Apocalipse - A Era Dos Mortos
60 Capítulo Bônus - Parte final
Notas iniciais
Pov – Mary
Era domingo, abro meus olhos e estou de novo nos braços de Daryl, nunca mais achei que teria essa chance, me aconchego, Jack finalmente está na cadeia, nunca mais vou me sentir presa, nunca mais preciso sentir medo, seco uma lágrima, mas essa é de puro alivio.
Meu amor, foi assim que Daryl me chamou no meio da confusão, não acho que se deu conta, nem mesmo acho que me ama, mas foi emocionante ouvir, adoraria poder chama-lo assim, mas nem mesmo tenho coragem de dizer a ele.
Daryl respira na minha nuca, esfrega a barba por fazer e sorrio, ele sabe como fazer meu coração sair do ritmo.
−Bom dia Bruxa! Ele me vira para ele, eu me aconchego, um pouco tímida, causei tantos problemas para ele, não sei porque ele aguenta isso.
−Bom dia, desculpe.
−Não seja boba, é minha garota, se lembra?
−Nunca esqueço!
Ele me beija de leve, é tão carinhoso comigo, queria tanto ter coragem de dizer que o amo, que quero ser dele.
Quando chegamos na sala, Merle já está de pé, usava sua jaqueta e me olha sério.
−Você não pode Merle! Eu digo meio triste.
−Não começa com esquisitice, quando Merle Dixon e a polícia estão do mesmo lado é porque tem algo errado, eu vou nessa.
−Vai voltar?
−Sim! Ele responde – Sempre volto!
−Vai tomar cuidado?
−Não! Ele responde e faço bico.
−Não bebe muito certo?
−Errado! Ele arruma a mochila nas costas.
−E não usa aquelas porcarias, e não corre!
−Quer parar de me encher! Ele reclama – Você cuida muito da minha vida, cuida do seu namorado, ele que gosta!
−Devia comprar um celular! Eu nem ligo para as bobagem que ele me diz, os dois me olham como se tivesse dito algo absurdo, dou de ombros – Foi só uma ideia!
−Essa garota não é normal! Merle reclama com Daryl que apenas sorria.
−Quer que prepare algo para comer na estrada?
−Já ouviu falar em restaurante?
Caminhamos os três para a porta, ele arruma as coisas na moto, aperta a mão de Daryl e depois me olha, não queria que se separassem, eu o olho um pouco suplicante.
−Obrigada Merle, por cuidar de mim e se cuida, pode ligar de vez em quando?
−Você gruda em? Ele resmunga – Não fica nem bem para mim ter um carrapato feito você por perto, é capaz de querer saber se lavei as orelhas! Ele sobe na moto – Se cuida cunhadinha e cuida desse molenga, eu apareço!
−Está levando as roupas limpas que eu...
−Mary, você parece mulherzinha, que coisa irritante, sinto muito irmão! Ele diz a Daryl – Certo eu vou indo, apareço! Merle nos deixa e olho para Daryl meio triste, me acostumei com ele por perto.
−Vou sentir falta dele! Conto quando entravamos.
−Não fica triste eu te compro um cachorro! Ele brinca e acabamos rindo os dois.
Ficamos os dois sozinhos, tenho muitas coisas na cabeça, se Daryl realmente me quer em sua casa, agora sem o Jack eu poderia voltar a morar lá, ganho o suficiente para pagar o aluguel, e por mais que só queira ficar em seus braços ele pode querer a vida dele de volta.
Seria deprimente ele ter que me pedir para ir, eu caminho com ele até a cozinha, tomamos café juntos.
−Mary eu vou até a delegacia, mas quero que fique aqui.
−O que vai fazer lá? Pergunto preocupada.
−Só ter certeza que aquele canalha está preso e vai continuar, mas não quero que volte lá, me espera?
Faço que sim, não gosto muito da ideia, mas ele tem razão e se o maldito conseguiu dar um jeito de se livrar das acusações.
Daryl me beija e segue para rua, arrumo a cozinha, o quarto, e preparo almoço, quanto tempo uma pessoa precisa para se certificar de uma coisa assim? Daryl estava demorando, e me sento na sala muito triste, ele não tem que me dar satisfação eu sei, mas mesmo assim queria que me dissesse que iria demorar.
Mas agora Jack estava preso e ele não precisava mais se preocupar tanto comigo, então se sentia livre para fazer o que quisesse, acabo me dando conta que estou chorando quando ouço o carro estacionar, seco as lágrimas com pressa, não quero ser a chata chorona.
−Bruxa! Daryl me chama e parecia feliz, eu caminho para o portão e lá está ele com um lindo sorriso no rosto e uma pequena caixa na mão – Adivinha?
−O que? Pergunto.
−Trouxe um presente para não sentir tanto a falta do imbecil do meu irmão! Ele então enfia a mão na caixa e quando a retira o que vejo é um lindo filhotinho, um vira lata todo preto com carinha de assustado que tomo de sua mão sem pensar muito.
−É meu? Eu pergunto surpresa abraçando o bichinho que tremia um pouco.
Estávamos no meio da sala e nem tinha me dado conta.
−Não! Ele me responde e olho para ele – É nosso!
Acho que Daryl não tem a menor ideia do que aquilo significa para mim, nosso, meu e dele, eu não consigo evitar que lágrimas escorram por meus olhos.
−Mary! Daryl me pede atenção eu ergo meu olhar para ele, seus olhos estão tão lindos, meu céu de verão particular – Eu amo você! Ele me diz e primeiro eu pisco, meio sem acreditar no que ele me disse – Eu te amo Mary! Ele repete e coloco o animalzinho no chão para poder ficar diante dele e ter certeza.
−Você me ama? Eu pergunto – Quer dizer, me ama mesmo? Ele faz que sim – Eu nunca pensei que um dia... Eu amo você, sei disso a muito tempo, mas nunca achei que você também...
Estou chorando, tento secar as lágrimas, mas elas continuam a rolar.
−O que disse? Ele me pergunta parece confuso, me puxa para seus braços – Disse que me ama?
−Eu amo você, muito, sempre! Respondo e então ele toma meus lábios e o beijo tem um outro significado, sou dele, ele me ama, Daryl me ama.
O beijo fica mais intenso, passo meu braço por seu ombro, não me importo com nada, não tenho medo, não tenho dúvida, quero ser dele, já sou e sei mesmo agora quando nada aconteceu que vai ser perfeito.
Nos afastamos e eu o olho nos olhos, quero que veja meu olhar de confiança quando disser.
−Daryl, quero que faça amor comigo! Disse todas as palavras e ele me olha entre surpreso e admirado, volta a me beijar, depois me pega no colo me surpreendendo e sorrio quando caminha comigo nos braços em direção ao quarto, só me põe no chão quando estamos diante da cama.
Com cuidado, e entre beijos ele vai me despindo, me tocando, fico tímida, mas nunca com medo, esse homem diante de mim me ama e nunca vai me machucar, agora eu sei disso e por isso posso me entregar sem medo.
Ele me deita com cuidado, estamos nus, sinto seu perfume e quero corresponder, mas não sei o que fazer, como fazer isso.
−Daryl, não sei o que tenho que fazer.
Ele me sorri, me beija mais uma vez, não se importa.
−Apenas deixe acontecer, amo você.
Me deixo livre para seguir meus instintos, tocar sua pele, adoro suas mãos passeando por meu corpo, a respiração no meu pescoço, os longos beijos, e então sem me dar conta somos uma coisa só, e me entrego a ele, me rendo.
−Daryl! Dizer seu nome assim entre sussurros é bom e descubro pelo brilho no seu olhar que ele gosta, um gemido escapa por meus lábios, ele me beija.
−Minha Mary! Me diz e é isso, sou dele.
Nunca pensei que pudesse ser assim, arrebatador, emocionante, me senti viva, como jamais achei que podia, completa, inteira, pela primeira vez eu estou inteira.
−Amo você! Eu digo quando somos arremessados para um outro mundo, outra dimensão.
Depois quando nossa respiração começa a se regularizar ele se deita ao meu lado e me puxa para seus braços, me beija de leve, me faz um carinho suave nas costas, não me joga para o lado, não me abandona satisfeito e nessa hora, mesmo sem ter a menor ideia do que está fazendo, Daryl me mostra sem uma única palavra que sou alguém, que mereço, que não sou descartável como passei a vida toda achando que era e choro em seus braços.
−Está tudo bem? Ele me pergunta preocupado.
−São de felicidade, você ainda está aqui e eu...
−Vai ser sempre assim, sempre vou estar aqui! Ele me diz carinhoso e me beija – Amo você.
−Eu te amo também! Me aconchego mais a ele – Daryl, ainda quer que more aqui?
−Como assim?
−Agora que estou segura, eu... Ainda me quer aqui? Se achar que precisa de espaço eu...
−Preciso de você! Ele me corta – Não quero que vá a lugar nenhum nunca é minha garota e agora temos um cachorro! Ele ri.
−Vou continuar morando aqui?
−Sim senhora, nem tente me deixar! Ele me beija – Amo você e nunca mais vou poder ficar nessa cama sozinho, é sua casa Mary, para fazer como quiser, pode ficar limpando e arrumando do jeito que achar melhor o dia todo se quiser, desde que à noite esteja aqui, em meus braços.
É tudo que quero. Ficamos ali, entregues um ao outro por muito tempo, quando nos lembramos do cachorro a tarde já chegava ao fim e descemos os dois.
−Que confusão é essa? Eu pergunto quando vejo a bagunça que aquela coisinha minúscula tinha feito, Daryl ria muito despreocupado – Amor não é engraçado! Eu reclamo e ele me puxa.
−Do que me chamou?
−De Daryl! Minto e ele me beija o pescoço.
−Não foi não, do que me chamou?
−Daryl!
−Admita! Ele me morde o lábio.
−Certo eu te chamei de amor! Fico corada e ele me rouba um beijo, depois pega o cachorrinho no colo – Viu confusão, ela me chamou de amor.
−Vai chama-lo de confusão?
−Você que começou! Ele me diz e pego o cachorro do seu colo.
São os dias mais felizes da minha vida, os meses mais felizes da minha vida, confusão gosta muito de mim, mas a verdade é que ama mesmo Daryl, segue ele para tudo que é lugar e dorme no pé da cama.
A casa está do meu jeito, sempre sonhei em ter um cantinho assim, nossa rotina continuou a mesma, mesmo com Jack preso, ainda vamos e voltamos juntos, ainda almoçamos juntos todos os dias, de fim de semana saímos para caçar e confusão está se tornando um belo cão de caça.
Maggie é ainda minha melhor amiga e de vez em quando aparece para passar uma tarde comigo, como hoje, é sábado, Daryl aproveita que tenho visita e sai para levar confusão para um passeio.
−Confusão Mary? Maggie sempre ri do nome do meu lindo cachorrinho preto.
−Sim! Eu respondo me sentando com ela e um pote de sorvete com duas colheres.
−De novo esse sorvete? Ela brinca pegando uma colher – Toda vez que te vejo está tomando sorvete! Ela comenta e me dou conta que tinha razão – Está ficando viciada nisso.
−Que bobagem!
−Já viu o frio que está lá fora? Ela brinca – Mas eu vim por um motivo.
−O que?
−Mary, marquei um médico para você, queria ter feito antes, mas sabe que me envolvi com um monte de coisas.
−Um monte de coisas chamada Glenn! Eu brinco e ela ri.
−Exato! Ela me diz pegando mais uma colher de sorvete – De todo modo eu sei que está feliz agora, mas é uma garota e Mary mesmo que não precise de remédios precisa de uma consulta regular com um ginecologista, toda mulher precisa.
−Maggie, eu não sei, sabe Daryl nem mesmo quer filhos, e já me acostumei com a ideia, não quero me decepcionar, sabe fazer planos e depois...
−Ninguém está falando de filhos, estou falando de saúde e como conheço você é uma médica está bem, vamos segunda te pego na loja depois do almoço e te deixo lá depois da consulta.
−Mas...
−É isso, não está em discussão!
Acabo concordando já que não tenho alternativa, Maggie fica mais um pouco e no fim da tarde vai para casa. Passo todo fim de semana pensando nisso, ainda tenho meus problemas, ainda fujo do toque de desconhecidos, ainda tenho meus medos e filhos ainda é algo que me magoa.
−Amor! Eu chamo Daryl na cozinha na segunda de manhã, nosso lindo cachorrinho tinha acabado de roubar metade do nosso futuro jantar, Daryl entra na cozinha rindo, porque acabou de passar por ele que com certeza correu para debaixo da cama.
−Não briga com o bichinho! Ele me envolve num abraço e beija meu pescoço depois de morder meu lábio e claro eu já me esqueci que estava brava.
−Você consegue tudo que quer comigo! Ele sorri convencido – Sabe porquê?
−Aposto que vai me contar! Ele continua com a mini tortura.
−Porque eu te amo mais! Ele sempre brinca com isso e adoro quando posso retribuir.
−Não sei de nada disso! Ele responde – Eu que amo mais, quer a carne de volta posso ir agora mesmo enfrentar a fera debaixo da cama só para provar isso!
Ele me beija longamente e nos afastamos, olho para mesa, meu sorvete de creme com calda de chocolate derretendo por culpa do confusão.
−Meu sorvete! Pego o sorvete e ofereço a ele.
−São sete da manhã bruxa, como pode comer esse negócio, eu não sei o que te deu, faz um mês que só te vejo com sorvete para cima e para baixo, de palito, com cobertura, no copo, na taça, nos dedos! Ele diz quando lambo um dedo melado de sorvete – Nesse caso até que gosto! Ele provoca me beijando.
−Vamos trabalhar seu bobo!
Maggie me pega na loja, nem avisei ao Daryl que teria uma consulta, não quero preocupar ele.
A médica é muito gentil, fico completamente constrangida e muda assim que me sento, felizmente Maggie está comigo e depois de me pedir autorização conta brevemente minha história a médica, ela fica chocada, eu sabia que ficaria.
−Mas agora Mary está casada e muito feliz! Maggie avisa.
Bem que eu queria ser casada, não que um pedaço de papel fizesse falta, mas mesmo assim gostaria de ser a senhora Dixon. A médica começa um exame, fico sozinha com ela na sala, naquela posição desconfortável e constrangedora, ela me olha um tanto confusa, quase me assusta.
−Mary vamos fazer um exame de sangue!
−Agora? Pergunto e ela afirma.
Me leva para outra sala e depois de recolher meu sangue me pede que espere por uma hora na recepção.
−Acha que posso estar doente? Eu pergunto a Maggie preocupada.
−Calma, pode ser rotina afinal é sua primeira consulta, está sentindo algo de diferente?
−Não! Eu fico pensativa – Quer dizer a uns dois dias vomitei um pouco, mas pode ter sido algo que comi e ontem me senti meio tonta no café!
−E fica bem calada! Maggie reclama – Agora já estamos aqui, já fez exames e só podemos esperar.
Mudamos de assunto, são quase quatro da tarde, e começo a me preocupar, nem falei para o Daryl que iria ao médico e se ele chegar para me pegar vai ficar preocupado.
A médica me chama de volta meia hora depois, me sento com Maggie e ela nos olhava séria.
−Mary, eu sei que em algum momento um médico disse que não podia ter filhos, mas seja lá o que tinha, ou ele achou que tinha não existe ou nunca existiu, porque querida você está gravida!
Eu fico olhando para ela um tempo, processando o que ela me disse, algo sobre gravidez se não me engano, é claro um engano, ela só pode estar enganada.
−Não doutora, a senhora está errada, sabe eu nunca fiz qualquer método de proteção como...
−Vamos falar claramente querida, acho que pode ter tido sim um problema por um tempo, que se curou e depois disso como sua vida era difícil, cheia de tensão e medo, isso pode ter impedido uma gravidez, e agora que está feliz relaxada aconteceu.
−Mas...
−Não tem engano, fiz exame de toque e está visível, quase dois meses eu diria. Mas vamos confirmar com um ultrassom.
Eu começo a chorar apertando a mão de Maggie, um filho, um filho meu e dele, do meu amor, Daryl vai ser pai! Estava sorrindo feito uma idiota, mas então me lembro que ele me disse que não queria filhos, meu sorriso desaparece.
Fico tensa e nervosa, caminho para a sala de ultrassom e me deito na maca, Maggie ria do meu pânico.
−Eu sei que está com medo, te conheço e só posso dizer que ele vai ficar completamente maluco de felicidade, posso apostar.
Sinto o gel passar por minha barriga, o aparelho passear por ela, mas só consigo pensar que Daryl vai ficar furioso, Maggie não entende, sempre teve uma família feliz não sabe como é viver como nós vivemos, entendo que Daryl não queira filhos, sei o quanto ele se esforça apenas para me fazer feliz, que é fechado e solitário assim como eu e que tudo que faz é apenas por achar que é importante para mim, tenho medo que se sinta traído, pressionado, assustado e que acabe por fugir, me deixar, mas então escuto um som acelerado, olho para medica ela sorri.
−Sim, esse é o coração do seu filho! Eu me sinto forte, completa, posso fazer qualquer coisa por esse bebê, ele é um milagre e quem me amar tem que amá-lo também, ele é parte de mim, minha melhor parte.
Eu caio numa crise de choro e Maggie me traz agua e aperta minha mão enquanto termino de me arrumar.
−Vamos, precisa contar para seu homem! Ela me diz e caminhamos para seu carro.
Chego na loja uns minutos antes dele, é evidente que chorei, assim como é evidente que não estou bem.
−O que aconteceu? Ele me pergunta assim que entro no carro, evito encara-lo – Mary...
−Pode só dirigir para casa e lá conversamos? Eu nem me importo com as lágrimas, mas Daryl está tenso e não se move – Eu... Não quero falar aqui.
−Alguém machucou você? Ele pergunta antes de se mover.
−Não! Mas talvez você me machuque, eu penso secando as lágrimas, ele dá partida – Pode me comprar um sorvete no caminho? Eu peço sem nem me dar conta, e então acabo sorrindo por entre as lágrimas, era meu bebê, olho para ele que para o carro me olhando confuso.
−Do que quer?
−Chocolate... Não, morango, não creme! Que difícil eu penso em meio a minha confusão de sentimentos – Mor...
−Apenas espere! Ele diz descendo muito rápido, fico tremendo no carro, como vou dizer a ele, como vou contar que vamos ter um bebê?
Daryl volta para o carro e me entrega três potes de sorvete, creme, morango e chocolate, eu fico silenciosa.
−Assim você tem o tempo que quiser para decidir! Ele dá partida e detesto morar tão perto, ficamos em silencio em casa confusão nos recebe com a festa de sempre, eu escondo um pouco a tensão faço carinho nele e entramos, ele corria de um lado para outro e só quando finalmente se acalma e deita no chão Daryl me encara.
−Mary precisa dizer de uma vez, por que isso está me matando! Ele está de pé, diante de mim, eu torço os dedos tensa.
−Maggie queria que fosse ao médico, ela me disse que isso é importante, sabe... garotas precisam, hoje ela me levou, não contei que ia porque não queria te preocupar, achai que seria só uma consulta sem importância e então...
−Ai meu Deus, está doente, é isso, vamos enfrentar isso, não precisa ficar com medo seja o que for nós...
Estou em seus braços ele me aperta a ele, sinto seu coração agitado e isso me magoa, eu o estou preocupando.
−Não, eu não estou doente! Me afasto dele para poder olhar para Daryl, quero ver sua reação isso vai ser mais importante que qualquer palavra que me diga.
Pov – Daryl
Não sei o que ela tem, o que quer que seja desde que ainda me ame podemos vencer, ela está tão assustada, isso me deixa tenso, com medo, Mary é tudo que tenho.
−Mary eu te amo, entende, não sei o que está acontecendo, mas seja o que for nós...
−Nós vamos ter um bebê! Ela me corta e atira a notícia em minhas mãos de uma vez, sem aviso, as palavras demoram a fazer sentido, fico juntando-as e tentando entender o que significam numa frase.
−Você... está... Quer dizer, nós...
As coisas começam a clarear, Mary está gravida e vamos ter um filho, o sonho de Mary, algum tipo de milagre que nem acho que mereça, um presente pela vida maldita que ela teve.
Mary está chorando, está frágil e abatida diante de mim e eu aqui paralisado, tonto com a notícia. Será que vai ter os olhos dourados de Mary, que vai gostar de caçar comigo, e brincar com o cachorro no quintal e andar de bicicleta.
−Eu vou ter um filho! Digo em voz alta para ver se acredito, antes de Mary não queria nada disso, depois ela não podia e tudo bem nunca pensei muito nisso e agora é simplesmente perfeito – Eu quero! Desperto quando percebo que minha garota está em suspense e cheia de angustia.
−Quer? Ela pergunta sorrindo – Não está se sentindo traído, pressionado...
−Não, eu quero, claro é nosso bebê, Mary eu te amo, como posso não querer um filho seu! Mary vem para meus braços e eu a envolvo, posso sentir seu corpo relaxando, que idiota como pude deixar Mary tão tensa, justo agora que ela carrega meu filho.
−Estava tão assustada, com tanto medo!
−Está bem, como foi no médico, o que ele disse, o que temos que fazer agora? Estou perdido agora, com medo e preocupado, puxo Mary para o sofá, me sento com ela no colo.
−Ela disse que tudo bem, que eu estou bem, que nós estamos bem! Ela toca o ventre e me dou conta que ele está lá – Ouvi o coraçãozinho dele amor, foi mágico!
−Eu quero ouvir isso, amanhã vai pedir demissão, quero que fique aqui, e vou pedir a senhora Richard que fique de olho em você, e precisa parar de limpar tudo o tempo todo e juro que vou educar o confusão e podemos arrumar o quarto do Merle e quando ele vier vai ter que se contentar com o sofá, e nada de floresta até que...
−Amor! Ela sorria, nunca esteve tão linda, nunca pareceu tão feliz – Amor eu me sinto bem, ela só me recomendou uma boa alimentação e nada de exageros físicos.
−Boa alimentação significa chega de sorvete o dia todo! Eu digo preocupado.
−Descobri que é ele, nosso bebê que pede sorvete o dia todo! Ela me diz e franze o nariz daquele jeito que a deixa tão linda.
−Então é isso! Eu brinco, tomo coragem, toco a barriga da minha mulher, meu filho está aqui, um parte da cada um, o que nos torna inteiros de novo, eu beijo sua barriga, quero que saiba que estou aqui – Ei sorvetinho!
−Amor não começa, não vai chamar ele assim! Ela ria me envolvendo.
−Mas se é só o que ele faz pede sorvete o dia todo! Eu brinco fazendo Mary rir – Diz para mamãe sorvetinho!
−Mamãe! Ela me olha e está emocionada, chora e me dou mais uma vez conta do quanto isso é importante para ela – Vou adorar ouvir isso, e você será papai!
Isso é mesmo grande, eu penso quando beijo minha mulher, ela vai ter que casar comigo, quero que meu filho viva um mundo diferente do meu, e vou cuidar disso.
Casamos numa manhã de domingo, Maggie faz questão de nos oferecer um almoço na fazenda, minha mulher está linda, a barriga começava a aparecer, seu sorriso era brilhante e me esforço para ser educado e gentil, faço qualquer coisa por minha garota.
Nossa vida que era boa e tranquila fica perfeita, Mary deixa o trabalho, passa os dias em casa cuidando de tudo, me espera sempre com um sorriso nos lábios, confusão não aprende nada e continua deixando Mary maluca, mas ela está feliz como nunca esteve, quanto mais perto chega a hora dele nascer mais tenho medo, não sei como vou passar por esse momento.
Mary está deitada com a cabeça no meu colo, a médica disse que pode ser a qualquer momento, mau consigo trabalhar de tanta preocupação, é domingo e estamos em casa, ela acaricia a barriga enquanto descansa eu apenas fico olhando para ela, agora passo meus dias com cara de idiota, assistindo meu filho crescer, já sabemos que é um menino e que vai se chamar Scott, mas eu ainda o chamo de sorvetinho, só para ela rir despreocupada.
Então ouvimos a moto e nos olhamos, Mary se senta e sorri, Merle vai ter um ataque.
Abro a porta e meu irmão entra, seu olhar segue para Mary de pé sorrindo para ele.
−Que merda é essa? Ele diz de olhos arregalados – Isso é... você está grávida?
−Já foi mais esperto! Mary sorri.
−Porra! Ele diz – E meu irmão, esse molenga tão assustado que nem chega perto de você ou tão assustado que não te deixa nem respirar de tanto cuidado?
−A segunda opção! Ela responde e caminho para ela a envolvendo, não me importo nem um pouco de parecer idiota na frente dele, Merle não tem ideia de como é bom ter alguém que o ama – Mas perdeu seu quarto.
−Nem vem com essa, o pirralho nem nasceu e já está me incomodando, que grande merda!
−AI! Mary diz apertando minha mão –Daryl acho que é agora!
−O que? Me apavoro e Merle nos olha horrorizado – Como assim?
−Vai nascer! Eu fico pálido, sem saber o que fazer.
−Larga de ser mole! Merle reclama soltando a mochila no chão – Pega a garota e vamos! Ele abre a porta e saímos, eu com Mary nos braços, sigo de carro e Merle de moto.
Entro com Mary na sala, nunca nada me preparou para isso, fico segurando sua mão mais assustado que ela enquanto a ajudo a trazer nosso bebê ao mundo e quando finalmente eu o vejo, o passado se fecha, todo mal que a vida nos causou some como por encanto, só o que existe é esse momento, meu bebê sendo colocado nos braços da mãe que chorava e beijo minha garota e depois meu bebê, ela me deu tudo, mudou tudo, meu estômago revira, mais uma vez quando seus olhos encontram os meus.
−Eu te amo, obrigada amor! Ela me diz e seco suas lágrimas.
−Não bruxa! Eu sorrio para ela – Eu é que tenho de agradecer, me deu tudo, amo você, sempre vou te amar você e meu sorvetinho!
−Papai Daryl! Meu pequeno me puxa pela calça – O tio não quer jogar!
Meu filho faz três anos hoje, eu e Mary estamos as voltas com sua festa de aniversário e Merle que nunca mais partiu e embora more sozinho na casa que um dia foi de Mary não sai da minha casa e não deixa meu pequeno em paz, os dois brigam como se tivesses três anos.
−O papai já vai jogar com você.
Me abaixo para olhar para ele nos olhos, os olhos dourados de Mary.
−Promete?
−Prometo sorvetinho, assim que terminar aqui, por que não vai correr com o confusão no quintal?
−É! Ele sai pela porta e Mary entra sorrindo com Merle logo atrás dela carregando um bolo com a cara amarrada.
−Vai esquisita, onde coloco isso?
−Na mesa Merle! Ela ri e a envolvo em meus braços – Ele reclama só por esporte! Ela me diz como se não soubesse disso – O Scott está todo sujo já, ele não consegue ficar limpo mais do que dez minutos.
−Deixa o pequeno!
−Deixa o pequeno, deixa o bichinho e eles vão fazendo só o que querem! Ela me beija – Amo como você é bom com eles.
−Vocês nunca cansam disso? Merle entra com Scott no colo e o cachorro ao lado – Isso irrita sabia?
−Mamãe o tio não quer jogar! Scott avisa a Mary e ela o pega no colo.
Minha família, a família que nunca esperei ter e que agora simplesmente não posso abrir mão, minha mulher, a mais linda e perfeita, minha metade, meu filho, meu pequeno sorvetinho, é por ele que abro os olhos todas as manhãs, ele é meu sol, e meu irmão idiota que perto da cunhada e do sobrinho fica feito um bobo tentando ser melhor, eu tentei tanto que acabei conseguindo, talvez ele consiga.
Amo minha família, amo o que consegui construir, o que minha Mary me ajudou a tornar real.
Fale com o autor