Apocalipse - A Era Dos Mortos

56 Capítulo Bônus - Parte 1


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, desculpe minha confusão essa semana, muito trabalho e desorganização também!rsrsrs Mas aqui está o bônus que me pediram, vou dividir em duas ou três partes e depois volto com a quarta temporada, mas quando chegar no hiatus não sei como vai ser, talvez continue do meu jeito, mas depois pensamos nisso. Bom enfim, espero que gostem.

Pov – Daryl

O dia ainda estava claro e um resto de sol ainda brilhava quando estaciono a caminhonete na frente de casa depois do trabalho, devia ter dado um jeito nesse motor quando estava na oficina, mas quis vir logo para casa para saber se o imbecil do meu irmão voltou.

Merle saiu da cadeia a dois dias, gastei todas as minha economias para pagar um advogado para ele e manter a vida boa dele lá dentro e nem bem saiu já sumiu, é claro que só pode estar aprontando alguma.

Sei bem o que vai dizer, que queria sentir o gosto da liberdade, que passou seis meses trancafiado numa prisão e que merecia uma boa farra, sempre a mesma conversa.

Abro a porta e como desconfiava está tudo como deixei pela manhã, nada de Merle Dixon, era de se esperar, é um Dixon afinal.

Pego uma cerveja e volto para fora, vou dar um jeito na caminhonete de uma vez, olho para o relógio da cozinha antes de sair, logo ela vai passar na minha porta.

Balanço a cabeça para afastar o pensamento, vou arrumar o carro por isso vou ficar lá fora, não é para ver Mary passar como todos os dias.

Começo meu trabalho, abro o capo depois de dar um gole na cerveja e começo a mexer, me envolvo no que estou fazendo e quando me dou conta anoitecia, olho para o fim da rua e lá vem ela.

Sempre olhando para o chão. Todos os dias Mary passa na minha porta, acho que vem do trabalho, ela tem olhos tristes, dois potes de mel cheios de tristeza, caminha o tempo todo de cabeça baixa, apenas quando chega diante da minha casa e só então, ergue os olhos, dura só um segundo, ela olha em direção a minha casa e depois baixa de novo o olhar, continua a caminhar até a casa no fim da rua.

Mora com a mãe e o padrasto, um idiota mau caráter, bêbado e viciado que é claro é muito amigo do meu irmão. Jack não vale nada.

A história de Mary é como a de todo mundo que mora nesse lugar, somos os esquecidos, os renegados, a mãe é alcoólatra, a minha também era, mas está morta a muito tempo, Mary não é nenhuma garotinha, não entendo porque continua vivendo nesse lugar, isso não é para ela, ou talvez seja, ninguém é muito diferente por aqui.

Como todos os dias desde que me mudei a quatro anos ela ergue o olhar, rápido como de costume depois continua sua caminhada, fico lutando para não acompanhar com os olhos seus passos.

O carro está funcionando bem, me dou conta depois de ligar e acelerar, fecho o capo e dou uma última olhada para o fim da rua, Mary e seus olhos cor de mel, tão linda e delicada, nunca falei com ela, nem uma palavra, mas mesmo assim sei que é delicada, os cabelos são da cor dos olhos, tem a pele clara e o corpo bem feito, nunca sorriu, nem imagino como seria se sorrisse, mais uma vez me obrigo a afastar esses pensamentos e entro em casa.

Pego a besta na parede do quarto, vou para floresta caçar um pouco essa é uma das razões por escolher morar aqui, estou a cinco minutos de caminhada da floresta.

Quando volto amanhecia, Merle estava estirado no sofá, abraçado a uma garrafa vazia de Tequila, um grande idiota eu penso quando subo para meu quarto, a porta está com um defeito infernal, range e o trinco está ruim, decido que vou dar um jeito nisso, me atiro na cama e pego no sono no mesmo instante.

Felizmente era domingo e posso dormir até cansar, quando acordo o dia chegava ao fim, ouço vozes no andar de baixo, quando chego, Merle e Jack conversavam, odeio esse babaca, sempre que ele espanca a mulher e a vizinhança chama a polícia é para minha casa que ele corre, e Merle como sempre lhe oferece o sofá, mas apenas se Merle estiver, se não tranco tudo e o ignoro, não quero fazer parte disso, ainda que ache que a mulher e a filha só estão lá porque querem.

−Olha a bela adormecida! Merle me provoca – Acordou mocinha? Ignoro seu comentário – Não sabe o que aconteceu.

−Não, mas tenho certeza que vai me contar! Respondo abrindo a geladeira, vazia é claro, me lembro que com Merle em casa comida não durava muito.

−Jane morreu ontem à noite!

−Quem? Pergunto a Merle voltando para sala com uma cerveja na mão.

−Jane, a mulher do Jack, mãe da esquisita da Mary! Ele diz me olhando sério, busca alguma reação minha, meu olhar segue para Jack, completamente tranquilo tomando uma cerveja no sofá – A filha que encontrou ela morta, quando chegou do trabalho, não viu a confusão na rua?

−Estava na floresta, cheguei de manhã.

Não consigo parar de pensar em Mary, em como ela devia estar triste, e sinto mais raiva ainda de Jack por não estar com ela num momento como esse, mas apenas dou de ombros.

− Vou até o bar do Tim! Aviso e os deixo, preciso de uma boa refeição e um tempo sozinho.

Não desvio meus pensamentos de Mary um só segundo.

Peço um prato de assado e uma cerveja, o prato chega e me lembro de Mary mais uma vez, Merle vive contando que Mary é a melhor cozinheira do país, que não tem nada igual ao assado da esquisita, é assim que ele a chama, algo sobre ela ser calada e sozinha, como assistindo a um jogo de beisebol, a minha volta apenas os bêbados e desocupados da cidade, o de sempre, Merle e Jack eram frequentadores assíduos do bar do Tim, já eu, apenas vinha comer e tomar uma cerveja uma vez ou outra.

Volto para casa e ainda vejo Jack saindo, aceno sem dizer nada e sigo para cama, meu último pensamento antes de pegar no sono é como de costume os olhos dourados de Mary.

O trabalho é tranquilo, gosto de trabalhar para Scott, ele fala pouco e não se intromete no meu trabalho, além disso não se importa com a fama que carrego por ser irmão de Merle.

No fim do dia saio apressado, quero passar na loja de ferragens e comprar uma fechadura nova para meu quarto, detesto quando Merle se enrosca com suas vadias pela casa fazendo suas festinhas particulares, sempre fui diferente, nunca levo uma mulher para minha cama, essa é minha regra, também nunca dura mais do que uma ou duas noites, não quero ninguém no meu pé, gosto de ser livre.

Estou apresado olhando as prateleiras, sei que a loja já vai fechar e não quero prender ninguém.

−Po... Posso ajudar? Uma voz feminina e delicada me desperta.

−Preciso de uma... – Me viro e simplesmente estou mudo, era ela, Mary estava ali diante de mim, esperando para me atender, então era aqui que trabalhava, pisco algumas vezes – Fechadura, preciso de uma fechadura.

−No outro corredor à direita! Ela diz torcendo os dedos um tanto nervosa, olhando para baixo – Quer ajuda?

−Não! Digo muito rápido. Mary concorda e se afasta, usava jeans e uma camiseta da loja, os cabelos estavam soltos e usava tênis e me irrito por ter reparado em tudo isso.

Pego o corredor, escolho a fechadura e um óleo para colocar na porta e sigo para o caixa, ela parecia triste, nem mais nem menos triste que todos os outros dias, apenas tão triste quanto sempre me pareceu, devia ter dito alguma coisa.

Depois de pagar sigo para o carro e já ia entrando quando vejo Mary saindo da loja, ela está de cabeça baixa, devia entrar na porra do carro e ir embora, deixar tudo como sempre esteve.

−Mary! Eu chamo me odiando internamente – Venha estou indo para casa, te dou uma carona.

Mary fica parada me olhando, acho que está tão confusa quanto eu, fico pensando porque ela demora tanto para chegar em casa se sai no mesmo horário que eu, de ônibus levaria uns quinze minutos no máximo.

−Vamos! Eu chamo de novo, dessa vez soa mais duro do que gostaria, ela então caminha um tanto assustada, quase parece que não quer vir, mas se não quisesse era só dizer não obrigado, então eu apenas entro no carro, ela se senta do meu lado, tem um perfume suave.

Dou partida e pego a rua principal em direção a nossa rua, dez minutos e estaríamos lá, não converso muito e pelo visto ela era mesmo meio esquisita.

−Sai todo dia no mesmo horário?

−Sim! Ela responde sem me olhar.

−Porque demora tanto para chegar.

Agora ela vai saber que fica esperando ela chegar todo dia seu imbecil, me recrimino.

−Eu vou a pé todos os dias.

−Uma boa caminhada! Eu digo e ficamos mais uma vez em silencio.

Entramos na nossa rua, ela se arruma no banco, sinto sua tensão aumentar.

−Pode parar na sua porta, eu caminho para casa.

−Não tem problema eu posso...

−Por favor! Ela está assustada e dou de ombros parando na porta da minha casa, Mary desce e olha para sua casa pisca algumas vezes torce os dedos – Obrigada!

−Beleza! Respondo caminhando para porta, Mary começa a caminhar na direção contrária à sua casa – Não vai para casa? Que merda Daryl o que você tem com isso? Me pergunto irritado.

−A carona... Eu chego sempre às sete... eu... se chegar agora...

−E vai ficar na rua até dar sete horas, falta uma hora?

−Vou! Ela responde olhando para o chão.

−Entre! Eu chamo ela caminha em minha direção, como se recebesse uma ordem, acho aquilo estranho abro a porta e Mary entra, não sei o que estou fazendo, mas simplesmente não consigo evitar – Quer alguma coisa? Cerveja, água?

−Nada, obrigada! Ela responde olhando em volta, estava uma bela zona, mas quem se importa, moro sozinho, ou com Merle quando não está preso ou na casa de uma de suas vadias.

−Trabalha lá faz tempo? Pergunto apontando uma cadeira na cozinha enquanto abro a geladeira e pego uma cerveja.

−Um ano! Ela responde e se senta.

−Trabalho a um quarteirão de você.

−Eu sei! Ela conta e paro o que estou fazendo para olhar para ela, Mary sabe de mim, meu estômago revira de um jeito estranho, desvio o olhar.

−Sinto muito! Eu finalmente digo, ela ergue o olhar e me encara – Minha mãe morreu a muito tempo, na época não registrei muito, pareceu que era com outra pessoa sabe, mas sei como é, então sinto muito.

Ela não chora, não diz nada, apenas concorda com um movimento de cabeça, sei como é ser criado por uma bêbada, você fica jogado, aprende com a vida a se cuidar, acho que com ela foi assim também, quer chorar quando a pessoa vai embora, mas não consegue, porque é como se ela nunca tivesse estado ali, não tem pelo que chorar e apenas segue em frente, continua como sempre esteve.

Vamos para sala, ela vê a besta.

−Gosto de caçar, já fez isso alguma vez?

−Não, deve ser muito bom, gosto do ar da floresta, mas nunca pude... Seria fantástico, essa é sua besta?

−Sim! Pego a arma e mostro a ela, Mary fica com os olhos brilhantes, tenho vontade de arrastá-la para floresta.

−Já caçou animais grandes?

−Muitos, mas posso me divertir com esquilos e coelhos, quem sabe uma marmota! Ela concorda, quando me dou conta estou contando a Mary minhas aventuras na floresta, ela escuta tudo muito atenta, ávida por detalhes, os olhos grudados em mim, me deixando meio tonto.

−Tenho que ir! Ela avisa olhando para o relógio da cozinha através da porta aberta se levanta tensa, deve ser ruim voltar para casa agora que a mãe se foi, caminho com ela para porta.

Mary passa por mim, mais tímida do que quando entrou.

−Obrigada! Ela me diz.

−Passo para te apanhar amanhã! Eu não acredito que disse isso, o que foi que me deu, passo para te apanhar? Como assim, sou o namoradinho de Mary agora, buscando ela no fim do dia, e depois o que? Tomar sorvete de mãos dadas?

−Ce... Certo! Ela me responde um tanto insegura, me dá as costas e some da minha visão.

Não dou uma palavra sobre o fato com Merle, nem quero ouvir o caminhão de bobagens que ele vai dizer.

Sou obrigado a admitir que passo toda noite e o dia inteiro seguinte esperando pela hora de pegar Mary no serviço, que ideia estúpida, e pior que ansiedade ridícula, eu paro meu carro na frente da loja, desço porque não acho bonito as pessoas verem a garota entrar num carro qualquer sem o cara se dar ao trabalho ao menos de descer, Mary é uma garota inocente, delicada e merece respeito.

Ela sai da loja e reparo que está linda, não usa a camiseta da loja, chego a achar que vi um certo brilho em seu olhar, estranho o fato e acho que estou ficando meio idiota, ela caminha para mim, enfio as mãos nos bolsos para não tocar nela.

Porque fico assim diante dela, agindo feito um completo idiota, ela para na minha frente e abre a boca para dizer alguma coisa quando alguém toca seu braço e ela se afasta assustada, como se tivesse sido ferida.

−Desculpe Mary! Uma moça mais ou menos na mesma idade dela diz – Eu sei que não gosta muito quando alguém...

A garota para de falar quando acho que se dá conta que vai falar demais, olha de mim para Mary.

−Oi Maggie! Mary cumprimenta a moça.

−Oi! Ela responde – Só queria saber se meu pai passou aqui na loja mais cedo.

−Não, eu não o vi hoje.

−Certo! Ela sorri, pisca para Mary – Eu vou indo, não quero atrapalhar seu encontro! Mary fica corada e não me encara, entramos no carro e decido que se Mary só pode chegar em casa daqui uma hora podemos dar uma volta pela floresta.

Paro o carro no acostamento a uns quarteirões de casa, descemos os dois, ela parece confusa e arregala os olhos quando pego a besta.

−Temos uma hora certo? Eu pergunto e ela concorda.

Mostro a Mary como a arma funciona, ela acha pesada, mas segue na frente carregando a arma pronta para uma caçada, uma hora é um tempo muito curto para isso, mas acho que quero apenas que ela relaxe um pouco, queria tanto arrancar um sorriso daquele rosto delicado.

−Acha que consigo um dia? Ela me pergunta quando voltávamos para o carro um tempo depois.

−Aposto que sim tentamos de novo outra hora, quem sabe quando você tiver mais tempo.

Uma dor passa por seus olhos e isso fica tão claro que quase toco Mary, não sei o que foi, mas doeu nela e de algum jeito em mim também.

Paro na minha porta e descemos estamos em cima da hora e Mary acena para mim quando a voz do meu irmão nos faz parar.

−Hora, hora pequeno Dixon, quer dizer que você e a esquisita...

−Cala a boca Merle! Eu o previno e ele ergue a sobrancelha, olha para Mary que está branca como cera – Não se preocupe Mary ele não vai dizer nada! Eu a tranquilizo, não acho muito normal esse medo todo dela, Jack não parece o tipo padrasto protetor, mas vai saber – Até amanhã! Ela apenas concorda e se põem a caminhar para casa, passo por Merle.

−Sabe o que está fazendo? Ele me pergunta.

−Me deixa Merle! Eu sumo para meu quarto, felizmente arrumei a porta e posso me trancar sem ter que ouvir as piadas do meu irmão.

Passo a pegar Mary no trabalho todos os dias, e então seguimos para floresta, ela nunca pega nada, mas parece tão feliz que sinto pena quando temos que voltar, tem dias que ela está quase feliz, mas outros está tão triste que sinto vontade de abraça-la e nunca mais soltar.

Descobri que não gosta que toquem nela, aconteceu duas vezes na rua, a amiga Maggie e um colega de trabalho quando saia, ela reagiu do mesmo jeito, como se sentisse dor, eu nunca tentei tocar nela para saber como seria.

Merle e Jack vão passar o fim de semana na pedreira pescando, não sei porque meu irmão fez questão de me avisar quando saia para o trabalho na sexta-feira.

Um plano começa a se formar em minha mente, eu podia levar Mary para caçar, passar a noite na floresta como ela, Mary me disse uma vez que era seu sonho, montar a barraca, caminhar pela mata e nadar no rio, ela iria gostar disso.

Pego Mary no trabalho como venho fazendo a quase duas semanas, às vezes ouço alguém gritar por ela quando paro “Mary seu namorado chegou” Ela não diz nada nem eu, ouço o mesmo todos os dias, quando ligo o carro na hora de ir embora Scott sempre pergunta se estou com pressa para pegar minha namorada, e Merle solta uma piada ou outra também, ignoro todos, que se dane o que pensam.

−Jack e Merle vão passar o fim de semana na pedreira e nós vamos caçar! Aviso a Mary quando ela entra no carro.

−Caçar de verdade? Me pergunta com os olhos brilhantes que me arrancam um sorriso.

−Sim, quando o Jack sair você vem para minha casa e vamos, voltamos no domingo de manhã, eles só vão chegar no fim da tarde.

−Nem sei o que dizer! Ela responde visivelmente emocionada.

−Leve uma muda de roupa e sapatos confortáveis te espero em casa! Eu aviso e então paro o carro.

−Daryl eu... Nunca vai entender o quanto isso é... Obrigada! Ela me diz por fim.

Mary caminha para casa, me sinto meio ridículo saindo assim escondido como se ela tivesse quinze anos quando sei que tem vinte três, mas ela parece se preocupar muito com a opinião de Jack e não quero criar um problema para ela, principalmente agora que ela parece só ter ele.

−Vou nessa irmãozinho, vê se devolve a garota no domingo cedo! Merle me diz – E divirta-se com a esquisita.

−Vai de uma vez, porra!

−É uma bichinha sensível mesmo! Ele sobe na moto fico assistindo do portão ele parar na porta de Jack falar algo e depois os dois se afastam cada um em uma moto, pescar merda nenhuma, eu penso quando volto para dentro e termino de preparar o carro.

Estava distraído colocando a barraca na carroceria.

−Daryl! Mary me chama e meu coração estúpido só falta parar, não quero pensar muito o que isso quer dizer.

Me viro e ela está linda, os cabelos presos num rabo de cavalo, uma camiseta de mangas longas, aliás sempre usa roupas assim, me dou conta que nunca sequer vi seus braços, nada além de pescoço e mãos, e o rosto é claro o rosto mais lindo, simétrico e perfeito que já vi na vida.

−Pronta? Eu pergunto e então para minha surpresa Mary sorri e o sol parece nascer, meu estômago revira mais uma vez, pisco completamente atordoado e depois sorrio de volta.

Notas finais
Gostaram? Espero comentários e opiniões sobre o hiatus. beijos