Notas iniciais
Oi gente, ando meio atrapalhada essa semana, desculpem os atrasos em postar, responder comentários, vou tentar colocar tudo em dia até o fim da semana. Espero que gostem.

Pov – Judith

Odeio vê-los saindo, ainda mais com meu irmão tão abatido, meu coração fica apertado, estou cansada. As pessoas se dispersam, mas eu continuo parada, imóvel olhando o portão como se de algum modo eles fossem se materializar de volta.

─Scott me disse que sou uma boa companheira de batalha. – Ashley surge ao meu lado, não me dou ao trabalho de olhar para ela, não dou nenhum sinal se quer de que estou ouvindo o que está dizendo. – Me chamou de forte e corajosa, admitiu que sei lutar. – E magoar, meu coração dói com suas palavras. ─Me agradeceu. Disse que fui leal e importante.

Resisto a tentação de olhar seus olhos cheios de desdém, não respondo, não reajo, lá fora pessoas que amo estão em risco, não vou de jeito nenhum me curvar a sua provocação.

Se Ashley fosse capaz de amar ela não perderia tempo provocando, estaria como eu rezando pela volta segura deles. Dou as costas a ela, é meu jeito de mostrar sua insignificância. Caminho para casa.

Beth me abraça quando entro, me dobro um pouco para encostar a cabeça em seu ombro.

─Minha menina tão corajosa, tanto medo que tive de perder você.

─Beth, ele está lá fora. – Caio no choro. Ela me abraça ainda mais.

─Meu docinho, Carl sabe se defender. – Choro ainda mais. Não é sobre ele, é sobre Scott e sinto culpa por ter por um momento me esquecido da dor do meu irmão e dos riscos que está correndo assim como Scott. – Trazer Ally de volta vai ajuda-lo a superar.

─Não sei como conseguem, eu estou tentando entender tudo isso ainda.

─Senta aqui. – Nos sentamos na pequena cozinha, uma de frente para outra, ela seca meu rosto depois segura minha mão. – O que não entende Judy?

─Tudo Beth. Estou tentando ser forte, resistente, é isso, não é? No fim é só sobre o quão resistente você pode ser?

─Tantas vezes falamos sobre tudo isso. Eu sei que tivemos bons anos, os últimos principalmente foram mais calmos. Mas Judy, é preciso estar pronta e ao mesmo tempo esperançosa, se ficar dura demais, se parar de sentir vai ser como morrer.

─Tudo bem. Me diz como Carl vai seguir em frente? Depois de ver Kim... Se fosse ele... – Fico pensando em Scott no lugar de Kim e morreria com ele, não poderia continuar.

─Ele quem? Jody está muito nervosa, eu sei que foi tudo tenso, que eles tiveram que sair de novo, você teve que matar, não zumbis, mas seres humanos e acredite, já estive no seu lugar, sei como é.

Tento controlar o choro, mas é difícil, ela tem razão sobre estar nervosa, puxo o ar com força, Beth me deixa um momento e retorna com água, tomo uns goles para me acalmar.

─Todos nós sabemos que o Carl ama a Ally, Kim era muito mais uma amiga querida que um amor, ele escolheu não sentir e isso não facilitou nada, por que ele ainda sente e sei como é isso.

─Sabe?

─Há muito tempo, quando ainda vivíamos na prisão e o Arthur chegou, eu me apaixonei por ele, primeiro ficamos muito amigos, eu não queria mais sofrer e perder quem eu amava, estava farta de tudo aquilo e comecei a namorar outro, Arthur era meu grande amor e eu não queria sofrer sua perda, meu namorado morreu numa saída com o grupo.

─Sinto muito Beth.

─Era um namoro um tanto frio, só uma fuga mesmo, nem sabia como por fim. O apocalipse fez isso por mim, mas me fez ver que é um mundo onde se agarra tudo de bom que a vida oferece e quando a prisão caiu e acabei um tempo sozinha com o Arthur eu me entreguei a esse amor e estamos aqui. Ainda estamos aqui.

─Eu amo o Scott. – Preciso dividir isso com alguém, preciso mais que tudo me abrir. Beth me sorri condescendente.

─Eu sei Judy.

─Não Beth, não entendeu, eu amo o Scott.

─Quando a Maggie ficou grávida do Hershel ela me perguntou se eu nunca me animaria a ser mãe e disse a ela que eu já tinha uma filha, você. Conheço você meu bebê. Desde sempre, amei você como minha desde sempre, ninei, amamentei, limpei, é minha filha e sei tudo que se passa nesse coraçãozinho, eu sei que ama o Scott, não como irmãos ou amigos.

─Sabe? – Fico surpresa e sem palavras, aliviada por ela aceitar isso de modo tão natural. Ela seca meu rosto, beija minha mão presa a dela. Me sorri com seu jeito doce.

─Vocês nasceram um para o outro. Nunca falei sobre isso por que queria que descobrisse sozinha, quando a hora chegasse. Scott ama você do mesmo jeito.

─A gente está tentando se entender, mas não sabemos bem como vão reagir, parece que todo mundo vê a gente como irmãos.

─Seu pai e seu irmão talvez, por que são meio sem noção, mas o restante todo mundo sabe que se pertencem, estamos só esperando vocês assumirem isso. Não vai causar choque nem surpresa.

─Acha? – Isso é bom, me deixa meio confusa saber disso, desmistifica tudo que sempre acreditei e temi, faz parecer que estamos sendo ridículos. – Não falamos de amor, a palavra amor, não sei se ele sente, as vezes acho que ele tem um pouco de medo de assumir algo comigo e depois descobrir que não é sério, depois que essa Ashley chegou eu fiquei meio insegura.

─Sem chance. Scott te ama, não vai sair por aí dizendo logo de cara, é natural a gente ter um pouco de medo de admitir e não ser correspondido, quando assumirem uma relação e ele se sentir seguro vai dizer.

─Queria dar um soco naquela garota, mas estou sendo superior como você seria, mas queria ser baixa como a Maggie seria. – Beth ri, acabo rindo por entre as lagrimas.

─Tem momentos para ser Beth e momentos para ser Maggie. A sabedoria está em saber a hora de ser uma ou outra.

─Bom saber, porque está chegando o tempo de ser Maggie.

─Que acha de um banho e descansar um pouco?

─Não. Vou sentar no portão e esperar o Scott, como sempre.

─E acha que as pessoas ainda veem isso como amizade? – Ela fica de pé comigo. – Se beijaram? – Afirmo e ela sorri. – Como foi?

─Um sonho, lindo, romântico e fiquei flutuando.

─Que lindo. Posso contar para o Arthur? A gente fica apostando quando vocês dois iriam se tocar disso.

─Pode, gente doida. – Abraço Beth, depois sigo para a porta. Caminho para o portão, fico ali olhando com a mente em Scott, torcendo para tudo ficar bem, do jeito que ele gosta da Ally se colocaria em risco por ela, sair já é prova disso. Que tudo dê certe é tudo que quero. Não vejo a hora de poder viver nosso amor, ele existe e precisa florescer, o resto da família só tem que aceitar.

Pov – Scott

─Por que decidiu parar agora que estamos tão perto? – Carl me pergunta se aproximando de mim. Olho para Ally e sua nova amiga sentadas nos trilhos bebendo água. O restante fazendo a segurança a nossa volta.

─Ally nunca pediria para parar e achei que você talvez quisesse conversar um momento antes de chegarmos, talvez contar o que aconteceu.

─Eu? – Ele me pergunta parecendo confuso.

─Sei lá Carl, isso ou qualquer outra coisa, só quis dar uma chance a vocês, se não quer tudo bem, quero mesmo chegar em casa. – Dou um passo em direção a Ally, ele me segura pelo braço.

─Obrigado Scott, não esperava por isso. Achei que talvez... Bom não sei, vocês dois...

─Eu e a Ally? – Esses Grimes tem que ter algum problema de visão, que coisa é essa? Eu e a Ally? Como ele pode chegar a uma conclusão como essa?

─Vocês passam muito tempo juntos, tem certa intimidade. Pensei que... desculpe, eu só pensei.

─Não, Ally é minha amiga, mas apenas isso, desde sempre. Qual é Carl? Eu ficava brincando em volta de vocês enquanto namoravam, nunca nem me passou pela cabeça.

─Vamos para casa, desculpe pensar essas tolices. É que tudo que aconteceu, não tenho nada para contar a ela, não ainda. Nem sei se algum dia. – Ele começa a caminhar, ajuda Ally a ficar de pé e seguimos em frente.

Acabou, toda essa confusão acabou e talvez agora eu tenha um tempo para Judy, para cuidarmos do que sentimos um pelo outro, enfrentar as pessoas e ficarmos juntos. Nunca quis tanto isso como agora depois de tudo que vivemos, as coisas sempre podem acabar e acontece quando menos esperamos, chega de perder tempo.

Vou falar com ela, dar uns dias para o pai e o irmão superarem um pouco esse momento e depois seja o que for vamos enfrentar.

O portão se abre um quilometro antes de chegarmos, ela corre, sempre a minha espera no portão, minha Bravinha corajosa e tão viva, enfrentou um mundo de coisas sozinha e nem pude mostrar como fiquei orgulhoso.

Me apresso para abraça-la quando me envolve o pescoço chorando. Sinto seu cheiro, seu corpo contra o meu e isso é estar em casa, seus braços a me envolverem o pescoço.

─Nunca tive tanto medo! – Ela diz quando nos afastamos um pouco, as lágrimas escorrem. – Estou tão chorona.

─Está linda como sempre. – Ela me sorri. Se afasta um momento para abraçar Ally, as duas são muito próximas, depois abraça o irmão e vamos caminhando um pouco atrás de todos de mãos dadas.

─Quem é essa?

─Helen, Ally a encontrou, perdeu tudo e todos, veio para ficar, mas não sei detalhes.

─Achou ela bonita?

─Vai começar? – Judy dá de ombros. – Não basta a outra?

─Qual? A que é corajosa, leal, que lutou bem ao seu lado e sei lá mais quantos elogios fez a ela? – Olho para Judy um tanto chocado. – O que Scott? Achou que ela desperdiçaria a chance de me contar?

─Quando disse todas essas coisas, tinha outro contexto. Depois falamos. – Digo quando o resto do grupo se aproxima e sou abraçado por mãe, pai, irmão e sei lá mais quantos.

Tudo parece bem, logo Beth e Maggie se aproximam para ajudar Ally e Helen, o grupo vai se dispersando, Rick caminha com Carl e acho que vai ficar um tempo de olho no filho.

─Vem sorvetinho, precisa comer e tomar um banho, dormir umas horas. – Meu pai toca meu ombro. Ele tem razão, chegar em casa faz o cansaço tomar conta de mim. Ashley surge do nada, me abraça como se fossemos íntimos, não a envolvo, apenas a afasto o mais delicado que posso.

─Que bom que está bem. Fiquei tão preocupada. – Ela me diz e fico meio sem reação.

─Vamos Scott. – Minha mãe me chama.

Procuro por Judy, ela começava a se afastar, garota teimosa. Seguro seu braço.

─Vem Judy, preciso dormir e comer. Vamos. – Seguro sua mão, ela me sorri orgulhosa por eu ter deixado claro que a quero por perto. – Aposto que não dormiu nem comeu.

Passo meu braço por seu ombro e caminhamos juntos, ela se encosta em mim, pisco deixando claro que fiz de propósito, não gosto de fazer isso, me faz mal deixar alguém falando sozinho, mas eu sei que Ashley não quer nada realmente comigo, isso é só um jogo para ela, não é sobre mim, é sobre Judy e ninguém brinca com minha Bravinha.

─Tem comida pronta. Fiz um coelho assado, está uma delicia. Foi difícil conter o seu pai.

─O assado de Mary transcende o apocalipse. – Meu pai comenta quando entramos em casa. – Vou ser franco, eu tive que ser forte, ainda mais tenso como estava esperando meu filho voltar.

─Quero ver quando for eu. – Seth diz se sentando ao meu lado. Puxo a cadeira de Judy para bem perto de mim. Parece que não sei mais ficar longe dela.

─Falta muito Seth, não começa a me assustar, deixa eu descansar.

Minha mãe beija sua cabeça, ele faz careta, resmunga, não entendo o que tanto ele e Judy querem fazer lá fora. Como contando tudo que aconteceu no resgate, vez por outra Judy se encosta em mim assustada quando o relato parece ser perigoso.

Depois de comer, deixo todos reunidos e vou tomar um banho, foi tanto que enfrentei que me sinto esgotado. Quando surjo de volta na cozinha Judy e Seth riam de qualquer coisa, é tão linda.

Seu sorriso se desfaz quando meus olhos encontram com os seus. É bom poder tê-la por perto.

─Vai dormir filho?

─Vou mãe. Vem Judy. – Ela se levanta. – Mãe vou dormir até acordar. Combinado?

─Olha amor como ele é mal comigo. Só por que como uma boa e preocupada mãe eu vou acorda-lo para comer.

─Vai Sorvetinho, seguro sua mãe. Durmam bem.

Encosto a porta quando fico sozinho com Judy, ela me abraça, dá um longo suspiro de alivio. Depois me olha, toco seu rosto, é tão linda. Quero fazer tudo direito, poder dizer ao Rick que quero namorar Judy, beija-la em público, não vou ser ingrato com a confiança que ele deposita em mim, mas até lá não vou mais me privar de tê-la comigo.

─Vou beijar você Judy. Sei que devia esperar até falar com seu pai, mas nunca senti tanto sua falta como esses dois ou três últimos dias.

─A gente não precisa ser assim tão certinho, não somos mais crianças. – Não somos, meus lábios encontram os dela, fica claro que isso é o certo. Que somos feitos para estarmos juntos. A vida não nos uniu por acaso.

Envolvo Judy, ela cola seu corpo ao meu e sinto meu sangue jorrar rápido, correr por minhas veias de modo intenso fazendo meu coração disparar sem aviso, me afasto, ainda não. Um dia vamos estar livres do medo e do segredo, até lá vamos com calma.

─Vai dormir comigo?

─Vou. Depois que meu pai ficar sabendo acha que ele vai implicar com isso?

─Acho. Vamos aproveitar enquanto não sabe. – Ela se deita comigo, eu a abraço. – Pensei em dar uns dias para eles, depois vou contar.

─Scott, você disse mesmo todas aquelas coisas bonitas a Ashley?

─Disse. – Sinto sua tristeza, faço um carinho em seu rosto, beijo seus lábios de leve. – Não fica triste comigo, eu não fiz por mal, não foi nesse contexto, eu estava me livrando dela.

─Vou vai longe assim. – Ela reclama.

─Só queria dizer a ela que podíamos trabalhar junto, mas se ela foi te provocar então está claro que não entendeu nada.

─Você se sente atraído por ela? – Os Grimes definitivamente destorcem o que os olhos veem. Não tem explicação.

─Me sinto atraído por você Judy, quero você do meu lado, só você. E você? Se sente atraída pelo Caleb?

─Claro que não. Que absurdo.

─Seu pai acha que sim, seu irmão acha que eu tenho algo com a Ally. O que acha? Vocês Grimes são ou não malucos?

─Meu pai me disse qualquer coisa, mas nem registrei, foi tudo meio confuso. Contei para a Beth sobre nós. – Me interesso, saber o que Beth pensa é um termômetro.

─Fala Judy. O que ela disse?

─Que já sabia. E que está feliz por nós. Basicamente isso. – Ela afasta meus cabelos. Beija meus lábios. – Tenho medo de um dia te beijar sem querer na frente de todo mundo.

─É um jeito de contarmos. – Ela ri da minha ideia, sabe que nunca faria isso. – Melhor a gente dormir.

─Se eu dormir vou até amanhã.

─Então dorme Bravinha, precisa descansar, amanhã conversamos sobre tudo e decidimos o que fazer. – Ela afirma, fecha os olhos, mas os abre de novo uns segundos depois num sobressalto.

─Tenho medo de dormir, de reviver as coisas que passei. Eu matei Scott.

─Vai se acostumar, não esquecer, mas se acostumar. Estou aqui com você. Salvou tantas vidas, é nisso que tem que se concentrar. Descansa, amanhã a gente fala sobre isso.

─Não me deixa sozinha. Se acordar me acorda. Só hoje, eu juro que depois isso passa.

─Eu sei que sim, é valente. Minha Bravinha. – Ela se aconchega com um sorriso nos lábios, espero que adormeça para só então me entregar ao cansaço. Amanhã é um novo dia. Vai ser o começo de uma nova vida também.

Notas finais
Beijos Obrigada!!!!