Apocalipse - A Era Dos Mortos

61 Capítulo 61 - Estamos completos


Notas iniciais
Desculpem a demora, não esperava ficar assim atrapalhada, mas aqui está mais um capítulo, esse foi apenas uma preparação para o que vem agora. A partir do próximo começo com a quarta temporada.

Pov – Mary

−Papai Daryl! Scott chama pela segunda vez e então Daryl se abaixa para responder a ele, não consigo conter minhas lágrimas, acho que Scott não tem a menor ideia do que isso significa para mim, nem mesmo sei se Daryl compreende.

−Sim! Daryl o olha nos olhos, paro de prestar atenção na conversa, minha mente viaja para o passado, penso em mim, na menina que era, deitada numa maca, assustada e com medo, ouvindo de um médico, que nunca tinha visto antes que jamais voltaria a ver, que eu não podia mais ter filhos.

Na época foi uma ótima notícia, o médico não podia entender porque eu sorria contente, não queria nada que viesse daquele monstro, mas depois alguns anos passaram e me dei conta da dimensão daquela notícia, eu não era inteira, ou pelo menos acreditava que não, tinha apenas uma certeza na vida, se um dia por algum milagre me livrasse daquele monstro nunca ninguém ficaria comigo, porque faltava uma parte de mim.

Então Daryl surgiu com sua besta e me puxou com ele para uma nova vida, um novo mundo onde nada disso era importante, ele não era inteiro e juntos podíamos consertar as falhas, e assim foi.

Mas então eu queria mais, agora queria um filho não porque não poder me machucava, mas para dividir o que eu tinha, para completar uma história, e então de novo mesmo sem saber Daryl me deu isso, Scott era meu, e isso devia ser o bastante, e ainda assim não era, porque queria dividir esse amor com ele e dessa vez era Scott quem precisava me dar isso e agora quando ele disse, papai Daryl, tudo ficou perfeito.

Perfeito do jeito que sempre sonhei e nunca achei que poderia realizar, somos uma família, mesmo em meio ao caos eu tenho uma família e quero preservar essa família.

Daryl vem até mim, me beija de leve, me diz sem palavras que tudo está bem, e fico pensando se de algum modo Deus se lembrou de mim, se o universo quer me recompensar pelo que foi toda uma vida de dor.

Foram tantas as dores, as humilhações, incontáveis como as estrelas numa noite clara, não posso retirar nada, essa sou eu, cada uma dessas incontáveis estrelas me fez quem eu sou e então Daryl surgiu como o nascer do sol, as estrelas ainda estão lá, mas o brilho do sol as torna invisíveis, por isso quando achei que ele tinha saído da minha vida, quando o sol deixou de brilhar, lá estavam elas, as incontáveis estrelas me lembrando quem no fundo eu sou.

Caminhamos os três para dentro, só de olhar para Daryl noto sua alegria, ele nunca vai dizer, mas não consegue não demonstrar, eu tento secar minhas lágrimas, acho que alguém do tamanho de Scott não entende que se pode chorar de felicidade, de amor.

Vamos direto para nossa cela, Daryl coloca Scott no chão e ele corre para seu joguinho.

−Joga mamãe? Nenhum de nós precisa falar sobre o fato de finalmente Daryl ser o papai, apenas continuamos sabendo o valor disso, mas sem debater o fato, Daryl porque se sente constrangido, Scott porque não acha que foi nada demais, e eu por que estou emocionada demais para tocar no assunto.

−Claro! Eu me sento no chão, Daryl se acomoda e fica nos vendo jogar chego a achar que gostaria de fazer isso, mas não faz e compreendo seus limites.

−Michonne nem esperou termos certeza que a neve se foi para partir! Daryl me diz quando Scott se distrai com seu cavalinho.

−É mais difícil para ela se adaptar, ela não consegue superar o que ele fez.

−Não.

−Amor, se pudesse... Quer dizer, ele matou Merle e fico pensando se você não sente vontade de caça-lo como Mich faz.

−Temos uma coisa boa aqui, algo que não achei que conseguiríamos, mas conseguimos, e não vou abandonar tudo numa busca inútil, se tivesse certeza, se tivéssemos uma pisca quente, eu iria, não só por Merle, mas porque acho que se ele tiver uma chance Phillip viria atrás de nós.

−Entendo! Eu iria com ele em outros tempos, mas agora temos Scott e não posso deixar ele assim, nem leva-lo numa busca como essa, fico pensando se Daryl não se sente preso.

−Além disso, não iria sem você e não podemos deixar nosso pequeno não é? Ele me puxa para ficar em seus braços e me aconchego.

−Nosso! Concordo – E não fica...

−Já disse que sei exatamente o que estou fazendo, essa não foi uma escolha sem pensar, isso é algo que realmente quero fazer, estamos completos agora.

Eu amo Daryl cada dia mais, cada vez que me deixa claro que não sou um peso, que Scott não é.

−Papai vai sair? Scott pergunta.

−Não!

−Vai ficar aqui comigo?

−Vou!

−Papai pode jogar? Daryl me olha indeciso, não quero me intrometer nisso, ele precisa sozinho abrir espaço, ele dá de ombros.

−Só uma vez! E Scott fica tão surpreso que até podemos notar, ele corre para o jogo, espalha as peças quando tenta trazer apressado, isso me faz enxergar o quanto Scott é carente das atenções dele, acho que agora as coisas podem mudar, que Daryl pode se abrir mais para ele.

Agora sou eu que fico assistindo os dois brincarem, Scott não cabe em si de tanta alegria e a partida se estende por muito tempo.

Michonne retorna na tarde seguinte, e para nossa surpresa vem montada num belo cavalo, sigo com Scott para recebe-la, ele nem acredita quando vê o animal.

−Onde conseguiu ele? Daryl pergunta enquanto ela desmonta, Carl corria para recebe-la.

−Numa fazenda a alguns quilômetros, estava tranquilo pastando, algo me diz que sabe se defender e alimentar Flame parece mais fácil que conseguir combustível! Ela comenta.

−Flame! Carl acaricia o cavalo – Posso te ajudar a cuidar dele?

−Espero que faça isso, vamos vou te mostrar como se faz!

−É igual ao meu não é mamãe?

−Igualzinho! Eu respondo ele desce do colo e caminha para Daryl.

−Quero subir nele papai.

Daryl o pega pela mão e acompanha Michonne e Carl, eu fico de longe olhando a cena.

−Vi direito? Rick me pergunta – Michonne chegou com um cavalo?

−Sim, o nome é Flame e Carl está encantado.

−Isso é bom, eu acho que vai ajuda-lo ele ainda está relutante com o modo que escolhi viver.

−Acho que isso vai melhorar com o tempo! Tento acalmar Rick.

−É o que espero, obrigado Mary, você ajuda muito, ele confia em você, aliás além de você só MIchonne e Daryl tem acesso a Carl.

−Não me agradeça, temos uma ligação! Eu não prolongo o assunto, primeiro por que ainda não consigo ficar assim à vontade em conversar sozinha com um homem, mesmo que seja Rick, e porque esse assunto é doloroso para os dois.

Me afasto em direção a Maggie e Rick segue ao encontro de Michonne.

Scott demora muito a adormecer, está animado demais com a ideia de que temos um cavalo igual ao dele morando na prisão, só concordou em deixar o cavalo quando descobriu que cavalo dormiam e Flame precisava descansar.

−Dormiu? Daryl me pergunta quando me afasto dele e me deito.

−Finalmente! Eu me abraço a Daryl ele beija meus cabelos.

−Conversei com Sasha, estamos pensando em sair amanhã.

−Certo, eu quero ir.

−Tem certeza? Ele me olha – Sabe que o Scott não fica bem sem nós e se quiser ficar eu não me importo.

−Queria falar com você sobre isso! Eu me apoio em seu peito para poder olha-lo –Eu sei que ele nos quer por perto e adoraria poder ficar o tempo todo com ele, mas acontece que não temos certeza, nunca temos e tenho medo de... Pense como seria para ele se algo nos acontecesse, Scott não convive com ninguém ele precisa aprender.

−Está certa sobre isso, acho que ele sente medo, nem imagino como deve ter sido difícil para ele, o tempo na estrada, os perigos e depois perder a tia.

−Eu quero ir com você e quero que ele aprenda que existem outras pessoa que pode confiar, Beth, Maggie, Hershel, eles fariam tudo para nos ajudar com ele, Maggie e Glenn sempre vão conosco, mas o Hershel e a Beth não, então eles podem ficar com ele e com o tempo ele se acostuma.

−Mas sabe que ele vai chorar?

−Sei! Respondo começando a ficar triste.

−Que tal um acordo?

−Que acordo?

−Duas tentativas, se ele chorar muito você esquece as missões e fica com ele.

Eu olho para Daryl sem acreditar, ele realmente está completamente rendido ao pequeno, gosto disso, me deito de novo em seu peito e ele me envolve, me da tempo para decidir.

−Concordo, mas se um dia achar que tenho que ir, que vai precisar de mim me deixa ir mesmo que ele chore?

−Feito, numa emergência você vai junto.

Sair não é fácil, Scott fica chorando nos braços de Hershel, mas eu acho que isso é o melhor a fazer, não é um mundo de certezas e ele precisa estar pronto, mesmo sendo apenas um bebê.

Vamos a uma pequena cidade, Sasha planejou a saída com Daryl, vamos em dois carros e dessa vez estamos mais atentos que nunca, as últimas vezes que estivemos fora da prisão foi tudo muito tenso, dessa vez estamos mais preparados, Arthur está conosco no carro, Sasha dirige o outro com Maggie e Glenn com ela.

Entramos na cidade e o que vemos é a confusão de sempre, ruas sujas abandonadas e carros batidos, sangue, corpos e zumbis, eles estavam em todos os lugares.

Não sei o que mais me assusta, se o que são ou o que os levou a isso, essa doença que todos temos, a ideia de que não importa muito o quanto lute, cedo ou tarde esse é seu fim.

Entramos numa loja pequena, não estamos dispostos a arriscar nas grandes lojas de departamento e no momento só queremos dar uma olhada geral e depois voltar, saber o que o inverno trouxe com ele.

Não encontramos muito, na saída dois zumbis se aproximavam, Arthur é rápido com aquela arma estranha dele e da fim aos dois, Daryl sorri de lado e continuamos a caminhar, mais adiante paramos para observar uma grande loja.

Big Spot era o nome, uma dessas cadeias de lojas que vendiam absolutamente tudo, estava cercada por grades, um acampamento tinha sido montado, zumbis estavam presos as cercas desesperados para entrar ou sair. Não era um número grande e estávamos longe o bastante para podermos observar sem temer.

−O que acham? Sasha pergunta.

−Não sei, talvez com mais gente, mais preparados.

Daryl está relutante em entrar.

−Podíamos afastá-los antes.

Sasha diz e percebo um lampejo em seus olhos, alguma ideia se formando em sua mente.

−Podemos ligar alguns carros em baterias colocar um amplificador, música para atraí-lo para longe e depois voltar um outro dia para ver o que conseguimos.

−Podemos fazer isso! Daryl comenta interessado – Não seria tão difícil esse acampamento caiu muito rápido dá para ver, podem ter deixado muitas coisas.

Seguimos para os carros, e partimos para mais longe da loja, meia dúzia de ruas depois, reunimos o necessário para colocar o plano de Sasha em ação.

Montar os aparelhos pelo visto não foi difícil, Glenn e Daryl fazem isso e eu e Maggie ficamos de vigia com Arthur e Sasha nas extremidades do quarteirão, depois daquela horda que vimos tudo se tornou um grande perigo, as coisas correm bem, o som é ligado.

−Cd de rock! Maggie brinca quando a música começa a tocar – E pensar que todos aqueles lindos e sexys roqueiros estão mortos agora! Ela diz deprimida – Acho que os zumbis de Hollywood são mais bonitos que os da Geórgia!

−Maggie você não pode ser normal! Eu brinco quando caminhávamos de volta para os carros, com a música ligada era bom partirmos logo.

Deixamos a cidade decididos a voltar para ver se o plano tinha dado certo em alguns dias e se tudo estivesse bem juntar um grupo grande e pegar tudo que fosse possível.

Decidimos seguir só nós dois no carro aproveitar que era cedo que tudo estava tranquilo e parar perto da prisão para caminhar pela floresta e caçar um pouco.

O resto do grupo volta com o pouco suprimento que conseguimos, entramos na floresta silenciosos como de costume, adoro caminhar pela mata e seguimos pelo norte sem nos afastar muito da estrada, uma hora e nada que valesse mesmo à pena, nem mesmo rastros de algum animal, no fim as armadilhas eram mais úteis.

−Vamos Bruxa, Scott deve estar chorando e posso voltar outro dia.

−Certo, um dia ainda pego um cervo eu mesma, vai ver! Ele sorri e me rouba um beijo antes de seguirmos em direção ao carro.

Estávamos quase chegando no carro quando ouvimos passos.

−Fica perto! Ele me diz e então na beira da estrada um homem caminhava sozinho, ele se surpreende quando nos vê, ergue os braços em sinal de rendição quando nota a besta apontada para ele.

−Não quero problemas, estou de passagem! O homem avisa, Daryl abaixa um pouco a arma para deixa-lo mas tranquilo.

−Está sozinho?

−Sim, completamente sozinho, a alguns dias, estava com um grupo, mas fomos pegos desprevenidos.

−Tem planos? Daryl insiste – Sabe matar zumbis?

−Ainda estou vivo não é! Ele responde.

−Eu sou Daryl Dixon, essa é Mary.

−Oi Mary! Ele acena ainda confuso – Vivem por aqui?

−Para onde pretendia ir? Todos queremos perguntar nenhum de nós quer responder.

−Apenas seguindo em frente, sem um plano aparente.

Ele me parece cansado, abatido e completamente decidido a aceitar o que vier pela frente, devia ter mais ou menos a idade de Daryl, nos olhava sem muito temor, olho para Daryl que parecia analisar o homem.

−Não é mais um mundo para se viver sozinho.

Daryl responde e vejo um zumbi surgir vindo do meio da floresta, aproveito que minha besta está armada e o acerto sem dificuldades, o homem olha, surpreso e impressionado.

−Uma boa arma! Ele diz e caminho para pegar minha flecha de volta.

−Ainda não se apresentou! Daryl o lembra.

−Sim claro, quase me esqueci, não se encontra muita gente por ai hoje em dia, pelo menos não gente que precisa de oxigênio.

−Não definitivamente não se encontra.

−Eu sou Bob Stookey.

−Nós temos um lugar Bob, é seguro cercado e vivemos num bom número de pessoas, se quiser pode vir conosco.

−Um abrigo, puxa, não sei, vocês tem certeza?

−Será bem-vindo sempre recebemos pessoas! Eu aviso feliz por poder ajudar, mas um tanto tensa com a ideia.

Ainda não é fácil para mim conviver com estranhos, foi difícil me acostumar com as pessoas de Woodbury e com cada um que chegou, mas hoje isso já está mais aceitável.

Agora me sinto protegida e forte o bastante para conviver com estranhos, ele nos olha decidindo.

−Já estamos de partida, tem que decidir logo.

Daryl pede quando um outro zumbi surgia dessa vez mais distante para que eu ou qualquer um precisasse agir.

−Eu vou! Ele diz por fiz e seguimos para o carro, estou louca para abraçar Scott.

Logo estávamos entrando na prisão, Bob olhava em volta sem acreditar no que via, Sasha e Carol o recebem, Tyreese o acompanha para dentro onde arrumariam um lugar para ele ficar no bloco D.

Scott estava como suspeitei muito triste na cela de Beth, mas não chorava o que era bom.

−Você me achou papai! Ele sorri quando nos vê e corre para o colo de Daryl.

−Sempre vou achar! Daryl promete e depois ele vem para meus braços.

−Ele chorou um pouquinho menos dessa vez! Beth avisa – Mas ainda assim chorou e não comeu direito.

−Obrigada Beth! Eu digo antes de sair com minha pequena família.

−Mamãe meu cavalo chama Flame agora.

−Igual o cavalo da Michonne?

−É!

−Que legal! Ele pede para ir com Daryl subíamos a escada e Daryl o pega.

−Papai, eu tenho um cavalo que se chama Flame!

−Que bom.

−Mas a Mich já foi embora com o dela, agora só tem o meu Flame!

Ele começa uma conversa com Daryl sobre o que fez enquanto saímos, era sempre algo como, chorei, não brinquei e fiquei sozinho, o pequeno sorvetinho sabia bem como me deixar culpada, logo eu acabaria concordando com Daryl que deveria ficar com ele, na verdade a única coisa que me impedia de fazer isso era o medo que tinha de um dia Daryl sair e não voltar, de algo acontecer e eu não estar por perto.

A risada de Daryl me desperta, eu os olho sem acreditar, eles brincavam com o carrinho e o cavalo, apostando uma corrida imaginária que obviamente Scott mesmo estando de posse de um cavalinho ganha da Ferrari de Daryl.

Notas finais
Comentem Beijos