, meus ombros sobem e descem pelo choro misturado ao cansaço.

─Não me deixa Kim, não faz isso. – Carl grita abraçando Kim quando seus olhos se fecham e seu corpo amolece em seus braços. – Não!

Seu desespero me corta o coração, me faz curvar, não aguento ver sua dor. Seu choro cheio de desespero me machuca e só quero que eles voltem logo.

─Carl, solta ela. – Arthur pede e ele nega. – Carl, preciso fazer. Sabe disso, não quer que aconteça com ela.

Carl não parece ouvi-los, não vou deixar que Kim vire um monstro, coloco a pistola na cintura e pego minha faca. Caminho até ele, me ajoelho.

─Carl! – Seus olhos encontram os meus. – Chega. – Puxo Kim de seus braços, ele não resiste, quando ela está no chão, apoiada no corpo da mãe e ergo minha faca, a mão de Carl cobre a minha.

─Não. Eu faço. É assim que tem que ser. Não é a primeira vez. – Baixo meu braço, ele puxa sua faca, puxa Kim para si, encosta seu rosto ao dela uma mão no topo de sua cabeça, com a outra e ainda chorando enfia a faca em sua nuca.

O sangue escorre por sua mão, o sangue escorre pelas mãos de todos. Olho em volta, tem corpos de zumbis e pessoas espalhados, os inimigos, Kim, Annet, Bob, e talvez mais algum por aí.

Alguns zumbis se aglomeram no portão, acabou, mas não para eles, os mortos sempre podem continuar. Meu irmão chora debruçado sobre o corpo de Kim. Fico de pé.

─Levanta Carl. Você é filho de Rick Grimes, é o líder do Santuário. Tem zumbis se juntando no portão. Ainda não é tempo de se curvar chorando. – Estendo a mão para ele, Carl segura ficando de pé.

─Caleb, Judith e eu vamos ajudar a conter os zumbis do portão. Arthur coordena um grupo para retirar os corpos, os outros se recolham em silencio. Fiquem prontos, mais zumbis podem chegar.

Depois de dar suas ordens Carl caminha ao meu lado em direção ao portão onde os outros derrubavam zumbis pela grade. A maioria deles vai ficar pelo caminho, nas valas e estacas, mesmo assim nunca se sabe de quantos estamos falando. Os tiros podem ter ecoado a milhas daqui, vão se misturar aos tiros que talvez estejam sendo disparados nesse momento pelas pessoas que amo em um lugar qualquer desse mundo escuro e morto.

Notas finais
Gente estou prestes a começar uma fic nova do nosso Daryl, estou com saudade de escrever sobre ele, assim que postar deixo o link aqui. BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSS