Notas iniciais
Oiiieeeee Espero que gostem. Quem viu ontem o episódio? Estou tremendo até agora, não sei como suportar essa temporada. Medo pelo meu Daryl Delicia Dixon.

Pov – Judy

Jeff nos leva a um alojamento, não gosto de ver Scott se afastar, mas ele sabe o que faz e não me deixaria sozinha se fosse perigoso. O lugar não é grande coisa, só umas camas e uma pequena mesa. Um sofá no canto.

─ Vou mandar vir qualquer coisa para comerem, estamos em um momento de economia pelo que aconteceu.

─Valeu Jeff, vamos dar jeito nisso. – Paul toca seu ombro. Ficamos sozinhos, Ally se atira em uma cama, Ashley na outra, ando um pouco pelo lugar pequeno, me sento na janela para respirar e ver as pessoas andando um tanto tensas.

─Pensei que você fosse diferente. – Caleb se senta ao meu lado, não olho para ele, sei que ele acha que Scott foi monstruoso e eu conivente. – Aceitou o que ele fez. O que eles fizeram.

─Nós fizemos, não te vi entrar na frente do homem, não me lembro de você ter impedido.

─Fiquei sem reação. Mas não concordo, o mundo já é uma merda, não precisamos matar todo mundo que tem o cérebro funcionando. Isso é raro hoje em dia.

─Ele fez o que tinha que fazer. O homem nos mataria sem dramas de consciência.

─A questão é que não temos que ser como ele.

─Desculpe Caleb, já tentamos desse jeito, não deu certo.

─Ele é frio como gelo, como pode gostar dele? É tão delicada. – Olho para Caleb, como alguém pode enxergar as coisas todas ao contrário?

─Scott não é frio. Está enganado. Scott nasceu um pouco antes do apocalipse, os pais morreram no começo, ele ficou com uma tia. Um dia só restou os dois, ela se escondeu num bar, foi atacada, escondeu Scott num frízer, Daryl e Mary ouviram a confusão e foram até lá, estavam passando, mataram os zumbis, deram uma morte digna a tia e caçaram a criança que tinha chorado, era Scott no frízer, com uma carta no bolso, assustado, com três anos, eles passaram a ama-lo e protege-lo como um filho.

─Todo mundo tem histórias assim, não justifica.

─Passamos por muitas coisas, as mais terríveis, meu pai e eu nos perdemos, todo mundo achou que eu tinha morrido, depois nos reencontramos, chegamos ao santuário. Ficou tudo bem, uma noite eu e o Scott deixamos a cama e fomos buscar um brinquedo esquecido, um zumbi nos atacou. Scott tentou me defender, íamos morrer os dois, Daryl o pai dele, chegou a tempo. Ele compreendeu duas coisas, uma é que Scott era corajoso, a outra é que sem aprender a se defender ninguém sobrevive.

─E aí o tornou um assassino?

─Primeiro ensinou Scott a se esconder, fugir, ouvir, sentir, depois a caçar, encontrar água, sobreviver, então quando ele começou a ficar grande e forte, ensinou ele a vencer, Mary a mãe do Scott ensinou ele a pensar, a olhar para as pessoas, a amar e ser justo. Tudo que todo mundo sabia de bom e importante Scott aprendeu.

─Um super herói! – Caleb zomba.

─Chame como quiser. Ele começou a ir nas missões do lado de fora. Teve que assistir gente sendo devorada, amigos, teve que lutar contra homens e mulheres que o queriam morto, passou noites caminhando, sentiu frio, fome, medo, correu, salvou, foi salvo. Scott conhece esse mundo com todos os detalhes, mas a grande lição essa foi mesmo meu pai que ensinou. Se não mata seu inimigo ele volta. Aconteceu muitas vezes. Foi assim que perdemos todos que importavam, incluindo minha mãe.

─Sinto muito por ela.

─Eu também. Scott não é ruim, é pragmático, ele não perde tempo, ele lida com sua consciência e com o que faz, não pense que ele não sabe que tirou a vida de alguém, ele apenas tem coragem de escolher. Salvou você Caleb, podia ter matado vocês, não fez. Levou vocês para Terminus.

─E espera que eu seja grato?

─Esse é o ponto. Não espero nada de você. Estou pronta para tudo, Scott também. Se eu tiver que fazer, eu vou fazer. Não sou delicada. Está enganado.

─Talvez eu esteja mesmo.

─Você é contraditório ou hipócrita, ainda não sei dizer. Parece que não dá a mínima para as pessoas que seguiram com você todo esse tempo, nos seguiu disposto a ficar aqui e deixar todos para trás, e fica cheio de dramas de consciência por que um homem que pretendia me matar foi morto? Me parece que é só covarde mesmo.

Ele me irrita. Qualquer um que duvide de Scott e sua generosidade ganha meu asco, me afasto dele. Eu sei tudo que meu sorvetinho faz pelos que ama, o quanto se arrisca por todos. Ele é bom. Mais do que qualquer outra coisa.

Me sento no pequeno sofá e então ele entra, a expressão deixa claro que as coisas vão mal e sinto medo. Scott se senta ao meu lado. Sorri de um jeito triste, todo mundo a nossa volta sentados num tipo de círculo. Hora da verdade.

─Assim que amanhecer vamos para o Santuário. – Ele começa. – Falei com Jess, eles foram atacados por um grupo de nômades, estão em uma fazenda uns quilômetros daqui. O de sempre, atacam, matam, pilham, mas não querem tomar o lugar, sabem que manter um lugar da trabalho e quase sempre fracassa, então eles só vão se apropriando do que querem.

─E vamos para casa? – Ally diz indignada.

─Perderam onze pessoas aqui. Nesse pequeno ataque. Uma criança inclusive, nem tive coragem de perguntar quem. – Scott diz e entendo, ele conhece bem todos por aqui.

─Mais uma razão. – Kevin e Ally são sempre a favor de guerra.

─Eles podem encontrar o Santuário, atacar quando nossa família estiver desprevenida.

─Nunca estamos desprevenidos. – Ally continua.

─Não somos um número suficiente para lutar. Eles são por volta de vinte é o que Jess apurou. Não podemos deixar Albany desprotegida levando seus homens numa guerra que não sabemos se vamos vencer.

Scott encara a todos de modo firme, entrelaço meus dedos aos dele para mostrar que estou com ele, mesmo sabendo que no fundo ele quer apenas me deixar em segurança antes de entrar numa guerra.

Uma coisa de cada vez, manter Scott vivo é prioridade para mim, por mais que queira lutar a seu lado, sei que ele vai ficar tão focado em me manter viva que pode acabar morto, então seja o que decidir vou tentar aceitar.

─Scott temos armas, a gente ganha tempo indo de uma vez acabar com a farra desses caras. Mataram uma criança, saquearam, vamos deixa-los livres para pegar mais gente por aí?

─Calma Kevin. Não somos super heróis não. Nossa obrigação é com a nossa gente. – Paul o lembra. – E claro com o pessoal daqui que sempre colabora e nos ajudaria caso precisássemos, se eles forem embora tanto melhor.

─Se forem embora podem voltar Paul, vamos passar o resto da vida a espera. – Ally diz brava.

─O que não muda nada. Esperamos por ataques desde sempre. – Eu os lembro. Só quero mesmo Scott vivo.

─Scott está certo. Vamos atacar, ninguém aqui está fugindo da briga, mas vamos para ganhar, como sempre. – Spencer interpõe. – Vamos buscar mais gente, preparar nosso povo, organizar um plano e vencer. Como sempre foi.

─Exato Spencer. Jess vai nos dar três homens, em casa temos mais gente forte. Armamos uma emboscada e resolvemos isso do jeito certo. Os caras acham que estão lidando com covardes, que estão em maior número. – Scott diz a eles. Seu tom é conciliador, mas ele é o líder e no fim é sempre do jeito dele.

─Concordo com o Kevin, acho que temos que atacar logo. – Ashley se pronuncia.

─Moça isso aqui não é uma assembleia. – Paul comunica. – Scott é quem decide e ele já decidiu. Vamos dormir um pouco.

─Partimos cedo e sem parada. Quem não quiser ficar pelo caminho sugiro que descanse. – Scott termina a conversa.

─É isso? – Ashley pergunta quando todo mundo começa a procurar um lugar para descansar. – Não vão lutar pelo que acreditam? Discutir o assunto?

─Garota você é chata. Sua arma está aí. Vai lá enfrentar os bandidos! – Ally reclama.

─Estava até a pouco concordando que o melhor era atacar e agora simplesmente vai deixar tudo como ele quer? – Scott me sorri, balança a cabeça achando graça, Ashley definitivamente mexeu com a pessoa errada.

Ally se aproxima dela, fica a um centímetro do seu rosto.

─Tem um motivo para ele ser o líder e não eu. Sou impaciente, não me irrita ou acabo com esse seu rostinho. Além disso, Scott sabe o que faz, já salvou minha vida uma dezena de vezes, se ele diz que não vamos é por que não vamos. Agora cala a porra da boca e dorme.

─Não tenho medo de você Ally, devíamos estar todos do mesmo lado. Só quero ajudar, sobreviver como todo mundo, não gosto da ideia de servir a ninguém, não gosto que outros façam escolhas por mim.

─Entendemos isso Ashley. – Paul contemporiza querendo de todo jeito estabelecer alguma paz. – Mas assim é o jeito que encontramos para sobreviver.

─Nosso grupo sempre foi democrático, a maioria decidia. – Ela nos conta. Ally ri de má vontade enquanto tira seu cinto e ajeito o travesseiro. – Qual a graça?

─Seu grupo está morto! Essa é a graça, quer dizer esse não é um exemplo de sucesso e só nos faz ter mais certeza da escolha que fizemos.

─Boa noite pessoal! – Scott diz em tom alto. As pessoas começam a se deitar. Jeff entra.

─Desculpa a demora. – Diz colocando uma panela de sopa e uns pratos sobre a mesa com a ajuda de uma mulher de meia idade. – Estava conversando com a Jess. Scott, separei umas armas e munição para levarem. David, Luke e Don vão com você.

─Obrigado Jeff, vamos quando amanhecer.

Ficamos sozinhos, Scott me olha, afasta meus cabelos do rosto. Queria tanto que apenas me beijasse, mas sei que ele não vai fazer isso, não diante de todos, não sem antes conversar sobre isso, se desculpar, dizer que é errado e ouvir que eu queria e ainda quero.

─Como um pouquinho Judy, será uma viagem difícil e longa.

─Você também. Vou pegar. – Sirvo um prato, encho e pego duas colheres, dividir um prato é algo que nos acostumamos. Volto para o sofá, me sento de frente para ele e começamos a comer juntos.

Escuto um resmungo, não sei se Caleb ou Ashley, me lembro do beijo que ela deu em Scott, meu semblante muda, ele me conhece como se fosse eu mesma.

─Não vai voltar nisso.

─Come Scott. Está boa não acha?

─Janice é boa cozinheira. Ela coordena a cozinha por aqui. Seu pai brincava que ia sequestra-la para Terminus.

─Ele vai para esse ataque, Arthur também, e seus pais. – Eu o lembro. Scott afirma. – Sua mãe é melhor com a besta que seu pai e num ataque como esse ter dois besteiros silenciosos é imprescindível.

─Eu sei. Sinto por isso Judy.

─Também sinto. Por que eu sei que não vai me deixar ir.

─Não vivo desse jeito Judy, sabe disso, não estamos indo tão longe ainda, vamos concentrar esforços em chegar em casa. Essa é nossa missão no momento, quem e como vamos atacar é outra missão, que depende de chegarmos em casa.

Faço careta, ele sempre é mais sábio que eu, Scott ri tomando mais uma colherada de sopa. Está mesmo boa. Quando terminamos todos já estavam de barriga cheia deitados, a claridade vinha de uma única vela acesa ao lado de Paul.

─Vem bravinha, vamos dormir um pouco. – Tem duas camas, mas deitamos juntos. Ninguém do nosso grupo estranha. Sempre fomos assim, misturados. Ele me envolve quando deito em seu peito. Se estivéssemos sozinhos podíamos falar sobre o beijo, mas não estamos, é um pequeno quarto e está cheio de gente, então sem alternativa só fecho meus olhos.

Acordo com um toque leve em meu ombro, abro os olhos e Scott está de pé, me sento, ainda está escuro.

─Já vai começar a clarear, fica pronta. – Ele diz baixinho, me levanto e estico o corpo, me preparo para o dia longo, sei que podia ser pior, com a proximidade do inverno os dias ao menos não são tão quentes. – Acorda todo mundo, vou ver a Jess e encontro vocês no portão.

Ele me deixa. Lavo o rosto e então começo a acordar todos. Ashley me empurra quando toco seu ombro, acho que só quer mesmo descontar a raiva que sente de mim, não tem nada de sonambulismo nisso.

Quando saio para o grande pátio o dia começa a clarear, um pequeno grupo se reunia em torno de Scott, homens armados e bem dispostos, é disso que precisamos.

Jess me olha ensaiando um sorriso, ele sai sem graça, triste. Ela beija minha testa.

─Tão crescida. – Diz numa voz saudosa. – Boa sorte.

─Obrigada Jess.

─Quando as coisas se acertarem vou a Terminus rever todos.

─Vamos espera-la. – Nosso grupo está pronto, depois de apertos de mão e desejos de boa sorte ganhamos a floresta. Uns minutos de caminhada e passamos pelos corpos dos homens que tentaram nos render. Ally pula um deles, ninguém olha e penso o quanto esse mundo que temos é escuro e triste.

Uma hora depois estamos na estradinha de terra que caminhamos. Scott segue na frente com os homens de Jess. Don parece ser o líder deles, os dois fazem planos. Don conta com mais detalhes o ataque que sofreram.

─Disposta a matar mais que zumbis em estado avançado de decomposição caídos ao chão? – Ashley me pergunta se juntando a mim. – Por que é possível encontrarmos mais que isso.

─Não precisamos ser inimigas Ashley.

─Quando duas pessoas querem a mesma coisa e só tem o bastante para uma fica difícil manter laços.

─Scott é mais do que uma coisa a ser disputada. Além disso não é como se você tivesse chance. Seria mesmo desumano da minha parte aceitar essa luta.

─Não me provoca princesa, tenho mais armas do que as que pode ver.

─Aposto que tem mais do que peito e coxa. Pena que não está disposta a mostrar.

Apresso meu passo e me junto a Kevin e Spencer, os dois sorriem para mim. Scott dá uma olhadinha para trás, sempre atento a meus passos.

─Sete. – Spencer ri. Kevin afirma.

─O que estão contando? – Pergunto e os dois se olham, Kevin da de ombros como se dissesse que não tem problema eu saber.

─Quantas vezes Scott olha para trás para te procurar. Sete na última meia hora.

─Ele se preocupa, é normal, nunca estive aqui fora.

─Não. Nunca esteve. – Spencer admite. – Mas é bem-vinda, ainda não errou nenhuma vez.

Espero não errar até estarmos em casa. Assim eles ganham um pouco de confiança em mim. O dia vai correndo sem que paremos mais que dez minutos de cada vez e apenas para relaxar músculos, beber uns goles de agua e voltar a caminhar. Caleb está conosco, nem cogitou a ideia de ficar em Albany e acho que os perigos de lá são a razão disso.

Sete horas de caminhada é o que Ally diz em algum momento quando já me sinto completamente esgotada e o dia ainda parece estar longe de acabar. Pelo caminho um ou outro zumbi logo abatido pelo grupo que vai a nossa frente. Uns quilômetros atrás de nós, meia dúzia deles nos seguindo.

Fico pensando se em algum momento vão colocar fim a eles e acho que não, se não corremos risco eles ficam.

─Vamos passar pela cidade morta. Não é minha escolha. Mas não temos tempo a perder e ganhamos horas de diferença. Atentos. – Scott diz me esperando para caminhar com ele.

─Do que tem medo? –Pergunto quando a paisagem cinza começa a dar lugar a estrada e verde.

─Zumbis, pessoas, ainda hoje as cidades são mais cheias disso que a mata. Se algum grupo quer se esconder, achar um lugar para dormir ou qualquer coisa que precisa vem a uma cidade, isso atrai zumbis e no fim eles ficam perdidos pelas ruas.

─Vou ficar atenta.

─Eu sei, vai ver mais deles do que se lembra de já ter visto, fica calma.

Afirmo. Não gosto muito da ideia. Mesmo assim pego minha faca e aperto na mão. Ally se aproxima de mim. Fico entre ela e Scott. Quando me dou conta estamos caminhando em asfalto, ou perto disso, o tempo matou boa parte dele, é mais terra e grama.

A visão é assustadora. Caveiras, lixo, restos de órgãos, zumbis destroçados, cenas que aconteceram há muitos anos, outras de menos tempo. Cinzas, demolições, desabamentos, não se reconhece quase nada.

Carros enferrujados, histórias de dor e medo vão sendo contadas conforme vamos caminhando a passos apressados.

No meio do primeiro quarteirão começo a ver zumbis surgindo pelas ruas laterais, corpos se arrastando sujos, rasgados e completamente deformados, ossos em movimento algumas vezes, nos apressamos.

Quando vamos virar uma esquina um grupo deles arranha uma porta, paramos, os olhos todos se voltam em nossa direção e então o que quer que tenha atrás da porta perde a importância e eles começam a caminham para nós.

─Vamos. – Scott convida e só damos meia volta.

Ashley derrubava um zumbi perto demais, depois só retira seu facão da testa dele e continua a seguir conosco, olho para trás e o grupo ainda nos seguia.

Mais deles vinham pelas ruas laterais, ao todo devemos ter pelo menos uns cinquenta zumbis a nos perseguir vindos de lados opostos e que em algum momento vão se juntar numa pequena horda.

─Vamos pela rua do cinema, saltamos aquelas grades e pegamos o estacionamento, ele nos leva até o outro lado da cidade e pegamos a mata. – Paul avisa e Scott parece gostar da ideia.

Viramos mais uma rua, dois zumbis caminhavam por ela, erguem seus rostos de dentes protuberantes e olhos esbugalhados, dedos sujos se esticam desejando por nós.

Scott corre até eles, acerta um com o cabo do rifle, o outro, dois metros depois, um braço surge por detrás de uma lixeira e agarra seu tornozelo, tampo a boca evitando um grito e um segundo depois o cabo do rifle acerta seu alvo e só vejo sangue escuro subir numa pequena explosão.

Ele faz sinal para nos apressarmos, os olhos fixos na viela, o rifle que antes era usado como cabo, agora está pronto para um disparo. Nos apressamos, um barulho de coisas caindo ecoa, olho para trás e David lutava com um zumbi que derrubava uma pilha de entulho e metal.

─Cacete! Vão! – Ally grita quando volta para ajudar David. Penso em ajuda-la, mas sei que só vou criar mais problemas e ela é mesmo boa.

Uma mão me puxa, é Scott que se apressa, os zumbis começam a surgir da viela, são muitos, Ally e David vão ficar do outro lado, Scott acerta a cabeça de um deles. Os outros começam a fazer o mesmo.

Vamos nos afastando quando eles vão tomando a rua enquanto todos lutam.

─Estamos bem. Vamos pelo outro lado! – Ally grita por sobre o pequeno rio de zumbis que nos separa.

─Esse é seu, princesa. – Ashley diz quando um zumbi se aproxima de mim, não é como se eu tivesse medo deles ou não soubesse o que fazer. Empurro aquela coisa.

Sempre me ensinaram a ficar o mais longe possível, ele cai, acerto seu cérebro, sinto uma mão podre se aproximar enquanto estou abaixada. Me afasto, quando me ergo dou de cara com um rosto morto, seguro seu pescoço, enfio a faca na têmpora, ele cai e me afasto dos zumbis como todos. Scott derruba muitos com movimentos sucessivos.

─Temos que ir. – Ele grita. Algo me empurra, quando me viro Caleb derrubava um zumbi que estava prestes a me atacar.

─Obrigada. – Digo sem folego. Mais deles começam a me cercar, mas agora Scott já está ao meu lado, acertamos o que é possível. Aquilo é alucinante, nunca me vi tão perto deles e seus gruídos, de sua fome estoica.

Vamos ganhando distância, Scott voltando vez ou outra para ajudar alguém a se livrar de mais de um. Do outro lado alguns começam a surgir e uma parte do grupo segue para derruba-los antes que fiquemos cercados.

Ashley chuta um zumbi, desvia da mordida de outro, um terceiro segura seus braços, ela chuta seu joelho, ele cai, mas sem solta-la o que leva os dois ao chão, agora os outros dois caídos se arrastam para ela e sem pensar corro para ajudar, um centímetro antes de ser mordida piso naquela cabeça podre.

Os ossos se quebram sob minha bota e sujam o rosto dela, acerto minha faca na cabeça de mais um e o cabo do rifle de Scott tira do caminho o último.

Ele oferece a mão para ergue-la, Ashley aceita e começamos a correr.

─Ainda bem que sou boa em acertar os que estão no chão. – Não resisto a uma provocação.

Depois só corremos, corremos por dois quarteirões até avistarmos as grades que dão para um velho e abandonado estacionamento vazio. Subimos Scott fica esperando até todos termos pulado, derruba quatro zumbis enquanto isso. Depois escala num movimento rápido e elegante.

Todos ficamos respirando com dificuldade, meu peito arde pelo esforço, olho para Scott.

─Ally vai ficar bem? – Ele afirma.

─Ela se cuida. Vamos. – Continuamos a caminham apressados, uns metros depois as grades fazem barulho, olho para trás e corpos se esmagavam tentando nos alcançar.

Quando entramos mais uma vez na floresta meu coração se acalma um pouco. Scott para de caminhar, me faz parar também, começa a vasculhar meu corpo de modo tenso, frenético, me virando e tocando, erguendo meus cabelos, os olhos assombrados me enchem de ternura.

─Estou bem sorvetinho, só cansada.

─Tem certeza? – Ele continua sua investigação a ponto de me constranger diante das pessoas. – Nenhum arranhão, eu estava tentando evitar que chegassem até você...

─Scott para. – Peço segurando seus braços, nossos olhos se cruzam. – Eu estou bem. – Ele me abraça, me traz para seus braços e me aperta junto a ele cheio de alivio. Só então me dou realmente conta do risco que corremos.

Me dou conta dos riscos que ele corre toda vez que se despede de mim nos portões de Terminus e não sei se posso me despedir dele mais alguma vez.

Notas finais
Eu sei que estão esperando uma conversa e mais beijos. No próximo eu prometo, mas estamos deixando Judy mais preparada para o apocalipse, ela precisa mostrar que é forte para ser a companheira dele. BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS