Apocalipse - A Era Dos Mortos
57 Capítulo bônus - Parte 2
Notas iniciais
Pov – Mary
Me olho no espelho quebrado como quase tudo naquela casa, verifico se tem alguma mancha a vista, nada, me sento na cama esperando o monstro sair, tremo só de pensar que ele pode decidir vir ao meu quarto antes de viajar com Merle, meu coração bate acelerado, como sempre quando estou no inferno que todos costumam chamar de casa.
Quando Daryl apareceu na loja pela primeira vez quase corri para o vestiário e teria feito isso se meu chefe não tivesse mando justo eu atende-lo, eu poderia ter dito não, mas sou Mary, aquela que sempre obedece calada.
Atender ele foi rápido e constrangedor, ele é tão especial, desde que se mudou eu só faço pensar em como seria conviver com ele, e então quando saí da loja me ofereceu carona, tive medo, tenho medo de tudo, mas ele insistiu e apenas obedeci, como sempre.
Depois quando me dei conta estava no meio da sala dele, e meu coração batia feito um louco e queria que o tempo parasse, mas não parou, tive que voltar para casa e nunca doeu tanto, depois que minha mãe morreu tudo ficou ainda pior.
Jack ficou ainda pior, sinto aquele nó na garganta que me acompanha desde criança, as lágrimas secaram a muito tempo, às vezes quero chorar, mas simplesmente não consigo, é apenas o nó na garganta a angustia no peito o tempo todo e a dor física, essa nunca me abandona, nunca cura realmente.
Nem mesmo quando abri a porta e dei de cara com minha mãe morta consegui chorar, apenas a dor de sempre nem maior, nem menor, ela nunca se importou, mais do que isso, fechou os olhos e fingiu que não estava acontecendo, isso é claro, depois de dizer que a culpa era minha e me olhar com nojo.
Minha mente volta para Daryl, o que ele diria se soubesse? Não posso nem imaginar, me olharia como ela é claro, com nojo, e nunca mais chegaria perto de mim.
Ouço a moto partir e me olho mais uma vez decidindo se devia ir, o coração dividido entre a vontade de estar com ele e o medo que ele faça comigo o mesmo que Jack faz, se fizer eu simplesmente não vou aguentar, vai ser uma dor sem fim e sei que vou acabar preferindo estar morta.
Ao mesmo tempo quero ficar com ele, gosto de tudo nele, da voz grave, o sorriso meio torto e raso, o jeito como ele anda, como se estivesse a procura de encrenca, o dono do mundo, e principalmente o modo como olha para mim com os mais belos olhos azuis que já vi, é como um céu de verão cheio de bons presságios.
Eu vou, sei que vou simplesmente porque não consigo resistir, só posso rezar para ser apenas um passeio, para ele não querer nada além de minha companhia, pego a mochila com a muda de roupa que ele me pediu para levar e deixo a casa e tudo que queria era que fosse para sempre.
Daryl está arrumando a caminhonete quando chego, sorrio para ele, é a primeira pessoa que me faz sorrir em muito tempo ele corresponde dessa vez um sorriso aberto e limpo, que o deixa ainda mais bonito.
Entramos no carro e seguimos até próximo a floresta, Daryl estaciona, eu o ajudo a carregar as coisas e entramos na floresta, era quase noite, ele monta a barraca numa clareira a meia hora da estrada, não posso negar que estou bem assustada, depois acende uma fogueira, o tempo todo fica me ensinando como se faz tudo, presto atenção realmente interessada em aprender e quando tudo está pronto é noite.
−Com fome? Ele me pergunta e me dou conta que sim – Trouxe comida enlatada, se importa?
−Claro que não!
−Ótimo, vamos comer e ficar por aqui, saímos bem cedo amanhã, depois que a senhorita caçar um cervo voltamos para cá e domingo quando o dia amanhecer vamos para casa.
−Está certo!
Adoro a comida, Daryl me conta de quando ficou perdido na floresta acabo rindo, mesmo sendo uma história triste afinal ele era só um menino.
−Desculpe! Peço e ele dá de ombros.
−Tudo bem! Rimos e conversamos mais um pouco, os barulhos da floresta me assustam um pouco, mas não demonstro.
−Fica mesmo aqui sozinho por dias se for preciso não é?
−Gosto da paz! Ele me conta – Mas na verdade é bem seguro se não ficar impressionada com os sons da noite.
−É um grande caçador é o que todos dizem.
−As pessoas dizem muitas coisas! Eu estremeço um pouco com medo de ele ter ouvido algo sobre mim – Vamos entrar na barraca Mary e descansar, se não vamos acordar tarde e perder a caçada.
Como assim acordar tarde? Eu penso assustada, é preciso dormir para acordar, eu não posso dormir, dormir significa pesadelos, acordar aos gritos, não eu não posso, começo a tremer quando entramos na barraca, era tão pequena e se ele me tocar se Daryl... ele é homem eu devia saber, foi para isso que me trouxe, meu coração está batendo alucinado, quero tanto ir embora, sumir de tudo.
−Boa noite Mary, não se preocupe o fogo afasta os animais! Daryl me dá as costas, pisco assustada, então ele não vai fazer nada, começo a ficar mais calma, de todo modo não posso dormir e só me encolho sentada abraçando os joelhos, vai ser uma longa noite.
−Que está fazendo? Ele me pergunta se virando para me olhar.
−Eu... Desculpe devia ter dito antes, te dado a chance de desistir de me trazer, mas dormir não é boa ideia, tenho pesadelos, eu prefiro...
−Como sabe que vai ter pesadelos?
−Tenho todos os dias.
−É sua mãe, por isso...
−Não, isso é de antes, desde a primeira vez que ele... – Quase falo demais – Desde criança.
−Nossa! Ele se senta pensativo – Tudo bem Mary, é só pensar em uma coisa que goste, sei lá use uma palavra chave que te traga de volta para realidade, e se gritar ou sei lá se debater eu te acordo, sem problemas!
Fico olhando para ele pensativa, depois me deito encolhida e fixo meus olhos nele que me observa, Daryl é tudo que gosto nessa vida, ele é a única palavra chave que poderia ter, meus olhos pesam e adormeço.
Então estou nos braços de Daryl, adorando sentir suas mãos em volta da minha cintura e de repente Jack me puxa, me arrasta, choro, grito e peço ajuda, não quero que ele faça de novo, mas lá está ele sobre mim, enquanto me debato apavorada e então uma mão me toca me puxando para realidade, ouço uma voz distante e lá está ele, assim que abro os olhos Daryl me olhava entre preocupado e curioso.
−Desculpe, eu avisei.
−Sem problemas, está bem? Ele pergunta e passo a mão pelo rosto, estou molhada de lágrimas, há quanto tempo não choro, a ideia de que posso chorar de novo desata um nó no meu peito e caio num choro convulsivo.
−Mary! Daryl está apenas me olhando escondo o rosto e queria muito que ele me abraçasse e morro de medo de ele fazer isso e choro ainda mais por conta do dilema.
Então as mãos dele tocam meus cabelos, um toque gentil, sem violência ou maldade, ele se aproxima, quero parar de chorar, mas choro a dor de toda uma vida e simplesmente não posso controlar.
−Sinto muito! Eu soluço e então ele me abraça é tão bom, seguro, que me deixo ficar assim, encostada em seu peito até me acalmar – Desculpe! Peço depois de um soluço.
−Está tudo bem, apenas se acalme! Eu concordo com a cabeça e finalmente me controlo – Melhor?
−Sim.
−Então vamos dormir, já vai amanhecer precisa de um descanso.
Eu me deito decidida a ficar apenas ali, me forço a ficar acordada rezando para amanhecer logo.
Mesmo sem dormir direito tenho um dia perfeito, caço eu mesma um cervo, nem acredito que fiz isso, meu coração nunca esteve tão tranquilo, limpamos o bicho na beira do rio no meio da tarde, arrumamos toda carne para levar para casa e comemos um pedaço assado na brasa no jantar, fico com medo de ter outra crise de choro, principalmente depois de ter passado o dia todo sorrindo feito uma tola, como nunca fiz na vida.
Então quando estamos sentados do lado um do outro olhando tranquilos o fogo crepitar eu me dou conta, estou apaixonada por ele, amo Daryl Dixon e ele nunca pode saber disso, se descobrir o quanto sou uma tola sonhadora vai rir de mim, claro que vai, um cara como ele nunca iria querer nada com alguém como eu, não sou nada, não sou ninguém, sei muito bem que ele merece mais do que isso.
−O que foi? Ele me pergunta.
−Nada! Sorrio de novo, um tanto corada – Obrigada!
−Bobagem, também gostei! Ele me diz sem me olhar, nem desconfia o que fez por mim.
−Acabou não é? Pergunto – Quando amanhecer vamos desmontar tudo e voltar para casa! A palavra casa sai estrangulada, porque é uma grande mentira.
−Vamos voltar outras vezes, posso falar com o Jack se quiser, ele é amigo do Merle, não acho que vai...
−Não! Eu começo a tremer simplesmente apavorada – Por favor, prometa que não vai fazer isso – Ele me olha confuso.
−Certo, não vou fazer isso.
Daryl não me pergunta nada, mas eu sei que está intrigado, se me perguntar o que faço, não quero mentir para ele, mas se contar ele nunca vai entender, vai ficar com nojo de mim e nunca mais vou voltar a ficar perto dele.
Mas Daryl não pergunta e seguimos para barraca, me deito e depois de desejar boa noite fico em silencio, não vou dormir, não vou dormir, fico repetindo mentalmente e então lá estou eu, deitada na minha cama, machucada, por dentro e por fora, lutando contra braços fortes, implorando misericórdia.
−Acorda Mary! Sinto a mão de Daryl no meu ombro e me sento assustada – Já passou, foi mais um sonho ruim, fique calma.
−Obrigada! Eu digo rápido, felizmente dessa vez não me entrego ao pranto e apenas me mantenho mais uma vez de olhos abertos.
Queria sentir de novo os braços de Daryl em minha volta, queria estar mais uma vez em seu peito, mas ele não se aproxima e fico apenas quieta, o dia amanhece e tomada pela tristeza ajudo Daryl a recolher tudo e voltamos para casa, meu coração despedaçado.
Daryl um dia arrumaria uma garota e me esqueceria, nunca mais eu o veria parado na porta do trabalho à minha espera, nunca mais passaríamos a única hora boa do dia que tenho, são minutos rápidos e perfeitos que ficam todos registrados e guardados num cantinho da minha mente e coração.
O cantinho das coisas boas que acontecem com Mary, ele é dono de todas elas, Daryl parado na porta da loja à minha espera, ali por mim, Daryl me ensinando a caçar, sorrindo e me contando histórias dele como se eu fosse alguém, Daryl me abraçando, sorrindo, tudo guardado e a espera de minhas visitas constantes.
Quando ele estaciona na porta da própria casa eu sinto minhas pernas fraquejarem, a moto de Merle estava lá, Jack devia estar em casa, dessa vez eu iria para o inferno penso quando descemos e pego minha mochila.
−Obrigada Daryl! Digo com a voz embargada – Por tudo que fez por mim, eu... apenas obrigada! Olho de novo para moto.
−Posso ir com você até lá Mary.
Nego com a cabeça, Jack ficaria maluco, ele não precisava disso, aquela era a minha sina, não a dele, olho mais uma vez para os olhos azuis como o céu de verão que agora parecem um pouco preocupados, acho que não consigo esconder meu pavor.
−Tchau!
−Te pego amanhã.
Não quero ir, quero que ele me empesa, que me roube para ele como sonhei tantas vezes, se pudesse fugir, se adiantasse, mas já tentei tantas vezes e acabei sempre no mesmo lugar, nas mãos de Jack e dói tanto.
Caminho para casa com passos incertos, abro a porta e entro, subo correndo para meu quarto que não tem fechadura a muitos anos, Jack a tirou, por que é meu dono, por que faz o que quer e ninguém se importa.
Tiro a mochila das costas tremendo com a porta só encostada e quando me viro sinto um tapa que faz meu rosto estalar e cambaleio para traz confusa.
−Cheguei no meio da noite sua vadia, onde estava? Outro tapa, meu rosto ardia e sei que vai ficar marcado, esbarro na cômoda, caio desajeitada e uma mão forte me põe de pé – Responde! Ele grita me derrubando de novo.
−Na casa de uma amiga! Minto e ganho um soco no estômago que me faz dobrar de dor, depois mais um chute e estou no chão, tonta e sem forças.
−Vai ficar ai mesmo sua piranha, amanhã conversamos melhor eu vou arrebentar você até não ter mais forças para mentir.
Fico sozinha, sinto gosto de sangue, acho que mordi a língua, meu rosto arde e sei que a sessão de tortura apenas começou, não saio do chão, não tenho forças, ele vai me deixar aqui, sem água e comida o dia todo, vai voltar apenas á noite e tudo vai ser pior e amanhã vai continuar, até ele se cansar.
Não vou ver Daryl eu penso quando começa a escurecer, ele não vai me encontrar na porta do meu trabalho como todos os dias, vai ficar bravo comigo, achar que não quero mais sua carona e nunca mais vamos nos falar, acabou, eu nunca devia ter dado espaço a ele, nunca devia ter deixado ele entrar na minha vida.
Antes era ruim e nojento cada vez que aquele monstro tocava em mim, mas depois de estar perto de Daryl, tudo ficou ainda pior, sinto tanto nojo, que depois quando ele me deixa em paz quando sai do quarto fico com crises de pânico, com ânsia de vomito e tremedeira, a única coisa que me acalma é saber que vou vê-lo de novo, mas agora sei que não vou e posso deixar aquele monstro acabar comigo de um vez, posso até desejar isso.
A porta range quando já estava escuro, não tem mais lágrimas é de novo só aquele nó na garganta, e a agonia no peito.
−Não se atreva a sair daqui fingindo que vai trabalhar quando o dia amanhecer ou caço você até no inferno! Ele me diz antes de deixar o quarto uma hora depois.
Pov – Daryl
Merle não estava nada bem quando chego com Mary, ela ficou mesmo apavorada eu pude perceber e queria pedir a ele para ir até lá saber dela, mas ele está completamente bêbado e mau fica de pé, vou para cama e quando saio para o trabalho na manhã seguinte depois de uma longa noite de insônia, meu irmão dormia feito uma pedra.
Não consegui pregar o olho, tem algo errado nessa história, algo que Mary não tem coragem de falar, mas hoje vou obriga-la a me dizer, todos aqueles pesadelos, as palavras meio sem sentido não me deixaram entender do que se trata, mas ela é muito infeliz e preciso saber porque.
O dia se arrasta e uma angustia toma conta de mim, assim que chego na porta da loja a amiga de Mary surge.
−Oi! Ela me diz meio preocupada – Ela não veio hoje, passei para conversar e acabaram de me avisar, Daryl sabe alguma coisa da vida de Mary?
−Porque! Minha mente trabalhando frenética, não veio, não me avisou, o que pode ter acontecido?
−Ela deve ter algum problema, se soubesse onde ela mora iria até lá, Mary às vezes... Bom, você é namorado dela, deve saber mais do que eu, se a vir diga que passei para falar com ela.
A garota vai embora e acelero para casa, meu irmão sabe de alguma coisa tenho certeza.
Entro com tudo em casa, Merle está esticado no sofá, com uma jarra de água na mão.
−Abre o bico Merle! Ele me olha confuso – Vamos o que sabe sobre a Mary?
−O que todo mundo sabe, ficou louco? Ele volta a atenção a TV que desligo exigindo atenção.
−Certo e o que todo mundo sabe?
−Você é uma bichinha delicada e inocente mesmo não é? Ele diz com desdém.
−Fala de uma vez, merda! Eu grito e ele se senta ereto sem acreditar no meu comportamento.
−Está dividindo a garota com o Jack e quer me dizer que não sabe? Meu coração para de bater um instante para voltar no segundo seguinte completamente descontrolado – Por que acha que o Jack se casou com a mãe da Mary?
Caminho para ele fora de mim o puxo pelo colarinho colocando Merle de pé.
−Fala de uma vez! Esbravejo.
−Jack brinca de casinha com Mary desde que ela tem dez anos! Ele me diz, sei que seu tom de voz demonstra uma certa repulsa, mas só consigo odiar Merle por saber por não me dizer, por não fazer nada o empurro para longe.
−Sabia disso e não fez nada?
−Fiquei muito tempo sem ver o cara descobri depois, ela já era bem grandinha e achei que tudo bem ela já deve ter se acostumado.
−Acostumado! Ando de um lado para outro – Por isso não fugiu? Aquilo é difícil de entender.
−Ninguém foge do Jack, e uma faca no pescoço deixa qualquer um bem submisso! Ele ri sem graça – Ela até fugiu umas vezes, mas acabava de novo nas mãos dele e a vaca da mãe dela sabia, nunca fez nada, porque acha que eu devia fazer?
−Porque não me contou?
−Achei que sabia, ele não esconde de ninguém, adora contar vantagem sobre as coisas que faz com ela, quando está chapado dá até detalhes e sabe ele está sempre chapado.
Fico andando de um lado para outro, Mary nas mãos daquele monstro, uma vida toda disso, desde os dez anos, Mary e seus olhos tristes, seus pesadelos, o choro convulsivo, o olhar de pavor, nunca mais aquele desgraçado vai tocar nela.
Pego minha besta e caminho para porta, Merle me olha perplexo.
−Onde vai?
−Buscar Mary! Aviso saindo para rua ele me segue.
−Está maluco? Tenta me segurar eu o empurro – Vai querer mesmo Jack como inimigo?
−Mato ele se tentar me impedir, quero matar mesmo se não tentar! Eu grito e meu irmão me puxa de novo eu estou tão fora de mim que o seguro pelo pescoço, pessoas saem na rua, algo me diz que dessa vez ninguém vai chamar a polícia – Pode vir comigo e ser meu irmão uma vez na vida, ou pode ir embora e me deixar em paz, vou entrar lá e pegar a garota com ou sem você!
Solto Merle e rumo para casa de Jack, chuto a porta e meu irmão está ao meu lado, estou com a besta em punho, mas quando vejo Jack surgir no meio da escada abotoando as calças eu simplesmente a ponho para traz, vou acabar com ele com minhas próprias mãos.
−Que porra é essa? Ele grita e no segundo seguinte está no chão e eu estou lhe dando socos um atrás do outro, Jack tenta reagir, mas nunca senti tanto ódio em minha vida.
−Chega Daryl! Merle me puxa – Vá buscar a garota, se matar o cara não vai poder cuidar dela, Jack já entendeu o que se passa.
Me afasto porque ele tem razão.
−Se chegar perto dela mato você! Eu o chuto e ele geme sem forças, subo apressado e com medo do que vou encontrar, a porta está encostada e eu empurro.
Mary está na cama encolhida, rasgada e ferida, os olhos perdidos de um jeito que não me reconhece, apenas se encolhe mais quando sente alguém entrando, fecha os olhos e sinto meu coração partir.
−Sou eu Mary! Aviso quando tento tocá-la e ela se fecha ainda mais, Mary então me olha – Vamos, eu vou te tirar daqui.
Mary fica me olhando me aproximo dela, dessa vez ela não se afasta.
−Acabou eu prometo! Ela tenta cobrir o corpo, roupas, eu penso, encontro a mochila que levou na nossa caçada ainda jogada no chão eu abro e começo a jogar tudo que encontro, posso comprar o que estiver faltando, penso ainda confuso, sem me dar conta dos planos que estou fazendo, coloco a mochila nas costas e a envolvo no lençol da cama.
−Não posso, ele vai me machucar mais, vai machucar você.
−Não vai Mary, vamos vou te tirar daqui! Ela concorda e me envolve o pescoço quando a pego no colo, esconde o rosto quando passamos pela sala, Merle está de pé na porta de guarda e sinto que se comove quando vê o estado de Mary.
Caminho com ela no colo no meio da rua, sempre detestei ser o centro das atenções e nesse exato instante a rua toda está na porta me olhando, mas ninguém parece reclamar e me dou conta que realmente todo mundo sabia do que acontecia com ela, e pior ninguém nunca fez nada.
Mas as pessoa me aprovam uma velha até me sorri quando passo e então estou em casa e subo direto para meu quarto, não sei se deveria levar Mary a um hospital, acho que ela deve decidir.
−Quer que pegue o carro e te leve no médico? Pergunto quando com cuidado a coloco na cama.
−Não! Ela diz – Vai passar! Fico olhando para ela sem saber o que fazer, como ajudar – Ele vai matar você! Ela diz antes de começar a chorar mais uma vez e sem saber muito o que estou fazendo eu a trago para meus braços e fico com ela assim até que esgotada ela pega no sono, então passo a noite assim sentado na beira da cama velando o sono agitado de Mary, toda vez que se mexe ela geme de dor e quero enfiar uma flecha na cabeça daquele desgraçado.
Fale com o autor