Apocalipse - A Era Dos Mortos

82 Capitulo 82 - Apenas mais uma batalha


Notas iniciais
Olá! Tudo bem? Aqui mais um, acho que no próximo capitulo termino a fic, vou sentir falta.

Pov – Daryl

Estamos todos em Alerta, demora um tempo até o primeiro sinal de Mary, escutamos um baque, o barulho nos chama atenção corremos para as frestas do vagão, então consigo ver um homem caído bem na frente do vagão, ele tem uma flecha no peito.

─Mary está aqui! Aviso mais temeroso que feliz.

Rick abre o vagão quando tiros começam a ser disparados de todos os lados, me surpreendo quando vejo Carol correndo para o vagão, esperava por Mary ou Arthur, mas Carol é estranho. Ela cai com um tiro nas costas antes de nos alcançar, ainda consegue nos passar as armas, Rick pega a sacola, encolhidos nos fundos do vagão dividimos as armas, fico com a besta, não tem tantas armas assim e mesmo que não seja a arma certa para o momento é melhor que todos tenham como se defender.

─Carl! Rick o chama e entrega uma arma a ele – Cuidado, não saia de perto de mim.

Vamos para a porta, Rick dispara algumas vezes, somos fortemente alvejados, não tem como sair, todos os atiradores agora atiram em direção ao vagão, muitos de nós vão cair antes de passarmos pela porta.

─Merda! Eu não posso esperar, Mary está lá fora, meu filho pode estar com ela, ou pior, pode estar em algum lugar sozinho, não sei o que pensar.

─Eu vou na frente, dou cobertura! Grito.

─Não! Rick me segura – Não vai servir de alvo! Ele sabe que não iria muito longe.

Então nos encolhemos mais um pouco, consigo ver um dos homens de Terminus cair logo ao lado de um muro, Mary ainda está lá, tem que ser ela.

─Carol! Rick chama por ela que está no chão, se demorar muito será tarde para ela – Aguenta! Ele diz e então ela se mexe, tira algo do bolso com dificuldade, vejo uma possa de sangue se formar sob seu corpo, é uma granada.

─Fiquem prontos! Grito, será nossa deixa, ela retira o pino e rola a granada na direção dos atiradores, ouvimos uma gritaria e a granada explode destruindo coisas e derrubando pessoas, saímos todos atirando, buscando um lugar para nos esconder e ganhar espaço.

A fumaça começa a se dissipar, acerto um homem, armo a besta mais uma vez, vejo Maggie puxar Carol para traz do vagão, Glenn a ajuda, depois assim como eu os dois vão atirando, ganhando espaço, Bob está com Sasha e quando correm em direção a tambores Sasha é ferida, Bob ainda consegue derrubar o homem que a atacou.

A cena me desespera, preciso achar Mary, ela está aqui, em algum lugar e preciso protege-la.

─Mary! Grito enquanto vou tentando avançar – Mary!

─Daryl! Eu ouço meu nome e lá está ela, agora atirando sem medo com uma metralhadora, corro até ela, não vejo Scott.

─Onde ele está? Eu pergunto quando nos abaixamos para não sermos atingidos, tiros passando muito perto de nós.

─Tyresse, está protegido! Ela diz e não tenho tempo de perguntar como, nem porquê.

Corremos para mais longe, encontramos com Rick e Carl, Michonne está a alguns metros, precisamos tentar nos reunir, não para fugir, não dá mais para fugir.

─Vamos tomar esse lugar! Rick diz tão firme como quando entramos no vagão – Temos que avançar, eles já não são tantos assim, mas precisamos tomar cuidado, não temos munição suficiente.

─Precisamos nos dividir! Eu digo e ele concorda.

─Mary, você e o Carl ficam aqui, nos dando cobertura, vou pela direita, Daryl pela esquerda, me junto com Michonne e você com o Glenn e a Maggie, cuidado!

Ninguém reclama, não é hora para contestar e acho mesmo mais seguro Mary ficar onde está.

Ando me esgueirando, me escondendo e correndo quando é preciso, Mary e Carl atiram para nos proteger, chego até Glenn.

─Onde estão seus amigos? Pergunto quando só vejo ele e Maggie.

─Foram pela esquerda, dando a volta, conseguiram chegar ao outro lado eu acho.

─Só tenho mais duas flechas, como estão de munição?

─Aqui? Glenn me entrega uma arma – Estava com a Carol, ela não vai aguentar muito, acertou o pulmão eu acho.

─Eu vou te dar cobertura, tente achar seu pessoal, vamos ganhar espaço e reunir todos eles aqui no centro.

Ele e Maggie começam a correr, vou atirando, pego mais um, então Bob também é atingido, preciso chegar até ele, estava correndo em sua direção quando os tiros cessam.

─Mas o que...

─Entreguem as armas! É a voz de Gareth, me viro e Mary está com ele, o canalha aponta uma arma para sua cabeça, seus homens estão atrás dele, nem dez agora, muitos estão caídos, vejo assombrado um dos homens de Gareth agora zumbi, debruçado sob o corpo de Sasha, se alimentando, mas agora minha Mary é a prioridade.

─Larga ela! Exijo enquanto caminho abertamente em sua direção, a besta erguida, Rick, Michonne e Carl se juntam a mim.

─Entreguem as armas, voltem para o vagão, não serei mais tão generoso!

─Não façam isso! Mary pede – Não entreguem as armas! Ela chora, me olha e quero tanto mandar tudo para o inferno, não posso perde-la – Daryl, por favor, meu filho, você disse, ele é nossa escolha, não se renda!

─Cala a boca! Gareth a chacoalha.

─Eu vou matar você seu infeliz! Aviso determinado.

─Já fomos ameaçados antes, já deixamos o inimigo entrar, e ele devorou nossa carne diante de nós, não vai acontecer de novo!

Eu não sei do que afinal ele está falando, mas com certeza o governador não era o único maluco do apocalipse.

─Já passamos por isso! Rick grita – E assim como você não vai acontecer de novo!

Então um rosto surge entre os moradores de terminus, passa a frente de todos, me espanto ao notar Beth entre eles, inteira, saudável e armada.

─Beth! Arthur sussurra ao meu lado, ela ergue sua arma, ficamos em choque, não é possível que tenha mudado de lado, não acredito que depois de tudo... Então ela dispara e Gareth cai atingido na cabeça, Mary fica sob seu corpo, os moradores se revoltam, antes que Beth seja atingida pela fúria de seus novos companheiros o grupo de Glenn surge por trás e assisto o restante dos moradores de Terminus caírem um a um é uma chacina, todos nós atiramos.

Não existe mais piedade, perdão, perdemos tudo que nos lembrava quem éramos, as palavras de Hershel sobre humanidade e esperança se perderam em algum lugar entre a queda da prisão e os homens diante de nós, apenas atiramos, sem medo, cheios de uma fúria que foi guardada por muito tempo e que agora não pode mais ser contida, não tem mais mocinhos e vilões, somos todos monstros e não nos importamos mais.

Então o silencio se faz, vencemos, não tem comemoração, gritos de vitória, nem abraços saudosos, vencemos e isso é tudo, mais um inimigo caiu e não quer dizer nada, outros virão, e talvez nem mesmo possamos chorar por nossas baixas, não são mortes, como no começo, são as baixas de um exército de soldados famintos, perdidos e solitários.

Mary vem para mim, os olhos molhados pelas lágrimas, olhamos em volta e Sasha ainda está sendo devorada, Tyresse está protegendo meu filho e não pude fazer o mesmo por sua irmã, caminho até o cadáver ambulante, enfio minha flecha com o que me restou de ódio, ele cai, Bob está um pouco mais adiante, Glenn enfia uma faca em sua têmpora é tarde para ele, Rosita é amparada por Maggie e Tara, tem um tiro na perna, Eugene e Abrahan estão a seu lado, Arthur segura o braço sangrando Beth caminha para ele, os dois se olham.

Temos muito o que entender, mas agora quero meu filho, Rick e Michonne se ajoelham ao lado de Carol, ela está no fim.

─Desculpe Carol! Rick diz abatido – Obrigado por vir aqui mesmo depois de tudo.

─Agora é realmente um bom líder, não carregue nenhuma culpa, acomode os dois ai dentro, tem espaço para o homem bom que um dia foi e o monstro que às vezes precisa dominar a todos nós.

─Não fala muito! Ele pede.

─Não há mais nada a dizer! Ela sorri – Faça agora! Ela olha para a pistola – Prefiro que seja você!

─Carol! Rick tenta dizer qualquer coisa, mas os olhos dela se fecham e é tarde demais, então Mary estende uma faca a ele, Rick atende ao pedido de Carol.

─Vem bruxa, vamos buscar nosso filho! Estou angustiado demais e precisamos dizer ao Tyresse o que aconteceu, será muito dolorido para ele.

─Sim, Rick! Ela o chama, Rick fica de pé – Vem conosco?

─Eu fico cuidando de tudo, precisamos varrer o lugar, pode ter mais alguém por ai.

─Depois, quero que venha comigo, o Carl também! Estranhamos seu pedido, mas depois de tudo, Rick apenas concorda.

─Podemos assumir aqui! Glenn avisa, depois que Arthur sussurra algo em seu ouvido.

Seguimos pela floresta, caminhamos em silencio um tempo, cada um perdido em seus pensamentos, não sei direito quem eu sou nesse momento, não me sinto muito diferente do governador.

─Não escolhemos isso, fomos levados! Mary diz segurando minha mão, acho que sabe o que estamos sentindo agora – No fim Carol estava certa, ao menos sobre isso.

─Temos muito para entender ainda, talvez Beth saiba responder, ou o lugar nos dê respostas, e precisamos decidir que caminho vamos seguir agora.

─Rick não decida nada até chegarmos ao acampamento! Mary diz a ele – Sinto pelo Ty, ele...

─Como se encontraram?

─Ouvimos os tiros, Arthur foi verificar, então os encontrou, eles assistiram o que aconteceu, viram onde estavam presos, não puderam fazer nada porque estavam... – Ela se cala – Bem nos reunimos e como ele atira mal ficou e nós fomos.

─Claro o Scott precisava de proteção! Carl se pronuncia pela primeira vez, Mary sorri para ele, perdemos tanto hoje, foi tão difícil que não sei de onde vem tamanha felicidade.

Então o acampamento surge, a sua volta o corpo de cinco zumbis, engulo em seco, talvez a confusão os tenha trazido, felizmente Tyresse deu jeito, vejo Scott sentado.

─Papai! Ele diz quando me vê, fica de pé e para minha surpresa Judith está sentada no chão, sim é ela, a menos que esteja louco, ela morde algum brinquedo alheia a tudo a sua volta.

Carl e Rick paralisam olhando para ela, Mary me abraça emocionada.

─Pai! Carl consegue dizer – Pai! Ele repete antes de correr para a irmã com Rick logo atrás dele, os três se abraçam, Rick tem uma crise de choro, a menina não entende o que está acontecendo resmunga incomodada com todo aquele carinho, faz os dois rirem.

Pego meu sorvetinho no colo, ele me envolve o pescoço, agora sei porque deixo o monstro ganhar espaço e me dominar quando é preciso, agora entendo a diferença entre mim e o governador, Scott, meu filho, eu posso ama-lo, posso ser um monstro e ainda assim amar aquela coisinha pequena e perfeita, é por ele que o monstro ganha vida, isso de algum modo afasta a culpa.

─Como? Rick pergunta a Ty.

─Sai de lá com ela, Mika e Lizzie, no meio do caminho encontrei Carol, ficamos juntos! Ele se cala, os olhos abatidos pelas lembranças – Lizzie não estava bem, ela nunca esteve, foi ela quem alimentou os zumbis na cerca, quem dissecou o coelho, Lizzie foi piorando, então matou a irmã! Aquilo é chocante, Mary se aperta a mim serra os olhos como se isso fosse afastar as imagens que inevitavelmente vão se formando em nossas mentes – Ela nunca entendeu bem a diferença, queria fazer o mesmo com Judy, não tinha escolha, não havia outra maneira, ela não podia conviver com pessoas e então... Carol fez, ela não sentiu, não ficou com medo, não sabia o que estava acontecendo, como... Como quando Carol matou Karen.

Eu e Rick nos olhamos, então ele sabia, Carol contou a ele, é bom que tenham resolvido isso, principalmente agora que Carol se foi.

─Onde ela está, Carol, onde está?

Entrego Scott a Mary, é hora de dizer a ele, Carl pega Judy, caminha para perto de Mary, eu e Rick nos juntamos, já vimos Tyresse fora de si, sabemos como é.

─Carol foi atingida, ela não resistiu! Ele baixa a cabeça, afirma com a cabeça, é uma pena que não teve tempo de reencontrar a irmã – Ty... No vagão, bem mais gente chegou aqui, estavam presos no vagão conosco, e quando saímos, no meio da confusão dos tiros, eu sinto muito! Rick tenta explicar, não é algo fácil – Sasha estava lá, mas ela também foi atingida, Sasha, Carol e Bob, os três morreram.

Tyresse fica calado, a cabeça baixa processando a informação, depois olha para Judy, ela sorri para ele, todo esse tempo juntos, acho que se acostumou com ele, então ele nos encara, não está furioso, não quer quebrar nada, não exige justiça, apenas se conforma.

─Vou enterrar minha irmã! Ele diz passando pelas cordas e seguindo em direção a Terminus, nos olhamos sem acreditar.

─Vamos! Rick diz pegando Judith no colo – Você cuida da segurança! Me entrega a pistola – Quero carregar minha filha.

─Com prazer! Eu digo sorrindo.

Caminhamos de volta a terminus, para entender o que afinal era aquele lugar, para decidir se vamos ficar ou partir, e mais uma vez enterrar nossos mortos, penso nos primeiros dias do apocalipse, nos dias na pedreira, me lembro de Carol e de como o apocalipse a transformou, assim como eu, Mary, Glenn, Rick e Carl, todos os outros sucumbiram, apenas nós ainda estamos de pé, resta saber até quando?

Notas finais
Espero que tenham gostado, no próximo vamosentender o que afinal era Terminus e que caminhos eles vão seguir. Comentem.