Notas iniciais
Oiiieeeee Espero que gostem.

Pov – Scott

Tentamos caminhar próximos, minha cabeça dividida em proteger Judy e Ally com David naquela cidade, se não estivesse com Judy eu provavelmente teria dado um jeito de ir atrás dela, mas Ally sabe que não tive escolha. Agora é torcer para aquela durona estar bem.

─Você está preocupado com ela?

─Sim Judy, mas eu sei que ela consegue. – Don caminha uns metros à frente. – Don, acha que David...

─Ele é bom. – Don me corta. – David consegue acredite. Não tinha ninguém melhor para estar com ela, antes de tudo ele é leal, ou chegam os dois ou nenhum deles.

Faço um sinal afirmativo, nesse mundo que temos, lealdade já é muita coisa. Não é fácil escolher um amigo quando olha aquelas coisas mortas caminhando para você, dá vontade de sumir.

Quando a noite se aproxima fico mais tenso, não vamos parar nem um momento e caminhar em completa escuridão nunca é boa ideia. Ficamos todos, lado a lado, um dando cobertura ao outro.

Spencer fica numa ponta e eu na outra, Judy ao meu lado, procuramos evitar qualquer som que possa atrair zumbis, a noite cai mais pesada que de costume, o céu nublado impede a luz da lua e das estrelas.

A noite é só breu. Vez por outra sinto a mão de Judy a tocar meu ombro, a cada toque meus lábios queimam sentindo o sabor de seu beijo. Não sei onde isso vai dar. Só queria um tempo para conversar com ela.

Paramos quando o som de passos sob folhas secas chega a nossos ouvidos, nos fechamos num círculo de proteção de costas um para o outro. Silenciosos aguardamos.

Sei que não são muitos, talvez dois deles, mas esperar o desconhecido é torturante. O rosto morto e deformado surge diante de mim quando nem um metro nos separa, acerto sua cabeça sem pensar muito, passos continuam a se aproximar e nos mantemos no mais profundo silencio, as respirações em suspenso até que Paul derruba um zumbi.

Depois é só silencio, um longo momento de silencio, até que decidimos que é hora de continuar e nos colocamos em movimento mais uma vez. Quando o céu começa a clarear meu coração se acalma, apertamos o passo, vencemos uma boa distância, mas sem a escuridão teria sido muito maior.

Pegamos os trilhos para Terminus, eu amo esses trilhos, sempre me dizem que estou indo para casa, mais umas horas e estamos seguros, os rostos começam a relaxar.

Penso mais uma vez em Ally, ela não deve ter arriscado caminhar a noite sozinha com David. Vai esperar amanhecer, por outro lado, ao amanhecer vai percorrer uma boa distância estando apenas em dois.

Se não estiver de volta até partirmos então vamos pela cidade morta e vejo se encontro pistas dela, pode ter ficado presa em algum lugar a espera de condições para sair.

Passamos pela primeira placa de terminus, paro um momento para olhar para ela.

─Deviam tirar isso. Sempre penso que são loucos de convidar pessoas. – Don para ao meu lado.

─Tem mais gente boa que ruim. Foi assim que muita gente que me importo chegou ao Santuário.

─Eu sei, mas esse é um momento importante. E se eles descobrirem vocês?

─Vão encontrar o que procuram, sangue e morte. Não vai ser a primeira vez. – Eu os lembro. Vamos estamos perto demais para parar agora.

Quando nos aproximamos o bastante eu começo a relaxar. Judy se aproxima de mim e seguro sua mão, a partir daqui já temos alguma segurança, rondas e quase nenhum zumbi.

─Fiquei orgulhoso de você lá fora.

─Aqui fora. –Ela me corrige toda sorridente.

─Já me sinto em casa. – Brinco podendo sorrir, o sorriso se desfaz quando penso em Ally.

─Ally é tão determinada, ela vai conseguir. Chegar sem ela vai ser um baque para o Carl.

─Acha que ainda tem sentimentos entre eles?

─Sim. Meu irmão é burro, ele nunca entendeu que o que mais gostava em Ally era justamente o que queria mudar nela, sua independência. Ele jogou alto e perdeu, deu um ultimato a ela, ou ele ou o jeito dela sair lá fora e lutar.

─Que tolice. Nunca tinha pensado nisso. Que ele gostava dela, por que eu sei que ela gosta dele, estamos sempre por aí juntos e em qualquer conversa que dure mais que cinco minutos ela coloca o nome dele.

─Gosto muito da Kim, mas sinto pena de toda essa confusão deles.

─É estranho, gostar de uma pessoa e mesmo assim estar com outra. Não sei como isso funciona.

─Não sabe? – Seus olhos semicerram quando me olha. – Beijou a Ashley e jura que não gosta dela. – Judy diz baixo para os outros não ouvirem.

─Nunca mais vai esquecer isso? – Fico irritado, ela não esquece e faz questão de me lembrar.

─Vai fazer escândalo nervosinho?

─Odeio quando faz isso. – Solto sua mão, ela sorri. – Para de rir.

─Não estou rindo. – Ela fecha a cara.

─Está rindo por dentro, eu te conheço.

Os portões de Terminus surgem e apresso meu passo. Puxo Judy comigo, até estarmos do lado de dentro tudo sempre pode acontecer.

Rick, meus pais e Beth estão a nossa espera, um vigia deve ter anunciado nossa aproximação. Carl vem correndo ao lado de Michonne.

Judy abraça Beth, ela não consegue esconder o amor incondicional que tem por ela. Depois abraça o pai. Não vejo direito por que minha mãe está me apertando todo como fazia quando eu era pequeno, como faz cada vez que chego da rua. Depois é a vez do meu pai. Beijo seu rosto, é meu pai e não ligo para o que as pessoas pensam, sei que muita gente me acha bobo por ser tão carinhoso com eles.

─Scott! – Carl me chama um tanto tenso. Eu sei que é sobre Ally, vejo sua palidez e até fico feliz por Kim não estar por perto.

─Ally se separou de nós. Está com David, devem lembrar dele, de Nova Albany.

─Ela está bem? Estava ferida? Por que se separaram?

─Calma Carl, é a Ally, ela é boa lá fora, os dois vão chegar, ficamos separados por um grupo de zumbis na cidade morta.

─Mas que diabos foram fazer por lá? – Meu pai pergunta.

─Beth pode acomodar o pessoal? Don vem comigo, vamos conversar. Mich, fica de guarda. – Ela ergue uma sobrancelha sabendo que só pode ser problema.

─Vivos ou mortos?

─Vivos Mich! – Aviso caminhando com o restante. Nos reunimos em torno da mesa no que eles chamam de escritório, quartel general e sei lá mais quantos nomes dão aquele lugar.

Abro o mapa. Todos a espera de uma explicação. Don começa a procurar a fazenda enquanto tomo um gole de água.

─Eles foram atacados por um grupo de nômades, perderam onze pessoas, os caras estão numa fazenda, parece que são em torno de vinte, pegamos dois na estrada antes de chegar até eles.

Rick e Carl olham para Judith como se dissessem, avisamos que não era seguro.

─Estou viva se não notaram. – Ela resmunga.

─O líder está ferido, não vão sair até que se recupere ou morra. – Don continua. – Foi o que apuramos, eles podem voltar a Albany para mais mortes ou saques, podem pegar a estrada e acabar aqui, ou outra comunidade, descobrimos que eles destruíram uma comunidade bem perto de nós que nunca nem soubemos que existia.

─Então vamos impedir que saiam da fazenda. – Rick diz encarando o mapa. – Onde Don?

─Aqui. – Ele aponta o mapa. Se seguirmos pelos trilhos dá direto na fazenda.

─Pensei em cobrirmos a distância essa noite e atacar logo cedo. Se sairmos perto do anoitecer corrermos os trilhos sem sair deles chegamos lá ao amanhecer. – Digo fazendo o caminho com o dedo sobre o mapa. – Vão estar desprevenidos.

─É boa ideia. Viajar a noite não é a melhor ideia do mundo, mas ao menos não corremos risco de encontra-los, os caras vão se entocar. – Rick determina. – Já esteve nessa fazenda? – Ele pergunta a Don.

─Nós já. – Meu pai diz olhando minha mãe. Ele pega um papel para desenhar o local. Me faz lembrar dos mil desenhos que pedia a ele. – Eu, Mary, Mich e Glenn. Um casarão. Os fundos ficam bem perto da floresta, temos que ir por lá, se alguém tentar fugir vai ser por ali e os perdemos fácil na mata.

─A frente é um campo alto de trigo. Da para alguns de nós se esconder pelo trigo e atirar. – Minha mãe continua. ─ Abaixados eu e Daryl podemos nos aproximar bastante.

─Pegar os vigias em silencio. Assim não chamamos atenção sobre o ataque. – Meu pai continua.

─Não gosto disso, se eles perceberem nossa presença vão ter a vantagem de estarem protegidos por paredes e teto. – Carl continua, seu pai concorda. – Vão ficar lá por dias.

─A menos que algo os faça sair, ateiem fogo em tudo. – Judith diz de modo tranquilo, ganha todos os olhares. – Ou atirem umas bombas dessas de fumaça que vocês guardam como um tesouro, deve ter sido para algo assim que guardaram.

─Você não vai. – Carl diz com mais um olhar para porta a espera de Ally.

─Eu sei. O que não me impede de usar o cérebro.

─Podem adiar a briga para mais tarde? Isso é sério. – Rick exige e os dois se calam. – A ideia é ótima. – Rick pega o desenho simples da casa. – Daryl e Mary vem pelo campo de trigo e derrubam os vigias que devem estas na frente da casa. Don é bom atirador, dá cobertura de longe. Protege os dois. Ao mesmo tempo começamos um incêndio. Colocamos uns quatro pelo menos nos fundos, na floresta para pegar os que saírem, dois de cada lado da casa.

─Em cada flanco mais um homem livre, para lidar com zumbis caso apareçam. Mich fica com o pessoal da floresta, ela impede que zumbis se aproximem do grupo mais importante. – Eu continuo.

─Então é isso, saímos ao anoitecer. Os que estiveram lá fora vão descansar, vamos reforçar a segurança, avisar a todos e preparar as armas. Saímos ao anoitecer. – Rick determina e nessas horas acho que ninguém se importa muito se ele é ou não nosso líder. Rick está acima desses pequenos detalhes do dia a dia.

O grupo começa a se dispersar, ainda estou preocupado com Ally, sei que ela vai chegar, mesmo assim adoraria sair em busca dela. Carl também, dá para notar pelo jeito tenso com que anda para a porta.

─Tem comida pronta filho, precisa dormir umas horas. – Minha mãe toca meu rosto. – Parece esgotado. ─ Tento sorrir.

─Estou bem. Não queria que fosse.

─Eu sei. Não queria que ninguém fosse, mas Seth vai ficar bem e vou estar com você e seu pai. Nada pode me atingir. – Afirmo. Abraço minha mãe. Ela olha para Judith encostada na janela a minha espera. – Te vejo em casa.

─Vou logo.

─Scott. – Rick me chama, paro diante dele. Rick toca meu ombro. – Obrigado. Sei que não foi fácil, mas a trouxe de volta. Sabia que faria isso, sei que Judy é muito importante para você, que foram criados juntos, mesmo assim, obrigado.

─Tudo bem Rick. – Sorrio.

─Judith. – Rick se aproxima dela. – Vamos filha, precisa tomar um banho, comer, descansar. Vai ajudar a manter a segurança enquanto estivermos fora.

Judy olha para mim, quando o pai a puxa de modo delicado em direção a porta, faço sinal para ela ir. Depois falamos, não queria deixar Terminus antes de dizer a ela que sinto muito por meu comportamento, mas isso pode esperar um pouco, ainda temos umas horas antes de ganhar a estrada mais uma vez.

─Vou com o grupo. – Ashley diz quando caminho em direção a minha casa. – Acho que já provei meu valor e atiro bem.

─Como quiser. – Acho melhor tê-la por perto a deixa-la aqui para arrumar confusão com Judy. Ela esperava por mais resistência e fica surpresa, eu continuo meu caminho para casa. Deixo a garota plantada no meio do caminho.

Caleb me esperava na porta da minha casa, será que vou conseguir tomar um banho e comer qualquer coisa antes de sair ou todo mundo vai querer um momento comigo antes?

─Vim me oferecer para ajudar lá fora.

─Não.

─Você se acha muito esperto. Dono da verdade, não me conhece, não sabe nada de mim.

─Salvou Judy lá fora, eu vi, um zumbi veio por trás dela e o derrubou, não estava preocupado apenas em ficar vivo. Por isso vai ficar aqui. ─ Caleb parece tão surpreso quando Ashley ficou há pouco. Me olha sem entender. – Não pode matar pessoas, já entendi, mas pode salvar pessoas, então você fica para o caso de ter que salvar alguém e eu vou.

─Para o caso de ter que matar alguém. – Ele diz com algum desdém.

─Não. Isso é um fato. Eu estou indo fazer exatamente isso, vamos encurralar e matar desconhecidos. Apenas isso. Pode fazer isso?

Ele nega. Suspiro. Um dia vai ter que fazer, mas deixe que mantenha suas ilusões.

─Tudo bem.

─Procure o Carl e se ofereça para ajudar.

Finalmente entro em casa, tomo um banho rápido, minha mãe deixa um prato sobre a mesa, deve ter ido ver Seth, depois se armar no arsenal, me sento pensando no quanto sair para algo assim me assusta. Deixar Judy e Seth para trás, não saber se volto, se tudo fica bem aqui enquanto estamos fora.

Glenn, Maggie, Arthur, Beth e Carl ficam, é um grupo forte, sabem lutar, pensar rápido e se defender, mesmo assim algo sempre pode dar errado.

Engulo a comida por pura necessidade, não tenho a menor fome, depois deixo a casa, quero conversar com Judy, não importa muito como me sinto, o que importa são os sentimentos dela, sempre os sentimentos dela.

As pessoas conversam aqui e ali, gente indo e vindo, atarefados, tensos, acenando para mim como se eu fosse o grande salvador de todos, não sou, a qualquer momento as coisas podem falhar. É um peso grande, mas aceitei e vou fazer o que for preciso por esse lugar.

Abro a porta de Beth. Aposto que está aqui, Beth me sorri remexendo as panelas, seu sorriso é tenso.

─No Rick. – Ela me diz e reviro os olhos. Que tipo de pessoa tem duas casas? E por que não tem meio de acertar onde ela está?

─Obrigado Beth. – Dou meia volta e sigo para umas casas depois. Rezo para ninguém me parar, daria tudo por umas horas de sono tranquilo e nenhuma preocupação. Queria que fosse um dia comum e eu estivesse de guarda no telhado com ela, dividindo batata frita e reclamando de qualquer coisa.

Toco a maçaneta e a porta se abre como mágica. Rick está saindo.

─Ela está no quarto. Estou indo organizar as coisas, vê se não fica de papo e dorme um pouco. – Ele nem espera por resposta, só me deixa passar e some apressado.

─Judy! – Chamo da pequena cozinha.

─Entra sorvetinho. – Sorvetinho. Isso é jeito de me chamar, torna a futura conversa tão infantil. Abro a porta e ela está calçando as botas, os cabelos úmidos e o rosto um tanto cansado. – Só agora deu para sentir o cansaço.

─Sei como é. – Ela termina de se calçar e me olha, continuo de pé, não sei direito como começar essa conversa. O quarto parece tão pequeno, ela tão perto, os olhos claros me encarando curiosos.

─Os olhos dourados de Mary. – Ela me diz do nada.

─O que? – Pergunto confuso.

─Seu pai, ele sempre diz que você tem os olhos dourados de Mary, e tem, quando me olha assim... Eu gosto.

─Tem os olhos do seu irmão, e do seu pai.

─Tenho. – Ela me diz, fica de pé. – Se me deixasse ir.

─Não é disso que vim falar. – Peço antes que a conversa mude de rumo. Para a gente se perder em mil assuntos é um pulo. – Vim me desculpar. O que eu fiz na floresta foi errado.

─Do que está falando?

─Não complica Judy. Estou falando do beijo.

─Acha que foi um erro? – Ela me pergunta, pela primeira vez não sei o que seus olhos querem me dizer.

─De muitos modos.

─Então por que me beijou?

─Judy... – Ando pelo quarto, estou tenso e ao mesmo tempo fugindo do seu olhar. – Não é hora para isso, eu tenho que voltar lá fora. Está tudo confuso. Só quero que me desculpe.

─Não queria me beijar? Não gostou? O que Scott? Me fala? Não pode me beijar e depois se desculpar e simplesmente achar que tudo vai continuar igual.

─Vê? Esse é um dos motivos, as coisas não vão ser iguais. Tantas coisas... – Paro de andar e olho para ela. – Seu pai, ele confia em mim, fomos criados juntos, quase como...

─Não sou sua irmã! – Ela diz brava. Me corta antes que termine.

─Claro que não, mas as pessoas...

─As pessoas não moram dentro do meu coração nem dentro do seu.

─Fico sempre por um fio. – Tenho medo de ter Judy e depois não aguentar me perder dela.

─Eu sei. Sou eu quem fica a sua espera grudada no portão, com medo do dia que o grupo vai chegar sem você, que vou perguntar onde você está e a resposta vai ser o silencio. Não faz diferença, antes de me beijar eu já me sentia assim.

─Coloquei você em risco quando perdi a cabeça e te beijei.

─Sabia que diria isso. Foi um impulso? Nunca desejou isso antes?

Vejo sua magoa, não vou mentir, mentir não faz parte do modo como lidamos um com o outro.

─Foi um impulso, motivado pela raiva de dizer que beijei alguém, quando todo tempo desde sempre a única pessoa que quis beijar foi você.

Ficamos frente a frente, já me dei conta que Judy é tudo que me importa, que se não for ela não será mais ninguém, então por que tento tanto resistir?

─Também beijei você Scott.

─Não te dei muita escolha. – Me recrimino mais uma vez.

─Achei que tinha sido mais participativa.

─Você foi. – Ela sorri. – Talvez tenha sido só... Sei lá, reflexo, curiosidade.

─Curiosidade? Para saber como é beijar alguém? – Ela me pergunta e afirmo. – Por que acha que nunca beijei ninguém?

─Como é? – Paro de pensar um momento, sinto raiva do sorrisinho dela, me aproximo.

─Você tem ciúme de mim.

─Não tenho nada, que história é essa de já ter beijado antes?

─Eu não beijei ninguém, nunca, e se alguém tentasse eu empurraria a pessoa diferente de você.

─Meu deus eu gosto de você Judith entende isso! ─ Desabafo um tanto bravo.

─Eu também Scott. Não quero que mais ninguém me beije.

Toco seus cabelos, ela disse que gosta de mim, ao menos pareceu isso. Minha mão me desobedece e envolve sua cintura. Ela não recua.

─Gosta de mim como...

─Não como irmã ou amiguinha. Gosto de você Scott.

─O bastante para enfrentar as pessoas? Talvez seu pai, seu irmão, os olhares? Gosta de mim o bastante para ser a garota que fica grudada no portão a me esperar e que talvez um dia...

─Não diz. Não posso aguentar perder você. – Seus olhos marejam, como posso pedir isso a ela?

─Quer grudar sua vida a minha e passar o tempo todo assim? Com medo.

─Como se nossas vidas já não fossem grudadas.

─Nunca soube bem quanto tinha de você em mim, as vezes parece que é metade, mas em momentos como esse, quando está assim pertinho, então eu sou todo você. – Judy afirma. Meu coração dispara quando me sinto tão perto dela, não que tenha ficado alguma vez longe. Toco seu rosto, ela fecha os olhos e parece esperar por meus lábios, então eu beijo Judy, mais uma vez eu me esqueço de tudo e apenas me deixo sentir o sabor dos seus lábios.

Seus braços envolvem meu pescoço e meu corpo cola ao dela, sinto meu coração saltar descompassado. Não tenho forças para me afastar, não consigo pensar num jeito de me afastar dela, de deixar de sentir as coisas que sinto e que só ela me faz sentir.

Nos afastamos um momento, ela sorri daquele jeito Bravinha de sorrir, toda delicada, toca meu rosto carinhosa.

─Posso enfrentar o mundo para ficar com você, mas precisa ter certeza Judy.

─Estou nos seus braços Scott, eu sei o que quero, sei há um tempo.

─Deixa as coisas se resolverem lá fora, se cuida aqui dentro, me espera e quando voltar a gente dá um jeito nisso.

─Tudo bem, mas eu vou torcer o pescoço daquela infeliz se ela te roubar mais um beijo.

─Não vou deixar. – Ela afirma. – Vou levar seu beijo comigo. – Beijo Judy mais uma vez, um beijo tão longo como o outro, não sei como parar mais uma vez.

─Vem dormir um pouco. – Ela me afasta. – Nem sei quando foi a última vez que dormiu.

Me deito na cama com ela. Não é mais a mesma coisa. Quando ela se aninha em meus braços um mundo de pensamentos me invade e tento afasta-los.

─Se comporta sorvetinho.

─Quando foi que não me comportei?

─Lá na floresta. Foi bom, meu coração disparou. Disparou agora também.

─Sei do que está falando. – Digo sorrindo, beijo Judy de leve. Sempre quis fazer isso, tocar seus lábios com os meus num momento desses. – Vamos só dormir um pouco.

─Tá. Vou guardar segredo sobre tudo até voltar, não fica pensando em nada disso, só luta e volta.

─Prometo. – Ela se aconchega. ─ Vai dormir de cabelo molhado e acordar reclamando que estão feios.

─Cala a boca sorvetinho. ─ Ela ri, me dá um tapa no peito de leva, depois suspira, se arruma mais em meus braços e adormece, acho que por puro esgotamento faço o mesmo, só mergulho na inconsciência.

Notas finais
Obrigadaaaaaaaaaaa BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSS