Apocalipse - A Era Dos Mortos
81 Capítulo 81 - Terminus
Notas iniciais
Pov – Daryl
─Vamos lá! Um homem se aproxima desarmado, não gosto do seu olhar, é sereno demais, nenhuma segurança, tudo limpo, pacifico, tranquilo, assustador eu diria – Costumamos receber as pessoas pela porta da frente, mas desse modo serve – Ele sorri erguendo os braços – Sejam bem vindos a Terminus!
─Eu sou Rick, esse é Daryl, Carl e Michonne.
─Gareth! O cara anuncia – Se puderem colocar as armas no chão, é apenas uma verificação.
Ficamos em dúvida um minuto, mas então Rick faz um sinal e sempre confio em seus instintos, todos deixamos nossas armas, depois um rapaz nos revista, faz piada sobre nosso estado, tenta ser gentil, mas não esconde a tenção, nossas armas são devidamente devolvidas, ótimo, a ideia de me separar da minha besta é irritante.
Depois o mesmo rapaz nos leva para um tour pelo lugar, quase não encontramos com pessoas, não até chegarmos ao que se parece com um pátio, como os que tínhamos na prisão, assim como o nosso eles tem uma churrasqueira, uma mulher cuidava da carne, algumas pessoas se espalhavam por mesas e cadeiras, nos olhavam curiosos, a mulher sorri e acho que tem cara de louca, mas tudo bem, se meu filho ficar seguro posso conviver com isso.
Ela começa a servir a comida, o primeiro a pegar um prato é Carl, não pretendo comer, não enquanto Mary e o sorvetinho estão com fome, então antes que tome a decisão de buscá-los Rick toma nosso guia como refém, aponta uma arma para sua cabeça enquanto o prende pelo pescoço, mostra um relógio que o rapaz carregava, no mesmo momento todos nós nos colocamos em alerta, fico grato por Mary e Scott não estarem lá.
Tem um atirador no telhado, aponta sua arma para Rick, o rapaz está apavorado, todos estamos prontos para o que vier.
─Vamos me diga aonde encontrou isso? Rick pergunta, é o relógio de Glenn, mais um dos nossos esteve ou está aqui, talvez mais deles, quem sabe todos – Onde está nosso pessoal?
Gareth aparece, tenta acalmar a todos, fala sobre confiança, merda nenhuma, nosso grupo esteve aqui e foi no mínimo roubado, mesmo algo me dizendo que estão ainda em algum lugar.
Então alguém vem por trás de Rick, atira, mas Rick usa o rapaz como escudo, tiros são disparados por todos os lados e corremos em busca de uma saída, eles definitivamente não estão interessados em nos matar e isso parece muito mais assustador, vamos desviando dos tiros, e o que sinto é que estamos sendo de algum modo guiados, chegamos a um contêiner, escutamos gritos de socorro, não há tempo de salvar ninguém, Rick nos mande continuar, portas são fechadas, caminhos são desenhados por tiros entramos em uma sala, paramos confusos diante do que vemos, é como um templo, um santuário, me lembro do que ouvi no rádio, “Santuário para todos”, então é isso que queria dizer? Tem velas por todo chão, objetos pessoais deixados sobre nomes escritos no chão, diminuímos o passo olhando o ambiente, nas paredes frases estão escritas “Nunca mais, nunca confie, primeiro nós, sempre!” uma porta bate, nos desperta do rápido transe e continuamos em busca de saída, corremos para fora pela única passagem estamos de novo do lado de fora, mais tiros a nossa volta e acabamos cercados em um pátio.
Do lado de fora das cercas, homens muito armados nos impedem de sair, tem atiradores nos telhados e não tem nada que possamos fazer a não ser parar.
─Larguem as armas ou matamos o garoto! Ninguém aqui brincaria com a vida de Carl, nem por um segundo e obedecemos, detesto me sentir assim, rendido e nas mãos de desconhecidos – Agora prestem atenção, vão caminhar para aquele vagão, eu decido a ordem, se obedecerem o garoto pode ir com vocês, se fizerem alguma tolice ele morre.
Me surpreende como o tal Gareth ainda mantem o tom calmo, ele nos olha, sabemos que estamos presos a ele e agora temo por Mary, ela não vai aceitar isso, vai tentar algo e vai ser uma grande confusão.
Embora tenham armas ela e Arthur não dão conta de todo esse grupo, além disso temos o sorvetinho, não sei o que pensar, só queria que ela nos esquecesse aqui e que ficasse segura.
─Primeiro o líder! Rick obedece, caminha devagar em direção a escada, para obediente – Agora o arqueiro! Faço o mesmo, não podemos arriscar – Vamos samurai, agora é você, não faça tolices – Michonne ama Carl mais do que tudo eu sei disso e sei que ela não faria nada.
─Meu filho! Rick grita.
─Vai garoto! O homem manda e Carl caminha para nós, Rick abre a porta e começamos a entrar, o lugar é escuro e quando estamos todos lá dentro puxamos a porta, eles nem mesmo se dão ao trabalho de trancar, acho que não é preciso por conta dos guardas no telhado.
─Rick? Um grupo se aproxima, e lá estão eles, Bob, Sasha, e nossos irmãos, Maggie e Glenn, tem mais pessoas com eles.
─São nossos amigos, nos ajudaram! Maggie os defende porque Rick assim como eu reconhece a garota que estava com o grupo do governador durante o ataque a prisão, me lembro de Rick tentando convence-la a ajudar.
─Então são nossos amigos agora! Eu digo, não é hora para problemas internos, temos algo maior e mais graves para resolver.
─Pelo tempo que restar! Um cara grandão diz atrás de Sasha.
─Eles vão se sentir bem estúpidos quando descobrirem! Rick anuncia, estou a seu lado para o que for preciso.
─Descobrirem o que? O cara pergunta.
─Quando descobrirem que mexeram com as pessoas erradas! Rick parece mais decidido que nunca, acho que nunca o vi assim, tão certo de algo como está agora, todos nos olhamos, juntos acho que somos mesmo mais fortes, mesmo agora, desarmados e presos não me sinto fraco, nem com medo, vamos dar um jeito, sempre demos e não vai ser diferente agora.
─Mary está lá fora e está com Arthur e muitas armas, temos ficar prontos, de algum jeito ela vai nos dar algum sinal!
Rick está confiando nela e eu também, embora preferisse que Mary simplesmente nos deixasse para trás.
─Mary está viva! Maggie diz aliciada, se encosta em Glenn – E ele o Scott.
─Está com ela! Eu aviso, e ficamos mais uma vez em silencio, tentando olhar pelas frestas, descobrir, algum meio de sairmos daqui.
Pov – Mary
Estamos eu e Arthur tensos à espera do resto do grupo, quase uma hora se passou e nenhum sinal, então ouvimos tiros, muitos tiros e só pode vir do santuário, meu coração só falta parar de bater, nos olhamos assustados e mudos, os tiros cessam.
Olho para as armas, depois para Arthur, ele nega com um movimento de cabeça, eu suplico como olhar.
─Calma Mary, se lembre que temos uma criança conosco, fica aqui, mantenha as armas e a segurança, eu vou dar uma olhada, tentar descobrir o que aconteceu, depois volto e tomamos uma decisão.
Concordo sem voz para falar, Daryl tem que estar vivo, nenhum desses tiros foi para ele, preciso acreditar nisso, pode ter sido um ataque zumbi, talvez tenham mesmo ajudado a conter os mortos, e agora ele vira correndo me buscar preocupado com minha segurança, Arthur se afasta apressado, leva apenas sua arma pessoal e uma pistola, ergo minha besta, vai saber quantos zumbis ouviram isso.
─O Arthur foi embora também mamãe? Scott me pergunta sentado no chão com seu cavalinho, eu tento sorrir, mas minha mandíbula está travada, nego com um movimento de cabeça – O papai vai demorar, quero o papai! Ele choraminga e me aproximo dele.
─Vai ficar tudo bem, seu pai já vem! Aviso e ele toca meu rosto.
─Não chora mamãe! Me pede e nem tinha percebido as lágrimas, estou tão cansada disso, de lutar, de fugir, correr e correr sempre, de nunca parar, quero tanto um lugar seguro, um abrigo e paz para meu sorvetinho, eu o abraço um instante, mais forte do que devia e ele resmunga, me afasto, olhar para ele me dá forças e esperanças.
Fico de pé de novo, fixo meus olhos no caminho que Arthur tomou, no caminho que mais cedo meu amor tomou, ele vai voltar, eu sei que sim.
Meia hora se passa, talvez mais, é o fim do mundo e o tempo ganhou outro significado, ele se divide em dia e noite, nada além disso, ainda é dia.
Então escuto primeiro passos, ergo minha besta, aponto para a direção de onde eu os escuto, é mais de uma pessoa.
─Deus que seja Daryl vindo com Arthur! Digo em voz alta, primeiro vejo Arthur, quase me sinto aliviada, depois vejo surpresa com quem ele caminha, Tyresse, e não só ele, Carol está junto, abaixo a besta, assim que eles invadem o acampamento abraço Ty feliz, mesmo Carol ali me traz esperança, aceno para ela, e o mais incrível acontece, Tyresse tira das costas ela, meu pequeno bebê, Judith está com eles, meus olhos ficam cheios de água, é um milagre, nem posso imaginar a emoção que será para Rick e Carl, assim como nós eles acreditam que ela está morta.
Abraço Judith, aperto sentindo seu cheirinho, eu a trouxe ao mundo, Lori deve tê-la protegido de algum modo, não tem outra explicação.
─Descobriu alguma coisa? Pergunto a Arthur me afastando um pouco de Judy, eu a coloco no chão, sobre a coberta que Scott está sentado, ele faz um carinho no rosto da menininha, acho que sentiu sua falta – Cuida dela sorvetinho! Ele faz que sim e me ergo encarando Arthur enquanto tento secar minhas lágrimas – Vamos diga de uma vez!
Preciso ser forte, preciso ser forte, fico repetindo essa frase enquanto os três se olham.
─Estávamos chegando a terminus quando ouvimos a movimentação! Tyresse começa – Nos escondemos e pudemos ver o que aconteceu, por alguma razão Rick e os outros estavam fugindo, foram cercados e colocados num vagão de trem, estão presos lá, ninguém foi morto ou ferido, isso foi bem estranho.
─Se não fosse Judy tentaríamos fazer algo, mas com o bebê conosco, apenas ficamos escondidos, decidindo o que fazer – Carol se defende — Então Arthur surgiu.
─Vamos até lá, temos armas, precisamos liberta-los! Eu digo apressada.
─Calma! Arthur me pede, não quero calma, quero Daryl.
─Temos um plano! Ty me avisa – Você fica aqui com as crianças, nós vamos com as armas lá tentar resgatá-los, eles tem bons atiradores, dois, do lado de fora da cerca cuidando do vagão, um no telhado logo em frente e mais um em outro telhado, Rick e os outros vão esperar que façam alguma coisa, então apenas temos que tentar pegar os caras e ...
─Não! Eu digo decidida, não sou há muito tempo a Mary que cala e obedece sem questionar, não vai ser como eles querem.
─Mary... – Carol me olha séria – Eu sei que nunca fomos amigas, na verdade sempre fomos inimigas e isso parece estranho agora por que aquilo tudo perdeu a razão depois das coisas que nos aconteceram na estrada – Ela e Ty se olham, tem algo escondido ali, algo grande e doloroso, não quero perguntar – Mas agora, preciso que proteja as crianças, lutamos muito para chegar aqui com a Judy, acho que você e seu... seu filho também.
─Me escutem, Ty, eu sei que é forte, que com seu martelo pode derrubar uma dúzia de zumbis sem nem ao menos ficar cansado e isso é ótimo, mas não estamos falando de zumbis e se formos honestos é o pior atirador que já vi.
─Sim, isso é um fato! Ele admite.
─Você pode proteger as crianças aqui Ty, eu vou no seu lugar, sou a melhor atiradora do grupo, vocês tem que admitir, atiro melhor que vocês! Olho para Carol, ela me encara séria – Foi o Shane que me ensinou, se lembra Carol? Ela afirma – Vamos nós três, além disso tenho a besta, é uma arma silenciosa, posso derrubar alguns antes de sermos notados, quem mais pode fazer isso?
─Ela está certa! Carol fica do meu lado, é realmente estranho estarmos assim lutando juntas, mas eu gosto, foram tantas as coisas que enfrentamos aquelas tolices da prisão ficaram lá, eu prefiro assim.
─Ok! Tyresse concorda finalmente, Arthur ainda me olha preocupado, acho que teme que algo me aconteça, sei que pensa em Scott.
─Se eles estão presos a Beth também pode estar não acha? Já sei que isso é capaz de convence-lo a qualquer coisa.
─Se querem assim, por mim tudo bem!
─Então vamos!
Muito rápido arrumamos as armas, fico com minha besta nas costas e deixo a outra na sacola, nos organizamos, então olho para meu sorvetinho.
─Ei sorvetinho! Ele me olha triste, Tyresse está com ele e Judy – Mamãe vai buscar o papai, tem que ficar aqui com o ty, mas não pode chorar como fazia quando o papai e a mamãe saiam na prisão se lembra? Ele afirma com a cabeça – Se fizer isso os zumbis vão te ouvir, pode ficar aqui com a Judy e o Tyresse até eu voltar?
─Vai trazer o papai?
─Vou! Espero poder cumprir essa promessa.
─Está bem mamãe! Ele me abraça, beijo seu rosto e me afasto secando as lágrimas, queria poder chorar, mas não posso, não agora, agora preciso concentrar a visão.
Seguimos em frente, vamos caminhando em silencio, é quase vinte minutos de caminhada, por que montamos um acampamento o mais distante possível do perímetro deles, no caminho um zumbi surge, Carol o derruba com sua faca.
Eles deviam ser nossos únicos inimigos, mas não são, nem de longe são agora nosso maior problema, Terminus surge, diminuímos, em silencio Arthur me mostra um dos guardas, está armado escondido por entre as folhas secas, outro está na mesma direção a uns quinze metros.
─São só esses dois? Pergunto, os dois afirmam – Certo, Arthur vai até o segundo, temos que pega-los ao mesmo tempo para não darem nenhum alerta, depois cuido do que está no prédio.
─Certo! Ele me diz, Carol me olha.
─Mary, quando derrubarem os três caras eu vou atravessar a grade e levar as armas ao grupo no vagão.
─É arriscado! Aviso, ela me olha ao mesmo tempo que puxa a sacola das minhas mãos.
─Eu sei.
Se quer assim, que seja, não é hora para discutirmos, e eu e Arthur podemos dar cobertura, ou tentar, se eles tiverem armas então talvez tenhamos uma chance.
Colocamos o plano em ação, Arthur se afasta de mim, caminha silencioso até a altura do segundo homem, ergo minha besta nos olhamos, acho que estão a tanto tempo ali que se distraíram, não notam nenhum som, nenhum movimento.
Minha flecha atravessa o ar feito um raio, só posso agradecer por ter aprendido, acerta a cabeça do homem que cai silencioso enquanto Arthur quebrava o pescoço do segundo até agora nenhum tiro disparado, Carol se prepara, o homem do telhado caminha de um lado para outro, isso vai ser um problema, fixo a besta depois de caminhar mais para frente.
─Carol! Eu a chamo – Ai tem uma granada, sabe usa-la? Ela faz que sim.
─Ótimo, se tiver problemas no caminho use, vai deixá-los confusos ao menos um instante, daqui vou derrubar quantos puder!
─E eu também! Arthur diz já de volta, ela concorda, pega a granada e enfia no bolso da jaqueta que usa, coloca a mochila com as armas nas costas e segue até onde podia ficar sem ser vista, agora é minha vez, se errar a flecha nosso plano está furado, o cara vai chamar os outros e perdemos o elemento surpresa.
O homem continua a caminhar sobre o telhado, de um lado para outro, eu o sigo com a besta, as mãos tremulas demais, então desfaço a mira, olho para Arthur, estou com medo, medo de por tudo a perder.
─Olhe o vagão! Ele me aponta o velho vagão parado com a letra A desenhada – Daryl está lá dentro, e o Carl, você consegue!
Eu concordo, ergo a besta, fixo a visão e para minha sorte o homem simplesmente para de caminhar e parece olhar em nossa direção, acho que procura os atiradores que deveriam estar aqui se não estivesse mortos, aproveito aquele minuto e atiro a flecha rezando para que tenha alcance, e principalmente que não perca a força com tamanha distância.
A flecha o atinge em cheio, mas as coisas estavam boas demais para serem verdade e ele tomba para frente, é como se alçasse voo e aterrissa no chão num estrondo que obviamente vai despertar a todos.
Carol simplesmente salta para dentro de Terminus, corre em direção ao vagão, ouvimos gritos de alerta, um homem surge em outro telhado, atira em direção a ela, eu o acerto, ele assim como o primeiro despenca lá de cima.
Outros parecem surgir, mais tiros são disparados dessa vez em terra, Carol está a alguns passos do vagão a porta se abre e ela se aproxima, não sei quem a abriu, um tiro acerta Carol, ela se contorce, eu atiro em todos, Arthur também, tiros vem em nossa direção agora, então vejo Carol ficar de pé e finalmente chegar ao vagão.
Alguém puxa a mochila e ela cai ao lado do vagão, voltamos a atirar, eles são muitos, só posso tentar dar cobertura até que nosso grupo arrisque sair de lá atirando.
Arthur derruba mais um, agora uma mulher, os homens e mulheres de Terminus se protegem, se esconde atrás de portas e muros enquanto atiram, de onde estou vou tentando acerta-los, mais um surge no telhado.
Atira em nossa direção, acerta o ombro de Arthur.
─Arthur! Grito assustada.
─Estou bem! Ele me diz, se recompondo – Foi de raspão, continua.
Sim, eu não tenho escolha, não podemos fazer mais nada, apenas atirar e torcer para que Daryl consiga sair de lá, Carol está caída, não sei se ainda está viva, Arthur está perdendo sangue e só me resta atirar nos meus desconhecidos inimigos.
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